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  • Melhores discos de rock cristão nacionais: Década de 80

    Continuando a nossa lista de melhores discos de rock cristão nacionais, chegamos a década de 80, época em que as produções musicais do nicho começaram a ser bem mais numerosas. Em dez anos, muitas bandas surgiram, algumas em atividade até os dias de hoje. O Rebanhão levou a maioria das posições, emplacando três. Vamos conferir?

    [infobox title=’10º: O Som que Te Faz Girar’]Artista: Katsbarnea
    Ano de lançamento: 1989
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Katsbarnea - O Som que Te Faz Girar - 1989Jhonata: Confesso que não gosto da banda Katsbarnea, mas o álbum O Som que Te Faz Girar tem uma pegada surf rock que me atrai. Para quem ouve bandas como Red Hot Chili Peppers, Switchfoot e Charlie Brown Jr. como eu, se identificará com este álbum. Não é que ele seja um deste gênero, mas tem algumas características básicas, que com certeza, vai te jogar para uma praia! (Hehe hehe). Um dos motivos de eu não gostar do Katsbarnea, é que acho muito parecida com a banda Blitz, e eu não gosto de Blitz. O vocalista também não tem uma voz legal. Aí você me pergunta: “ué, então porque escolheu o álbum como um dos melhores?”. Respondo: porque ele tem características musicais que me agrada. A exemplo de “Retrovisor” que coloco na lista de músicas de viagem. “Brisa” que é uma boa canção para passeio e “Extra” para animar a festa entre amigos. Bom, ouça “Extra” e ouça qualquer música da Blitz que você me entenderá porque acho muito parecida ambas as bandas. Até as back-vocals… Enfim, não vou xingar a banda, não é o objetivo da série e nem do post. Lá vai dois motivos para ouvir o disco: 1) é um álbum rico instrumentalmente e 2) As letras passam mensagens importantes.

    João: Pra mim esse estaria em posições mais altas, pois é chegado um outro genial compositor do rock cristão: Brother Simion (na época, apenas Simion). Letras divertidas, modernas e falando de tudo e mais um pouco, como “Pacote Salvação”, “Extra” e “Corredor 18”. Meu apelido e nome artístico (Johnnÿ) inclusive deriva da “Extra”, e o Kats (pelo menos o Kats dos anos 80-90) sempre foi uma inspiração pra mim, e o Brother Simion muito mais. Esse “disco” (que na verdade era uma fita K7 demo) foi a ganhadora do FICO (Festival Interno do Colégio Objetivo) e não é pra menos. Transmitir o Evangelho através de caras loucos como eles que tiveram um “Contato” com o Criador do Universo é coisa de outro mundo mesmo. Possivelmente eles foram o que de mais contemporâneo surgira nos anos 80 na música cristã, tal qual Janires foi nos anos 70 com sua fita K7 – e ambos fecharam suas décadas respectivas com essas fitas. Blitz pura e simples, mas com um conteúdo muito melhor e mais rico.

    Thiago: O que mais me causava desconforto no Katsbarnea, principalmente nos primeiros álbuns, é o incômodo som da percussão, feita por Paulinho Makuko. Esse disco é bem mais folk, com bastantes canções acústicas no O Som que Te Faz Girar, porém sempre achei que o Katsbarnea não desenvolvia com tanta qualidade esse estilo. Senti falta das guitarras no disco, e o timbre de voz do Brother Simion nunca me agradou tanto também. Porém, apesar das minhas críticas, conta com grandes canções, como a clássica “Extra”, e outras como “Brisa” e “Corredor 18”.

    Tiago: A sonoridade do Kats, em sua primeira formação, é muito diferente do som que assumiu depois do Cristo ou Barrabás (1992). Isso porquê, nesse line-up, o seu grande ponto positivo era o ecletismo musical. Nesta época, o Katsbarnea ainda não era propriamente uma banda de rock, mas viajava também pelo soul, funk rock e outros sons. Eu particularmente gosto muito do trabalho do Simion, acho que é um dos poucos músicos realmente completos da nossa cena. Suas composições ainda não são tão trabalhadas quanto nos discos posteriores, mas os arranjos conseguem compensar.

    [infobox title=’9º: Solidão’]Artista: Complexo J
    Ano de lançamento: 1986
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Complexo J - Solidão - 1988Jhonata: Confesso que classificar os melhores discos da década de 80 do meio rock cristão, foi uma tarefa pra lá de difícil, mas consegui. E este álbum me cativou pela gaita em “Brasil” – quem me conhece sabe o quanto amo o instrumento – e troquei este álbum de colocação várias vezes (hehehe). O título do disco é caracterizado pelas letras, ao menos foi isso que percebi. Assim como a maioria dos discos desta época, só ouvi Solidão uma vez mas percebi a riqueza instrumental que o álbum carrega. Aquela coisa LINEAR de guitarras fazendo os mesmos três acordes, bateria no mesmo “tutis tutis prum prum” são entendíveis. Você não vai encontrar uma banda da época brazuca com uma pegada sei lá, punk… Solidão é um disco confessional e dinâmico. Não se encha de expectativas, ele não tem nada muito grande, mada que seja um “UP”, no entanto, é musicalmente bem estruturado.

    JoãoComplexo J sempre me divertiu, seja pelo nome, seja pelas letras bem sacadas (o que é que tem em Rio de Janeiro que só dá bandas doidas entre as precursoras do movimento gospel, como Rebanhão, Complexo J, Novo Som, Catedral e Fruto Sagrado? Rsrsrs), seja pelo nome da banda, que remete aos complexos vitamínicos, mas direcionadas à Jesus. É a primeira banda de rock cristã brasileira com uma vocalista (sem ser vocal de apoio) e com letras como “Brasil” e “Espaço Sideral” a banda trazia sem dúvidas um repertório ousado e uma qualidade inigualável, que futuramente encantaria até mesmo Jô Soares (foi uma das três bandas do movimento gospel a dar às caras no programa dele no SBT nos anos 90, ao lado de Louvor, Art e Cia e Cia de Jesus – não, Catedral nunca foi ao programa, tolinhos kkkk). Ótimo disco, vale a pena sem dúvidas.

    Thiago: Solidão é introduzido por um instigante dedilhado de violão em “Reino de Deus”, e com o progresso da música, percebe-se que há um ótimo instrumental na música, te envolvendo para ouvir o álbum todo. Apesar disso, apresenta um rock que não é lá algo que ouço frequentemente, porém, em comparação a outros discos da época, exibe uma sonoridade legal. A união da guitarra com o teclado, baixo, bateria e vocal da banda desenvolve canções distintas, passeando no hard rock, rock progressivo e pop rock. Junto com Manhãs de Outono, poderia ter ocupado uma posição melhor.

    Tiago: O Complexo J é um dos melhores grupos progressivos desta época. Mesclando seu som com o hard rock, Solidão é um disco que fala mais pela simplicidade das canções. A parte lírica do conjunto começa a mostrar ao que veio, mesmo que se amadureceria posteriormente. Ainda, há de se destacar que foi um dos poucos – o único, que me lembro, no momento em que escrevo – que trouxe uma vocalista mulher, o que é um diferencial.

    [infobox title=’8º: Manhãs de Outono’]Artista: Sinal de Alerta
    Ano de lançamento: 1987
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Sinal de Alerta - Manhãs de Outono - 1987João: Pra ser sincero, eu nunca fui um ouvinte da Sinal de Alerta. Sempre os vi como um clone “fabricado” do Rebanhão fase dois. Nem havia mencionado ela para a lista (acho que eu tinha sugerido o Rodrigo Bueno no lugar dessa), e mesmo esse disco eu pouco tinha ouvido. Mas dei uma chance e fui ouvir o terceiro álbum deles com cuidado após a escolha dele em oitavo lugar. Realmente vacilei, esse disco é bom, muito agradável, seguindo bem os passos do contemporâneo Novo Dia (o anterior da lista), mas sem parecer repetitivo ou “clonado”. Lembra um pouco Lulu Santos, Radio Taxi e outras do pop rock oitentista. Me rendo ao Sinal de Alerta, esse disco é fantástico mesmo.

