Blog

  • Análise: CD Fernandinho Acústico – Fernandinho

    Análise: CD Fernandinho Acústico – Fernandinho

    Em 3 de setembro deste ano, Fernandinho lançou um álbum acústico de quinze canções, contendo regravações e uma canção inédita. Após o notável sucesso de Teus Sonhos, Fernandinho Acústico surge e, apesar de ser um projeto com regravações, apresenta-se com o mesmo impacto de uma obra inédita em sua discografia. O repertório contém vários de seus hits, e o instrumental é baseado em estruturas acústicas, com uso de violão, sintetizadores, baixo, banjo, instrumentos sinfônicos de cordas e bateria.

    A primeira música retirada do quarto álbum do cantor, “Tudo o que eu quero“, teve uma ótima adaptação ao acústico. Utilizou-se de arranjos sinfônicos, teclados, violão, baixo e bateria. Aplausos ao solo de violão e ao final da música com uma forte sonoridade blues, country e até southern rock. Segunda melhor canção do álbum.

    Mil Cairão”, do último disco lançado, teve uma interpretação de boa qualidade. Introdução com belos dedilhados de violão, refrão marcante, ponte com belos dedilhados. A composição baseia-se em Salmos 91.7.

    A tão repetitiva “Se Não For pra Te Adorar“, canção na quais grandes partes das igrejas cristãs utilizam-se no momento do ofertório, foi a melhor adaptação do CD. Estruturada em country, a canção ficou incrivelmente impactante, mais interessante que a própria versão original gravada na segunda obra apática de “Faz Chover”, principalmente pelo uso de banjo na instrumentação. Contou com a participação de David Quinlan.

    Pra Sempre” (“Forever”) é a única inédita da obra, porém uma versão de Kari Jobe. É interpretada por Fernandinho, juntamente à sua esposa, Paula Santos. A canção é de autoria de Jenn Johnson, Joel Taylor, Gabriel Wilson “Gabe” e Briam Johnson. A balada consiste mais na presença de sintetizadores, e no fundo há uma presença de banjo. A letra retrata a morte de Cristo na cruz para nos salvar. Apesar de ser a única exclusiva do álbum, surgiu com uma faixa solta, uma canção sem grandes expectativas, apenas como um cover ressaltando a ligação com a música internacional.

    Regravada do insípido disco que leva o nome da composição, “Faz Chover” teve a participação de vários cantores internacionais, um capricho extravagante, sem muitas diferenças na organização do arranjo. Contém uma camada de arranjos de cordas que embelezam a canção. No final desta, há uma espécie de clamor bem curto. As parcerias ressaltam o reconhecimento internacional do músico, com as inclusões de vários cantores de vários países.

    Mais Alto”, retirada da era invernal musical do compositor, nos velhos tempos de Abundante Chuva, é conduzida por belos toques de teclado, que é o ponto positivo da canção, em comparação ao arranjo rítmico e harmônico do violão um pouco maçante.

    Pai de Multidões” segue a mesma linha da canção anterior, porém mais pedante. No entantoa ponte da canção possui uma parte consideravelmente bonita, tanto no arranjo, como na letra: “Consolar os que choram / Libertar os cativos / Preparar o caminho / Anunciar Tua salvação”.

    Eu Vou Abrir o Meu Coração” foi bem interpretada com toques de teclados e presença de violino, melhor que a versão original da segunda obra Faz Chover, que contém uma estrutura melódica bem cansativa. Percebe-se na parte lírica a influência do livro de Cantares. Contou com a participação da cantora Fernanda Brum.

    A faixa-título do penúltimo recém-lançado disco, “Teus Sonhos”, tem uma introdução interessante de violão que sua organização musical poderia ter sido mantida baseada em dedilhados ou melodicamente semelhante à introdução.

    Nada Além do Sangue”, outra do frutífero Sede de Justiça, é conduzida com dedilhados, entre notas de teclados, possuindo uma boa interpretação. A canção contém um coral no final.

    A canção que leva o nome do ótimo álbum de “Uma Nova História”, é baseada na história de Abraão e tem um ajuste acústico agradável, possuindo toques de acordes na região aguda do violão, algo que teve na maior parte das canções do álbum, o que evidencia o uso de capotraste.

