Autor: Equipe O Propagador

  • TOP 10 – melhores clipes de 2015

    As produções visuais no cenário nacional cristão estão a todo o vapor. De ano em ano, produtoras e diretores se destacam assinando grandes trabalhos. Em mesma instância, independentes se sobressaem. Pensando nisso, o O Propagador preparou a lista dos melhores clipes de 2015. Confira nossa seleção e exponha seus comentários:

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    Fornalha – Pedras Vivas

    Mesmo utilizando-se de um clichê no meio evangélico, clipes com testemunhos, “Fornalha” se sobressai pela qualidade das imagens e da atuação dos atores. A música dá título ao mais recente trabalho da banda goianiense pela Universal Music.

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    Vento – Dilson e Débora

    Adventistas, Dilson e Débora se destacaram este ano por “Vento”. Uma das produções mais bem produzidas e pretensiosas do ano, as imagens densas transmitem melancolia.

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    Acredito – Leonardo Gonçalves

    A canção “Acredito” é uma versão de “We Believe” do Newsboys, feita especialmente para o filme Você Acredita?. Com direção de Hugo Pessoa, responsável por outros trabalhos de Leonardo, o clipe também foi exibido nos cinemas junto com os créditos finais. Tendo como base a imagem de Leonardo dentro de um templo, a música revisita o filme se transformando em uma espécie de trailer musical. Uma curiosidade é que o vídeo já passou de 5 milhões de visualizações em menos de 1 ano.

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    Ser Alguém – PG

    Versão de “Be Somebody” do Thousand Foot Krutch, “Ser Alguém” foi escolhida como a principal faixa de S.E.T.E., novo trabalho de PG pela Som Livre. A balada segue uma estrutura comum em sua carreira solo, flertando suavidade pop com refrães mais incisivos do hard rock. As imagens foram gravadas nos Estados Unidos, com a direção de Marco Túlio e produção de Thiago Makie, da BME Multimídia. Para a gravação, PG utilizou uma guitarra Washburn e homenageou sua esposa, Rosana.

    https://www.youtube.com/watch?v=rt1OiSd2Fzg

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    Porque eu Te Amei – Ton Carfi

    O álbum Somos Um (Som Livre, 2015) colocou o paulista Ton Carfi no rol dos grandes nomes da música cristã contemporânea nacional. Sempre misturando estilos musicais, Ton, que é mais conhecido por suas músicas pop eletrônicas encontrou na delicada e emotiva “Porque eu Te Amei” o single perfeito para seu disco. O clipe da canção, dirigido por Toddy Ivon, consegue capturar a veia emocional do cantor que divide o protagonismo do vídeo com seu piano branco e uma pequena e carismática bailarina, responsável pela cota da delicadeza.

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    O Bilhete e o Trovão – Os Arrais

    Parte do CD/DVD As Paisagens Conhecidas, Os Arrais chegaram ao terceiro trabalho explorando as possibilidades audiovisuais da música. “O Bilhete e o Trovão” é parte desta produção, dirigida por Hugo Pessoa. As imagens foram gravadas em Olinda, cidade de Pernambuco. A letra foi escrita por Tiago Arrais, e segundo o compositor, é baseada “naquele momento em que os valores tradicionais do que a gente entende por fé cristã são colocados à prova”.

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    Vem – Quarto Fechado

    “Eu vejo um conflito / Meu livre arbítrio / Onde foi parar”? Single do álbum Labirinto Meu, “Vem” é carro-chefe de um disco que questiona bases teológicas na realidade cristã pós-moderna. Na narrativa que o clipe segue, o amor é um campo de possibilidades para quem se entrega. As imagens contam a história de um jovem frequentemente atormentado por seus pensamentos e recordações de um passado criminoso.

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    Nossa Canção – Gabriela Rocha e Leonardo Gonçalves

    Dirigido por Hugo Pessoa, “Nossa Canção” se destaca por trazer um entendimento geral do que é dito por “filhos de Deus”. Negros, brancos, ricos, poderosos, são caracterizados na produção que se destaca por seu teor conceitual.

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    Do Avesso – Paulo César Baruk

    “Do Avesso”, faz parte do álbum Graça, lançado em 2014. O clipe foi gravado nos Estados Unidos, em uma parceria da Salluz com a Sony Music Brasil. Baseado no capítulo 15 do livro de Lucas, o roteiro faz uma releitura da parábola do filho pródigo, onde o próprio Baruk interpreta o personagem que resolve se aventurar e, logo depois, se arrepende da decisão.

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    Ame Mais, Julgue Menos – Marcela Taís

    Com direção de Bruno Fioravanti, “Ame Mais, Julgue Menos” é caracterizada pela sua espontaneidade. Marcela Taís é autora e intérprete da canção que está a frente do álbum Moderno à Moda Antiga. A qualidade da fotografia, além dos locais onde as cenas foram gravadas, rende à produção o primeiro lugar em nosso pódio.

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  • TOP 10 – Polêmicas de 2015

    Assim como nos anos de 20122013 e 2014, fizemos uma lista com as dez maiores polêmicas ocorridas no segmento musical evangélico em 2015. Confira os acontecimentos:

    Vamos lembrar?

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    Inimigos?

    Juninho Afram Duca TambascoDurante a última Parada Gay em São Paulo, uma transexual causou polêmica dentre parte do segmento evangélico por encenar Cristo cruficicado, em protesto contra a homofobia. Enquanto líderes religiosos a atacaram, o baixista da Oficina G3, Duca Tambasco, criticou pastores e alguns evangélicos por incitarem o ódio. O músico disse: “Me poupem do discurso do ‘quão ofensivo eles foram’, ‘eles estão ganhando terreno’, ‘eles são agressivos.’ Eles??? Pra mim não tem eles! Se trata de nós!”. Após Duca, o guitarrista e principal integrante da banda, Juninho Afram, escreveu um texto endossando a opinião do baixista. “Diferentemente do que muitos líderes evangélicos incitam por aí – que mais parece olho por olho, dente por dente -, a resposta de Jesus ao ódio e calúnia é beeeeeem diferente”, disse.

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    As babás

    Flordelis Fernanda LimaNo começo do mês de agosto, uma foto das babás de seus filhos gêmeos que a apresentadora Fernanda Lima postou em sua conta no Instagram virou notícia em toda a imprensa nacional. Tudo se deu porque a artista comentava sobre as moças não usarem uniforme e o quanto eram “estilosas”. Por se tratar de duas mulheres negras, Fernanda foi chamada de “Sinhá” por uma seguidora e acusada de racismo, desencadeando em uma grande polêmica cujos efeitos abasteceram a imprensa por dias, causou grande comoção nas redes sociais e foi tema de diversas discussões sobre o racismo. O que muita gente não sabia era que as babás, Ângela e Tayane Dias, era filhas de ninguém menos que a cantora evangélica Flordelis, um dos nomes mais proeminentes da música pentecostal. Diante da controvérsia, Flor, que estava em turnê pelos Estados Unidos, foi às suas redes sociais defender a patroa de suas filhas que, por sinal, é sua amiga pessoal há anos.

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    Homofobia?

    aline-barros1Durante um espetáculo infantil, a cantora Aline Barros se envolveu em uma saia-justa com o público LGBT. Ao conceder uma entrevista, disse que ora por todos os homossexuais e afirma que eles sabem que suas práticas é pecado. A declaração foi feita ao programa TV Fama, da RedeTV!. A repórter questionava Aline sobre questões do seu cotidiano e resolveu perguntar a sua opinião acerca da homossexualidade: “Quero mandar um abraço a todos eles. Dizer que nós amávamos a vida deles. Não concordamos. A Palavra de Deus nos ensina isso. Existem algumas atitudes que nós aprendemos que não vão trazer frutos para nossa vida, não vão edificar, é errado. É pecado mesmo, e isso eles sabem, não precisa eu falar”, disse.

    Em seguida, afirmou as passagens bíblicas contra a homossexualidade não estão presentes somente no Velho Testamento. No entanto, não é a favor do pecado, mas ama o pecador: “Tá na Bíblia. É só você ler Romanos, capítulo 1. Mas nós amamos a vida deles. Eu oro. Muitos deles admiram meu trabalho, admiram a minha vida, aquilo que faço. Toda vez que posso, a gente fala, a gente prega, evangeliza, ministra sobre eles o amor de Jesus, que é a coisa mais preciosa desse mundo, gente. É um amor que abraça, que transforma, que com certeza faz a nossa vida mudar por completo”, continuou. Não adiantou: alguns internautas acharam seu discurso preconceituoso.

    https://www.youtube.com/watch?v=BZqUASbrxSI

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    Manda nudes

    Daniel e SamuelUm portal evangélico divulgou imagens pessoais da dupla Daniel e Samuel. O material supostamente vazado, foi enviados por uma mulher misteriosa através do aplicativo Whatsapp. Este não foi o único escândalo envolvendo os artistas. Ainda este ano, a dupla participou de um congresso no interior de Minas Gerais e não deixou uma boa impressão. Segundo os próprios membros da Assembléia de Deus em Teófilo Otoni, onde participaram de um congresso, os sertanejos davam cantadas nas irmãs de maneira desavergonhada. Segundo o mesmo portal, houve um abarcamento com uma jovem de olhos verdes.

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    Jotta umbandista

    Jotta AFigura polêmica, Jotta A é conhecido não somente por seu grande sucesso no passado, particularmente quando participou do quadro Jovens Talentos Kids no programa Raul Gil, como também pelas confusões em que seu nome já se envolveu. No entanto, depois de encerrar o contrato com a gravadora Central Gospel, responsável pela distribuição de Geração de Jesus, o cantor não anunciou novidades. Desta vez, vazaram imagens, em que o jovem estaria sendo adepto de religiões africanas, em uma gruta no Rio de Janeiro. Jotta A disse que são montagens, em uma nota de esclarecimento.

    https://youtu.be/r7TQgvuogtg

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    “Sai das trevas, a gente é luz!”

    Mara MaravilhaA cantora Mara Maravilha foi uma das primeiras personalidades confirmadas na oitava edição de A Fazendo, causando a curiosidade de diversas pessoas, principalmente, por ser evangélica. Antes de entrar no reality show, Mara disse que já acompanhou o programa e tinha vontade de participar, além disso, falou que estava preparada para recontar a sua história.

    Sua participação foi uma das mais polêmicas de toda história do programa. A cantora participou de muitas brigas dentro do confinamento, alegando que era “crente, mas não demente”. Em uma das ocasiões, os participantes chegaram a se unir e pedir para a produção do programa e para o público a sua saída. Entretanto, Mara só foi eliminada do programa algumas semanas depois por Marcelo Bimbi.

    https://www.youtube.com/watch?v=F0Nbu11bW8E

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    Sem repertório

    Lenilton - Novo SomEm agosto, o ex-baixista, fundador e compositor da maioria das músicas do Novo Som publicou uma nota em tom de desabafo. No longo texto, o músico falou sobre sua carreira, o início da banda e os motivos pelos quais deixou-a. Entre várias afirmações, Lenilton disse que os músicos da banda queriam apenas usá-lo e não o queriam por perto. Por conta disso, o instrumentista proibiu que o trio tocasse suas músicas nos shows. Diante do texto, os fãs do grupo criticaram duramente Alex Gonzaga e Mito.  Lenilton  é o letrista majoritário da maioria das músicas e praticamente de todos os sucessos do Novo Som. Eles seguem cumprindo agenda, tocando, desta vez, músicas que não são dele.

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    Não há crise

    André ValadãoNo final do mês de setembro, André Valadão recebeu destaque dentre a imprensa evangélica após o Presidente da Câmara Municipal de Cabo do Santo Agostinho, em Pernambuco, divulgar que a prefeitura do município havia firmado um contrato de 200 mil reais com o cantor, que gravaria seu novo álbum, Crer para Ver, na cidade. Após uma semana de muita especulação sobre o alto preço do suposto cachê e da polêmica ter eclodido, André afirmou que o valor era destinado à estrutura grandiosa do evento, que também traria divulgação do turismo da cidade, e que se tratava de uma parceria colaborativa, na qual ele também estava investindo financeiramente.

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    Princípio e fim

    Aliança Leonardo e DanielaEm meados do mês de agosto, o público foi pego de surpresa com a notícia da separação de um dos casais mais notáveis da música evangélica: Leonardo Gonçalves e Daniela Araujo. A informação se espalhou quando o processo se tornou visível no portal jurídico JusBrasil. O nome completo dos cantores apareceu em uma desistência de ação de processo de divórcio litigioso (não amigável) movido por Leonardo. Os artistas, que já não apareciam mais juntos há algum tempo, se calaram não confirmando se o processo continuaria ou se desistiriam do divórcio. Daniela Araújo retirou as fotos em que apareciam juntos de suas redes sociais. Os músicos passaram a serem vistos sem aliança, contribuindo para aumentar a inquietação dos fãs quanto ao destino do relacionamento.

    Em novembro, se manifestando sobre o tema pela primeira vez, Leonardo Gonçalves publicou um texto em sua página no Facebook. O cantor afirmou que só os dois sabiam o quanto haviam tentado e que o seu silêncio sobre o assunto era sua maneira de sofrer.

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    Acima da média

    thallesO primeiro lugar vai para Thalles que, desde 2012, provoca diversas polêmicas. No entanto, este ano, o cantor conseguiu deixar sua carreira musical em maus bocados. Na Conferência Global 2015, em Brasília, anunciou que seu próximo disco seria dedicado ao público “secular”. Por várias críticas ao meio musical evangélico, incluindo a afirmação de que o meio contém artistas fracos, Thalles conseguiu movimentar toda a classe artística cristã em repudio a suas palavras.

    O cantor que mais se destacou nestes manifestos foi Leonardo Gonçalves, que publicou um texto em suas redes sociais criticando a postura. Marcos Almeida, ex-vocalista do Palavrantiga, usou da polêmica para refletir acerca da dualidade entre o “gospel” e o “secular”. O jornalista e escritor Ricardo Alexandre, em um artigo publicado em seu blog no R7, expôs suas opiniões acerca da aparelhagem do mercado evangélico e a particularidade negativa existente no paradigma entre arte e expressão de fé.

