Após Armagedon, último disco do Kats tendo Brother Simion como líder, algumas coisas ocorreram. O cantor lançou mais um disco solo, chamado A Promessa, que, como dito em outro post, é talvez o seu pior trabalho. No entanto, em 1998, o vocalista lançou mais um projeto individual, que desta vez foi um divisor de águas e com certeza foi um impulso para que deixasse o Katsbarnea no ano seguinte: Asas.
Muito do que há nos primeiros discos de Brother é folk. Canções simples, tocadas em voz e violão. Entretanto, o músico mudou levemente sua lógica em Asas, inserindo outros elementos e gêneros, como o techno e o hard rock. As composições estão claramente mais apuradas, com várias temáticas contextualizadas. A mais gritante é, sem dúvida, a questão ambiental. Com duas músicas diretamente relacionadas à problemática (“SOS Terra” e “Tempestade”), há uns arranjos bons aqui e ali, e no geral nota-se que algumas faixas podiam ser facilmente canções do Katsbarnea (inclusive, Jadão participa em algumas com seu baixo característico).
“Liberdade” tem uma temática recorrente por Simion, a respeito da pseudoliberdade humana, criticando o uso de drogas por indivíduos que estão aprisionados por seus vícios. “Etério” vem de O Som que Te Faz Girar, desta vez com uma gravação mais recente e com arranjo leve. “Canguru Águia” é certamente a mais forçada e fraca do disco. Apesar de sua proposta, o resultado final não combinou com o estilo de Simion (mas valeu a intenção!). O crossover deu mais certo em “Reggae Street”, com sua pegada gostosa de ouvir. “Hey Brother” recupera todo o entusiasmo do músico em falar de temas atuais, citando em sua letra, por exemplo, a ‘era nuclear’, com preenchimentos vocais de Anhaia e Fontenele. “I Hope You See Light” fecha o CD melhor do que começou, com uma vibe hard rock com riffs de guitarra afiados. Penso o quanto a música seria ainda mais forte se tivesse sido gravada originalmente pelo Kats sem o uso de bateria eletrônica. Mas a faixa mais grandiosa do álbum, embora dotada de grande simplicidade, é a sua faixa-título, “Asas”, que naturalmente tornou-se um dos maiores sucessos do frontman.
O disco foi produzido pelo rapper Amaury Fontenele, que claramente impulsionou a influência eletrônica de algumas faixas (que seria o ponto central do álbum seguinte, Na Virada do Milênio). Paulo Anhaia, que anteriormente produziu Armagedon e os clássicos da Oficina G3 (Indiferença) e Resgate (On The Rock) faz-se presente, tocando baixo e atuando como engenheiro de áudio, back vocal e mixagem. A parceria de Simion com Estevam Hernandes prossegue, com todas as músicas assinadas pela dupla (embora muitos afirmem que os créditos são simbólicos).
https://www.youtube.com/watch?v=APwRHJinCrM
Em meados de 1999, o Katsbarnea praticamente já tinha se transformado na carreira solo de Brother Simion. Há um erro histórico por conta de alguns autores, em que afirmam a saída do cantor. No entanto, a banda deixou de existir de forma natural. Certamente, não fazia o menor sentido manter em existência um grupo que trocava constantemente sua formação e tinha apenas como compositor Brother. Todavia, surpreendente, o nome Katsbarnea retornaria em 2000, com uma nova formação, totalmente desvinculada de seu ex-líder e fundador. Mas isso é assunto e explicação para um próximo post…
Não há mais como voltar atrás. O termo “fã” já foi incorporado ao vocabulário do mundinho gospel. Mas ser fã é saudável? Até quando?
Pra começo de conversa, o “fã gospel” (rs) sempre existiu. Hoje ele apenas “saiu do armário”, se assumiu. Pelo menos foi-se a hipocrisia. Ponto positivo.
Mas… nem tudo é positivo. Há uma confusão e grande quando o assunto é ser fã. Segundo o Dicionário Web, fã é: Pessoa que tem grande admiração por artistas (de cinema, teatro, televisão) ou figuras populares (campeões esportivos, jogadores de futebol etc.). Admirador.
Quem não admira algum cantor ou banda/ministérios? Sempre há aqueles que preferimos, que gostamos de ouvir e comprar os CDs assim que lançados. Normal. Por mais “santo” que alguém seja, não é possível que não nutra admiração a ninguém.
O problema visível hoje é que muitos extrapolaram esse limite faz algum tempo. O fã vem virando (já virou) fanático, desprovido de senso crítico, cujo seu admirado (ídolo) torna-se um semi-deus. Um ser inalcançável, incomparável e perfeito!
