Melhores discos de rock cristão nacionais: 1990 a 1994

Continuando a nossa lista de melhores discos de rock cristão nacionais, chegamos a década de 90, mas desta vez, dividindo entre a primeira metade da década e segunda. Foi o boom, grandes bandas se destacaram, outras se despediam, e tivemos grandes discos. Em votação, o primeiro lugar ficou para a banda Oficina G3, mas Rebanhão, Fruto Sagrado e Resgate entraram com dois discos, cada um. Confira!

[infobox title=’10º: Pé na Estrada’]Artista: Rebanhão
Ano de lançamento: 1991
Número de faixas: 10[/infobox]

Rebanhão - Pé na Estrada - 1991Jhonata: Um disco sincero do início ao fim. Inspirador, “Existe um Lugar” mostra um Rebanhão denso. Destaco “Ovelha Perdida” e “Pedaço do Céu”.

João: Gosto de algumas músicas desse disco, mas não me faz a cabeça e inclusive passa longe do que eu esperaria do Rebanhão. P.S.: Cadê as bandas de Brasília nessa lista? Mó foco no eixo Rio/Sampa aqui, curti não (risos).

Phil: Se lembro bem, eu não votei nesse álbum, mas fico feliz que tenha entrado na lista final. É o trabalho sonoramente mais acertado, mais técnico da banda. Foi feito na mesma época em que Carlinhos Felix gravou seu primeiro trabalho solo. Também foi o último com membros da chamada “formação clássica”. As letras voltaram a ter um pouco do teor crítico que Janires colocava nas composições, e a atmosfera já não é tão pop quando o trabalho anterior, Princípio; aqui já vão pra um lado mais experimental, progressivo, art rock. Mas me parece que tudo o que tem nome Rebanhão é ouro. Tudo o que sai dos caras é bom, mesmo que não seja um primor (geralmente é), mas é bom do mesmo jeito!

Thiago: Pé na Estrada teve uma sonoridade que mesclou mais gêneros musicais como o anterior, e peregrina pelo art rock, pop rock, rock progressivo e rock experimental. Sempre focado nas interpretações de teclado, o disco conta com uma produção musical muito agradável, os vocais da banda sempre eficientes, principalmente a voz Keith Green de Carlinhos Felix, a melhor voz do Rebanhão pós-Janires. Minha preferida foi a música “Fé”, com riffs de guitarra limpa e ótimos solos. “Elo Perdido” tem uma construção musical e lírica muito impactante também, falando sobre a solidão humana a busca do elo perdido. Contudo, como outros trabalhos do grupo, esse tem também seus defeitos, como a moda dos modelos de teclado da época que eu nunca consegui gostar. Eu coloquei esse álbum em nono lugar, e no final sua posição ficou em último, portanto, acho justo a colocação desse, sendo que chegou a disputar a posição com vários trabalhos fora da lista que possuem seus méritos. como Está Consumado (Catedral), Katsbarnea (Katsbarnea)  e Enquanto É Dia (Rebanhão).

Tiago: Certeza de que muitos não vão concordar, mas é necessário entender que Pé na Estrada é sim, um disco merecedor de estar nesta lista (talvez até mesmo em uma posição melhor). O álbum é a despedida do trio clássico da banda, e é aqui que Pedro Braconnot, Carlinhos Felix e Paulo Marotta alcançam o ápice sonoro. Os arranjos nunca soaram tão maduros e a banda tão entrosada. “Elo Perdido” será, sempre, a melhor música do Rebanhão feita sem Janires. Um rock progressivo de primeira (sim, Rebanhão sabe fazer progressivo com excelência). Poderia ser o melhor álbum da banda desde 1983, se não tivessem incluído a horrível “Nzile Nzulu” e claro, acrescentado alguma música de peso maior ao disco. Carlinhos Felix, claramente estava concentrado mais em sua carreira solo (o ótimo Coisas da Vida foi lançado neste mesmo ano, meses antes e vale menções honrosas), e as melhores letras são escritas por Braconnot e Marotta. Por fim, vale mencionar a ótima capa (a melhor, em toda a carreira da banda).

[infobox title=’9º: Brother’]Artista: Brother Simion
Ano de lançamento: 1992
Número de faixas: 10[/infobox]

Brother - Brother Simion - 1992Jhonata: A tentativa dele de fazer um som folk – estilo Bob Dylan – e ainda sim conseguir fazer um som praiano, é válida. O ruim disso tudo, é o resultado: não sai legal. “Brota” é a única que escapa nessa confusão toda. “Cura da Terra” me deixa tonto e eu não consigo entender nada do que o autor quis passar com tal letra. Enfim, um álbum muito abaixo da média (como diz nosso amigo Thalles).

João: Amo esse disco, acho Simion fantástico, simplesmente isso. O estilo de cantar a lá Evandro Mesquita ou Raul Seixas dele, meio que ditando os versos é algo que eu sempre curti, e as letras desse disco desde que ouvi ele inteiro a primeira vez a uns 10 anos atrás me faz chorar até hoje. Produção simples e bem do-it-yourself, gosto dessa autenticidade que Brother imprimiu, bem como bandas dessa época como Átrios, Akza e Calvário.