    A agenda do cantor diminuiu bruscamente. Em contrapartida, Thalles tornou-se pastor da instituição neopentecostal Renascer em Cristo, recebendo um salário mensal de cem mil reais. Também gravou um disco com o Renascer Praise.

    https://www.youtube.com/watch?v=CHSQR-TmRJo

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  • Melhores discos de rock cristão nacionais: 2005 a 2009

    Continuando a nossa lista de melhores discos de rock cristão nacionais, apresentamos a nossa segunda votação de álbuns na década de 2000. Desta vez, tivemos vários artistas novos, mas alguns bandas já conhecidas também. Confira os dez colocados!

    Leia também as listas anteriores: Década de 70, década de 801990-19941995-1999 e 2000-2004

    [infobox title=’10º: A Tinta de Deus’]Artista: Katsbarnea
    Ano de lançamento: 2007
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Katsbarnea - A Tinta de Deus - 2007

    João: Finalmente o Paulinho acertou a mão no Kats (risos). Não é o disco mais brilhante da banda (tanto que está em 10º), mas foi o melhor da fase de Makuko como líder. Essa sonoridade à lá rock inglês foi muito positiva pra banda, seria bom que eles tivessem mantido nessa linha, com certeza teria sido fabuloso. Enfim, é uma alegria rever o Kats por aqui.

    Márllon: Nunca fui grande fã do Kats, aliás esse é um dos 2 únicos CDs que tenho da banda, mas esse trabalho atinge (na minha concepção) o objetivo da música: Entreter o ouvinte. Não há nada de fora de série aqui, mas são boas músicas e de fácil audição.

    Phil: CD legal, viu. Depois de mais de 10 anos sem lançar nada novo, A Tinta de Deus foi um bom álbum. Por mais que eu não curta demais Paulinho Makuko, não posso negar que é um trabalho muito bem feito e o baiano arregaçou no vocal e nas composições. Talvez não tenha tanto a “identidade Katsbarnea” porque as letras não são de Estevam Hernandes nem de Brother Simion, mas mesmo assim leva um pouco da loucura da banda… a boa loucura, fruto de uma mente da velha guarda do rock cristão brasileiro. Musicalmente, com Dudu Borges (mito) na produção e Déio Tambasco nas guitarras não tem erro! Só não ficou tão hard rock como outros trabalhos antigos (e tem faixas com bastante pegada), mas isso não tira nenhum mérito do álbum. Décimo lugar pra ele e talvez merecesse mais.

    Thiago: A Tinta de Deus é o primeiro disco inédito sem a presença de Brother Simion e solidifica a manutenção de Paulinho Makuko como vocalista (calma, apenas como vocal, sem aqueles irritantes sons de percussão). Começa com uma canção que esbanja nas guitarras, “Primavera”, e com riffs velozes de introdução. Dudu Borges e Déio Tambasco capricharam nos arranjos e na produção. O disco é bastante diferente do que o Katsbarnea já havia feito, todo pautado no rock alternativo, sem as influências tropicais, progressivas e exóticas de Brother. As canções foram escritas, na maior parte, por Makuko. Disco bom, posição justa.

    Tiago: Antes de tudo, acho que esta lista foi a mais difícil de todas. Pelo menos acho todos os álbuns entre os dez bons, sem exceção. E já começar vendo A Tinta de Deus em décimo é meio desanimador, porque eu queria que ele estivesse em uma posição melhor. O trabalho é simplesmente o melhor que Paulinho Makuko fez em sua carreira. Amadurecendo suas letras desde o solo 12 (Gospel Records, 2005), a grande vantagem do disco se deve a parceria com vários músicos, desde as guitarras de Déio Tambasco, a bateria de Marcelo Gasperini e os baixos de Rob Tavares e Villaça. Os versos são bem trabalhados. Até me assusto quando as comparo com o sucessor Eis que Estou à Porta e Bato… O que aconteceu com Makuko, afinal?

    [infobox title=’9º: Target: Human, Mission: Destroy’]Artista: Krig
    Ano de lançamento: 2009
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Target - Human Misson - Destroy - Krig - 2009

    João: Krig foi uma das melhores bandas de metal cristão do Brasil de todos os tempos. Pra mim esse é o melhor disco deles, sem sombra de dúvidas. Só pelas faixas de abertura “Mercenary Pastor” e “Fatality Brutality”, indispensáveis em quaisquer shows que a banda faria de 2009 em diante, já valeria estar entre os 10, mas eles ainda mandaram mais letras impressionantes, seja pela parte crítica da sociedade (“Fast Food”, “My Intestine is Displayed”, “Amazon Bleeds”, “Politicians in the Pigsty” e “Beautiful Mutilation” – essa última trazia uma temática melhor desenvolvida no seu sucessor “Narcissistic Mechanism”), como nas religiosas “Chaos in the Air”, “You Will Be Hated” e “My Abstract Side”. Um disco completo, provando que death metal e cristianismo podem dar muito certo sem serem letras “mata-capeta” o tempo todo. Merecia estar entre os 3 primeiros, desculpem-me.

    Márllon: De longe o melhor da discografia desses mineiros. Bruto, cru, carniceiro e instigante como todo bom trabalho de death metal precisa ser. O que me atrapalha em ouvir o Krig em alguns de seus álbuns é que muitas vezes a música é tão técnica que perde um cado daquele feeling, o que não ocorre neste álbum. Instrumental (muito) pesado com toques de Grind e Death Melódico e letras que saem do lugar comum do estilo, esse é Target: Human, Mission: Destroy.

    Phil: Quando ouvi a introdução da primeira faixa já saquei que ia tremer tudo. Quando o álbum acabou eu me espantei como minhas orelhas não caíram. Krig é death metal, brutal, podrão, denso, sem frescura e com todos os pig squeals que você quiser. Esse álbum em particular tem uma atmosfera grindcore (o que contribui pra podridão) e lirismo niilista/pessimista/destrutivo/DESTROYEVERYONEDESTROYEVERYTHING que me fez pensar como o álbum deve ser importante pra galera que curte o lado negro da força. Eu não sou tão fã de death (vou dar a cara a tapa: gosto de metalcore, desde que bem feito, o que é raro) mas Krig me surpreendeu. Aliás, o álbum foi bem produzido e mixado também. Ah véi, pare de ler e vai ouvir logo.

    Thiago: Com gritos guturais e pig scream, graves riffs de guitarra, bateria pulsante, com o peso do death metal, Krig produziu Target: Human, Mission: Destroy. Apesar de que eu não curto pig scream, o disco é bom para o estilo, tem peso, corre na contramão do tipo de música de mercado. Achei justo estar nessa lista.

    Tiago: Não é muito o tipo de metal que gosto de ouvir, mas é bom sim e merece estar entre os dez.

    [infobox title=’8º: Tudo que eu Queria’]Artista: Tanlan
    Ano de lançamento: 2008
    Número de faixas: 13[/infobox]

    Tanlan - Tudo que eu queria - 2008

    João: Nunca fui muito fã da Tanlan, mas após começar a me aprofundar no novo movimento, percebi o como os caras são geniais. As letras de todos os discos da banda são fora dos padrões do gospel, e sempre trazem reflexões, letras introspectivas, aqueles desejos perdidos que vivem nos arredores de nós e em nossa religiosidade farisaica e hipócrita negamos sentir. Outro disco que está muito abaixo de onde deveria. O primeiro lugar seria perfeito para ele.

    Márllon: Nos vemos na resenha do sexto disco 🙂

    Phil: Textos e reviews costumam empurrar Tanlan pra definição do “novo movimento” e até faz sentido, mas prefiro dizer que Tanlan é uma banda brasileira de rock. Em muitos momentos me lembra Jota Quest (que a turma adora malhar, mas quando toca um clássico ninguém fica parado). Dito isso, não curto tanto esse álbum. Não sei o que falta… Talvez um pouco mais de pegada? Talvez letras mais incisivas? Ou uma produção menos clean e radiofônica? Não sei. Mas essas minhas soluções acabariam com a identidade da banda, e tá bom do jeito que dá, porque é o jeito deles de ser.

    Thiago: Rock alternativo e post-grunge, letras diferentes e reflexivas, músicas fora do padrão gospel são encontrados nesse disco. É um clássico disco do novo movimento, sem as rimas e frases repetitivas evangeliquês. Para um disco de estreia é um bom lançamento. “Tudo que eu Queria”, “Bem Vindo”, “Quando eu Vejo”, “Eu Sei”, “Marionetes”, “Aprender” são algumas das boas obras encontrados nesse CD. “Bem Vindo” tem uma letra com uma influência, ou melhor, a mesma ideia da letra de “Dare You to Move”, a semelhança delas é enorme. Aliás, o disco tem uma influência musical pequena do Switchfoot, uma das bandas que mais influenciaram os músicos que seguiram a ideia do novo movimento ou mesmo do crossover.

    Tiago: O primeiro disco da Tanlan merecia estar lá em cima, sem dúvida. E, depois do disco de estreia da Aeroilis, talvez este seja o mais importante lançamento do novo movimento até hoje. Diferentemente de bandas como a própria Aeroilis e o Palavrantiga, a Tanlan de fato fez um disco com pouquíssimas referências religiosas, fazendo com que conseguissem tocar, por muito tempo, em eventos de fora do nicho evangélico. Os elementos eletrônicos, com as letras existenciais, foram talvez o melhor lançamento dos gaúchos até o momento em que escrevo este texto.

    [infobox title=’7º: Consciência Limpa’]Artista: Complexo J
    Ano de lançamento: 2008
    Número de faixas: 13[/infobox]

    Complexo J - Consciência Limpa - 2008

    João: Não ouvi esse. Sendo do Complexo J deve ser muito bom, mas não ouvi, também irei opinar muito.

    Márllon: Nos vemos na resenha do sexto disco 🙂

    Phil: Meu irmão, que álbum arretado. Parece que Complexo J é das bandas que tudo o que toca é sucesso. E é mais outro feito por cabeças da velha guarda, o que reforça o ditado “panela velha é que faz comida boa”. Err, wait… enfim, é o tipo de CD que eu botaria no carro pra fazer uma viagem bem boa, porque é muito gostoso de ouvir, e as letras são igualmente boas (again, velha guarda). Se minha internet não tivesse falhado tanto durante a época de audições e votações pra essa lista eu teria colocado esse álbum em alguma posição mais pra cima (risos). Rock de primeira nas primeiras faixas, o final mais acústico e tranquilo, transição legal no álbum. Vá embora ouvir também!

    Thiago: Tive a coragem de colocar esse disco em uma posição bastante alta. O que me motivou é a banda ser um dos clássicos do rock cristão nacional, ter inovado o seu som, pautado no hard rock nesse CD, e apresentar uma musicalidade diferenciada do que eu já estou acostumado a ouvir. “O Dia do Senhor” abre com um hard muito bom, “Marcas no Coração” continua nesses mesmos passos, persistindo até a sétima faixa. A partir da oitava faixa, o forrock “Sua Cabeça”, o estrutura musical das canções muda bastante. Complexo J apresenta blues, baladas com saxofone e folk rock com violões. Aliás, saxofone foi usado no disco inteiro. Consciência Limpa é o resultado de inovação de uma banda que ajudou a estruturar o BRock cristão.

    Tiago: O Complexo J ficou sem nos presentear um disco de inéditas por mais de uma década. Tempo suficiente para uma geração inteira esquecê-los. E, mesmo desfalcados, se sobressaem com Consciência Limpa. Marco Salomão canta sozinho todas as músicas (e neste aspecto, Liza faz muita falta), mas temos todos os demais elementos que caracterizam as músicas da banda nos anos 90: crítica, versatilidade, humor e progressivismo musical.

    [infobox title=’6º: Até eu Envelhecer’]Artista: Resgate
    Ano de lançamento: 2006
    Número de faixas: 11[/infobox]

    Resgate - Até eu Envelhecer - 2006Jhonata: Resgate é uma banda que sempre conquistou seu público pelas letras e instrumental. Neste disco, é perceptível um amadurecimento. Questiono muito a base teológica da banda, mas eles conseguem fazer rock cristão de qualidade. As músicas são boas, mas poucas. Sabe quando você ouve um disco e quando ele acaba você pergunta: “Só? Cadê o resto?”. Até eu Envelhecer acaba soando morno demais.

    João: Começa minha jornada de perguntas “o que esse disco faz aqui?”. Sou fã inconteste de Resgate, e na próxima lista já adianto que votarei na banda sem dúvidas, mas esse disco nem na lista dos dez mais deveria entrar. O 666 Corporation do Trino merecia mais, muito mais.

    Márllon: Até 2010 eu até ouvia o Resgate mas não nutria grandes amores por eles ou o seu repertório prévio, mas com o lançamento de Ainda não É o Último passei a ouvir com maior atenção os trabalhos anteriores e foi assim que “descobri” essa pérola em questão. A sonoridade mais vintage (assim como alguns arranjos) é o ponto alto do disco. Sim, existe o ranço da Renascer em algumas letras, mas que não desmerece musicas como “A Gente” (uma das minhas favoritas deles) e “Meus Pés”.

    Phil: Curto esse álbum! Primeira vez que o ouvi na verdade foi através do DVD Até Eu Envelhecer ao Vivo, porque sou fã de coisas ao vivo. 🙂 Mas é fato que eu curti pra caramba quando vim ouvir a versão de estúdio. OK, concordo quando dizem que certas canções são “desnecessárias” ou “demais” (pejorativamente), tal como Fruto Sagrado costumava fazer. Por favor, gente… risos. Mas aí sim, fomos surpreendidos novamente: Como Resgate leva muito do trabalho deles num viés humorístico, eles fazem do desnecessário um “engraçado” e do demais um “interessante”. É, mais uma vez, a tradição do Resgate contorna as próprias limitações.