Vai alguém criticar ou questionar pra ver uma coisa… (sugiro que não façam isso a menos que não tenham problemas em serem depreciados pelas fãs).
Veja o que o Dicionário Web diz sobre fanático: Paixão cega que leva alguém a excessos em favor de uma religião, doutrina, partido etc. Dedicação excessiva.
Soa familiar? Ninguém pode criticar o “ídolo” que vira alvo dos fãs. Infelizmente, algo comum de se ver principalmente nas redes sociais. E o que falar daqueles que criam rivalidades entre cantores? A “guerra santa” dos fãs rola solta. Até parece que Jesus não vem mais…
Não é objetivo deste texto afirmar o que seja certo ou errado. Mas sim levantar uma reflexão do nosso papel como “luz do mundo”. Lembremos do que disse Paulo aos Coríntios (1 Co 6. 12): “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma.”
Será que o fanatismo convêm ao povo que se diz sal da terra e luz do mundo?
A Ser Ester vai apresentar hoje uma história super bonita e que está alcançando milhares de pessoas no Brasil e no mundo. Trata-se do casamento de Amanda e Leonardo, o jovem (E LINDO!) casal do Mato Grosso do Sul que deu seu primeiro beijo no altar, após um namoro de 1 ano e 3 meses.
Eles são evangélicos, lindos, jovens, inteligentes, formados (ela em direito e ele em fonoaudiologia), bem sucedidos e escolheram esperar o casamento não apenas para iniciarem no sexo, mas também para trocarem, no altar, o primeiro beijo.
O mais bacana da história é que eles não se importaram em expor a história, mas a usaram para incentivar outros jovens a manterem um relacionamento casto até o grande dia.
Em uma cerimônia jovial, cheia de gente bonita e divertida, com direito a padrinhos dançando na entrada, plaquinhas fofas e muita animação, Leonardo e Amanda se beijaram após o “sim”, ovacionados pelos convidados em um misto de alegria e emoção.
Mais romântico impossível.
O vídeo resumo da cerimônia que aconteceu em setembro do ano passado chegou a marca de 1 milhão de visualizações, segundo informações da coluna Lado B do portal Campo Grande News.
Vem ver que o vídeo é imperdível!
Para ver mais fotos do casamento (LINDO!) tem post no blog do fotógrafo Lisival Junior, amigo do casal e responsável pelo registro da cerimônia.
A nossa série de textos tão intrigante chega em sua fase final. Diante mão, quero ressaltar que essa é apenas uma simples visão. Não se limite a esses textos que escrevi, busque saber mais e conhecer mais sobre o assunto. Nesse artigo falo sobre os prédios ditos como sagrados. E na maioria das vezes, são chamados de igreja. O que diferencia um prédio de uma empresa para um de uma denominação cristã? Chefe e pastor, salário e dízimo, empregados e fiéis, se confundem. Mas por favor, não me interpretem mal. Não estou afirmando e nem induzindo que, as congregações [igrejas] são empresas religiosas ou comercio da fé. O que quero dizer, é que há uma semelhança mesmo que pequena, no sentido organizacional dos templos com os de uma empresa comercial. Escrevo isso como um técnico em administração. Agora, falando como um simples cristão, digo que isso é muito perigoso. Pois com semelhanças assim, correm-se sérios riscos de se tornarem de fato, uma empresa, e não um lugar onde se louvam e adoram a Deus celebrando Suas misericórdias. Nesse texto quero aplicar fatos verídicos que vivi como ponto concreto do que proponho passar aos caros leitores.
Atualmente, estou bem distante de congregações. Porém, sou bíblico, vivo em igreja. Há um ano me reúno com minha família e amigos em um grupo ministerial chamado Adoração Livre. Acreditamos que é sim projeto de Deus, pois resistimos a tempestades, resistimos ao ego tentador de querer fazer o que queremos pelos desejos carnais, resistimos aos “não dá pra ser crente sem congregar”. Congregar. Essa parte é importante pois eu congrego sim. Nós congregamos. Não numa congregação específica onde nós precisamos ir até lá, mas estamos congregados em Cristo vivendo em união como igreja. Notou a diferença? Eu não posso me reunir com duas ou três pessoas, atender clientes e chamar aquilo de empresa, pois a estrutura física e mesmo burocrática, não condiz com os padrões de empresa. É necessário uma matriz física a qual as pessoas tenham ciência do que se trata. Mas eu posso me reunir com duas ou mais pessoas, viver com elas em Cristo e juntos sermos igreja. Por isso igreja e empresa não podem se assemelhar. Seria uma heresia para os fiéis e falcatrua para os clientes.