Phil: Esse cara é doidão! (risos) Não bastasse ser vocal e compositor do Katsbarnea, que já era um rock’n’roll com pegada, apesar de experimental: ele ainda teve fôlego pra encaixar outras composições suas num projeto paralelo, que era solo. Esse álbum tem uma cara folk, um rock acústico, muito bem feito. Mas acho que o que se destaca é o jeito doidão dele mesmo, bem diferenciado, legal pra caramba.

Thiago: Até hoje eu não sei se cometi a blasfêmia de ter deixado esse álbum fora da lista pessoal. A decisão foi difícil, mas inclui outro no lugar, sendo o único da lista que não inclui na minha pessoal. O disco é um folk rock/ folk muito bom de ouvir, e me deixou muito na dúvida se eu o colocaria ou não nas minhas colocações devido a sua sonoridade voz e violão e algumas canções fracas. “Brota” é a melhor com seu country/folk. “Retrovisor” é muito extravagante com o ritmo blues rock e rock and roll e “Together” é o tipo de canção folk que você só ouve nos gringos da vida. No entanto, o disco não tem apenas coisas boas: “Contato” e “Salve a Tua Paz” são duas canções fracas. A primeira exibe um folk chato na maior parte da duração dela em contraste com a letra muito interessante sobre um contato com o Criador, e a segunda passeia também pelo folk, daqueles bem tropicais, com referências a natureza. “Grito de Alerta” também não me agradou muito, com cantos de súplica do Brother a ecoar pelo microfone. Contudo, é um álbum que tem sua importância e mesmo eu não tendo o indicado para a lista final, ele merece estar aqui.

Tiago: Há uma coisa que muitos músicos e pessoas comuns tem dificuldade de entender: em muitas das vezes, menos é mais. O disco do Brother Simion é um excelente exemplo. Ele só precisou de um violão, voz e harmônica. A qualidade do repertório e da execução dos instrumentos levou o álbum a outro nível, e o que se nota é uma sucessão de músicas agradáveis de ouvir. Destaque para “Brota”, “Grito de Alerta”, “Cura da Terra” e, claro, sempre uma faixa em inglês que não pode faltar nos discos de Simion, “Together”.

[infobox title=’8º: Jesus, Vida & Rock n Roll’]Artista: Resgate
Ano de lançamento: 1991
Número de faixas: 9[/infobox]

Resgate 1991Jhonata: Sou suspeito em falar desse álbum, porque gosto muito. Foi o primeiro trabalho do Resgate que ouvi, quando estava começando o curso técnico em administração. Todas as canções conversam entre si e isso faz do álbum um compacto de músicas boas!

João: Outro que eu não inclui na minha lista. Esse inclusive eu tenho em LP (foi o primeiro LP evangélico que eu comprei na vida), mas não me enche tanto os olhos ante os outros da banda e outros discos da época que não apareceram por aqui. No geral, é um bom disco, mas não é dos melhores.

Phil: Eu acho que o Resgate ainda levaria um tempo pra se definir enquanto banda, fechar algum conceito, mas certamente é rock’n’roll do bom, feito num estilo bem brazuca mesmo. Talvez seja um pouco forçado colocá-los no TOP 10, mas por serem promissores e bem produzidos, e com letras inteligentes e edificantes, ganham seu lugar. Ah… quem nunca pulou ao som de “Rock da Vovó”? 😀

Thiago: Jesus, Vida & Rock’n’Roll é álbum até bom, só tem um problema: uma boa parte das canções foram relançadas no disco seguinte, o que faz com que seja um álbum de poucas inéditas no sentido de se estar numa lista de melhores do Brock, mas isso não elimina seu mérito. A musicalidade anda sobre o hard rock e rock and roll, o mais leve entre os gigantes do hard na época, como o Oficina G3 e Fruto Sagrado. Das cinco que não foram relançadas no álbum seguinte, sendo elas as faixas “Ainda Há Tempo”, “Mestre”, “Eu Passei”, “Quem é Ele?” e “Sem Deus”, a melhor foi “Quem é Ele?”, um rock and roll com um riff muito legal de guitarra. A famosa “Rock da Vovó” foi lançada primeiramente nesse álbum, e é uma das melhores também. O disco é legal, e a posição foi justa para a banda.

Tiago: Um álbum do Resgate, de 1991, numa lista de melhores? Vocês estão de brincadeira, né? Esse disco é muito fundo de quintal.

[infobox title=’7º: Fruto Sagrado’]Artista: Fruto Sagrado
Ano de lançamento: 1991
Número de faixas: 9[/infobox]

Fruto Sagrado - 1991Jhonata: Sem comentários, ruim demais.

João: Já esse disco eu não inclui na lista, mas é sim um ótimo disco de estreia do FS, com faixas que já diziam quem era a banda, a sonoridade tá mais pra um hard rock com muitos teclados na linha do Rush, isso é bem legal. Mas no geral não tá entre meus prediletos, sorry.

