Categoria: Melhores discos cristãos

  • Melhores discos de rock cristão nacionais: 2005 a 2009

    Continuando a nossa lista de melhores discos de rock cristão nacionais, apresentamos a nossa segunda votação de álbuns na década de 2000. Desta vez, tivemos vários artistas novos, mas alguns bandas já conhecidas também. Confira os dez colocados!

    Leia também as listas anteriores: Década de 70, década de 801990-19941995-1999 e 2000-2004

    [infobox title=’10º: A Tinta de Deus’]Artista: Katsbarnea
    Ano de lançamento: 2007
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Katsbarnea - A Tinta de Deus - 2007

    João: Finalmente o Paulinho acertou a mão no Kats (risos). Não é o disco mais brilhante da banda (tanto que está em 10º), mas foi o melhor da fase de Makuko como líder. Essa sonoridade à lá rock inglês foi muito positiva pra banda, seria bom que eles tivessem mantido nessa linha, com certeza teria sido fabuloso. Enfim, é uma alegria rever o Kats por aqui.

    Márllon: Nunca fui grande fã do Kats, aliás esse é um dos 2 únicos CDs que tenho da banda, mas esse trabalho atinge (na minha concepção) o objetivo da música: Entreter o ouvinte. Não há nada de fora de série aqui, mas são boas músicas e de fácil audição.

    Phil: CD legal, viu. Depois de mais de 10 anos sem lançar nada novo, A Tinta de Deus foi um bom álbum. Por mais que eu não curta demais Paulinho Makuko, não posso negar que é um trabalho muito bem feito e o baiano arregaçou no vocal e nas composições. Talvez não tenha tanto a “identidade Katsbarnea” porque as letras não são de Estevam Hernandes nem de Brother Simion, mas mesmo assim leva um pouco da loucura da banda… a boa loucura, fruto de uma mente da velha guarda do rock cristão brasileiro. Musicalmente, com Dudu Borges (mito) na produção e Déio Tambasco nas guitarras não tem erro! Só não ficou tão hard rock como outros trabalhos antigos (e tem faixas com bastante pegada), mas isso não tira nenhum mérito do álbum. Décimo lugar pra ele e talvez merecesse mais.

    Thiago: A Tinta de Deus é o primeiro disco inédito sem a presença de Brother Simion e solidifica a manutenção de Paulinho Makuko como vocalista (calma, apenas como vocal, sem aqueles irritantes sons de percussão). Começa com uma canção que esbanja nas guitarras, “Primavera”, e com riffs velozes de introdução. Dudu Borges e Déio Tambasco capricharam nos arranjos e na produção. O disco é bastante diferente do que o Katsbarnea já havia feito, todo pautado no rock alternativo, sem as influências tropicais, progressivas e exóticas de Brother. As canções foram escritas, na maior parte, por Makuko. Disco bom, posição justa.

    Tiago: Antes de tudo, acho que esta lista foi a mais difícil de todas. Pelo menos acho todos os álbuns entre os dez bons, sem exceção. E já começar vendo A Tinta de Deus em décimo é meio desanimador, porque eu queria que ele estivesse em uma posição melhor. O trabalho é simplesmente o melhor que Paulinho Makuko fez em sua carreira. Amadurecendo suas letras desde o solo 12 (Gospel Records, 2005), a grande vantagem do disco se deve a parceria com vários músicos, desde as guitarras de Déio Tambasco, a bateria de Marcelo Gasperini e os baixos de Rob Tavares e Villaça. Os versos são bem trabalhados. Até me assusto quando as comparo com o sucessor Eis que Estou à Porta e Bato… O que aconteceu com Makuko, afinal?

    [infobox title=’9º: Target: Human, Mission: Destroy’]Artista: Krig
    Ano de lançamento: 2009
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Target - Human Misson - Destroy - Krig - 2009

    João: Krig foi uma das melhores bandas de metal cristão do Brasil de todos os tempos. Pra mim esse é o melhor disco deles, sem sombra de dúvidas. Só pelas faixas de abertura “Mercenary Pastor” e “Fatality Brutality”, indispensáveis em quaisquer shows que a banda faria de 2009 em diante, já valeria estar entre os 10, mas eles ainda mandaram mais letras impressionantes, seja pela parte crítica da sociedade (“Fast Food”, “My Intestine is Displayed”, “Amazon Bleeds”, “Politicians in the Pigsty” e “Beautiful Mutilation” – essa última trazia uma temática melhor desenvolvida no seu sucessor “Narcissistic Mechanism”), como nas religiosas “Chaos in the Air”, “You Will Be Hated” e “My Abstract Side”. Um disco completo, provando que death metal e cristianismo podem dar muito certo sem serem letras “mata-capeta” o tempo todo. Merecia estar entre os 3 primeiros, desculpem-me.

    Márllon: De longe o melhor da discografia desses mineiros. Bruto, cru, carniceiro e instigante como todo bom trabalho de death metal precisa ser. O que me atrapalha em ouvir o Krig em alguns de seus álbuns é que muitas vezes a música é tão técnica que perde um cado daquele feeling, o que não ocorre neste álbum. Instrumental (muito) pesado com toques de Grind e Death Melódico e letras que saem do lugar comum do estilo, esse é Target: Human, Mission: Destroy.

    Phil: Quando ouvi a introdução da primeira faixa já saquei que ia tremer tudo. Quando o álbum acabou eu me espantei como minhas orelhas não caíram. Krig é death metal, brutal, podrão, denso, sem frescura e com todos os pig squeals que você quiser. Esse álbum em particular tem uma atmosfera grindcore (o que contribui pra podridão) e lirismo niilista/pessimista/destrutivo/DESTROYEVERYONEDESTROYEVERYTHING que me fez pensar como o álbum deve ser importante pra galera que curte o lado negro da força. Eu não sou tão fã de death (vou dar a cara a tapa: gosto de metalcore, desde que bem feito, o que é raro) mas Krig me surpreendeu. Aliás, o álbum foi bem produzido e mixado também. Ah véi, pare de ler e vai ouvir logo.

    Thiago: Com gritos guturais e pig scream, graves riffs de guitarra, bateria pulsante, com o peso do death metal, Krig produziu Target: Human, Mission: Destroy. Apesar de que eu não curto pig scream, o disco é bom para o estilo, tem peso, corre na contramão do tipo de música de mercado. Achei justo estar nessa lista.

    Tiago: Não é muito o tipo de metal que gosto de ouvir, mas é bom sim e merece estar entre os dez.

    [infobox title=’8º: Tudo que eu Queria’]Artista: Tanlan
    Ano de lançamento: 2008
    Número de faixas: 13[/infobox]

    Tanlan - Tudo que eu queria - 2008

    João: Nunca fui muito fã da Tanlan, mas após começar a me aprofundar no novo movimento, percebi o como os caras são geniais. As letras de todos os discos da banda são fora dos padrões do gospel, e sempre trazem reflexões, letras introspectivas, aqueles desejos perdidos que vivem nos arredores de nós e em nossa religiosidade farisaica e hipócrita negamos sentir. Outro disco que está muito abaixo de onde deveria. O primeiro lugar seria perfeito para ele.

    Márllon: Nos vemos na resenha do sexto disco 🙂

    Phil: Textos e reviews costumam empurrar Tanlan pra definição do “novo movimento” e até faz sentido, mas prefiro dizer que Tanlan é uma banda brasileira de rock. Em muitos momentos me lembra Jota Quest (que a turma adora malhar, mas quando toca um clássico ninguém fica parado). Dito isso, não curto tanto esse álbum. Não sei o que falta… Talvez um pouco mais de pegada? Talvez letras mais incisivas? Ou uma produção menos clean e radiofônica? Não sei. Mas essas minhas soluções acabariam com a identidade da banda, e tá bom do jeito que dá, porque é o jeito deles de ser.

    Thiago: Rock alternativo e post-grunge, letras diferentes e reflexivas, músicas fora do padrão gospel são encontrados nesse disco. É um clássico disco do novo movimento, sem as rimas e frases repetitivas evangeliquês. Para um disco de estreia é um bom lançamento. “Tudo que eu Queria”, “Bem Vindo”, “Quando eu Vejo”, “Eu Sei”, “Marionetes”, “Aprender” são algumas das boas obras encontrados nesse CD. “Bem Vindo” tem uma letra com uma influência, ou melhor, a mesma ideia da letra de “Dare You to Move”, a semelhança delas é enorme. Aliás, o disco tem uma influência musical pequena do Switchfoot, uma das bandas que mais influenciaram os músicos que seguiram a ideia do novo movimento ou mesmo do crossover.

    Tiago: O primeiro disco da Tanlan merecia estar lá em cima, sem dúvida. E, depois do disco de estreia da Aeroilis, talvez este seja o mais importante lançamento do novo movimento até hoje. Diferentemente de bandas como a própria Aeroilis e o Palavrantiga, a Tanlan de fato fez um disco com pouquíssimas referências religiosas, fazendo com que conseguissem tocar, por muito tempo, em eventos de fora do nicho evangélico. Os elementos eletrônicos, com as letras existenciais, foram talvez o melhor lançamento dos gaúchos até o momento em que escrevo este texto.

    [infobox title=’7º: Consciência Limpa’]Artista: Complexo J
    Ano de lançamento: 2008
    Número de faixas: 13[/infobox]

    Complexo J - Consciência Limpa - 2008

    João: Não ouvi esse. Sendo do Complexo J deve ser muito bom, mas não ouvi, também irei opinar muito.

    Márllon: Nos vemos na resenha do sexto disco 🙂

    Phil: Meu irmão, que álbum arretado. Parece que Complexo J é das bandas que tudo o que toca é sucesso. E é mais outro feito por cabeças da velha guarda, o que reforça o ditado “panela velha é que faz comida boa”. Err, wait… enfim, é o tipo de CD que eu botaria no carro pra fazer uma viagem bem boa, porque é muito gostoso de ouvir, e as letras são igualmente boas (again, velha guarda). Se minha internet não tivesse falhado tanto durante a época de audições e votações pra essa lista eu teria colocado esse álbum em alguma posição mais pra cima (risos). Rock de primeira nas primeiras faixas, o final mais acústico e tranquilo, transição legal no álbum. Vá embora ouvir também!

    Thiago: Tive a coragem de colocar esse disco em uma posição bastante alta. O que me motivou é a banda ser um dos clássicos do rock cristão nacional, ter inovado o seu som, pautado no hard rock nesse CD, e apresentar uma musicalidade diferenciada do que eu já estou acostumado a ouvir. “O Dia do Senhor” abre com um hard muito bom, “Marcas no Coração” continua nesses mesmos passos, persistindo até a sétima faixa. A partir da oitava faixa, o forrock “Sua Cabeça”, o estrutura musical das canções muda bastante. Complexo J apresenta blues, baladas com saxofone e folk rock com violões. Aliás, saxofone foi usado no disco inteiro. Consciência Limpa é o resultado de inovação de uma banda que ajudou a estruturar o BRock cristão.

    Tiago: O Complexo J ficou sem nos presentear um disco de inéditas por mais de uma década. Tempo suficiente para uma geração inteira esquecê-los. E, mesmo desfalcados, se sobressaem com Consciência Limpa. Marco Salomão canta sozinho todas as músicas (e neste aspecto, Liza faz muita falta), mas temos todos os demais elementos que caracterizam as músicas da banda nos anos 90: crítica, versatilidade, humor e progressivismo musical.

    [infobox title=’6º: Até eu Envelhecer’]Artista: Resgate
    Ano de lançamento: 2006
    Número de faixas: 11[/infobox]

    Resgate - Até eu Envelhecer - 2006Jhonata: Resgate é uma banda que sempre conquistou seu público pelas letras e instrumental. Neste disco, é perceptível um amadurecimento. Questiono muito a base teológica da banda, mas eles conseguem fazer rock cristão de qualidade. As músicas são boas, mas poucas. Sabe quando você ouve um disco e quando ele acaba você pergunta: “Só? Cadê o resto?”. Até eu Envelhecer acaba soando morno demais.

    João: Começa minha jornada de perguntas “o que esse disco faz aqui?”. Sou fã inconteste de Resgate, e na próxima lista já adianto que votarei na banda sem dúvidas, mas esse disco nem na lista dos dez mais deveria entrar. O 666 Corporation do Trino merecia mais, muito mais.

    Márllon: Até 2010 eu até ouvia o Resgate mas não nutria grandes amores por eles ou o seu repertório prévio, mas com o lançamento de Ainda não É o Último passei a ouvir com maior atenção os trabalhos anteriores e foi assim que “descobri” essa pérola em questão. A sonoridade mais vintage (assim como alguns arranjos) é o ponto alto do disco. Sim, existe o ranço da Renascer em algumas letras, mas que não desmerece musicas como “A Gente” (uma das minhas favoritas deles) e “Meus Pés”.

    Phil: Curto esse álbum! Primeira vez que o ouvi na verdade foi através do DVD Até Eu Envelhecer ao Vivo, porque sou fã de coisas ao vivo. 🙂 Mas é fato que eu curti pra caramba quando vim ouvir a versão de estúdio. OK, concordo quando dizem que certas canções são “desnecessárias” ou “demais” (pejorativamente), tal como Fruto Sagrado costumava fazer. Por favor, gente… risos. Mas aí sim, fomos surpreendidos novamente: Como Resgate leva muito do trabalho deles num viés humorístico, eles fazem do desnecessário um “engraçado” e do demais um “interessante”. É, mais uma vez, a tradição do Resgate contorna as próprias limitações.

    Thiago: Eu gosto dos arranjos desse disco. É aberto por uma canção bem seca, “Meus Pés”, com gritaria de Zé Bruno nos microfones. Até eu Envelhecer marca a entrada de Dudu Borges, uma parceria que daria muito, mas muito certo. As camadas de guitarra de Zé e Hamilton Gomes, combinadas ao piano e órgão hammond do novo integrante caíram perfeitamente no som da banda, identificando-a. A viajada “Astronauta”, o punk country “A Gente”, “O Médico e o Monstro” (inspirada no filme de mesmo nome, por Victor Fleming), o folk/country/blues “O Perdido e o Sentido” são as melhores. “Eu Vou Chegar Lá” achei entediante. O que estraga o disco é a influência da Renascer  e do neopentecostalismo na construção lírica de algumas canções. “Meus Pés” tem uma sonoridade destruidora, mas peca nos versos. A palavra do Estevam Hernandes avacalhou no final.

    Tiago: Engraçado que os integrantes do Resgate soavam elegantes mesmo atolados na lama podre do neopentecostalismo. Mas claro, não é porque temos “Meus Pés” e “A Gente” no repertório que o bebê deve ser jogado fora junto com a banheira. Até eu Envelhecer é, musicalmente falando, um dos discos mais consistentes do Resgate. E isso é, principalmente, mérito de Dudu Borges. Recém-integrado, o músico deu uma cara diferente para a banda. Os arranjos soaram melhores, mais ricos e menos previsíveis. Até as duas músicas anteriormente citadas, sonoramente, são muito boas de ouvir. Mas as melhores são “Passo a Passo”, “Astronauta” e “Te Encontrar”. Estão, de longe, entre as melhores músicas que já produziram. Nota-se como amadureceram neste projeto. E, espiritualmente, amadureceriam mais em Ainda não É o Último, o sucessor.

    [infobox title=’5º: A Vida Como Ela Era’]Artista: Hibernia
    Ano de lançamento: 2009
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Hibernia - A Vida Como Ela EraJhonata: Ah, banda Hibernia! Gravaram este disco super demais em 2009 e sumiram: nunca mais gravaram nada (não que eu saiba). A faixa-título é uma introspectiva reflexão sobre a inocência dos dias passados, a mesma narrativa que o restante do álbum segue.

    João: Conheci Hibernia num post daqui do site, e eu me apaixonei à primeira ouvida. Essa banda me fez querer ouvir mais bandas do novo movimento, confesso. Uma lástima que a maioria segue uma receita de bolo chata pra caramba de indie cosplay mal-feito de O Teatro Mágico (que eu amo), ou pior, um Mombojó ou Los Hermanos falsiê (como se Los Hermanos já não fosse algo chato o suficiente…). Mas Hibernia conseguiu ser muito original, e esse disco… cara, eu preciso ouvir mais, pra inspirar meus poemas e arrancar tantas das decepções do meu dia-a-dia e quem sabe acalmar mais minha alma conturbada por vezes.

    Márllon: Pulo.

    Phil: Hibernia? Quem? Não sei, mas achei o álbum muito massinha. Quero dizer, não é o tipo de rock que eu escuto com frequência, mas musicalmente é muito bom. Gostei. Dito isso, eu quase dormi ouvindo o álbum. Acho que umas posições abaixo não seria ruim. E só.

    Thiago: A Vida Como Ela Era é muito intimista. Outro disco do novo movimento, o som é estruturado por bastantes teclados, misturado ao brit rock, resultando em um bom rock alternativo. A concepção do disco se resume ao retorno da vida como ela era, simples, inocente e dependente, com letras poéticas e introspectivas. Não gostei tanto da voz do Renato Santana, porém isso não diminui a qualidade do disco. Ulster ficou deslocada no disco (ela me lembrou “Hosanna”, do Hillsong United). Gostei da capa. Em resumo, um bom CD.

    Tiago: Disco fantástico. Hibernia é uma das melhores bandas do novo movimento. A Vida Como Ela Era é, sobretudo, nostálgico. Toda a sonoridade e versos remetem a uma saudade da infância, dos tempos de inocência. Introspectivo, profundo e triste, sem dúvida foi um dos melhores lançamentos de 2009.

    [infobox title=’4º: Satanichaos’]Artista: Antidemon
    Ano de lançamento: 2009
    Número de faixas: 19[/infobox]

    Antidemon - Satanichaos - 2009

    João: “O que esse disco faz aqui?”² – É um disco legal pra bater cabeça e só, sorry.

    Márllon: Com todo o respeito aos membros da banda, mas esse álbum não merecia estar nem entre os 50 primeiros da lista. De longe o mais fraco da banda, produção limpa demais para uma banda do estilo, composições que no geral não empolgam. Com esforço consigo salvar 3 faixas dentre as 19. Não é um lixo total, mas tá muitíssimo aquém do que a banda poderia oferecer.

    PhilVéi… eu gosto de Antidemon, mas esse álbum não merecia 4º lugar. Sem querer ser chato, mas ficou meio farofa pro potencial da banda. Não é um álbum ruim, mas acho que forçamos a posição. Mas não posso reclamar, eu não votei nessa lista mesmo ¯\_(ツ)_/¯

    Thiago: Eu acho esse disco do Antidemon muito grindcore, músicas muito rápidas, sem criatividade, apenas peso e riffs velozes, mas vale por ser uma música pouco comercial, e fazer algo assim é difícil nos nossos tempos.

    Tiago: Ouvi e já não me lembro das músicas. Maior vacilo da lista. Ninguém votou conscientemente nisso. Podem bater na gente, eu deixo.

    [infobox title=’3º: Depois da Guerra’]Artista: Oficina G3
    Ano de lançamento: 2008
    Número de faixas: 15[/infobox]

    Oficina G3 - Depois da Guerra - 2008

    João: “O que esse disco faz aqui?”³ – Gozado, tenho originais os três discos que fiz isso, mas… esse em especial é o mais superestimado exagerada e erradamente do Oficina G3. A produção é fantástica e panz, mas é um disco desnecessário, igual quando o Petra tentou nos EUA lançar Jekyll and Hyde tentando passar-se por banda pesada – um disco bom, bem produzido, mas que não tem nada demais.

    Márllon: Se for analisar o mainstream cristão, foi um álbum de grande impacto, pois apresentou uma sonoridade mais pesada para uma galerinha marota. O problema foi que essa turma deu origem a uma das pragas mais chatas , os imprestáveis dos oficináticos. Gosto da faixa título, uma das minhas favoritas da banda, mas analisando a fundo, não tem nada de novo nesse trampo. Qualquer um com um pouco mais de vivência de som sabe que o Oficina G3 adora chupinhar o que está na crista da onda, e naquela época não foi diferente.

    Phil: Esse CD tem uns aspectos interessantes. Muitas histórias por trás dele. O Alexandre Aposan (ainda não efetivado na banda) que era um batera de pagode(!) e mesmo não tendo participado do processo criativo aprendeu tudo na boa, arregaçou na batera e ficou em bastante evidência durante a turnê, surpreendendo todo mundo. Ele calou os pseudocríticos da internet que desciam o sarrafo xingando-o de pagodeiro na comunidade do Oficina no Orkut (sim, meus amigos!). Celso Machado gravou algumas (poucas) guitarras e violões. Mauro Henrique que ia estudar algo de música (não lembro exatamente o quê) na Irlanda, mas com o chamado do Oficina ficou por aqui e o resultado tá lá no álbum: O vocal poderoso do recém-chegado. A própria banda trouxe outros produtores (os caras da Korzus) para esquematizar o álbum. Inclusive porque tiveram que mudar o tom de algumas músicas, que estavam na voz de Juninho Afram e depois tiveram que encaixar pra Mauro. E, claro, outros compositores. A soma dos fatores criou o álbum que foi o mais barulhento de 2008 a 2010 no mainstream cristão brasileiro. Não digo isso só pelo som: Por todos os lados eu via e ouvia gente falando do Oficina G3, Depois da Guerra isso, que o DVD DDG Experience aquilo, tinham ganho um Grammy Latino, que “Meus Próprios Meios”, o clipe de “Incondicional”, etc e tal. Então, por mais que o álbum não tenha sido muito “Oficina” foi importantíssimo, e, ei, ficou um trabalho do caramba, vá. Metalcore, progressivo, hard rock, pra tremer tudo, meu amigo.

    Thiago: Depois da Guerra é o disco mais pesado do G3, mas não o mais criativo. Eu gosto bastante dele, a banda mantém sua regularidade nessa obra misturando metal progressivo com metalcore. Inova com os guturais de Jean Carlos (nem  foram tantos, se resumem a trechos de “Meus Próprios Meios”, “Meus Passos”, “Muros”, “Obediência” e de “Better”). A capa desse disco foi bem produzida, é uma das melhores do rock cristão brasileiro. A quebradeira de “Meus Próprios Meios” e “Meus Passos” (as duas parecem uma continuidade uma da outra, com a mesma ideia a La Romanos 7 e com a mesma musicalidade), a ponte e o refrão grudante de “Eu Sou”, a velocidade de “Depois da Guerra” (bem power metal) e o seu solo celestial, “A Ele” (outro solo celestial) e a faixa mais distinta do álbum, o cover “People Get Ready” do The Impressions, a melhor balada do disco, com sua letra exibindo de forma poética a graça de Deus e as camadas delirantes de guitarra. Juninho Afram, Jean Carlos, Duca Tambasco e Alexandre Aposan mantém um ótimo desempenho no disco. Mauro Henrique, com sua voz potente, também, porém, ao vivo, é em parte broxante.

    Tiago: Se não me engano, eu lembro que ouvi “Incondicional” em uma rádio pela primeira vez no final de 2008, quando o disco foi lançado. Foi engraçado, porque até o locutor dizer que se tratava da banda, não me passava pela cabeça que era eles. E era. A sensação que DDG me deixou, por tempos, foi essa: um disco bem produzido, projeto gráfico impecável, algumas músicas de fato excelentes, mas nunca reconheci a Oficina G3 nisso. Outro defeito do álbum é o excesso de compositores externos. Oficina nunca foi uma banda dependente de compositores de fora (embora, sempre em um disco tivesse uma música de outro letrista). “Meus Próprios Meios”, a grande música das pesadas, é escrita por Déio Tambasco. A balada veio da FullRange. As vezes pensava que eu gostaria mais do disco se Juninho tivesse gravado os vocais, mas quando o bom Histórias e Bicicletas foi lançado, vi que o problema não era exatamente as vozes do Mauro. Hoje não sei dizer se Depois da Guerra é um bom disco. Acho-o um mix de exageros.

    [infobox title=’2º: Cadeira de Rodas’]Artista: Desertor
    Ano de lançamento: 2006
    Número de faixas: 20[/infobox]

    Desertor - Cadeira de Rodas - 2006

    João: SURPRESA! Não merecia estar no segundo lugar, mas nos dez mais com certeza! Um disco fantástico de um ritmo tão pouco explorado no cenário cristão em geral e principalmente no Brasil, a fusão perfeita de metal e punk/HC: Crossover (não, metalcore não é a melhor e nunca será, não tem o peso necessário pra isso, chorem moderninhos!). Esse disco eles conseguiram a combinação perfeita que o anterior Aborto não! não tinha conseguido, virando um disco claramente inspirado em Ratos de Porão (só que bem melhor, digo mesmo). Se você gosta de peso pesado de verdade, esse é o disco. Agora se você não é adepto, passe longe (eu mesmo na primeira vez que ouvi me assustei, confesso, mas depois gamei muito nesse disco). Como faz falta bandas desse gênero no Brasil, além deles só vi a desaparecida Theosophy dos anos 90 e a recente e caruaruense Proffetos HC.

    Márllon: Muito me surpreendi com esse trabalho nessa lista, ainda mais em uma posição tão alta. Cadeira de Rodas é um divisor de águas no cenário nacional. Apesar de termos tido trabalhos fabulosos no underground BR, nenhum (a meu ver) atingiu um nível de excelência quanto esse álbum. Produção meticulosa, arte gráfica decente, letras fortes e de impacto e com apoio de um selo de verdade, que manjava dos paranauês. Indispensável na coleção de quem curte som porrada.

    Phil: Punk hardcore! Meus olhos brilharam quando descobri isso aqui! Cara, que incrível. Na verdade tem uma influência bem Ratos de Porão, e bem, eu gosto muito de RdP, mas Desertor é mais rápido e mais pesado, até com uma cara thrash. Lógico, Cadeira de Rodas é um daqueles álbuns cheio de faixas de um minuto (ou menos), algo que muita banda loucona hardcore costuma fazer isso. Normal, e legal na verdade. Mas o que me impressiona é a produção e a arte gráfica. O CD é muito bem feito. OK, é hardcore e por isso não tem a intenção de soar podrão. Mas assim como o Krig fez um death intencionalmente podre, porém bem produzido. Desertor conseguiu mandar pra galera um álbum pesado mas não descontrolado, dentro da proposta que eles queriam mandar. E a capa foi bem feita pacas. Imagino que isso foi bem importante já que esse era o primeiro álbum completo deles. E as letras? Como todo punk, falam de tudo. Drogas, guerras, injustiça social, política, alienação, e etc. Mas com um enfoque cristão, bem realista. Como eu disse anteriormente, não votei pra essa lista… mas fico feliz que meus companheiros botaram Desertor no pódio!

    Thiago: Cadeira de Rodas tem um estilo que ouço muito pouco, crossover thrash. Misturando hardcore e thrash metal, riffs velozes e pesados, bateria pulsantes e vocais rosnados, fazem um tipo de música muito pouco comum dentro do rock cristão tupiniquim. Não tenho tanta propriedade para falar da banda, mas a sua música valeu a entrada.

    Tiago: Cadeira de Rodas é fantástico. Um disco de uma banda independente que longe está das bandas mais conhecidas do rock cristão nacional em segundo lugar nesta lista mostra o quanto este trabalho se sobressai. A Desertor produz um som crossover, com elementos de thrash e hardcore, mas com a agressividade punk.

    [infobox title=’1º: Além do que os Olhos Podem Ver’]Artista: Oficina G3
    Ano de lançamento: 2005
    Número de faixas: 14[/infobox]

    Oficina G3 - Além do que os Olhos Podem VerJhonata: Talvez esse seja o único disco dessa lista que eu discordo severamente de estar nessa posição. Para ser mais claro, considero Além do que os Olhos Podem Ver um bom álbum, mas muito inferior a, por exemplo, Casa dos Espelhos do Rosa de Saron. Eu também não entendo o louvor que as pessoas colocam em cima desse trabalho pois, para mim, continua sendo um Oficina G3 forçado tentando fazer rock pesado além do que consegue (o nome desse álbum poderia ser perfeitamente Além do que o Oficina Consegue Ser). Mas, nem tudo são pedras: o disco realmente é bom ao nível da banda e a situação em que os integrantes estavam. É um rock pra curtir, refletir e acreditem, dançar.