Portanto, também não digo que precisamos ou devemos abandonar nossas congregações, até porque somos aconselhados biblicamente a não fazer isso (Hebreus 10:25), mas digo que não podemos fazer de nossa congregação um templo de egos, ou visitar o lugar afim de me sentir melhor ou por cronograma ministerial. Temos que fazê-lo por amor e para a glória de Deus (I Co 10:31). Caso contrário, estaremos sendo ativistas religiosos e fazendo de nossas congregações o que o próprio Jesus rejeitou: um comércio. Não dá pra vender fé e nem esperança. Fé e esperança são inegociáveis. Então assim encerro essa serie de textos: brindando o bom senso e dando um grito de liberdade intelectual para que entendamos que nossos prédios “sagrados” não passam de construções humanas a qual Cristo jamais vai habitar (At 17:24). Somos nós que constituímos a a igreja de Cristo. Vivendo em unidade e amor! Um brinde!
Lydia Moisés ficou conhecida nacionalmente através do seu trabalho no conjunto Voz da Verdade, atualmente, segue em carreira solo. Desde o primeiro CD solo até este, é perceptível uma mudança no estilo de Lydia, conhecida por seus whisles (registro de apito), para o pentecostal, e isso se deve a frequência da mesma nas Assembleias de Deus, onde realiza suas agendas, logo, ela teve que se adaptar ao “novo” público.
O novo álbum Vai Tudo Bem, foi lançado em 2014 com produção musical de Ronny Barboza, responsável por CD’s de sucessos como o álbum Na Tua Vontade da cantora Vanilda Bordieri, tendo uma boa aceitação pelo meio evangélico. O disco conta com 11 faixas e uma com a participação de Paulo Zuckini (Coral Kemuel) na faixa “A Beira do Tanque”.
Fortalezas de Adoração é uma boa canção para abrir o CD! Temos aqui um bom pentecostal, a letra fala sobre a história de Neemias que reconstruiu os muros de Jerusalém e que nos dias de hoje devemos estar prontos para reconstruir a fé, a santidade e a adoração ao verdadeiro Deus. Esta música foi composta pelo autor, especialmente a pedido da Lydia. A faixa conta com bons arranjos e o back vocal fez toda a diferença, principalmente, por ser composto só por homens. Uma das melhores do álbum. Além disso, é uma ótima escolha para conjuntos de jovens – fica a dica, regentes.
A faixa Vai Tudo Bem, que leva o título do CD, foi composta pela mãe da Lydia, a pastora Rita de Cassia Moisés, apesar de fugir do estilo pentecostal, esta canção tem tudo para se tornar a oração de muitos cristãos, a letra fala sobre aquele momento cheio de dificuldades, onde nada dá certo e quando somos questionados se está tudo bem, dizemos justamente o contrário, falando que vai tudo bem.
Instrumento de Deus foi uma ótima escolha de single! Cantada em primeira pessoa, a música de trabalho nos lembra que em todo o tempo a Glória é de Deus e nós somos apenas os instrumentos. A letra totalmente cristocêntrica, destaca que toda honra que existir e toda glória que houver, é somente do Senhor. Com uma boa desenvoltura, podemos até ouvir um dos famosos “whisles” da cantora no final da canção. Mais uma canção indicada para conjuntos!
Assim como “Instrumento de Deus”, A Beira do Tanque faixa também é assinada pela dupla de compositores do momento, responsável por sucessos como “Eu não Abro Mão”, de Bruna Karla”, “Não Vou me Calar”, de Cassiane e “A Volta por Cima”, de Flordelis. A canção é um dueto entre Lydia e Paulo Zuckini. Segundo Lydia, essa música ficou nas mãos dele, ela somente pediu o tom. A música tem uma pegada mais eletrônica e a voz de Zuckini só abrilhantou a faixa. Tenho certeza que fará sucesso entre os mais jovens.
Creio que Deus de Elias entre direto para a lista das melhores do álbum, porque ela tem os elementos principais para ser hit nas igrejas. Com uma boa letra, seguida de uma melodia que fica na cabeça e um back vocal que ganha força de acordo com os arranjos de Ronny, essa merece destaque. É mais uma boa canção para conjuntos, seja para o grupo de senhoras ou dos jovens. Ela conta a história de Elias que desafiou os profetas de Baal, eram quatrocentos e cinquenta contra um e eles clamaram ao deus de Baal, porém não foram ouvidos, pois o deus de barro não faz sobrenatural, mas quando chegou a vez de Elias adorar o céu se abriu e diante de todos os profetas, Deus mandou fogo do céu, e o holocausto foi consumido.