    O Hino”, outra canção do último álbum do Fernandinho, é arranjado de forma interessante, maçantes em algumas partes, boas em outras, salva pelos toques de violino. “Te Adorar”, extraída do segundo disco de Fernandinho, possui um refrão grudento, e o restante é bem tedioso. Teve a participação de Aline Barros. Sem dúvida, foi uma das canções menos empolgantes, de menor qualidade do álbum. A presença notável de Aline no backing vocal não salvou a composição da insipidez.

    A canção baseada em um capítulo de Habacuque e sacada do sexto trabalho do músico, “Ainda que a Figueira” foi a terceira melhor adaptação do álbum. Orientada pelo country e folk, possui cativantes arranjos de banjo na canção. Uma ótima interpretação. A canção poderia ter tido um solo de violão ou banjo adaptado para o acústico, pois ficaria espetacular.

    Dançar na Chuva” foi brilhantemente repaginada. Toques de violão estupendos, arranjos de sintetizadores às vezes meio espaciais, no estilo rock que ela tem. Uma das melhores do CD.

    O novo álbum de Fernandinho possui ótimas interpretações, outras medianas, segmentadas pelo folk, country e blues. Teve poucos exageros no aspecto vocal de Fernandinho, e os arranjos sinfônicos que foram utilizados nas músicas são encantadores e inéditos na discografia do cantor. Desde o primeiro álbum do artista, que foi musicalmente lamentável, o avanço na qualidade das produções dos CDs é notável. Todavia, algumas canções importantes de sua carreira poderiam ter estado neste repertório, como “Há um Rio”, “Sede de Justiça”, “Eu Fui Comprado” e “Eu Vou Subir a Montanha”.

    Fernandinho Acústico foi gravado e produzido no estúdio Asterisk Sound, o que fez uma enorme diferença na qualidade de produção e editorial do projeto, localizado no estado do Texas, nos Estados Unidos, com Fernandinho (vocais e violão), Mark “The Shark” Waldrop ( uitarra acústica, percussão e banjo), Jeremy “B-Wack” Bush ( bateria), Mike “Mike D” Dodson ( baixo, teclado, piano) e Jack Parker (violão, guitarra acústica e banjo), músicos pertencentes a banda The Digital Age. No dia 12 de novembro, recebeu disco de ouro, na Igreja Batista de Lagoinha, por mais de 40 mil cópias vendidas.

  • Conectados no Amor – Tudo tem seu lugar – parte 1

    Por que reclamamos que tudo está desorganizado?

    O caminho da terra, rotação e translação, acontece com uma perfeição, a distância entre o sol e a terra tem a exatidão que define o equilíbrio da vida terrestre, as estações, e se algo estivesse em desordem, haveria alguma tragédia de indefinível tamanho. Mas e os dias? Por que sete dias, doze meses, etc. e etc.?

    As velhas reclamações dos atarefados de que o dia é curto demais, daqueles que estão apressados querendo tempos mais curtos e ninguém percebe que o tempo é sempre o mesmo, que temos um sol que nasce e se põe todos os dias, que a lua de segunda-feira é a mesma que a de sábado (a não ser que elas estejam em fases diferentes). A própria divisão de datas, anos é uma questão histórica e cultural, definida pelo calendário gregoriano, sendo que alguns países possuem dotações datais diferente da mais comum. Mas na essência, temos os mesmos dias e as mesmas noites.

    Então por que tanta reclamação contra o tempo? A verdade é que o homem se encontra em desordem. Longe da sua forma original, ele está em constante desequilíbrio interno e se tornando cada vez mais escravo de si mesmo. Mesmo com todas essas indagações de que o dia poderia ter mais horas, o desajuste está no próprio ser que enxerga, define e nomeia a divisão horária. Se tivéssemos um tempo que cremos ser o mais condizente com as nossas obrigações e direitos, ainda sim reclamaríamos.

    A relativização das coisas vem dessa “doença humana”. Ela perverteu o significado de que tudo tem seu lugar. A relatividade prega que tudo depende de um ponto de vista. Mas a cegueira humana não enxerga que na verdade, tudo depende de seu espaço. Quando o dia está chuvoso e frio, não sairemos com roupas curtas na rua, pois podemos gripar ou pegar algum mal respiratório. Quando está quente, não sairemos encapuzados, com roupas quentes, pois podemos sofrer alguma desidratação, etc. Se alguém se afogar, não vamos jogar uma âncora para a pessoa. Para cada doença, um determinado remédio, para cada problema, uma solução. A relatividade é apenas o resultado da desordem do ser interior.