Phil: Um hard rock com bastante pegada e virtuosismo. Dizendo assim parece normal, mas na real o diferencial do Fruto Sagrado são as letras. Além do louvor a Deus, temas como críticas ao sistema religioso, heresias e críticas sociais permeiam a banda, sendo escritas de uma maneira geralmente bem ácida, inteligente, forte e ainda assim bem encaixadas com as composições. Bênlio, Marco Antônio e Flávio fizeram um belo trabalho, um bom disco pra chamar de primeiro.

Thiago: Três anos após a fundação da banda, o primeiro álbum do Fruto Sagrado, com o mesmo nome da banda, saía do forno. O notável desse grupo era suas letras nada convencionais, diretas e críticas ao sistema, tanto como social e político, como religioso, de acordo com uma cosmovisão cristã. Esse tipo de abordagem foi predefinida pelos seus integrantes. As ideias trabalhadas são legais, porém, no início da banda, a composição das letras ainda estavam sendo moldadas, a construção dos versos, etc. Ao contrário dos álbuns posteriores, esse álbum foi bem menos criativo musicalmente para mim, com uma sonoridade bem presa ao hard rock, um estilo que era bem desenvolvido na época, e voz do Marcão ainda não era essa potência a qual chegou nos trabalhos mais recentes. Na maior parte, o disco foi preenchido por canções compostas por Bênlio e Marcão. No geral, a obra exibiu um trabalho mediano, coerente com a posição em que está.

Tiago: O Fruto Sagrado teve a melhor estreia dentre quase todas as bandas aqui. Aquele disco que você vê que, quando uma banda tem um bom repertório e arranjos, isso basta para um disco soar bem. Acho que não preciso me alongar.

[infobox title=’6º: Na Contramão do Sistema’]Artista: Fruto Sagrado
Ano de lançamento: 1993
Número de faixas: 8[/infobox]

Fruto Sagrado - Na Contramão do SistemaJhonata: Fruto Sagrado está entre as bandas que preciso ouvir muuuuuuuuuuuuuitaaaaas vezes ainda para me convencer de que são boas. Eu até entendo a dedicação para ser considerada uma “banda-de-rock-pesado” mas, acredito que todos nós precisamos “se tocar” um dia. Como segundo disco, este é regularmente bom. Fica no meio-termo de “Brasil” (primeira) até “Involução” (última faixa).

João: Segundo melhor disco do Fruto Sagrado ever. Simples assim. Tem quem diga que esse é O melhor, mas a segunda metade da década vai mostrar que não (risos). Enfim, hard rock de primeira, as letras continuam ácidas, falando de tudo: política (“Brasil”), preconceito (“Jimmy”), pobreza (“Meninos de Rua”), falso evangelho (“Lobo Mau”) e demência social (“Involução”, a letra mais atual da história, depois de “Ponte”, de Janires), e a interação dos integrantes da banda à época é perfeita. Sem dúvida um disco pra ter orgulho de possuir original.

Phil: Em meio à “síndrome dos dois anos”, em que eles chamavam guitarristas pra ajudar na banda, efetivavam os caras e depois eles davam no pé (mas não era sacanagem dos guitarristas, eram motivos legítimos e até bons, eu diria), o trio Marcão, Bênlio e Flávio chegou a 93 pra fazer o segundo disco. Esse trabalho saiu ainda na linha hard rock virtuosa, mas com uma cara um tanto progressiva. Aqui as letras ficaram mais pesadas! “Jimmy”, “Lobo Mau”, “Meninos de Rua”, essas faixas pesam na cuca, viu. Além disso, é bom destacar a gravadora Gospel Records que fez uma divulgação intensa do disco, segundo Marcão.

Thiago: Fruto Sagrado sempre foi a banda mais ácida em nível de crítica contra igreja e sistema. Esse título anticapitalista é o resumo de uma boa parte de sua discografia. O álbum passeu pelo hard rock e heavy metal, com referências até da música eletrônica. As letras do Fruto nesse disco tem o mesmo tom ácido, mas em algumas partes foram mal construídas, escapando da métrica ou versos quebrados. Contudo, o álbum tratou de ótimas questões relacionadas à nossa cultura consumista e individualista, os problemas sociais e de nosso sistema. Nesse sentido, Fruto Sagrado sempre foi único. As canções marcantes do disco: “Lobo Mau”, um hard que fez analogia a história do lobo mau com os falsos profetas; “Investimento”, com seu blues louco, semelhante a “Mistérios” do Resgate, mas a interpretação vocal foi broxante; “Involução” e seu riff oriental e genial, música muito boa; “Brasil”, hard rock para animar qualquer um, até com DJ; e “Jimmy” a base eletrônica hard rock heavy metal criticando o racismo. “Exceção à Regra” é uma música muito boa, mas deixou um terrível sentimento broxante em mim: tem uma introdução épica e clássica de violão, um nome que lembra uma música muito boa sobre crítica, no entanto a impressão só fica no início. Logo a música une peso de guitarra com uma letra romântica, coisas que eu ainda aprendi a não gostar juntas dessa forma. Marcão melhorou bastante com relação ao primeiro álbum, e a parte instrumental ficou muito boa.