    Thiago: O álbum Manhãs de Outono da banda Sinal de Alerta integrou minha lista. Ele apresenta um pop rock que é bastante interessante para época, porém não é um som que me faz tão fã. A produção das guitarras, do baixo, do vocal, do teclado é agradável, feita com qualidade até boa, em virtude das dificuldades da época.  Esse disco poderia ter aparecido em uma posição melhor, pois apresenta um dos melhores trabalhos dos anos 80, com instrumentais interessantes, ótimos riffs e solos de guitarra, e um vocal até relevante. Algumas canções têm algumas letras interessantes como “Adolescência”, uma crítica a essa fase. As melhores são “Tempos Modernos”, “Mudanças”, “Tempos Modernos”, “Vibração” e “Adolescência”. Mas as outras são muito boas também.

    Tiago: Eles surgiram como uma espécie de cover do Rebanhão, mas evoluíram seu som para algo que os diferenciassem do grupo carioca. Manhãs de Outono é, de longe, o seu maior clássico, com composições que fogem, e muito, dos clichês da época, trazendo reflexões pertinentes sobre os chamados “tempos modernos”. Sem a menor dúvida, é um dos melhores álbuns da década.

    [infobox title=’7º: Novo Dia’]Artista: Rebanhão
    Ano de lançamento: 1987-88
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Rebanhão - Novo Dia - 1987Jhonata: Em 1987, o Rebanhão apresentava um disco completamente rock. O contra-baixo bem presente e audível (característica da época) deixa o peso do disco mais agradável de ouvir. “Contemplar” me tocou muito, ouvi e senti vontade de ouvi-la mais vezes com os amigos.”Firme os Pés” me lembrou Roupa Nova (não sei porque, nem gosto). “Jesus é Amor” começa muito bem com um toque suave de piano e aqui cabe uma observação: quando você estuda música, os professores te exigem muita emoção além de técnica, talento e precisão. Música é algo que precisa ser sentida, no livro que estou escrevendo falo um pouco disso e nesta música, é possível sentir emoção além de observar a introdução de sax de “Nada mais a temer” que me lembra alguns clássicos da Elis (ooh, Elis <3). “Nele você pode confiar”, uma canção muito boa, regravada por Paulo César Baruk com participação do Lito Atalaia no álbum Graça de 2014, é um dos principais destaques do disco, e concluindo, Novo Dia é um álbum muito bom! Poderia ser melhor? Não. Ele é proporcional para a época, banda e fãs.

    João: O Rebanhão pós-Janires sempre foi menos interessante em certos aspectos pra mim. Mas esse disco traz um pop rock bem legal, com músicas que fazem a cabeça de muita gente até hoje, e interpretações fantásticas, como das músicas “Primeiro Amor”, “Jesus é o Amor” e “N’Ele Você Pode Confiar”. Lançado pela PolyGram, teve grande repercussão nacional, dizem que na época consideravam o Pedro Braconnot o “cantor mais bonito do Brasil”, desbancando até Fábio Jr. (risos), mas muito além de um rosto bonito, o que víamos aí era uma banda sólida e forte, que logo, logo nos anos 90 iria nos trazer nessa formação o seu disco mais genial da segunda fase, Princípio. Tristemente esse disco não tem mais as letras fantásticas de Janires (Não que as letras aqui contidas sejam ruins, mas não possuem mais a mesma genialidade de outrora).

    Thiago: Esse álbum teve uma proposta bastante pop se for comparado aos outros da banda. Produziu grandes clássicos da música cristã, como “Primeiro Amor” e “Nele Você Pode Confiar”, e a posição foi quase merecida para a banda. O trabalho possui algumas músicas de rock, mas graças a boas camadas de teclado que preencheram todas as canções, a obra ficou mais pop. Nota-se, de passagem, a semelhança da voz de Carlinhos Felix com Keith Green.

    Tiago: Eu particularmente gosto demais do Rebanhão com Janires, mas não dá para desmerecer, ou subestimar, em nenhum momento, o trio formado por Pedro Braconnot, Carlinhos Felix e Paulo Marotta. Foi necessário o capixaba sair para que estes três músicos, também engenheiros civis, mostrassem unidade musical e aperfeiçoassem, embora com mais influências pop, a sonoridade do conjunto. Carlinhos, por sua vez, diminuiu sua influência para que Pedro Braconnot começasse a se destacar, principalmente com suas composições: “Razão” e “Contemplar” são bem executadas. É claro que Novo Dia quem lá seus defeitos. Eu acho que os anos 80, tecnicamente falando, são irritantes. A captação de bateria então, nem se fala… aquele excesso de reverb não colabora muito. Mas convenhamos, é o início do auge da segunda fase do Rebanhão.

    [infobox title=’6º: Apelo à Terra’]Artista: Comunidade S8
    Ano de lançamento: 1983
    Número de faixas: 12[/infobox]

    Comunidade S8 - Apelo a Terra - 1983João: Pra mim o último trabalho da Comunidade S8 a encantar meus ouvidos, ao trazer diversos atributos de Jesus em quase todas as músicas, e sempre com letras reflexivas e sem perder a sonoridade dos anos 80. Sem dúvidas um disco pra ouvir e muito quando quisermos ver como “Jesus é o Amigo”, fazendo de cada ilha distante que nos tornamos em meio a multidão de tanta gente um porto e de gente estranha um povo que se ama. Encantador demais pra ser esquecido.

    Thiago: Apelo à Terra foi um álbum que não esteve na minha lista. As canções da Comunidade S8 são geralmente guiadas pelo rock progressivo, e ver o avanço da banda desde o primeiro disco, o qual não usavam guitarra, até esse último é interessante. Essa produção de 1983 é uma mistura de prog rock com art rock, com ênfase nas boas camadas de sintetizadores. Outra coisa curiosa no álbum é terem usado o nome de Jesus em quase todas as canções, com exceção na primeira. O que menos me agrada é a parte vocal ser em formato de coral em maior parte das músicas. O quesito instrumental, a obra se supera bem.

    Tiago: Dando sequência ao que faziam nos anos 70, este deve ser o último disco da Comunidade S8 realmente interessante. E curiosamente, o grupo não teve muito espaço na década seguinte, até porque sua sonoridade ficou muito datada, não conseguindo acompanhar os novatos que estavam chegando. Mesmo assim, Apelo à Terra é um bom álbum.

    [infobox title=’5º: Aos Ouvidos dos Sensíveis de Coração’]Artista: Catedral
    Ano de lançamento: 1989
    Número de faixas: 12[/infobox]

    Catedral - Aos Ouvidos dos Sensíveis de Coração - 1989Jhonata: Marcando o final da década de 80, a banda Catedral propôs trazer um disco cheio de religiosidade e dinâmica musical. Confesso que ouvindo a discografia da banda, achei um pouquinho chata – digo ‘pouquinho’ para não exacerbar minha ironia – e ainda acho. Mas levando em consideração que todos os seus contras tem seus pós, Aos ouvidos dos sensíveis de coração é essa exceção. O álbum destaca o contra-baixo, algo bem comum da década dentro do rock nacional. Não menosprezando o falatório de que a voz do Kim (Catedral) lembra a do Renato Russo (Legião Urbana), ambas as bandas gravaram discos em 89. As Quatro Estações, um dos principais discos da Legião trazia músicas eternas como as duas primeiras faixas “Há Tempos” e “Pais & Filhos”. É fato que o trabalho do Catedral ficou muito abaixo do que o da Legião, e em hipótese alguma dá para fazer uma comparação musical entre ambos. Sem mais delongas, este trabalho do Catedral é tecnicamente bom, e creio que sem dúvida merece ser ouvido, sendo este último, o único motivo de eu ter listado como um dos melhores de 80.