    A bagunça no jogo humano é o efeito da falta de uma peça central. Em um edifício, se faltar a base, o sustentáculo, logo ele desabará. O nosso ser é como um todo conectado de partes. Quando a parte principal sai de cena, é como se as partes tentassem ocupar o lugar dela, logo elas saem do seu devido lugar, mas nenhuma consegue ocupar essa posição, pois esse lugar só é ocupado por uma única peça. E quando elas não estão de sua devida função, há uma desorganização geral, um efeito dominó devastador. Por exemplo, imagine um time de futebol. Acontece que, o goleiro machuca e o clube não possui um time reserva. Logo, outros jogadores são obrigados a cumprir esse papel, só que sempre alguém terá que sair de sua posição para cumprir uma nova formação a qual não tem os requisitos para cumprir e nem sabe como desenvolver essa nova obrigação.

    Essa metáfora ainda não consegue definir exatamente todo o conceito da desordem interior do ser humano, pois a peça principal que falta ao homem é Deus, e Ele não é só uma parte do sistema, mas a peça que conecta todas as partes, o ser que mantém tudo unido. Podemos tentar preencher esse espaço com todas as coisas possíveis, tirando elas de seu lugar, mas nada vai completar o homem, e ele vai continuar em sua bagunça até enxergar o que falta para tirar o vazio que há dentro de si mesmo.

    Reflitam na passagem bíblica e na música.

    Eclesiastes 3

    1 Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.

    2 Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;

    3 Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;

    4 Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;

    5 Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;

    6 Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;

    7 Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;

    8 Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.

  • Limão com Mel – Que venham as rosas, mas me poupem os espinhos

    E isso é normal. Como seres humanos, temos necessidade de reconhecimento pelo que fazemos. Apesar de alguns dizerem que não precisam ser reconhecidos por ninguém, fato é que o reconhecimento é importante sim. Imaginemos que façamos algo há algum tempo e ninguém reconhece o nosso esforço. A tendência é desistir, mudar de área, afinal qual o sentido de continuar fazendo algo apenas por fazer? Certamente na música também é assim.
    Quem nunca ganhou um RT (retuite no Twitter) por falar: “nossa que canção linda @fulana! Arrepiei, Deus bradou através de sua voz!” isso é tão comum… Vejo casos inclusive de pessoas que vivem de bajular cantores em busca de 2 minutos de fama e atenção… (mas isso é assunto para outro post rs).
    Mas e quando a música não é tão linda assim? E quando o clipe é medíocre e sem criatividade? Quando o CD é extremamente clichê e repetitivo? Se a capa é medonha? Quando a atitude do cantor em rede social é questionável? Quando se faz declarações polêmicas? Quando se manda indiretas no Twitter? O que fazer? Elogiar? Ignorar? Fingir que tudo é lindo e maravilhoso porque é para o Senhor?
    Parece que sim. Pelo menos é o que dão a entender quando se critica (fala a verdade) a respeito de algum trabalho gospel. Infelizmente, os envolvidos, fãs e cantores não costumam separar o trabalho da pessoa, trabalho comercial de unção. Critique e verás!
    Em sua coluna, há uns anos o jornalista Flávio Ricco publicou a seguinte observação:

    “Escrever sobre televisão, por extensão sobre qualquer assunto, tem coisas hilariantes. Você elogia um alguém e o trabalho dele a vida toda, na primeira crítica essa pessoa vira inimiga de infância. Mas como não existe “vacina” pra isso, segue o jogo. O recado é pra um só, mas como existem vários na mesma situação, vai no geral. Pt, saudações”.

    Digo idem para a música gospel. Maturidade mandou lembrança! Comemorar um post elogioso, dar RT num tuíte bajulador é normal, mas é preciso entender que nem tudo são flores, há espinhos também. É preciso aprender a lidar com eles.
    É difícil compreender essa postura de quem diz “buscar e primar pela verdade”. Fala-se tanto do desnível de qualidade da nossa música gospel em relação à música gospel internacional, mas que diferença é essa se está tudo lindo? Tudo ótimo?
    Oremos pelo dia em que fãs e cantores aprendam a separar trabalho, pessoa, unção. Que aprendam a lidar com a crítica, que vejam além do simples ato de criticar como forma de crescimento e mudança. Para que como diz Flávio Ricco, não se tornem nossos inimigos de infância. Oremos!
  • TOP 10 – Músicas sobre saudade

    A saudade é um dos sentimentos mais particulares e descritos na nossa língua, embora sua sensação seja geral. Em mortes, afastamentos, situações, sentimos saudade de alguém, de alguma coisa ou de alguma época. Natural, e as vezes pouco confortante é tema de várias músicas cristãs. Confira nossa lista com alguns exemplos.