Além de cantoras, a dupla composta pelas irmãs, Gislaine e Mylena, são compositoras, donas de sucessos como “Santificação”, de Elaine Martins” e “Eternamente Adorador”, de Lauriete, a dupla também assina esta canção. Injeção de Fé é bem reflexiva e destaca que mesmo quando chegamos no nosso limite e não suportamos mais as situações que nos cercam, Deus é o doutor que vai nos aplicar uma injeção para nos fortalecer e levantar mesmo nos momentos mais difíceis. Destaque para a ponte no final, ficou top esse “Receba a cura, receba a cura, receba agora”.
Em Nunca Pare de Lutar Lydia nos apresenta uma nova versão desta canção bem conhecida na voz da pastora Ludmila Ferber. O arranjo e melodia sofreram alterações, mas nada disso comprometeu a desenvoltura de Lydia na música. Ela pediu autorização para a própria pastora para poder gravar a canção em seu disco, pois ela marcou muito a vida de Lydia, principalmente, quando sofreu um acidente. Ela contou sua história e Ludmila liberou a música. A letra é cheia de perguntas e no refrão vem a resposta para todas elas, com muita autoridade, Lydia nos passa a mensagem de que em tempos de guerra nunca devemos de parar de lutar e adorar.
Com uma letra linda, Adorado És destaca que Deus é santo, exaltado, magnificado, maravilhoso, príncipe da paz, conselheiro, rei dos reis e que para sempre será adorado. A letra ressalta em todo momento a grandeza de Deus e do seu poder. Belíssima faixa.
A voz de Deus é a terceira faixa composta pela dupla, isso que é sucesso! A letra fala sobre como é bom se prostrar diante de Deus para ouvir a sua voz que nos capacita e ensina a cada dia ver além do que vemos. O refrão é “grudento” e se você escutar, de repente vai se ver cantarolando. Lydia soube tomar a canção para si e deixou a mensagem bem nítida em sua voz, mostrando que somos dependentes da voz de Deus.
Gostei da canção, mas não acho que Agora é minha vez seja uma das melhores do disco. A letra é boa, começa versando sobre os nossos irmãos perseguidos, presos em cavernas e jogados em arenas, mostrando que mesmo perdendo a vida, eles garantiram a salvação e conquistaram o céu, depois a letra fala que o tempo passou e o evangelho continuou se expandindo e a igreja sobrevive firmada em Deus, e que a obra não pode parar, pois levar o evangelho é nossa missão. A introdução do trecho ‘Mensagem da cruz’ da Harpa Cristã levantou o hino. Porém, os arranjos poderiam ter sido mais explorados e a canção poderia ter ido para um outro lado, numa vibe pentecostal.
Me ensina encerra o álbum com maestria, poderia ter sido mais um clichê, mas Lydia soube dar um brilho que só ela tem para a canção. A letra é uma verdadeira oração e tem que ter muita coragem para cantar, me lembrou do tempo da Lydia no Voz da Verdade.
Com esse disco, Lydia mostrou que conseguiu seu espaço no meio gospel em pouco tempo de carreira e que achou o seu estilo, para quem estava saudoso de bons pentecostais com uma vibe congregacional, vale a pena escutar!
É um fato quando se fala sobre hipocrisia na igreja. O lugar dos doentes, dos fracos, de quem realmente viu quem é, virou uma casa de super homens construtores de máscaras. Se o carnaval é um verdadeiro baile de máscaras e folias, pode-se dizer que numa congregação há um o ano inteiro. E é justamente isso que retrata uma bela canção de Jon Foreman em carreira solo.
“Instead of a Show” é um folk muito bom de ouvir. Mas para uma boa canção como essa há uma letra mais bela e brilhante ainda. Nos seus primeiros versos já se percebe uma influência bem forte de Isaías 1.10-19.
11. De que me serve a mim a multidão das vossas vítimas?, diz o Senhor. Já estou farto de holocaustos de cordeiros e da gordura de novilhos cevados. Eu não quero sangue de touros e de bodes.
12. quando vindes apresentar-vos diante de mim, quem vos reclamou isto: atropelar os meus átrios?