    João: Ahhh só estamos falando do segundo melhor disco da carreira do Oficina G3! O Indiferença sem dúvidas é o melhor, mas esse disco é fantástico. Engraçado é notar que numa mesma época dois discos foram feitos por bandas que passaram praticamente pelo mesmo problema com integrantes: O G3 e o Fruto Sagrado, ambas lançaram discos com músicas que num nível ou outro falavam dessa situação (esse disco e o Distorção do FS), e chega a ser bizarro pensar que o grupo conseguiu acertar em cheio (e não, não tem nada a ver com o fato de terem mais fama) e o Fruto falhou miseravelmente. Além é muito bem produzido, a voz de Juninho é linda demais, os arranjos baseados no rock/metal progressivo estão entre os melhores da história do rock cristão mainstream e as letras estão fantásticas, como a faixa título, “Réu ou Juiz”, “Mais Alto”, “Amanhã”, “Sem Trégua”, “Lugar Melhor” e a “Numb”, digo, “A Lição” (é, porque os arranjos dessas duas são tão parecidos em alguns pontos que eu e um amigo meu costumávamos brincar com isso [risos]). Ele e o da Tanlan mereciam muito estar em primeiro, já que foi o G3, coroado está com honras.

    Márllon: Depois de uma sequencia de álbuns puramente comerciais, o Oficina G3 fez uma mudança radical neste primeiro álbum sem o seu antigo vocalista. Após álbuns mais simples foi bom ver e ouvir a banda se arriscando em campos mais ‘intricados’ instrumentalmente falando. A voz de Juninho casou perfeitamente bem nas musicas mais lentas mas não fez feio nas mais agressivas. E tirando a música em parceria com Marcão do FS, não há música ruim nesse CD.

    Phil: Após um período tenso entre a mudança de hard rock pra pop rock com o CD O Tempo (que teve lá sua importância) e depois pra uma coisa híbrida e mal feita (Humanos), PG saiu da banda e não vou falar sobre isso; a internet tem links explicando ambos lados dessa separação. O fato é que agora o Oficina, seguindo oficialmente como trio, parecia ter retomado o caminho do Oficina. Entendam: Além do que os Olhos Podem Ver seguiu um caminho que muitos fãs de O Tempo acharam bem ruim. É lógico, a maioria da galera que se aproximou nessa época curtiu o pop, o rock tranquilo; esse álbum retornou às raízes pesadas, mas agora com ideias de metalcore, contratempos, mais distorção, e virtuosidade, então é natural que torçam o nariz. Mas, na boa? Esse era o caminho natural que o Oficina seguiria! Basta analisar o caminho feito antes da era PG. O Oficina iria ficar mais e mais pesado, cedo ou tarde. Era inevitável. Só que, acontecidos os fatos, me soou como uma redenção e o retorno da fênix (que nunca tinha morrido, só foi passear no bosque). Pra mim, é o melhor álbum de inéditas do Oficina até hoje, e é o meu preferido. As letras, por sinal, mudaram pra muito melhor, em minha opinião. Juninho Afram arregaçou nos vocais, cara! Eu prefiro ele a qualquer outro vocal que tenha passado pelo Oficina (mas compreendo que ter que cantar e ainda tocar tudo o que ele toca é difícil; que venha Mauro em 2008). E acho que falar melhor desse álbum do que desse jeito só se eu analisar faixa a faixa, e não cabe aqui. Por hora, esse é o campeão, merecidíssimo!

    Thiago: Além do que os Olhos Podem Ver marca a saída de PG e a consolidação de Juninho Afram como vocalista principal. É prog metal puro, com peso, músicas com mudanças tonais, quebras de ritmos, tudo que é característico desse estilo. Tem uma das canções preferidas minha do Oficina G3, “A Lição”, música de muito feeling e com uma letra espetacular. O desempenho dos músicos se manteve num nível alto desde a primeira faixa até a última, sem perder o embalo. Não há faixa mediana no CD. “Mais Alto”, uma das melhores do disco, é bem estruturada, pesada e tem um solo numa velocidade complexa. “Réu ou Juiz” manteve o embalo, “Meu Legado”, também uma das melhores, persistiu nos passos da energia transmitida nas primeiras canções. “Através da Porta” (introdução clássica), mantendo a qualidade de “Meu Legado”, foi inspiradora com seus bends delirantes. “Além do que os Olhos Podem Ver” (introdução clássica também), uma semibalada e uma das melhores do disco, é reflexiva com sua letra sobre saudades da eternidade. “A Lição” une feeling, reflexão e peso, “O Fim É Só o Começo”, também uma das melhores do disco, teve a participação de Déio Tambasco (perfeita, pra constar) com riffs delirantes de blues (blues é a coisa mais sentimental do mundo), é celestial. “Lugar Melhor”, uma balada intimista, é ótima, “Amanhã”, (introdução no estilo “Através da Porta” e “Além do que os Olhos Podem Ver”) une peso e guitarras harmônicas de forma muito boa. “Sem Trégua” conta com uma ótima participação do polêmico Marcão, é poderosa, “De Olhos Fechados”, com riffs harmônicos e slides na guitarra eletrizantes, “Ver Acontecer” tem uma ótima letra, e, terminando,“Queria te Dizer”, uma balada, é a canção menos boa do disco. O notável é Juninho ter mantido o ótimo desempenho nas execuções complexas nas seis cordas, nos solos regados a sentimento, bends, velocidade e técnica, e também, um ótimo papel no vocal. Duca Tambasco mostra todo o seu potencial no baixo, e Jean Carlos faz sua parte. Ótimo disco.

    Tiago: Não tem jeito, tem coisas que beiram o gosto pessoal. E para uma banda que já mudou tanto, como a Oficina G3, a missão de escolher o melhor álbum sempre será difícil. Considero Além do que os Olhos Podem Ver um dos melhores. Após um bom tempo em letargia e colhendo os frutos de seu sucesso, o trio Juninho, Duca e Jean precisou mudar a direção, rever conceitos e entregar algo bom para o público. Crise, para muitos, é terreno de boas criações, e no caso do G3 foi inspirador. Como um grupo de três de fato, os músicos assinaram quase todas as músicas, mas apoiados por Déio Tambasco e Lufe. O resultado foi extremamente positivo. Um disco em que as reflexões são bem mais articuladas, menos piegas/religiosas, além da sonoridade. Além do que os Olhos Podem Ver lhe dá a sensação de que a banda conseguiu desbravar novos sons a partir da estrutura que já tinham. Juninho se encaixou bem nos vocais.


    A lista foi compilada através de votos dos participantes. Confira, nesta página, a quantidade de votos e os discos que ficaram de fora. Desta vez, Jhonata não pôde comentar todos os álbuns.

  • Melhores discos de rock cristão nacionais: 2000 a 2004

    Continuando a nossa lista de melhores discos de rock cristão nacionais, iniciamos o período dos anos 2000. É uma época em que os grandes dos anos 90 continuaram a “dominar”, e cresce uma certa ‘crise’ na cena. No entanto, ainda somos brindados com bons discos. Por isso, confira a nossa seleção, dominada por Brother Simion e Fruto Sagrado.

    Leia também as listas anteriores: Década de 70, década de 801990-1994 e 1995-1999

    [infobox title=’10º: Fóssil Praise’]Artista: Luciano Manga
    Ano de lançamento: 2003
    Número de faixas: 12[/infobox]

    Luciano Manga - Fóssil Praise - 2003Jhonata: Esse disco me parece uma mistura simples e preguiçosa do bom hardcore norte-americano da época, música cristã contemporânea dos anos 80 e uma tentativa de pôr um rock nacional no negócio (entenderam?). Não é um álbum ruim como um todo, mas particularmente não gostei… é isso!

    João: A inclusão desse disco é bem-vinda. Um raro álbum de releituras de grandes músicas antigas no universo “gospel”, muitas da era pré-gospel, como as do mestre Adhemar de Campos (“Leão da Tribo de Judá” e “Nosso General”) e do VPC (“Somos Convidados”), além de boas versões para “Valéria” e “Naves Imperiais” da sua ex-banda Oficina G3. Poucos sabem o valor que esse disco possui, infelizmente meio que passou despercebido no início dos anos 2000 e a explosão do pseudo-rock “congregacional” (argh!) e os grupos de worship & praise cópias de Hillsong e os de “louvor jovem”. O rock gospel nessa época produziu muita banda boa, como Pontocom, Escarlate e similares, mas que ficaram tristemente relegadas ao esquecimento pela mídia evangélica.

    Márllon: Apesar de hoje em dia não o escutar tanto, quando o conheci ele não saia de dentro do meu rádio. A proposta do disco é algo que sempre gostei, pois como sou de berço Batista tradicional, estava mais do que acostumado com a grande maioria desses hinos e ouvi-los nesta roupagem foi bem bacana, principalmente porque eu estava começando a me interessar pelo rock em si. Tive o prazer de conhecer pessoalmente Eval Arantes, da banda Escarlate (que fizeram o instrumental do disco) e ouvi várias histórias sobre a produção do mesmo. Triste foi saber que as guias originais foram perdidas 🙁

    Thiago: Fóssil Praise do Luciano Manga é uma mistura de regravações de clássicos, como a “Paz do Senhor”, do Rebanhão, e canções com a banda Oficina G3. Hard rock, new metal e punk rock são encontrados nesse álbum. Eu não votei nele e, pessoalmente, não sou o melhor juiz para julgar se esse álbum deveria ou não estar aqui, mas a posição é justa, se estivesse mais acima seria injusto.

    Tiago: Fóssil Praise é o disco mais simples desta lista: Luciano Manga revisitando canções que por si só são ótimas. O cantor, ex-vocal do Oficina G3, desempenha bons vocais e faz versões interessantes junto a banda Escarlate. É o seu melhor trabalho solo e gostei demais por vê-lo aqui.

    [infobox title=’9º: O Segredo’]Artista: Fruto Sagrado
    Ano de lançamento: 2001
    Número de faixas: 13[/infobox]

    Fruto Sagrado - O Segredo - 2001Jhonata: Sem comentários.

    João: A todo momento que li essa lista me perguntei “O QUE ESSE DISCO FAZ AQUI?” Só isso tenho a dizer. OK, representou uma mudança na sonoridade do Fruto, que muitos amam essa fase dos anos 2000 (e eu tenho ojeriza), mas basicamente é um disco muito confuso. Só gosto de algumas faixas, e mesmo assim elas são muito desconexas.

    Márllon: Ah, aquelas prensagens promocionais de R$ 6,90 da Top Gospel (risos). Aqui a gente encontra de um tudo: pop rock, forrock, baladas, rap metal e por aí vai. Pode parecer mais um balaio de gatos, só que aqui a coisa é bem feita, com destaque absoluto para “O Novo Mandamento”, que, se fosse lançada por uma gravadora de maior porte, iria enjoar de tanto que seria tocada.

    Thiago: Muita gente pode discordar desse álbum ter figurado aqui, mas eu o considero uma boa produção. O Segredo representa uma nova mudança no estilo da banda, que vinha de uma obra diferente e baseada no metal progressivo, para o new metal, época em que o gênero estava na alta. Os trabalhos posteriores foram guiados pela mesma pegada. Há quatro canções que foram nesse caminho: “A Mensagem,” com seus riffs velozes e o bom solo de guitarra; “No Porão da Alma”, uma das melhores do disco, que tem peso e uma boa letra; “O Segredo”, o qual curti muito o arranjo de violão colocado; e “The Time Is Over”. “Forrock”, a melhor do disco, mistura o forró, o hardcore e o rock, aquela coisa à lá Raimundos, com uma crítica política, que soou, em parte, pouco profunda. O disco é recheado de baladas. Tem “Livre Arbítrio”, que é uma boa canção sobre perdão e pessoas desviadas, “O Impossível”, com a clássico ambiguidade amorosa da banda, mas essa é declaradamente a Deus e “A Resposta”. “O Novo Mandamento”, quase a melhor do disco, é uma balada que tem uma bela letra sobre o amor cristão, o novo mandamento, e uma boa crítica ao denominacionalismo e divisão no Reino de Deus. O grupo finalmente conseguiu se encontrar nas canções românticas (o que produziam do assunto era muito estranho) e “Love’n Roll” representa essa boa produção. A partir desse disco, o violão começou a ser mais usado e os teclados de Bênlio quase abandonados. Ainda contém três faixas instrumentais. Bom disco, eu diria que até merecia uma posição melhor.

    Tiago: Sinto sempre que há um apelo pró-FS e anti-FS nestas listas… desta vez, a galera anti-FS tem razão: O Segredo não merece estar entre os dez. É um disco sem um conceito bem trabalhado, um pouco preguiçoso e é conduzido como vai. Nem se compara a Na Contramão do Sistema (1993) e O que a Gente Faz Fala Muito Mais do que só Falar (1995).

    [infobox title=’8º: Metal Nobre III’]Artista: Metal Nobre
    Ano de lançamento: 2001
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Metal Nobre IIIJhonata: Eu nunca gostei de Metal Nobre e, sinceramente me envergonho disso, porque na minha concepção musical, é necessário ter um motivo convincente para que o teu “não gosto” faça sentido para quem gosta. Mas, ouvindo esse álbum, entende-se um pouco o porquê há uma galera que gosta da banda: a única resposta que encontrei foi guitarras. Talvez para uma banda, sei lá, de hard/heavy metal, as guitarras sejam óbvias e eminentemente necessárias, mas os meus caros colegas terão que concordar comigo que o mínimo que esperamos de um grupo de rock são GUITARRAS. Então, considerar isso como um ponto para indicá-la nessa lista, seria de uma piada imensa. E esse deve ser o momento em que eu chego e digo: “porém, esse álbum é bom”, certo? Errado. Pra quem me conhece sabe o quanto sou chato com letras, e a lírica desse disco é uma piada, né gente? Imaginei meu irmão de 8 anos escrevendo isso. Sem mais…

    João: Particularmente eu prefiro o disco Revelação do MN, mas esse foi o primeiro disco que eu ouvi da banda, e realmente é ótimo (só não sei se tanto pros 10 mais, e se nos 10 mais, não sei se oitavo seria o correto). Não é tão “metálico” como os dois primeiros, mas rende momentos fantásticos. “Mensageiro” por muito tempo foi meu hino de guerra (risos). “Paraíso” com uma pegada meio rockabilly deixou o disco muito dançante. As baladas “Só Há um Deus”, “Volte” (que originalmente era da banda Akza) e “Vou Confiar” não são aquela coisa pedante e grudenta que muitas bandas fazem, o “Corinho” é bem divertido medley de canções clássicas (o MN ama fazer essas viagens no tempo) e as músicas “Apocalipse” e “Servo de Deus” garantem os momentos mais “metalheads”. “Blues 121”, outra regravação, dessa vez da antiga banda do JT, Kadesh (que virou Virtud anos depois), ficou bem melhor que a versão original, mais na linha do hard blues.

    Márllon: Nunca gostei do som do Metal Nobre em estúdio. Aliás, o único CD que realmente gosto deles é o ao vivo que foi lançado em 2002 e que tem parte de seu repertório baseado nesse disco, que, para mim, não fede nem cheira. Respeito o grupo e quem curte o seu som, mas não é pra mim.

    Thiago: Na lista de 95-99, afirmei que a entrada do Metal Nobre na lista seria mais justa que a do Rosa de Saron e acabou que  ela ficou de fora. Nesta lista, agora penso o contrário: MN não deveria estar aqui em comparação a outros discos e o Rosa de Saron poderia ter ocupado essa posição. Musicalmente, é um álbum bem produzido, com algumas canções de hard rock bem legal, como, por exemplo, as brilhantes “Mensageiro”, “Servo de Deus” e o blues rock de “Blues 121”, e “Apocalipse”, “Paraíso” e “Corinho”, mas as letras da banda e algumas baladas açucaradas demais a estragam.  Parece grupo de metaleiro gospel. Não há uma letra que se salva direito. E a voz de JT, que é até interessante, me dá mais ainda essa sensação. Não dá apara ouvir essa banda mais do que uma vez. Não é pelas repetições, no entanto é os mesmos assuntos e jargões tratados dentro do mundo do evangeliquês.

    Tiago: Metal Nobre é uma banda que tem uma importância enorme na descentralização do eixo Rio-SP, oriunda da região centro-oeste. OK, mas até hoje nenhum disco deles chega a impressionar. Metal Nobre III é um desses. Definitivamente, preferiria o solo Na Estrada, de Walter Lopes, no lugar. É um trabalho muito melhor e que quase ninguém se lembra.

    [infobox title=’7º: Na Virada do Milênio’]Artista: Brother Simion
    Ano de lançamento: 2000
    Número de faixas: 13[/infobox]

    Na Virada do Milênio - Brother Simion - 2000Jhonata: Sem comentários. Por mais que esse álbum tenha boas referências, continuo não gostando do tal Simion.

    JoãoBrother Simion é o sinônimo básico de uma música do Katsbarnea: “Revolução”. Pois bem, e esse disco realmente foi algo fora do comum. A sonoridade está bem naquela linha que todo mundo queria fazer “na virada do milênio”, aquela transa transcendental de “Era de Aquarius”, new age, música eletrônica e ambiente. OK, tudo isso hoje em dia além de soar brega pra caramba é muito tosco, mas naqueles tempos era algo completamente novo, e o Simion soube se encaixar nessa viagem doida inteira muito bem. Lamento profundamente não ser um frequentador de bancas de revistas naquela época, pra comprar o disco direto de uma delas, outra novidade que infelizmente (ou não) ficou só com o Brother mesmo, quando ele lançou esse disco pelo selo do Lobão (outro louco incompreendido por muitos). Fantástico. “Sede”, “Profecia” e aquela faixa lá cheia de números e puro noise a lá Revolution 9 dos Beatles são as mais top do disco.

    Márllon: Não curto a carreira solo do BS, próximo item da lista.

    Thiago: Na Virada do Milênio me provou o ecletismo musical do Brother Simion. O álbum, com influências eletrônicas, mistura o techno e o rock. Outro disco que não votei, não o considero melhor que outros da lista para estar aqui. O disco tem muitas letras muito interessantes, e até cômicas, como “É Preciso Mais”. As canções são bastante incomuns, devido a influência estampada da música eletrônica. É o álbum mais exótico da lista, isso é óbvio. “A Marca”, “Uai! Why?”, “Onde Encontrar”, “É Preciso Mais”, “Caos” e “Help” foram as minhas preferidas. Uma obra que tem um instrumental com nome “01001011” e uma faixa silenciosa sem título, com toda certeza, não é nada comum.

    Tiago: É um dos discos mais ousados que o rock cristão nacional já viu. Naquela altura do campeonato, nenhum cantor ou banda sabia melhor onde chegar além de Simion. Na Virada do Milênio é uma combinação de rock alternativo e techno. A capa e todo o projeto gráfico me faz crer que há muita influência de Matrix no negócio: as letras versam sobre o caos na sociedade em vésperas de um novo milênio, a tristeza, a solidão, numa sonoridade estranha, as vezes que te aproxima, por vezes te repele. É um disco bastante difícil de digerir. Talvez seja por isso que, por vezes, seja daqueles álbuns os quais você ama ou odeia.

    PS: Aquela foto de Simion, Ciça e Jadão juntos, denuncia tudo…

    [infobox title=’6º: O Tempo’]Artista: Oficina G3
    Ano de lançamento: 2000
    Número de faixas: 13[/infobox]

    Oficina G3 - O Tempo - 2000Jhonata: O Tempo tem boas letras, por mais que eu as ache pouco criativas. Juninho Afram segura a peteca do disco em vários momentos e deve ser por isso que o disco não se torna tão enjoativo. Indiscutivelmente, a faixa-título é a melhor do disco e ela vale por todo o resto. Se você ouvir só a faixa-título, você não precisa ouvir mais nada do álbum.

    João: Digam o que quiserem dizer: esse disco é muito bom. OK, é o nível mais extremo do pop que o Oficina G3 se enfiou, antes da tentativa TOSCA de sair daí com o Humanos (e outra tentativa muito mais bem-sucedida com o Além do que os Olhos Podem Ver), porém o disco é consistente, fácil de ouvir e curtir e certamente marcou uma geração inteira de fãs. Diversas pessoas que hoje amam rock cristão (e até vertentes mais pesadas como o punk e o metal) lá no início dos 2000 começaram nesse. É um disco legal, e também o primeiro a mandar uma banda cristã brasileira para o Rock in Rio (junto com Os Nazaritos – QUEM?) e pro TOP 20 da extinta MTV Brasil (quer dizer, isso se não contarmos com o Catedral na época do Para Todo Mundo). Não destaco faixas porque esse é um disco que vale a pena ouvir completo, da intro (uma das duas do Oficina desde q eles começaram com essa onda de intros que eu realmente gostei – a outra foi a D.A.G.) até à última faixa.

    Márllon: Hoje em dia nem escuto esse álbum, mas ele foi o responsável pela minha entrada (e de muita gente também) do mundo do rock. Falando através da nostalgia, é um álbum que foi muito especial, mas analisando friamente é apenas um pop rock comum e sem sal. Há alguns lampejos de criatividade aqui e ali, mas no geral fica muitíssimo aquém do que os músicos eram capazes. Aliás, o maior pecado desse álbum é dar início a praga que seria chamada de ‘Oficináticos’.

    Thiago: Muita gente deve ter rechaçado esse álbum para ele estar nessa posição. O Tempo, apesar de toda a crítica direcionada a fase pop rock da banda, é bom. Eu conheci Oficina G3 através da versão ao vivo desse lançamento e me tornei fã da banda. O disco representa uma mudança de estilo do álbum anterior, que era hard rock, para uma sonoridade pop rock, porém, não esse de fácil consumo que se apresenta no mercado, mas com mais técnica, cuja habilidade Juninho Afram, Duca Tambasco, Jean Carlos e Walter Lopes sabem esbanjar. Juninho Afram, seja em qualquer estilo, faz tudo da melhor forma possível, inovador, cheio de feeling nos dedos e no ouvido. As canções continuam tendo os típicos solos do guitarrista e também dos outros músicos. PG entra na banda, com a saída de Manga, para ocupar o espaço de vocal e, às vezes, de guitarrista base. As melhores são “Ele Vive”, “Atitude”, “Necessário”, “Brasil ” e  “Tua Voz”. A única realmente chata e horrível do disco, “Sempre Mais”, até começa com uma introdução bacana, mas é muito sonolenta e pedante no nível hardcore. “Preciso Voltar”, minha impressão é dualista, às vezes curto, às vezes detesto. As que eu não citei são todas boas. Esse disco merecia uma posição melhor.

    Tiago: O Tempo é um dos discos mais subestimados da Oficina G3. É pop, é açucarado, mas é a proposta feita com competência. Aqui o grupo mostra a proficiência em fazer baladas com um vocalista de grande habilidade para o gênero. PG entra com suas novas músicas (com aquele visual de quem quer ser o Bono Vox do cenário nacional). Mas no instrumental é Juninho Afram e Duca Tambasco que roubam a cena, especialmente com “Preciso Voltar”. Não consigo entender o porquê as pessoas, no geral, optam pelo Humanos, pior disco da banda. O disco sucessor faria uma mistura estranha e inconsistente de new metal com baladas pop rock. Foi cansativo, chato e pouco criativo.

    [infobox title=’5º: Seaquake’]Artista: Stauros
    Ano de lançamento: 1995
    Número de faixas: 13[/infobox]

    Stauros - 2000 - SeaquakeJoão: Nunca fui muito fã desse disco do Stauros, não pelas letras em inglês (que são meio que um dogma no metal, então pelo contrário, é muito legal) ou pela sonoridade mais prog metal do que nunca (eu não sou tão fã desse gênero, mas esse disco não peca em excessos dreamtheatereanos), mas sim o vocal. Mil perdões ao Carlos César, que até que se esforçou no disco, mas Celso de Freyn é mil vezes melhor. Nesse mesmo ano uma banda menos conhecida, Getsêmani, lançou um disco também pela Gospel Records e o vocal se saiu bem melhor que o do César.

    Mas enfim, indo ao disco, os instrumentistas estavam mais inspirados que nunca. As faixas “Seaquake”, “Rusty Machine”, “Dance of Seeds” “Victory Act” e “Every Pain II” pra mim são as melhores do disco inteiro, fora a jornada de “The First Mile” e “The Second Mile” e a épica “Faith in the Arena”, com suas quatro partes, tornam o disco uma peça genial do metal progressivo (fora que a letra dessa última faixa é muito impactante por falar dos mártires cristãos). Quatro faixas desse disco foram lançadas numa coletânea da gravadora australiana Rowe Productions (do vocalista da lendária Mortification, Steve Rowe), junto com duas outras bandas do Brasil (Völlig Hellig, que mudaria de nome logo a seguir pra Belica, e a Light Hammer). Oficialmente, em 2000 quando a coletânea era planejada a mesma aparentemente teria mais bandas, mas só as três acabaram certas, o que foi ótimo pra elas, que apresentaram muito mais faixas pro mercado externo (o disco foi lançado na Austrália – edição limitada -, EUA e Brasil). Com isso o Seaquake acabou ficando bem conhecido no exterior, fazendo da Stauros a segunda banda de metal cristã mais conhecida do Brasil, depois da Antidemon.

    Márllon: Um álbum divisor de águas na carreira da Stauros. O vocalista da formação clássica não estava mais em sua formação, o estilo saiu do metal mais ‘clássico’ para algo mais prog e o português deu lugar ao inglês. De longe foi a fase onde a banda teve mais exposição, chegando a fazer abertura para o lendário Mortification em sua única tour pelo Brasil. A única cosia que me incomoda (e muito) é o timbre do vocalista César. Nos tons baixos ele arrebenta, mas chega os momentos mais altos e a coisa tende a incomodar. Gosto muito da faixa título, “Vital Blood”, das baladas “Every Pain II”, “Victory Act” e “Love in Vain”, além de “Faith in the Arena”, com claras influências de Metallica na fase do Black Album.

    Thiago: Seaquake esbanja heavy metal, metal progressivo e até thrash metal, de forma bem feita e a voz do tecladista César combinou bem com a proposta, apesar de destoar em algumas partes. Ao contrário da última produção, resolveu apostar em boas letras na língua inglesa. Eu faço parte da opinião que músico brasileiro tem que fazer música para o Brasil, porém esse disco consegue ser ótimo mesmo assim. Rusty Machine tem uma pegada que me lembrou da banda Metallica. The First Mile herda a mesma pegada. A balada “Victory Act” é inspirativa, com a camada de violão muito bem colocada. “Vital Blood” serve um prato de riffs cadenciados de guitarra, andando para o lado heavy metal. “Friendly Hand” caminha nos passos do “Vital Blood”, com guitarras bem melódicas. “Every Pain II” é uma exposição de progressividade que a banda sabe fazer. O disco também apresenta um banho de poesias bem escritas, com ideias bastante interessantes, como ter comparado o homem a uma máquina em Rusty Machine, e a bela letra da faixa-título. As canções citadas são poucas para o que Stauros proporcionou no disco. Foi justa a banda ter aparecido na lista.

    Tiago: Confesso que eu tenho preconceito com metal brasileiro em inglês. Engraçado né, geralmente é o contrário. Mas minha ‘birra’ é geralmente pela necessidade que muitas bandas possuem de se projetar internacionalmente, e pelo mau sotaque. Devaneios à parte, o disco da Stauros funciona. Demonstra uma clara mudança musical em relação ao anterior, tendendo para uma vertente mais progressiva, o que seria continuado em Adrift (2001).

    [infobox title=’4º: Eclipse’]Artista: Brother Simion
    Ano de lançamento: 2004
    Número de faixas: 12[/infobox]

    Brother Simion - 2004 - EclipseJhonata: Não, pera! Dois álbuns do tal Brother Simion na lista? Eu não estou entendendo. Será que existe algo de errado comigo que não consigo ver o que de tão sensacional tem esse cara? (desculpem, mas esse álbum é muito ruim).

    João: “Semideus, desce do pedestal, grande orador, grande negociador!” Com esses versos Simion traria de volta pro rock (no caso, o rock cristão, claro) aquilo que o rock sempre teve, a contestação. É notório que a carreira-solo do Brother, além de errática (os dois discos que separam esse do Na Virada do Milênio, lançados pela MK, são bem inferiores musical e liricamente), nunca conteve o espírito contestador do Kats. Mas nesse disco ele jogou tudo pro alto e voltou com letras mais urgentes, inclusive no “Prelúdio” do disco o aviso é dado: “À todos aqueles que transformaram igrejas, o corpo de Cristo, em empresas, e se acham proprietários daquilo que só a Deus somente pertence!” Um aviso bem direto do que vai se ver aí: letras que falam da exploração de falsos pastores (Semideus), da miséria e pobreza  na sociedade (“10 Real”), e da necessidade desesperada dos homens por Deus, em faixas como “Ei, Amigo”, “O Despertar dos Loucos” e “Noite de Johnny” (inspirada num festival que o próprio Simion organizou por um tempo).