    [tabs]

    [tab title=”10º” icon=”entypo-music”]

    Espelho nos Olhos – Banda Azul

    “Espelho nos Olhos”, da Banda Azul, escrita por Janires é uma lembrança dos acontecimentos da vida. A infância sonhadora, a juventude corriqueira e frustrante e o encontro com Cristo. Tudo isso é lembrado de forma poética com requintes de saudades pelo compositor, que logo morreria, deixando um imenso legado para a música cristã nacional. Sobre sua vida, escreveu: “Na causa do bom mestre já rodei ‘brasis’ / Irmãos, amigos, companheiros de esperança fiz / Mas, agora já é hora / De ir embora viajar / Descobrir outro mundo, outro lugar / Levo no peito saudades de vocês…“. Um pouco dessa história você pode ler neste post. (1988)

    https://www.youtube.com/watch?v=F82qJmSzkHU

    [/tab]

    [tab title=”9º” icon=”entypo-music”]

    Flores em Vida – Paulo César Baruk

    Música já registrada em reflexão neste site, nos faz pensar em quantas pessoas passaram pela nossa vida e sequer uma demonstração de sentimentos damos. Quando vão embora, apenas a saudade fica. Temos que oferecer flores em vida enquanto é dia… (2010)

    [/tab]

    [tab title=”8º” icon=”entypo-music”]

    Princípio e Fim – Leonardo Gonçalves e Daniela Araújo

    O tempo passa, a vida passa e muitas vezes nos esquecemos do que é Eterno. Você sente saudade da Eternidade? De seus momentos com Deus? No céu há a certeza de que não haverá saudade. Tudo o que envolve este sentimento será sanado pela presença do Criador. (2012)

    https://www.youtube.com/watch?v=QApf576iKRk

    [/tab]

    [tab title=”7º” icon=”entypo-music”]

    A Tempestade e o Sol – Catedral

    Em 2003, o guitarrista do Catedral Cezar faleceu num acidente. “A Tempestade e o Sol”, feita por seus irmãos Kim e Júlio Cezar é em homenagem ao músico, refletindo sobre a fragilidade da vida e a saudade, que um dia desaparecerá no céu. (2003)

    [/tab]

    [tab title=”6º” icon=”entypo-music”]

    Esperança – Voz da Verdade

    Certamente, o Voz da Verdade, no âmbito musical cristão é um dos grupos que mais viveram perdas. Com cerca de cinco integrantes mortos, maioria por questões de saúde, “Esperança” já foi trilha sonora em homenagem a eles. Hoje, a saudade e o sentimento de perda. Amanhã, o emocionante reencontro. (1983)

    https://www.youtube.com/watch?v=nyS1HSIgWZk

    [/tab]

    [tab title=”5º” icon=”entypo-music”]

    Saudade – Cristina Mel

    Do álbum Refúgio de Amor, de autoria da própria cantora, “Saudade” é um registro poético e direto sobre este sentimento. “Saudade / É o nome dessa amiga / Que um dia lá glória / Já não mais existirá”. (1994)

    https://www.youtube.com/watch?v=iUtXrblZY5A

    [/tab]

    [tab title=”4º” icon=”entypo-music”]

    A Vida como ela Era  – Hibernia

    A banda Hibernia não apenas fez tal canção, mas praticamente um álbum inteiro sobre saudade e nostalgia. A letra de “A Vida como ela Era” remete a saudade da infância, e principalmente da inocência, que se perde ao longo dos anos. Seus versos também remetem à influência do tempo neste processo. “Vê que o tempo está aí / Sem ter pra onde ir / Movido a vapor / Vai / Levar dentro de si / Histórias sobre mim / De risos e de dor“. (2009)

    [/tab]

    [tab title=”3º” icon=”entypo-music”]

    O Lado da Vida – Ana Paula Valadão

    “O Lado da Vida” faz parte do único álbum solo de Ana Paula Valadão, As Fontes do Amor. As letras deste trabalho, no geral são fortemente intimistas e poéticas. Esta canção segue a mesma linha, refletindo sobre a saudade de pessoas que já faleceram. As vezes nos questionamos sobre o curso natural da vida, mas em tudo Deus é soberano. (2009)

    https://www.youtube.com/watch?v=WS9lQetQMaY

    [/tab]