13. De nada serve trazer oferendas; tenho horror da fumaça dos sacrifícios. As luas novas, os sábados, as reuniões de culto, não posso suportar a presença do crime na festa religiosa.
14. Eu abomino as vossas luas novas e as vossas festas; elas me são molestas, estou cansado delas.
15. Quando estendeis vossas mãos, eu desvio de vós os meus olhos; quando multiplicais vossas preces, não as ouço. Vossas mãos estão cheias de sangue,
16. lavai-vos, purificai-vos. Tirai vossas más ações de diante de meus olhos.
17. Cessai de fazer o mal, aprendei a fazer o bem. Respeitai o direito, protegei o oprimido; fazei justiça ao órfão, defendei a viúva.
18. Pois bem, justifiquemo-nos, diz o Senhor. Se vossos pecados forem escarlates, tornar-se-ão brancos como a neve! Se forem vermelhos como a púrpura, ficarão brancos como a lã!
19. Se fordes dóceis e obedientes, provareis os melhores frutos da terra;
Isaías 1:11-19
Lembrando muito bem essa passagem bíblica, assim começa a canção:
Eu odeio todo o seu show e pretensão A hipocrisia do seu louvor A hipocrisia de seus festivais Eu odeio todo o seu show
Sim, a letra é bem forte e contra esse rótulo gospel. A composição retrata Deus como o eu lírico falando para seu povo. Expressa a revolta contra os shows interpretados pelos músicos da cena gospel. O show, antes de tudo, tem um foco somente em representações humanas como sendo o poder de Deus. A emoção e força dos “grandes cultos”, com destaque às sensações humanas, e não ao Deus em si. Mas como diz “A Lição” da Oficina G3, “será que o sacrifício valeu, só pra trazer emoções, enquanto as lágrimas caírem, e não tocarem o coração?”
Passa a intensidade da adoração cheia de emoção e na hora de provar se houve ou não uma mudança de coração, não há atitudes que o provem. Deus odeia a hipocrisia desses shows chamados cristãos.
Longe da sua adoração barulhenta
Longe dos seus hinos barulhentos
Eu tapo meus ouvidos quando você os canta
Eu odeio todo o seu show
E essa é exatamente a hipocrisia de nossa adoração vã que não passa do teto. Como diz em Salmo 66.18, se nossa oração se volta ao nosso ego, ela foi feita para engrandecer a nós mesmos, não a Deus, e por isso essa glória é vazia.
“Se eu atender à iniquidade no meu coração, o Senhor não me ouvirá;” Salmo 66.18
“Em vez disso, deixe que seja uma inundação de justiça
Um processo sem fim de retidão
Vivendo, vivendo
Em vez disso, deixe que seja uma inundação de justiça
Em vez de um show”
Ao invés de shows e grandes eventos cristãos, troquemos isso por ações que comprovem a nossa crença, pois a fé sem obras é vazia. Em vez de adorações vazias, que a nossa vida inteira seja uma entrega, tanto fora como dentro da igreja, que possamos parar com essa divisão de santo e profano no nosso viver.
Seus olhos estão fechados quando você ora
Você canta certinho com a banda
Você lustra seus calçados para os serviços
Mas tem sangue em suas mãos
Qualquer boa atitude feita com a intenção para comprovar que você tem um bom caráter ou para se exibir diante dos homens é um fruto duma cegueira de não se enxergar, de nunca ter se encontrado com Cristo. O verdadeiro filho de Deus não faz algo para mostrar que é bom, mas porque tem consciência do que o próprio Eterno fez por ele e com ele. Um justificado ama ao seu irmão porque Deus o ama.
Mateus 6:1-8:
1. Guardai-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles; aliás, não tereis galardão junto de vosso Pai, que está nos céus.
2. Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão.
3.Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita;
4. Para que a tua esmola seja dada em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, ele mesmo te recompensará publicamente.
5. E, quando orares, não sejas como os hipócritas; pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão.
6.Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente.
7. E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos.
8. Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes.”
Não se assemelhe a fariseus que tentam construir imagens de si próprios, mas não conhecem a si mesmos. Não faça nada que tente provar algo, pois ninguém conseguiu. Seja quem você é, não mostre aos outros outra pessoa de seu ser. Se você quer viver diferente, seja diferente.