    Thiago: Eu gosto dos arranjos desse disco. É aberto por uma canção bem seca, “Meus Pés”, com gritaria de Zé Bruno nos microfones. Até eu Envelhecer marca a entrada de Dudu Borges, uma parceria que daria muito, mas muito certo. As camadas de guitarra de Zé e Hamilton Gomes, combinadas ao piano e órgão hammond do novo integrante caíram perfeitamente no som da banda, identificando-a. A viajada “Astronauta”, o punk country “A Gente”, “O Médico e o Monstro” (inspirada no filme de mesmo nome, por Victor Fleming), o folk/country/blues “O Perdido e o Sentido” são as melhores. “Eu Vou Chegar Lá” achei entediante. O que estraga o disco é a influência da Renascer  e do neopentecostalismo na construção lírica de algumas canções. “Meus Pés” tem uma sonoridade destruidora, mas peca nos versos. A palavra do Estevam Hernandes avacalhou no final.

    Tiago: Engraçado que os integrantes do Resgate soavam elegantes mesmo atolados na lama podre do neopentecostalismo. Mas claro, não é porque temos “Meus Pés” e “A Gente” no repertório que o bebê deve ser jogado fora junto com a banheira. Até eu Envelhecer é, musicalmente falando, um dos discos mais consistentes do Resgate. E isso é, principalmente, mérito de Dudu Borges. Recém-integrado, o músico deu uma cara diferente para a banda. Os arranjos soaram melhores, mais ricos e menos previsíveis. Até as duas músicas anteriormente citadas, sonoramente, são muito boas de ouvir. Mas as melhores são “Passo a Passo”, “Astronauta” e “Te Encontrar”. Estão, de longe, entre as melhores músicas que já produziram. Nota-se como amadureceram neste projeto. E, espiritualmente, amadureceriam mais em Ainda não É o Último, o sucessor.

    [infobox title=’5º: A Vida Como Ela Era’]Artista: Hibernia
    Ano de lançamento: 2009
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Hibernia - A Vida Como Ela EraJhonata: Ah, banda Hibernia! Gravaram este disco super demais em 2009 e sumiram: nunca mais gravaram nada (não que eu saiba). A faixa-título é uma introspectiva reflexão sobre a inocência dos dias passados, a mesma narrativa que o restante do álbum segue.

    João: Conheci Hibernia num post daqui do site, e eu me apaixonei à primeira ouvida. Essa banda me fez querer ouvir mais bandas do novo movimento, confesso. Uma lástima que a maioria segue uma receita de bolo chata pra caramba de indie cosplay mal-feito de O Teatro Mágico (que eu amo), ou pior, um Mombojó ou Los Hermanos falsiê (como se Los Hermanos já não fosse algo chato o suficiente…). Mas Hibernia conseguiu ser muito original, e esse disco… cara, eu preciso ouvir mais, pra inspirar meus poemas e arrancar tantas das decepções do meu dia-a-dia e quem sabe acalmar mais minha alma conturbada por vezes.

    Márllon: Pulo.

    Phil: Hibernia? Quem? Não sei, mas achei o álbum muito massinha. Quero dizer, não é o tipo de rock que eu escuto com frequência, mas musicalmente é muito bom. Gostei. Dito isso, eu quase dormi ouvindo o álbum. Acho que umas posições abaixo não seria ruim. E só.

    Thiago: A Vida Como Ela Era é muito intimista. Outro disco do novo movimento, o som é estruturado por bastantes teclados, misturado ao brit rock, resultando em um bom rock alternativo. A concepção do disco se resume ao retorno da vida como ela era, simples, inocente e dependente, com letras poéticas e introspectivas. Não gostei tanto da voz do Renato Santana, porém isso não diminui a qualidade do disco. Ulster ficou deslocada no disco (ela me lembrou “Hosanna”, do Hillsong United). Gostei da capa. Em resumo, um bom CD.

    Tiago: Disco fantástico. Hibernia é uma das melhores bandas do novo movimento. A Vida Como Ela Era é, sobretudo, nostálgico. Toda a sonoridade e versos remetem a uma saudade da infância, dos tempos de inocência. Introspectivo, profundo e triste, sem dúvida foi um dos melhores lançamentos de 2009.

    [infobox title=’4º: Satanichaos’]Artista: Antidemon
    Ano de lançamento: 2009
    Número de faixas: 19[/infobox]

    Antidemon - Satanichaos - 2009

    João: “O que esse disco faz aqui?”² – É um disco legal pra bater cabeça e só, sorry.

    Márllon: Com todo o respeito aos membros da banda, mas esse álbum não merecia estar nem entre os 50 primeiros da lista. De longe o mais fraco da banda, produção limpa demais para uma banda do estilo, composições que no geral não empolgam. Com esforço consigo salvar 3 faixas dentre as 19. Não é um lixo total, mas tá muitíssimo aquém do que a banda poderia oferecer.

    PhilVéi… eu gosto de Antidemon, mas esse álbum não merecia 4º lugar. Sem querer ser chato, mas ficou meio farofa pro potencial da banda. Não é um álbum ruim, mas acho que forçamos a posição. Mas não posso reclamar, eu não votei nessa lista mesmo ¯\_(ツ)_/¯

    Thiago: Eu acho esse disco do Antidemon muito grindcore, músicas muito rápidas, sem criatividade, apenas peso e riffs velozes, mas vale por ser uma música pouco comercial, e fazer algo assim é difícil nos nossos tempos.

    Tiago: Ouvi e já não me lembro das músicas. Maior vacilo da lista. Ninguém votou conscientemente nisso. Podem bater na gente, eu deixo.

    [infobox title=’3º: Depois da Guerra’]Artista: Oficina G3
    Ano de lançamento: 2008
    Número de faixas: 15[/infobox]

    Oficina G3 - Depois da Guerra - 2008

    João: “O que esse disco faz aqui?”³ – Gozado, tenho originais os três discos que fiz isso, mas… esse em especial é o mais superestimado exagerada e erradamente do Oficina G3. A produção é fantástica e panz, mas é um disco desnecessário, igual quando o Petra tentou nos EUA lançar Jekyll and Hyde tentando passar-se por banda pesada – um disco bom, bem produzido, mas que não tem nada demais.

    Márllon: Se for analisar o mainstream cristão, foi um álbum de grande impacto, pois apresentou uma sonoridade mais pesada para uma galerinha marota. O problema foi que essa turma deu origem a uma das pragas mais chatas , os imprestáveis dos oficináticos. Gosto da faixa título, uma das minhas favoritas da banda, mas analisando a fundo, não tem nada de novo nesse trampo. Qualquer um com um pouco mais de vivência de som sabe que o Oficina G3 adora chupinhar o que está na crista da onda, e naquela época não foi diferente.

    Phil: Esse CD tem uns aspectos interessantes. Muitas histórias por trás dele. O Alexandre Aposan (ainda não efetivado na banda) que era um batera de pagode(!) e mesmo não tendo participado do processo criativo aprendeu tudo na boa, arregaçou na batera e ficou em bastante evidência durante a turnê, surpreendendo todo mundo. Ele calou os pseudocríticos da internet que desciam o sarrafo xingando-o de pagodeiro na comunidade do Oficina no Orkut (sim, meus amigos!). Celso Machado gravou algumas (poucas) guitarras e violões. Mauro Henrique que ia estudar algo de música (não lembro exatamente o quê) na Irlanda, mas com o chamado do Oficina ficou por aqui e o resultado tá lá no álbum: O vocal poderoso do recém-chegado. A própria banda trouxe outros produtores (os caras da Korzus) para esquematizar o álbum. Inclusive porque tiveram que mudar o tom de algumas músicas, que estavam na voz de Juninho Afram e depois tiveram que encaixar pra Mauro. E, claro, outros compositores. A soma dos fatores criou o álbum que foi o mais barulhento de 2008 a 2010 no mainstream cristão brasileiro. Não digo isso só pelo som: Por todos os lados eu via e ouvia gente falando do Oficina G3, Depois da Guerra isso, que o DVD DDG Experience aquilo, tinham ganho um Grammy Latino, que “Meus Próprios Meios”, o clipe de “Incondicional”, etc e tal. Então, por mais que o álbum não tenha sido muito “Oficina” foi importantíssimo, e, ei, ficou um trabalho do caramba, vá. Metalcore, progressivo, hard rock, pra tremer tudo, meu amigo.

    Thiago: Depois da Guerra é o disco mais pesado do G3, mas não o mais criativo. Eu gosto bastante dele, a banda mantém sua regularidade nessa obra misturando metal progressivo com metalcore. Inova com os guturais de Jean Carlos (nem  foram tantos, se resumem a trechos de “Meus Próprios Meios”, “Meus Passos”, “Muros”, “Obediência” e de “Better”). A capa desse disco foi bem produzida, é uma das melhores do rock cristão brasileiro. A quebradeira de “Meus Próprios Meios” e “Meus Passos” (as duas parecem uma continuidade uma da outra, com a mesma ideia a La Romanos 7 e com a mesma musicalidade), a ponte e o refrão grudante de “Eu Sou”, a velocidade de “Depois da Guerra” (bem power metal) e o seu solo celestial, “A Ele” (outro solo celestial) e a faixa mais distinta do álbum, o cover “People Get Ready” do The Impressions, a melhor balada do disco, com sua letra exibindo de forma poética a graça de Deus e as camadas delirantes de guitarra. Juninho Afram, Jean Carlos, Duca Tambasco e Alexandre Aposan mantém um ótimo desempenho no disco. Mauro Henrique, com sua voz potente, também, porém, ao vivo, é em parte broxante.

    Tiago: Se não me engano, eu lembro que ouvi “Incondicional” em uma rádio pela primeira vez no final de 2008, quando o disco foi lançado. Foi engraçado, porque até o locutor dizer que se tratava da banda, não me passava pela cabeça que era eles. E era. A sensação que DDG me deixou, por tempos, foi essa: um disco bem produzido, projeto gráfico impecável, algumas músicas de fato excelentes, mas nunca reconheci a Oficina G3 nisso. Outro defeito do álbum é o excesso de compositores externos. Oficina nunca foi uma banda dependente de compositores de fora (embora, sempre em um disco tivesse uma música de outro letrista). “Meus Próprios Meios”, a grande música das pesadas, é escrita por Déio Tambasco. A balada veio da FullRange. As vezes pensava que eu gostaria mais do disco se Juninho tivesse gravado os vocais, mas quando o bom Histórias e Bicicletas foi lançado, vi que o problema não era exatamente as vozes do Mauro. Hoje não sei dizer se Depois da Guerra é um bom disco. Acho-o um mix de exageros.

    [infobox title=’2º: Cadeira de Rodas’]Artista: Desertor
    Ano de lançamento: 2006
    Número de faixas: 20[/infobox]

    Desertor - Cadeira de Rodas - 2006

    João: SURPRESA! Não merecia estar no segundo lugar, mas nos dez mais com certeza! Um disco fantástico de um ritmo tão pouco explorado no cenário cristão em geral e principalmente no Brasil, a fusão perfeita de metal e punk/HC: Crossover (não, metalcore não é a melhor e nunca será, não tem o peso necessário pra isso, chorem moderninhos!). Esse disco eles conseguiram a combinação perfeita que o anterior Aborto não! não tinha conseguido, virando um disco claramente inspirado em Ratos de Porão (só que bem melhor, digo mesmo). Se você gosta de peso pesado de verdade, esse é o disco. Agora se você não é adepto, passe longe (eu mesmo na primeira vez que ouvi me assustei, confesso, mas depois gamei muito nesse disco). Como faz falta bandas desse gênero no Brasil, além deles só vi a desaparecida Theosophy dos anos 90 e a recente e caruaruense Proffetos HC.

    Márllon: Muito me surpreendi com esse trabalho nessa lista, ainda mais em uma posição tão alta. Cadeira de Rodas é um divisor de águas no cenário nacional. Apesar de termos tido trabalhos fabulosos no underground BR, nenhum (a meu ver) atingiu um nível de excelência quanto esse álbum. Produção meticulosa, arte gráfica decente, letras fortes e de impacto e com apoio de um selo de verdade, que manjava dos paranauês. Indispensável na coleção de quem curte som porrada.

    Phil: Punk hardcore! Meus olhos brilharam quando descobri isso aqui! Cara, que incrível. Na verdade tem uma influência bem Ratos de Porão, e bem, eu gosto muito de RdP, mas Desertor é mais rápido e mais pesado, até com uma cara thrash. Lógico, Cadeira de Rodas é um daqueles álbuns cheio de faixas de um minuto (ou menos), algo que muita banda loucona hardcore costuma fazer isso. Normal, e legal na verdade. Mas o que me impressiona é a produção e a arte gráfica. O CD é muito bem feito. OK, é hardcore e por isso não tem a intenção de soar podrão. Mas assim como o Krig fez um death intencionalmente podre, porém bem produzido. Desertor conseguiu mandar pra galera um álbum pesado mas não descontrolado, dentro da proposta que eles queriam mandar. E a capa foi bem feita pacas. Imagino que isso foi bem importante já que esse era o primeiro álbum completo deles. E as letras? Como todo punk, falam de tudo. Drogas, guerras, injustiça social, política, alienação, e etc. Mas com um enfoque cristão, bem realista. Como eu disse anteriormente, não votei pra essa lista… mas fico feliz que meus companheiros botaram Desertor no pódio!

    Thiago: Cadeira de Rodas tem um estilo que ouço muito pouco, crossover thrash. Misturando hardcore e thrash metal, riffs velozes e pesados, bateria pulsantes e vocais rosnados, fazem um tipo de música muito pouco comum dentro do rock cristão tupiniquim. Não tenho tanta propriedade para falar da banda, mas a sua música valeu a entrada.

    Tiago: Cadeira de Rodas é fantástico. Um disco de uma banda independente que longe está das bandas mais conhecidas do rock cristão nacional em segundo lugar nesta lista mostra o quanto este trabalho se sobressai. A Desertor produz um som crossover, com elementos de thrash e hardcore, mas com a agressividade punk.

    [infobox title=’1º: Além do que os Olhos Podem Ver’]Artista: Oficina G3
    Ano de lançamento: 2005
    Número de faixas: 14[/infobox]

    Oficina G3 - Além do que os Olhos Podem VerJhonata: Talvez esse seja o único disco dessa lista que eu discordo severamente de estar nessa posição. Para ser mais claro, considero Além do que os Olhos Podem Ver um bom álbum, mas muito inferior a, por exemplo, Casa dos Espelhos do Rosa de Saron. Eu também não entendo o louvor que as pessoas colocam em cima desse trabalho pois, para mim, continua sendo um Oficina G3 forçado tentando fazer rock pesado além do que consegue (o nome desse álbum poderia ser perfeitamente Além do que o Oficina Consegue Ser). Mas, nem tudo são pedras: o disco realmente é bom ao nível da banda e a situação em que os integrantes estavam. É um rock pra curtir, refletir e acreditem, dançar.