    [tab title=”2º” icon=”entypo-music”]

    A Saudade é um Milagre – Alexandre Malaquias

    Escrita pelo próprio cantor, “A Saudade é um Milagre” é uma das principais músicas de Alexandre Malaquias. Contendo uma das melhores letras sobre saudade no gospel, o eu lírico compreende e aceita os acontecimentos da vida pela soberania do Criador. (2011)

    [/tab]

    [tab title=”1º Lugar” icon=”entypo-music”]

    Igreja Pequena – Cassiane

    Fechando a lista, o clássico “Igreja Pequena” de Cassiane retrata a saudade de uma igreja fervorosa e das pessoas que lá congregaram. A canção, até hoje é um dos maiores sucessos da cantora e não poderia faltar nesta lista. (1994)

    [/tab]

    [/tabs]

    O que você achou da lista? Que tal mandá-la para as pessoas nas quais você sente saudade? Abraços e até a próxima!

  • Rocklogia – O início do metal cristão no Brasil

    I.X.O.Y.E. Esta frase, traduzida para Jesus, Cristo, Deus, Filho, Salvador é o título do primeiro álbum de metal cristão brasileiro. A banda Calvário, de terras paulistas produziu este trabalho em 1993, época em que o rock cristão estava em seu auge, considerando a ascensão de várias bandas novas. Era hora do metal mostrar sua cara, e este disco é bem representado. Há de considerar que, à frente do seu tempo, o álbum é muito maduro. Com influências claras de Led Zeppelin e Black Sabbath (mesmo sendo bandas de hard rock) e, principalmente de Judas Priest, o heavy metal do grupo é bem construído, e além do instrumental, as letras das canções são bastante instigantes.

    Calvário surgiu em 1992, alcançou reconhecimento até no meio secular devido à qualidade do disco, mas logo se dissolveu por conta de discordâncias entre os integrantes em relação ao som da banda. O grupo se reuniu poucas vezes: uma delas foi em tributo ao Stryper. Mais recentemente, a banda voltou à ativa com uma formação diferente de vinte anos atrás, mas com alguns membros daquela época. Além da Calvário, outras bandas de heavy metal surgiram como Kletos e Martíria.

    De vertentes mais pesadas do metal surgiram muitas bandas, mas a mais conhecida, até os dias de hoje é o Antidemon. Fundada em 1994, o grupo de death metal produziu  demos e coletâneas até lançar Demonocídio em 1999, que se tornou um sucesso na carreira do grupo. Hoje, com vinte anos de carreira a banda soma vários álbuns lançados no Brasil e em vários países do exterior. Satanichaos e Apocalypsenow foram seus lançamentos subsequentes.

    A cena metal ganhou mais força ainda quando o Stauros lançou, em 1997 o álbum Sentido da Vida. Ganhando projeção, o grupo lançou ainda alguns títulos com canções em inglês, mas se dissolveu. Agora, mais recentemente o grupo voltou à ativa e em breve lançará novos trabalhos.

    É importante salientar que outras bandas da época, que não possuem ligação direta ao metal lançaram músicas do gênero. O Fruto Sagrado, certamente é o exemplo mais conhecido. O álbum O que a gente faz fala mais do que só falar, distribuído em 1995 possui influências evidentes do metal progressivo. Nos anos 2000, as influências do metal alternativo no som do grupo foram mais claras ainda. Mas isso é assunto para outro post…

  • Um Brinde – “Mentira de Mentira” é a verdade da vez!

    Um Brinde – “Mentira de Mentira” é a verdade da vez!

    Quanta contradição em um título hein! Mas calma, não é o que você pensa. “Mentira de Mentira” é uma música – muito boa por sinal – da banda católica Beatrix . Eles, assim como muitos do novo movimento da música cristã, tentam fugir da linha música católica e fazem um som bem bacana para todos os públicos. Isso começou com o Rosa de Saron no álbum Depois do Inverno de 2002 que marca a entrada do Guilherme de Sá nos vocais da banda, e segue com a banda The Flanders que por coincidência é liderada pelo Tchelão, ex-vocalista do Rosa.