Você virou as costas para o desabrigado
E aqueles que não se encaixam nos seus planos
Terminam fazendo jogos da religião
Tem sangue em suas mãos
Esse é o exemplo de tantas igrejas da prosperidade. Demos as costas para os aflitos, e nos voltamos aos jogos e mercados da religião. Pequenas igrejas, grande negócios, é a pura ideologia de muitos templos dos nossos dias. Cristianismo é lugar de pessoas aflitas, desesperadas, com fome de espírito, pessoas que não tinham um valor, mas encontraram o verdadeiro sentido de viver no evangelho, não heróis, mercadores, grandes homens, indivíduos que creem ser o melhor, o mais abençoado, etc. E assim como Deus fez conosco, nos livrando do mal e de nós mesmos, a ponto de se entregar para nos salvar, devemos fazer com nossos irmãos, não porque eles mereçam, mas porque Deus nos ama.
Ah! Vamos discutir isso
Se seus pecados são sangue vermelho
Vamos discutir isso
Vocês serão brancos como as nuvens
Vamos discutir isso
Acabam se fazendo de tolos
E é claro que toda essa santidade fingida tem que ser discutida, debatida e criticada. O nome de Deus vem sendo usado em vão por teologias emocionais e cultos extravagantes (isso mesmo), que ao invés de conduzirem indivíduos ao arrependimento, levam-nas ao pecado.
Dê amor para aqueles que não conseguem amar
Dê esperança para aqueles que não tem
Erga aqueles que não conseguem se erguer
Em vez de um show
Eu odeio todo o seu show
Cristo, antes de pregar as boas aventuranças, chamavam os homens ao arrependimento, ao reconhecimento do pecado e do estado de si mesmo, e assim, com a consciência da própria aflição por não ser quem deveria ser, Ele pregou a esperança sobre todas as ansiedades e preocupações humanas, sobre o medo de não se tornar um ser completo.
Quando alguém se encontra em um estado de tristeza por falta de dinheiro, fome, ou qualquer adversidade terrena, costuma entrar em contato com a verdade que os acerca, com a pequenez de suas vidas, com ideia de que tudo passa, e aí é que o desespero captura a sua alma. É como se tudo o que os segurasse, caísse e não sobrasse mais nada. Mas a função do cristão é dar esperança para todos que chegaram nesse estado, nesse reconhecimento, que sobre o vazio do mundo, há uma verdadeira vida. Não porque o cristão seja o dono da fé, mas porque ele mesmo também foi um aflito, mas Deus teve misericórdia dele.
Essa canção pode expressar melhor o que eu não poderia oferecer em um texto como esse, mas que ela possa tocar os corações dos que sabem que essa realidade tem consumindo as nossas igrejas.
A banda brasiliense Metal Nobre surgiu em meados de 1997, quando, por um sonho, o baixista Kenney teve a ideia do nome para o grupo. Até os dias de hoje, da formação original, além de Kenney, sobrou o vocalista JT (foto), mas vários discos foram lançados. No ano seguinte, saiu o primeiro projeto, de título homônimo, mas a banda alcançaria um reconhecimento maior através de Revelação, seu sucessor.
O divisor de águas na carreira do Metal Nobre foi o ao vivo Nas Mãos do Senhor, de 2002, que conteve as canções de maior notoriedade dos discos anteriores. Lançado pela Gospel Records, o disco impulsionou o lançamento de mais um inédito, chamado Ao Teu Lado, que incluiu o estilo característico do hard rock da banda contido nos projetos anteriores, mas com a inclusão maior de baladas.
Após um longo tempo sem inéditas, a banda apresentou Alta Voltagem em 2008, com “Guerreiro de Deus”, destaque no projeto ao vivo sucessor. Made in Brazil, de 2012, foi gravado em vários locais do país, e foi produzido com toda a dificuldade de um trabalho independente, mas o resultado final não deve em nada em relação às bandas do mainstream. Afinal, Metal Nobre é, mesmo assim, um dos grupos mais conhecidos na história recente do rock cristão brasileiro.
Andamos em círculos, muitas vezes sem saber ao certo para onde ir, buscando o que nem sabemos que queremos. “Eu preciso andar, um caminho só, vou buscar alguém que eu nem sei quem sou” – Rodrigo Amarante. É nesse sentido que as coisas caminham: nem sabemos quem de fato somos e já queremos mais e mais. Humanismo capitalista. Sabe, eu aprendo muito com a minha rotina. Não deixo nunca que ela se torne fadigante e chata. Tento dar sempre um extra para que os dias não sejam todos iguais. A rotina por si só não é chata, o chato são os dias repetidos. Eu escolhi andar. Acredito que só esperamos o que temos um certo grau de certeza. Deus não me prometeu nada terreno a qual tenha um prazo que preciso esperar a não ser Sua volta. E se esperar é caminhar, eu decido andar. “E o que eu vou ver? Eu sei lá“. Repito: andamos em círculos. Reforço essa tese citando como é complicado lidar com as pessoas. Tenho uma imensa dificuldade em fazer amizades. Não sei como me comportar e resumindo, não sei lidar. Ando em círculos porque tudo acaba do mesmo jeito que começou: no nada. Éramos pó e por um toque divino fomos moldado e hoje somos isso: imagem e semelhança do Criador.