    Na linha do nu metal, estilo esse tão em voga no início dos anos 2000, causou estranheza decerto em muitos, e a selvageria de “Semideus” mostrou que o Brother estava mesmo antenado em tudo, sendo um dos primeiros “filhos do gospel” (embora teoricamente Brother foi um dos “pais” [risos]) a se rebelar contra a simplicidade do mercado e da sujeira de muitas instituições ditas “cristãs”.

    Márllon: Idem à sétima posição.

    Thiago: Brother Simion se confirma nesse disco como o músico mais incomum e inovador no meio cristão. Eclipse apresenta um novo experimento do cantor: new metal. “Semideus”, “10 Real” e “All Right” caminham nesse som. “Memorandum” tem influências desse estilo, apesar de eu considerá-lo mais metal alternativo. “Hotel Paradiso” e “Onde Deus Me Levar” oferece um rock alternativo de primeira. “Noite de Johnny” é influenciado pelo punk rock. Já “Perdoar” é um hardcore puro no estilo Simion. “Ei, Amigo” é a típica canção folk rock com toques de gaitas presentes nos álbuns antigos do Brother, contudo, distinta, numa pegada mais Eclipse. O mais interessante nesse disco foram as letras, contendo boas críticas a teologia da prosperidade (como é perceptível na introdução), e outras poesias inovadoras, como a da cômica “10 Real”. Aliás, com o “Prelúdio”, que parece tema de jogo de guerra, eu já estava esperando um álbum eletrônico, o que não aconteceu. Os efeitos desse tipo foram usados na obra, mas com equilíbrio.

    Tiago: Esse disco podia estar em terceiro (não entendo a “censura” que vocês tem com o Simion). O trabalho inédito de “despedida” do cantor, é praticamente um amontoado de novos temas aliados a uma certa dose de retrospectiva e nostalgia. “Semideus” é uma crítica maravilhosa ao neopentecostalismo, “Ei, Amigo” em relação aos conflitos em amizades, sem falar nas faixas em inglês que estavam tão sumidas nos discos anteriores, como “All Right”. Mas é em “Onde Deus me Levar” que você vê Brother olhando para trás e implicitamente dizendo: fui longe, essas décadas deram certo. Pena que o cantor não chegou a lançar ainda o álbum que gravou em 2012. Estamos aguardando, Johnny.

    [infobox title=’3º: Praise’]Artista: Resgate
    Ano de lançamento: 2000
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Resgate PraiseJhonata: Eu acho uma tarefa muito difícil falar de Resgate. Não sei se já disse isso aqui, mas ela está na minha lista de artistas/bandas que ainda não decidi se mantenho ou deleto de vez do computador. Esse álbum é muito bom por suas referências do rock inglês e letras suficientemente agradáveis. O que não me entra são os títulos de álbuns que a banda escolhe pôr nos trabalhos.

    João: Fantástico. Eu não sei dizer muitas palavras desse disco. Ele me marcou demais. Esse disco me tornou fã do rock cristão para todo o sempre. O melhor disco da geração ‘praise’ brasileira, que seguiu bem os moldes dos Praises do Petra (apesar de não regravar músicas clássicas), sem ser meloso e trazendo o rock sem medo. Mais um disco que não dá pra destacar uma ou outra faixa, é um disco lindo demais e pra mim ESSE devia ser o primeiro. Mas fazer o que…

    P.S.: Paulo Anhaia, eu te amo! Ainda quero fazer um disco produzido por você! (risos)

    Márllon: Apesar de não ser muito fã da fase “Renascer” do Resgate, esse é um álbum que aprendi a gostar com o tempo. OK, é bem leve, não tem o peso de um On the Rock da vida, mas acho que o principal fator qualitativo desse álbum se encontra nas letras, sendo a de “Ao Rei” a minha favorita. Não teve o meu voto, mas foi uma grata surpresa encontrá-lo aqui.

    Thiago: Com uma temática congregacional, servindo-se de bastante de coral, Resgate produziu Praise. O álbum é considerado um divisor de águas para a banda. Nesse disco, combinaram duas coisas que posteriormente viria dar muito certo na banda: órgão hammond, piano e rock. E como essa combinação deu certo. O disco é legal, consegue atingir a proposta que teve. As guitarras, vibrantes, ficaram bem encaixadas com o disco. Eu gostei bastante dos riffs de guitarra – meio southern rock – excepcionais de “Nada Me Faltará”, o folk rock de “O Nome da Paz”. As outras faixas, mesmo não sendo citadas, foram boas. Um disco de 11 composições que não perdeu o embalo. Agora, para se estar no pódio da lista, pessoalmente, não mereceu a posição.

    Tiago: É um bom disco. Musicalmente falando, certamente é um dos mais importantes do Resgate. O som de toda uma década da banda, a partir de então, seria pautado no que alcançaram no Praise. Hammond, pianos se chocam as guitarras de Zé e Hamilton. Liricamente, me soa como o início de uma acomodação. Sugerida por Estevam Hernandes, a temática volta-se para canções de cunho congregacional. Algumas coisas no álbum caem perfeitamente, outras fogem levemente. Mas, no geral, há boas canções, como “O Nome da Paz”, “Infinitamente Mais” e “Sol do Meio Dia”. Mas prefiro o Resgate mais crítico, de 2010 para frente.

    [infobox title=’2º: O que na Verdade Somos’]Artista: Fruto Sagrado
    Ano de lançamento: 2003
    Número de faixas: 14[/infobox]

    Fruto Sagrado - O que na Verdade Somos - 2003Jhonata: Dizem ser um álbum pesado, concordo na medida em que forem me definindo a concepção de “pesado”. Não gosto de Fruto Sagrado, com exceção da canção “Superman”. Eu nunca entendi a proposta desse disco…

    João: Já falei o que eu penso dos discos pós-2000 do FS. Mas esse aqui é bom, tem algumas faixas legais pra pensar, como “O Sangue de Abel” e a faixa-título, mas não é nada demais pra mim.

    Márllon: Pra mim o campeão moral dessa lista, um disco que teve um papel de muita relevância no início da minha caminhada no rock. O impacto dessas faixas em mim continua o mesmo depois de mais de 10 anos de lançamento. “Desesperado” era a coisa mais agressiva que tinha ouvido até o momento. Não tinha ciência de quem era o FS, da sua discografia prévia ou das tretas, o que sabia é que esse álbum abriu minha mente para muita coisa dentro da música. Acho um trabalho diversificado e que tanto nas faixas mais leves ou pesadas a qualidade é o que sobressai. Clássico obrigatório na coleção de qualquer um.

    Thiago: O que falar de O que na Verdade Somos? É o meu disco preferido da banda. Bom, primeiramente, é um álbum excepcionalmente bom, embora tenha seus defeitos. Começo pelos defeitos e depois parto para os elogios. O disco é aberto por uma boa música que tem uma sonoridade new metal, mas a ideia dela é quase fajuta, não é coisa do Fruto Sagrado fazer. “Desesperado” é o tipo de composição nada haver de uma banda, mas chega a ser engraçado, com aqueles gritos inspirados em filmes de terror e de alguém endemoninhado. A mix de Sanguessuga ficou também completamente deslocada e sem sentido no disco. O segundo defeito do álbum é a letra de “Ninguém Me Encontrará Entre os Fracos” que se une à extrema hipocrisia que ocorria nos bastidores do FS. A figura de Marcão é extremamente marcada pelas máscaras que o rodeiam, em virtude de carregar a personalidade crítica da banda e ser cara de pau. Suas atitudes, suas provocações no grupo, as intrigas que ocorreram entre ele e Bênlio deixam o álbum, porém, principalmente essa música, com um ar de falsidade. Outro defeito (considero esse mais moral do que musical) foi o Bene Maldonado ter ignorado quase todos os teclados para o CD que Bênlio gravou. Enfim, depois desses problemas, o tecladista saiu da banda numa série de confusões virtuais e judiciais (com Marcão). O defeito central do álbum é isso, a hipocrisia.

    No entanto, mesmo tendo esse caráter polêmico por trás da produção, O que na Verdade Somos é uma superação. Essa obra conseguiu reunir toda a acidez e crítica na sua melhor forma, numa musicalidade que combinou. É o tipo de disco que gosto de comentar nos mínimos detalhes. Primeiro, as letras. A segunda faixa, “A Sanguessuga”, é uma das melhores músicas do FS, ou quase a melhor, difícil falar. Ela expõe uma ótima ideia sobre o vazio da humanidade, baseando se em uma passagem de Provérbios. A balada “Não Quero Mais Acordar Assim” já foi uma das minhas canções preferidas sobre solidão. É uma ótima produção, bem intimista. “De Deus não se Zomba” é o tipo exato de música que te dá vontade de quebrar algo, principalmente pela letra revoltante tratando sobre a opressão humana, fundamentando-se na passagem de Eclesiastes. Quando se fica confuso sobre o tema “ira divina”, essa canção é como uma luz sobre o assunto. Eles conseguiram repensar uma frase bíblica usada de forma tão clichê e conseguiu colocá-la de um jeito ácido, perfeitamente encaixada no contexto da letra, pedindo o fim de guerras humanas. “Vício”, como o título diz, fala sobre drogas. Essa faixa está aqui no CD por estar, é o tipo de composição que ocupa um disco para preencher o espaço. A faixa-título é excepcional. Novamente, tendo aquela dose aguçada de crítica religiosa, a balada constrói a ideia da falta de amor cristão: “Pra falar do amor tenho que aprender a repartir o pão, chorar com os que choram, me alegrar com os que cantam, senão ninguém vai me ouvir…”. O trecho final contém uma ótima reflexão sobre nossa condição, quem nós somos no mundo. A próxima faixa, até hoje penso se é a melhor do Fruto Sagrado, mas uma coisa não tenho dúvida: é a melhor canção de natal que eu já ouvi. “Uma Noite de Paz” mandou uma crítica social e religiosa para lá de surpreendente, usando o tema natal. A canção ficou simplesmente perfeita. “Involução 2003” demonstra uma crítica mais social e política do que as demais, porém não carrega o feeling das outras. “O Sonho do Profeta” é interessante, um tipo de música que busca reanimar inertes para viver o Reino de Deus. “Diferente dos Anjos” carrega a clássica ambiguidade da banda, quando quer se falar de amor. Parece ser uma confissão de devoção a Deus, mas também romântica. Contudo, me rendi a ela. Fruto Sagrado, a partir do O Segredo aprendeu a compor canções com temas amorosos. A penúltima faixa, “O Sangue de Abel”, custei a captar o sentimento da composição, entretanto, quando captei, foi um choque introspectivo. A obra consegue unir perfeitamente a confissão de pecados e crítica social, religiosa e política. Vale citar versos: “Nos perdoe, ó Deus / Pelo imperialismo, o nazismo, o comunismo, / O capital selvagem, impiedoso, inescrupuloso / A escravidão… a religião… / Sempre querendo te domesticar / Te encaixotar, te fazer de empregadinho / Perdão, por tanto fariseu se dizendo filho teu / Que não convenceu, que só dividiu / Levando muita gente boa pro covil / Nos perdoe, ó Deus, pelo terrorismo / O holocausto, a pornografia, a pedofilia / A mentira! O dinheiro mal adquirido e mal repartido / A discriminação racial, social, irracional… / Nos perdoe, ó Deus!

    Juro que esses versos chocam o meu coração, conseguem atingir um ponto que poucas críticas conseguem. Aliás, todo o álbum consegue ter este feito. Citei dois trechos de canções, mas o disco é recheado de frases de efeito. Os arranjos do disco ajudaram na captação do conteúdo do disco. O hard rock com programações de DJ, unindo se aos drives de Marcão em “A Sanguessuga”, o peso dos riffs de guitarra e de baixo completando a revoltante letra em “De Deus não se Zomba”, os acordes de violão e o solo de cordas elétricas bem postos com a crítica de “O que na Verdade Somos”, o dedilhado natalino e o excelente violão de “Uma Noite de Paz”, a brasilidade fundida ao new metal em “Involução 2003”, o som da hipócrita “Ninguém Me Encontrará Entre os Fracos”, a balada com belos dedilhados de violão da apaixonante “Diferentes dos Anjos”, o dedilhado intimista com a boa participação vocal de João Alexandre da chocante “Sangue de Abel” foram muito bem produzidas. Enfim, discaço, merecia o primeiro lugar disparadamente. Foi injustiça o segundo lugar para a banda.

    Tiago: O Fruto Sagrado naquele momento chegava ao auge de tudo: sucesso, respeito do público e da pequena crítica, e ao extremo de suas crises. Acho curioso a banda ter chegado com um disco mais forte e coeso mesmo dentro destes contextos. Talvez, porque menos cabeças pensaram naquilo. Talvez. Mas o que vale pontuar são as misturas: o new metal já abraçado em O Segredo, as influências eletrônicas (dedo do Bene) e os elementos de maracatu e outros gêneros percussivos. As letras de Marcão são ácidas, fortes, tocam na ferida, lembrando-nos que em crise ou sem crise, não haveria nenhuma banda no cenário nacional do rock cristão como o Fruto Sagrado.

    [infobox title=’1º: Aeroilis’]Artista: Aeroilis
    Ano de lançamento: 2004
    Número de faixas: 13[/infobox]

    Aeroilis 2004Jhonata: Primeiro lugar com louvor! A primeira faixa, “Onde Encontrei Tudo”, já vem mostrando que o álbum tem muito (muito mesmo!) a mostrar. A princípio o que me incomodava nesse trabalho era a bateria, até que me acostumei e conclui que ela está do jeito que deveria estar. Não me incomoda mais, nem um pouco. As letras de Arvid Auras e Raphael Campos são de qualidade genial. Não acrescentaria nada e nem retiraria nada desse disco a não ser pôr uma versão acústica de “Silêncio”. As influências do rock inglês e californiana são indiscutíveis e de resto, deixo para que os meus colegas falem.

    João: Essa lista definitivamente foi a mais bizarra que eu já tive que comentar. Desculpem-me fãs do novo movimento, mas embora sim, esse disco é revolucionário, mas daí a ficar em primeiro… não… não mesmo. Enfim, as letras são fantásticas, o início de uma nova era, de abrir as mentes dentro do rock mainstream (porque isso de letras pensantes no metal e no punk cristão brazuca não era nenhuma novidade – Ressurreição, Foco Nocivo, Justa Advertência, Trino, Saint Spirit, Berith e Disharmonical Tempest, entre outras, tão aí pra provar isso), mas no máximo esse tinha que estar em terceiro lugar, eu acho. Enfim, é isso.

    Márllon: Me recuso a comentar.

    Thiago: Aeroilis em primeiro lugar? Sério, esse disco é legal, trouxe coisa nova, mas essa posição não poderia ter sido ocupada por ela. No máximo, o segundo lugar, ou até mesmo terceiro e quarto. A produção é boa, traz um bom pop rock e rock alternativo, com canções introspectivas. Contudo, o que poderia trazê-la ao pódio é ter sido justamente a criadora do querido novo movimento, uma onda musical que buscou quebrar o muro entre o “gospel” e o “secular”, de forma independente. Por ter sido a primeira banda do meio, isso é um fato muito importante, merece uma boa posição. O álbum Aeroilis, do mesmo nome da banda, é bem aberto com a faixa “Onde Encontrei Tudo”, uma das melhores. Um disco, para provocar interesse no ouvinte, preciso de uma boa faixa inicial e esse CD conseguiu isso. “Silêncio” e “Posso Ver” tem refrões que parecem uma continuação da outra, porém, esta última é melhor e consegue convencer com o resto da canção. “Em Suas Mãos” e o seu teclado tem uma vibe muito boa. “Sei que Passou” esbanja nas teclas novamente e essa faixa é uma das melhores. Os riffs de guitarra abafadas e os vocais duplos em “Os Teus Olhos” é uma boa faixa, quebra a quantidade de composições baseadas na mesma levada. “Sigo em Paz” é outra “Sei que Passou” nos pianos, tem um refrão pegajoso e impactante. O disco é dosado de muito intimismo e equilibrado. É uma obra interessante, mas primeiro lugar foi demais para ela. Desnecessário.

    Tiago: Talvez não seja o melhor disco da época. Mas é o mais importante. O disco de estreia da Aeroilis representou, a princípio, um rompimento total com o rótulo, o meio, o chamado público do “gospel”. Produzido e distribuído de forma completamente independente, o trabalho foi lançado exatamente naquela época em que os fóruns na rede começavam a fervilhar, e estes mesmos internautas mostravam suas insatisfações com os rumos do gospel (leia-se, principalmente, dotgospel). E, de longe, a banda conseguiu verbalizar isso melhor (Tanlan chega um pouco depois, com um EP em 2005). A musicalidade vai dentro do rock alternativo, com guitarras limpas, teclados, violão e vocais de Raphael pairando pela sonoridade e claro, com todas aquelas letras introspectivas, íntimas, mas nem um pouco apologéticas (exceto “Os Teus Olhos”). Os shows, um pouco “frios”, representavam um claro desprezo a toda a parafernália evangélica que, até hoje, encanta a massa. Lembro que aqui em Goiânia as músicas da banda tocavam numa das rádios, e tocaram aqui algumas vezes, mas eu era muito novo. Uma pessoa que eu conheci numa feira evangélica deu a definição perfeita para a música do quarteto: é aquele som ambiente que você ouve enquanto conversa no bar com amigos. Particularmente, se a Aeroilis ou o Fruto Sagrado encabeçassem a lista, estaria satisfeito. São dois grandes discos desta época de 2000 a 2004.


    A lista foi compilada através de votos dos participantes. Confira, nesta página, a quantidade de votos e os discos que ficaram de fora. Desta vez, Phil não pôde participar.

  • Melhores discos de rock cristão nacionais: 1995 a 1999

    Continuando a nossa lista de melhores discos de rock cristão nacionais, chegamos a segunda metade da década de 90, uma época bastante produtiva, em termos de rock cristão nacional. O ápice do boom, grandes bandas chegaram ao seu auge, musicalmente falando. Desta vez, o Resgate rouba a cena com a maior quantidade de discos na lista. Confira!

    Leia também as listas anteriores: Década de 70, década de 80 e 1990-1994

    [infobox title=’10º: A Revolução’]Artista: Catedral
    Ano de lançamento: 1998
    Número de faixas: 11[/infobox]

    Catedral - A Revolução - 1998Jhonata: Sem comentários!

    João: Achei uma lástima esse disco estar nessa posição, é um álbum fabuloso da Catedral, um dos melhores da banda, e o primeiro em que eles literalmente romperam de vez com a linguagem “religiosa”, colocando uma linguagem muito mais direta ao povo em geral, não uma música feita “só pra crente”, um mal que começaria ainda nessa década, mas que se alastrou a partir da década de 2000, literalmente fazendo o povo “voltar pra dentro da igreja” ao invés de trazer uma mensagem mais Para Todo Mundo (parafraseando o álbum seguinte deles). Eu mesmo na primeira vez que ouvi esse disco, em 2002 (um ano depois daquele caso lá daquela usina sonora [risos]) eu achava um disco bem bizarro, que quase não mencionava o nome de Deus, etc e tal. Só depois de um tempo vi como a ideia foi inteligente e hoje em dia virou até “modinha”, espero que as bandas do Novo Movimento tenham cuidado pra não fazer tal cosmovisão de qualquer jeito, ou as coisas podem ficar com muita polêMK, ops, polêmica sem direção (risos). Em suma, esse disco fez minha adolescência e digamos que foi um dos culpados por eu ser tão “perigosamente pensante” pra muitos.

    Phil: Esse é um álbum do Catedral que eu não reclamo. Eu não gosto da banda, acho meio “frankenstein” (umas coisas até interessantes mas que não rola juntá-las), mas A Revolução é bem feito. Um pop rock até bem ajustado, apesar da bateria meio esquisita – ou é detalhismo meu, que sou baterista – mas Cezar veio quebrando tudo com as guitarras. Não tenho muito a destacar, senão que foi o último álbum com a MK e foi bastante elogiado pela crítica, e não à toa entrou no nosso TOP 10.

    Thiago: A Revolução do Catedral, talvez, é um álbum até interessante para se estar numa posição melhor, mas eu o acho apenas bom. Kim já estava incorporando, em suas interpretações, performances que lembram totalmente Renato Russo. A banda seguia fazendo seu pop rock, misturado a outros gêneros musicais em algumas canções. Cezar é um bom guitarrista, e mostrou proficiência em alguns solos. É uma grande perda sua morte. A melhor música é “A Revolução”, com seus arranjos contagiantes, interpretações vocais eletrizantes e uma ótima letra sobre a verdadeira revolução. O álbum, aliás, é mais identificável pelas suas boas letras. “Os Filhos de Caim”, “O Sonho”, “Onde o Amor Reina” e “Por Te Conhecer”são boas faixas também. Porém, fiquei incomodado com o violão, inserido tão estranhamente em “Somos Todos Iguais”. Eu não sou o melhor para falar desse álbum, no entanto, creio que vale ter sido colocado na lista.

    Tiago: A Revolução é um disco muito importante para o Catedral e, aliás, deveria estar um pouco mais acima, hein? Já mostrando claramente o que queriam fazer nos anos seguintes, a obra mantém uma linguagem muito menos religiosa que nos outros discos, no entanto, aposta em algumas músicas radiofônicas, que deram o sucesso garantido. Só não consigo gostar de “A Revolução” que, francamente, me remete muito à “Perfeição”, do Legião Urbana (Do O Descobrimento do Brasil, de 1993). Destaque para “Somos Todos Iguais” e “Os Filhos de Caim”. Esta última contém riffs de baixo que só o melhor músico da banda, Júlio, poderia fazer. Foi o primeiro da banda que tive a oportunidade de ouvir inteiro.

    [infobox title=’9º: Asas’]Artista: Brother Simion
    Ano de lançamento: 1998
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Asas - Brother Simion - 1998Jhonata: Para não ser arrogante e nem sair por “crítico que não entende de música”, eu opto por não comentar esse álbum.

    João: O maior sucesso do Brother, a primeira música que eu ouvi do mesmo, lá em 1998, no ano que lançou, tocava à exaustão na rádio Manchete Gospel FM 94.3 Recife e muito embora pra mim seja bem inferior musicalmente ante os discos Brother, Esperança, Na Virada do Milênio e Eclipse, é inegável a importância desse disco. Foi um dos meus iniciadores no rock cristão, gastei um dinheirão na época pra comprar o meu exemplar (eu era só um pré-adolescente, cara, não tinha grana nem pro chiclete direito [risos]), e o guardo com muito carinho até hoje. “Voaaaaaaar nas asas do Espírito de Deus”, uma mensagem que ficou na minha memória de 1998 até hoje, dá pra imaginar o quanto isso vale a pena né. Destaco também as faixas “Liberdade”, “S.O.S Terra” e a regravação de “Etéreo”, que pra mim ficou bem melhor que a original do Katsbarnea.

    Phil: Brother mostra de novo porque é um grande compositor (e compulsivo). O cara escreve um monte de coisas. Criatividade é o sobrenome desse cara, só pode, gente! É um álbum tão gostoso de ouvir. Tem umas boas doses de rock, pop rock, folk rock, mas é claro que viaja bastante, se não, não seria o Simion. Até axé entra no álbum. E nada mal, viu? Esse experimentalismo é marca dele, e mesmo assim consegue fazer um álbum com menos rock do que outros tantos grupos, mas que é bem melhor do que qualquer um desses outros. Esse, aliás, foi o último álbum solo do Brother antes de sair do Katsbarnea. Uma pena pro Kats, eu diria, mas Brother continua sendo uma referência de música cristã nacional e ganha um merecido nono lugar nessa lista.

    Thiago: Asas ocupou uma posição muito injusta pela qualidade do disco. Brother Simion caprichou nas composições, junto com Estevam Hernandes, e deixou-nos um rock com arranjos e uma produção musical bem feita. Os teclados foram destaques e as guitarras muito bem colocadas. Os riffs de guitarra e a gaita de “S.O.S. Terra”, “Hey, Brother”, canção com grandes influências dos Beatles, “Tempestade” e sua verve eletrônica e “I Hope You See the Light” são as mais legais do disco. “Canguru Águia” me incomodou demais, principalmente do barulho de percussão e sua pegada de lambada exagerada. O disco foi o maior sucesso de Simion e realmente é uma ótima produção. Merecia uma colocação melhor.

    Tiago: Eu sempre vou dizer que Brother Simion é o nosso Bowie do cenário nacional. Ele nunca cansa de experimentar e fazer algo diferente. Em carreira solo, com a presença de Amaury Fontenele na produção musical e participação de Paulo Anhaia no baixo, começou a trazer, levemente, o techno para suas músicas. Era uma tendência internacional, mas ia totalmente na contramão do que as bandas e cantores faziam no cenário nacional, com seus acústicos. É claro que isso seria aprofundado no disco seguinte, pois este ainda revela um hard “I Hope You See Light”, a gostosa “Hey, Brother” e preocupações acerca do meio ambiente, explícitas em “SOS Terra” e “Tempestade”, sem falar da faixa-título “Asas”, o maior sucesso da carreira solo do cantor. Gosto tanto deste disco que consegui comprá-lo recentemente, mesmo fora de catálogo.

    [infobox title=’8º: Angústia Suprema’]Artista: Rosa de Saron
    Ano de lançamento: 1997
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Rosa de Saron - Angústia Suprema - 1997Jhonata: Este álbum não é um dos melhores da banda, mas é um bom álbum. Angústia Suprema é cheio de influências de hard rock e heavy metal. Inclusive, nessa época a banda bebia muito da banda Stryper, o que explica todo o peso das guitarras. Destaco as clássicas “Anjos das Ruas” e a faixa-título, “Angústia Suprema”.

    João: Meu primo Thiago Batinga é fã doente de bandas católicas, em especial Anjos de Resgate e Rosa de Saron. Católico do pé roxo, era de se esperar. Mas o Rosa que ele ouvia nunca me encheu os ouvidos, um pop rock mais manso que bandas como RM6 e Tempus. Mas daí eu ouvi falar de uma fase heavy metal da banda. Isso me chocou um bocado e eu fui lá ouvir. O Diante da Cruz, de 1994, embora mais importante, devido ser o primeiro disco de heavy metal católico do mundo lançado, não me agradou muito, seja pelo vocal ou pela qualidade da gravação mesmo, e por pouco desisti por completo da banda. Daí decidi dar outra chance e ouvi o disco seguinte, Angústia Suprema. Esse disco mexeu comigo demais, foi o extremo oposto do anterior. Realmente é um disco que não é pra muitos “tão bom assim”, mas pra mim é o momento que eu decidi ouvir mais sem preconceito nenhum, uma banda que numa música fala de Maria sem aquela devoção doentia de muitos católicos (“Linda Menina”) e faz um cover irado da banda Tourniquet (“Carregue os Feridos”), isso me fez querer ouvir outros sons dessa vertente religiosa, como Eterna, Testemunha, Beatrix, Extremo Unção e Ceremonya, entre outras.

    Phil: Rosa é outra banda que eu não sou tão fã, porém é mais fácil gostar de algo dela do que Catedral, e o Angústia Suprema é um rock com bastante pegada, viu. Achei bem “plug and play“, som direto, sem muita firula, apesar de o CD ter uma faixa introdutória e algumas faixas longas, o que não é nada demais, né? Bem redondinho, bem produzido, mereceu TOP 10 dessa meia-década 95-99.

    Thiago: Eu achei injusta a colocação dessa banda aqui. Rosa de Saron começou a progredir com entrada do Guilherme e Angústia Suprema não mereceu entrar nessa lista. Sem muitos comentários, é um disco da fase hard rock e heavy metal dela, e é muito mal produzido.

    Tiago: Se toda lista tem sua parte ruim, aqui está a desta. Ainda estou me perguntando o que este disco está fazendo aqui. O Rosa tinha um problema com a bateria… nos trabalhos mais antigos, ela quase nunca tinha peso (quer dizer, esse problema ainda persiste, de forma mais leve). A banda, tecnicamente falando, estava muito limitada para os demais grupos musicais da época. Particularmente, acho que as letras também não são muito fortes. No mais, não mereceu entrar entre os dez. Rosa é uma boa banda, tem bons discos, mas ainda é muito cedo para tê-la aqui.

    [infobox title=’7º: Demonocídio’]Artista: Antidemon
    Ano de lançamento: 1999
    Número de faixas: 27[/infobox]

    Demonocídio_-_Antidemon - 1999Jhonata: Estava no ensino médio quando ouvi o Demonocídio pela primeira vez. Estava começando a ouvir um rock mais pesado e, gostei da banda. Este álbum traz significantes influências para bandas cristãs do mesmo gênero. Tirando a bateria, que em boa parte do álbum é bem enjoante, o álbum é técnica e regularmente muito bom.