Tiago: Vamos entender o seguinte: o Fruto Sagrado sempre foi uma banda boa de letras. Eles sempre tiveram a intenção de fazer uma música diferenciada. Na Contramão do Sistema é o melhor disco da banda nos anos 90. É uma música muito bem feita e autêntica, você vê que eles estão em pleno voo. Dentre faixas ácidas e sarcásticas, podemos dizer que este é um dos melhores discos do rock cristão.

[infobox title=’5º: 3′]Artista: Complexo J
Ano de lançamento: 1992
Número de faixas: 9[/infobox]

Complexo J - 3 - 1992Jhonata: 3 é indiscutivelmente um disco singular. Quando o ouvi pela primeira vez, me perguntei: “CARA, POR QUE DEMOREI TANTO PRA OUVIR ISSO?” A banda era muito bem arrumadinha. A oscilação dos vocais são linearmente agradáveis. “Sábado Quente” me prendeu e fiquei repetindo o refrão por várias semanas (principalmente pelo calor enorme que faz aqui em Rio Branco), “Choro da Natureza” dá uma aula sem pôr defeitos em “Terra”, do Katsbarnea. “Com Jesus” me fez lembrar minha conversão e, destaco as guitarras e o baixo que, por mais assemelhado que tenha ficado com os outros de bandas da época, aqui ele soa mais particular, mais COMPLEXO J.

João: Criatividade é pouco pra definir esse disco. Da capa à última música, o último disco genuinamente rock’n roll da Complexo J, trouxe novamente letras geniais (destaque eterno pra “Sábado Quente”, que é um tapa na cara da society, rsrs), os vocais intercalando entre a voz masculina e feminina é o ponto mestre dessa banda, e sem dúvidas um diferencial. Nessa época só a Troad (que não era bem rock) e a Metanoya (da Soraya Moraes) tinham em mente colocar mulheres cantando rock. Os cariocas realmente se inspiraram mesmo. Tenho que dizer o mesmo que no review passado: que que essa turma de RJ, como o Complexo J, Catedral e cia têm na mente pra serem tão ácidos e verdadeiros? (risos)

Phil: Confesso que só ouvi uma vez esse álbum, então se eu tivesse dado mais atenção poderia ter algo mais específico pra falar. Mas o que eu tenho lido é que esse foi o melhor álbum deles. Eles seguem a mesma linha da maioria das bandas da época (incluindo as desta lista), que tratam bastante de análise de temas da vida, porém o Complexo J é um tanto mais sutil nas letras. O que li em algum vídeo do YouTube, em um comentário, é que em 1992 saíram alguns integrantes da banda, o que acabou modificando a sonoridade. A banda nunca parou, apesar disso, tem até página no Facebook.

Thiago: Esse LP ficou em sétimo lugar na minha lista pessoal. A banda teve um relativo sucesso em sua própria época, chegando a figurar em um programa de TV, sendo que o 3 foi seu maior sucesso. “Sábado Quente”, sua canção mais famosa, é a melhor do álbum. Possui uma letra bem interessante sobre como somos controlados pelo sistema que tanto criticamos. O conjunto da obra em si é cheio de músicas boas e algumas medianas, acho que algum do Fruto Sagrado poderia ter estado na frente desse. Algumas partes da letra de “Consciência Limpa” me incomodou um pouco, com um pouco de ego escondido, mas não é de todo ruim. Esse álbum conta com bons instrumentais, solos de guitarra, e é uma mistura de hard rock e prog rock. Algumas composições do álbum ousou a crítica forte contra o sistema, como a já citada “Sábado Quente” e “Abra Seus Olhos”.

Tiago: Discaço, e deveria estar em segundo lugar! Além do Rebanhão, outra banda que vivia o seu auge, no início da década, era o Complexo J. Contratados pela MK Music, lançaram o melhor álbum da carreira, 3. É um disco que usa teclados e loops a seu favor, e você nunca os verá exagerando. As letras são tão polêmicas quanto as composições de bandas undergrounds da época. Eles estão lá, questionando o sistema religioso com o hit “Sábado Quente”, criticando o humanismo em “Abra seus Olhos”, falando da destruição do meio-ambiente em “Choro da Natureza”, e nos brindando até mesmo com faixas instrumentais em “Yom Kippur”. Os vocais de Liza Cardoso são os melhores do disco, e certamente marcam o diferencial dentre tantos grupos exclusivamente masculinos. A capa do álbum, por sua vez, é um destaque a parte.