A repreensão que há em nós é quantitativa. Somos meros mortais em busca da perfeição. Do alimento para o ego. Com correções e limitações chegamos ao pódio criado por nós mesmos, onde não há vencedores pois os únicos competidores somos nós próprios. Não existe vencedores numa luta contra si, apenas morte de ego. Um ego vivo é ameaça constante, um ego morto é prêmio diário. E prêmio por prêmio é nulo. Nada vale se perdermos a própria vida (Mc 8:36). O que se segue no aprendizado da rotina é reconhecer-se, saber nossos limites e virtudes. Lembro de que uma vez pedi ao amigo Tiago Abreu para que me cedesse uma de suas letras para gravar em meu EP. Ele me passou algumas, mas uma me chamou muito atenção mais que as outras. Uma música chamada “Onde?”, na qual tive o prazer de harmonizar e arranjar com o meu amigo Jussan Mendonça. Uma parte da canção diz “um objetivo é meu troféu, empoeirado na estante e nesse instante, vívido mas distante“. Depois, em uma conversa singela com ele, entendi um pouco do sentimento da música e percebo mais uma vez que de fato somos moinhos de vento, estilhaçados afim de encontrar o nosso lugar. Poderia citar mais uma penca de músicas que se relacionam com o que trato aqui nesse texto, mas ficaria chato demais, até porque o título leva o nome de uma música do Los Hermanos de seu último álbum de estúdio, o simplista 4, composição do guitarrista e um dos vocais da banda na época, Rodrigo Amarante. O que aprendo com ela? Que andamos em círculos para nos descobrirmos. Andamos pela rotina para sair dela. Escolhemos esperar para recebermos algo. Escolhemos andar para alcançarmos o nosso ser. Descobrir o que se quer sem ter noção do que se espera. Um brinde a nossa trajetória!
2013 foi um ano crucial para o grupo mineiro Diante do Trono. Tu Reinas, seu 16º trabalho, encontrou grandes dificuldades não somente para entrar no mercado, como também em ser um resgate à boa forma da banda. Ser contundente.
A direção do DVD é assinada por Alex Passos, e conta com um documentário mesclado em culto de 70 minutos, que é dividido em atos. Entrevistas e pequenos relatos com os moradores de cada comunidade visitada. O áudio 5.1 nos coloca no epicentro da ação em todos os minutos, desde o silêncio de uma faixa a outra, ao caos do ápice de algumas ministrações. Há um ligeiro desapontamento na seção dos extras que acabam formando a parte menos nobre do projeto, não pela qualidade ou interesse dos mesmos, mas porque nos deixam sedentos de mais – em um teaser do Tetelestai, próximo projeto da banda, já gravado em Israel.
O DVD Tu Reinas tem alguns grandes destaques que valem a pena discorrer. Em uma decoração rústica, o medley de duas músicas – “Vestes de Louvor/Isaías 40” – foi uma grande sacada para ser usado como abertura. Diante de um vocal reduzido, a banda explora divisões simples a três vozes, nada muito complexo. Após a interlude sobre a chegada à Comunidade Quilombola da Fonseca, na cidade de Manaíra em Paraíba, criou-se um clima semiacústico para a música tema do CD. O espontâneo é intimista e curto, dando corte para “Santo” em que a presença do cantor Juliano Son, fazendo dueto com a Ana Paula, reforçou a ideia de que o Diante do Trono não estava sozinho nessa missão. Quase no final da faixa “Exaltado” temos o backing fazendo a cama harmônica para a melodia principal, terminando com um diminuendo e sem conclusão, dando um gostinho de “quero mais”. O maior destaque do DVD Tu Reinas, no entanto, está no caminho para Petrolina (PE) em que já é perceptível uma coesão brilhante no contraste: água. O palco para o momento foram as águas do Rio São Francisco, e nesse ato as temáticas da música não poderiam ser diferentes. Ainda que os novos arranjos tenham ficado muito longe de ser o ideal para cada música, deixando o texto sem peso, caindo num padrão quaternário, não tirou o brilho das respostas inseridas. O destaque fica com “Manancial”. É uma daquelas interpretações one in a lifetime onde a Ana Paula acabou fazendo toda a afetação da música trabalhar a favor da mensagem com uma interpretação comedida, pontual, acertada e genuína. Em “Águas Purificadoras”, mesmo com seu novo arranjo se assemelhando em estilo, intenção e dinâmica dentro as outras faixas, ganhou uma extensão para um espontâneo avivado e incisivo. No último ato do DVD, em Juazeiro do Norte, reunindo 30 mil pessoas, a banda subiu num palco stepback com direito a uma casa de taipa, cortinas, um poço artesiano e uma janela bem convidativa. Com uma dancinha tímida, Ana Paula entrou no palco cantando a festiva “Só o Senhor é Deus”. Em um arranjo mais reto, a música “Brasil”, com a participação de André Valadão e Mariana Valadão, teve a divisão vocal feita com intervalos de segunda causou uma excelente dissonância e a dinâmica do instrumental ficou impagável, finalizando com “Deus do Recomeço”.