    João: A eterna ignorância de muitos relega bandas geniais como “covers” ou “bandas caronistas” que teoricamente queriam escalar-se no sucesso alheio de alguma banda qualquer. Assim vários grupos como Cogumelo Plutão e Days Are Nights foram idiotamente relegados como cópias do Legião Urbana. Mas o caso mais notório, sem dúvidas, vem desse grupo carioca que com esse segundo disco conseguiu fugir do evangelicalismo que se tornaria até repetitivo e mal construído do universo “gospel” que começava a aparecer na música cristã já naqueles idos de 1989. Letras com forte conteúdo poético e filosófico (“Todos os Dias”, “Aos Ouvidos dos Sensíveis de Coração” e “Além do Nosso Olhar”, só pra citar algumas) e até mesmo crítico, como “Mundo Vazio”, trazem uma banda que estava olhando pro céu, mas que não deixava de olhar como a Terra estava se destruindo sem a direção para o céu.

    Thiago: Kim é o sinônimo da voz de Renato Russo. Porém, o que soa mais cômico é que nos primeiros discos da banda, sua voz, nas interpretações, era mais aguda, e só depois em que a voz dele se adaptou a tons mais graves, se aproximou do Legião Urbana. Mas, deixando de lado esses pormenores, minha relação com esse trabalho é tanto boa como ruim. Outro que não fez parte da minha lista, o conjunto me dá a impressão de ter os arranjos mais rock, com mais riffs, mais peso, mais distorção, porém me incomoda o fato de não chegar tanto no meu coração. As interpretações vocais de Kim com seus agudos não são muito agradáveis, mas o álbum ganha mais nos arranjos. As melhores são “Nas Ruínas Algo Está de Pé”, “Aos Ouvidos dos Sensíveis de Coração”, a boa crítica, e os de “Mundo Vazio”.

    Tiago: Sem comentários.

    [infobox title=’4º: O Dia Final’]Artista: Legenda
    Ano de lançamento: 1986
    Número de faixas: 12[/infobox]

    Legenda - O Dia Final - 1986Jhonata: O que dizer de O Dia Final da banda Legenda? Um álbum proporcional e com guitarras pra lá de bem tocadas. As letras além de serem evangelísticas, têm uma intenção de mostrar o lado humano também, ou seja, as dificuldades de se viver em sociedade, criminalidade, erros etc. Como já citei, as guitarras (ou A guitarra) me prenderam os ouvidos para ouvir faixa por faixa. Alguns clássicos da Legião Urbana são bons de ouvir por causa dessa pegada que te faz querer ouvir um próximo solo, riff e etc. O Dia Final merece ser ouvido!

    João: Corajoso, fantástico, raro. Rock progressivo da melhor safra, na linha de King Crimsom e Pink Floyd, esse grupo fez história por ter sido o primeiro grupo cristão a gravar pela Som Livre (chorem, valadetes e fãs da Aline Barros, hahaha), e apresentar um som entre os anos 70 e 80 muito bom, letras fortes, uma das melhores artes de capa da década (talvez a melhor, na minha opinião), Legenda (ou LEGENDÆ, como ficou conhecida anos depois) poderia sem nenhum problema concorrer em qualidade com qualquer banda de rock dos anos 80, mas por ser cristã possivelmente acabou enfrentando um certo preconceito e não atingiu tanto as grandes massas, e mesmo o mundo cristão à época não conseguiu absorver a qualidade sonora deles.

    Tiago: A Legenda, infelizmente, é um nome um tanto quanto esquecido na história do rock cristão nacional. Acontece que o grupo, mesmo não tendo exercido influência direta nesta linha do tempo, apresentou um disco muito bem produzido, com boas composições, e uma sonoridade muito agradável de ouvir. Lançado pela major Som Livre, com certeza poderia ser mais lembrado por nós, e ganha uma merecida posição aqui.

    [infobox title=’3º: Espelho nos Olhos’]Artista: Banda Azul
    Ano de lançamento: 1988
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Espelho nos Olhos - Banda Azul - 1988João: Junte a fita K7 dos anos 70 do Janires, os 2 primeiros do Rebanhão e esse disco da Banda Azul, e você terá a quadrilogia mais fantástica da música cristã contemporânea nacional. Não é exagero, esse disco foi o auge criativo do cantor, e infortunadamente o último dele, já que logo após a gravação do disco o vocalista faleceria num acidente automobilístico, que ironicamente meio que foi previsto pelo mesmo na faixa-título do disco. O álbum ainda traz o rock “Canção das Estrelas”, o “Baião Eletrônico” (uma nova versão do primeiro Baião), “Foi Por Você” (muito divertida forma de evangelismo, sem dúvidas) e “Veleiro”, com sua pegada MPB, entre outras clássicas do “Amigo Poeta” (essa música composta pouco depois do acidente do Janires, feita em sua homenagem e lançada no disco). Ah, como será bom ver ele lá junto a outros servos do Senhor no “Trem da Amizade”, todos juntos louvando ao Criador.

    Thiago: Espelho nos Olhos é o último álbum da carreira de Janires e o primeiro da Banda Azul. Esse singular disco tem duas características: a sua história e o seu teor poético. Após a saída da banda Rebanhão, Janires vai morar em Minas Gerais, onde entra para a MPC (Mocidade para Cristo), e junto com outros integrantes do projeto cria a denominada Banda Azul, um nome que surgiu de uma conversa em um restaurante entre Janires e Moisés (baixista e vocal), o qual, o primeiro citado viu uma marca de refrigerante europeia denominada Banda Azul. Janires gostou do nome e os integrantes do grupo nomearam-na com o nome da marca. As faixas andam pelo rock progressivo, pop rock e tropicália, trazendo as mesmas referências de Janires que trazia sobre Rebanhão. O que talvez eu não tenha gostado em uma boa parte das canções foi a camada de teclado por causa da sonoridade, por exemplo, nas canções “Amigo, Amiga”, “Baião Eletrônico”, “Meninos de Rua”, “Espelho nos Olhos”, “Canção das Estrelas” e “Trem da Amizade”. O disco contou com uma importante contribuição do Janires nas letras, o tornando uma obra poética, com letras brilhantes. “Foi por Você” faz combinações de vários tipos de pessoas que Cristo veio buscar, “Amigo, Amiga” é uma poesia sobre a verdadeira felicidade, “Veleiro” é um MPB sobre a busca de nosso coração pelo descanso, felicidade e paz, “Baião Eletrônico” se apresenta como um baião cheio de influências eletrônicas, “Amigo Poeta” é a única interpretada no disco apenas por Guilherme Praxedes, tecladista. “Meninos de Rua” é outra poesia rica, “Coração Azul” contém conteúdo com referências ao fim do regime militar, enquanto “Trem da Amizade” fala sobre várias pessoas que fizeram parte da vida da banda. Indivíduos e grupos como Rebanhão, Jovens da Verdade, João Alexandre, Sérgio Pimenta, pastor Caio Fábio e Asaph Borba são uns do que foram incluídos na canção. Porém, o mais notável do conjunto foi a letra “Espelhos nos Olhos”, apresentando uma autobiografia de Janires e uma possível referência a sua morte, que infelizmente ocorreu antes mesmo da finalização do projeto, a qual o cantor não teve a oportunidade de vê-lo completo e terminado. Janires morreu em um acidente automobilístico, em um ônibus que se dirigia de Três Rios a Rio de Janeiro para um culto. Essa obra deixa uma grande história por trás, na composição, e nos fatos que ocorreram em torno dele.

    Tiago: Janires nunca se superaria em relação ao Rebanhão, eu acreditei. E eu estava certo. Mas calma, Espelho nos Olhos consegue ser quase tão cativante quanto os primeiros discos do cantor. Mas como eu disse no Novo Dia, praticamente da mesma época, as gravações em estúdio na época me incomodam um pouco. Este álbum, por sua vez, faz o mesmo que Janires fazia no Rebanhão, uma mistura de sons. Aqui temos um explosivo solo de guitarra em “Canção das Estrelas”, um reggae em “Foi por Você”, uma poesia delicada em “Veleiro”, enfim, o disco tem uma sonoridade rica, digna de uma banda capitaneada por um músico experiente. Janires, que também foi o produtor musical, também criou uma lírica antenada à época. Em uma das canções, o músico chega a refletir a respeito dos efeitos negativos da ditadura militar, mas, a coisa mais bela é a sua faixa-título, um testemunho pessoal poético, e uma declaração que, por coincidência, teria muito a ver com a sua morte (o disco foi lançado cinco meses depois do acidente que tirou sua vida).