    João: Ahhh só estamos falando do segundo melhor disco da carreira do Oficina G3! O Indiferença sem dúvidas é o melhor, mas esse disco é fantástico. Engraçado é notar que numa mesma época dois discos foram feitos por bandas que passaram praticamente pelo mesmo problema com integrantes: O G3 e o Fruto Sagrado, ambas lançaram discos com músicas que num nível ou outro falavam dessa situação (esse disco e o Distorção do FS), e chega a ser bizarro pensar que o grupo conseguiu acertar em cheio (e não, não tem nada a ver com o fato de terem mais fama) e o Fruto falhou miseravelmente. Além é muito bem produzido, a voz de Juninho é linda demais, os arranjos baseados no rock/metal progressivo estão entre os melhores da história do rock cristão mainstream e as letras estão fantásticas, como a faixa título, “Réu ou Juiz”, “Mais Alto”, “Amanhã”, “Sem Trégua”, “Lugar Melhor” e a “Numb”, digo, “A Lição” (é, porque os arranjos dessas duas são tão parecidos em alguns pontos que eu e um amigo meu costumávamos brincar com isso [risos]). Ele e o da Tanlan mereciam muito estar em primeiro, já que foi o G3, coroado está com honras.

    Márllon: Depois de uma sequencia de álbuns puramente comerciais, o Oficina G3 fez uma mudança radical neste primeiro álbum sem o seu antigo vocalista. Após álbuns mais simples foi bom ver e ouvir a banda se arriscando em campos mais ‘intricados’ instrumentalmente falando. A voz de Juninho casou perfeitamente bem nas musicas mais lentas mas não fez feio nas mais agressivas. E tirando a música em parceria com Marcão do FS, não há música ruim nesse CD.

    Phil: Após um período tenso entre a mudança de hard rock pra pop rock com o CD O Tempo (que teve lá sua importância) e depois pra uma coisa híbrida e mal feita (Humanos), PG saiu da banda e não vou falar sobre isso; a internet tem links explicando ambos lados dessa separação. O fato é que agora o Oficina, seguindo oficialmente como trio, parecia ter retomado o caminho do Oficina. Entendam: Além do que os Olhos Podem Ver seguiu um caminho que muitos fãs de O Tempo acharam bem ruim. É lógico, a maioria da galera que se aproximou nessa época curtiu o pop, o rock tranquilo; esse álbum retornou às raízes pesadas, mas agora com ideias de metalcore, contratempos, mais distorção, e virtuosidade, então é natural que torçam o nariz. Mas, na boa? Esse era o caminho natural que o Oficina seguiria! Basta analisar o caminho feito antes da era PG. O Oficina iria ficar mais e mais pesado, cedo ou tarde. Era inevitável. Só que, acontecidos os fatos, me soou como uma redenção e o retorno da fênix (que nunca tinha morrido, só foi passear no bosque). Pra mim, é o melhor álbum de inéditas do Oficina até hoje, e é o meu preferido. As letras, por sinal, mudaram pra muito melhor, em minha opinião. Juninho Afram arregaçou nos vocais, cara! Eu prefiro ele a qualquer outro vocal que tenha passado pelo Oficina (mas compreendo que ter que cantar e ainda tocar tudo o que ele toca é difícil; que venha Mauro em 2008). E acho que falar melhor desse álbum do que desse jeito só se eu analisar faixa a faixa, e não cabe aqui. Por hora, esse é o campeão, merecidíssimo!

    Thiago: Além do que os Olhos Podem Ver marca a saída de PG e a consolidação de Juninho Afram como vocalista principal. É prog metal puro, com peso, músicas com mudanças tonais, quebras de ritmos, tudo que é característico desse estilo. Tem uma das canções preferidas minha do Oficina G3, “A Lição”, música de muito feeling e com uma letra espetacular. O desempenho dos músicos se manteve num nível alto desde a primeira faixa até a última, sem perder o embalo. Não há faixa mediana no CD. “Mais Alto”, uma das melhores do disco, é bem estruturada, pesada e tem um solo numa velocidade complexa. “Réu ou Juiz” manteve o embalo, “Meu Legado”, também uma das melhores, persistiu nos passos da energia transmitida nas primeiras canções. “Através da Porta” (introdução clássica), mantendo a qualidade de “Meu Legado”, foi inspiradora com seus bends delirantes. “Além do que os Olhos Podem Ver” (introdução clássica também), uma semibalada e uma das melhores do disco, é reflexiva com sua letra sobre saudades da eternidade. “A Lição” une feeling, reflexão e peso, “O Fim É Só o Começo”, também uma das melhores do disco, teve a participação de Déio Tambasco (perfeita, pra constar) com riffs delirantes de blues (blues é a coisa mais sentimental do mundo), é celestial. “Lugar Melhor”, uma balada intimista, é ótima, “Amanhã”, (introdução no estilo “Através da Porta” e “Além do que os Olhos Podem Ver”) une peso e guitarras harmônicas de forma muito boa. “Sem Trégua” conta com uma ótima participação do polêmico Marcão, é poderosa, “De Olhos Fechados”, com riffs harmônicos e slides na guitarra eletrizantes, “Ver Acontecer” tem uma ótima letra, e, terminando,“Queria te Dizer”, uma balada, é a canção menos boa do disco. O notável é Juninho ter mantido o ótimo desempenho nas execuções complexas nas seis cordas, nos solos regados a sentimento, bends, velocidade e técnica, e também, um ótimo papel no vocal. Duca Tambasco mostra todo o seu potencial no baixo, e Jean Carlos faz sua parte. Ótimo disco.

    Tiago: Não tem jeito, tem coisas que beiram o gosto pessoal. E para uma banda que já mudou tanto, como a Oficina G3, a missão de escolher o melhor álbum sempre será difícil. Considero Além do que os Olhos Podem Ver um dos melhores. Após um bom tempo em letargia e colhendo os frutos de seu sucesso, o trio Juninho, Duca e Jean precisou mudar a direção, rever conceitos e entregar algo bom para o público. Crise, para muitos, é terreno de boas criações, e no caso do G3 foi inspirador. Como um grupo de três de fato, os músicos assinaram quase todas as músicas, mas apoiados por Déio Tambasco e Lufe. O resultado foi extremamente positivo. Um disco em que as reflexões são bem mais articuladas, menos piegas/religiosas, além da sonoridade. Além do que os Olhos Podem Ver lhe dá a sensação de que a banda conseguiu desbravar novos sons a partir da estrutura que já tinham. Juninho se encaixou bem nos vocais.


    A lista foi compilada através de votos dos participantes. Confira, nesta página, a quantidade de votos e os discos que ficaram de fora. Desta vez, Jhonata não pôde comentar todos os álbuns.

  • Carlinhos Felix – discografia e obra

    Conhecido também por ser vocalista e guitarrista da banda de rock Rebanhão, Carlinhos Felix mantém carreira solo desde o início dos anos 90 e é um dos intérpretes mais conceituados da música cristã.


    Guia discográfico

    Coisas da Vida (Warner/1991): A essência musical de Carlinhos nunca soou tão completa quanto em seu trabalho de estreia. Este registro contém suas peculiares formas de produzir música pop, com a colaboração de guitarras por Paulinho Guitarra, mestre do blues no Brasil, e teclados de Pedro Braconnot.. (Nota: [usr 4.5])

    Carlinhos Felix (BMG Ariola/1992): Seguindo a parceria com Paulinho Guitarra e fazendo muitas críticas ao desmatamento e destruição do meio ambiente, o disco conta com bons arranjos, com um repertório de não tanto destaque. (Nota: [usr 3.5])

    Basta Querer (MK Music/1993): Um de seus discos mais conhecidos, Basta Querer consegue ser mais eclético e alegre que o disco anterior, mas peca pela pouca coesão entre as faixas. (Nota: [usr 3])

    Nada a Perder (MK Music/1995): Seguindo a tendência dos anteriores, Carlinhos seguiu em sua pretensão em ser um multifacetado artista pop. Destaque para a regravação “Muro de Pedra”, com os vocais de Paulo Marotta  (Nota: [usr 3])

    Ao Vivo (MK Music/1996): O disco ao vivo que o Rebanhão poderia ter gravado, Carlinhos revisitou as melhores músicas de sua breve carreira solo e ainda agregou clássicos, como “Autor da Minha Fé”, do Grupo Elo. (Nota: [usr 4])

    Toda Reverência (Honor Music/1997): Mais suave, mais introspectivo e mais cansativo, Toda Reverência não se diferencia, musicalmente falando, dos projetos anteriores. (Nota: [usr 2.5])

    Não Desista (AB Records/1999): Menos confortável que o anterior, e com composições mais bem desenvolvidas, e com outros clássicos: “Olhos no Espelho” (Milad) e “Teus Altares” (Jorge Camargo). (Nota: [usr 3])

    Ao Vivo na Flórida (Honor Music/2001): Espontâneo e bem produzido, Ao Vivo na Flórida é o melhor trabalho ao vivo de Carlinhos.  (Nota: [usr 4.5])

    Pensando em Você (Honor Music/2003): Voltando-se ao seu som mais tradicional, este disco de Carlinhos é pouco brilhante, além de conter regravações desnecessárias.  (Nota: [usr 2])

    Na Tua Sombra (Graça Music/2004): Revistando sua sonoridade para algo mais fiel ao pop rock, Na Tua Sombra é o melhor registro de Carlinhos Felix na primeira década do século XXI. Destaque para a canção “Santo Nome” e sua influência de country. (Nota: [usr 4])

    Obediência (Boas Novas/2008): Seguindo as tendências do último disco, o cantor novamente trouxe temáticas congregacionais a um som pop rock. (Nota: [usr 3])

    Primeiro Amor – O Melhor de Carlinhos Felix (Som Livre/2011): Gravado totalmente em estúdio, o disco contém algumas versões a destacar, como a performance, totalmente guiada pelo piano e sintetizadores de “Primeiro Amor”, mas, no geral, muitas das roupagens não se justificam. (Nota: [usr 2.5])

    Lindo Senhor (Sony Music Brasil/2012): Divido em duas partes (uma inédita, outra de regravações), o disco coloca Carlinhos diante das tendências musicais de seu tempo, mas também olhando para trás. (Nota: [usr 3.5])


    Notícias e matérias sobre o Carlinhos Felix

    Para ver todo o conteúdo sobre ou relacionado ao Carlinhos Felix no O Propagador, clique aqui.

  • Aeroilis – discografia e obra

    Fundada em terras catarinenses, a Aeroilis foi a primeira banda do chamado novo movimento, ocorrido no início dos anos 2000.


    Guia discográfico

    Aeroilis (Bompastor/2004): Antes do rock alternativo e do novo movimento – o tal crossover – estar em alta, a banda já chegava com um disco, com guitarras limpas, bateria com chimbau aberto e composições introspectivas, guiadas pela voz e timbre singular de Raphael Campos. (Nota: [usr 4])

    Nada Mais Além (Independente/2010): Numa sonoridade mais experimental, com teclados, sintetizadores, guiando a ambientação lírica da Aeroilis, o álbum fecha bem sua curta discografia. (Nota: [usr 4])


    Melhores músicas

    Cega Inocência, Coragem, Não Importa Mais, O Tempo, Passos Lentos e Silêncio.


    Notícias e matérias sobre a Aeroilis

    Para ver todo o conteúdo sobre ou relacionado a Aeroilis no O Propagador, clique aqui.

  • Entrevista: Priscilla Alcântara

    Cantora, compositora e apresentadora de TV, Priscilla Alcântara é uma artista multitarefa e chega, em 2015, com um novo lançamento no mercado musical cristão, chamado Até Sermos Um. Ainda jovem, a intérprete assinou com o selo gospel da divisão brasileira da Sony Music, e em entrevista ao O Propagador fala um pouco da sua carreira musical.


    O PROPAGADOR – Como é a sua relação com a emissora SBT nos dias de hoje?

    Não tenho muito contato, a não ser quando participo de alguns programas de lá. Mas lá existem muitas pessoas que amo, saí “de bem” com aquela casa, que sempre me recebe muito bem.


    O PROPAGADOR – Você está no meio ‘gospel’ há certo tempo, mas a história da música cristã é muito mais longeva. Quais foram os músicos, no cenário nacional, que mais fizeram parte das suas audições? E no cenário não-religioso? Há algum(a) intérprete ou banda que tenha mais admiração?

    Sempre ouvi mais a música americana porque amava a black music, os grandes corais americanos, etc. Claro que tive as referências daqui também, amava ouvir Raiz Coral.


    O PROPAGADOR – Fale-nos um pouco da sua última gravação ao vivo acústica.

    Foi a gravação de um DVD acústico especial, dos meus 10 anos de carreira. Foi uma setlist cronológica de todos os trabalhos musicais que lancei nesses 10 anos. Foi muito especial, a casa estava lotada de pessoas que não considero fãs, mas amigos que foram comemorar aquele momento comigo.


    O PROPAGADOR – Você é responsável pelo Vlog de Tudo no YouTube, que tem feito sucesso, somando mais de 7,5 milhões de visualizações em apenas 4 meses. Como surgiu a ideia? Tens plano de expandir o conteúdo de vídeo?

    A ideia surgiu por eu sempre gostar de assistir vlogs e porque notei o quanto meu público se interessava no meu lado descontraído. Decidi fazer o vlog para fazer as pessoas darem risadas, e tem sido muito bom para mim e para eles! Quero expandir, sou apaixonada por produzir conteúdo de vídeos, amo criar!


    O PROPAGADOR – Você tem sido uma das jovens cantoras evangélicas que mais possui influência nas redes sociais, inclusive, em quatro meses você conquistou 400 mil inscritos em seu vlog. Como você usa essa influência no seu ministério e no que ela contribui para a divulgação desse novo trabalho?