    João: Era 2002 e eu estudava no Colégio Adventista do Arruda, quando um amigo meu, Diogo Sobral, chegou na aula de informática e nos mostrou a capa desse disco, e colocou o mesmo pra rodar no PC. Pra mim, que de heavy metal só tinha ouvido aqueles metal farofa dos anos 80 (que minha mãe era muito fã) e uma ou outra banda como Bride e Guardian, aquele som foi o apocalipse, fora a capa com um “capetão” na capa (só um tempo depois entendi – e acabei gostando da ideia – que o capeta estava todo empalado, perfurado por espadas e condenado à destruição, portanto não era um louvor ao mesmo, e sim, como o nome do disco antecipava, um “demonocídio”). Imagino a reação de muitos ao ouvir esse que provavelmente é ainda o mais aclamado disco do metal cristão, de uma banda que no início era apenas uma iniciante no meio de várias outras como Devilcrusher, Theosophy, Calvário, Kletus, Martíria, Arcanjo, The Joke? e Afterdeath, entre outras do inicinho dos anos 90. A The Joke? até então era a banda com o disco mais pesado lançado, ainda que de maneira beeeeem artesanal, e tava mais pra um thrash groove que um death metal com pegadas de grindcore, que é o que o Antidemon apresentou nesse álbum. Apesar de ao longo dos anos a banda ter lançado bons discos, inclusive o impecável Apocalipsenow, Demonocídio permanece sendo um marco, um marco tão impressionante que hoje em dia, 13 anos depois do susto inicial, acabou que me tornou um dos seus frutos, já que death metal hoje em dia é uma das minhas praias prediletas (risos). Um “Massacre” à religiosidade e um chute de coturno nas portas do inferno.

    Phil: É hora de matar os capetas! AEEEEEEEHOOOOOOO! Cara, que emoção ouvir esse álbum. Como é incrível descobrir grupos nacionais antigos de grindcore e death metal e ainda por cima com temática cristã. Esse foi o primeiro full do Antidemon – só tinham um demo em fita cassete – e já balançou a cena rapidamente. Ah, e fez esse barulho todo de forma independente, como a maioria da turma estreante da época (e como boa parte do metal ainda circula hoje). Se você não curte o gênero, OK, mas se seus ouvidos aguentam de boa, certamente é uma grande escolha!

    Thiago: Apesar de eu não conseguir gostar de grindcore e essas vozes pig scream, Antidemon tem um grande mérito: inovou no meio cristão com um estilo totalmente inconvencional, e deu a cara a tapa com uma música bem anticomercial. O que me incomoda é eu não conseguir entender as letras gritadas por Batista, algumas meio sem sentido, meio “eu adoro expulsar Satanás”, muito antidemônio, como a própria banda chama. Digo quase o mesmo para os arranjos de todas as músicas. O álbum é bem grande, tem 27 composições, mas com faixas curtas, característica comum no grindcore. Algumas são tão estranhas que chega a ser bem zoeira, como “Libertação” e “Libertação II”. É difícil ouvir este CD esperando criatividade como um todo, porém é uma produção bastante engraçada e incomum. Foi justa a banda aparecer na lista por sua inovação.

    Tiago: Eu já conhecia a banda de nome há muito tempo, mas confesso que só fui conferir de mais perto quanto eles lançaram o fortíssimo disco Apocalypsenow, e foi uma grata descoberta. Antidemon é demais por sua proposta, e Demonocídio dispensa descrições ou comentários maiores, pois já é um clássico em seu gênero. Claro, tecnicamente a banda veio a melhorar muito mais em seus três discos mais recentes, mas aqui já vemos um death de respeito e bastante avassalador. É, de longe, a maior banda do gênero no nosso cenário.

    [infobox title=’6º: O Sentido da Vida’]Artista: Stauros
    Ano de lançamento: 1997
    Número de faixas: 11[/infobox]

    O Sentido da Vida - Stauros - 1997Jhonata: O Sentido da Vida é daqueles tipos de álbuns que quando você termina de ouvir pergunta: “e o resto?” Ele é incompleto. Não sei afirmar onde de fato ele peca mais, porém, afirmo que é expansivamente indesejável. A começar pela bateria fajuta e guitarra enjoante. Mas não é de todo ruim: tem lá suas particularidades positivas a exemplo de um bom vocal para o estilo heavy metal e, algumas de suas letras são bem poéticas.

    João: Calvário pode ter sido a pioneira dos discos com I.X.O.Y.E. (1993), seguida pelo The Joke com o The Death of the Brittle Biscuit (1995), Rosa de Saron com Diante da Cruz (1994) e pela própria Stauros com Vento Forte (1995), mas foi O Sentido da Vida de 1997 que se tornou o primeiro CD de metal cristão brasileiro lançado de maneira “profissional”, com uma qualidade inquestionável, lançado pelo selo Todo Som, que nada mais era que um selo da gravadora Gospel Records (que logo passou todos os lançamentos desse selo pro seu catálogo), catapultou a banda de Itajaí, Santa Catarina (é, uma banda de rock cristão de SANTA CATARINA [risos]) nacionalmente, e até hoje é um dos marcos do chamado metal cristão brasileiro, junto com o já citado Demonocídio da Antidemon. Os vocais de Celso de Freyn são excepcionais, e foi aquilo que mais me marcou desde a primeira audição. Hoje em dia um material raríssimo, os felizes possuidores de um exemplar original desse disco se orgulhem bastante, porque é um dos lançamentos mais icônicos da história (e se caso você não se orgulha, fale comigo que eu recebo seu CD com prazer).

    Phil: Meu Deus! Essa década só fica melhor e melhor! Só rock bom, cara! UUUUHUUUUU! Esse álbum é o segundo da banda e foi reconhecido até internacionalmente de tanta qualidade, e realmente é um grande trabalho de hard rock/metal progressivo. Muito bem gravado, bastante qualidade técnica pra uma banda que tinha pouco tempo na ativa, e letras bem escritas. É sem dúvidas um clássico.

    Thiago: O Sentido da Vida é um álbum com velocidade, técnica e peso do heavy metal e metal progressivo. A voz de Celso de Freyn é bem diferente, com aqueles  interpretações melódicas e rasgadas clássicas do metal. A introdução aguda e gritada do vocalista em “A Guerra Final” me fez esperar algo na linha do Stryper no disco, mas só ficou na impressão. É um disco que desce, mas meu conhecimento da banda é fraco para analisar profundamente o álbum. Quem espera virtuosismo achará, pois é melhor, musicalmente falando que um outro disco ali em cima.

    Tiago: Como eu já disse, senti falta da banda Calvário na lista anterior. Mas pelo menos este clássico do Stauros está aqui. Talvez o primeiro disco totalmente metal que ganha um destaque maior fora do underground, O Sentido da Vida é historicamente importantíssimo: um som com pegada meio heavy/thrash, aqui vemos uma banda enérgica e procurando sair do lugar comum. É um bom trabalho.

    [infobox title=’5º: O que a Gente Faz Fala Muito Mais do que só Falar’]Artista: Fruto Sagrado
    Ano de lançamento: 1995
    Número de faixas: 11[/infobox]

    O que a Gente Faz Fala Muito Mais do que só Falar - Fruto Sagrado - 1995Jhonata: Faço do título desse álbum meu comentário sobre o mesmo.

    João: Mais uma previsão acertada a contento meu (risos). Bem, muita gente sei lá porque malha esse disco, falam coisas como “cópia de Dream Theater” e similares, mas eu não entendo: o que nesse mundo no fim das contas não é uma “imitação”? Na verdade, esse disco tem muito mais elementos do som clássico e hard rock da banda, apesar de inegavelmente possuir muitos arranjos que lembram bastante Dream Theater, mas não só ela, também lembram muito em alguns momentos Rush e Queensrÿsche. OK. Estou procurando até agora qual o problema, enfim. Esse álbum é fantástico, e a linguagem que o mesmo possui é genial, embora sem dúvidas tenha causado e muito na época, já que o “gospel” já havia terrivelmente criado padrões até do que seriam “letras aceitáveis para bandas cristãs”. Até hoje essa praga persiste no meio dos “fãs de música gospel”, pois se uma banda cristã não se rotula como tal, logo na cabeça de alguns ela está “traindo o Evangelho”. É claro que isso não significa Thallequismos, ops…

    Como o primeiro disco do FS que eu ouvi na vida, esse disco me fez viajar pacas e quebrou muitos paradigmas meus e até hoje o refrão de “Retórica”, que é o enorme título do álbum, ecoa na minha mente e seria ótimo que ecoasse na de tantos “religiosos” desse país e desse mundo.

    Phil: Entramos no TOP 5. O papo ficou sério agora. Aqui é o auge do Fruto Sagrado. Talvez não o auge da acidez (mas pra época acho que foi) ou da técnica, mas do conceito de “Fruto Sagrado” mesmo, porque depois de 2000 a banda nunca mais foi a mesma. O fato é que esse conjunto da obra, nascido em 1995, é o melhor álbum deles e isso é praticamente um axioma, uma afirmação matemática daquelas que você olha e diz “é isso mesmo” e pronto, não há como ser falsa. O álbum é bom mesmo, é digno de ser escutado mesmo, e pronto, “cabou”, vai logo atrás de ouvir que cê tá perdendo tempo!

    Thiago: O que a Gente Faz Fala Muito Mais do que Só Falar foi pautado no metal progressivo, influenciado pela gringa Dream Theather, e manteve, nas letras, as críticas religiosas e políticas que caracterizam o Fruto. Até aquele momento, as produções foram boas e medianas. Esse disco teve ótimas músicas como “A Missão”, uma letra que fez referência a JOCUM (Jovens com uma Missão), as guitarras de Internal War (versão em inglês de “Guerra Interior”), a crítica política de “Podridown”, a reflexão amorosa de “Nosso Erro”, contudo, deixou algumas canções estranhas e fracas como “Presente”, cuja combinação de peso e letra romântica ficou bastante nonsense (como misturar água e óleo), uma letra meio desconexa sobre o estilo da instrumentalização de “Música” (música pesada do Fruto Sagrado tem que ter letra ácida crítica, senão não desce) e uma produção musical que deixou a desejar. No entanto, em resumo é um bom álbum e merece a posição de quinto lugar. Destaque a capa que possui uma aparência bem brasileira.

    Tiago: Confesso que eu tenho uma relação um pouco estranha com esse disco. Por vezes gosto e acho incrível, em outros momentos sinto que é meio “forçado”. O Fruto Sagrado tem uma discografia bem lógica. Os álbuns foram crescendo em qualidade e pretensão progressivamente, exceto em O que a Gente Faz Fala Muito Mais do que só Falar, de longe o trabalho mais pretensioso do grupo fluminense. Fortemente e escancaradamente influenciado pelo Dream Theater, aqui eles tentaram um som mais pesado, letras muito complexas, mas a produção musical não soou muito legal, até mesmo inferior a Na Contramão do Sistema (1992). Mas vale ser ouvido por sua tentativa, e por conter canções fortes e polêmicas, como “Retórica” e “Podridown”. Na época em que ouvi este trabalho pela primeira vez, custei pegar a “matemática” das letras. Isso é bom.

    [infobox title=’4º: Resgate’]Artista: Resgate
    Ano de lançamento: 1997
    Número de faixas: 8[/infobox]

    Resgate  - Resgate - 1997Jhonata: De todos os trabalhos do Resgate que já ouvi, esse é o que considero mais pop da banda. “Terceiro Dia” é a minha favorita desse disco (gente, ouçam os primeiros 3 segundos dessa música e o seu dia já vai tá valendo a pena) e, é claro que, o Resgate para mim é um grupo muito fraco em letras. Não sei se é pelo meu costume de ouvir Rosa de Saron (pós-Olhando de Frente EP) que suas letras não são Ctrl C + Ctrl V da Bíblia, e sim histórias da vida e coisas que vivenciamos, mas eu dou mais crédito para bandas cristãs (o que são poucas) que tenham letras mais profundas e que vão além de colas de versículos bíblicos.

    João: Paulo Anhaia. Esse cara é o Rei Midas do rock! (risos) Exageros à parte, este disco do Resgate a princípio eu não ia tanto com a cara porque as letras pra mim eram bem confusas (mesmo caso do A Revolução da Catedral e do álbum do Fruto Sagrado), mas depois, exatamente como os já citados anteriores, este disco me conquistou. A mudança da sonoridade também meio que me morgou um pouco, APESAR QUE eu conheci o Resgate no Praise, que era bem calminho comparando-se a esse até, mas com o tempo este realmente me pegou pelo ouvido. “E Daí” que esse disco tem poucas músicas (8, sem contar com a faixa anônima escondida após “Em Todo Lugar”), a mensagem dele já antecipava o que o Resgate produziria de alguns anos pra cá, e que eles já faziam de mansinho em todos os discos, mas nesse eles chutaram o pé na porta, de um jeito que tal qual o já citado do Fruto Sagrado, na época causou uma estranheza terrível. Novamente a religiosidade boba afetando a mente até dos “antirreligiosos” do rock “gospel”.

    Phil: Aí sim, fomos surpreendidos novamente! Esse disco é muito louco. A começar pelo fato de não ter sido masterizado. Não vou explicar o que significa pra não ficar enorme (só digo que corrige/equilibra algumas coisas) e muito produtor arrancaria os cabelos só de saber disso. Além disso, tem uma cara meio vintage e experimental, comparado com os anteriores (principalmente o On the Rock), com letras complexas e profundas. Pra mim é difícil falar de Resgate sem parecer fanboy, então falando da produção, Paulo Anhaia fez um belo trabalho aqui. E a bateria, cara… a graça de fazer arte é fazê-la imperfeita e imprevisível, e o timbre da bateria é fantástico sem a master, se melhorassem ia estragar. Eles saíram da caixa do hard rock e foram passear no britpop/britrock, com os quais continuam flertando até hoje. 🙂

    Thiago: Resgate dominou o período 95-99. Buscando novas experimentações, o grupo ousou um rock britânico com guitarras fritando e vibrantes no álbum Resgate, de 97. Esbanjando criatividade e inovação, o disco integrou muitas canções boas, listo “Liberdade”, “E Daí” e “Terceiro Dia” como bons exemplos, porém é um CD que só se vale a pena ouvir por inteiro. “No One” e a segunda parte de “Em Todo Lugar” apresentam um folk rock daqueles que só se ouvem no gringo. A produção das guitarras foram bem colocadas, com a vibe britânica. Ótimo álbum, posição justa.

    TiagoResgate foi um dos melhores, e talvez o último disco realmente bom do Resgate por muito tempo. Aliás, sua turnê foi acompanhada por ótimas apresentações da banda juntamente com os caras da Oficina G3. A obra tem seu tom claramente questionador, com letras complexas e versos bem trabalhos, mas que também conta com arranjos primorosos. É um trabalho liricamente e instrumentalmente anticlichê. Neste época, a banda começa a se mostrar bastante atraída pelo rock britânico, e apresenta, aqui, a sua versão do britpop. É um som de vanguarda, pois, se você parar para pensar, só o Skank faria algo parecido no mainstream do cenário nacional, e em Cosmotron (2003). É certamente curioso como um disco que sequer foi masterizado ter uma orgânica tão agradável.

    [infobox title=’3º: Armagedom’]Artista: Katsbarnea
    Ano de lançamento: 1995
    Número de faixas: 12[/infobox]

    Armagedom - Katsbarnea - 1995Jhonata: Sem comentários (muito ruim!)

    João: Esse pódio está estranhamente perfeito na minha opinião, acho que é a primeira vez que eu curti o pódio, inclusive as posições que os discos ficaram. Bem, ESSE álbum do Katsbarnea, que pra mim é O MELHOR da discografia inteira da banda e um dos melhores discos de rock cristão ever, foi um dos mais vendidos da cena lá na década de 90 (muito pelo sucesso gigantesco de “Gênesis”, possivelmente, mas o disco é muito bom no todo). Daí você puxa a ficha de quem produziu o disco e… Paulo Anhaia. De novo. Citar ele agora vai até parecer um fanatismo sem dúvidas (risos).

    Um dos discos mais autênticos da década de 90, Armagedom finalmente deu uma identidade sonora à banda que andava meio “perdida” no anterior Cristo ou Barrabás (apesar de eu achar o disco muito bom, mas é inegável a evolução incrível apresentada no seguinte). Além da balada arrasa quarteirão chamada “Gênesis”, o disco possuí ótimas faixas como a meio progressiva “Invasão”, o heavy metal orquestral de “Armagedom”, o punk rock de “Crack”, o reggae-rock de “Pra Onde Você Vai, Brother?”, o forrock de “Alegria” e o surf rock de “Do Céu”. Fora a piadinha crítica habitual do Brother na faixa “Fariseu”, com um experimentalismo a lá Pink Floyd e até Duca Tambasco fazendo ponta cantando erudito ([risos] essa faixa é muito zoeira); o mais notável é que esses elementos já constavam no Cristo ou Barrabás, mas nesse disco realmente saiu muito melhor. Imperdível, esse disco foi o primeiro do Kats que eu ouvi na vida, e sem dúvidas o que mais me marcou, com uma das melhores (senão a melhor) formações da banda.

    Phil: Não querendo ser malvado mas já sendo: obrigado, Paulinho Makuko, por ter ido passear fora da banda por um tempo. Ao meu ver, a ausência daquelas percussões todas em álbuns anteriores fez um bem danado pra banda! Brother Simion pareceu mais loucão agora que temos um rock “de verdade” nas faixas que são rock, e pra mim as letras subiram uns degraus na qualidade. Deixaram pra trás a parte mais pop oitentista e amadureceram um bocado. Paulo Anhaia também assina a produção aqui. Déio Tambasco (guitarra) e Jadão (baixo) deram um grande up no trabalho, embora Brother Simion continue sendo a cara da banda.

    Thiago: Resumo do Katsbarnea até o Armagedom: superações e deslizes juntos em vários álbuns, o som terrivelmente chato do Makuko tocando percussão, uma voz não muito legal do Brother Simion, letras interessantes, músicas ora legais, ora fracas. Resumo do Armagedom: progresso enorme da banda, na qualidade musical e na produção. É um discão de prog rock/metal, heavy metal, com experimentações excêntricas do hardcore punk. A influência do reggae no álbum foi bem perceptível em algumas faixas do álbum, mas as melhores são as mais progressivas. Brother Simion arriscou gritos guturais que eu achei demais. Deixou Jean Carlos no chinelo. Apesar de algumas músicas do disco serem meio indefiníveis, ele contém canções dignas de muito elogio, musicões mitantes. As progs “Invasão” , “Armagedom” , “Fariseu” e o southern rock “Get Out of Babylon” são E-X-T-R-A-O-R-D-I-N-Á-R-I-A-S. E todo esse mérito que a obra tem, Déio Tambasco teve uma fundamental participação. As gravações de guitarras do álbum ficaram excelentes. Disco bom, vale a pena conferir.

    Tiago: Esse TOP 3 está lindo de se ver! Após o forçado enxugamento da formação, que matou a estabilidade da formação do Kats (não me canso de falar disso), a banda tinha que encontrar o seu caminho. Embora Cristo ou Barrabás tenha seus pontos fortes, é um disco meio aborrecido, mas ao ouvir Armagedom você percebe que eles encontraram um rumo. O rock experimental, então, era a vertente perfeita para o Katsbarnea. Brother Simion, então, parece carregar a banda em suas costas. Isso, de fato, não é uma ofensa para os demais da banda, pois o disco reserva grandes performances de Déio Tambasco e Jadão, mas o que o nosso vocal faz neste disco não é brincadeira: vocais, piano, harmônica, teclado, guitarra e, claro, assina todas as músicas. Paulo Anhaia (você lerá muito ainda este nome) chega pra somar e enriquece a produção do disco, que conta com “Invasão”, “Do Céu” (que música!), “Crack – Atos 4:11” e “Fariseu”, sem falar nas ótimas camadas de teclado de Giovani Bon, que dão um ar sombrio a algumas canções.

    [infobox title=’2º: Indiferença’]Artista: Oficina G3
    Ano de lançamento: 1996
    Número de faixas: 15[/infobox]

    Oficina G3 - Indiferença - 1996Jhonata: Eu gosto muito desse álbum do Oficina e acho merecida a sua colocação. A versatilidade de vozes nesse disco é muito melhor que Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante (e olha que eu amo Los Hermanos). O peso nas guitarras e bateria foram muito bem encaixados, nada de exageros. Destaco a faixa-título, “Espelhos Mágicos”, “Davi” e “Fé”.

    João: O melhor disco do Kats, seguido pelo melhor do Oficina, é lógico. E, advinha, Paulo Anhaia de novo… (muitos risos). Um festival de hard rock de melhor qualidade, é isso que esse disco injeta nos ouvidos de todos, e não a toa pra muitos é o melhor disco do rock cristão brasileiro supremo (apesar que o disco seguinte nessa lista supera muito a esse). O talento nato de Juninho Afram, Duca Tambasco e Jean Carllos (que até hoje são a formação base do Oficina desde então), juntamente à bateria precisa de Walter Lopes e dos vocais soberbos e inacreditavelmente perfeitos pro hard rock de Luciano Manga, que nesse disco se despedia da banda e chega a ser irônico que com sua partida a sonoridade básica que tanto encantou no Oficina foi embora com ele.

    OK, eu conheci Oficina G3 no primeiro Acústico, o de estúdio, lá em 1998 (um amigo meu me mostrou e eu viajei como poderia haver rock cristão, e desse disco, junto com o Asas do Brother, me introduziram nesse mundo, mal eu tinha virado “crente” [risos]). Mas quando se compara com cuidado e atenção a fase original com o que viria a seguir, você acaba tendo meio que a minha atitude quanto a isso: vira fã incondicional do Oficina com Manga e um cara que até tem um certo apreço pelo quesito saudosismo da fase “popcina G3”, mas nada mais além disso. Indiferença foi o primeiro disco que o Oficina mostrou letras mais “urgentes” pro mundo ao seu redor e também uma sonoridade profissional, que não deixa a desejar nenhuma banda de glam metal/hard rock cristã dos anos 80 lá dos “isteitis”.

    Phil: Clássico é pouco pra falar desse álbum. Agora vou chutar o pau da barraca: sou fanboy de Oficina mesmo! (risos). Podemos considerar esse álbum como sendo o grande marco da era Luciano Manga, com tantas canções lembradas até hoje. Aposto que você conhece aquele irmão mais antigo que canta “Indiferença” ou “Espelhos Mágicos”. Tudo bem que o álbum Acústico que veio depois contribuiu pra amaciar a sonoridade e espalhar a fanbase, mas o que dizer do clássico (e difícil!) solo introdutório de “Glória”? Eu só acho que ainda faltou um “quê” nas letras, algo que se foi com Túlio Régis, mas é sem dúvidas mais amadurecido que o álbum anterior, e lançou a banda a lugares bem mais altos, consolidando seu espaço na música cristã como um todo.

    Thiago: Indiferença é outro clássico da lista. Considerado pelos fãs mais oldschool como o melhor álbum do Oficina G3, mostrou a evolução da banda e demonstrou o que o G3 é capaz de fazer. Afram e seus dedos virtuosos e sentimentais exibiu técnica e musicalidade do início ao fim, Duca Tambasco mitou no baixo, Jean Carlos deu sua contribuição e o saudoso Walter Lopes mostrou quem era na bateria. Esse quinteto pode não ser reconhecido como a formação clássica, mas foi o que mais fez história na banda. O brilhante solo de Juninho na faixa “Glória Ist.” foi o melhor de todos, brilhantismo que foi mantido na interpretação da música cantada. “Davi” abriu muito bem, com a faixa-título sendo a segunda melhor. Duca contribuiu bastante também no seu curto – mas valioso – instrumental, “Duca’s Jam”, e em “Contra Cultura”, música que teve a melhor performance de Jean Carlos em seus teclados. Manga fez sua parte como vocalista. Ainda rendeu a progressiva “Your Eyes” e “Your Eyes II”, a cantada e seu instrumental subsequente. Hard rock, heavy metal, blues rock e rock progressivo direto do forno pode-se apreciar nesse projeto que exala muita técnica. “Rei de Salém”, com sua vibe açucarada demais, e “Magia Alguma” não me agradaram.

    Tiago: Eu gosto muito de Indiferença e sou daqueles sujeitos que o defendem como melhor disco da banda. Não é questão de saudosismo, mas a evolução lírica, técnica e instrumental deste trabalho, para a época, é notável. Se Jean Carllos estreava, Duca Tambasco e Waltão arrebentavam e Luciano Manga brilhava como vocalista, o que dizer de Juninho Afram? De coadjuvante, se tornou protagonista, escrevendo sozinho a maioria das músicas, tornando-se o principal compositor da Oficina e até intérprete em várias faixas. “Glória Inst.” é a coisa mais brilhante deste grande álbum, que ainda nos surpreende pelas belas baladas “Magia Alguma” e “Novos Céus”, sem falar nos hards “Davi”, “Indiferença”, “Espelhos Mágicos” e “Não Temas”. Outra beleza que vejo no disco é “Your Eyes”, para mim, uma das melhores e mais subestimadas músicas do G3.

    [infobox title=’1º: On the Rock’]Artista: Resgate
    Ano de lançamento: 1995
    Número de faixas: 14[/infobox]

    Resgate - On the Rock - 1995Jhonata: Certa vez me disseram pra ouvir 5:50 AM do Resgate como se tivesse ouvindo “Sem Você” do Rosa de Saron, ou seja, é o clássico mais conhecido da banda. Confesso que gostei da música e, como já disse em postagens anteriores, gosto da banda. O que mais me agrada neste disco são as guitarras. Finalmente um disco dessa lista com guitarras agradáveis de começo ao fim.

    João: ON THE MARVELOUS ROCK!!! Praticamente escrevi essa review dos 10 discos da lista com esse disco rolando no meu PC. O disco que eu mais ouço do rock cristão, hoje e sempre. Como já falei no disco Resgate de 1997, o meu primeiro contato com a banda do Zé Bruno, Jorge Bruno, Hamilton e Marcelo foi com o Praise de 2000, que é sem dúvidas um dos melhores discos da banda. Mas um certo dia, em 2002, 2003, não lembro ao certo, pedi emprestado ao pastor Carlos Alberto (Carlão) da minha velha Renascer Beberibe que eu fazia parte na época, esse disco. Eu queria muito ouvir devido ao fato de ter visto os caras do Resgate tudo cabeludão, igual à matéria da Revista Gospel Nº 2 (dezembro/2001) que mostrava várias fotos de shows antigos da banda. Fiquei imaginando o som que eles faziam, já que na época o que rolava era o Acústico da banda (por sinal também muito bom, e foi o primeiro disco de rock cristão que eu comprei na vida). Quando ouvi esse petardo, foi um momento meio “decisivo” pra mim. Eu já na época queria ouvir e tocar uns sons mais “pesados”, embora ainda não fosse uma coisa bem determinativa (acho que só em 2005, há 10 anos atrás, que eu realmente comecei a “entrar de cabeça” nesse som). E assim, On the Rock se tornou meu disco predileto.

    Mais uma produção de Paulo Anhaia, provavelmente a primeira dele com bandas “cristãs”, e ele já chegou destroçando tudo, porque esse é sem dúvidas o melhor disco que ele produziu, com letras precisas, hard rock bem medido, falando de solidão, problemas sociais, hipocrisia religiosa e até humor (temática que começou no disco anterior Novos Rumos com o cover de “Florzinha”, e que seguiu adiante em vários discos da banda até hoje). Acho que não tenho mais o que falar desse disco, senão vai ser repetitivo, o que posso dizer é: QUE DISCO!

    Phil: Abram alas pro campeão. Cara, se for pra fazer um apanhado do rock cristão nacional de todos os tempos esse álbum fica no TOP 5 fácil. O mito Paulo Anhaia ataca novamente e fez um grande trabalho, aparando as arestas dos caras e os direcionando no hard rock de uma forma mais expressiva que os álbuns anteriores. Ficou muito redondinho. Bem feito demais. Os caras soavam muito melhor. Aqui, os temas das letras variam mas carregam diferentes temáticas de uma forma meio satirizada, que se tornaria a marca do Resgate ao longo dos anos. Parece que as canções conversam com a gente, digo, pelo linguajar mesmo. E do On the Rock saiu o que (dizem) é o maior sucesso da banda: “5:50 AM”. É um CD pra ninguém botar defeito, e não digo isso pelo jargão!