    [infobox title=’2º: Luz do Mundo’]Artista: Rebanhão
    Ano de lançamento: 1983
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Rebanhão - Luz do Mundo - 1983Jhonata: Quando você começa a ouvir Luz do Mundo, sente que ali não existe somente música. Deve existir algo mais, ou melhor, tem que existir algo a mais. O disco não é nada de extraordinário, ele é simplista pela época de sua gravação e etc. Mas confesso que, por meio de minha pequena experiência com rock cristão nacional, Luz do Mundo me impressionou bastante. Desde a música título até o fechamento com a balada meio samba-blues-rock da “De que adianta”, o disco passa confiança de um trabalho introspectivo e atraente para o público da época. E não é atoa que o álbum ultrapassou gerações. A versatilidade de Janires e Carlinhos Felix me chamou muito atenção quanto o Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante do Los Hermanos. As composições em nível bem digno de aplausos, principalmente as assinadas pelo Janires. Destaco as músicas “Luz do Mundo”, “Hoje sou feliz”, “Com Cristo em mim”, “Casa no céu” e “Ano 2000”.

    João: Mais uma sequência perfeita, de fato esse pódio ficou bem Janires (risos), esse disco me faz lembrar da música que mais me faz chorar sempre que escuto: “Hoje Sou Feliz”. Essa faixa é meu recordatório mestre, porque lembra a infância de muitos de nós (apesar de que ao invés de Flash Gordon, pra minha época poderia ser o Ranger Vermelho, hahah), e o disco todo em si fala da volta de Cristo, de maneira muito explícita e ao mesmo tempo criativa. Janires focou ao extremo nesta temática no álbum, usando até interjeições mineiras (UAI – que na verdade seria a sigla de “Unidos no Arrebatamento da Igreja”, dava até pra fazer um samba-enredo com esse nome hehe) e aquele fascínio pelo fim do mundo no ano 2000 que ainda ia de vir no ainda não tão próximo ano de 1983, até mesmo na regravação de “Casa no Céu”. Que falta faz falar desse tema sem medo e ao mesmo tempo de maneira reflexiva e criativa!

    Thiago: Luz do Mundo é o segundo na discografia do Rebanhão, e o segundo merecidamente nessa lista. Apesar de que a banda ocupou o primeiro lugar dessa lista com seu primeiro lançamento, e agora ocupa o segundo, os integrantes do grupo desenvolveram um ótimo trabalho durante os anos 80, lhes rendendo essa devida posição. O disco segue os passos do primeiro, com as influências progressivas, do pop rock, do art rock e o tropicalismo. Como no primeiro álbum, a melhor música do álbum, tanto conceitualmente como musicalmente, é uma música com claras referências ao tropicalismo, e especificamente a MPB, a canção “Hoje Sou Feliz”. Como “Baião” e “Casinha”, ela trabalha uma crítica social contra a hipocrisia, e nossos sentimentos de heroísmo, em virtude de nossa verdadeira identidade de vilões. A melhor composição instrumental foi a meio samba rock “De Que Adianta”, uma brilhante faixa dançante. O rock ‘n’ roll de “Casa no Céu”, o arranjo de “Ano 2000”, a bela música de “Sinal Verde” são as melhores do álbum. Os restos são boas canções também, valendo ressaltar o mineirês “UAI (Unidos no Arrebatamento da Igreja)” (ela tem uma introdução de teclado muito parecida com “Cristo em Mim”) e o forró folk rock de “Jesus Meu Refúgio”. Nesse álbum, senti uma melhora nas camadas de guitarra do que no álbum Mais Doce Que o Mel, apesar de que esse primeiro apresentar um trabalho melhor como um projeto de estreia. As introduções do teclado são novamente notáveis, identificando os traços art rock da banda. Rebanhão mantém nesse disco seu esforço de lançar uma boa música, e além de uma ótima produção fonográfica, em comparação as dificuldades da época.

    Tiago: Luz do Mundo é um dos poucos discos de toda a história do rock cristão nacional que acompanha, bem na ponta, a evolução técnica dos estúdios. A qualidade da gravação é absurdamente superior ao Mais Doce que o Mel (1981), porque foi gravado nos Estúdios Transamérica, onde gigantes da MPB gravavam seus discos. O repertório pode não ser mais chocante e surpreendente que o trabalho de estreia, mas mostra uma banda bem mais entrosada. Eu gosto muito de “Hoje sou Feliz”, de Janires, e acredito que as composições de Carlinhos Felix não são tão boas, mas possuem uma qualidade totalmente aceitável. Se você observar o projeto gráfico, verá que até mesmo o encarte do LP é muito bem acabado, com ótimas fotografias, ou seja, um disco que tenta superar o primeiro, em todos os aspectos. Luz do Mundo, enfim, é um álbum excelente.

    [infobox title=’1º: Mais Doce que o Mel’]Artista: Rebanhão
    Ano de lançamento: 1981
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Rebanhão - Mais Doce que o Mel - 1981João: O que dizer desse disco que não seja repetitivo? Possivelmente o melhor disco de rock cristão e um dos, senão o melhor disco da música cristã contemporânea de todos os tempos, com uma das combinações mais bem sacadas da história de rock progressivo, MPB e as letras mais inventivas e loucas da história, uma continuidade óbvia do K7 lançado no final dos 70. Mas o que esse disco tem de criativo, tem de polêmico, claro. Pra época, desde a capa até as “mensagens subliminares” que o disco teoricamente teria foram realmente algo que deve ter causado celeumas (risos). Em suma, é um disco simplesmente fantástico, como já disse, ele pode ser talvez o nosso The Joshua Tree (Nota do Escritor: segundo a revista CCM norte-americana, o melhor disco da música cristã contemporânea numa lista de 100 melhores). Letras como o pot-pourri “Salas de Jantar”/”Jesus Cristo pode Te dar”/”Glória pra Jesus”/”Jesus Filho do Homem”/”Glória ao Pai, ao Filho, ao Espírito Santo”, “Mel”, “Baião” e “Casinha” valem o disco inteiro, mas outras, como “Monte” (de Carlinhos Felix) também trazem um lado genial e crítico ao mesmo tempo do Rebanhão.

    Jhonata: 10 faixas bem detalhadas musical e tematicamente, o disco Mais Doce que o Mel lançado em 1981, é bem introspectivo e simplista. Considerando que 90% dos discos cristãos da década de 80 foram discos simplistas, este do Rebanhão traz uma numeração considerável de detalhes. Em “Casinha”, uma bela canção interpretada por Janires, percebemos o quão a intenção de passar boas canções cristãs sem precisar se prender a um rótulo era grande. Destaco este como um dos melhores discos de rock cristão da década de 80.

    Thiago: Ao se deparar com a produção de “Mais Doce Que o Mel”, é perceptível o avanço no rock cristão brasileiro. O melhor disco da década indubitavelmente traz canções que mesclam o rock progressivo, pop rock, a música popular brasileira e estilos tropicais, e o new age e art rock. A investida do álbum e as polêmicas que vieram em torno dele, em virtude do preconceito religioso da época, provam que essa obra veio para influenciar muitas outras produções posteriores. Apesar das polêmicas, Mais Doce Que o Mel teve um bom retorno e é considerado um dos clássicos da música underground brazuca. Faixas como “Baião”, uma bela canção com conteúdo expondo sobre o encontro com Cristo e crítica social seguindo o baião do sertão, a obra mais conhecida da banda, “Casinha”, um choro contendo uma linda mensagem sobre a verdadeira realidade humana por trás da falsa alegria da sociedade, aparecem como as melhores do disco. “Monte”, “Tudo Passa”, “Amizade “, “Tudo É Meu”, “Passageiro” e o pot-porri são outras ótimas canções. As interpretações de teclado por parte de Pedro Braconnot são mais visíveis do que as camadas de guitarra, revelando uma linha meio art rock nas composições, e vale ressaltar as participações de outros instrumentos que ficaram muito boas, como o sax tenor de “Monte”, o conjunto de instrumentos de sopro de “Tudo Passa” e a harmônica de “Tudo É Meu”. Esse álbum representa um início de um avanço contra a religiosidade, e também para a criatividade cristã, pois compositores como Janires conseguem tratar coisas do cotidiano, a vida social das pessoas dentro de uma perspectiva cristã, um assunto que era pouco trabalhado (ou nada) até então dentro do meio.

