Categoria: Rocklogia

  • Rocklogia – Princípio

    Após dois álbuns de sucesso, mas mornos, em junho de 1989 finalmente o Rebanhão se redime com os entusiastas das obras de Janires que, naquela época já tinha falecido, chegando ao seu melhor projeto em formação clássica.

    O contrato com a PolyGram se encerrou, e a banda passou a fazer parte do cast de uma pequena gravadora em início, que mais tarde se tornaria uma gigante nos anos 90: a Gospel Records. Princípio foi o primeiro álbum lançado pelo selo, e se destaca pela intensa participação de Pedro Braconnot. Enquanto, antes era Carlinhos Felix que assinava a maioria das músicas e indiretamente traçava os rumos do grupo, Pedro traz a veia crítica que existia na época de Janires. A começar por “Palácios”, que tornou um forte discurso unido as vozes do público nos shows que a banda cantava, principalmente pelos versos da ponte: “aonde está a honra dos orgulhosos? A sabedoria mora com gente humilde. Liberdade, liberdade”. Sua letra é intensa, forte e é por conta disso que, mesmo escrita para o álbum anterior, foi guardada por receios do compositor. Mas ainda bem que ela foi lançada.

    Pedro também assina “Metrô” (na voz de Carlinhos), “Fronteiras” (com fortes características acústicas), “Arsenal” e “Grito de Silêncio” (co-autor com Carlinhos). Carlinhos Felix assina “Grito de Silêncio” com Pedro, “Má Sensação”, “Ele te Ouve” e o hit “Selo do Perdão”. Também canta a faixa-título escrita por Lucas Ribeiro, que faz uma forte crítica ao desmatamento da natureza, que é criação divina. Paulo Marotta, pela primeira vez na banda é autor de uma canção, “Muro de Pedra”, que faz uma crítica às guerras causadas por “revoluções”, centradas em ideais como o comunismo e capitalismo, versando que a revolução que muda o mundo não começa nas ações, e sim na mudança de coração.

    Muitos músicos cristãos citam Princípio como um dos melhores álbuns do nicho. O produtor musical Leandro Silva, ex-tecladista do Toque no Altar, por exemplo disse, em entrevista ao Super Gospel que “junto com Mais Doce que o Mel revolucionou a forma como todos ouviam música na época”. Somente a canção “Palácios” recebeu várias regravações, de músicos como Fernanda Brum, Carlinhos Felix, Promisses, Paulinho Makuko e outros. Inclusive, João Alexandre a cita em uma de suas canções, “Tudo é Vaidade”.

    O lançamento do álbum foi realizado na casa de shows Rio Sampa, e o grupo viajou por todo o país. Só em Brasília, em 1990, a banda apresentou-se mais de uma vez. Um show no Teatro Nacional foi gravado por uma das pessoas no público, e pode ser encontrado no YouTube. O repertório conteve, em grande maioria de canções dos álbuns Princípio e Novo Dia.

    Ainda, em 1990, após cerca de seis anos com a banda, o baterista Fernando Augusto (Tutuca) sai do grupo, e a banda prefere não substituí-lo, trabalhando com um baterista do meio “secular” como músico convidado. Foi com este mesmo baterista que o trio gravou o álbum seguinte, mas isto é assunto para outro post…

    A respeito da composição “Palácios”, o Rebanhão publicou um minitexto recente, em sua página no Facebook.

    A música Palácios, composta por Pedro Braconnot e gravada pelo Rebanhão em 1989, não perde a atualidade. Ainda hoje vemos que o poder da política, o poder do dinheiro e o poder ilusório das drogas tentam dominar a sociedade. Mas sabemos que eles não podem vencer o “sol da justiça”. Palácios foi composta em 1987, mas Pedro tinha receio de que a canção recebesse muitas críticas pela abordagem forte de sua letra. Por isso, ela só foi gravada dois anos depois no CD Princípio, o primeiro da gravadora Gospel Records. Palácios foi uma das músicas mais visualizadas nas redes sociais e a composição mais regravada do Rebanhão, por artistas como Carlinhos Felix (em sua carreira solo), Paulinho Makuko e Fernanda Brum.

  • Rocklogia – Sobre resenhas-críticas e a irritação de fãs

    Paro a linha do tempo dos últimos posts para trazer à tona um tema curioso e que, de certa forma é de interesse geral. Na internet, com a popularidade de listas dos “melhores”, dos “piores”, resenhas-críticas de filmes/livros/músicas que causam raiva em fãs, fico me perguntando os motivos pelos quais isso acontece. Aliás, não é apenas no campo cultural, mas em toda a esfera das relações humanas, ter uma opinião distinta dói e machuca. Ainda me pergunto o porquê.