    Em tudo o que faço coloco Jesus no meio. Muitas vezes sem usar palavras, mas com atitudes que refletem muito mais. Mas tenho sim um grande retorno nas redes sociais e sem medo de “perder likes” as uso para falar da verdade. Através das minhas postagens nas redes recebo inúmeros testemunhos, esse é meu objetivo. E claro, esses números colaboram muito para a divulgação do meu trabalho. O mais legal são as interações que posso fazer com meus seguidores, fazendo eles se sentirem por dentro de tudo. Aliás, são essenciais.


    O PROPAGADOR – Você, recentemente, lançou uma música em inglês, “I’ve Been Waiting”. Daqui um tempo, você tem pretensão de alçar voo para uma carreira internacional?

    Com certeza. Já tenho um projeto completo de um CD com minhas composições em inglês. Espero o momento certo para isso.

  • TOP 10 – músicas sobre santidade

    Sem santidade, ninguém verá o Senhor. Uma vida cristã buscando pureza é fundamental para todo cristão, e, pensando nisso, a equipe do O Propagador apresenta dez canções sobre este tema. Confira nossas escolhas!

    [tabs]

    [tab title=”10º”]

    Santidade – André Valadão

    Escrita por R.R. Soares, André Valadão e Ruben di Souza, “Santidade” é uma canção suave, conduzida pelo piano de André, e com uma interpretação bastante agradável. Sua letra pede para que seus ouvidos e visão sejam na mesma direção e foco que os de Cristo. (2010)

    https://www.youtube.com/watch?v=ukJSQqtkKQ4

    [/tab]

    [tab title=”9º”]

    Santificação – Elaine Martins

    “Santificação”, composição da dupla Gislaine e Mylena, magistralmente interpretada por Elaine Martins, se tornou um grande sucesso nas rádios por todo o país e teve grande aceitação nas igrejas. Com uma letra forte e que agrada em cheio o público pentecostal, o refrão “só entra no céu quem aqui for fiel, santificação pra morar lá em Sião”, foi um dos preferidos dos corais jovens Brasil a fora. Uma inquestionável e merecida canção para este TOP 10. (2014)

    [/tab]

    [tab title=”8º”]

    Santo – Ministério Unção de Deus

    De autoria do cantor Davi Sacer, “Santo” é uma das grandes canções do Ministério Unção de Deus, bem interpretada por Rafael Novarine. O eu lírico da canção afirma ser separado deste mundo e nascido de novo: “Eu sou santo / separado pra Cristo / Eu sou santo / sou nascido de Deus / Eu sou santo / minhas vestes no sangue lavei / ando no espírito sim“. (2005)

    [/tab]

    [tab title=”7º”]

    Obediência – Oficina G3

    Escrita pelo músico Celso Machado, “Obediência” faz parte de Depois da Guerra, um dos álbuns mais aclamados da Oficina G3. A letra desta canção é forte, afirmando que “o mundo é transitório / mas a verdade é eterna“, também alertando para a necessidade de ter obediência à Deus. (2008)

    https://www.youtube.com/watch?v=Tk3wiBeW7Ow

    [/tab]

    [tab title=”6º”]

    Remédio Sobrenatural – Anderson Freire

    Anderson Freire nos brinda com “Remédio Sobrenatural”, que faz parte de seu álbum Identidade, e é um clamor por santidade: “O mundo está enfermo e eu preciso me cuidar / Mas não é o que entra que vai me contaminar / O perigo mora dentro do meu coração / E quando sai é um veneno pra população / Tua santidade é o antídoto pra mim / Te perder de vista é enxergar meu fim“. (2010)

    [/tab]

    [tab title=”5º”]

    Guarda o que Tens – Lauriete

    Do álbum As Águas, “Guarda o que Tens” é um alerta gravado por Lauriete. A canção faz o ouvinte refletir o quão é necessário orar mais, buscar mais, ler mais a Bíblia e procurar, constantemente contato com Deus. Afinal, ninguém sabe o dia e a hora em que Ele virá. (2009)

    [/tab]

    [tab title=”4º”]

    Santidade – Aline Barros

    Parte do clássico Som de Adoradores, “Santidade” foi escrita por Davi Fernandes, e possui uma condução agradável. “Se meu corpo errar o caminho / Meu coração clamará por Ti / Abraça-me com Tua misericórdia / Vem me envolver, Tua face quero ver” são versos desta música, a qual é levada em forma de oração e cantada por Aline Barros. (2004)

    [/tab]

    [tab title=”3º”]

    Tudo o que eu Quero – Fernandinho

    A medalha de bronze vai para o cantor Fernandinho, com “Tudo o que eu Quero”, do álbum Sede de Justiça. Esta música é simples, mas direta no que se propõe, lembrando que “aquele que começou a boa obra em minha vida / não terminou“. (2007)

    [/tab]

    [tab title=”2º”]

    Na Corte do Egito – Trazendo a Arca

    “Na Corte do Egito” foi escrita por Deco Rodrigues e Luiz Arcanjo, mas foi cedida inicialmente para Fernanda Brum, que a gravou no álbum Profetizando as Nações. No entanto, a versão do Trazendo a Arca foi muito mais bem sucedida, tanto em público e crítica, com um arranjo criativo de Ronald Fonseca. Esta versão pode ser encontrada no clássico Marca da Promessa e ganha nossa medalha de prata. (2007)

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    [tab title=”1º Lugar” icon=”trophy”]

    Eu quero ser Santo – Eyshila

    O primeiro lugar vai para a cantora Eyshila, com “Eu quero ser Santo”, estruturada em forma de oração. O eu lírico diz que deseja ser mais alvo que a neve, renunciando tudo o que este mundo oferece com o intuito de agradar a Deus. Ouça. (2005)

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    O que achou deste nosso TOP 10? Conhece mais canções acerca deste tema? Comente e compartilhe com todos, sua opinião é importante!

  • Cassiane – discografia e obra

    Nascida em Nova Iguaçu, Cassiane foi a cantora pentecostal mais notória no fim dos anos 90/início de 2000, com discos que venderam milhões de cópias, sob a produção de seu marido, Jairinho Manhães. Até hoje, continua a ser uma das principais cantoras do meio cristão nacional.


    Guia discográfico

    Cristo é a Força (Melodia Celeste/1981): Basicamente pop, com arranjos simplórios e um vocal em evolução, Cassiane iniciaria sua carreira tratando dos desafios e sofrimentos da vida cristã. (Nota: [usr 2])

    Dou Glória a Deus (Melodia Celeste/1983): Trazendo melodias mais bem arranjadas, com influências do pop, country e da Jovem Guarda, a obra mostra a cantora bem melhor desenvolta em relação ao primeiro trabalho. (Nota: [usr 3])

    Rosa de Saron (Melodia Celeste/1985): Em evidente puberdade, a voz de Cassiane passou a mudar, em fase de transições, enquanto a sonoridade seguiu as influências da Jovem Guarda, sem maiores novidades. (Nota: [usr 2])

    Desafio (Som e Louvores/1987): Se movendo cada vez mais para temáticas pentecostais, é o primeiro disco de Cassiane que traz os elementos musicais que a fariam notória. (Nota: [usr 3.5])

    União (Som e Louvores/1991): Primeiro disco da cantora nos anos 90, evolui musicalmente ao trazer arranjos de metais e uma produção musical dentro das tendências da época. (Nota: [usr 3.5])

    Atualidades (MK Music/1992): Totalmente dentro de sua zona de conforto, Atualidades não proporciona nenhuma novidade, sonoramente falando, de Cassiane. (Nota: [usr 2])

    Força Imensa (MK Music/1993): Primeira produção de Jairinho, o disco é um dos mais ecléticos da carreira de Cassiane, fundindo pop, sertanejo, axé, enriquecendo o repertório, que contém músicas como “Igreja Pequena” e “Força Imensa”. (Nota: [usr 4])

    Puro Amor (MK Music/1994): Assemelhando-se  a proposta de Força Imensa, em Puro Amor, no entanto, a sonoridade não soaria tão eclética, mas se tornaria fundamental para seu sucessor, Sem Palavras. (Nota: [usr 3])

    Sem Palavras (MK Music/1996): Enquanto o movimento gospel dava seus primeiros sinais de crise, Jairinho surgiu com uma produção ingênua, assim como as anteriores, mas que, desta vez, remodelaria, de vez, o conceito de música pentecostal no Brasil. Com tons épicos, “Imagine” continua a ser uma das mais belas e representativas canções do gênero até hoje. (Nota: [usr 4.5])

    Para Sempre (MK Music/1998): Com uma produção musical mais bem trabalhada em relação a todos os discos anteriores, Para Sempre faz Cassiane uma cantora mais forte, especialmente pelo hit “Vou Seguir”, um clássico em sua carreira. (Nota: [usr 4])

    Com Muito Louvor (MK Music/1999): Se Sem Palavras foi o ponto de virada, este trabalho foi a aperfeiçoamento mais esforçado de Cassiane durante os anos 90. Com Muito Louvor une a qualidade da produção do disco anterior, Para Sempre, com um repertório sólido, composto por nada menos que “Oferta Agradável a Ti”, “Hino da Vitória”, “Com Cristo é Vencer” e “Com Muito Louvor”, além de provocar, culturalmente, uma mudança na estrutura das canções pentecostais. (Nota: [usr 4.5])

    Recompensa (MK Music/2001): Uma sequela perfeitamente agradável de Com Muito Louvor, este disco não perde o fôlego e brinda o ouvinte com grandes faixas, como “500 Graus”, “Recompensa”, “Minha Bênção” e “Aqui tem Glória”. (Nota: [usr 4.5])

    A Cura (MK Music/2003): A produção mais inventiva de Jairinho, mas não tão sólida quanto as anteriores, mostra Cassiane buscando se renovar, musicalmente, falando. (Nota: [usr 3.5])

    Sementes da Fé (MK Music/2005): Com a participação de bons músicos, como Emerson Pinheiro e Bene Maldonado, é um registro que tenta trazer, na verve pentecostal, o contexto congregacional que explodiu no início dos anos 2000 trazendo, aliás, um shofar. (Nota: [usr 3.5])

    25 Anos de Muito Louvor (MK Music/2006): Trazendo os seus maiores sucessos, 25 Anos de Muito Louvor não é apenas um registro bem-sucedido de Cassiane, mas conta a trajetória da música pentecostal, de fato. Com a participação de Jayane, e de seu marido Jairinho, consegue abranger, muito bem, todas as fases da artista. (Nota: [usr 4])

    Faça Diferença (Reuel Music/2007): Com composições, em maioria, assinadas por Anderson Freire, apresenta uma Cassiane mais tradicional ao pentecostal do que em relação aos trabalhos anteriores. (Nota: [usr 3])

    Viva (Sony Music/2010): Buscando sonoridades diferentes, é um dos álbuns mais pop rock de Cassiane. Utilizando-se de mais violões, guitarras e cordas, as melodias do álbum foram ecléticas sem perder o tom do pentecostal. (Nota: [usr 3])

    Ao Som dos Louvores (Sony Music/2011): Prometido como um “retorno às origens”, o álbum trouxe, em menor consistência, temáticas e arranjos que Cassiane apresentou durante sua carreira. Ao Som dos Louvores é um disco cansativo, com harmonias engessadas, temas repetitivos e uma crise de criatividade do produtor Jairinho Manhães. (Nota: [usr 2.5])

    Um Espetáculo de Adoração (Sony Music/2013): O setlist foi composto de canções dos álbuns Viva e Ao Som dos Louvores além do romântico O Amor Está no Ar e três faixas inéditas: “Não vou me calar”, “Avivamento” e “Na orla do teu manto”. Nenhum sucesso estrondoso, mas são canções de qualidade inegável e que ganharam um fôlego a mais no ao vivo, abrilhantadas pela presença de palco de Cassiane. (Nota: [usr 3.5])

    Tempo de Excelência (MK Music/2013): Com músicas agradáveis de se ouvir, repertório muito bem escolhido e interpretações interessantes de Cassiane, o engavetamento do projeto mostrou-se um desperdício tanto para a artista, quanto a gravadora. (Nota: [usr 3])

    Eternamente (MK Music/2015): Com composições mais bem trabalhadas, produção musical mais correta, mas com a influência pop dos discos anteriores, Eternamente se sai positivamente. (Nota: [usr 3.5])


    Melhores músicas

    500 Graus, Amigo Espírito Santo, Com Muito Louvor, Desafio, Hino da Vitória, Igreja Pequena, Imagine, Minha Bênção, Minha Morada, Oferta Agradável a Ti, Recompensa, Sementes da Fé, Tudo Novo e Vou Seguir.


    Notícias e matérias sobre a Cassiane

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  • Melhores discos de rock cristão nacionais: 1995 a 1999

    Continuando a nossa lista de melhores discos de rock cristão nacionais, chegamos a segunda metade da década de 90, uma época bastante produtiva, em termos de rock cristão nacional. O ápice do boom, grandes bandas chegaram ao seu auge, musicalmente falando. Desta vez, o Resgate rouba a cena com a maior quantidade de discos na lista. Confira!

    Leia também as listas anteriores: Década de 70, década de 80 e 1990-1994

    [infobox title=’10º: A Revolução’]Artista: Catedral
    Ano de lançamento: 1998
    Número de faixas: 11[/infobox]

    Catedral - A Revolução - 1998Jhonata: Sem comentários!

    João: Achei uma lástima esse disco estar nessa posição, é um álbum fabuloso da Catedral, um dos melhores da banda, e o primeiro em que eles literalmente romperam de vez com a linguagem “religiosa”, colocando uma linguagem muito mais direta ao povo em geral, não uma música feita “só pra crente”, um mal que começaria ainda nessa década, mas que se alastrou a partir da década de 2000, literalmente fazendo o povo “voltar pra dentro da igreja” ao invés de trazer uma mensagem mais Para Todo Mundo (parafraseando o álbum seguinte deles). Eu mesmo na primeira vez que ouvi esse disco, em 2002 (um ano depois daquele caso lá daquela usina sonora [risos]) eu achava um disco bem bizarro, que quase não mencionava o nome de Deus, etc e tal. Só depois de um tempo vi como a ideia foi inteligente e hoje em dia virou até “modinha”, espero que as bandas do Novo Movimento tenham cuidado pra não fazer tal cosmovisão de qualquer jeito, ou as coisas podem ficar com muita polêMK, ops, polêmica sem direção (risos). Em suma, esse disco fez minha adolescência e digamos que foi um dos culpados por eu ser tão “perigosamente pensante” pra muitos.