    Tiago: Primeiro lugar óbvio, e era de se esperar. O Rebanhão lançou um disco que falou muito, e por anos continuou a falar. Apesar de ser menos consistente que o seu posterior, é aqui que, especialmente Janires e Carlinhos Felix (o barbudão da capa!) mostraram a que vieram. As composições do capixaba Janires são as mais conhecidas de toda a sua carreira, como as brilhantes “Casinha”, “Baião”, “Mel” e o progressivo pot-porri. Mas o que me encanta, em muitos momentos, é a beleza e simplicidade de “Refúgio”, de Pedro Braconnot, uma canção do naipe que só um neófito poderia fazer. Paulo Marotta está ali, mostrando sua proficiência, fazendo as bases com Kandell, enquanto Zé Alberto soa deslocado e deixaria o grupo em breve.


    A lista foi compilada através de votos dos participantes.

  • Katsbarnea – discografia e obra

    Surgido em São Paulo, o Katsbarnea foi uma das mais populares bandas de rock cristão, na ponta do movimento gospel.


    Guia discográfico

    O Som que Te Faz Girar (Independente/1988): Em processo de evolução, o Katsbarnea chegava mostrando um pouco do seu trabalho, que seria amadurecido no disco seguinte. (Nota: [usr 2.5])

    Katsbarnea (New Voice/1990): Autointitulado, o disco seria o marco definidor da música do Katsbarnea: criativa, rica e com pitadas de humor. É algo, honestamente muito semelhante ao feito pela Blitz no início da década anterior, mas com a genialidade lírica de Brother Simion, a mente por trás de quase tudo. (Nota: [usr 4.5])

    Cristo ou Barrabás (Gospel Records/1992): Praticamente transformado em um projeto de Estevam Hernandes, e produzido por Rick Bonadio, Cristo ou Barrabás não tem o mesmo brilho da obra anterior, mas mergulha em novos sons, como o hard rock e a surf music. (Nota: [usr 3])

    Armagedon (Gospel Records/1995): Após ter trocado sua formação, o Katsbarnea deixou para trás suas veias funkeadas, cujo som explorava influências de soul e pop, e só se reencontrou no quarto álbum. Produzidos por Paulo Anhaia, o soberbo álbum é definido por seu forte teor experimental, e letras evangelísticas, mesclando humor, além de mensagens apocalípticas – algo que se tornaria recorrente nas composições de Simion. Apoiado pelo marcante baixo de Jadão e riffs de Déio Tambasco, Brother provou ser a alma da banda, escrevendo todas as letras, além de gravar os vocais, guitarra, harmônica, piano e teclado. (Nota: [usr 5])

    10 Anos (Gospel Records/1998): Juntando músicas de três distintos álbuns, 10 Anos acaba escorregando em retratar a evolução da banda durante este período. (Nota: [usr 2])

    Acústico – A Revolução Está de Volta (Gospel Records/2000): O melhor disco acústico já produzido no meio cristão, A Revolução Está de Volta resgata, suavemente, os arranjos vocais anteriores a 1991, canções brilhantes de Brother que, apesar de não ser gravadas pelo mítico ex-vocalista, ganham roupagens de respeito no comando de Paulinho Makuko. (Nota: [usr 4.5])

    Profecia (Gospel Records/2002): Desnecessário, o disco não consegue convencer, trazendo novos arranjos acústicos para músicas da banda e da carreira solo de Simion. (Nota: [usr 2])

    A Tinta de Deus (Gospel Records/2007): Talvez o único disco forte que a era Makuko trouxe, é um esforço muito admirável do grupo, sob a produção de Dudu Borges, que soube embelezar os riffs de guitarra de Déio Tambasco com seus pianos e hammonds. (Nota: [usr 4])

    Ao Vivo (Independente/2009): Apresentando bem as músicas do outro disco e versões elétricas de sucessos da banda, Ao Vivo pode não lembrar o clássico Kats dos anos 90, mas mostra um grupo em completa forma em 2009. (Nota: [usr 3.5])

    Eis que Estou à Porta e Bato (Independente/2013): Previsível, maçante e escancaradamente sem criatividade, o disco joga versos sem qualquer profundidade a uma sonoridade que em nada lembra a riqueza musical própria do Katsbarnea. (Nota: [usr 1.5])


    Melhores músicas

    A Tinta de Deus, Apocalipse Now, Do Céu, Extra, Grito de Katsbarnea, Invasão, Remédio pra Dormir, Revolução e Terra.


    Notícias e matérias sobre o Katsbarnea

    Para ver todo o conteúdo sobre ou relacionado ao Katsbarnea no O Propagador, clique aqui.

  • Fique Sabendo – Fruto Sagrado, Livres para Adorar, Jonas Villar e muito mais

    Hoje é sexta-feira, e como sempre, é dia de Fique Sabendo. Esta semana tivemos várias novidades. Confira com a gente!


    Fruto Sagrado lança single “Fé Canibal”

    A banda Fruto Sagrado, atualmente formada por Bene Maldonado (guitarra), Sylas Jr. (bateria) e Vanjor (vocal) lançou um novo single, chamado “Fé Canibal”. É a primeira música inédita da banda desde 2012, quando produziram o trabalho Universo Particular. A canção tem influências do metal alternativo e receberá análise aqui no site na próxima semana. Aguardem!


    Livres para Adorar divulga capa do álbum Só em Jesus

    O grupo Livres para Adorar divulgou a capa de seu novo álbum, Só em Jesus. O trabalho tem sido aguardado com bastante expectativa pelo público, principalmente devido ao sucesso dos dois últimos trabalhos da banda, que a tornou uma entre os grupos de maior destaque no cenário evangélico atualmente. No entanto, o projeto gráfico causou polêmica, e foi acusado de plágio, por se tratar de uma ideia muito semelhante ao Typomania, o qual é um blog de referências tipográficas. Por conta dos efeitos negativos, a banda alterou seu post e assumiu a “influência” na capa, produzida pelo Studio Cais.Livres para Adorar - Só em Jesus - 2015


    Jonas Villar divulga teaser do novo DVD

    O cantor Jonas Villar divulgou, através da BME Multimedia, o teaser de seu novo DVD, gravado em Belo Horizonte. Com direção de vídeo de Marco Túlio (o mesmo responsável pelo clipe de “Ser Alguém”, de PG) o projeto conterá músicas inéditas e regravações de sucesso no meio evangélico.


    Oficina G3 segue com o G3 na Igreja, recebendo elogios do público

    A turnê G3 na Igreja, da banda Oficina G3, em que o grupo ‘deixa de lado’ sua agenda em grandes casas de shows para se apresentar em igrejas em todo o país, tem recebido retorno positivo do grupo. Fazendo participações em diversas denominações evangélicas e até mesmo em igrejas para-cristãs, o quarteto abandonou, por um tempo, o formato elétrico de suas canções, e tem se apresentado de forma mais acústica e intimista, aproximando suas ligações com o público das igrejas.


    Marcela Taís é destaque no Spotify

    Nos últimos dias, o Spotify divulgou uma ferramenta que lista as canções mais ouvidas em várias cidades do mundo. Marcela Taís, por sua vez, contém canções dentre as mais ouvidas no aplicativo, em várias cidades do Brasil, como Goiânia, Vitória e São Luís, com o álbum Moderno à Moda Antiga, competindo destaque entre artistas como Wesley Safadão e Jorge & Mateus.