    Antes de tudo, é importante citar que existem dois tipos de resenha, nas quais um leitor atento perceberá sem dificuldades: a resenha-resumo e a resenha-crítica. Existe um artigo sobre as duas modalidades bastante útil publicado pela PUC-RS, no qual pode-se acessar aqui.

    A resenha-resumo, como supõe seu nome tem como objetivo e característica o resumo de uma obra, de caráter exclusivamente informativo, ou seja, evitando qualquer exposição de opiniões do autor acerca do conteúdo. Este tipo de resenha é encontrado em alguns portais e blogs.

    Por outro lado, a resenha-crítica incorpora os elementos da resenha-resumo e vai além, elucidando a avaliação do autor sobre o objeto tratado, seja ela positiva ou negativa. E como tudo que há opinião, este tipo de resenha é a mais polêmica.

    Principalmente no meio gospel, muitas vezes as resenhas são intituladas de “análise”, em uma única categoria, que podem abrigar tanto resenhas-resumo e resenhas-críticas.

    Por que as pessoas se estranham ou ofendem com resenhas-críticas?

    O primeiro motivo, e um dos mais comuns é a assimilação incorreta do texto e sua modalidade. A principal crítica feita pela maior parte dos leitores, nos mais diversos portais e blogs é a tomada de opinião por parte do autor. Ora, se o texto é uma resenha-crítica, por obrigação deve conter a visão do resenhista. Se não houver tal análise, deixa de ser resenha-crítica para se tornar uma resenha-resumo. E se o leitor não deseja uma opinião do escritor, é mais adequado para ele ler um verbete da Wikipédia, por exemplo.

    Outro ponto, de ocorrência mediana são detalhes e outras questões relativas a obra nas quais o autor não abordou. Isso pode ocorrer quando o texto é superficial ou quando o escritor preferiu tratar de outras questões: afinal, é praticamente impossível sintetizar em poucos parágrafos todo o conjunto de percepções que um trabalho pode trazer. É neste ponto que mora a beleza de uma resenha-crítica. Quantas vezes você já leu um texto desta modalidade e leu sobre coisas nas quais você não tinha notado anteriormente?

    Infelizmente, quando envolve-se o meio gospel, um problema ainda maior aparece: há a impressão, na maior parte das pessoas que a música cristã é diferente da não-cristã. E sim, é, no aspecto lírico. Mas, uma resenha não pode-se apegar a isto, muito menos em motivações bem intencionadas do músico, até porque o que está sendo avaliado é a qualidade final da obra, não suas intenções. Se não fosse isso, dentro da história do rock, discos desastrosos não teriam sido rechaçados pela crítica especializada. Sinto que a reação do público, principalmente dos fãs mais fervorosos do gospel em nada se distingue do público secular, embora agrava-se por se embasarem e esconderem em questões sérias, como a evangelização, o “feito para agradar a Deus” para justificarem o resultado pouco feliz de um projeto. Ora, uma resenha-crítica não deseja delimitar o efeito de um disco no Reino de Deus, mas apenas de analisá-lo sob uma ótica completamente racional e desligada de fatores emocionais.

    Dado isso, é importante salientar que as resenhas-críticas, antes de tudo devem ser interpretadas como uma essencial opinião, mesmo que ela venha a contradizer todo o seu espectro de ideias acerca de uma obra. Vale salientar, também que cada autor possui o seu estilo. Alguns mais comedidos, sutis, outros mais diretos, aparentemente ofensivos, mas no geral enquadram-se dentro do gênero. Ademais, é relevante não confundir o veículo (que pode abrigar vários autores) com o escritor. É por conta dessas e outras que não se responsabilizam pelas expressões de seus colunistas.

  • Rocklogia – Os primeiros anos do Fruto Sagrado

    O Fruto Sagrado, diferentemente da maioria das bandas de rock cristão que surgiram nesta época é do Rio de Janeiro. Começou como um quarteto, composto por Marcão (voz e baixo), Bênlio Bussinguer (guitarra e vocal), Marcos Valério (teclado e vocal) e Flávio Amorim (bateria e vocal). Oficialmente, a banda iniciou suas atividades em agosto de 1988, e ficou por durante anos ensaiando. Segundo Marcão, ex-vocalista do grupo, o Fruto Sagrado só teve a oportunidade de lançar o primeiro álbum em 1991. Durante os dois anos em que o conjunto ensaiava com o apoio da Igreja Presbiteriana Bethânia de Niterói, o Fruto Sagrado sofreu a primeira mudança em sua formação: o tecladista Marcos Valério teve problemas com a fé e deixou tudo, incluindo o grupo. Porém, algumas de suas composições ainda seriam registradas no primeiro álbum do Fruto.