    Phil: Esse é um álbum do Catedral que eu não reclamo. Eu não gosto da banda, acho meio “frankenstein” (umas coisas até interessantes mas que não rola juntá-las), mas A Revolução é bem feito. Um pop rock até bem ajustado, apesar da bateria meio esquisita – ou é detalhismo meu, que sou baterista – mas Cezar veio quebrando tudo com as guitarras. Não tenho muito a destacar, senão que foi o último álbum com a MK e foi bastante elogiado pela crítica, e não à toa entrou no nosso TOP 10.

    Thiago: A Revolução do Catedral, talvez, é um álbum até interessante para se estar numa posição melhor, mas eu o acho apenas bom. Kim já estava incorporando, em suas interpretações, performances que lembram totalmente Renato Russo. A banda seguia fazendo seu pop rock, misturado a outros gêneros musicais em algumas canções. Cezar é um bom guitarrista, e mostrou proficiência em alguns solos. É uma grande perda sua morte. A melhor música é “A Revolução”, com seus arranjos contagiantes, interpretações vocais eletrizantes e uma ótima letra sobre a verdadeira revolução. O álbum, aliás, é mais identificável pelas suas boas letras. “Os Filhos de Caim”, “O Sonho”, “Onde o Amor Reina” e “Por Te Conhecer”são boas faixas também. Porém, fiquei incomodado com o violão, inserido tão estranhamente em “Somos Todos Iguais”. Eu não sou o melhor para falar desse álbum, no entanto, creio que vale ter sido colocado na lista.

    Tiago: A Revolução é um disco muito importante para o Catedral e, aliás, deveria estar um pouco mais acima, hein? Já mostrando claramente o que queriam fazer nos anos seguintes, a obra mantém uma linguagem muito menos religiosa que nos outros discos, no entanto, aposta em algumas músicas radiofônicas, que deram o sucesso garantido. Só não consigo gostar de “A Revolução” que, francamente, me remete muito à “Perfeição”, do Legião Urbana (Do O Descobrimento do Brasil, de 1993). Destaque para “Somos Todos Iguais” e “Os Filhos de Caim”. Esta última contém riffs de baixo que só o melhor músico da banda, Júlio, poderia fazer. Foi o primeiro da banda que tive a oportunidade de ouvir inteiro.

    [infobox title=’9º: Asas’]Artista: Brother Simion
    Ano de lançamento: 1998
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Asas - Brother Simion - 1998Jhonata: Para não ser arrogante e nem sair por “crítico que não entende de música”, eu opto por não comentar esse álbum.

    João: O maior sucesso do Brother, a primeira música que eu ouvi do mesmo, lá em 1998, no ano que lançou, tocava à exaustão na rádio Manchete Gospel FM 94.3 Recife e muito embora pra mim seja bem inferior musicalmente ante os discos Brother, Esperança, Na Virada do Milênio e Eclipse, é inegável a importância desse disco. Foi um dos meus iniciadores no rock cristão, gastei um dinheirão na época pra comprar o meu exemplar (eu era só um pré-adolescente, cara, não tinha grana nem pro chiclete direito [risos]), e o guardo com muito carinho até hoje. “Voaaaaaaar nas asas do Espírito de Deus”, uma mensagem que ficou na minha memória de 1998 até hoje, dá pra imaginar o quanto isso vale a pena né. Destaco também as faixas “Liberdade”, “S.O.S Terra” e a regravação de “Etéreo”, que pra mim ficou bem melhor que a original do Katsbarnea.

    Phil: Brother mostra de novo porque é um grande compositor (e compulsivo). O cara escreve um monte de coisas. Criatividade é o sobrenome desse cara, só pode, gente! É um álbum tão gostoso de ouvir. Tem umas boas doses de rock, pop rock, folk rock, mas é claro que viaja bastante, se não, não seria o Simion. Até axé entra no álbum. E nada mal, viu? Esse experimentalismo é marca dele, e mesmo assim consegue fazer um álbum com menos rock do que outros tantos grupos, mas que é bem melhor do que qualquer um desses outros. Esse, aliás, foi o último álbum solo do Brother antes de sair do Katsbarnea. Uma pena pro Kats, eu diria, mas Brother continua sendo uma referência de música cristã nacional e ganha um merecido nono lugar nessa lista.

    Thiago: Asas ocupou uma posição muito injusta pela qualidade do disco. Brother Simion caprichou nas composições, junto com Estevam Hernandes, e deixou-nos um rock com arranjos e uma produção musical bem feita. Os teclados foram destaques e as guitarras muito bem colocadas. Os riffs de guitarra e a gaita de “S.O.S. Terra”, “Hey, Brother”, canção com grandes influências dos Beatles, “Tempestade” e sua verve eletrônica e “I Hope You See the Light” são as mais legais do disco. “Canguru Águia” me incomodou demais, principalmente do barulho de percussão e sua pegada de lambada exagerada. O disco foi o maior sucesso de Simion e realmente é uma ótima produção. Merecia uma colocação melhor.

    Tiago: Eu sempre vou dizer que Brother Simion é o nosso Bowie do cenário nacional. Ele nunca cansa de experimentar e fazer algo diferente. Em carreira solo, com a presença de Amaury Fontenele na produção musical e participação de Paulo Anhaia no baixo, começou a trazer, levemente, o techno para suas músicas. Era uma tendência internacional, mas ia totalmente na contramão do que as bandas e cantores faziam no cenário nacional, com seus acústicos. É claro que isso seria aprofundado no disco seguinte, pois este ainda revela um hard “I Hope You See Light”, a gostosa “Hey, Brother” e preocupações acerca do meio ambiente, explícitas em “SOS Terra” e “Tempestade”, sem falar da faixa-título “Asas”, o maior sucesso da carreira solo do cantor. Gosto tanto deste disco que consegui comprá-lo recentemente, mesmo fora de catálogo.

    [infobox title=’8º: Angústia Suprema’]Artista: Rosa de Saron
    Ano de lançamento: 1997
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Rosa de Saron - Angústia Suprema - 1997Jhonata: Este álbum não é um dos melhores da banda, mas é um bom álbum. Angústia Suprema é cheio de influências de hard rock e heavy metal. Inclusive, nessa época a banda bebia muito da banda Stryper, o que explica todo o peso das guitarras. Destaco as clássicas “Anjos das Ruas” e a faixa-título, “Angústia Suprema”.

    João: Meu primo Thiago Batinga é fã doente de bandas católicas, em especial Anjos de Resgate e Rosa de Saron. Católico do pé roxo, era de se esperar. Mas o Rosa que ele ouvia nunca me encheu os ouvidos, um pop rock mais manso que bandas como RM6 e Tempus. Mas daí eu ouvi falar de uma fase heavy metal da banda. Isso me chocou um bocado e eu fui lá ouvir. O Diante da Cruz, de 1994, embora mais importante, devido ser o primeiro disco de heavy metal católico do mundo lançado, não me agradou muito, seja pelo vocal ou pela qualidade da gravação mesmo, e por pouco desisti por completo da banda. Daí decidi dar outra chance e ouvi o disco seguinte, Angústia Suprema. Esse disco mexeu comigo demais, foi o extremo oposto do anterior. Realmente é um disco que não é pra muitos “tão bom assim”, mas pra mim é o momento que eu decidi ouvir mais sem preconceito nenhum, uma banda que numa música fala de Maria sem aquela devoção doentia de muitos católicos (“Linda Menina”) e faz um cover irado da banda Tourniquet (“Carregue os Feridos”), isso me fez querer ouvir outros sons dessa vertente religiosa, como Eterna, Testemunha, Beatrix, Extremo Unção e Ceremonya, entre outras.

    Phil: Rosa é outra banda que eu não sou tão fã, porém é mais fácil gostar de algo dela do que Catedral, e o Angústia Suprema é um rock com bastante pegada, viu. Achei bem “plug and play“, som direto, sem muita firula, apesar de o CD ter uma faixa introdutória e algumas faixas longas, o que não é nada demais, né? Bem redondinho, bem produzido, mereceu TOP 10 dessa meia-década 95-99.

    Thiago: Eu achei injusta a colocação dessa banda aqui. Rosa de Saron começou a progredir com entrada do Guilherme e Angústia Suprema não mereceu entrar nessa lista. Sem muitos comentários, é um disco da fase hard rock e heavy metal dela, e é muito mal produzido.

    Tiago: Se toda lista tem sua parte ruim, aqui está a desta. Ainda estou me perguntando o que este disco está fazendo aqui. O Rosa tinha um problema com a bateria… nos trabalhos mais antigos, ela quase nunca tinha peso (quer dizer, esse problema ainda persiste, de forma mais leve). A banda, tecnicamente falando, estava muito limitada para os demais grupos musicais da época. Particularmente, acho que as letras também não são muito fortes. No mais, não mereceu entrar entre os dez. Rosa é uma boa banda, tem bons discos, mas ainda é muito cedo para tê-la aqui.

    [infobox title=’7º: Demonocídio’]Artista: Antidemon
    Ano de lançamento: 1999
    Número de faixas: 27[/infobox]

    Demonocídio_-_Antidemon - 1999Jhonata: Estava no ensino médio quando ouvi o Demonocídio pela primeira vez. Estava começando a ouvir um rock mais pesado e, gostei da banda. Este álbum traz significantes influências para bandas cristãs do mesmo gênero. Tirando a bateria, que em boa parte do álbum é bem enjoante, o álbum é técnica e regularmente muito bom.

    João: Era 2002 e eu estudava no Colégio Adventista do Arruda, quando um amigo meu, Diogo Sobral, chegou na aula de informática e nos mostrou a capa desse disco, e colocou o mesmo pra rodar no PC. Pra mim, que de heavy metal só tinha ouvido aqueles metal farofa dos anos 80 (que minha mãe era muito fã) e uma ou outra banda como Bride e Guardian, aquele som foi o apocalipse, fora a capa com um “capetão” na capa (só um tempo depois entendi – e acabei gostando da ideia – que o capeta estava todo empalado, perfurado por espadas e condenado à destruição, portanto não era um louvor ao mesmo, e sim, como o nome do disco antecipava, um “demonocídio”). Imagino a reação de muitos ao ouvir esse que provavelmente é ainda o mais aclamado disco do metal cristão, de uma banda que no início era apenas uma iniciante no meio de várias outras como Devilcrusher, Theosophy, Calvário, Kletus, Martíria, Arcanjo, The Joke? e Afterdeath, entre outras do inicinho dos anos 90. A The Joke? até então era a banda com o disco mais pesado lançado, ainda que de maneira beeeeem artesanal, e tava mais pra um thrash groove que um death metal com pegadas de grindcore, que é o que o Antidemon apresentou nesse álbum. Apesar de ao longo dos anos a banda ter lançado bons discos, inclusive o impecável Apocalipsenow, Demonocídio permanece sendo um marco, um marco tão impressionante que hoje em dia, 13 anos depois do susto inicial, acabou que me tornou um dos seus frutos, já que death metal hoje em dia é uma das minhas praias prediletas (risos). Um “Massacre” à religiosidade e um chute de coturno nas portas do inferno.

    Phil: É hora de matar os capetas! AEEEEEEEHOOOOOOO! Cara, que emoção ouvir esse álbum. Como é incrível descobrir grupos nacionais antigos de grindcore e death metal e ainda por cima com temática cristã. Esse foi o primeiro full do Antidemon – só tinham um demo em fita cassete – e já balançou a cena rapidamente. Ah, e fez esse barulho todo de forma independente, como a maioria da turma estreante da época (e como boa parte do metal ainda circula hoje). Se você não curte o gênero, OK, mas se seus ouvidos aguentam de boa, certamente é uma grande escolha!

    Thiago: Apesar de eu não conseguir gostar de grindcore e essas vozes pig scream, Antidemon tem um grande mérito: inovou no meio cristão com um estilo totalmente inconvencional, e deu a cara a tapa com uma música bem anticomercial. O que me incomoda é eu não conseguir entender as letras gritadas por Batista, algumas meio sem sentido, meio “eu adoro expulsar Satanás”, muito antidemônio, como a própria banda chama. Digo quase o mesmo para os arranjos de todas as músicas. O álbum é bem grande, tem 27 composições, mas com faixas curtas, característica comum no grindcore. Algumas são tão estranhas que chega a ser bem zoeira, como “Libertação” e “Libertação II”. É difícil ouvir este CD esperando criatividade como um todo, porém é uma produção bastante engraçada e incomum. Foi justa a banda aparecer na lista por sua inovação.

    Tiago: Eu já conhecia a banda de nome há muito tempo, mas confesso que só fui conferir de mais perto quanto eles lançaram o fortíssimo disco Apocalypsenow, e foi uma grata descoberta. Antidemon é demais por sua proposta, e Demonocídio dispensa descrições ou comentários maiores, pois já é um clássico em seu gênero. Claro, tecnicamente a banda veio a melhorar muito mais em seus três discos mais recentes, mas aqui já vemos um death de respeito e bastante avassalador. É, de longe, a maior banda do gênero no nosso cenário.

    [infobox title=’6º: O Sentido da Vida’]Artista: Stauros
    Ano de lançamento: 1997
    Número de faixas: 11[/infobox]

    O Sentido da Vida - Stauros - 1997Jhonata: O Sentido da Vida é daqueles tipos de álbuns que quando você termina de ouvir pergunta: “e o resto?” Ele é incompleto. Não sei afirmar onde de fato ele peca mais, porém, afirmo que é expansivamente indesejável. A começar pela bateria fajuta e guitarra enjoante. Mas não é de todo ruim: tem lá suas particularidades positivas a exemplo de um bom vocal para o estilo heavy metal e, algumas de suas letras são bem poéticas.