    Thiago: On the Rock foi descrito como um clássico da banda Resgate, mas apesar de eu preferir Ainda não É o Último, é um ótimo trabalho musical. O disco reuniu músicas com sonoridade hard rock com flertes ao heavy metal, mais pesado que os álbuns anteriores e muito melhor, tanto musicalmente, quanto conceitualmente. A obra teve a música de maior sucesso da banda e uma das melhores deles, a fera 5:50 AM, uma bela canção sobre solidão. As humorísticas “Papo de Lóki” e “Fogo” são hilárias, mas o sarcasmo de “Fogo” é bem neopentecostal. “Doutores da Lei” incorpora uma crítica aos fariseus, apimentada pelo hard rock. Os riffs magnéticos de guitarra eletrizam e atrai do início ao fim. “He’ll Come Again” é a única mediana do álbum. On the Rock, Indiferença e Armagedom ocuparam com muita justiça o pódio da lista de 95-99.

    Tiago: Primeiro lugar merecido, embora sei que alguns dos meus colegas vão discordar. Nos discos anteriores, o Resgate ainda tentava se encontrar, e com Paulo Anhaia chegaram onde queriam. On the Rock é o registro de uma banda vibrante, alegre, deslumbrada pela possibilidade musical que encontraram. Há algo muito particular no quarteto, já observado nos dois anteriores, que não encontramos em nenhuma banda ou cantor cristão da época: o humor cínico. Este álbum é repleto dele. A banda trata de temáticas seríssimas de forma despojada, como o isolamento social (“Solidão”), morte (“Vida”) e até o diabo (“Fogo”). Mais pesado, o disco foi gravado ao vivo, e é pancada. Vale destacar, também, as fortes críticas em “Doutores da Lei” e a balada mais repetidamente regravada da banda, “5:50 AM”. Os riffs de Zé Bruno e Hamilton estão afiados, a cozinha pega fogo e nas catorze faixas não perde o fôlego. Para um ano em que o Brasil começou a vibrar com os Mamonas Assassinas, o Resgate já evoluía o seu humor desde 1991, curiosamente ao lado do Creuzebeck. De longe, o seu melhor trabalho e um dos melhores álbuns da década.


    A lista foi compilada através de votos dos participantes. Confira, nesta página, a quantidade de votos e os discos que ficaram de fora.

  • Os 100 maiores álbuns nacionais da música cristã

    A equipe do O Propagador apresenta a lista dos maiores álbuns nacionais da música cristã. O material foi compilado em parceria com os sites Super Gospel, Arquivo Gospel, Casa Gospel, Gospel no Divã, Gospel Prime, Ruben Mukama e Virtual Gospel, entre uma série de músicos, historiadores, jornalistas e audiófilos. Cada um lançou suas indicações, as quais foram discutidas exaustivamente. O repertório consiste em discos que foram lançados desde a década de 60 à década de 2010. Aqui, no O Propagador, você vê a lista na íntegra e com os comentários previamente escritos.


    100º: Fogo e Glória Curitiba – David QuinlanFogo e Glória Curitiba - David Quinlan - 2000

    Disco que representa o movimento worship ocorrido em Contagem, o simplório violão de David Quinlan se tornaria um padrão intensamente – e irritantemente – copiado. Deste movimento, há de se destacar, como influenciados, Santa Geração e o cantor Fernandinho. Heloisa Rosa e Nívea Soares colocam seus vocais, imprimindo uma parceria que duraria por outros discos.

    2000, Aliança


    99º: Pra Louvar – Raiz CoralRaiz Coral - Pra Louvar - 2004

    Quando o Raiz Coral lançou seu primeiro trabalho, não havia nenhum material semelhante em toda a história cristã. Claramente avassalador, quando o assunto é corais, o disco Pra Louvar rapidamente se popularizou e invadiu as igrejas com canções como “A Coroa” e “Jesus meu Guia É”.

    2004, Independente


    Thalles - Na Sala do Pai - 200998º: Na Sala do Pai – Thalles

    Indiscutivelmente um dos trabalhos mais importantes da última década, a estreia de Thalles é uma mistura de blues, pop rock, black music e soul, distribuída em linhas de baixo grooveadas, com letras diretas e confessionais.

    2009, Graça Music


    97º: Além do que os Olhos Podem Ver – Oficina G3Além do que os Olhos Podem Ver - Oficina G3 - 2005

    “Não ache que eu estou derrotado, você está errado”, canta Juninho Afram em “Mais Alto”, após latidos de cães. Neste disco, a Oficina G3, como um trio, exorcizava todas as especulações de que era seu fim sem PG. Embalados por um metal progressivo de mix pop, o disco solidifica o respeito que o grupo tinha recebido com Indiferença, seu registro mais soberbo.

    2005, MK Music


    96º: Antes do Sol Nascer – Nádia SantolliNádia Santolli - Antes do Sol Nascer - 2005

    Cercada de colaboradores experientes, como Genésio de Souza e Val Martins, produzida por Kleber Lucas e no embalo de sua participação em uma canção do Koinonya, assim foi a estreia de Nádia na MK. Num tempo em que “todo mundo” estava gravando disco ao vivo congregacional, Santolli conseguiu se destacar, graças a sua personalidade, impressa em sua voz grave e potente. No entanto, o grande mérito desse disco é que tudo soa bem.

    2005, MK Music


    95º: Ainda não É o Último – ResgateResgate - Ainda não é o último - 2010

    Após anos de silêncio do rock cristão no mainstream, os membros do Resgate se juntaram e ensinaram, mais uma vez, como é que se faz. Com a pop-produção de Dudu Borges, o disco consegue jogar guitarras e hammonds em equilíbrio em meio a letras humorísticas de Zé Bruno, como “Jack, Joe and Nancy in the Mall” e sua veia à lá Traditional Jazz Band e a grande balada “Vou me Lembrar”.

    2010, Sony Music Brasil


    94º: Daniela Araújo – Daniela AraújoDaniela Araújo - Daniela Araújo - 2011

    Quando Fernanda Brum e Emerson Pinheiro criaram uma fórmula de pop nos anos 90, a única grande novidade dentro do gênero, com o passar dos anos, seria Daniela Araújo. Com seu álbum autointitulado, a artista trouxe ao seu favor o piano e arranjos da Orquestra Filarmônica de Praga, envoltos numa produção musical over-the-top.

    2011, Sony Music Brasil


    93º: Na Casa de Deus – EyshilaNa Casa de Deus - Eyshila - 2003

    A carreira de Eyshila, oriunda dos Altos Louvores, pode ser resumida pré e pós este projeto, cuja produção foi dividida entre Rogério Vieira, Woody e Wagner Carvalho. Gravando sete músicas com participação ao vivo da sua igreja, a cantora que antes era conhecida pelas suas baladas, a partir desse disco se tornou figura garantida no chamado louvor congregacional, consagrando-se como compositora, especialmente por “Posso Clamar”.

    2003, MK Music


    Para o Mundo Ouvir - Rose Nascimento - 200492º: Para o Mundo Ouvir – Rose Nascimento

    Utilizando-se de arranjos e fundindo outros gêneros musicais, este disco de Rose Nascimento fez uma música pentecostal diferente do que se ouvia na maioria dos lançamentos de sua época, também trazendo cordas.

    2004, Zekap Gospel


    91º: Respire Fundo – Ao CuboAo Cubo - Respire Fundo - 2004

    Se muitos grupos se destacaram pela presença de um rapper, o Ao Cubo teve dois. Feijão e Cleber representaram a música do grupo em todas suas esferas, juntamente com Fjay, criticando o consumismo, desigualdade social e criminalidade, sob uma ótica cristã.

    2004, Aperte o Play


    90º: Toque no Altar – Ministério Apascentar de Nova IguaçuToque no Altar - 2003

    Com uma enorme equipe de músicos em tempo integral, o Ministério Apascentar de Nova Iguaçu estreou com um dos registros mais fortes da cena congregacional. Revelando o repertório autoral de Luiz Arcanjo, Davi Sacer e Ronald Fonseca, a obra agrega cordas e metais sem se sobrepor aos pianos e teclados, o grande ponto forte deste grupo.

    2003, Independente


    89º: Quebrantado Coração – Fernanda BrumQuebrantado Coração - Fernanda Brum - 2002

    Enfatizando o tipo de coração que deve ser na caminhada cristã, é o auge musical da dupla Fernanda Brum e Emerson Pinheiro, estendendo a tendência dos discos anteriores com um repertório introspectivo, mas forte, composto por músicas como “Marcas”, “Amo o Senhor”, “O Amor que Cura” e “Espírito Santo”.

    2002, MK Music


    Por Toda Vida - Voices - 200088º: Por Toda Vida – Voices

    O maior supergrupo já existente do meio cristão, o Voices alcançou grande amadurecimento com seu terceiro trabalho, destacando-se com as canções “Pisa no Inimigo” e “Por Toda Vida”, dentre as mais notáveis de sua discografia.

    2000, MK Music


    Cristiane Carvalho - Novo Amanhecer - 199387º: Novo Amanhecer – Cristiane Carvalho

    Diferentemente de seus trabalhos anteriores, Cristiane Carvalho utilizou-se de composições nacionais, transitando em gêneros musicais como o funk e pop. Há de se destacar a faixa-título e “Até que Te Encontrei”, formando o ecletismo necessário para a obra.

    1993, Line Records


    Humanidade - Banda Rara - 199086º: Humanidade – Banda Rara

    Na ponta das influências do funk e soul, a Banda Rara alcançou o seu auge com Humanidade, especialmente com a faixa-título, nos vocais de Maurílio Santos, além de “Estrela da Manhã” e “Deixa Tudo”.

    1990, Gospel Records


    85º: 2ª Vinda – A Cura – Apocalipse 162ª Vinda a cura - Apocalipse 16 - 2000

    Pregador Luo e DJ Alpiste trouxeram o rap para a cena cristã. Mas 2ª Vinda – A Cura é um divisor de águas no gênero, sombrio e polêmico, tendo o auxílio de Mano Brown (Racionais MC’s) e Eduardo (ex-Facção Central). Seus discos posteriores se fundem de forma mais efetiva com a black music, em contrapartida, perdem o frescor alcançado aqui.

    2000, 7 Taças


    84º: Alta Voz – Kades SingersAlta Voz - Kades Singers - 1997

    Com arranjos do tecladista Paulo Richard (ex-Complexo J) e Raquel Mello, Alta Voz foi fundamental para a caracterização e definição dos grupos vocais na cena mainstream, além de ser um registro de devoção explícita a soul music.

    1997, MK Music


    83º: Aeroilis – AeroilisAeroilis - Aeroilis - 2004

    Antes do rock alternativo e do novo movimento – o tal crossover – estar em alta, a Aeroilis já chegava com um disco, com guitarras limpas, bateria com chimbau aberto e composições introspectivas, guiadas pela voz e timbre singular de Raphael Campos, o que seria aprofundado em Nada Mais Além, o trabalho sucessor.

    2004, LaCruz / Bompastor


    82º: Um Pinguim com Frio no Alaska – Amaury FonteneleUm Pinguim com Frio no Alaska - Amaury Fontenele - 2001

    Um pouco isolado, Amaury foi o único músico que, em sua época, misturou as batidas do rap com o groove do rock e R&B, com auxílio de Fernando Catatau, ex-colega de banda no Cidadão Instigado formando, assim, uma sonoridade ímpar no âmbito cristão.

    2001, Aliança


    81º: Voar Como a Águia – Alda CéliaAlda Célia - Voar Como a Águia - 2002

    Do Koinonya e Comunidade Cristã de Goiânia para a carreira solo, Alda Célia estabeleceu a ambientação ao vivo como cerne de seu melhor trabalho, Voar Como a Águia o qual, além da faixa-título, se destaca por “Óleo de Alegria” e a regravação de “Poder da Oração”.

    2002, MK Music


    80º: Águas Purificadoras – Diante do TronoDiante do Trono - Águas Purificadoras - 2000

    O follow-up para Exaltado foi um ajuntamento ainda maior, de qualidade técnica superior, inserindo, definitivamente, elementos que se tornariam marca-registrada do Diante do Trono, como as danças e espontâneos gigantescos – fortalecidos pela faixa-título, de sonoridade suave.

    2000, Diante do Trono


    79º: O Valor de Uma Alma – Mara LimaMara Lima - O Valor de uma Alma - 1989

    O Valor de Uma Alma veio para mostrar o porquê Mara Lima é um nome de longevidade no meio cristão: aliando um bom repertório, simplicidade e som direto, o trabalho se destaca, especialmente, pela canção que o intitula, que não se sobrepõe, de forma alguma, ao restante das canções apresentadas.

    1989, Som e Louvores


    78º: O Jardineiro que Chora – Alceu PiresAlceu Pires - O Jardineiro que Chora - 1984

    Um dos grandes poetas da música pentecostal clássica, Alceu Pires é compositor de sucessos emblemáticos como “Abração e Isaque” e “Juízo Final”. O primeiro e mais importante deles, “O Jardineiro que Chora”, foi responsável por colocar o disco homônimo na galeria dos clássicos cristãos. Com influências da música sertaneja de raiz, Alceu fez o Brasil inteiro cantar a parábola sobre a relação entre a flor e seu cuidador.

    1984, Djanir Produções


    77º: Autoridade e Poder – Marcos GóesAutoridade e Poder - Marcos Góes - 1990

    Com produção musical e arranjos de Marcos Góes, o trabalho é de notável qualidade musical, trazendo a participação de músicos como Sidão Pires e Marcos Bonfim. De fato, este é caracterizado como o trabalho solo de maior importância na carreira de Góes.

    1990, Pioneira Evangélica


    76º: Poemas e Canções – Leonardo GonçalvesLeonardo Gonçalves - Poemas e Canções - 2002

    “Mas a verdade é que o Criador não nos usa por sermos bons, mas o fato de sermos usados por Ele é o que nos torna bons, apesar de não o sermos”, disse Leonardo Gonçalves ao O Propagador. Seu primeiro disco é uma combinação agradável de pop, jazz, blues e contém, além da conhecida “Getsêmani”, uma regravação de João Alexandre. Com o trabalho, Leonardo se inseriu numa nova safra de intérpretes que fogem de temáticas e sonoridades mais populares.

    2002, Novo Tempo


    75º: O que na Verdade Somos – Fruto SagradoO que na Verdade Somos - Fruto Sagrado - 2003

    O que na Verdade Somos é o disco mais forte do Fruto Sagrado: com riffs agressivos de Bene Maldonado, vocais surpreendentes de Marcão, letras fantasticamente ácidas, e apresentando influências diversas, como o maracatu e a música eletrônica, mostraram que só eles, na altura do campeonato, sabiam fazer um som na tendência.

    2003, MK Music


    74º: Oração de Davi – Feliciano AmaralFeliciano Amaral - Oração de Davi - 1981

    Ele é o recordista, segundo o Guiness Book, como o cantor evangélico há mais tempo em atividade no mundo. Mensagem Real, seu disco de 78 rpm (tecnologia pré vinil), é um dos primeiros registros físicos da música evangélica nacional, lançado em 1948. Já com mais de 35 anos de carreira, o cantor lançou uma de suas maiores obras primas, Oração de Davi. O trabalho de 1981 traz os arranjos limpos característicos da música sacra tradicional, a voz inconfundível de Feliciano Amaral e um repertório brilhante, com canções marcantes como “O Rosto de Cristo”, “Tudo Entregarei”, “Cristo meu Mestre” e “Oração de Davi”.

    1981, FA Produções


    73º: Cicatrizes e Testemunho – Jorge AraújoCicatrizes e Testemunho - Jorge Araújo - 1984

    Pode ser que, hoje, seja mais reconhecido como pai de Daniela Araújo, mas Jorge Araújo fez história na música pentecostal como um dos artistas mais ousados do gênero e responsável por grande parte de sua modernização na década de 80. Em um período de resistência à inovação, Jorge esticou a linha, trazendo, para suas produções, a guitarra elétrica e a bateria em destaque. Em Cicatrizes, seu mais reconhecido trabalho, o cantor mostra toda sua veia pop interpretando grandes sucessos, como a faixa-título e “Deus Resolve o Teu Problema”.

    1984, Louvores do Coração


    72º: Tempo de Adoração – Comunidade Vila da PenhaTempo de Adoração - Comunidade Evangélica Vila da Penha - 1994

    A chamada Comunidade Zona Sul se destacaria ao chamado movimento das comunidades dos anos 90. Tempo de Adoração sintetiza, claramente a tudo o que seria feito pelo resto da década, incluindo “Consagração/Louvor a Rei”, uma das mais belas canções cristãs deste período.

    1994, Independente


    71º: Bonança – Os Cantores de CristoBonança - Os Cantores de Cristo

    Muitos grupos, na época, investiram em Jovem Guarda, como os Embaixadores de Sião, Cades-Barneia, Triumpho, Os Atuantes, Os Ligados, mas Os Cantores de Cristo foram além, porque fizeram isso colocando pitadas do rock psicodélico e do progressivo, evoluindo seu som em relação aos discos anteriores, sem perder o enfoque evangelístico.

    1975, Favoritos Evangélicos


    70º: Sem Palavras – CassianeSem Palavras - Cassiane - 1996

    Enquanto o movimento gospel dava seus primeiros sinais de crise, Jairinho surgiu com uma produção ingênua que remodelaria, de vez, o conceito de música pentecostal no Brasil. Com tons épicos, “Imagine” continua a ser uma das mais belas e representativas canções do gênero até hoje.

    1996, MK Music


    69º: Primeiro Amor – Shirley CarvalhaesPrimeiro Amor - Shirley Carvalhaes - 1994

    Mesmo já tendo vinte anos de carreira, foi com Primeiro Amor que Shirley Carvalhaes se firmou como a grande dama da música pentecostal brasileira. O disco, produzido por Tuca Nascimento, foi um fenômeno cultural. Seu grande destaque, a música “Faraó ou Deus?”, causou um mix de encanto e repúdio nas igrejas, tamanha era sua ousadia, cujo som misturava referências da música árabe com forró, ritmo que passaria a ser constante nos discos do gênero, a partir de então. Como resultado, a faixa, tratada nas igrejas mais conservadoras como ‘música para dançar’, se tornou um hit inquestionável, elevando a carreira de Shirley e toda a música pentecostal a outro patamar.

    1994, Nancel Music


    68º: Coração Valente – Voz da VerdadeVoz da Verdade - Coração Valente - 1997

    Indiscutivelmente o grupo que mais sabe trazer ecletismo a seu favor, Coração Valente é o maior clássico do Voz da Verdade até aqui. A fusão de orquestras, guitarras wah-wah, baixo funkeado, bateria pulsante, piano e teclado resultam num registro que é pretensioso do início ao fim.

    1997, Independente


    67º: Não é o Fim… – Novo SomNão é o Fim... - Novo Som - 1999

    Não é o Fim… é o melhor trabalho do Novo Som. O pop à lá Roupa Nova chega aqui ao seu ápice, com um repertório sólido, escrito, em grande parte por Lenilton, um dos melhores letristas que o meio cristão já conheceu e responsável por elevar a música do grupo a outro nível.

    1999, NS Records


    66º: Deus Cuida de Mim – Kleber LucasDeus Cuida de Mim - Kleber Lucas - 1999

    Evoluindo desde Meu Maior Prazer, Kleber Lucas fechou a década com Deus Cuida de Mim, um trabalho que consegue trazer para o ambiente congregacional uma música basicamente pop. Assim, Kleber Lucas foi o primeiro cantor solo, a de fato, adentrar este território, agregando outros gêneros musicais ao longo de sua carreira.

    1999, MK Music


    65º: Entrei no Templo – Ozéias de PaulaOzéias de Paula - Entrei no Templo - 1979

    “A melhor coisa que eu já fiz em toda minha vida, salvou-me por um triz”. Essa foi certamente uma das principais trilhas sonoras do final dos anos 70 e inicio dos 80. O grande, e então já consagrado, Ozéias de Paula, trazia junto com esse sucesso um de seus melhores trabalhos. Com letras de veia poética, como já era característico do cantor, o disco arranjado por Ângelo Apolônio, o famoso Poli, ousava a inserir na tradicional música tipicamente assembleiana os quase profanos contrabaixo, guitarra e bateria.

    1979, Bandeira Branca


    64º: Encontro – Actos 2Encontro - Actos 2 - 1990

    Marcando a geração dos anos 90, o Actos 2 (Kadoshi) chegou ao seu ápice com o disco Encontro e a canção “Cristo Faz a Cabeça”. No entanto, Encontro é rico em gêneros musicais e passeia, com tranquilidade, no louvor congregacional, pop, rock, blues e soul.

    1992, Gospel Records


    63º: Meu Clamor – Denise CerqueiraMeu Clamor - Denise Cerqueira - 1998

    Ela foi uma das grandes vozes femininas que a música evangélica brasileira conheceu. Depois de se tornar sucesso com o disco Eterno Amor, Denise Cerqueira entrou para a história quando, em 1998, lançou o icônico álbum Meu Clamor. Com um time estrelado de compositores e produção impecável de Alcimar Rangel e Pedro Braconnot, o disco rendeu a artista três troféus Talento em 1999. A trágica e precoce morte de Denise em 15 de novembro de 1999, vitimada em um acidente de carro no auge da carreira, imortalizou definitivamente a voz da intérprete e colocou “Jerusalém e Eu”, composição de Josué Teodoro e carro-chefe da obra, em lugar de destaque nos anais das grandes músicas nacionais.

    1998, Line Records


    62º: Deus Vivo – Édison e TelmaDeus Vivo - Édison e Telma - 1983

    Ele é um dos maiores compositores da história da música pentecostal e, ao lado da esposa Telma formou uma das duplas mais importantes do gênero. Acumulando sucessos desde 1971, quando gravaram os primeiros vinis, o ponto alto da dupla veio em 1983 com Deus Vivo. A música tema ultrapassou os limites do tempo e entrou para o repertório de todas as igrejas pentecostais desde então. Embalado por este grande clássico, o disco traz ótimas referências do samba e alguns lampejos de pop.

    1983, Angelical


    61º: Além do Rio Azul – Voz da VerdadeAlém do Rio Azul - Voz da Verdade - 1988

    Além do Rio Azul veio para estabelecer fórmulas que seriam recorrentes nas produções subsequentes do Voz da Verdade: letras e vocais marcantes de Carlos A. Moysés, pianos de Evaristo Fernandes cobrindo e fornecendo camadas, além do sagaz coral, cujo som nenhum grupo e cantor consegue copiar.

    1988, Califórnia


    60º: Tributo ao Deus de Amor – Renascer PraiseTributo ao Deus de Amor - Renascer Praise - 1998

    Gravado no Palácio das convenções no Anhembi, o quinto trabalho do Renascer Praise seguiu as tendências que o tornaria conhecido pelo Brasil: grandes corais, produção musical pomposa e arranjos de Esdras Galo. Três elementos, que juntos, deram certo.

    1998, Gospel Records


    59º: Final Feliz – Armando FilhoArmando Filho - Final Feliz - 1991

    Armando reuniu várias canções autorais e produziu o seu maior clássico até aqui. Final Feliz contém uma das canções mais importantes da época, “O Mover do Espírito”, produzindo baladas pentecostais que seriam fundamentais para o gênero, por muitos anos.

    1991, Bompastor


    58º: Aqui Chegamos pela Fé – Arautos do ReiArautos do Rei - Aqui Chegamos pela Fé - 1975

    O principal grupo vocal da história da música evangélica nacional já conta com mais de 50 anos de carreira. Precursor do estilo a cappella no Brasil, o Arautos do Rei já está em sua vigésima nona formação, conseguindo o feito incrível de se manter musicalmente relevante, mesmo com o passar do tempo, conseguindo se modernizar sem deixar de ser tradicional. Um dos grandes registros dessa bela história foi Aqui Chegamos pela Fé, gravado pela sexta formação de Arautos. Com a perfeição vocal característica do grupo, o disco apresenta um repertório grandioso, com clássicos como “Junto a Cruz”, “Cristo Jesus Voltará” e “No Grande Mar”.

    1975, Novo Tempo


    57º: Tem Coisas que a Gente não Esquece – Cristina MelTem Coisas que a Gente não Esquece - Cristina Mel - 1999

    No final da década de 90, Cristina utilizou-se de temáticas atemporais para o seu décimo trabalho, como a morte de Cristo, o trabalho missionário e os filhos. Os arranjos são mais suaves em relação aos discos anteriores, mas seguem o seu pop característico.

    1999, Line Records


    56º: Razão para Viver – Nascimento e SilvaNascimento e Silva - Razão para Viver

    O cantor, compositor, produtor e arranjador Tuca Nascimento formou ao lado de Onézimo Silva uma das melhores duplas que a música cristã nacional pode conhecer. Os poucos anos de carreira da dupla, que teve sua trajetória encerrada com a trágica morte de Onézimo, vítima de bala perdida em 1994, foi o suficiente para o lançamento de dois discos, entre eles o imperdível Razão pra Viver. Com arranjos simples, executados apenas com teclado, guitarra, violão, flauta e acordeom, o projeto confere pleno destaque ao dueto com suas interpretações singelas em músicas como as excelentes “Deixa Deus Provar” e “A Volta Feliz”.

    1993, Rosa de Saron


    55º: Nascer de Novo – Rayssa e RavelNascer de Novo - Rayssa e Ravel - 1994

    Com a música “Nascer de Novo”, Rayssa e Ravel conseguiam sintetizar sinceridade e simplicidade musical. Em seguida, com as pop-sertanejas “Arrebatamento” e “Sabe”, mostram que possuem força o suficiente para se colocarem como uma das duplas mais expressivas do gênero no país, até hoje.

    1994, Som e Louvores


    54º: O Sétimo – Sérgio LopesO Sétimo - Sérgio Lopes - 1997

    Com produção musical de Pedro Braconnot, O Sétimo conta com o estilo de Sérgio desenvolvido no Altos Louvores, e se destaca por sua temática judaica – distribuída em parte do repertório, projeto gráfico e fotografias. Além do mais, contém uma das canções mais importantes da época, “O Lamento de Israel”.

    1997, Line Records


    53º: Ao Meu Pai – JesséAo meu Pai - Jessé - 1985

    Ele era uma das grandes revelações da MPB nos anos 80. Ganhando prêmios nacionais e internacionais, Jessé, intérprete de canções como “Porto Solidão” e “Estrelas de Papel”, era sucesso por todo o Brasil. Em seu auge na música secular, o cantor abriu um parêntese e gravou o brilhante disco Ao meu Pai. Com um repertório comporto por clássicos cristãos como “Rude Cruz”, “Cidade Santa” e “Achei um Bom Amigo”, a potente voz do cantor ganha traços dramáticos em interpretações memoráveis.

    1985, RGE


    52º: Momentos Vol.1 / Momentos Vol.2 – Marina de OliveiraMomentos Vol. 1 e 2 - Marina de Oliveira - 1995

    Indissociáveis, Momentos Vol.1 e Vol.2 mostram que só alguém como Marina de Oliveira conseguiria trazer os melhores compositores e produtores musicais de sua época em duas obras. Os registros são impecáveis: canções pop (“Procure por Mim na Glória”), mensagens de autoajuda (“Não Desista do Seu Sonho”) e faixas em inglês (“Celebrate the Lord”). Se alguém era capaz de levar bandas inteiras para apoiar seu som, essa foi Marina.

    1995, MK Music


    51º: Preciso de Ti – Diante do TronoDiante do Trono - Preciso de Ti - 2001

    “Uma das coisas de que temos maior consciência é que no dia em que acharmos que algo vem de nós mesmos, Deus nos tirará da obra”, enfatizou Maximiliano Moraes ao Super Gospel. O ponto mais alto da carreira do Diante do Trono, arranjado por Sérgio Gomes e Maximiliano, é embalado com o discurso de fragilidade humana e dependência divina, especialmente na faixa-título, uma das mais importantes do meio cristão.

    2001, Diante do Trono


    50º: Resgate – ResgateResgate  - Resgate - 1997

    No quarto álbum, o grupo provou ser muito mais do que um devoto ao hard rock. Ao experimentar timbres de bateria, guitarra com flertes evidentes ao britpop, o disco monta uma figura de quebra-cabeças, endossadas com as letras tão incomuns e que questionam o status quo do meio cristão.

    1997, Gospel Records


    49º: Oh, Glória – Mattos NascimentoOh, Glória - Mattos Nascimento - 1991

    Trazendo a influência do pop e, principalmente, o ska para o meio cristão, Mattos Nascimento foi o primeiro – e até o único no meio cristão – a fundir o gênero musical com as letras pentecostais. Oh, Glória é um marco musical no início da década de 90, especialmente com as contagiantes “Dia de Pentecostes” e “Sou Feliz”, mostrando que, especialmente ao vivo, Mattos conseguia elevar tudo a outro nível.