    E só em 91 que a gente conseguiu lançar o 1° trabalho em estúdio que foi o álbum Fruto Sagrado. Já nessa época a gente lançou em três, porque assim que entramos no estúdio, Marcos Valério teve seus problemas de relacionamento com Deus e literalmente chutou o balde, pulou fora do barco e resolveu nadar contra a maré. Inclusive a música “Livre Arbítrio” do CD O Segredo foi feita para o Marcos Valério. O pessoal fica pensando que foi feita para o Flávio Amorim, porque ele saiu da banda, não foi não.

    As sessões de gravação, que duraram uma semana, com Bênlio assumindo também os teclados geraram o álbum Fruto Sagrado, uma produção independente com distribuição da Bom Pastor. Neste projeto, o grande destaque inicial é a música “Base Forte”, de Bênlio, apresentando o potencial criativo do grupo. Sozinho, ele também escreveu “Nunca mais”. Marcão, com o ex-integrante Marcos Valério escreveu “Fruto Sagrado”, “Guerra interior”, “O tempo vai cessar” e “Sem definição”. O trio Flávio Amorim, Bênlio e Marcão escreveram “Vazios de coração”, “Pra Acordar” e “Não me Deixará”.

    http://www.youtube.com/watch?v=bmvryXAl0n8

    Bênlio acabou assumindo os teclados, e nos shows a banda tocava com guitarristas. A banda efetivava o músico como integrante, mas em cerca de dois anos o indivíduo saía. Assim ocorreu na entrada e saída de  Wagner Junior, Paulo de Barcellos e outros. No final das contas, o Fruto Sagrado seguia na ativa com um núcleo bem sólido: Marcão, Bênlio e Flávio.

    Este trio produziria Na Contramão do sistema, o primeiro disco da banda com distribuição da Gospel Records. Seguindo a proposta do álbum anterior, que mesclava hard rock com progressivo, as críticas sociais neste projeto se tornaram bem mais intensas, com letras como “Jimmy” (sobre racismo), “Meninos de Rua” (segregação social de crianças) e até mesmo críticas a falsos profetas, como “Lobo Mau”.

    Leia também: Entrevista com Marcão (2003)

  • Rocklogia – Os primeiros anos do Katsbarnea

    O que te faz pensar uma banda de rock surgida no fundo de uma igreja árabe, que era conhecida por seus membros serem muito loucos e ter um nome chamado Katsbarnea? Pois bem, essa banda, em minha opinião foi a mais ‘revolucionária’ dos anos 90. Desculpa Oficina G3, Fruto Sagrado, Catedral e todas as demais bandas, mas os quatro primeiros álbuns do Katsbarnea são clássicos. São sequências de discos muito bons, com repertório criativo, e os arranjos até hoje não superados pelas subsequentes formações. E melhor, um grupo que até certo momento nunca precisou gabar de si mesmo (como muitos fizeram por aí), preocupando-se apenas a fazer música.

    O Kats foi uma banda pela qual muitos integrantes passaram. Essas saídas e entradas, na verdade, não são uma suposta saída deliberada de membros, mas vários processos internos ocorridos, principalmente em seus primeiros anos. O grupo surgiu em meados de 1988, com uma formação grande. O projeto de estreia, O Som que Te Faz Girar, seria lançado em 1989, quando o grupo tinha cerca de um ano formado. Segundo Sandra Simões, uma das ex-integrantes, este álbum foi produzido por Domingos Orlando, o Mingo, integrante do Os Incríveis pelo fato de, na época, o músico ter gravado um projeto juntamente com Rod Mayer, e consequentemente conhecido o Katsbarnea, interessando-se pelo trabalho do conjunto. A formação inicial era composta por: Brother Simion (vocal, guitarra e gaita), Paulinho Makuko (percussão), Tchu Salomão (vocal e baixo), Patrícia (teclado), Fábio (bateria), Alessandra Orlando (back vocal), Sandra Simões (vocal), Cláudia Bastos (back vocal) e Marquinhos (sax).

    Nesta época, Alessandra inscreveu a banda no FICO, um concurso que ocorria no Colégio Objetivo onde estudava. O Katsbarnea ficou em primeiro lugar. Este projeto seria composto por canções em maioria escritas por Simion, nos vocais do cantor, exceto em “Brisa”, na voz de Tchu Salomão. “Salve a Tua Paz” foi um dueto entre Brother e Sandra.

    “Extra” é até hoje o hit do grupo. Sua textura sombria, e ao mesmo tempo divertida com os vocais femininos traz o individualismo como crítica. E que álbum começa com “Contato”? Meio cantada, meio falada, com sua pegada folk recebeu uma boa regravação no álbum solo de Brother Simion, lançado em 1992, ao qual falaremos em outro post. “Etéreo” e “Retrovisor” são duas canções que trabalham bastante a poesia e assuntos mais pontuais. “Essa energia não é nuclear, mas poderosa para o mundo em amor. Revolucionar”. O som do Kats é uma verdadeira colcha de retalhos, uma gaveta com peças distintas.