[infobox title=’4º: Princípio’]Artista: Rebanhão
Ano de lançamento: 1990
Número de faixas: 10[/infobox]

Rebanhão - Princípio - 1990Jhonata: Eis aqui um álbum que beira a perfeição para a época em que foi gravado. “Fronteiras” descreve mais ou menos muito do meu respeito pela banda Rebanhão. “Palácios” é um clássico indiscutivelmente maravilhoso de se ouvir. Os metais usados no disco, teclado e guitarra foram muito bem encaixados. Enfim, Princípio é digno de estar nessa lista.

João: No princípio era o vazio, e o Rebanhão disse sim, sim pro rock’n roll e pra música gospel! Os precursores se tornaram o porta-voz inicial do movimento, trazendo a formação clássica e mais consistente do grupo, a sonoridade que os consagrou na segunda metade dos 80 e sendo realmente uma ponte de ligação entre a fase dos primórdios com o movimento gospel. Elogios inclusive à arte de capa desse disco, alias, dos 5 primeiros da lista (na verdade, a do Resgate é bem pobrinha comparada a dos outros 5 rsrs). Destaque também pra letras mais críticas novamente na linha das do saudoso Janires, como “Princípio”, “Muro de Pedra”, “Arsenal” e claro, a clássica “Palácios”.

Phil: O princípio de um monte de coisa: primeiro álbum de música cristã brasileira a ser lançado no formato de CD, primeiro álbum lançado pela Gospel Records, primeiro lançado logo após o início do chamado movimento gospel brasileiro. Ok, mas e o conteúdo? Musicalmente eles amadureceram um bocado vindos da década anterior, com arranjos mais complexos, mas ao mesmo tempo com uma sonoridade mais acústica, talvez art rock/pop rock seja mais exato, o que ainda remete ao pop rock nacional oitentista. E não se engane, não é fácil chegar na sonoridade que se ouve em álbuns desse estilo. Carlinhos Felix e Pedro Braconnot seguraram muito bem a onda da banda depois da saída do Janires, mesmo com a (óbvia) mudança nas composições. Mas as letras continuam com o selo Rebanhão de qualidade! Ô Abreu, traz o carimbo aqui.

Thiago: Princípio ocupou uma posição que poderia ter sido disputada por outras bandas abaixo dela, como Fruto Sagrado, até Resgate e pela própria banda ocupada. O álbum é um pop rock com pegadas do art rock, rock progressivo e muitas outras influências musicais, e o que mais fica enfático nas suas músicas são suas letras, com boas críticas, como as de “Palácios” e “Fronteiras”. “Metrô”, com a bela interpretação de Pedro Braconnot no piano e a voz à lá Keith Green do Carlinhos Felix, é a minha predileta. Algumas músicas desse álbum às vezes conseguem ser medianas e boas ao mesmo tempo, como “Ele Te Ouve” (tem uma introdução que parece que vai deixar a música meio chata, mas ela muda para um arranjo mais rápido e fica legal) e “Selo de Perdão” (a sonoridade do teclado ficou muito quadrada). Apesar da letra legal e da construção sonora interessante, “Fronteiras” é uma composição um pouco chata, a introdução de teclado dessa música é daquelas bem pop antigão. Senti falta da guitarra em algumas músicas, a influência do pop ficou mais forte, e o timbre do teclado me incomodou bastante, mas foi o melhor desta lista, juntamente com Pé na Estrada, em termos de qualidade vocal, letrística e produção musical.

Tiago: Antes de tudo, este disco tinha que estar em primeiro! Passando meu protesto, digo: Ser vanguarda durante uma década, remodelando seu som, e depois ainda ser vanguarda numa década seguinte é para poucos. O Rebanhão, nessa época, ativo há dez anos, expandia a sua popularidade como quarteto, mas, no entanto, aos poucos perdia a veia crítica de seus primeiros anos. E Princípio, primeiro lançamento da história da gravadora Gospel Records, consegue recapturar o que estava se perdendo. A figura central deste disco é o tecladista e cantor Pedro Braconnot. Enquanto nos discos anteriores sua imagem estava ofuscada pelo destaque de Carlinhos Felix, é neste álbum em que suas letras tornaram-se fundamentais para o êxito da obra. Das dez faixas, cinco possuem sua participação. E, justamente, várias delas são as melhores do álbum: a clássica “Palácios”, que se tornou um hit por muitos anos, “Fronteiras” e sua melodia suave, “Metrô” e sua vibe MPB, conduzida apenas por um piano, além de ter escrito, juntamente com Carlinhos, a balada “Grito de Silêncio”. Esta obra consegue representar, em letras, toda a inventividade que o chamado movimento gospel (sem o significado pejorativo que esse termo possui hoje) procurava fazer. É um álbum que questiona os poderosos da sociedade, fala do sujeito desiludido, deprimido e por vezes esquecido pela igreja, e consegue filosofar em canções como “Muro de Pedra”. A produção musical ficou a cargo dos próprios membros, e marca um entrosamento muito positivo entre eles. Paulo Marotta escreve, também, uma faixa para o álbum, estando dentre as melhores.