    1991, Rosa de Saron


    48º: Com Muito Louvor – CassianeCassiane - Com Muito Louvor - 1999

    Se Sem Palavras foi o ponto de virada, este trabalho foi a aperfeiçoamento mais esforçado de Cassiane durante os anos 90. Com Muito Louvor une a qualidade da produção do disco anterior, Para Sempre, com um repertório sólido, composto por nada menos que “Oferta Agradável a Ti”, “Hino da Vitória”, “Com Cristo é Vencer” e “Com Muito Louvor”, além de provocar, culturalmente, uma mudança na estrutura das canções pentecostais.

    1999, MK Music


    47º: Amigos para Sempre – Integração Jr.Integração Jr. - Amigos para Sempre - 1991

    O melhor álbum infantil já produzido no meio cristão, a obra se destaca pelo seu ecletismo musical e a qualidade dos arranjos, especialmente nas músicas “Amigos para Sempre” e “Milagre da Vida”, anos depois regravada por Cristina Mel, no final da mesma década.

    1991, Bompastor


    46º: Discípulo Teu – Prisma BrasilPrisma Brasil - Discípulo Teu - 1988

    O trabalho mais importante do Prisma, Discípulo Teu contém os elementos adventistas a se repetir: corais robustos, cordas e metais em abundância e canções que versam acerca da vida, as dificuldades e desafios em relação a caminhada do sujeito cristão que caminha para a Eternidade.

    1988, Bompastor


    45º: Não Chores Mais – Victorino SilvaNão Chores Mais - Victorino Silva - 1983

    Dono de uma das mais brilhantes e prestigiadas vozes da música cristã nacional, Victorino Silva tem um de seus grandes momentos com Não Chores Mais, um verdadeiro clássico da música sacra. Além da interpretação e afinação impar do cantor, a parceria com o grande maestro Misael Passos, responsável pela direção musical do projeto, evidenciada até na capa do disco, é digna de destaque. Com arranjos soberbos, o álbum é riquíssimo musicalmente, com a presença marcante de pianos, violinos e muitos instrumentos de sopro.

    1983, Bompastor


    44º: Lágrima no Olhar – Altos LouvoresAltos Louvores - Lágrima no Olhar - 1993

    Seguindo as tendências dos discos anteriores, Lágrima no Olhar trouxe um Altos Louvores mais maduro, mas suficientemente em sua zona de conforto. A grande novidade é a faixa-título de Marquinhos Gomes, com o sax de Zé Canuto, tornando-se, assim, um dos principais registros do grupo.

    1993, Som e Louvores


    43º: Diga Não – RaízesRaízes - Diga não - 1991

    Depois dos Jovens da Verdade em 1972, a banda Raízes foi a única a usar, escancaradamente, a temática das drogas como carro-chefe de um disco. Diga Não se destacou pelas canções críticas, mas que não se sobrepuseram as baladas, as quais lembram bastante o estilo pop do Roupa Nova, cujo vocalista participaria em um disco futuro.

    1991, Independente


    42º: Vento Livre – Guilherme KerrVento Livre - Guilherme Kerr - 1985

    Um dos melhores letristas e musicistas do meio cristão, Guilherme Kerr produziu Vento Livre, seguindo as tendências musicais de sua obra no grupo Vencedores por Cristo. Com arranjos vocais e de cordas complexos, sonoridades regionais são exploradas por letras, em grande parte, verticais.

    1985, IBMorumbi Produções


    41º: Brother – Brother SimionBrother - Brother Simion - 1992

    Em meio a obras cada vez mais superproduzidas no início dos anos 90, Brother Simion quebrou a lógica fazendo um disco quase todo em voz e violão. Humor, introspecção e suavidade são características fundidas nesta produção básica de Rick Bonadio.

    1992, Gospel Records


    40º: Sem Limites – Aline BarrosAline Barros - Sem Limites - 1995

    O grande mérito da estreia de Aline Barros foi contar com a produção musical e arranjos de Ricardo Feghali e Cleberson Horsth, membros do Roupa Nova. Assumindo um caráter totalmente pop, a produção seria, com o passar dos anos, o melhor trabalho solo da carreira de Aline.

    1995, Grape Vine


    39º: Pra Cima Brasil! – MiladPrá Cima Brasil! - Milad - 1990

    Com a decrescente predominância de João Alexandre, e verbalizando toda a decepção com o jogo político e as extremas crises econômicas que assolavam o país, o Milad trouxe o disco mais politizado de sua carreira. Isso causou o despojo de grande parte de seu complexo som, adotando moldes pop, mas seguindo-se forte em seus discursos, como na clássica “Brasil” e na regional “Meu Candidato”. Também traz canções de uma das bandas mais influentes dos anos 80 no nordeste, chamada Artecristã, como “Os Sonhos Evaporam” e “Algo Está Errado”, além de apresentar “Navio Negreiro”, de Gladir Cabral.

    1990, Independente


    38º: Manhãs de Outono – Sinal de AlertaSinal de Alerta - Manhãs de Outono - 1987

    Desprendendo-se de sua fixação pelo Rebanhão, o Sinal de Alerta evoluiu tematicamente e sonoramente, e alcançou o seu ápice em Manhãs de Outono, um trabalho que consegue dialogar com sua época, e de quebra ainda apresenta grandes letras guiadas pelo seu pop rock, como “Tempos Modernos” e “Adolescência”.

    1987, Califórnia


    37º: Prá Falar de Amor – Banda & VozBanda e Voz - Prá Falar de Amor - 1992

    Banda & Voz foi, de fato, o primeiro grupo a ter fielmente um repertório muito eclético e variado, passeando pela black music, soul, ska, envolvendo tudo em ganchos pop. Tudo isso amadureceu em Prá Falar de Amor, em que, especialmente, o timbre de Natan Brito se destaca junto ao groove da guitarra de Marcos Brito e baixo de Beno César.

    1992, Line Records


    36º: Tempos de Celebração – Adhemar de CamposTempos de Celebração - Adhemar de Campos - 1993

    Após a Comunidade da Graça, Adhemar trouxe toda a temática congregacional para sua carreira solo, mas, diferentemente de todos, agregando gêneros musicais ‘incomuns’ para o repertório das igrejas, além das excelentes canções “Tributo a Iehovah”, “Fonte de Água Viva” e “Bem Supremo”.

    1993, Comunidade da Graça


    35º: O Amor é a Resposta – Alessandra SamadelloO Amor é a Resposta - Alessandra Samadello - 1996

    O grande mérito do quarto trabalho de Alessandra é de ultrapassar limites musicais dentro da própria tradição musical adventista. Influenciando até o contemporâneo Leonardo Gonçalves, O Amor é a Resposta aposta em sonoridades mais introspectivas, melancólicas e contemporâneas, sempre regadas a vibrantes e viscerais registros vocais, do estilo que só Alessandra Samadello poderia fazer.

    1996, ABBO


    34º: Intimidade – Jorge CamargoIntimidade - Jorge Camargo - 1999

    Uma produção de Jorge Camargo, Nelson Bomilcar e Marquito Cavalcante, é um dos registros mais agradáveis de música popular brasileira cristã, em que Jorge se estabelece como cantor e compositor. As músicas são bem interpretadas e tocadas. A combinação de canções acústicas e eletrônicas, além do excelente encarte, gerou uma das obras-primas do nicho.

    1999, Alento Produções


    Grupo Semente - Criação - 198633º: Criação – Grupo Semente

    Com a influência do Vencedores por Cristo, o Grupo Semente produziu canções de excelência, com a participação de Nelson Bomilcar, Jorge Camargo, Sérgio Pimenta e vários outros. Criação consegue sintetizar, muito bem, a música do conjunto.

    1986, VPC Produções


    32º: Coisas da Vida – Carlinhos FelixCarlinhos Felix - Coisas da Vida - 1991

    Carlinhos Felix, após deixar o Rebanhão, veio como um dos intérpretes com os discos mais bem produzidos nos anos 90, e sua essência musical nunca soou tão completa quanto em seu trabalho de estreia, Coisas da Vida. Este registro contém suas peculiares formas de produzir música pop, com a colaboração de guitarras por Paulinho Guitarra, mestre do blues no Brasil, e teclados de Pedro Braconnot.

    1991, Continental / Warner Music Brasil


    31º: O que Virá? – Comunidade S8Comunidade S8 - O que Virá - 1981

    Seguindo os passos de seu disco anterior, a S8 produziu o seu maior clássico até aqui. Aqui, a banda se rende a um rock progressivo sombrio, de influências pós-tropicalistas, mas não autoindulgente, especialmente pelas guitarras de Ernani Maldonado. Combinando crítica social com o apocalipse, o trabalho é, no mínimo, intrigante.

    1981, Independente


    30º: Novo Dia – RebanhãoRebanhão - Novo Dia - 1987

    Carlinhos Felix e Pedro Braconnot transformaram as influências da tropicália, trazidas anteriormente por Janires, para faixas pop que caracterizam bem a textura das produções dos anos 80, como “Primeiro Amor”, “Nele Você Pode Confiar”, “Jesus é Amor (Jesus Is Love)” e “Razão”.

    1988, PolyGram


    O que a Lua não pôde, não pode, nem poderá - Wolô29º: O que a Lua não Pôde, não Pode e não Poderá – Wolô

    O disco mais rico, musicalmente falando, dos anos 70, também é um recheado de influências culturais. Wolô soube verbalizar a ‘loucura’ hippie, transmitir gírias e filosofar acerca de Cristo, fundindo tudo isso a uma sonoridade que mescla rock, bossa nova, com influências da Jovem Guarda.

    1975, Independente


    28º: Calmo, Sereno, Tranquilo – Jairo Trench Gonçalves e Paulo Cezar da SilvaCalmo, Sereno, Tranquilo - Jayrinho e Paulo Cezar - 1976

    Jayrinho e Paulo Cezar, juntos, formariam o Grupo Elo. Mas, este registro predecessor, captura fielmente a tensão e restrições existentes no meio evangélico na época em que foi produzido. A obra é suave, com camadas de violão ovation, e baixo marcante, guiado por sonoridades influenciadas pela MPB.

    1976, Independente


    27º: Simplesmente João – João AlexandreSimplesmente João - João Alexandre - 1991

    Primeiro disco totalmente – e simplesmente de João, é um de seus trabalhos mais acessíveis e pops. A obra mostra um olhar mais positivo do cantor, com canções verticais, reflexivas, e trazendo algumas regravações, com a colaboração de Pedro Braconnot.

    1991, Gospel Records


    26º: Aliança – KoinonyaAliança - Koinonya - 1988

    A música do Koinonya seria o molde para a música congregacional feita na década seguinte: a banda Diante do Trono, por exemplo, bebeu intensamente de sua fonte. Sob a liderança de Bené Gomes, o grupo goianiense iniciou sua trajetória com o seu trabalho mais brilhante: Aliança contém várias músicas que, até hoje, são entoadas nas igrejas, como “Ao Único”, “Quem Pode Livrar” e a faixa-título, “Aliança”.

    1988, Koinonya


    25º: Obra Santa – Luiz de CarvalhoObra Santa - Luiz de Carvalho - 1969

    Ele foi o primeiro cantor a gravar um disco de vinil no meio evangélico nacional, em 1958, foi o primeiro artista evangélico de fato, o responsável por levar às igrejas o, então profano, violão, inseriu o bolero e elementos de samba e marchinhas na tradicionalíssima música cristã da época e se sagrou como o maior nome do cenário musical protestante nas décadas seguintes. O vinil Obra Santa, clássico indiscutível, além de contar com a voz e interpretação inconfundível de Luiz de Carvalho, é responsável por emplacar o primeiro hit da música evangélica nacional. A faixa-título se tornou uma espécie de hino oficial do movimento de Renovação Espiritual que se iniciou no Brasil a partir da década de 1960.

    1969, Som da Palavra


    24º: Está Consumado – CatedralCatedral - Está Consumado - 1993

    Talvez o mais importante álbum duplo da história da música cristã, Está Consumado, juntamente ao antecessor Volume III, faz uma ponte entre o Catedral, antes pertencente ao underground, e o que seria o grupo mais notório dos anos 90 e um dos expoentes do movimento gospel. O trabalho, no geral, é o clássico pop rock com o baixo funky de Júlio e riffs de guitarra – inconfundíveis – de Cezar. Vale destacar o clássico “Galhos Secos” e a letra de “Carpe Diem”, uma das músicas mais brilhantes do grupo, inspirada em pensamentos de Friedrich Nietzsche e José Ângelo Galarga.

    1993, Pioneira Evangélica


    23º: Armagedom – KatsbarneaArmagedom - Katsbarnea - 1995

    “O Arco-Íris de Deus tem muitas cores, e os sons muitas estradas que expressam nossas vidas. Acho que a mesmice cansa”, disse Brother Simion ao Super Gospel. Após ter trocado sua formação, o Katsbarnea deixou para trás suas veias funkeadas, cujo som explorava influências de soul e pop, e só se reencontrou no quarto álbum, Armagedom, mostrando que eram mais do que uma caricatura da Blitz. Produzidos por Paulo Anhaia, o soberbo álbum é definido por seu forte teor experimental, e letras evangelísticas, mesclando humor, além de mensagens apocalípticas – algo que se tornaria recorrente nas composições de Simion. Apoiado pelo marcante baixo de Jadão e riffs blues executados por Déio Tambasco, Brother provou ser a alma da banda, escrevendo todas as letras, além de gravar os vocais, guitarra, harmônica, piano e teclado.

    1995, Gospel Records


    22º: Indiferença – Oficina G3Oficina G3 - Indiferença - 1996

    Finalmente, Oficina G3 se desfez de suas referências explícitas ao Stryper. Quente e solta, a voz de Luciano Manga, cada vez mais poderosa, chega ao ápice junto ao peso das composições do guitarrista Juninho Afram. Elétrico, o disco se complementa aos teclados de Jean Carllos, ao autoritário e agressivo baixo de Duca Tambasco e as baquetas de Walter Lopes em canções como “Espelhos Mágicos”, mas se rendendo a baladas fascinantes, como “Magia Alguma” e “Novos Céus”. Em “Glória Inst.”, Afram mostrou o porquê é o maior guitarrista que a música cristã nacional já conheceu.

    1996, Gospel Records


    21º: On the Rock – ResgateResgate - On the Rock - 1995

    Paulo Anhaia elevou o nível do Resgate de forma abismal em seu terceiro registro. On the Rock capturou todo o potencial de humor autodepreciativo sob sua música, e ascendeu as guitarras de Zé Bruno e Hamilton, com riffs poderosos de hard rock. Sendo o trabalho mais importante e sólido do rock cristão nacional durante a segunda metade dos anos 90, o disco combina temáticas obscuras, como a depressão, solidão e morte com a mais peculiar sátira, cuja habilidade o quarteto é especialista.

    1995, Gospel Records


    20º: Fruto dos Lábios – Comunidade da GraçaComunidade da Graça - 1988 - Fruto dos Lábios

    Clássico do louvor congregacional do Brasil, Fruto dos Lábios é o melhor trabalho da Comunidade da Graça, sob a participação de Adhemar de Campos. Recheado de clássicos, como “Nosso General”, “Louvemos ao Senhor” e “Hosana”, o trabalho se destaca pela qualidade dos arranjos vocais e de instrumentos utilizados.

    1988, Comunidade da Graça


    19º: Alma Cansada – Jair e HozanaAlma Cansada - Jair e Hozana

    As duplas formadas por homem e mulher fizeram história na música sertaneja cristã, e a primeira de destaque foi Jair e Hozana. Jair, aliás, era ninguém menos que Jair Pires, que faria história como um dos mais notórios cantores e compositores da história da música pentecostal. Alma Cansada, um disco embalado por viola e acordeom, misturava canções autorais do músico com alguns poucos hinos da Harpa Cristã. Em meio a faixas de grande relevância na época, como “Canta meu Povo” e “Multiplicações de Pães”, se destacaria a faixa-título, que se tornaria um inegável clássico.

    1968, Celeste


    18º: Portas Abertas – Grupo LogosPortas Abertas - Grupo Logos - 1987

    Um dos últimos trabalhos do Logos nos anos 80, Portas Abertas tem todas as características das produções oitentistas, e foi totalmente aberto para os modismos da época, como os sintetizadores utilizados e o reverb da bateria. Mas as composições seguem fortes e sinceras, como se espera em relação a este grupo.

    1987, Logos


    17º: Novidade de Vida – Edson e TitaNovidade de Vida - Edson e Tita - 1982

    Com a participação de grandes nomes da música nacional, como Paulo Jobim, João Donato, Danilo Caymmi, Toninho Horta e muitos outros, Novidade de Vida é o disco de música popular brasileira mais brilhante da década de 80. Tratando de questões como a solidão, o vazio humano e o encontro com Cristo, o trabalho conta com arranjos refinados de qualidade muito acima da média que o meio evangélico apresentava, na época. O primor das músicas foi tão notável que, anos depois, Tita processou Tom Jobim, por um suposto plágio de uma de suas canções, o qual Tom foi absolvido.

    1982, Parejhara


    16º: Anseios – Altos LouvoresAnseios - Altos Louvores - 1986

    A grande fórmula do Altos Louvores foi, além de seguir os outros grupos musicais com temática de louvor da época, utilizar uma musicalidade mais simples e próxima ao pop em suas produções. Sob o comando de Edvaldo Novaes e colaboração de Pedro Braconnot nos pianos e teclados, o disco contém uma gama variada de composições, escritas por Sérgio Lopes, Léa Mendonça, e muitos outros.

    1986, Som e Louvores


    15º: Voz e Violão – João AlexandreVoz e Violão - João Alexandre - 1996

    Ninguém soa ou soará um dia como João Alexandre. Em boa forma, Voz e Violão é um dos registros mais brilhantes de nossa história, e compreende canções conduzidas de forma literalmente “solo” pelo cantor. O repertório, no geral, nem é lá tão novidade, mas a proficiência e intimidade que Alexandre possui com seu violão é ímpar, produzindo o maior disco do estilo no meio cristão.

    1996, VPC Produções


    14º: Dê Carinho – Cristina MelCristina Mel - Dê Carinho - 1997

    Cristina Mel foi a intérprete mais importante da música cristã nos anos 90, e Dê Carinho registra a intérprete em pleno voo, alcançando o seu ápice, dividindo seu repertório entre vários gêneros musicais. A obra trata do amor, em sua amplitude, versando, por exemplo, sobre amizades (“Ao Amigo Distante”) e o favor de Cristo (“Mestre”). Essencialmente pop, com produção musical de Cristina, e arranjos instrumentais de Karam e Natan Brito, foi também lançado numa edição em espanhol.

    1997, MK Music


    13º: 3 – Complexo JComplexo J - 3 - 1992

    Um literal ‘tapa na cara’ da sociedade, o terceiro trabalho do Complexo J é um dos discos mais fortes dos anos 90, em tempo de extenuantes crises econômicas e expansão do meio evangélico. Apresentando Cristo como solução revigorante, 3 é o ápice da capacidade criativa do grupo, com grandes canções, como “Abra Seus Olhos”, “Choro da Natureza” e, especialmente, “Sábado Quente”.

    1992, MK Music


    12º: Espelho nos Olhos – Banda AzulEspelho nos Olhos - Banda Azul - 1988

    Sendo o canto do cisne de Janires, é um dos trabalhos mais ricos, musicalmente falando, dos anos 80. Seu teor poético se entrelaça com o contexto histórico: é neste disco que o cantor faz uma retrospectiva de sua vida, nos dá referências de outras músicas que se tornaram relevantes em sua carreira, e constantemente trata da Eternidade. Trazendo, agradavelmente, variações de rock progressivo, pop rock, reggae e MPB, Espelho nos Olhos é um testemunho musical brilhante de uma vida humana voltada, até o seu último momento, para o céu.

    1988, Bompastor


    11º: Não Há Barreiras – Álvaro TitoÁlvaro Tito - Não Há Barreias - 1986

    Imagine uma das maiores gravadoras do planeta, a PolyGram (hoje Universal Music), abrindo suas portas para a música evangélica brasileira que estava fervilhando nos anos 80. Agora, imagine um talentoso cantor de apenas 21 anos que misturava MPB, jazz, soul e pop como recém contratado por ela para gravar seu terceiro disco. Artisticamente ambicioso, se propõe a não apenas interpretar, mas também atuar no projeto como diretor musical, arranjador, músico e compositor de metade das faixas. A despeito da resistência inicial da cúpula da gravadora em confiar tamanha responsabilidade a um artista tão jovem, o trabalho resultou em um dos melhores discos já produzidos na música evangélica nacional. O sucesso de público e crítica foi imediato e a faixa que o intitula, certamente, uma das mais importantes daquela década dourada.

    1986, PolyGram


    10º: Princípio – RebanhãoRebanhão - Princípio - 1990

    Era 1990 e o Rebanhão disse sim para o início do movimento gospel, intensificando o pop do disco anterior, cuja consistência seria o molde para as produções da época. Neste disco, o grupo apresenta baladas suaves e de excelência, como “Selo do Perdão”, mas questiona os poderosos e regimes totalitários nas elegantes “Muro de Pedra” e “Palácios”, um triunfo de Paulo Marotta e Pedro Braconnot. Como cereja do bolo, o grupo ainda utilizou-se do fatídico assassinato de Chico Mendes para questionar: “até quando viverei pra testemunhar e dizer sim, sim a Deus e a toda vida?”, dando o desiludido atestado de que mais uma década passara e os dilemas ainda eram os mesmos. Além do mais, foi o primeiro disco gospel, e o primeiro lançado em CD.

    1990, Gospel Records


    9º: Retratos de Vida – MiladRetratos de Vida - Milad - 1987

    Foi no álbum conceitual mais importante da música cristã em que a dupla João Alexandre e Toninho Zemuner explorou a vida noturna paulista e todo o caos urbano que existia – e persiste – na maior cidade do país. Tratando da elite cultural (“Plateia”), prostituição (“Esquinas Cruéis”), desigualdade em seus extremos (“Pobres Ricos” e “Meninos de Rua”) e isolamento social (“Solidão de Ilha”), o trabalho é cheio de riqueza musical, passeando pela MPB, bossa-jazz e até mesmo o post-punk, com muita tranquilidade. Além da clássica “Olhos no Espelho”, o disco contém despojadas e agradáveis faixas instrumentais, confirmando a coragem e relevância que contém para a história da música cristã nacional.

    1987, Água Viva


    8º: Janires e Amigos – JaniresJanires e Amigos

    O primeiro álbum ao vivo da música cristã nacional é o registro definitivo de toda uma cena que estava se consolidando nos anos 80: Janires reuniu amigos e fincou sua respeitada imagem. Apoiado pela Banda Fé, com participação de João Alexandre, Ed Wilson, Rebanhão e muitos outros músicos e personalidades midiáticas, como o ex-jogador Baltazar e o ex-piloto Alex Dias Ribeiro, o disco é intimista, e pouco religioso. Falando de sua vida, e refletindo acerca dos testemunhos e dificuldades diárias de seus amigos, o repertório surpreende pelas belas “Mamãe”, “Alex, o Baixinho Voador”, “Helena, Todo Pecado Será Perdoado”, além da icônica “Jesus Super Herói”. No geral, Janires e Amigos é um trabalho que revela o melhor de Janires: riqueza musical, simplicidade e sinceridade.

    1985, Doce Harmonia


    7º: Situações – Grupo LogosGrupo Logos - Situações - 1984

    Após o fim do Grupo Elo, o Grupo Logos surgiu sob o comando de Pr. Paulo Cezar. Situações é o seu clássico, registro que se mostra bastante superior ao trabalho antecessor, Caminhos. Aqui, a banda aposta em um som que segue as tendências do último trabalho do Elo, Nova Canção, trazendo influências populares para a sua música. Outro destaque, acerca de sua sonoridade, é a riqueza de sintetizadores que apresenta. Portanto, além de musicalmente dentro das tendências da época, o disco possui a consistência lírica que tornaria o Logos um dos melhores grupos musicais já existentes.

    1984, Logos


    6º: Luz do Mundo – RebanhãoRebanhão - Luz do Mundo - 1983

    O céu é a temática mais clara para definir Luz do Mundo. Neste álbum, o Rebanhão apresentava uma evolução técnica considerável, em relação ao primeiro trabalho. Gravado no melhor estúdio brasileiro da época, o Estúdio Transamérica, se destaca pela suave “Hoje Sou Feliz”, com influências da MPB, e sua letra, tão atual, sobre a situação do nosso país. Embora o disco descreva, de forma bem forte e incisiva, os problemas da sociedade, não é pessimista, mas indica Cristo como a solução. Janires, claramente, era alguém fixado na Eternidade, e não deixou de cantar sobre ela até o último momento de sua vida: “Ele faz muita falta, mas não aguentaria a forma com que a igreja caminha nos dias de hoje”, disse Carlinhos Felix ao Super Gospel.

    1983, Arca Musical Evangélica


    5º: Cem Ovelhas – Ozéias de PaulaCem Ovelhas - Ozéias de Paula - 1973

    O disco Cem Ovelhas, do cantor Ozéias de Paula é, provavelmente, o mais importante álbum lançado por um artista do movimento pentecostal. O que saiu deste trabalho influenciou as gerações que viriam. Todas as onze canções que compõem o disco se tornaram sucesso e algumas delas clássicas, como “Hoje sou Feliz” e “Oh foi por mim”, além da faixa-título que se tornou um hino o qual ultrapassa o limite do tempo. Outro grande sucesso, “É Assim que eu Te Amo”, embora se tratasse de uma declaração a Deus, passou a ser considerada como uma música romântica, o que abriria portas para as diversas canções e discos apaixonados que viriam nas décadas seguintes. Com grandes letras e uma pegada ousadamente moderna para a época, Ozéias entrou para a história como o maior nome masculino da história da música pentecostal nacional.

    1973, Estrela da Manhã


    4º: Celebraremos com Júbilo – Don e AsaphDon e Asaph Borba - Celebraremos com Júbilo - 1978

    Asaph Borba, juntamente a Adhemar de Campos, são os nomes mais conhecidos, e importantes, do meio congregacional. No entanto, na segunda metade dos anos 70, Asaph já estava no meio evangélico. E, com o músico Donald Stoll, formou a dupla Don e Asaph, produzindo Celebraremos com Júbilo. Gravado totalmente em território estrangeiro, em Bay City, Michigan, nos Estados Unidos, a obra possui uma consistência sonora e instrumental bastante superior, se considerarmos os lançamentos deste período. Por sua vez, este trabalho se destaca com várias canções, mostrando que, mesmo após mais de trinta anos após o seu lançamento, é um dos clássicos de nossa música.

    1978, Life Produções


    3º: Ouvi Dizer – Grupo EloOuvi Dizer - Grupo Elo - 1978

    O Grupo Elo é um dos mais importantes grupos musicais já surgidos na música cristã. Sob o destaque das figuras de Jayrinho (in memoriam) e Pr. Paulo Cezar, a sua obra alcançou outro nível com o disco Ouvi Dizer. Enquanto Nova Jerusalém, o trabalho de estreia, se destacava por trazer instrumentos até então pouco convencionais, como a bateria e a guitarra, o disco sucessor une isso a um bom repertório, que se tornou um clássico no meio evangélico.

    Com bases gravadas nos EUA e representando uma virada no som na banda, conta com uma produção musical de altíssimo nível e músicos competentes. Assim, somos introduzidos a faixas de grande riqueza poética, como a clássica “Céu, Lindo Céu”, além das regravações de “Calmo, Sereno, Tranquilo” e “Mais Perto Quero Estar”. A melhor música, por sua vez, é “Autor da Minha Fé”, uma das mais belas canções nacionais que temos, já regravada por Cristina Mel, Carlinhos Felix, Alex Gonzaga e Paulo César Baruk.

    1978, Elo


    2º: Mais Doce que o Mel – RebanhãoRebanhão - Mais Doce que o Mel - 1981

    “Quando comecei no Rebanhão não tinha ideia do que iria acontecer. Para mim, como novo convertido, era muito normal cantar músicas em uma linguagem textual e musical jovem e divertida, mas para muitos se tratava de algo inaceitável para os padrões religiosos da época”, afirmara Pedro Braconnot ao O Propagador. De 1981 pra cá, Mais Doce que o Mel apenas foi mais reconhecido e estimado: o primeiro registro de rock e tropicália que definitivamente alcançou o meio cristão, o disco foi, por muitos anos, um escândalo.