    “Grito de Katsbarnea”, assim como “Corredor 18”, “Extra” e “Viagem da Oração” são canções regravadas no segundo projeto do grupo, já com outra formação no Estúdio Transamérica. Nesta época, entrou Maurício Domene (teclado e arranjos), Márcio Domene (trombone), Chiquinho (trumpete), André Mira (guitarra) e Marcelo Gasperini (bateria).

    Este foi produzido por Maurício. Brother Simion, por sua vez apresenta boas composições, como “Apocalipse Now”, “Fumaça Arisca” e “Sepulcro Caiado”. O interessante é a temática droga nas canções. Paulinho Makuko, por exemplo, teve contato com LSD, e conta seu testemunho em “Corredor 18”. Brother Simion teve várias overdoses antes de se tornar cristão, e uma vida pessoal extremamente triste e devastadora, que acabou levando-o a ter conhecimento suficiente sobre tais temas e cantá-los. Em 1991, a formação do Kats mudaria drasticamente, mas isso é assunto para outro post…

  • Rocklogia – Os primeiros anos da Oficina G3

    A Oficina G3 surgiu no mesmo ano que o Catedral (banda que abordamos no último post). Em 1987, a formação da banda era bastante distinta da que conhecemos hoje.

    No início da Rocklogia, lá nos anos 70 abordamos as igrejas da década que abraçaram a causa jovem e que, de alguma forma ajudou o rock cristão brasileiro a engatinhar. A Igreja Cristo Salva, a mesma que Janires frequentou enquanto era a instituição que, na década seguinte surgiria a banda de hard rock Oficina G3.

    O hard rock é geralmente associado à imagem do Led Zeppelin, que se tornou a maior banda de rock da época após o fim dos Beatles. Black Sabbath, Deep Purple, The Who, AC/DC e Queen também foram de extrema importância durante esta época. Nos anos 80, além de várias outras bandas, tivemos Bon Jovi e Guns n’ Roses. Naquela época, o glam metal ganhava força, e uma forte influência para a Oficina G3 foi o Stryper.

    O grupo começou como uma espécie de power trio, composto por Walter (bateria), Maradona (baixo) e Juninho Afram (guitarras). Túlio Regis e Luciano Manga, primeiros vocalistas também estavam nesta época. Inclusive, Manga lançou um livro sobre os primeiros anos da banda.

    Nesta época, eles eram o terceiro grupo da igreja e se autointitulavam como Grupo 3. Com uma sugestão alheia, posteriormente foi adotado Oficina G3, sendo oficina uma alusão ao fato do conserto deste estabelecimento e o sacrifício de Cristo que originou uma nova vida.

    Na parte criativa, no início do grupo o principal compositor era Túlio Regis. Ele foi autor das músicas mais importantes do grupo neste período, embora Juninho e Maradona tenham escrito algumas músicas também.

    Nesta mesma época, surgia a gravadora Gospel Records. Com aproximações cada vez maiores com a Renascer em Cristo, a banda gravou seu primeiro álbum, intitulado Ao Vivo. Alguns desinformados afirmam que este foi o primeiro álbum gravado ao vivo na música cristã nacional, mas em 1985 o Rebanhão lançava Janires e Amigos. Além deste, em 1988 saiu Fruto dos Lábios, da Comunidade da Graça.

    Nesta época, Túlio Regis estava passando por problemas familiares, e segundo o artista não recebeu o apoio esperado pela banda. O cantor saiu da Oficina G3, ficando a cargo de Manga, e ocasionalmente Juninho e Walter os vocais.

  • Rocklogia – Os primeiros anos do Catedral

    Este é o primeiro post sobre a segunda geração do rock cristão brasileiro.

    O Catedral é, juntamente com a Oficina G3 a primeira banda da qual intitulo segunda geração do rock cristão brasileiro. Manifesto aqui, de antemão que discordo de todas as autoafirmações do vocalista e letrista Kim do lado revolucionário do Catedral. Acontece que, todas as cinco maiores bandas dessa época (inclui Catedral, Oficina G3, Katsbarnea, Resgate e Fruto Sagrado) apresentaram algo diferente para a época, mas não é porque a Catedral foi a mais famosa deste período que se torne automaticamente a mais relevante.

    Era 1987/1988. O Sinal de Alerta lançava seu maior clássico, Manhãs de Outono. A Banda Azul surgia, após a saída de Janires do Rebanhão. O Rebanhão lançava um de seus maiores sucessos, o álbum Novo Dia. O Complexo J estreava com seu ótimo rock progressivo. Toda aquela época indicava uma futura explosão da música religiosa como nunca tinha sido antes, que mais tarde seria intitulada como o movimento gospel.