    A banda Beatrix tem como trabalho mais recente o disco Lugar Comum, lançado em 2011, com a Lize passando para o vocal após a saída da Aura Liris da banda. “Mentira de Mentira” é um dos singles do disco, que caracteristicamente tem uma roupagem pesada com uma pequena referência dos Ramones. E cara, este disco por completo é muito bom! Acredito que ele me passa uma ideia de revolução a cada riff de guitarra ou sílaba gritada da linda vocalista. A música é meio que um protesto ao pensamento de quem pensa muito em curtir-a-vida/aproveitar-a-juventude. “Se o mundo acabar em festa, todo mundo mentindo a beça, não quero estar desse lado” é o que diz o refrão que embala toda a canção em um ritmo dançante e envolvente.

    Quantas e quantas vezes já não fomos guiados pelo imediatismo? Pela tendência de querer ser o popular e, mesmo isso custando nosso real sentimento, dizemos que queremos, quando na verdade só queremos é ser visto. A verdade da vez é reconhecer que não precisamos mentir para sermos amados ou vistos. Precisamos de uma liberdade interior que nos levará a ter plena consciência do que é bom e ruim para nós. “Mentira de Mentira” passa essa ideia plausível para o ouvinte: os que estão daquele lado podem até serem vistos e admirados, mas são mentirosos e os mentirosos não verão a glória de Deus! Assista ao clipe:

  • Análise: CD Como Águia – Bruna Karla

    Análise: CD Como Águia – Bruna Karla

    Bruna Karla, de certa forma é um sucesso esperado no mercado gospel nacional. A artista, que despontou com o álbum Advogado Fiel, com canções de qualidade inquestionável acomodou-se, e pior, aos poucos perde seu patamar a cada disco que lança. Como Águia dá sequência à este contexto, fazendo uma combinação desagradável entre produção musical sem personalidade, musicalidade duvidosa, interpretações vocais equivocadas e repertório confuso.

    Primeiramente, o que soa mais contraditório no álbum é que os compositores das canções que compõem o projeto são de peso, mas percebe-se, evidentemente que não há nenhum conceito por trás do disco, nem no aspecto lírico, muito menos melódico. Algumas, para piorar possuem fraseados desconexos. A faixa-título fala em fazer do tempo uma sala de intimidade. A incoerência deste verso é evidente. O que mais prejudica as canções, no entanto são o toque do marido de Bruna Karla, Bruno Santos e também do arranjador Tadeu Chuff. A produção musical não soube valorizar as músicas, transformando possíveis hits em faixas sem o menor destaque.

    Bruna Karla tem exagerado nos melismas, ao invés de se centrar na simplicidade. Sendo assim, ao invés de agregar valor ao repertório torna-o cansativo. Mais surpreendente, porém é o fato da capa do CD ser o único aspecto completamente positivo. A gravadora MK Music certamente fez o seu melhor projeto gráfico do ano. A partir disso, há a confirmação de que a frase “não julgue um livro pela capa” é adequada com o que foi apresentado em Como Águia.

  • Para refletir – Enquanto é dia

    Hoje quase tudo é tão intenso. A informação, o pouco tempo, os sonhos humanos, mas as relações sociais estão cada vez mais fragilizadas, embora a vontade de muitos seja de aprofundar as interações.

    Infelizmente, para muitos de nós apenas a morte de alguém nos faz lembrar do quanto ela era importante para a nossa vida. E enquanto estava ao nosso lado, as ações não foram suficientes para sequer tentar demonstrar o amor que temos por ela. Seja qual o motivo: para alguns, apenas a timidez, outros por adotarem uma postura mais reservada, ou até mesmo reprimida. Na via da carência e solidão, muitos desencantaram-se com a humanidade, e até mesmo com a vida.

    Cristo, nos seus últimos momentos que antecederam a crucificação reuniu seus discípulos, indivíduos imperfeitos, problemáticos, mas que o acompanharam em seu ministério. Ele sabia que Judas o trairia, que Pedro o negaria, mas mesmo assim amou, permaneceu fiel à todos. Com total certeza, quando analisamos os evangelhos, notamos que Cristo foi pleno no amor e enquanto ainda havia tempo mostrava o quanto se importava com o próximo.