    Com sua sonoridade ousada e direta, o repertório se destaca especialmente pelas composições de Janires que, claramente, dialogava com a cultura do nosso país. O destaque vai para o pot-pourri, cujo som, durante oito minutos, prende o ouvinte, com riffs de baixo bem marcados e um arranjo de metais de classe. A primeira música deste medley, “Salas de Jantar”, claramente faz referência à “Panis et Circenses”, do antológico disco de estreia dos Mutantes. A riqueza de sons se expande ao “Baião” e sua crítica social, e a melhor música do disco, o choro “Casinha”. Carlinhos Felix e Pedro Braconnot também surgem com as agradáveis “Monte” e “Refúgio”, guiadas por uma sonoridade que passeia pelo pop rock e rock progressivo.

    Mais Doce que o Mel não foi muito bem recebido por conta de suas músicas questionadoras, livres e diretas, mas nada foi mais polêmica do que a capa, em que Janires esbanja simplicidade, com a camisa aberta. ‘Censurada’, a capa teve que ser refeita em outra edição. Além das críticas, boicotes e acusações de satanismo, o reboliço causado pela música do Rebanhão apenas expandiu a sua popularidade, tornando-os conhecidos por todo o país.

    1981, Doce Harmonia


    1º: De Vento em Popa – Vencedores por CristoDe Vento em Popa - Vencedores por Cristo - 1977

    Um dos discos mais aclamados até hoje em termos de letras, ritmos, vocais e instrumentais. A grande importância desse trabalho reside na proposta diferente que trazia, na linguagem inovadora e na influência que provocou em tantos artistas cristãos, que estavam sendo formados naquela época, e mesmo em épocas posteriores. Pela primeira vez, os Vencedores por Cristo lançavam um disco com canções totalmente autorais e cujas letras e sonoridade dialogavam, sem medo, com a cultura brasileira.

    “Eu o considero um marco porque Vencedores àquela altura era o grupo musical de maior penetração no meio cristão devido às equipes que viajavam por todo o país divulgando o trabalho musical da organização”, diria Jorge Camargo, em entrevista ao Arquivo Gospel. De Vento em Popa foi o único disco cristão a ser tema de uma tese de mestrado, defendida na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Ainda, esta obra, devido a sua qualidade musical, transpassou as barreiras do meio cristão, servindo de influência para alguns músicos ‘seculares’, sendo citado, recentemente, por Ed Motta, como “um disco raro no gospel”.

    Aliando-se à música brasileira, na pretensão de nacionalizar as canções cristãs da época, era um contraponto a tantas versões que eram feitas (profético?). Reúne músicas de grandes compositores da música cristã: Aristeu Pires Junior, Artur Mendes, Ederly Chagas, Guilherme Kerr, Sérgio Pimenta e Nelson Bomilcar, que também participam nos vocais e instrumentais. Um disco em que brasilidade, poesia, qualidade e espiritualidade se harmonizam.

    1977, VPC Produções


    Eleitores: Alex Eduardo (músico), Danilo Andrade (editor-chefe, O Propagador), João Dias (historiador), Leiliane Lopes (jornalista), Philipe Daniel (músico), Rafael Ramos (jornalista e editor-chefe, Gospel no Divã), Roberto Azevedo (editor-chefe, Super Gospel), Rogério Oliver (pesquisador, Gospel no Divã), Ruben Mukama (músico), Salvador de Souza (historiador), Tayse Souza (editora, O Propagador), Tiago Abreu (editor colaborador, Super Gospel).

    Contribuintes: Alexandre Pereira, Charles Spencer, Cleber Nadalutti, Gesson Vasconcelos, Jhonata Fernandes, Philippe Santos, Renan Lima, Thiago Ferreira.

  • Melhores discos de rock cristão nacionais: 1990 a 1994

    Continuando a nossa lista de melhores discos de rock cristão nacionais, chegamos a década de 90, mas desta vez, dividindo entre a primeira metade da década e segunda. Foi o boom, grandes bandas se destacaram, outras se despediam, e tivemos grandes discos. Em votação, o primeiro lugar ficou para a banda Oficina G3, mas Rebanhão, Fruto Sagrado e Resgate entraram com dois discos, cada um. Confira!

    [infobox title=’10º: Pé na Estrada’]Artista: Rebanhão
    Ano de lançamento: 1991
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Rebanhão - Pé na Estrada - 1991Jhonata: Um disco sincero do início ao fim. Inspirador, “Existe um Lugar” mostra um Rebanhão denso. Destaco “Ovelha Perdida” e “Pedaço do Céu”.

    João: Gosto de algumas músicas desse disco, mas não me faz a cabeça e inclusive passa longe do que eu esperaria do Rebanhão. P.S.: Cadê as bandas de Brasília nessa lista? Mó foco no eixo Rio/Sampa aqui, curti não (risos).

    Phil: Se lembro bem, eu não votei nesse álbum, mas fico feliz que tenha entrado na lista final. É o trabalho sonoramente mais acertado, mais técnico da banda. Foi feito na mesma época em que Carlinhos Felix gravou seu primeiro trabalho solo. Também foi o último com membros da chamada “formação clássica”. As letras voltaram a ter um pouco do teor crítico que Janires colocava nas composições, e a atmosfera já não é tão pop quando o trabalho anterior, Princípio; aqui já vão pra um lado mais experimental, progressivo, art rock. Mas me parece que tudo o que tem nome Rebanhão é ouro. Tudo o que sai dos caras é bom, mesmo que não seja um primor (geralmente é), mas é bom do mesmo jeito!

    Thiago: Pé na Estrada teve uma sonoridade que mesclou mais gêneros musicais como o anterior, e peregrina pelo art rock, pop rock, rock progressivo e rock experimental. Sempre focado nas interpretações de teclado, o disco conta com uma produção musical muito agradável, os vocais da banda sempre eficientes, principalmente a voz Keith Green de Carlinhos Felix, a melhor voz do Rebanhão pós-Janires. Minha preferida foi a música “Fé”, com riffs de guitarra limpa e ótimos solos. “Elo Perdido” tem uma construção musical e lírica muito impactante também, falando sobre a solidão humana a busca do elo perdido. Contudo, como outros trabalhos do grupo, esse tem também seus defeitos, como a moda dos modelos de teclado da época que eu nunca consegui gostar. Eu coloquei esse álbum em nono lugar, e no final sua posição ficou em último, portanto, acho justo a colocação desse, sendo que chegou a disputar a posição com vários trabalhos fora da lista que possuem seus méritos. como Está Consumado (Catedral), Katsbarnea (Katsbarnea)  e Enquanto É Dia (Rebanhão).

    Tiago: Certeza de que muitos não vão concordar, mas é necessário entender que Pé na Estrada é sim, um disco merecedor de estar nesta lista (talvez até mesmo em uma posição melhor). O álbum é a despedida do trio clássico da banda, e é aqui que Pedro Braconnot, Carlinhos Felix e Paulo Marotta alcançam o ápice sonoro. Os arranjos nunca soaram tão maduros e a banda tão entrosada. “Elo Perdido” será, sempre, a melhor música do Rebanhão feita sem Janires. Um rock progressivo de primeira (sim, Rebanhão sabe fazer progressivo com excelência). Poderia ser o melhor álbum da banda desde 1983, se não tivessem incluído a horrível “Nzile Nzulu” e claro, acrescentado alguma música de peso maior ao disco. Carlinhos Felix, claramente estava concentrado mais em sua carreira solo (o ótimo Coisas da Vida foi lançado neste mesmo ano, meses antes e vale menções honrosas), e as melhores letras são escritas por Braconnot e Marotta. Por fim, vale mencionar a ótima capa (a melhor, em toda a carreira da banda).

    [infobox title=’9º: Brother’]Artista: Brother Simion
    Ano de lançamento: 1992
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Brother - Brother Simion - 1992Jhonata: A tentativa dele de fazer um som folk – estilo Bob Dylan – e ainda sim conseguir fazer um som praiano, é válida. O ruim disso tudo, é o resultado: não sai legal. “Brota” é a única que escapa nessa confusão toda. “Cura da Terra” me deixa tonto e eu não consigo entender nada do que o autor quis passar com tal letra. Enfim, um álbum muito abaixo da média (como diz nosso amigo Thalles).

    João: Amo esse disco, acho Simion fantástico, simplesmente isso. O estilo de cantar a lá Evandro Mesquita ou Raul Seixas dele, meio que ditando os versos é algo que eu sempre curti, e as letras desse disco desde que ouvi ele inteiro a primeira vez a uns 10 anos atrás me faz chorar até hoje. Produção simples e bem do-it-yourself, gosto dessa autenticidade que Brother imprimiu, bem como bandas dessa época como Átrios, Akza e Calvário.

    Phil: Esse cara é doidão! (risos) Não bastasse ser vocal e compositor do Katsbarnea, que já era um rock’n’roll com pegada, apesar de experimental: ele ainda teve fôlego pra encaixar outras composições suas num projeto paralelo, que era solo. Esse álbum tem uma cara folk, um rock acústico, muito bem feito. Mas acho que o que se destaca é o jeito doidão dele mesmo, bem diferenciado, legal pra caramba.

    Thiago: Até hoje eu não sei se cometi a blasfêmia de ter deixado esse álbum fora da lista pessoal. A decisão foi difícil, mas inclui outro no lugar, sendo o único da lista que não inclui na minha pessoal. O disco é um folk rock/ folk muito bom de ouvir, e me deixou muito na dúvida se eu o colocaria ou não nas minhas colocações devido a sua sonoridade voz e violão e algumas canções fracas. “Brota” é a melhor com seu country/folk. “Retrovisor” é muito extravagante com o ritmo blues rock e rock and roll e “Together” é o tipo de canção folk que você só ouve nos gringos da vida. No entanto, o disco não tem apenas coisas boas: “Contato” e “Salve a Tua Paz” são duas canções fracas. A primeira exibe um folk chato na maior parte da duração dela em contraste com a letra muito interessante sobre um contato com o Criador, e a segunda passeia também pelo folk, daqueles bem tropicais, com referências a natureza. “Grito de Alerta” também não me agradou muito, com cantos de súplica do Brother a ecoar pelo microfone. Contudo, é um álbum que tem sua importância e mesmo eu não tendo o indicado para a lista final, ele merece estar aqui.

    Tiago: Há uma coisa que muitos músicos e pessoas comuns tem dificuldade de entender: em muitas das vezes, menos é mais. O disco do Brother Simion é um excelente exemplo. Ele só precisou de um violão, voz e harmônica. A qualidade do repertório e da execução dos instrumentos levou o álbum a outro nível, e o que se nota é uma sucessão de músicas agradáveis de ouvir. Destaque para “Brota”, “Grito de Alerta”, “Cura da Terra” e, claro, sempre uma faixa em inglês que não pode faltar nos discos de Simion, “Together”.

    [infobox title=’8º: Jesus, Vida & Rock n Roll’]Artista: Resgate
    Ano de lançamento: 1991
    Número de faixas: 9[/infobox]

    Resgate 1991Jhonata: Sou suspeito em falar desse álbum, porque gosto muito. Foi o primeiro trabalho do Resgate que ouvi, quando estava começando o curso técnico em administração. Todas as canções conversam entre si e isso faz do álbum um compacto de músicas boas!

    João: Outro que eu não inclui na minha lista. Esse inclusive eu tenho em LP (foi o primeiro LP evangélico que eu comprei na vida), mas não me enche tanto os olhos ante os outros da banda e outros discos da época que não apareceram por aqui. No geral, é um bom disco, mas não é dos melhores.

    Phil: Eu acho que o Resgate ainda levaria um tempo pra se definir enquanto banda, fechar algum conceito, mas certamente é rock’n’roll do bom, feito num estilo bem brazuca mesmo. Talvez seja um pouco forçado colocá-los no TOP 10, mas por serem promissores e bem produzidos, e com letras inteligentes e edificantes, ganham seu lugar. Ah… quem nunca pulou ao som de “Rock da Vovó”? 😀

    Thiago: Jesus, Vida & Rock’n’Roll é álbum até bom, só tem um problema: uma boa parte das canções foram relançadas no disco seguinte, o que faz com que seja um álbum de poucas inéditas no sentido de se estar numa lista de melhores do Brock, mas isso não elimina seu mérito. A musicalidade anda sobre o hard rock e rock and roll, o mais leve entre os gigantes do hard na época, como o Oficina G3 e Fruto Sagrado. Das cinco que não foram relançadas no álbum seguinte, sendo elas as faixas “Ainda Há Tempo”, “Mestre”, “Eu Passei”, “Quem é Ele?” e “Sem Deus”, a melhor foi “Quem é Ele?”, um rock and roll com um riff muito legal de guitarra. A famosa “Rock da Vovó” foi lançada primeiramente nesse álbum, e é uma das melhores também. O disco é legal, e a posição foi justa para a banda.

    Tiago: Um álbum do Resgate, de 1991, numa lista de melhores? Vocês estão de brincadeira, né? Esse disco é muito fundo de quintal.

    [infobox title=’7º: Fruto Sagrado’]Artista: Fruto Sagrado
    Ano de lançamento: 1991
    Número de faixas: 9[/infobox]

    Fruto Sagrado - 1991Jhonata: Sem comentários, ruim demais.

    João: Já esse disco eu não inclui na lista, mas é sim um ótimo disco de estreia do FS, com faixas que já diziam quem era a banda, a sonoridade tá mais pra um hard rock com muitos teclados na linha do Rush, isso é bem legal. Mas no geral não tá entre meus prediletos, sorry.

    Phil: Um hard rock com bastante pegada e virtuosismo. Dizendo assim parece normal, mas na real o diferencial do Fruto Sagrado são as letras. Além do louvor a Deus, temas como críticas ao sistema religioso, heresias e críticas sociais permeiam a banda, sendo escritas de uma maneira geralmente bem ácida, inteligente, forte e ainda assim bem encaixadas com as composições. Bênlio, Marco Antônio e Flávio fizeram um belo trabalho, um bom disco pra chamar de primeiro.

    Thiago: Três anos após a fundação da banda, o primeiro álbum do Fruto Sagrado, com o mesmo nome da banda, saía do forno. O notável desse grupo era suas letras nada convencionais, diretas e críticas ao sistema, tanto como social e político, como religioso, de acordo com uma cosmovisão cristã. Esse tipo de abordagem foi predefinida pelos seus integrantes. As ideias trabalhadas são legais, porém, no início da banda, a composição das letras ainda estavam sendo moldadas, a construção dos versos, etc. Ao contrário dos álbuns posteriores, esse álbum foi bem menos criativo musicalmente para mim, com uma sonoridade bem presa ao hard rock, um estilo que era bem desenvolvido na época, e voz do Marcão ainda não era essa potência a qual chegou nos trabalhos mais recentes. Na maior parte, o disco foi preenchido por canções compostas por Bênlio e Marcão. No geral, a obra exibiu um trabalho mediano, coerente com a posição em que está.

    Tiago: O Fruto Sagrado teve a melhor estreia dentre quase todas as bandas aqui. Aquele disco que você vê que, quando uma banda tem um bom repertório e arranjos, isso basta para um disco soar bem. Acho que não preciso me alongar.

    [infobox title=’6º: Na Contramão do Sistema’]Artista: Fruto Sagrado
    Ano de lançamento: 1993
    Número de faixas: 8[/infobox]

    Fruto Sagrado - Na Contramão do SistemaJhonata: Fruto Sagrado está entre as bandas que preciso ouvir muuuuuuuuuuuuuitaaaaas vezes ainda para me convencer de que são boas. Eu até entendo a dedicação para ser considerada uma “banda-de-rock-pesado” mas, acredito que todos nós precisamos “se tocar” um dia. Como segundo disco, este é regularmente bom. Fica no meio-termo de “Brasil” (primeira) até “Involução” (última faixa).

    João: Segundo melhor disco do Fruto Sagrado ever. Simples assim. Tem quem diga que esse é O melhor, mas a segunda metade da década vai mostrar que não (risos). Enfim, hard rock de primeira, as letras continuam ácidas, falando de tudo: política (“Brasil”), preconceito (“Jimmy”), pobreza (“Meninos de Rua”), falso evangelho (“Lobo Mau”) e demência social (“Involução”, a letra mais atual da história, depois de “Ponte”, de Janires), e a interação dos integrantes da banda à época é perfeita. Sem dúvida um disco pra ter orgulho de possuir original.

    Phil: Em meio à “síndrome dos dois anos”, em que eles chamavam guitarristas pra ajudar na banda, efetivavam os caras e depois eles davam no pé (mas não era sacanagem dos guitarristas, eram motivos legítimos e até bons, eu diria), o trio Marcão, Bênlio e Flávio chegou a 93 pra fazer o segundo disco. Esse trabalho saiu ainda na linha hard rock virtuosa, mas com uma cara um tanto progressiva. Aqui as letras ficaram mais pesadas! “Jimmy”, “Lobo Mau”, “Meninos de Rua”, essas faixas pesam na cuca, viu. Além disso, é bom destacar a gravadora Gospel Records que fez uma divulgação intensa do disco, segundo Marcão.

    Thiago: Fruto Sagrado sempre foi a banda mais ácida em nível de crítica contra igreja e sistema. Esse título anticapitalista é o resumo de uma boa parte de sua discografia. O álbum passeu pelo hard rock e heavy metal, com referências até da música eletrônica. As letras do Fruto nesse disco tem o mesmo tom ácido, mas em algumas partes foram mal construídas, escapando da métrica ou versos quebrados. Contudo, o álbum tratou de ótimas questões relacionadas à nossa cultura consumista e individualista, os problemas sociais e de nosso sistema. Nesse sentido, Fruto Sagrado sempre foi único. As canções marcantes do disco: “Lobo Mau”, um hard que fez analogia a história do lobo mau com os falsos profetas; “Investimento”, com seu blues louco, semelhante a “Mistérios” do Resgate, mas a interpretação vocal foi broxante; “Involução” e seu riff oriental e genial, música muito boa; “Brasil”, hard rock para animar qualquer um, até com DJ; e “Jimmy” a base eletrônica hard rock heavy metal criticando o racismo. “Exceção à Regra” é uma música muito boa, mas deixou um terrível sentimento broxante em mim: tem uma introdução épica e clássica de violão, um nome que lembra uma música muito boa sobre crítica, no entanto a impressão só fica no início. Logo a música une peso de guitarra com uma letra romântica, coisas que eu ainda aprendi a não gostar juntas dessa forma. Marcão melhorou bastante com relação ao primeiro álbum, e a parte instrumental ficou muito boa.

    Tiago: Vamos entender o seguinte: o Fruto Sagrado sempre foi uma banda boa de letras. Eles sempre tiveram a intenção de fazer uma música diferenciada. Na Contramão do Sistema é o melhor disco da banda nos anos 90. É uma música muito bem feita e autêntica, você vê que eles estão em pleno voo. Dentre faixas ácidas e sarcásticas, podemos dizer que este é um dos melhores discos do rock cristão.

    [infobox title=’5º: 3′]Artista: Complexo J
    Ano de lançamento: 1992
    Número de faixas: 9[/infobox]

    Complexo J - 3 - 1992Jhonata: 3 é indiscutivelmente um disco singular. Quando o ouvi pela primeira vez, me perguntei: “CARA, POR QUE DEMOREI TANTO PRA OUVIR ISSO?” A banda era muito bem arrumadinha. A oscilação dos vocais são linearmente agradáveis. “Sábado Quente” me prendeu e fiquei repetindo o refrão por várias semanas (principalmente pelo calor enorme que faz aqui em Rio Branco), “Choro da Natureza” dá uma aula sem pôr defeitos em “Terra”, do Katsbarnea. “Com Jesus” me fez lembrar minha conversão e, destaco as guitarras e o baixo que, por mais assemelhado que tenha ficado com os outros de bandas da época, aqui ele soa mais particular, mais COMPLEXO J.

    João: Criatividade é pouco pra definir esse disco. Da capa à última música, o último disco genuinamente rock’n roll da Complexo J, trouxe novamente letras geniais (destaque eterno pra “Sábado Quente”, que é um tapa na cara da society, rsrs), os vocais intercalando entre a voz masculina e feminina é o ponto mestre dessa banda, e sem dúvidas um diferencial. Nessa época só a Troad (que não era bem rock) e a Metanoya (da Soraya Moraes) tinham em mente colocar mulheres cantando rock. Os cariocas realmente se inspiraram mesmo. Tenho que dizer o mesmo que no review passado: que que essa turma de RJ, como o Complexo J, Catedral e cia têm na mente pra serem tão ácidos e verdadeiros? (risos)

    Phil: Confesso que só ouvi uma vez esse álbum, então se eu tivesse dado mais atenção poderia ter algo mais específico pra falar. Mas o que eu tenho lido é que esse foi o melhor álbum deles. Eles seguem a mesma linha da maioria das bandas da época (incluindo as desta lista), que tratam bastante de análise de temas da vida, porém o Complexo J é um tanto mais sutil nas letras. O que li em algum vídeo do YouTube, em um comentário, é que em 1992 saíram alguns integrantes da banda, o que acabou modificando a sonoridade. A banda nunca parou, apesar disso, tem até página no Facebook.

    Thiago: Esse LP ficou em sétimo lugar na minha lista pessoal. A banda teve um relativo sucesso em sua própria época, chegando a figurar em um programa de TV, sendo que o 3 foi seu maior sucesso. “Sábado Quente”, sua canção mais famosa, é a melhor do álbum. Possui uma letra bem interessante sobre como somos controlados pelo sistema que tanto criticamos. O conjunto da obra em si é cheio de músicas boas e algumas medianas, acho que algum do Fruto Sagrado poderia ter estado na frente desse. Algumas partes da letra de “Consciência Limpa” me incomodou um pouco, com um pouco de ego escondido, mas não é de todo ruim. Esse álbum conta com bons instrumentais, solos de guitarra, e é uma mistura de hard rock e prog rock. Algumas composições do álbum ousou a crítica forte contra o sistema, como a já citada “Sábado Quente” e “Abra Seus Olhos”.

    Tiago: Discaço, e deveria estar em segundo lugar! Além do Rebanhão, outra banda que vivia o seu auge, no início da década, era o Complexo J. Contratados pela MK Music, lançaram o melhor álbum da carreira, 3. É um disco que usa teclados e loops a seu favor, e você nunca os verá exagerando. As letras são tão polêmicas quanto as composições de bandas undergrounds da época. Eles estão lá, questionando o sistema religioso com o hit “Sábado Quente”, criticando o humanismo em “Abra seus Olhos”, falando da destruição do meio-ambiente em “Choro da Natureza”, e nos brindando até mesmo com faixas instrumentais em “Yom Kippur”. Os vocais de Liza Cardoso são os melhores do disco, e certamente marcam o diferencial dentre tantos grupos exclusivamente masculinos. A capa do álbum, por sua vez, é um destaque a parte.

    [infobox title=’4º: Princípio’]Artista: Rebanhão
    Ano de lançamento: 1990
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Rebanhão - Princípio - 1990Jhonata: Eis aqui um álbum que beira a perfeição para a época em que foi gravado. “Fronteiras” descreve mais ou menos muito do meu respeito pela banda Rebanhão. “Palácios” é um clássico indiscutivelmente maravilhoso de se ouvir. Os metais usados no disco, teclado e guitarra foram muito bem encaixados. Enfim, Princípio é digno de estar nessa lista.

    João: No princípio era o vazio, e o Rebanhão disse sim, sim pro rock’n roll e pra música gospel! Os precursores se tornaram o porta-voz inicial do movimento, trazendo a formação clássica e mais consistente do grupo, a sonoridade que os consagrou na segunda metade dos 80 e sendo realmente uma ponte de ligação entre a fase dos primórdios com o movimento gospel. Elogios inclusive à arte de capa desse disco, alias, dos 5 primeiros da lista (na verdade, a do Resgate é bem pobrinha comparada a dos outros 5 rsrs). Destaque também pra letras mais críticas novamente na linha das do saudoso Janires, como “Princípio”, “Muro de Pedra”, “Arsenal” e claro, a clássica “Palácios”.

    Phil: O princípio de um monte de coisa: primeiro álbum de música cristã brasileira a ser lançado no formato de CD, primeiro álbum lançado pela Gospel Records, primeiro lançado logo após o início do chamado movimento gospel brasileiro. Ok, mas e o conteúdo? Musicalmente eles amadureceram um bocado vindos da década anterior, com arranjos mais complexos, mas ao mesmo tempo com uma sonoridade mais acústica, talvez art rock/pop rock seja mais exato, o que ainda remete ao pop rock nacional oitentista. E não se engane, não é fácil chegar na sonoridade que se ouve em álbuns desse estilo. Carlinhos Felix e Pedro Braconnot seguraram muito bem a onda da banda depois da saída do Janires, mesmo com a (óbvia) mudança nas composições. Mas as letras continuam com o selo Rebanhão de qualidade! Ô Abreu, traz o carimbo aqui.

    Thiago: Princípio ocupou uma posição que poderia ter sido disputada por outras bandas abaixo dela, como Fruto Sagrado, até Resgate e pela própria banda ocupada. O álbum é um pop rock com pegadas do art rock, rock progressivo e muitas outras influências musicais, e o que mais fica enfático nas suas músicas são suas letras, com boas críticas, como as de “Palácios” e “Fronteiras”. “Metrô”, com a bela interpretação de Pedro Braconnot no piano e a voz à lá Keith Green do Carlinhos Felix, é a minha predileta. Algumas músicas desse álbum às vezes conseguem ser medianas e boas ao mesmo tempo, como “Ele Te Ouve” (tem uma introdução que parece que vai deixar a música meio chata, mas ela muda para um arranjo mais rápido e fica legal) e “Selo de Perdão” (a sonoridade do teclado ficou muito quadrada). Apesar da letra legal e da construção sonora interessante, “Fronteiras” é uma composição um pouco chata, a introdução de teclado dessa música é daquelas bem pop antigão. Senti falta da guitarra em algumas músicas, a influência do pop ficou mais forte, e o timbre do teclado me incomodou bastante, mas foi o melhor desta lista, juntamente com Pé na Estrada, em termos de qualidade vocal, letrística e produção musical.

    Tiago: Antes de tudo, este disco tinha que estar em primeiro! Passando meu protesto, digo: Ser vanguarda durante uma década, remodelando seu som, e depois ainda ser vanguarda numa década seguinte é para poucos. O Rebanhão, nessa época, ativo há dez anos, expandia a sua popularidade como quarteto, mas, no entanto, aos poucos perdia a veia crítica de seus primeiros anos. E Princípio, primeiro lançamento da história da gravadora Gospel Records, consegue recapturar o que estava se perdendo. A figura central deste disco é o tecladista e cantor Pedro Braconnot. Enquanto nos discos anteriores sua imagem estava ofuscada pelo destaque de Carlinhos Felix, é neste álbum em que suas letras tornaram-se fundamentais para o êxito da obra. Das dez faixas, cinco possuem sua participação. E, justamente, várias delas são as melhores do álbum: a clássica “Palácios”, que se tornou um hit por muitos anos, “Fronteiras” e sua melodia suave, “Metrô” e sua vibe MPB, conduzida apenas por um piano, além de ter escrito, juntamente com Carlinhos, a balada “Grito de Silêncio”. Esta obra consegue representar, em letras, toda a inventividade que o chamado movimento gospel (sem o significado pejorativo que esse termo possui hoje) procurava fazer. É um álbum que questiona os poderosos da sociedade, fala do sujeito desiludido, deprimido e por vezes esquecido pela igreja, e consegue filosofar em canções como “Muro de Pedra”. A produção musical ficou a cargo dos próprios membros, e marca um entrosamento muito positivo entre eles. Paulo Marotta escreve, também, uma faixa para o álbum, estando dentre as melhores.

    [infobox title=’3º: Cristo ou Barrabás’]Artista: Katsbarnea
    Ano de lançamento: 1992
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Katsbarnea - Cristo ou Barrabás - 1992Jhonata: Eu já disse uma vez por aqui que não gosto do Katsbarnea. E é fato que nenhum dos trabalhos deles vai me agradar por completo. Quase não tenho o que dizer sobre esse disco. “Terra” é uma canção que em pleno 2015 eu ainda suspeito que o seu compositor estava sob efeito de drogas quando escreveu. “Congestionamento” traz uma áurea até interessante e a faixa-título não conseguiu me convencer.

    João: Ah, esse disco, esse me fez ver que o Kats não era só um clone bizarro da Blitz (risos). Enfim, disco de grande qualidade, o experimentalismo contido nele é surpreendente, Brother estava muito inspirado mesmo nas letras do álbum, além dos arranjos, sem focar somente no rock inclusive, colocando até surf music (Ondas Agitadas, grande música pra luaus) e o progressivismo de “Terra”, ótima canção pra começar o disco, eu cheguei a pular várias vezes sozinho em casa com essa música. Faz falta discos assim no rock “gospel” atual.