    A começar, o Catedral lançou o álbum Você, em 1988, que mescla algumas críticas sociais (lembrando que eles não foram os primeiros a fazerem isso) com letras bem diretas, como “Chame a Deus”. Ou seja, é um projeto um pouco mais ousado que o de suas bandas anteriores, mas ainda não chega a um nível considerado “revolucionário” como dito por aí. Uma das músicas de maior destaque desta obra é “Pedro Zé Nordestino”, que chegou a ser bem regravada pela banda.

    Nesta época, o Catedral era formado por: Kim (vocal, guitarra), Cézar (guitarra solo), Júlio Cézar (baixo), Guilherme Morgado (bateria) e Glauco Mozart (teclado). Esta formação manteve-se estável por alguns anos. Atualmente, todos os integrantes da banda são oriundos da formação inicial, mas apenas como um trio. Em meados de 1989, lançaram Aos Sensíveis de Coração, que é um dos preferidos dos fãs mais saudosistas. Seguindo a linha do anterior, a banda seguia ousando nas letras, semelhantemente o que outros grupos da época procuravam fazer.

    Em 1991, na época em que lançaram Catedral III, Kim lançou um projeto solo chamado Além do Espelho, com músicas românticas e o tecladista Glauco Mozart deixou o grupo por questões pessoais. A banda seguiu como um quarteto e assim ficou por mais de dez anos.

    Está Consumado, lançado em 1993 foi um divisor de águas na carreira do grupo. O projeto, duplo fortaleceu a imagem da banda e lançou hits que até hoje são notáveis, como “Galhos Secos” (do Êxodos) e “Carpe Diem”. O sucesso da banda atraiu a atenção da gravadora MK Music, mas isso é assunto para outro post…

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=0BDpao4cMXo]

    Leia também: Entrevista com Kim / Entrevista com Glauco Mozart

  • Rocklogia – O movimento gospel

    Observando a linha do tempo, percebemos que as bandas de rock cristão, juntamente com outros grupos como o Vencedores por Cristo estavam na ponta da vanguarda na modernização da música cristã nacional. Durante os próprios anos 80, alguns sinais indicavam algo que estava por vir: o movimento gospel.

    A começar, como dito no post da contratação do Rebanhão com a gravadora PolyGram, alguns olhares começaram a ver que devido a fidelidade do público evangélico, a distribuição de álbuns era algo financeiramente promissor. E pelo fato destes trabalhos serem lançados por pequenos selos, a certificação e o cálculo de vendas (hoje pela ABPD) não eram feitos. Tem-se dito, por exemplo, que o disco Cem Ovelhas de Ozéias de Paula vendeu mais de dois milhões de cópias. E a informação é muito provável de ser verdadeira, já que é um dos álbuns cristãos nacionais mais conhecidos do século XX (se não o mais conhecido), mas lançado por uma pequena e extinta gravadora.

    Ozéias de Paula, Rebanhão e Álvaro Tito foram os nomes nos quais a gravadora apostou. Mas, outro aspecto, além da distribuição denomina o que chamamos de movimento gospel: se antes, a música cristã brasileira era envolvida por preconceito, principalmente no que se refere a uso de instrumentos e tecnologia, tais barreiras aos poucos eram quebradas. O próprio Rebanhão, como disse antes gravou seu álbum Luz do Mundo no estúdio Transamérica, onde os grandes artistas da música nacional gravavam, por ser o melhor estúdio da época. Carlinhos utilizava uma guitarra Fender (ao qual continuou a usar durante décadas), Pedro Braconnot um sintetizador Phophet-5, no qual era utilizado mundialmente por grandes músicos. Outro ponto é a apresentação em casas de shows seculares, nos quais Marina de Oliveira também passou a se apresentar logo depois.

    O olhar religioso para “música de igreja” deu lugar a uma visão horizontal, de evangelismo no fim dos anos 80, para letras que fugiam das previsíveis rimas, dando lugar a mensagens contextualizadas com o ambiente. Surgiu o Sinal de Alerta, Complexo J e em 1989 era fundada a promissora gravadora Gospel Records por Estevam Hernandes. Não apenas a gravadora, mas não há a menor dúvida de que a Igreja Renascer em Cristo foi o principal componente deste movimento, aliado aos grandes eventos que promovia, como o SOS da Vida e a Marcha para Jesus.

    O primeiro álbum “gospel” do Brasil, também lançado em CD foi Princípio do Rebanhão, e consequentemente marcou uma geração pela enorme evolução no repertório, produção musical e arranjos (em um post falaremos mais detalhadamente deste disco). Foi o primeiro álbum distribuído pela gravadora. A Gospel Records lançou vários nomes durante os anos 90, como o Renascer Praise, Resgate, Oficina G3, Fruto Sagrado, Katsbarnea, João Alexandre e muitos outros artistas. De uma pequena igreja árabe tornou-se um império, embora a partir dos anos 2000 a igreja infelizmente perdeu seu foco.