    E quanto a você? E seu(s) amigo(s), nos qual(is) você não sabe até quando verá? Deixará a pessoa sumir do seu convívio para doar seu amor e gratidão? Que possamos “oferecer flores em vida enquanto é dia…”

  • Rocklogia – Pé na estrada para a formação clássica

    Era 1991. Nova década, novo ano, que previa fortes mudanças no Rebanhão. Completavam-se dez anos desde o lançamento do primeiro álbum. Apesar disso, todos os três integrantes ainda eram jovens, com idade próxima dos 27 aos 30 anos. Pedro Braconnot já possuía atividades fora da banda, produzindo álbuns. Atuou como tecladista em obras do Guilherme Kerr e Altos Louvores, e neste mesmo ano produziu os álbuns de estreia de João Alexandre, Sérgio Lopes e Cristina Mel – aliás, foi com a ajuda de Braconnot na produção de seus discos que Cristina se tornou uma das maiores vozes da música cristã no Brasil.

    Carlinhos Felix, aos poucos tinha o seu nome conhecido fora da banda. De um guitarrista simplório de base nos anos 80, tornou-se uma das vozes masculinas mais conhecidas da década de 90 no meio cristão. Paulo Marotta, por sua vez não fazia claramente nada fora da banda, e assim como os demais era formado em engenharia.

    Naquele mesmo ano, Felix compartilha com os demais o desejo de gravar um projeto a solo, o que foi aceito com tranquilidade. A princípio, não era uma despedida da banda, mas apenas a realização de um sonho antigo. Coisas da Vida foi gravado em março daquele ano, e Pedro Braconnot atuou como tecladista da obra. Na ficha técnica, participações de músicos consagrados, como Paulinho Guitarra. Bem pop rock, a maioria das composições são autorais, à exceção de “Pescador” (Luciano Dewey, o tecladista da Sinal Verde), “Coisas da Vida” (Ed Wilson e Hilário) e “Senhor do Universo” (Lucas Ribeiro), esta última também gravada por Fernanda Brum anos depois. O álbum foi lançado em julho pela gravadora Continental, anos depois relançado em CD pela WEA (Warner Music Brasil). É o melhor álbum de sua carreira, em minha opinião.

    Além do álbum solo de Carlinhos Felix, faziam dois anos que o último trabalho do grupo tinha lançado, Princípio. A banda, de certa forma tinha que superar o sucesso do último projeto. Fernando Augusto, o baterista havia saído do grupo em 1990. Sobravam Pedro, Paulo e Carlinhos, todos membros do Rebanhão desde o seu início. Mesmo com a formação reduzida, não havia dúvidas de que sairia um disco genuíno do grupo.

    Na primavera de 91, Pé na Estrada foi gravado, no Mega Studio, um espaço de gravação localizado no Rio de Janeiro. Era o sétimo trabalho do Rebanhão (incluindo o Janires e Amigos), e sonoramente alcança o ápice técnico da banda. Com a participação de Sérgio Batera na bateria e percussão, no qual particularmente acho o melhor baterista que já passou pela banda, o trio Marotta/Braconnot/Felix apresenta canções mais rock do que os álbuns anteriores. Pedro mostra grande êxito nos sintetizadores, enquanto a guitarra de Carlinhos definitivamente centra-se nas canções, de forma interessante. “Elo Perdido”, de Braconnot ouso dizer que é a melhor música da banda pós-Janires. A reflexão contida nesta canção, apesar de ser extremamente complexa é uma realidade presente até nos dias de hoje (leia o Para refletir sobre Elo Perdido) e seu arranjo é, sem dúvida um dos mais criativos. Paulo Marotta aparece novamente como compositor, assinando e cantando a faixa-título. Aliás, o projeto gráfico deste álbum é o mais bem feito do Rebanhão. Foi o único álbum da banda lançado pela Gospel Records que não recebeu uma versão remasterizada em CD, o que de certa forma é estranho. Mas algumas canções, posteriormente foram lançadas em uma coletânea e na versão em CD do álbum seguinte (bem que o Rebanhão podia remasterizar todos os seus álbuns e fazer um lançamento digital).

    Carlinhos Felix também é o compositor de “Existe um Lugar”, “Tempo pra Tudo” e “Pedaço do Céu”, interpreta “Salvador” (Lucas Ribeiro), e o hard rock de “Criação” (Elmar Gueiros). Pedro Braconnot também canta “Fé”, que possui uma atmosfera fortemente experimental e “Ovelha Ferida”. Contudo, “Nzile Nzulu” (autor desconhecido) fecha o álbum catastroficamente. Parece até que foi uma canção para o álbum não ficar com menos de dez faixas.