[infobox title=’3º: Cristo ou Barrabás’]Artista: Katsbarnea
Ano de lançamento: 1992
Número de faixas: 10[/infobox]

Katsbarnea - Cristo ou Barrabás - 1992Jhonata: Eu já disse uma vez por aqui que não gosto do Katsbarnea. E é fato que nenhum dos trabalhos deles vai me agradar por completo. Quase não tenho o que dizer sobre esse disco. “Terra” é uma canção que em pleno 2015 eu ainda suspeito que o seu compositor estava sob efeito de drogas quando escreveu. “Congestionamento” traz uma áurea até interessante e a faixa-título não conseguiu me convencer.

João: Ah, esse disco, esse me fez ver que o Kats não era só um clone bizarro da Blitz (risos). Enfim, disco de grande qualidade, o experimentalismo contido nele é surpreendente, Brother estava muito inspirado mesmo nas letras do álbum, além dos arranjos, sem focar somente no rock inclusive, colocando até surf music (Ondas Agitadas, grande música pra luaus) e o progressivismo de “Terra”, ótima canção pra começar o disco, eu cheguei a pular várias vezes sozinho em casa com essa música. Faz falta discos assim no rock “gospel” atual.

Phil: Depois de Estevam Hernandes chutar metade dos integrantes pra fora da banda (até hoje ninguém sabe por que), restaram 5 e apenas esses seguiram na banda, por enquanto. Então ele perdeu um pouco da linha que tem o álbum anterior (Katsbarnea), mas parece que saiu mais focado. Esse álbum tem uma cara bem hard rock, apesar de eu ter uns motivos pra preferir o álbum Katsbarnea, as percussões de Paulinho Makuko enchiam um pouco o saco. E ele ainda percussiva no Cristo ou Barrabás, mas bem menos, além de que ao vivo assumiu a bateria e mandou bem, segurou a onda dos caras que gravaram no estúdio. Brother Simion aparentemente consegue lidar bem com duas bandas (Kats e solo), até porque ele direciona suas composições pra uma ou outra banda já que as propostas musicais são diferentes. Ah, e Rick Bonadio produzindo os caras.

Thiago: O terceiro lugar poderia ser disputado pelo Katsbarnea e Fruto Sagrado. Cristo ou Barrabás representa um progresso musical, pois nesse álbum a banda deixa de usar mais o violão, colocando mais guitarra. Assim, ficou mais pesado do que os três anteriores, unindo vários estilos musicais, como o folk rock, hard rock, heavy metal, rock progressivo e metal progressivo. “Parede Branqueada”, com todo seu peso do prog e heavy metal, é a mais genial do disco. A introdução psicodélica de Terra, o folk rock meio faroeste de “Shine on Your Face” (lembrou-me a canção “Babe I’m Gonna Leave You” do Led Zeppelin), as canções cômicas “Congestionamento” (com pequenas influências do funk rock, cheia de efeitos de congestionamento) e “Remédio Pra Dormir”, “Cristo ou Barrabás” e “Meio Fio” são outras que merecem atenção. Três características que ficaram muito interessantes e legais, e vale ressaltar: os efeitos musicais e arranjos diferenciados inseridos na maior parte das músicas, como a da “Cristo ou Barrabás”, que dá a sensação de se estar num julgamento, e outras do “Parede Branqueada”, “Terra”, “Congestionamento” e “Remédio Pra Dormir”; a gaita do Brother Simion que como sempre dá uma beleza maior as canções, como na “Shine on Your Face”; e as boas participações da guitarra solo, que foram mais enfáticas do que nos álbuns anteriores. A percussão de “Ondas Agitadas” sempre me incomoda, e o reggae do “Amor”, com uma introdução a La “D’Yer Mak’er” do Led Zeppelin, ficou mediana. Em resumo, esse álbum representa um avanço gigante para o Katsbarnea, com o peso da guitarra em ênfase e as letras legais e diferenciadas.

Tiago: As mudanças que Estevam Hernandes obrigou a fazer no Katsbarnea, em 1991, foi uma sacanagem sem tamanho. Você percebe, em relação ao disco Katsbarnea (1990), que a sonoridade para Cristo ou Barrabás (1992) é brutalmente distinta. Enquanto o disco anterior era mais rico musicalmente, com influências de outros gêneros extra rock, Cristo ou Barrabás é mais uniforme, “redondo” e encapsulado. Não é um álbum ruim, não. As letras de Simion continuam a abrilhantar, e se você notar, ainda há elementos na sonoridade antiga que restaram, como a harmônica do vocalista e a percussão de Makuko. O único ponto realmente negativo da obra, é que a banda não soa confortável fazendo um som hard rock. Experimentalismo é uma marca registrada do Katsbarnea, e o que vemos nesta obra, por vezes, é um som que tenta emular o que grupos como o Fruto Sagrado e Oficina G3 faziam na época e não consegue da mesma forma. Assim, posso destacar que Rick Bonadio, conforme seu estilo de produção, não ajudaria muito neste aspecto, não é mesmo? Foi só no ótimo Armagedom, produzido por Paulo Anhaia, em que o grupo encontraria uma vertente para seguir após o enxugamento forçado da formação.