    João: Calvário pode ter sido a pioneira dos discos com I.X.O.Y.E. (1993), seguida pelo The Joke com o The Death of the Brittle Biscuit (1995), Rosa de Saron com Diante da Cruz (1994) e pela própria Stauros com Vento Forte (1995), mas foi O Sentido da Vida de 1997 que se tornou o primeiro CD de metal cristão brasileiro lançado de maneira “profissional”, com uma qualidade inquestionável, lançado pelo selo Todo Som, que nada mais era que um selo da gravadora Gospel Records (que logo passou todos os lançamentos desse selo pro seu catálogo), catapultou a banda de Itajaí, Santa Catarina (é, uma banda de rock cristão de SANTA CATARINA [risos]) nacionalmente, e até hoje é um dos marcos do chamado metal cristão brasileiro, junto com o já citado Demonocídio da Antidemon. Os vocais de Celso de Freyn são excepcionais, e foi aquilo que mais me marcou desde a primeira audição. Hoje em dia um material raríssimo, os felizes possuidores de um exemplar original desse disco se orgulhem bastante, porque é um dos lançamentos mais icônicos da história (e se caso você não se orgulha, fale comigo que eu recebo seu CD com prazer).

    Phil: Meu Deus! Essa década só fica melhor e melhor! Só rock bom, cara! UUUUHUUUUU! Esse álbum é o segundo da banda e foi reconhecido até internacionalmente de tanta qualidade, e realmente é um grande trabalho de hard rock/metal progressivo. Muito bem gravado, bastante qualidade técnica pra uma banda que tinha pouco tempo na ativa, e letras bem escritas. É sem dúvidas um clássico.

    Thiago: O Sentido da Vida é um álbum com velocidade, técnica e peso do heavy metal e metal progressivo. A voz de Celso de Freyn é bem diferente, com aqueles  interpretações melódicas e rasgadas clássicas do metal. A introdução aguda e gritada do vocalista em “A Guerra Final” me fez esperar algo na linha do Stryper no disco, mas só ficou na impressão. É um disco que desce, mas meu conhecimento da banda é fraco para analisar profundamente o álbum. Quem espera virtuosismo achará, pois é melhor, musicalmente falando que um outro disco ali em cima.

    Tiago: Como eu já disse, senti falta da banda Calvário na lista anterior. Mas pelo menos este clássico do Stauros está aqui. Talvez o primeiro disco totalmente metal que ganha um destaque maior fora do underground, O Sentido da Vida é historicamente importantíssimo: um som com pegada meio heavy/thrash, aqui vemos uma banda enérgica e procurando sair do lugar comum. É um bom trabalho.

    [infobox title=’5º: O que a Gente Faz Fala Muito Mais do que só Falar’]Artista: Fruto Sagrado
    Ano de lançamento: 1995
    Número de faixas: 11[/infobox]

    O que a Gente Faz Fala Muito Mais do que só Falar - Fruto Sagrado - 1995Jhonata: Faço do título desse álbum meu comentário sobre o mesmo.

    João: Mais uma previsão acertada a contento meu (risos). Bem, muita gente sei lá porque malha esse disco, falam coisas como “cópia de Dream Theater” e similares, mas eu não entendo: o que nesse mundo no fim das contas não é uma “imitação”? Na verdade, esse disco tem muito mais elementos do som clássico e hard rock da banda, apesar de inegavelmente possuir muitos arranjos que lembram bastante Dream Theater, mas não só ela, também lembram muito em alguns momentos Rush e Queensrÿsche. OK. Estou procurando até agora qual o problema, enfim. Esse álbum é fantástico, e a linguagem que o mesmo possui é genial, embora sem dúvidas tenha causado e muito na época, já que o “gospel” já havia terrivelmente criado padrões até do que seriam “letras aceitáveis para bandas cristãs”. Até hoje essa praga persiste no meio dos “fãs de música gospel”, pois se uma banda cristã não se rotula como tal, logo na cabeça de alguns ela está “traindo o Evangelho”. É claro que isso não significa Thallequismos, ops…

    Como o primeiro disco do FS que eu ouvi na vida, esse disco me fez viajar pacas e quebrou muitos paradigmas meus e até hoje o refrão de “Retórica”, que é o enorme título do álbum, ecoa na minha mente e seria ótimo que ecoasse na de tantos “religiosos” desse país e desse mundo.

    Phil: Entramos no TOP 5. O papo ficou sério agora. Aqui é o auge do Fruto Sagrado. Talvez não o auge da acidez (mas pra época acho que foi) ou da técnica, mas do conceito de “Fruto Sagrado” mesmo, porque depois de 2000 a banda nunca mais foi a mesma. O fato é que esse conjunto da obra, nascido em 1995, é o melhor álbum deles e isso é praticamente um axioma, uma afirmação matemática daquelas que você olha e diz “é isso mesmo” e pronto, não há como ser falsa. O álbum é bom mesmo, é digno de ser escutado mesmo, e pronto, “cabou”, vai logo atrás de ouvir que cê tá perdendo tempo!

    Thiago: O que a Gente Faz Fala Muito Mais do que Só Falar foi pautado no metal progressivo, influenciado pela gringa Dream Theather, e manteve, nas letras, as críticas religiosas e políticas que caracterizam o Fruto. Até aquele momento, as produções foram boas e medianas. Esse disco teve ótimas músicas como “A Missão”, uma letra que fez referência a JOCUM (Jovens com uma Missão), as guitarras de Internal War (versão em inglês de “Guerra Interior”), a crítica política de “Podridown”, a reflexão amorosa de “Nosso Erro”, contudo, deixou algumas canções estranhas e fracas como “Presente”, cuja combinação de peso e letra romântica ficou bastante nonsense (como misturar água e óleo), uma letra meio desconexa sobre o estilo da instrumentalização de “Música” (música pesada do Fruto Sagrado tem que ter letra ácida crítica, senão não desce) e uma produção musical que deixou a desejar. No entanto, em resumo é um bom álbum e merece a posição de quinto lugar. Destaque a capa que possui uma aparência bem brasileira.

    Tiago: Confesso que eu tenho uma relação um pouco estranha com esse disco. Por vezes gosto e acho incrível, em outros momentos sinto que é meio “forçado”. O Fruto Sagrado tem uma discografia bem lógica. Os álbuns foram crescendo em qualidade e pretensão progressivamente, exceto em O que a Gente Faz Fala Muito Mais do que só Falar, de longe o trabalho mais pretensioso do grupo fluminense. Fortemente e escancaradamente influenciado pelo Dream Theater, aqui eles tentaram um som mais pesado, letras muito complexas, mas a produção musical não soou muito legal, até mesmo inferior a Na Contramão do Sistema (1992). Mas vale ser ouvido por sua tentativa, e por conter canções fortes e polêmicas, como “Retórica” e “Podridown”. Na época em que ouvi este trabalho pela primeira vez, custei pegar a “matemática” das letras. Isso é bom.

    [infobox title=’4º: Resgate’]Artista: Resgate
    Ano de lançamento: 1997
    Número de faixas: 8[/infobox]

    Resgate  - Resgate - 1997Jhonata: De todos os trabalhos do Resgate que já ouvi, esse é o que considero mais pop da banda. “Terceiro Dia” é a minha favorita desse disco (gente, ouçam os primeiros 3 segundos dessa música e o seu dia já vai tá valendo a pena) e, é claro que, o Resgate para mim é um grupo muito fraco em letras. Não sei se é pelo meu costume de ouvir Rosa de Saron (pós-Olhando de Frente EP) que suas letras não são Ctrl C + Ctrl V da Bíblia, e sim histórias da vida e coisas que vivenciamos, mas eu dou mais crédito para bandas cristãs (o que são poucas) que tenham letras mais profundas e que vão além de colas de versículos bíblicos.

    João: Paulo Anhaia. Esse cara é o Rei Midas do rock! (risos) Exageros à parte, este disco do Resgate a princípio eu não ia tanto com a cara porque as letras pra mim eram bem confusas (mesmo caso do A Revolução da Catedral e do álbum do Fruto Sagrado), mas depois, exatamente como os já citados anteriores, este disco me conquistou. A mudança da sonoridade também meio que me morgou um pouco, APESAR QUE eu conheci o Resgate no Praise, que era bem calminho comparando-se a esse até, mas com o tempo este realmente me pegou pelo ouvido. “E Daí” que esse disco tem poucas músicas (8, sem contar com a faixa anônima escondida após “Em Todo Lugar”), a mensagem dele já antecipava o que o Resgate produziria de alguns anos pra cá, e que eles já faziam de mansinho em todos os discos, mas nesse eles chutaram o pé na porta, de um jeito que tal qual o já citado do Fruto Sagrado, na época causou uma estranheza terrível. Novamente a religiosidade boba afetando a mente até dos “antirreligiosos” do rock “gospel”.

    Phil: Aí sim, fomos surpreendidos novamente! Esse disco é muito louco. A começar pelo fato de não ter sido masterizado. Não vou explicar o que significa pra não ficar enorme (só digo que corrige/equilibra algumas coisas) e muito produtor arrancaria os cabelos só de saber disso. Além disso, tem uma cara meio vintage e experimental, comparado com os anteriores (principalmente o On the Rock), com letras complexas e profundas. Pra mim é difícil falar de Resgate sem parecer fanboy, então falando da produção, Paulo Anhaia fez um belo trabalho aqui. E a bateria, cara… a graça de fazer arte é fazê-la imperfeita e imprevisível, e o timbre da bateria é fantástico sem a master, se melhorassem ia estragar. Eles saíram da caixa do hard rock e foram passear no britpop/britrock, com os quais continuam flertando até hoje. 🙂

    Thiago: Resgate dominou o período 95-99. Buscando novas experimentações, o grupo ousou um rock britânico com guitarras fritando e vibrantes no álbum Resgate, de 97. Esbanjando criatividade e inovação, o disco integrou muitas canções boas, listo “Liberdade”, “E Daí” e “Terceiro Dia” como bons exemplos, porém é um CD que só se vale a pena ouvir por inteiro. “No One” e a segunda parte de “Em Todo Lugar” apresentam um folk rock daqueles que só se ouvem no gringo. A produção das guitarras foram bem colocadas, com a vibe britânica. Ótimo álbum, posição justa.

    TiagoResgate foi um dos melhores, e talvez o último disco realmente bom do Resgate por muito tempo. Aliás, sua turnê foi acompanhada por ótimas apresentações da banda juntamente com os caras da Oficina G3. A obra tem seu tom claramente questionador, com letras complexas e versos bem trabalhos, mas que também conta com arranjos primorosos. É um trabalho liricamente e instrumentalmente anticlichê. Neste época, a banda começa a se mostrar bastante atraída pelo rock britânico, e apresenta, aqui, a sua versão do britpop. É um som de vanguarda, pois, se você parar para pensar, só o Skank faria algo parecido no mainstream do cenário nacional, e em Cosmotron (2003). É certamente curioso como um disco que sequer foi masterizado ter uma orgânica tão agradável.

    [infobox title=’3º: Armagedom’]Artista: Katsbarnea
    Ano de lançamento: 1995
    Número de faixas: 12[/infobox]

    Armagedom - Katsbarnea - 1995Jhonata: Sem comentários (muito ruim!)

    João: Esse pódio está estranhamente perfeito na minha opinião, acho que é a primeira vez que eu curti o pódio, inclusive as posições que os discos ficaram. Bem, ESSE álbum do Katsbarnea, que pra mim é O MELHOR da discografia inteira da banda e um dos melhores discos de rock cristão ever, foi um dos mais vendidos da cena lá na década de 90 (muito pelo sucesso gigantesco de “Gênesis”, possivelmente, mas o disco é muito bom no todo). Daí você puxa a ficha de quem produziu o disco e… Paulo Anhaia. De novo. Citar ele agora vai até parecer um fanatismo sem dúvidas (risos).

    Um dos discos mais autênticos da década de 90, Armagedom finalmente deu uma identidade sonora à banda que andava meio “perdida” no anterior Cristo ou Barrabás (apesar de eu achar o disco muito bom, mas é inegável a evolução incrível apresentada no seguinte). Além da balada arrasa quarteirão chamada “Gênesis”, o disco possuí ótimas faixas como a meio progressiva “Invasão”, o heavy metal orquestral de “Armagedom”, o punk rock de “Crack”, o reggae-rock de “Pra Onde Você Vai, Brother?”, o forrock de “Alegria” e o surf rock de “Do Céu”. Fora a piadinha crítica habitual do Brother na faixa “Fariseu”, com um experimentalismo a lá Pink Floyd e até Duca Tambasco fazendo ponta cantando erudito ([risos] essa faixa é muito zoeira); o mais notável é que esses elementos já constavam no Cristo ou Barrabás, mas nesse disco realmente saiu muito melhor. Imperdível, esse disco foi o primeiro do Kats que eu ouvi na vida, e sem dúvidas o que mais me marcou, com uma das melhores (senão a melhor) formações da banda.

    Phil: Não querendo ser malvado mas já sendo: obrigado, Paulinho Makuko, por ter ido passear fora da banda por um tempo. Ao meu ver, a ausência daquelas percussões todas em álbuns anteriores fez um bem danado pra banda! Brother Simion pareceu mais loucão agora que temos um rock “de verdade” nas faixas que são rock, e pra mim as letras subiram uns degraus na qualidade. Deixaram pra trás a parte mais pop oitentista e amadureceram um bocado. Paulo Anhaia também assina a produção aqui. Déio Tambasco (guitarra) e Jadão (baixo) deram um grande up no trabalho, embora Brother Simion continue sendo a cara da banda.

    Thiago: Resumo do Katsbarnea até o Armagedom: superações e deslizes juntos em vários álbuns, o som terrivelmente chato do Makuko tocando percussão, uma voz não muito legal do Brother Simion, letras interessantes, músicas ora legais, ora fracas. Resumo do Armagedom: progresso enorme da banda, na qualidade musical e na produção. É um discão de prog rock/metal, heavy metal, com experimentações excêntricas do hardcore punk. A influência do reggae no álbum foi bem perceptível em algumas faixas do álbum, mas as melhores são as mais progressivas. Brother Simion arriscou gritos guturais que eu achei demais. Deixou Jean Carlos no chinelo. Apesar de algumas músicas do disco serem meio indefiníveis, ele contém canções dignas de muito elogio, musicões mitantes. As progs “Invasão” , “Armagedom” , “Fariseu” e o southern rock “Get Out of Babylon” são E-X-T-R-A-O-R-D-I-N-Á-R-I-A-S. E todo esse mérito que a obra tem, Déio Tambasco teve uma fundamental participação. As gravações de guitarras do álbum ficaram excelentes. Disco bom, vale a pena conferir.