    Mas a Gospel Records não foi a única gravadora a apresentar algo diferenciado, e um pouco antes a Bom Pastor, do cantor Luiz de Carvalho tinha lançado alguns nomes, como a Banda Azul, Armando Filho e Cristina Mel. A MK Music apresentou Marina de Oliveira, Complexo J, logo se tornando a maior gravadora ‘gospel’ do Brasil. No mesmo período também surgia a Line Records.

    E por que o termo ‘gospel’? Em português, significa evangelho. O gospel aqui resume e facilita, num tom comercialmente melhor toda a música evangélica produzida no país. A ideia veio bem a calhar, pois até hoje a utilizamos, há quase 30 anos do início do movimento.

    Há certa controvérsia a respeito do fim do movimento gospel. O autor Salvador de Souza, colecionador do maior acervo de álbuns cristãos no Brasil acredita que foi em 1999, e eu particularmente concordo. Por volta deste ano, vários músicos e bandas encerraram a carreira e tivemos o boom do “louvor e adoração”, tendo o Diante do Trono como seu maior expoente com o álbum Exaltado. Por outro lado, outras pessoas afirmam que o movimento não morreu na década de 90, mas tomou outras ramificações e adaptações ao contexto.

    Nas próximas semanas, a Rocklogia apresentará a segunda geração das bandas de rock trazidas pelo movimento gospel.

    Leia também: O movimento gospelMovimento gospel, estratégias de proselitismo e as dinâmicas identitárias da juventude evangélica em Campina Grande / A explosão gospel: um olhar das ciências humanas sobre o cenário evangélico no Brasil

  • Rocklogia – Banda Azul e morte de Janires

    A segunda metade da década de 80 já tinha chegado e Janires já tinha provado, nos dois primeiros álbuns do Rebanhão que seu talento estava bastante acima do que a cena cristã da época (e antes dela) mostrava. Após criar e liderar uma banda de sucesso, gravou um disco solo bastante pretensioso, intitulado Janires e Amigos (que na década de 90 foi remasterizado e incluído na discografia do Rebanhão). Mas diferentemente do que se poderia presumir, o músico não era acomodado e queria fazer mais. Pedro Braconnot, em entrevista já disse que o grupo não conseguia acompanhar seu ritmo. A saída era algo necessário, mas tranquila o suficiente para que os três integrantes restantes (Braconnot, Paulo Marotta e Carlinhos Felix) soubessem qual caminho seguir.

    Do Rio de Janeiro, Janires foi acolhido na cidade de Belo Horizonte. Na capital mineira localiza-se a Mocidade para Cristo, mais conhecida como MPC, um movimento cristão. O cantor tornou-se locutor de um programa chamado Ponto de Encontro, e nesta época gravou um LP de mesmo nome que seria distribuído pela MPC.

    O álbum Ponto de Encontro, apesar de pouco conhecido é de certa forma importante para entendermos a cena musical cristã da época que se esforçava para fugir do patamar comum. Como artista solo, Janires regravou “Casinha”, mas o destaque fica para a inédita “Paz pra Cidade”, do compositor, gravada com o Rebanhão. Essa canção é sua última gravação com a banda. No disco, também tem “Pra Você” da Sinal Verde, e também músicas dos Vencedores por Cristo, Grupo Pescador, Jovens da Verdade, entre outros.

    Um projeto que deu certo e teve Janires como um dos mentores foi o Som do Céu. Em abril de 2014, foi realizado mais uma de suas edições, comemorando 30 anos de Som do Céu. O evento reúne vários músicos e bandas cristãs comprometidos com a arte. Sua primeira edição ocorreu em 1985, e conteve a participação do Rebanhão, Vozes da Promessa, Grupo Logos e Quarteto Vida.

    Janires passou a frequentar e tocar no “Clubão” da MPC. Alguns jovens, que estavam montando uma banda também o frequentavam. Eram Guilherme Praxedes, Dudu Guita, Moisés di Souza e Dudu Batera. Logo, Janires tornou-se vocalista daquele grupo, que não tinha nome. A princípio era Banda MPC, mas no ano seguinte mudaram para Banda Azul.

    Durante essa época, a vida do cantor prosseguiu bastante agitada. Conheceu vários músicos, amigos e realizou o sonho de viajar ao exterior. No contexto nacional, o Brasil vivia o fim da ditadura militar e a chegada da redemocratização. Todos estes acontecimentos influenciaram as letras do álbum de estreia da Banda Azul. E Janires seria o principal letrista delas.