[infobox title=’2º: Novos Rumos’]Artista: Resgate
Ano de lançamento: 1993
Número de faixas: 9[/infobox]

Resgate - Novos Rumos - 1993Jhonata: Resgate nunca foi uma banda que esteve nas minhas preferências musicais. Acho que ainda não encontrei o “tchan” da banda pra entender a vibe dos caras. ‘Ignorantemente’ acho as letras deles muito fracas e, sinceramente, não entendo como uma geração enorme de jovens e adultos tem a banda como REFERENCIAL-MUSICAL-CRISTÃO-NO-BRASIL. Deixando isso de lado, Novos Rumos é um álbum muito bom. Sem exageros e sem falsa modéstia. Eu gosto da banda assim como gosto de Roberto Carlos e, consideravelmente, eles se assemelham na minha preferência: a massa considera eles MUITO BONS e eu apenas acho eles legais. “Florzinha” mostra um hardcore que raramente você encontrará em bandas como o Resgate. “A Paz” é uma canção tecnicamente boa em todos os quesitos: letra, instrumental e temática…

João: Musicalmente falando o Resgate ainda não era aquele Resgate, ainda tavam no comecinho, mas no quesito letras eles já eram bem inteligentes. Claro, não estou contando com “Florzinha” (risos), e sim com músicas como “A Paz”, “Todo Som”, “Consciência” e “Controle”, que pra mim são pontos altíssimos desse disco. A evolução comparando ao primeiro disco é notável e a banda conseguiu manter seu estilo com classe, preparando-se pro impressionante terceiro disco.

Phil: Aqui o Resgate começa a amadurecer! Deram passos importantes no aprendizado como músicos e como banda. Faixas como “Daniel” e “Todo Som” são destaque nesse álbum. E a hilária “Florzinha”, claro (risos). Ainda faltava algo para que o Resgate fosse considerado uma banda realmente show de bola no rock cristão nacional, mas que esse álbum é bom, isso é. E com Rick Bonadio por perto, ele de novo!

Thiago: As posições de primeiro e segundo lugar, com uma enorme pontuação de distância do resto é, em minha opinião, algo completamente normal. Os lançamentos dessas bandas, no início de suas carreiras, mostrariam aonde chegariam mais tarde. Resgate, principalmente por causa da personalidade do Zé Bruno, é o melhor hoje, levando em conta o trabalho conceitual e musical, dentro e fora dos palcos. Novos Rumos aparece como um rock and roll em si pautado no hard rock. Os riffs desse álbum são muito bons, citando como exemplo as feras introduções de “Novos Rumos”, “Controle”, “A Paz”, “Quem É Ele?” (uma regravação do primeiro trabalho), fazendo com que eu chegasse a colocar esse álbum em primeiro lugar (apesar de ter percebido a superioridade do G3 depois), e sempre achei tão legal as participações intercaladas nos solos do Zé Bruno e Hamilton. Quero agora citar especificamente quatro canções marcantes: a primeira é o “Rock da Vovó”, faixa retirada do primeiro álbum que foi reeditada em Novos Rumos, e que durante vários anos a frente foi cantada bastante nos álbuns ao vivo; o rock ácido e cômico com a boa pegada do punk de “Florzinha”, uma característica que Resgate nunca deixou; o louco rock and roll de “Mistério”, que tem um riff hiper mega fera de guitarra (a introdução com o violão ficou muito legal), só ficando avacalhada pela propaganda da Renascer com os versos “E era um cara de terno na praça/ Que falava com uma Bíblia na mão”; por último, uma qualidade que sempre gostei no Resgate é de fazer boas baladas com a pegada folk rock, e “Todo Som” é um belo exemplo. A balada levada por lindos toques de violão ficou bem harmoniosa com a letra sobre a grandeza de Deus. “Daniel” foi outro hit do álbum, mas não se compara as quatro citadas. Esse álbum não tem canções tão medianas, acho que só há na maioria música boa misturada a canções muito boas. Já na parte letrística, ainda não se via a identidade satírica que a banda chegaria a construir depois.

Tiago: Novos Rumos é, antes de tudo, um disco mediano. Você vê que o Resgate evoluiu bastante em relação ao disco anterior. Algumas coisas fogem da fórmula inicial, como o uso de violão e teclado. Mas, no geral, não é um trabalho marcante. Acho intensamente exagerada a presença deste disco aqui. Resgate, para mim, só em 1995 pra frente.