    Tiago: Esse TOP 3 está lindo de se ver! Após o forçado enxugamento da formação, que matou a estabilidade da formação do Kats (não me canso de falar disso), a banda tinha que encontrar o seu caminho. Embora Cristo ou Barrabás tenha seus pontos fortes, é um disco meio aborrecido, mas ao ouvir Armagedom você percebe que eles encontraram um rumo. O rock experimental, então, era a vertente perfeita para o Katsbarnea. Brother Simion, então, parece carregar a banda em suas costas. Isso, de fato, não é uma ofensa para os demais da banda, pois o disco reserva grandes performances de Déio Tambasco e Jadão, mas o que o nosso vocal faz neste disco não é brincadeira: vocais, piano, harmônica, teclado, guitarra e, claro, assina todas as músicas. Paulo Anhaia (você lerá muito ainda este nome) chega pra somar e enriquece a produção do disco, que conta com “Invasão”, “Do Céu” (que música!), “Crack – Atos 4:11” e “Fariseu”, sem falar nas ótimas camadas de teclado de Giovani Bon, que dão um ar sombrio a algumas canções.

    [infobox title=’2º: Indiferença’]Artista: Oficina G3
    Ano de lançamento: 1996
    Número de faixas: 15[/infobox]

    Oficina G3 - Indiferença - 1996Jhonata: Eu gosto muito desse álbum do Oficina e acho merecida a sua colocação. A versatilidade de vozes nesse disco é muito melhor que Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante (e olha que eu amo Los Hermanos). O peso nas guitarras e bateria foram muito bem encaixados, nada de exageros. Destaco a faixa-título, “Espelhos Mágicos”, “Davi” e “Fé”.

    João: O melhor disco do Kats, seguido pelo melhor do Oficina, é lógico. E, advinha, Paulo Anhaia de novo… (muitos risos). Um festival de hard rock de melhor qualidade, é isso que esse disco injeta nos ouvidos de todos, e não a toa pra muitos é o melhor disco do rock cristão brasileiro supremo (apesar que o disco seguinte nessa lista supera muito a esse). O talento nato de Juninho Afram, Duca Tambasco e Jean Carllos (que até hoje são a formação base do Oficina desde então), juntamente à bateria precisa de Walter Lopes e dos vocais soberbos e inacreditavelmente perfeitos pro hard rock de Luciano Manga, que nesse disco se despedia da banda e chega a ser irônico que com sua partida a sonoridade básica que tanto encantou no Oficina foi embora com ele.

    OK, eu conheci Oficina G3 no primeiro Acústico, o de estúdio, lá em 1998 (um amigo meu me mostrou e eu viajei como poderia haver rock cristão, e desse disco, junto com o Asas do Brother, me introduziram nesse mundo, mal eu tinha virado “crente” [risos]). Mas quando se compara com cuidado e atenção a fase original com o que viria a seguir, você acaba tendo meio que a minha atitude quanto a isso: vira fã incondicional do Oficina com Manga e um cara que até tem um certo apreço pelo quesito saudosismo da fase “popcina G3”, mas nada mais além disso. Indiferença foi o primeiro disco que o Oficina mostrou letras mais “urgentes” pro mundo ao seu redor e também uma sonoridade profissional, que não deixa a desejar nenhuma banda de glam metal/hard rock cristã dos anos 80 lá dos “isteitis”.

    Phil: Clássico é pouco pra falar desse álbum. Agora vou chutar o pau da barraca: sou fanboy de Oficina mesmo! (risos). Podemos considerar esse álbum como sendo o grande marco da era Luciano Manga, com tantas canções lembradas até hoje. Aposto que você conhece aquele irmão mais antigo que canta “Indiferença” ou “Espelhos Mágicos”. Tudo bem que o álbum Acústico que veio depois contribuiu pra amaciar a sonoridade e espalhar a fanbase, mas o que dizer do clássico (e difícil!) solo introdutório de “Glória”? Eu só acho que ainda faltou um “quê” nas letras, algo que se foi com Túlio Régis, mas é sem dúvidas mais amadurecido que o álbum anterior, e lançou a banda a lugares bem mais altos, consolidando seu espaço na música cristã como um todo.

    Thiago: Indiferença é outro clássico da lista. Considerado pelos fãs mais oldschool como o melhor álbum do Oficina G3, mostrou a evolução da banda e demonstrou o que o G3 é capaz de fazer. Afram e seus dedos virtuosos e sentimentais exibiu técnica e musicalidade do início ao fim, Duca Tambasco mitou no baixo, Jean Carlos deu sua contribuição e o saudoso Walter Lopes mostrou quem era na bateria. Esse quinteto pode não ser reconhecido como a formação clássica, mas foi o que mais fez história na banda. O brilhante solo de Juninho na faixa “Glória Ist.” foi o melhor de todos, brilhantismo que foi mantido na interpretação da música cantada. “Davi” abriu muito bem, com a faixa-título sendo a segunda melhor. Duca contribuiu bastante também no seu curto – mas valioso – instrumental, “Duca’s Jam”, e em “Contra Cultura”, música que teve a melhor performance de Jean Carlos em seus teclados. Manga fez sua parte como vocalista. Ainda rendeu a progressiva “Your Eyes” e “Your Eyes II”, a cantada e seu instrumental subsequente. Hard rock, heavy metal, blues rock e rock progressivo direto do forno pode-se apreciar nesse projeto que exala muita técnica. “Rei de Salém”, com sua vibe açucarada demais, e “Magia Alguma” não me agradaram.

    Tiago: Eu gosto muito de Indiferença e sou daqueles sujeitos que o defendem como melhor disco da banda. Não é questão de saudosismo, mas a evolução lírica, técnica e instrumental deste trabalho, para a época, é notável. Se Jean Carllos estreava, Duca Tambasco e Waltão arrebentavam e Luciano Manga brilhava como vocalista, o que dizer de Juninho Afram? De coadjuvante, se tornou protagonista, escrevendo sozinho a maioria das músicas, tornando-se o principal compositor da Oficina e até intérprete em várias faixas. “Glória Inst.” é a coisa mais brilhante deste grande álbum, que ainda nos surpreende pelas belas baladas “Magia Alguma” e “Novos Céus”, sem falar nos hards “Davi”, “Indiferença”, “Espelhos Mágicos” e “Não Temas”. Outra beleza que vejo no disco é “Your Eyes”, para mim, uma das melhores e mais subestimadas músicas do G3.

    [infobox title=’1º: On the Rock’]Artista: Resgate
    Ano de lançamento: 1995
    Número de faixas: 14[/infobox]

    Resgate - On the Rock - 1995Jhonata: Certa vez me disseram pra ouvir 5:50 AM do Resgate como se tivesse ouvindo “Sem Você” do Rosa de Saron, ou seja, é o clássico mais conhecido da banda. Confesso que gostei da música e, como já disse em postagens anteriores, gosto da banda. O que mais me agrada neste disco são as guitarras. Finalmente um disco dessa lista com guitarras agradáveis de começo ao fim.

    João: ON THE MARVELOUS ROCK!!! Praticamente escrevi essa review dos 10 discos da lista com esse disco rolando no meu PC. O disco que eu mais ouço do rock cristão, hoje e sempre. Como já falei no disco Resgate de 1997, o meu primeiro contato com a banda do Zé Bruno, Jorge Bruno, Hamilton e Marcelo foi com o Praise de 2000, que é sem dúvidas um dos melhores discos da banda. Mas um certo dia, em 2002, 2003, não lembro ao certo, pedi emprestado ao pastor Carlos Alberto (Carlão) da minha velha Renascer Beberibe que eu fazia parte na época, esse disco. Eu queria muito ouvir devido ao fato de ter visto os caras do Resgate tudo cabeludão, igual à matéria da Revista Gospel Nº 2 (dezembro/2001) que mostrava várias fotos de shows antigos da banda. Fiquei imaginando o som que eles faziam, já que na época o que rolava era o Acústico da banda (por sinal também muito bom, e foi o primeiro disco de rock cristão que eu comprei na vida). Quando ouvi esse petardo, foi um momento meio “decisivo” pra mim. Eu já na época queria ouvir e tocar uns sons mais “pesados”, embora ainda não fosse uma coisa bem determinativa (acho que só em 2005, há 10 anos atrás, que eu realmente comecei a “entrar de cabeça” nesse som). E assim, On the Rock se tornou meu disco predileto.

    Mais uma produção de Paulo Anhaia, provavelmente a primeira dele com bandas “cristãs”, e ele já chegou destroçando tudo, porque esse é sem dúvidas o melhor disco que ele produziu, com letras precisas, hard rock bem medido, falando de solidão, problemas sociais, hipocrisia religiosa e até humor (temática que começou no disco anterior Novos Rumos com o cover de “Florzinha”, e que seguiu adiante em vários discos da banda até hoje). Acho que não tenho mais o que falar desse disco, senão vai ser repetitivo, o que posso dizer é: QUE DISCO!

    Phil: Abram alas pro campeão. Cara, se for pra fazer um apanhado do rock cristão nacional de todos os tempos esse álbum fica no TOP 5 fácil. O mito Paulo Anhaia ataca novamente e fez um grande trabalho, aparando as arestas dos caras e os direcionando no hard rock de uma forma mais expressiva que os álbuns anteriores. Ficou muito redondinho. Bem feito demais. Os caras soavam muito melhor. Aqui, os temas das letras variam mas carregam diferentes temáticas de uma forma meio satirizada, que se tornaria a marca do Resgate ao longo dos anos. Parece que as canções conversam com a gente, digo, pelo linguajar mesmo. E do On the Rock saiu o que (dizem) é o maior sucesso da banda: “5:50 AM”. É um CD pra ninguém botar defeito, e não digo isso pelo jargão!

    Thiago: On the Rock foi descrito como um clássico da banda Resgate, mas apesar de eu preferir Ainda não É o Último, é um ótimo trabalho musical. O disco reuniu músicas com sonoridade hard rock com flertes ao heavy metal, mais pesado que os álbuns anteriores e muito melhor, tanto musicalmente, quanto conceitualmente. A obra teve a música de maior sucesso da banda e uma das melhores deles, a fera 5:50 AM, uma bela canção sobre solidão. As humorísticas “Papo de Lóki” e “Fogo” são hilárias, mas o sarcasmo de “Fogo” é bem neopentecostal. “Doutores da Lei” incorpora uma crítica aos fariseus, apimentada pelo hard rock. Os riffs magnéticos de guitarra eletrizam e atrai do início ao fim. “He’ll Come Again” é a única mediana do álbum. On the Rock, Indiferença e Armagedom ocuparam com muita justiça o pódio da lista de 95-99.

    Tiago: Primeiro lugar merecido, embora sei que alguns dos meus colegas vão discordar. Nos discos anteriores, o Resgate ainda tentava se encontrar, e com Paulo Anhaia chegaram onde queriam. On the Rock é o registro de uma banda vibrante, alegre, deslumbrada pela possibilidade musical que encontraram. Há algo muito particular no quarteto, já observado nos dois anteriores, que não encontramos em nenhuma banda ou cantor cristão da época: o humor cínico. Este álbum é repleto dele. A banda trata de temáticas seríssimas de forma despojada, como o isolamento social (“Solidão”), morte (“Vida”) e até o diabo (“Fogo”). Mais pesado, o disco foi gravado ao vivo, e é pancada. Vale destacar, também, as fortes críticas em “Doutores da Lei” e a balada mais repetidamente regravada da banda, “5:50 AM”. Os riffs de Zé Bruno e Hamilton estão afiados, a cozinha pega fogo e nas catorze faixas não perde o fôlego. Para um ano em que o Brasil começou a vibrar com os Mamonas Assassinas, o Resgate já evoluía o seu humor desde 1991, curiosamente ao lado do Creuzebeck. De longe, o seu melhor trabalho e um dos melhores álbuns da década.


    A lista foi compilada através de votos dos participantes. Confira, nesta página, a quantidade de votos e os discos que ficaram de fora.

  • Complexo J – discografia e obra

    Um dos grupos mais importantes do rock cristão, surgido nos anos 80, o Complexo J é uma banda do Rio de Janeiro.


    Guia discográfico

    Solidão (Independente/1988): Com influências do rock progressivo e do hard rock, o primeiro disco do Complexo J contém bons momentos e é uma estreia razoável. (Nota: [usr 3])

    Arte Final (Gospel Records/1990): Um dos melhores discos do grupo, contém uma evolução musical considerável, com faixas instrumentais e letras instigantes. (Nota: [usr 4])

    (MK Music/1992): Um literal ‘tapa na cara’ da sociedade, o terceiro trabalho do Complexo J é um dos discos mais fortes dos anos 90, em tempo de extenuantes crises econômicas e expansão do meio evangélico. Apresentando Cristo como solução revigorante, é o ápice da capacidade criativa do grupo, com grandes canções, como “Abra Seus Olhos”, “Choro da Natureza” e, especialmente, “Sábado Quente”.  (Nota: [usr 5])

    Riqueza de Sons (MK Music/1994): Aproximando-se da tropicália, e com mais influências extra-rock, mantém o discurso relativamente forte do disco anterior, mas é muito mais aberto a outros tipos de som, realmente justificando o título. (Nota: [usr 3.5])

    (Gospel Records/1995): Menos forte do que o disco anterior, o disco é repleto de algumas boas canções, como “Sempre te Vejo” e “25 anos”, mas elas são a minoria do projeto. (Nota: [usr 2.5])

    10 Anos (Independente/2001): Aparentemente uma coletânea, mas na verdade um registro que mais soa como uma colcha de retalhos, o disco não faz muito sentido.  (Nota: [usr 2])

    Consciência Limpa (Independente/2008): Voltando-se ao som mais antigo da banda, o disco funciona muito bem como um registro à moda antiga da banda, trazendo, até, regravações. (Nota: [usr 4])


    Notícias e matérias sobre o Complexo J

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