    Dan e Janaína lançam novo CD pela Som Livre

    A gravadora Som Livre lançará o primeiro CD da dupla Dan e Janaína, que é uma dissidência de outra dupla sertaneja, Dan e Daniel (conhecidos pela música “Coração pra Deus”). Os músicos se separaram e Dan decidiu seguir a carreira musical com sua esposa. O disco se chamará Tudo Novo.


    Tanlan participa de concurso para o Rock in Rio 2015

    A banda de rock Tanlan é uma das participantes de um concurso para estar no Rock in Rio em 2015. O grupo musical mais votado estará num dos palcos do evento, e a votação foi compartilhada nas mídias sociais da banda.

    https://www.facebook.com/tanlan/photos/a.199875063396857.69567.127198933997804/1002131469837875/?type=1&theater


    Até a próxima semana!

     

  • Fronteira – Apresentação do conteúdo

    No segundo texto da Fronteira, quero noticiar-lhes sobre algumas novidades da coluna. A periodicidade do conteúdo será sempre nas quintas feiras, mas em cada semana pretendo abordar um assunto específico. Na primeira semana, a proposta é tratar sobre música, em vários contextos e de formas variadas. Na segunda quinta, trarei conteúdos sobre temas variados relacionados a arte, procurando englobar vários ramos da cultura, como literatura, desenhos, e muitos outros. Na terceira quinta, buscarei trazer séries de textos girando em torno de algum assunto como poemas, histórias e muitos outros. Na quarta semana será livre, e na presença de uma quinta semana no mês, também será livre.

    A coluna não tem por objetivo oferecer conteúdo biográfico (pode até ter), porém prioriza releituras de obras atuais e antigas, portando também quantidade de conhecimento para formar a própria reflexão, mas é claro que haverá muita bagagem histórica em alguns futuros textos também. Buscarei também oferecer conteúdo próprio, fundamentado na minha própria criatividade. Reflexões serão retomadas como havia no Conectados no Amor, sempre visando conectar a nossa cultura com a espiritualidade e a Bíblia, fugindo dos temas mais abordados pelo mundo evangélico, baseados na busca pela honestidade, imparcialidade e respeito.

    Estejam acompanhando as novidades da coluna, que muita coisa boa vem por aí.

  • Rocklogia – Oficina G3 como um trio

    Fotografia: Jean Carllos no Canta Zona Sul | MK Music, no portal da banda em 2004

    Com a saída de PG, os integrantes remanescentes, de longa data do grupo, não sabiam quem colocar nos vocais. A ação foi pontual: Juninho Afram teve que se achegar com força total aos microfones. Duca Tambasco faria as partes que anteriormente eram destinadas à Juninho em algumas músicas, e Jean, que expandia sua participação nos vocais desde Humanos, sem dúvida tinha espaço total nesta nova conjuntura.

    Juninho Afram não estava completamente satisfeito para atuar nos vocais, até porque muitos dos riffs da banda são complexos demais para tocar e cantar. Por isso, a banda chamou Déio Tambasco, que, na época gravava seu segundo disco solo, para atuar com a banda na guitarra base. Com a participação de Lufe na bateria, que trabalhava com a Oficina G3 por uns anos, o trio fundamental do grupo seguiu na ativa.

    A turnê de Humanos foi uma das mais longas da banda, e, assim, podia ser dividida em duas fases. A segunda, da Oficina G3 como um trio, recebeu um belo registro no Canta Zona Sul, ocorrido em abril de 2003 no Rio de Janeiro. Juninho Afram, Duca Tambasco e Jean Carllos demonstraram ótima proficiência em seus instrumentos, e nos vocais também. Você pode ouvir os três em “Onde Está?”, por exemplo. Essas faixas foram remasterizadas e relançadas na coletânea Gospel Collection, lançada em 2014.

    Além dos shows, o grupo andava em alto vapor na produção de um álbum futuro.

    É assim, honestamente, eu preferiria que Deus preparasse uma pessoa, a minha vontade seria essa. Enquanto eu tiver que fazer, eu faço, e faço com amor, com seriedade, estou dando o meu melhor. O que eu posso fazer, estou fazendo. Mas é uma coisa minha com Deus. Se Deus quiser preparar outra pessoa, pra mim seria melhor. Mas eu também não quero colocar as palavras na boca de Deus ou dar ordens para Deus. [Juninho Afram, sobre ser vocalista, G3ManiA, 2004].

    As gravações de Além do que os Olhos Podem Ver foram demoradas, mas bastante positivas. O vocalista do Fruto Sagrado, Marcão, participou dos vocais e da composição de “Sem Trégua”. Déio Tambasco tocou guitarras em “O Fim é só o Começo”, música com sua influência de blues. Juninho Afram gravou os vocais, enquanto Duca Tambasco e Jean Carllos ficaram com seus respectivos instrumentos. Todo o processo de composição, no entanto, foi iniciado do zero durante seis meses, e foi o disco criado dentro da maior pressão e dificuldade já enfrentada pela Oficina.

    O álbum foi lançado em fevereiro de 2005, e vendeu 20 mil cópias em apenas três dias, alcançando elogios gerais pela sonoridade de volta aos trilhos. O peso no instrumental cresceu as especulações acerca do pop na fase com PG, mas Juninho negou que a culpa fosse do ex-vocalista, e afirmou que não havia um culpado para isto. Anos depois, Jean Carllos afirmou o mesmo, em outra entrevista.

    Déio Tambasco tocou com a Oficina G3 até que fosse convidado por Paulinho Makuko para voltar ao Katsbarnea, que estava sendo reformulado, e Lufe deixou de tocar com o grupo em novembro de 2006. Em seus lugares, chegariam os músicos Celso Machado e Alexandre Aposan.

  • Polemizando – Jotta A: o que há de errado com ele?

    O jovem e talentoso cantor Jotta A tornou-se sucesso repentino após vencer um concurso de calouros em um programa de TV. Alçado rapidamente a estrela da música gospel, o então pré adolescente Jotta A saiu do completo anonimato para o assédio tresloucado de fãs. Contratado pela Central Gospel Music, Jotta A lançou seu primeiro disco, Essência, vendendo mais de 80 mil cópias e alcançando repercussão em todo o Brasil e até fora dele. Tudo parecia perfeito e realmente poderia ter sido.

    No entanto, logo começaram as polêmicas. Ataques de estrelismo em eventos, desabafos ácidos nas redes sociais, conivência e incentivo à idolatria dos fã-clubes. A fama parecia ter começado a mostrar seu lado destrutivo. O cantor, além de ter mudado radicalmente de vida, também passava por uma de suas fases mais complicadas como ser humano: A adolescência. Como seguir uma vida profissional tão cedo sem misturar os problemas pessoais de ordem natural?

    Depois de lançar Geração de Jesus, o jovem cantor se consolida entre os mais populares cantores cristãos. Com isso, Jotta A ganha mais público e mais exposição. O problema é que nem sempre essa exposição é positiva. Assuntos pessoais e até banais comuns à maioria dos garotos de sua idade ganharam a rede causando alvoroço e enxurrada de críticas. Mas, o que esperamos de um garoto, que ele seja perfeito e não erre? A fama infelizmente não transforma ninguém em super herói.

    Afinal, o que tem de errado com o Jotta A? Não há nada de errado com ele, mas em nós, sim. Por que cobramos a perfeição de outro ser humano quando nós não somos perfeitos? Você pode estar justificando pelo fato de ele ser cristão. Mas quem disse que sendo cristãos somos perfeitos? Somos humanos. A diferença é que ninguém vai dar importância se algum desconhecido faz um vídeo cômico e joga na internet, pois, no máximo, a família vai ver. Mas o famoso? A repercussão é outra, justamente por acreditarmos que ele é superior e tem mais responsabilidades. Assim, esquecemo-nos de que muitas vezes ele é só um garoto jogado cedo demais num mundo competitivo, onde as pessoas parecem estar sempre dispostas a dar uma rasteira e jogar no chão.