    Em julho de 1987, a banda já estava gravando o álbum num estúdio do Rio de Janeiro, com Janires trabalhando como produtor musical. A sonoridade, além da própria pegada progressiva se misturava a outros gêneros musicais. Do projeto, “Veleiro”, “Canção das Estrelas”, “Foi por Você” e “Meninos da Rua” são os grandes destaques. Já, a faixa-título, “Espelho nos Olhos” é especial pela sua abordagem autobiográfica, um pouco nostálgica. Nesta faixa, o cantor relembrou sua infância, sonhos e como Cristo mudou sua vida. Por suas várias viagens, diz no final: “Mas, agora já é hora / De ir embora viajar / Descobrir outro mundo, outro lugar / Levo no peito saudades de vocês…“. Por coincidência, os versos fariam bastante sentido com sua morte.

    Curioso que, Janires não planejava ter uma vida “normal”: casar, ter filhos, bom emprego. Aos quase 35 anos, sua família eram seus amigos. Sua vida era vivida através da música. E compor, projetar músicas era atividade constante. A Banda Azul mal gravou Espelho nos Olhos e o cantor já sonhava com um álbum conceitual. Em seu disco solo Janires e Amigos, Janires gravou “Mamãe”. Nesta época, ele já tinha uma música para os pais e até mesmo uma homenagem à sogra. Em importância a família, o músico queria fazer um trabalho sobre este tema.

    O tempo passava e Janires não podia parar. Ele precisava viajar do Rio de Janeiro para Belo Horizonte, onde participaria de mais um Clubão. Mas, como muitos devem saber, as estradas no trajeto entre as duas capitais são cheias de curvas e relativamente perigosas. E, numa destas curvas, no município de Três Rios, o ônibus em que Janires viajava envolveu-se num acidente. Somente o músico morreu. Deus o levou para si. Eram 11 de janeiro de 1988.

    Janires foi sepultado em Brasília, cidade na qual viveu parte de sua vida. Dentre os presentes, familiares do cantor, integrantes da Banda Azul, além de outros músicos, como Carlinhos Felix.

    A Banda Azul decidiu continuar. Espelho nos Olhos foi lançado depois da morte de Janires, no final de maio de 1988. Reunindo canções não gravadas do músico, retrabalhadas e outras de demais integrantes, depois lançaram Final do Túnel no ano seguinte. Mas nenhum trabalho posterior da Banda Azul conseguiria alcançar o mesmo patamar de Espelho nos Olhos.

    Leia também: Depoimento de Carlinhos Veiga sobre Janires / Entrevista com Moisés di Souza

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=F82qJmSzkHU]

  • Rocklogia – Complexo J

    Quando o assunto é rock cristão nos anos 80, as pessoas geralmente só lembram de Rebanhão, Sinal de Alerta, Banda Azul (só porque foi fundada por Janires) e os grupos que seriam os principais nomes durante os anos 90. Esquecem-se de um ótimo grupo, no qual traz um som e proposta musical muito interessante, chamado Complexo J.

    O Complexo J é uma banda carioca, que traz uma sonoridade marcada pela predominância de duas vertentes do rock: o hard rock e o rock progressivo. Seu primeiro álbum foi Solidão, lançado em 1988, mas a banda foi fundada em 1986. Este primeiro trabalho traz algumas características que seriam marcas registradas do grupo, como o lado crítico encontrado em “Brasil”. O interessante é que, até hoje eu não conheço nenhuma banda no mainstream do rock cristão nacional que tenha uma mulher nos vocais, e creio que o Complexo J foi a primeira, e até hoje a única. Em 1990, saiu o Arte Final, e a formação era: Marco Salomão (guitarra e vocal), Murilo Kardia (vocal e arcordeon), Liza Cardoso (vocal), Helio Zagaglia (guitarra), José Carlos Salgado (baixo) e Martinho Luthero (bateria).

    O clássico da banda foi o álbum 3, lançado pela MK Music em 1992. Em todos os aspectos, é o seu melhor projeto. Desde a criativa capa ao repertório de boas músicas como “Sábado quente”, “Abra seus olhos”, “Mais que um Sonho” e “Choro da Natureza”. Nessa época, o Complexo J esteve no programa do Jô e a entrevista da banda pode ser encontrada no YouTube. Em minha opinião particular, o Complexo J, semelhantemente a outros grupos da década de 90 se destacava pela análise crítica do mundo em suas letras, mas em seu caso de uma forma bem mais particular e sutil. “Sábado Quente” é a música que melhor representa o álbum, e eu colocaria facilmente num TOP de melhores músicas do Brock cristão anos 90.