    Segundo Carlinhos Felix, com o lançamento de seu álbum solo, este foi recebendo naturalmente agendas separadas, que culminou sua saída da banda. A formação clássica encerrava-se ali. Ainda, Pedro Braconnot e Paulo Marotta continuaram juntos por mais um ano, mas Paulo sai da banda. O motivo foi exposto numa entrevista anos depois numa revista da Mocidade para Cristo (MPC).

    Saí por causa de um conflito vocacional íntimo: descobri que estava valorizando mais o trabalho que o próprio Jesus. Abri mão da fama e do prestígio que normalmente acompanham quem se torna muito conhecido porque isso estava atrapalhando meu relacionamento com Jesus. Eu trabalhava demais, e não tinha tempo para Ele, nem para minha esposa, nem para mim mesmo. A obra havia se tornado mais importante que o Senhor da obra. Assim, após 12 anos, deixei o Rebanhão, mudei-me com minha esposa para BH a fim de reestruturar nossas vidas.

    Talvez seria exagero afirmar que o Rebanhão morreu aqui. Mas, o que surgiu depois foram resquícios do que o grupo foi um dia. Braconnot apresentou boas canções, mas soa bem mais como uma carreira solo, do que uma banda.

  • Um Brinde – Banda ou carreira solo? Eis a questão!

    Um Brinde – Banda ou carreira solo? Eis a questão!

    Existem sentidos que nos confundem. E outros sentimentos nos fazem ser menores, ou por um instante, loucos. Na época do Distrito92, eu me sentia além de vocalista e compositor, o frontman, e isso não me agradava, pois a sensação que tinha era que a banda era só eu – a banda de um homem só. Trabalhar com banda é ótimo, não me imagino um artista solo, mesmo tendo meu trabalho musical sozinho. Acredito que há uma magia na imagem de 4 ou 5 caras em um palco, todos em sintonia, carregando um nome de um fruto sonhado e acreditado!

    Sozinho eu consigo mostrar o que sou realmente, sem se preocupar com o formato da banda com os eminentes pensamentos: “será que o guitarrista vai gostar disso?”, “acho que vai ficar puxado demais para o baixista!”, “não sei se o baterista vai gostar de entrar só aqui”. Enfim, são questões exigentes numa composição de grupo. Quando Renato Russo saiu do Aborto Elétrico e foi se dedicar ao ‘Trovador Solitário’ (projeto onde ele interpretava suas composições apenas com um violão meio desafinado), houve uma certa resistência por parte do público que, em sua maioria eram punks. Mas o que ninguém contava era que o mesmo ‘Trovador Solitário’, iria liderar uma banda [Legião Urbana] que moveria uma geração que tiraria um presidente do Governo. Mas isso deve ser algo complexo demais de se pensar: o mais fácil é compor e gravar você cantando suas músicas e posta-las no YouTube, assim, muitas pessoas irão ver. Pois é, aí identificamos o problema: não basta ser visto por pessoas, é preciso ‘tocar pessoas’. Isso é o difícil. Fazer com que alguém ouça sua música e sinta vontade de compartilhar com mais e mais amigos, e que a mesma cause um efeito vivencial em suas vidas. Essa é a questão: fazer a diferença!

    Talvez seja até um discurso hipócrita este meu, porque quando estou compondo, não penso no cara que vai ouvir – até admiro os compositores que pensam -, pois pensando assim, me limito a muitas coisas. Limito um sentimento, e isso é muito perigoso para quem escreve. Tenho grandes expectativas e fé de que conseguirei gravar meu primeiro EP no segundo semestre de 2015. Tenho sonhado isto. No início do próximo ano já começo a cantar as músicas deste trabalho nos eventos que iramos tocar. Mas aí são muitos projetos ma cabeça, e ser humano não basta. “Preciso virar uma máquina e fazer tudo isso funcionar”. Será? E os planos de Deus? E o que Deus quer pra mim, não conta? Pois bem, realmente é necessário parar e pensar, e orar, pedir direção do Pai para que essa ânsia do melhor ou pior não seja um bola de vaidades e corrompa meu coração. E entre Banda ou carreira solo, fico com uma banda muito massa: Deus nos vocais e liderança, Jesus Cristo na guitarra e comandando o som, o Espírito Santo na bateria e me dando total apoio, e eu simplesmente no contra baixo e fazendo alguns back vocal. Um brinde a nós!