    Reafirmo: não há nada de errado com Jotta A. Seus “erros” tão apontados são apenas reflexo de sua humanidade transparente. Na verdade, o falta alguém que lhe ensine a ser menos humano e mais artista: é preciso ocultar emoções, opiniões. Não é permitido errar. O erro, por mais bobo que pareça, consegue tomar proporções inimagináveis na boca de muitos. Por isso, é preciso interpretar e parecer politicamente correto. É preciso zelar da imagem ainda que ela não reflita exatamente a realidade. Porque o público não se importa, afinal, não querem a realidade, e sim a aparência de perfeição. E isso nem é tão difícil de se conseguir.

    Para alcançar esta imagem, basta algum investimento em assessoria, gestão de carreira, marketing digital. E, provavelmente, o único erro do cantor é o de não ter os profissionais certos para gerir sua carreira. Jotta A precisa entender que José Antônio e Jotta A não são a mesma pessoa e um não pode interferir na “vida” do outro. Enquanto José Antônio não entender que Jotta A não passa de um produto de mercado, mais e mais dedos serão apontados para ele.

  • Um Brinde – Você já sabe que Jesus vai voltar, né?

    Um Brinde – Você já sabe que Jesus vai voltar, né?

    O título desse texto não tem nada a ver com pregação apocalíptica para te amedrontar dizendo o quanto você vai sofrer se não estiver com o seu coração em Deus. Também não é uma pergunta retórica, eu sinceramente quero saber se você já sabe que Jesus vai voltar. Responda antes de prosseguir com a leitura.

    OK, então prossigamos.

    Já é de praxe ouvirmos os pregadores urbanos dizendo: “arrependam-se, pois Jesus irá voltar para buscar sua igreja!”. Aqui eu me coloco também como um pregador urbano e digo com muito orgulho: nunca evangelizei ninguém usando esta frase. Por que? Você sabe que sua mãe te ama, ela está contigo e te dá o que você precisa, então não é necessário ela dizer a cada momento em que vocês estão juntos que ama você. Tá entendendo meu raciocínio?

    Nós, pregadores do evangelho, não precisamos dizer todas as vezes as quais vamos evangelizar que Jesus vai voltar porque assim como todo mundo sabe a aparente cor azul do céu, sabe que Jesus um dia vai vir aqui e mostrar quem manda nesse espaço terrestre e levar quem Ele quer levar. Mas, assim como é bom ouvir de vez em quando um “eu te amo” da sua mãe, também é bom ouvir um “Jesus vai voltar!”.

    E qual é a real proposta do texto? Dizer que Jesus vai voltar, mas de outra forma? Não, porque isso seria o mesmo que dizer que o gordo não é gordo mas uma pessoa acima do peso. A intenção é simples: passar a mensagem de que você amado leitor, peca sabendo que um dia vai ser julgado por isso, julga sabendo que um dia será julgado, ignora Deus sabendo que um dia Ele também vai te ignorar. Ficar repetindo como um chavão que Jesus vai voltar / vai voltar / vai voltar não garante a salvação de ninguém. Não podemos usar esse fato vindouro para pôr medo em indivíduos os quais ainda não conhecem Jesus. O evangelho não é psicologia, e sim uma vida de renúncia. Usar o argumento de que Jesus vai voltar para converter pessoas não adianta em nada, pois a volta de Cristo é um confronto contra nossa própria natureza pecaminosa. Não importa o quão santo você seja, pois você é um pecador.

    Quando eu fazia parte do movimento neopentecostal, achava a frase “Jesus vai voltar” um ótimo atrativo para os infiéis, pois assim eles poderiam ter esperança de uma vida melhor com Cristo e, consequentemente, fazer parte da família de Cristo. Hoje, percebo que isso não faz sentido. Não mesmo. Não faz muito tempo que fiquei muito revoltado com um grupo de “pregadores” pentecostais que gritavam a volta de Jesus no terminal urbano de onde moro, e se já não bastasse, enquanto um berrava seus “labaxurias”, o outro tocava uma corneta dessas que você compra em lojas de um e noventa e nove, simbolizando as trombetas do livro de Apocalipse. Me responda: se isso não é apelação é o quê? Não ouso chamar isso sequer de evangelho, quanto mais de evangelismo.

    Além disso, é um enorme engano achar que a volta de Cristo elimina, automaticamente, o fato de que somos pecadores. Haverá um julgamento. Todas as coisas que fazemos em quatro paredes serão trazidas a tona; o cara que nunca foi popular, verá seus feitos sendo mostrados; a moça que nunca foi destaque na escola, relembrará as vezes que cortou os pulsos no quarto escuro. A volta de Cristo é o cumprimento da sua promessa (João 14:18) e não uma forma de encher o céu de habitantes. É fato que seremos regenerados e não mais seremos carne pecaminosa, e sim santos incorruptíveis, mas até lá, ainda somos falhos pecadores justificados apenas pela graça imerecida. O clichê evangeliquês do “Jesus vai voltar!” não converte ninguém. Em suma, ele afasta as pessoas do cristianismo, impõe barreiras de relacionamentos e medo nas pessoas que não tem 1% sequer de conhecimento hermenêutico das Escrituras.

    Infelizmente, Jesus, assim como o Papai Noel, virou uma lenda urbana que ninguém mais acredita. Ouve-se desde que era pequeno(a) que Jesus vai voltar e ele ainda não voltou, então como acreditar nisso? As pessoas sabem que Papai Noel não existe mas quando chega a época de natal, fantasiam para os seus filhos de que ele existe sim. E a mesma coisa estão fazendo com Jesus: quando falamos dele nas ruas, nos ouvem com atenção e confessam que precisam ir na igreja e etc. Mas depois disso, o impulso do “preciso de Jesus” passa e então voltam a não acreditar mais em Jesus e nem de que Ele vai realmente voltar.

    O meu manifesto como cristão e pregador urbano é que o evangelho, a palavra de Deus, seja pregada com coerência e sem apelação apocalíptica. É que buscamos conhecer mais o que significa amor e não violência de conhecimento bíblico. Respondendo a pergunta que fiz logo acima de como acreditar na volta de Cristo para dois grupos de pessoas: os que acreditam em Jesus mas não vivem pra Ele e para os céticos amantes da física. 1) Ele (Jesus) prometeu voltar e Ele não mente. 2) Isaac Newton disse, basicamente que, se algo sobe, terá que descer por causa da gravidade. Jesus tem a gravidade em suas mãos porque é Soberano, mas como vocês não crêem nisso, apenas fiquem com a resposta de que Ele viveu aqui na Terra, subiu aos céus, então Ele descerá. Um brinde!

  • Análise: CD Tetelestai – Diante do Trono

    Análise: CD Tetelestai – Diante do Trono

    Imagine o ano de 1998.

    Um tempo em que para se escutar uma música era preciso apenas dar play. Diante do Trono surgiu aí. Foi tão influente no Brasil, que nós nem percebemos como foi único. Não dói nada admitir. Pessoas talentosas ancoradas em uma visão a qual puderam expressar sua voz, soterrando, questionando e excedendo níveis (seja para o bem ou para o mal). Sou do público que viu versatilidade em uma era polarizada do grupo, mais acentuada no aguado Nos Braços do Pai (2002), até o tarimbado Ainda Existe uma Cruz (2005). Mas, nos últimos três anos, o imbatível nome começou a soar como uma banda que estava constantemente tentando, agravando um leve declínio, que até o mais cínico deve reconhecer: aconteceu desde o mafuá Sol da Justiça (2011). Não temos acesso a logística do grupo, o público pode até decidir o que sentir sobre esse mapa mental, mas o grande ministério de louvor passou por visíveis apuros.