    Após o sucesso de 3, estranhamente, em 1994 lançam Riqueza de Sons, que abre mão parcialmente do rock característico e mergulha em outras sonoridades, como a tropicália e o pop. É difícil dizer que este álbum seja predominantemente de rock, mas como nos anteriores temos muitas boas músicas. “Ieoah (moça bela)” tem uma letra interessante. “Você não precisa de um milagre / para viver com Deus / Você não precisa de um sinal / pra acreditar em Deus”, muito simples hoje, mas para 20 anos atrás? E há de se considerar toda a articulação nas estrofes para este refrão, não sendo algo maçante ou arrogante, mas mesclando muito humor ao citar jovens, velhos e moças belas.

    O Complexo J trocou a MK pela Gospel Records e em 1995 lançou V, cinco no algarismo romano. Seguindo a linha pop do trabalho anterior, o álbum contém canções como “Doce Presença”. Este projeto possui a participação do músico Marcos Kinder.

    A partir dos anos 2000, a banda passou a estar um pouco sumida. Títulos antigos foram relançados, algumas canções regravadas, mas nada que trouxesse a força dos anos de ouro. Porém, o grupo deu grandes contribuições à cena cristã.

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  • Rocklogia – Rebanhão (a formação clássica)

    A Rocklogia prossegue no ano de 1985, e além do surgimento do Sinal de Alerta, neste ano teve muitas novidades, algumas boas e outras não tão legais sobre o Rebanhão, que já tinha uma relevância enorme no segmento em cerca de seis anos de existência.

    Após o lançamento de Luz do Mundo, muitas coisas mudariam na formação do Rebanhão. Janires gravaria o disco solo Janires e Amigos em dezembro de 1984. Na época, era um projeto do Janires, mas com os anos acabou sendo considerado como parte da discografia do Rebanhão, mesmo que grande parte da obra seja composta por músicos convidados.

    Em 1985, Kandell deixava a banda, e também Janires. O vocalista tinha outros sonhos, e precisava realizá-los. Na formação restante, ficou o trio que até hoje foi o mais relevante da banda: Pedro Braconnot, Paulo Marotta e Carlinhos Felix. Felix trouxe um baterista à banda, de nome Fernando Augusto, o Tutuca.

    O quarteto, após o grande sucesso dos projetos anteriores, desperta a atenção da gravadora PolyGram, juntamente com outros músicos cristãos de sucesso da época, como Ozéias de Paula e Álvaro Tito. Tudo estava indo muito bem. Mas, como seria o Rebanhão sem Janires? O início, comercialmente foi ótimo. O álbum Semeador, lançado em 1985 marcou um momento da banda mais pop e afastado do tropicalismo. Mas, todo aquele olhar crítico sumiu. Nenhuma das canções do álbum possui este caráter. Também contou com gravação de letras externas, como “Viajar” (Sérgio Pimenta) e “Paz do Senhor” (Lucas Ribeiro). Esta última é uma canção tão conhecida que muitos a consideram como um corinho evangélico.

    Pedro Braconnot passa a ter mais espaço nas composições, assinando a faixa-título, “Semeador”, “A Flor do Campo” e “Mar de Amor”. Carlinhos, por sua vez é responsável por “Pastor da minh’alma”, “Disse Jesus”, “Vinde às águas” (com Lucas Ribeiro), “Não Julgueis” e “Seu Melhor Amigo”. Os vocais ficaram divididos entre o trio mais conhecido do Rebanhão, embora Carlinhos e Paulo Marotta tenham cantado a maioria das músicas.

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    Foi neste tempo em que o Rebanhão passou a ser destaque em shows de grandes casas, shows noticiados por jornais, alguns até encontrados online. Em 1987 é lançado Novo Dia, que no quesito letras é bem superior ao anterior. A banda ainda não apresentou algo próximo do que era com Janires, mas dava indícios que aos poucos as coisas estavam mudando. A melhor música é “Razão”, de Pedro Braconnot, que neste álbum assume um dos principais vocais. Paulo Marotta interpreta apenas “Entre eu e você”, e Carlinhos Felix, além de assinar a faixa-título interpreta “Jesus é Amor” (versão de Lionel Richie), “Firme os Pés” (de Lucas Ribeiro), “Você Precisa de Deus”,  “Primeiro Amor” (sucesso de Aurélio Rocha) e “Nele Você Pode Confiar” (de Ricardo Costa Neves, da Comunidade S8). “Contemplar” e “Nada mais a Temer” também são de Pedro. Apesar do repertório ser superior, no quesito técnico o álbum é datado, com fortes características oitentistas. Numa época em que as bandas de rock progressivo se rendiam as baterias eletrônicas cheias de reverb e toda a tecnologia da época, o Rebanhão foi no mesmo caminho… mas passou, e isso não tira o mérito de ser um primeiro grande álbum da formação clássica. Em setembro de 1988, um lançamento deste projeto foi realizado no Canecão lotado, marcando como a primeira banda de origem cristã no Brasil a fazer shows em grandes casas. O músico Beno César participou do show tocando baixo, já que Paulo Marotta não pôde estar.

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