No âmbito sonoro, visando em gravar canções mais acessíveis para as igrejas, eles abdicaram de uma sensibilidade musical por uma objetividade rasa. A banda não quis peitar o ostracismo, não se inseriu de forma autônoma. O ponto positivo do Tu Reinas, entretanto, que acaba se tornando a moeda de duas coroas, está no local da gravação. A intenção do projeto em ser gravado no Sertão Nordestino, fazendo com que os olhos se voltem para esta região é louvável. Nós, consumistas do produto, confortáveis com tudo ao dispor não vamos conseguir mensurar a importância das gravações, pois não nos afeta de uma forma direta. Nós não sabemos o que é NÃO ter as nossas necessidades atendidas. É um projeto de contestação, lamúrias, de quebra e de vazio, com mensagens contra alianças espúrias, algo puramente pragmático e até bem intencionado.
Deslizes aconteceram. Como se a Ana Paula Valadão quisesse puxar a corda do conceito oposto ao de sutileza até ver onde rompia e acabou rompendo. Acontece. Alegando sinceridade, alguns dirão que a banda fez em busca do emocionalismo. Mas essa é uma falácia que joga com uma pesada de fatores e retira o contexto do produto. Estamos nos referindo a um trabalho técnico com uma ação afirmativa de mão-de-obra talentosa, que alçou um voo muito maior do que em músicas. Um exemplo coeso da sinergia visual. Começa e termina com faixas que falham miseravelmente em agradar os saudosistas da orquestra que não apenas não se adequam, como fazem questão de lutar contra mudanças que vão ocorrer quer eles queiram, quer não. O Diante do Trono, com o seu novo DVD, ainda quer ser cáustico e mordaz, ainda quer tocar e ferir, porém despido de excessos. Assista de novo.
Quando a realidade é clara, direta e há a insistência de não a enxergar, mesmo estando óbvio e “na cara”. É neste contexto em que o ato de pensar, refletir e reavaliar os acontecimentos cotidianos soa mais dolorido. Construímos uma série de pequenos sonhos diários, ações a fazer, pessoas a interagir, ignorando o natural descontrole que é nosso dia-a-dia. É uma realidade talvez cruel, mas a mais justa, não é mesmo? Tudo o que foi pensado, milimetricamente planejado entra em choque com o outro que está do lado. A única ação, portanto, é aceitar.
Assim, infelizmente, parece que levamos nossa vida como uma estante. Cada realização, um troféu, que logo logo estará empoeirado, abandonado, enquanto corremos por outro mais belo. E nesse loop de acontecimentos, vemos um pouco de nós morrer a cada instante. Nossos sonhos aparentemente inalcançáveis ficam para trás, sentimentos falecem, e percebemos que no fim das contas somente o essencial permanece. Costumo pensar que a morte física é apenas a conclusão de um processo mortífero, que é a nossa vida. É isso o que experimentamos: a morte do eu.
E dentro deste processo, querendo ou não, uma hora aprendemos com a vida que nos é oferecida. Não há como construir o amanhã sem as vivências do hoje, as quedas, as dores e as realizações. Nosso caráter é formado através de tudo o que é vivenciado durante este tempo, moldados e reconstruídos por Deus. A medida dos anos, olhar para trás, e saber muito bem o que realmente é e sempre foi importante para nós, e no final nos encontrarmos para sempre com o Pai, concluindo de forma perfeita nossa trilha.
É desta forma que gosto de pensar a respeito deste processo, no qual nunca estamos sós.
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