    Embora minhas preferências religiosas vão para outros rincões, o Tetelestai (17º CD) pode ser considerado como um acerto – em termos. O disco, gravado em Jerusalém (2014) parte da premissa “está consumado”, do livro de João 19:30.  O projeto é elétrico (O Espírito e a Noiva, sendo regravação do impecável Águas Purificadoras) e ao mesmo tempo ponderado (À Sombra do Altíssimo, regravação do mesmo). Como abertura, o Medley Israel até equivale a uma viagem de trem: proporciona um belo passeio, um grande espetáculo visual, confortável, mas no fim você vai querer um veículo que cumpra o mesmo trajeto de uma forma mais rápida e eficiente. Já as faixas Ressuscitou e Eu Sou as quais, mesmo derrapando em reducionismos e elipses literárias, demonstraram serem partes de um projeto inteligente com certo grau de inventividade na qualidade pedestre das letras.

    O momento soturno do disco fica por conta de Ó, Jerusalém. Uma deselegância anafórica que não passa de uma fachada em tons pastéis. Seu Nome, juntamente com os demais 3 (três) espontâneos se enquadram no campo de faixas anticlimáticas que, de alguma forma, tentam evocar um momento de sensibilidade, mas falham, se saindo assim, como de um truque só.

    Em contrapartida, fica por conta da canção-tema, Tetelestai, o ponto elegante e palavra-chave contundente do projeto. O que acontece também em Aleluia, Maranata, que apesar de ter uma crescente idêntica a With Everything do Hillsong United (coincidência?), é de se admirar que tenha resvalado em uma linguagem clara algo que ainda tem de muito orgânico no Diante do Trono: uma melodia que te carregue.

    Questionável por questionável, o disco te ganha. Um projeto cheio de hooks, com começo, meio e fim. Tudo se justifica. Mas não estamos sendo tolhidos a olhar por um viés mais crítico. Diante do Trono tem bagagem. Seja na astúcia do ‘‘não mexer em time que está ganhando’’ ou na simplicidade de ‘‘voltar ao básico para ser aplaudida por um público mais amplo”. Como por exemplo, no disco anterior, Tu Reinas (2014), em que a banda se torna uma paladina da justiça pra peixe pequeno. E convence.

    Mas, infelizmente, não estamos mais em 1998. Tempos em que pra gostar das músicas você precisava apenas dar o play, e não ter um bloquinho de notas explicando palavra por palavra, música por música, ou referência por referência como se isso fosse melhorar a situação. Não melhora. Embora o Tetelestai seja audível, é limitado. Mas reitero: não é culpa do grupo mineiro.

    A juventude dos tempos atuais garimpa o seu próprio conteúdo na internet, e molda aquilo que considera necessário aos seus ouvidos. Diante do Trono, que surgiu num grito lá em 1998, agora entendeu isso, e está se rendendo a uma limitação que corrobora com a teoria de que muita gente não está mais prestando atenção na música gospel ao dar play. Que não adianta dizer nada mais profundo, pois ninguém está ouvindo, ninguém está atento e ninguém vai entender. Prezo para que a situação possa ser revertida, mas nos últimos três anos, o grupo que excedia limites, se incluiu nesse grupo segregado do mercado gospel que está cada vez menor e menor, acreditando ser cada vez maior e maior.

    Confira o guia discográfico do Diante do Trono

  • Para refletir – Ele cuida de nós

    Fotografia: Allan Patrick | Flickr

    Como fechar os olhos para tudo à nossa volta, acima e abaixo do céu? Me pergunto constantemente, quando a realidade está em nossa direção, mas tentamos nos desviar. Isso ocorre quando queremos que nossa vontade venha a se concretizar, e que todo o contexto à nossa volta contribua para o nosso ego.

    No entanto, Deus, como o condutor de tudo, o criador, o autor, denomina um caminho para andarmos, o que nem sempre (na verdade, quase nunca) é o que queremos. Assim, entramos em conflito com nós mesmos, pois, como também nos contrariarmos?

    Seguimos e permanecemos no caminho certo, por vezes sem saber, ou seja, sem refletir profundamente em meio a toda a crise. Mas lá na frente vemos o quão boa e sábia foi aquela decisão. E, dia a dia, Ele nos ensina que é Deus e cuida de nós, e justamente por nos amar, sabe que nossa independência é perigosa.

  • TOP 10 – Músicas sobre fé

    A fé é fundamental na vida de qualquer cristão. Sendo definida como a crença em algo sem a necessidade de provas, a fé é tema recorrente em várias canções cristãs. Confira a nossa lista com algumas delas.

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    [tab title=”10º”]

    Fé – Lauriete

    O décimo lugar vai para Lauriete, com “Fé”, uma das canções de sua carreira, que intitula um de seus álbuns. A canção afirma que, através da fé, podemos contemplar Jesus. (2008)

    https://www.youtube.com/watch?v=6meGATdIbPw

    [/tab]

    [tab title=”9º”]

    Fé – Luiz Arcanjo

    “Fé”, do álbum solo de Luiz Arcanjo, possui uma pegada leve, conduzida por um violão. Seu refrão diz: “fé não se explica com a razão”, utilizando vários exemplos para definir o conceito de fé. (2009)

    https://www.youtube.com/watch?v=_od4L7w_NTs

    [/tab]

    [tab title=”8º”]

    Tudo é Possível – Ozéias de Paula

    Abordando a fé como forma de enxergar o impossível, esta canção, gravada por Ozéias de Paula, faz referência à fé do tamanho de um grão que transporta montes. (1982)

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    [tab title=”7º”]

    Fé – Oficina G3

    Gravada no álbum Indiferença, foi escrita pelos então cinco integrantes da Oficina G3: Luciano Manga, Juninho Afram, Duca Tambasco, Jean Carllos e Walter Lopes. O baterista Walter conduz os vocais, contando vários episódios bíblicos, dizendo que não só eles como nós vivemos pela fé. (1996)

    [/tab]

    [tab title=”6º”]

    Uma Questão de Fé – Rose Nascimento

    Canção que intitula o álbum Uma questão de Fé, faz referência a vários acontecimentos bíblicos acerca do poder da fé. Assim, Rose Nascimento canta que “é uma questão de fé / pois, nenhum deles é melhor do que você“. (2006)

    [/tab]

    [tab title=”5º”]

    Minha Fé – Lília Paz

    A canção, diferentemente das anteriores desta lista, aborda as crenças erradas de muitos cristãos, que os levam à desilusão. “É tanto amuleto tanta moda e heresia / E o povo cegamente acreditando dia a dia / Mas a igreja sabe em quem pode confiar / É só em Jesus Cristo outro nunca haverá“. (2010)

    https://www.youtube.com/watch?v=Ejf42AFZM0Y

    [/tab]

    [tab title=”4º”]

    A Fé Faz o Herói – Jamily

    Hit de Jamily, foi escrita por Beno César e Solange César, e de certa forma se conecta a outro sucesso da cantora, “Conquistando o Impossível”. Esta canção relaciona o impossível com a fé, afirmando que os alvos, para um herói, são conquistados através da fé em Deus. (2007)

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    Pela Fé – André Valadão

    Sucesso do cantor que mais gravou canções com a temática da fé, e fez do logotipo de sua carreira o escudo da fé, “Pela Fé” faz parte do álbum Sobrenatural. A música fala acerca das possibilidades trazidas através da fé em ver acontecer o sobrenatural. (2008)

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    A Fé – Sérgio Lopes

    Do álbum homônimo, “A Fé”, de Sérgio Lopes, retrata poeticamente a força da fé no indivíduo que está cansado, abatido e só, afirmando que “a fé tem seu segredo / não se revela ao que tem medo / mas ao que luta / até o momento da fé chegar“.  (1999)

    https://www.youtube.com/watch?v=xBWNz2NyJTs

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    Rompendo em Fé – Comunidade Zona Sul

    Um dos maiores hits no meio cristão durante os anos 90, com certeza marcou a vida de muitos cristãos em sua época. Do grupo Comunidade Zona Sul, “Rompendo em Fé” aborda a importância das provações e dificuldades no crescimento espiritual do indivíduo cristão. (1998)

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