[infobox title=’1º: Nada É Tão Novo, Nada É Tão Velho’]Artista: Oficina G3
Ano de lançamento: 1993
Número de faixas: 8[/infobox]

Oficina G3 - Nada é tão novo, nada é tão velho - 1993Jhonata: Um álbum que tem suas particularidades e defeitos. Mas como primeiro álbum de uma banda que logo menos viria ser uma banda de grande sucesso no cenário cristão, este álbum foi feito na medida certa com solos super animados, no nível de uma banda de rock profissional (sem nem se isso existe! hehe). Músicas como “Mais que Vencedores” e “Pastor” trazem uma pegada introspectiva muito boa de ouvir, o problema (e acredito que único) de ambas as faixas são as repetições em termo de letra. Eu sou chato com letra, então não gosto muito de repetições. “Valéria” realça a ideia das grandes bandas de rock que tem uma historinha contada em uma música: Legião Urbana tem “Faroeste Caboclo”, Titãs tem “Marvin” e o Oficina não podia ficar pra trás…

João: Eu realmente curto muito esse disco, mas não poria em primeiro… sei lá, enfim, é um disco que me traz boas recordações, muito legal de se ouvir, Manga mais solto nos vocais e sem o Túlio Regis do lado (com todo respeito, sempre achei essa combinação bizarra), arranjos bem hard rock numa linha que é digna de atenção por muitos críticos do rock nacional, porque é bem rara aqui no Brasil, enfim, eu achei bem legal mesmo, na época que eu o ouvi me surpreendeu muito porque eu era acostumado apenas com os acústicos do Oficina e esse disco deu um barato na minha mente (risos).

Phil: Meio complicado falar de Oficina sem parecer que é “oficinático”, porém oficinático que não volta no tempo não pode ter esse adjetivo! A banda já fazia um som de qualidade, hard rock bem característico dessa fase inicial, ainda na Gospel Records, e que ainda hoje influencia muito músico que queira fazer hard rock. Os vocais de Manga são mais loucos do que melodiosos, mas cheio de atitude que ele é, ficou uma mistura boa, além de umas canções que Juninho solta a voz – e bem! O CD é muito consistente, acertado, bem mixado – dadas as condições da época – e ainda hoje tem diversos temas aclamados até por quem nem é fã antigão. É merecedor do 1º lugar!

Thiago: O segundo álbum da Oficina G3 já demonstrava um pouco da proficiência desta famosa banda. Contando com Luciano Manga no vocal principal, Juninho Afram na guitarra e vocal em algumas músicas, Wagner García no baixo e Walter Lopes na bateria e vocal na música “Pastor”, com participações de Duca Tambasco no baixo em “Naves Imperiais”, Marcos Pereira na guitarra e Marcio “Woody” de Carvalho nos teclados, o resultado foi um hard rock, heavy metal com pegadas do blues rock. A principio, admito uma falha: coloquei esse álbum em segundo lugar por ainda achar que Novos Rumos merecia mais essa posição, mas a musicalidade do G3 se manifestava melhor do que o Resgate, principalmente, por causa da genialidade dos riffs e solos de Juninho Afram na guitarra. Oficina G3 indiscutivelmente é a maior banda de rock cristão brasileira em questão de eficiência musical, e essa condição não é superestimação, eles realmente são bons. “Cante” é a melhor música do disco, sendo uma brilhante exposição de técnica, com influências do power metal, arranjado pelos graves do baixo, os solos majestosos do Afram e a velocidade da guitarra e da bateria. O blues rock fenomenal de “Pastor”, (Marcio “Woody” de Carvalho foi eficiente com os teclados nessa canção), o hard rock com pegada do blues rock de Valéria, o hard e heavy metal de Razão, Consciência de Liberdade e Mais Que Vencedores são composições que valem ser lembradas como ótimas produções. Por último, ressalto separadamente a famosa “Naves Imperiais” por sua beleza artística. As baladas do vinil, como “Resposta de Deus” e “Deus Eterno”, pelo menos para mim, só ocuparam a posição de música mediana que quase todo álbum tem. Em resumo, repito que a obra se superou graças ao líder da banda, Juninho Afram, enquanto que na parte letrística não vejo nada de novo. O nome do álbum é para lá de curioso e um mistério para mim.

Tiago: A saída de Túlio Regis da banda pode não parecer um acontecimento marcante na Oficina G3, mas foi. Além de ser um dos vocalistas, ele era o principal compositor e letrista da banda. Em sua primeira gravação de estúdio, outro membro teve que ocupar a função de vocalista, o guitarrista Juninho Afram. Neste álbum, a Oficina G3 escancaradamente assume a influência do Stryper em sua sonoridade, o que chega a ser um incômodo, por muitas vezes. Luciano Manga, como intérprete, só surpreenderia no lançamento subsequente, o clássico Indiferença. A capa do disco é criativa, embora a execução não seja tão eficiente. Este álbum me soa como uma banda buscando evoluir, buscando sair da dependência do Túlio, sem muito sucesso, e não creio que merece a posição que alcançou nesta lista.


A lista foi compilada através de votos dos participantes.

Comentários

3 respostas a “Melhores discos de rock cristão nacionais: 1990 a 1994”

  1. […] Como eu já disse, senti falta do disco da banda Calvário na lista anterior. Mas pelo menos este clássico do Stauros está aqui. Talvez o primeiro disco totalmente metal que […]

  2. […] também as listas anteriores: Década de 70, década de 80, 1990-1994 e […]

  3. […] também as listas anteriores: Década de 70, década de 80, 1990-1994, 1995-1999 e […]

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