    Phil: Depois de Estevam Hernandes chutar metade dos integrantes pra fora da banda (até hoje ninguém sabe por que), restaram 5 e apenas esses seguiram na banda, por enquanto. Então ele perdeu um pouco da linha que tem o álbum anterior (Katsbarnea), mas parece que saiu mais focado. Esse álbum tem uma cara bem hard rock, apesar de eu ter uns motivos pra preferir o álbum Katsbarnea, as percussões de Paulinho Makuko enchiam um pouco o saco. E ele ainda percussiva no Cristo ou Barrabás, mas bem menos, além de que ao vivo assumiu a bateria e mandou bem, segurou a onda dos caras que gravaram no estúdio. Brother Simion aparentemente consegue lidar bem com duas bandas (Kats e solo), até porque ele direciona suas composições pra uma ou outra banda já que as propostas musicais são diferentes. Ah, e Rick Bonadio produzindo os caras.

    Thiago: O terceiro lugar poderia ser disputado pelo Katsbarnea e Fruto Sagrado. Cristo ou Barrabás representa um progresso musical, pois nesse álbum a banda deixa de usar mais o violão, colocando mais guitarra. Assim, ficou mais pesado do que os três anteriores, unindo vários estilos musicais, como o folk rock, hard rock, heavy metal, rock progressivo e metal progressivo. “Parede Branqueada”, com todo seu peso do prog e heavy metal, é a mais genial do disco. A introdução psicodélica de Terra, o folk rock meio faroeste de “Shine on Your Face” (lembrou-me a canção “Babe I’m Gonna Leave You” do Led Zeppelin), as canções cômicas “Congestionamento” (com pequenas influências do funk rock, cheia de efeitos de congestionamento) e “Remédio Pra Dormir”, “Cristo ou Barrabás” e “Meio Fio” são outras que merecem atenção. Três características que ficaram muito interessantes e legais, e vale ressaltar: os efeitos musicais e arranjos diferenciados inseridos na maior parte das músicas, como a da “Cristo ou Barrabás”, que dá a sensação de se estar num julgamento, e outras do “Parede Branqueada”, “Terra”, “Congestionamento” e “Remédio Pra Dormir”; a gaita do Brother Simion que como sempre dá uma beleza maior as canções, como na “Shine on Your Face”; e as boas participações da guitarra solo, que foram mais enfáticas do que nos álbuns anteriores. A percussão de “Ondas Agitadas” sempre me incomoda, e o reggae do “Amor”, com uma introdução a La “D’Yer Mak’er” do Led Zeppelin, ficou mediana. Em resumo, esse álbum representa um avanço gigante para o Katsbarnea, com o peso da guitarra em ênfase e as letras legais e diferenciadas.

    Tiago: As mudanças que Estevam Hernandes obrigou a fazer no Katsbarnea, em 1991, foi uma sacanagem sem tamanho. Você percebe, em relação ao disco Katsbarnea (1990), que a sonoridade para Cristo ou Barrabás (1992) é brutalmente distinta. Enquanto o disco anterior era mais rico musicalmente, com influências de outros gêneros extra rock, Cristo ou Barrabás é mais uniforme, “redondo” e encapsulado. Não é um álbum ruim, não. As letras de Simion continuam a abrilhantar, e se você notar, ainda há elementos na sonoridade antiga que restaram, como a harmônica do vocalista e a percussão de Makuko. O único ponto realmente negativo da obra, é que a banda não soa confortável fazendo um som hard rock. Experimentalismo é uma marca registrada do Katsbarnea, e o que vemos nesta obra, por vezes, é um som que tenta emular o que grupos como o Fruto Sagrado e Oficina G3 faziam na época e não consegue da mesma forma. Assim, posso destacar que Rick Bonadio, conforme seu estilo de produção, não ajudaria muito neste aspecto, não é mesmo? Foi só no ótimo Armagedom, produzido por Paulo Anhaia, em que o grupo encontraria uma vertente para seguir após o enxugamento forçado da formação.

    [infobox title=’2º: Novos Rumos’]Artista: Resgate
    Ano de lançamento: 1993
    Número de faixas: 9[/infobox]

    Resgate - Novos Rumos - 1993Jhonata: Resgate nunca foi uma banda que esteve nas minhas preferências musicais. Acho que ainda não encontrei o “tchan” da banda pra entender a vibe dos caras. ‘Ignorantemente’ acho as letras deles muito fracas e, sinceramente, não entendo como uma geração enorme de jovens e adultos tem a banda como REFERENCIAL-MUSICAL-CRISTÃO-NO-BRASIL. Deixando isso de lado, Novos Rumos é um álbum muito bom. Sem exageros e sem falsa modéstia. Eu gosto da banda assim como gosto de Roberto Carlos e, consideravelmente, eles se assemelham na minha preferência: a massa considera eles MUITO BONS e eu apenas acho eles legais. “Florzinha” mostra um hardcore que raramente você encontrará em bandas como o Resgate. “A Paz” é uma canção tecnicamente boa em todos os quesitos: letra, instrumental e temática…

    João: Musicalmente falando o Resgate ainda não era aquele Resgate, ainda tavam no comecinho, mas no quesito letras eles já eram bem inteligentes. Claro, não estou contando com “Florzinha” (risos), e sim com músicas como “A Paz”, “Todo Som”, “Consciência” e “Controle”, que pra mim são pontos altíssimos desse disco. A evolução comparando ao primeiro disco é notável e a banda conseguiu manter seu estilo com classe, preparando-se pro impressionante terceiro disco.

    Phil: Aqui o Resgate começa a amadurecer! Deram passos importantes no aprendizado como músicos e como banda. Faixas como “Daniel” e “Todo Som” são destaque nesse álbum. E a hilária “Florzinha”, claro (risos). Ainda faltava algo para que o Resgate fosse considerado uma banda realmente show de bola no rock cristão nacional, mas que esse álbum é bom, isso é. E com Rick Bonadio por perto, ele de novo!

    Thiago: As posições de primeiro e segundo lugar, com uma enorme pontuação de distância do resto é, em minha opinião, algo completamente normal. Os lançamentos dessas bandas, no início de suas carreiras, mostrariam aonde chegariam mais tarde. Resgate, principalmente por causa da personalidade do Zé Bruno, é o melhor hoje, levando em conta o trabalho conceitual e musical, dentro e fora dos palcos. Novos Rumos aparece como um rock and roll em si pautado no hard rock. Os riffs desse álbum são muito bons, citando como exemplo as feras introduções de “Novos Rumos”, “Controle”, “A Paz”, “Quem É Ele?” (uma regravação do primeiro trabalho), fazendo com que eu chegasse a colocar esse álbum em primeiro lugar (apesar de ter percebido a superioridade do G3 depois), e sempre achei tão legal as participações intercaladas nos solos do Zé Bruno e Hamilton. Quero agora citar especificamente quatro canções marcantes: a primeira é o “Rock da Vovó”, faixa retirada do primeiro álbum que foi reeditada em Novos Rumos, e que durante vários anos a frente foi cantada bastante nos álbuns ao vivo; o rock ácido e cômico com a boa pegada do punk de “Florzinha”, uma característica que Resgate nunca deixou; o louco rock and roll de “Mistério”, que tem um riff hiper mega fera de guitarra (a introdução com o violão ficou muito legal), só ficando avacalhada pela propaganda da Renascer com os versos “E era um cara de terno na praça/ Que falava com uma Bíblia na mão”; por último, uma qualidade que sempre gostei no Resgate é de fazer boas baladas com a pegada folk rock, e “Todo Som” é um belo exemplo. A balada levada por lindos toques de violão ficou bem harmoniosa com a letra sobre a grandeza de Deus. “Daniel” foi outro hit do álbum, mas não se compara as quatro citadas. Esse álbum não tem canções tão medianas, acho que só há na maioria música boa misturada a canções muito boas. Já na parte letrística, ainda não se via a identidade satírica que a banda chegaria a construir depois.

    Tiago: Novos Rumos é, antes de tudo, um disco mediano. Você vê que o Resgate evoluiu bastante em relação ao disco anterior. Algumas coisas fogem da fórmula inicial, como o uso de violão e teclado. Mas, no geral, não é um trabalho marcante. Acho intensamente exagerada a presença deste disco aqui. Resgate, para mim, só em 1995 pra frente.

    [infobox title=’1º: Nada É Tão Novo, Nada É Tão Velho’]Artista: Oficina G3
    Ano de lançamento: 1993
    Número de faixas: 8[/infobox]

    Oficina G3 - Nada é tão novo, nada é tão velho - 1993Jhonata: Um álbum que tem suas particularidades e defeitos. Mas como primeiro álbum de uma banda que logo menos viria ser uma banda de grande sucesso no cenário cristão, este álbum foi feito na medida certa com solos super animados, no nível de uma banda de rock profissional (sem nem se isso existe! hehe). Músicas como “Mais que Vencedores” e “Pastor” trazem uma pegada introspectiva muito boa de ouvir, o problema (e acredito que único) de ambas as faixas são as repetições em termo de letra. Eu sou chato com letra, então não gosto muito de repetições. “Valéria” realça a ideia das grandes bandas de rock que tem uma historinha contada em uma música: Legião Urbana tem “Faroeste Caboclo”, Titãs tem “Marvin” e o Oficina não podia ficar pra trás…

    João: Eu realmente curto muito esse disco, mas não poria em primeiro… sei lá, enfim, é um disco que me traz boas recordações, muito legal de se ouvir, Manga mais solto nos vocais e sem o Túlio Regis do lado (com todo respeito, sempre achei essa combinação bizarra), arranjos bem hard rock numa linha que é digna de atenção por muitos críticos do rock nacional, porque é bem rara aqui no Brasil, enfim, eu achei bem legal mesmo, na época que eu o ouvi me surpreendeu muito porque eu era acostumado apenas com os acústicos do Oficina e esse disco deu um barato na minha mente (risos).

    Phil: Meio complicado falar de Oficina sem parecer que é “oficinático”, porém oficinático que não volta no tempo não pode ter esse adjetivo! A banda já fazia um som de qualidade, hard rock bem característico dessa fase inicial, ainda na Gospel Records, e que ainda hoje influencia muito músico que queira fazer hard rock. Os vocais de Manga são mais loucos do que melodiosos, mas cheio de atitude que ele é, ficou uma mistura boa, além de umas canções que Juninho solta a voz – e bem! O CD é muito consistente, acertado, bem mixado – dadas as condições da época – e ainda hoje tem diversos temas aclamados até por quem nem é fã antigão. É merecedor do 1º lugar!

    Thiago: O segundo álbum da Oficina G3 já demonstrava um pouco da proficiência desta famosa banda. Contando com Luciano Manga no vocal principal, Juninho Afram na guitarra e vocal em algumas músicas, Wagner García no baixo e Walter Lopes na bateria e vocal na música “Pastor”, com participações de Duca Tambasco no baixo em “Naves Imperiais”, Marcos Pereira na guitarra e Marcio “Woody” de Carvalho nos teclados, o resultado foi um hard rock, heavy metal com pegadas do blues rock. A principio, admito uma falha: coloquei esse álbum em segundo lugar por ainda achar que Novos Rumos merecia mais essa posição, mas a musicalidade do G3 se manifestava melhor do que o Resgate, principalmente, por causa da genialidade dos riffs e solos de Juninho Afram na guitarra. Oficina G3 indiscutivelmente é a maior banda de rock cristão brasileira em questão de eficiência musical, e essa condição não é superestimação, eles realmente são bons. “Cante” é a melhor música do disco, sendo uma brilhante exposição de técnica, com influências do power metal, arranjado pelos graves do baixo, os solos majestosos do Afram e a velocidade da guitarra e da bateria. O blues rock fenomenal de “Pastor”, (Marcio “Woody” de Carvalho foi eficiente com os teclados nessa canção), o hard rock com pegada do blues rock de Valéria, o hard e heavy metal de Razão, Consciência de Liberdade e Mais Que Vencedores são composições que valem ser lembradas como ótimas produções. Por último, ressalto separadamente a famosa “Naves Imperiais” por sua beleza artística. As baladas do vinil, como “Resposta de Deus” e “Deus Eterno”, pelo menos para mim, só ocuparam a posição de música mediana que quase todo álbum tem. Em resumo, repito que a obra se superou graças ao líder da banda, Juninho Afram, enquanto que na parte letrística não vejo nada de novo. O nome do álbum é para lá de curioso e um mistério para mim.

    Tiago: A saída de Túlio Regis da banda pode não parecer um acontecimento marcante na Oficina G3, mas foi. Além de ser um dos vocalistas, ele era o principal compositor e letrista da banda. Em sua primeira gravação de estúdio, outro membro teve que ocupar a função de vocalista, o guitarrista Juninho Afram. Neste álbum, a Oficina G3 escancaradamente assume a influência do Stryper em sua sonoridade, o que chega a ser um incômodo, por muitas vezes. Luciano Manga, como intérprete, só surpreenderia no lançamento subsequente, o clássico Indiferença. A capa do disco é criativa, embora a execução não seja tão eficiente. Este álbum me soa como uma banda buscando evoluir, buscando sair da dependência do Túlio, sem muito sucesso, e não creio que merece a posição que alcançou nesta lista.


    A lista foi compilada através de votos dos participantes.

  • Melhores discos de rock cristão nacionais: Década de 80

    Continuando a nossa lista de melhores discos de rock cristão nacionais, chegamos a década de 80, época em que as produções musicais do nicho começaram a ser bem mais numerosas. Em dez anos, muitas bandas surgiram, algumas em atividade até os dias de hoje. O Rebanhão levou a maioria das posições, emplacando três. Vamos conferir?

    [infobox title=’10º: O Som que Te Faz Girar’]Artista: Katsbarnea
    Ano de lançamento: 1989
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Katsbarnea - O Som que Te Faz Girar - 1989Jhonata: Confesso que não gosto da banda Katsbarnea, mas o álbum O Som que Te Faz Girar tem uma pegada surf rock que me atrai. Para quem ouve bandas como Red Hot Chili Peppers, Switchfoot e Charlie Brown Jr. como eu, se identificará com este álbum. Não é que ele seja um deste gênero, mas tem algumas características básicas, que com certeza, vai te jogar para uma praia! (Hehe hehe). Um dos motivos de eu não gostar do Katsbarnea, é que acho muito parecida com a banda Blitz, e eu não gosto de Blitz. O vocalista também não tem uma voz legal. Aí você me pergunta: “ué, então porque escolheu o álbum como um dos melhores?”. Respondo: porque ele tem características musicais que me agrada. A exemplo de “Retrovisor” que coloco na lista de músicas de viagem. “Brisa” que é uma boa canção para passeio e “Extra” para animar a festa entre amigos. Bom, ouça “Extra” e ouça qualquer música da Blitz que você me entenderá porque acho muito parecida ambas as bandas. Até as back-vocals… Enfim, não vou xingar a banda, não é o objetivo da série e nem do post. Lá vai dois motivos para ouvir o disco: 1) é um álbum rico instrumentalmente e 2) As letras passam mensagens importantes.

    João: Pra mim esse estaria em posições mais altas, pois é chegado um outro genial compositor do rock cristão: Brother Simion (na época, apenas Simion). Letras divertidas, modernas e falando de tudo e mais um pouco, como “Pacote Salvação”, “Extra” e “Corredor 18”. Meu apelido e nome artístico (Johnnÿ) inclusive deriva da “Extra”, e o Kats (pelo menos o Kats dos anos 80-90) sempre foi uma inspiração pra mim, e o Brother Simion muito mais. Esse “disco” (que na verdade era uma fita K7 demo) foi a ganhadora do FICO (Festival Interno do Colégio Objetivo) e não é pra menos. Transmitir o Evangelho através de caras loucos como eles que tiveram um “Contato” com o Criador do Universo é coisa de outro mundo mesmo. Possivelmente eles foram o que de mais contemporâneo surgira nos anos 80 na música cristã, tal qual Janires foi nos anos 70 com sua fita K7 – e ambos fecharam suas décadas respectivas com essas fitas. Blitz pura e simples, mas com um conteúdo muito melhor e mais rico.

    Thiago: O que mais me causava desconforto no Katsbarnea, principalmente nos primeiros álbuns, é o incômodo som da percussão, feita por Paulinho Makuko. Esse disco é bem mais folk, com bastantes canções acústicas no O Som que Te Faz Girar, porém sempre achei que o Katsbarnea não desenvolvia com tanta qualidade esse estilo. Senti falta das guitarras no disco, e o timbre de voz do Brother Simion nunca me agradou tanto também. Porém, apesar das minhas críticas, conta com grandes canções, como a clássica “Extra”, e outras como “Brisa” e “Corredor 18”.

    Tiago: A sonoridade do Kats, em sua primeira formação, é muito diferente do som que assumiu depois do Cristo ou Barrabás (1992). Isso porquê, nesse line-up, o seu grande ponto positivo era o ecletismo musical. Nesta época, o Katsbarnea ainda não era propriamente uma banda de rock, mas viajava também pelo soul, funk rock e outros sons. Eu particularmente gosto muito do trabalho do Simion, acho que é um dos poucos músicos realmente completos da nossa cena. Suas composições ainda não são tão trabalhadas quanto nos discos posteriores, mas os arranjos conseguem compensar.

    [infobox title=’9º: Solidão’]Artista: Complexo J
    Ano de lançamento: 1986
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Complexo J - Solidão - 1988Jhonata: Confesso que classificar os melhores discos da década de 80 do meio rock cristão, foi uma tarefa pra lá de difícil, mas consegui. E este álbum me cativou pela gaita em “Brasil” – quem me conhece sabe o quanto amo o instrumento – e troquei este álbum de colocação várias vezes (hehehe). O título do disco é caracterizado pelas letras, ao menos foi isso que percebi. Assim como a maioria dos discos desta época, só ouvi Solidão uma vez mas percebi a riqueza instrumental que o álbum carrega. Aquela coisa LINEAR de guitarras fazendo os mesmos três acordes, bateria no mesmo “tutis tutis prum prum” são entendíveis. Você não vai encontrar uma banda da época brazuca com uma pegada sei lá, punk… Solidão é um disco confessional e dinâmico. Não se encha de expectativas, ele não tem nada muito grande, mada que seja um “UP”, no entanto, é musicalmente bem estruturado.

    JoãoComplexo J sempre me divertiu, seja pelo nome, seja pelas letras bem sacadas (o que é que tem em Rio de Janeiro que só dá bandas doidas entre as precursoras do movimento gospel, como Rebanhão, Complexo J, Novo Som, Catedral e Fruto Sagrado? Rsrsrs), seja pelo nome da banda, que remete aos complexos vitamínicos, mas direcionadas à Jesus. É a primeira banda de rock cristã brasileira com uma vocalista (sem ser vocal de apoio) e com letras como “Brasil” e “Espaço Sideral” a banda trazia sem dúvidas um repertório ousado e uma qualidade inigualável, que futuramente encantaria até mesmo Jô Soares (foi uma das três bandas do movimento gospel a dar às caras no programa dele no SBT nos anos 90, ao lado de Louvor, Art e Cia e Cia de Jesus – não, Catedral nunca foi ao programa, tolinhos kkkk). Ótimo disco, vale a pena sem dúvidas.

    Thiago: Solidão é introduzido por um instigante dedilhado de violão em “Reino de Deus”, e com o progresso da música, percebe-se que há um ótimo instrumental na música, te envolvendo para ouvir o álbum todo. Apesar disso, apresenta um rock que não é lá algo que ouço frequentemente, porém, em comparação a outros discos da época, exibe uma sonoridade legal. A união da guitarra com o teclado, baixo, bateria e vocal da banda desenvolve canções distintas, passeando no hard rock, rock progressivo e pop rock. Junto com Manhãs de Outono, poderia ter ocupado uma posição melhor.

    Tiago: O Complexo J é um dos melhores grupos progressivos desta época. Mesclando seu som com o hard rock, Solidão é um disco que fala mais pela simplicidade das canções. A parte lírica do conjunto começa a mostrar ao que veio, mesmo que se amadureceria posteriormente. Ainda, há de se destacar que foi um dos poucos – o único, que me lembro, no momento em que escrevo – que trouxe uma vocalista mulher, o que é um diferencial.

    [infobox title=’8º: Manhãs de Outono’]Artista: Sinal de Alerta
    Ano de lançamento: 1987
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Sinal de Alerta - Manhãs de Outono - 1987João: Pra ser sincero, eu nunca fui um ouvinte da Sinal de Alerta. Sempre os vi como um clone “fabricado” do Rebanhão fase dois. Nem havia mencionado ela para a lista (acho que eu tinha sugerido o Rodrigo Bueno no lugar dessa), e mesmo esse disco eu pouco tinha ouvido. Mas dei uma chance e fui ouvir o terceiro álbum deles com cuidado após a escolha dele em oitavo lugar. Realmente vacilei, esse disco é bom, muito agradável, seguindo bem os passos do contemporâneo Novo Dia (o anterior da lista), mas sem parecer repetitivo ou “clonado”. Lembra um pouco Lulu Santos, Radio Taxi e outras do pop rock oitentista. Me rendo ao Sinal de Alerta, esse disco é fantástico mesmo.

    Thiago: O álbum Manhãs de Outono da banda Sinal de Alerta integrou minha lista. Ele apresenta um pop rock que é bastante interessante para época, porém não é um som que me faz tão fã. A produção das guitarras, do baixo, do vocal, do teclado é agradável, feita com qualidade até boa, em virtude das dificuldades da época.  Esse disco poderia ter aparecido em uma posição melhor, pois apresenta um dos melhores trabalhos dos anos 80, com instrumentais interessantes, ótimos riffs e solos de guitarra, e um vocal até relevante. Algumas canções têm algumas letras interessantes como “Adolescência”, uma crítica a essa fase. As melhores são “Tempos Modernos”, “Mudanças”, “Tempos Modernos”, “Vibração” e “Adolescência”. Mas as outras são muito boas também.

    Tiago: Eles surgiram como uma espécie de cover do Rebanhão, mas evoluíram seu som para algo que os diferenciassem do grupo carioca. Manhãs de Outono é, de longe, o seu maior clássico, com composições que fogem, e muito, dos clichês da época, trazendo reflexões pertinentes sobre os chamados “tempos modernos”. Sem a menor dúvida, é um dos melhores álbuns da década.

    [infobox title=’7º: Novo Dia’]Artista: Rebanhão
    Ano de lançamento: 1987-88
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Rebanhão - Novo Dia - 1987Jhonata: Em 1987, o Rebanhão apresentava um disco completamente rock. O contra-baixo bem presente e audível (característica da época) deixa o peso do disco mais agradável de ouvir. “Contemplar” me tocou muito, ouvi e senti vontade de ouvi-la mais vezes com os amigos.”Firme os Pés” me lembrou Roupa Nova (não sei porque, nem gosto). “Jesus é Amor” começa muito bem com um toque suave de piano e aqui cabe uma observação: quando você estuda música, os professores te exigem muita emoção além de técnica, talento e precisão. Música é algo que precisa ser sentida, no livro que estou escrevendo falo um pouco disso e nesta música, é possível sentir emoção além de observar a introdução de sax de “Nada mais a temer” que me lembra alguns clássicos da Elis (ooh, Elis <3). “Nele você pode confiar”, uma canção muito boa, regravada por Paulo César Baruk com participação do Lito Atalaia no álbum Graça de 2014, é um dos principais destaques do disco, e concluindo, Novo Dia é um álbum muito bom! Poderia ser melhor? Não. Ele é proporcional para a época, banda e fãs.

    João: O Rebanhão pós-Janires sempre foi menos interessante em certos aspectos pra mim. Mas esse disco traz um pop rock bem legal, com músicas que fazem a cabeça de muita gente até hoje, e interpretações fantásticas, como das músicas “Primeiro Amor”, “Jesus é o Amor” e “N’Ele Você Pode Confiar”. Lançado pela PolyGram, teve grande repercussão nacional, dizem que na época consideravam o Pedro Braconnot o “cantor mais bonito do Brasil”, desbancando até Fábio Jr. (risos), mas muito além de um rosto bonito, o que víamos aí era uma banda sólida e forte, que logo, logo nos anos 90 iria nos trazer nessa formação o seu disco mais genial da segunda fase, Princípio. Tristemente esse disco não tem mais as letras fantásticas de Janires (Não que as letras aqui contidas sejam ruins, mas não possuem mais a mesma genialidade de outrora).

    Thiago: Esse álbum teve uma proposta bastante pop se for comparado aos outros da banda. Produziu grandes clássicos da música cristã, como “Primeiro Amor” e “Nele Você Pode Confiar”, e a posição foi quase merecida para a banda. O trabalho possui algumas músicas de rock, mas graças a boas camadas de teclado que preencheram todas as canções, a obra ficou mais pop. Nota-se, de passagem, a semelhança da voz de Carlinhos Felix com Keith Green.

    Tiago: Eu particularmente gosto demais do Rebanhão com Janires, mas não dá para desmerecer, ou subestimar, em nenhum momento, o trio formado por Pedro Braconnot, Carlinhos Felix e Paulo Marotta. Foi necessário o capixaba sair para que estes três músicos, também engenheiros civis, mostrassem unidade musical e aperfeiçoassem, embora com mais influências pop, a sonoridade do conjunto. Carlinhos, por sua vez, diminuiu sua influência para que Pedro Braconnot começasse a se destacar, principalmente com suas composições: “Razão” e “Contemplar” são bem executadas. É claro que Novo Dia quem lá seus defeitos. Eu acho que os anos 80, tecnicamente falando, são irritantes. A captação de bateria então, nem se fala… aquele excesso de reverb não colabora muito. Mas convenhamos, é o início do auge da segunda fase do Rebanhão.

    [infobox title=’6º: Apelo à Terra’]Artista: Comunidade S8
    Ano de lançamento: 1983
    Número de faixas: 12[/infobox]

    Comunidade S8 - Apelo a Terra - 1983João: Pra mim o último trabalho da Comunidade S8 a encantar meus ouvidos, ao trazer diversos atributos de Jesus em quase todas as músicas, e sempre com letras reflexivas e sem perder a sonoridade dos anos 80. Sem dúvidas um disco pra ouvir e muito quando quisermos ver como “Jesus é o Amigo”, fazendo de cada ilha distante que nos tornamos em meio a multidão de tanta gente um porto e de gente estranha um povo que se ama. Encantador demais pra ser esquecido.

    Thiago: Apelo à Terra foi um álbum que não esteve na minha lista. As canções da Comunidade S8 são geralmente guiadas pelo rock progressivo, e ver o avanço da banda desde o primeiro disco, o qual não usavam guitarra, até esse último é interessante. Essa produção de 1983 é uma mistura de prog rock com art rock, com ênfase nas boas camadas de sintetizadores. Outra coisa curiosa no álbum é terem usado o nome de Jesus em quase todas as canções, com exceção na primeira. O que menos me agrada é a parte vocal ser em formato de coral em maior parte das músicas. O quesito instrumental, a obra se supera bem.

    Tiago: Dando sequência ao que faziam nos anos 70, este deve ser o último disco da Comunidade S8 realmente interessante. E curiosamente, o grupo não teve muito espaço na década seguinte, até porque sua sonoridade ficou muito datada, não conseguindo acompanhar os novatos que estavam chegando. Mesmo assim, Apelo à Terra é um bom álbum.

    [infobox title=’5º: Aos Ouvidos dos Sensíveis de Coração’]Artista: Catedral
    Ano de lançamento: 1989
    Número de faixas: 12[/infobox]

    Catedral - Aos Ouvidos dos Sensíveis de Coração - 1989Jhonata: Marcando o final da década de 80, a banda Catedral propôs trazer um disco cheio de religiosidade e dinâmica musical. Confesso que ouvindo a discografia da banda, achei um pouquinho chata – digo ‘pouquinho’ para não exacerbar minha ironia – e ainda acho. Mas levando em consideração que todos os seus contras tem seus pós, Aos ouvidos dos sensíveis de coração é essa exceção. O álbum destaca o contra-baixo, algo bem comum da década dentro do rock nacional. Não menosprezando o falatório de que a voz do Kim (Catedral) lembra a do Renato Russo (Legião Urbana), ambas as bandas gravaram discos em 89. As Quatro Estações, um dos principais discos da Legião trazia músicas eternas como as duas primeiras faixas “Há Tempos” e “Pais & Filhos”. É fato que o trabalho do Catedral ficou muito abaixo do que o da Legião, e em hipótese alguma dá para fazer uma comparação musical entre ambos. Sem mais delongas, este trabalho do Catedral é tecnicamente bom, e creio que sem dúvida merece ser ouvido, sendo este último, o único motivo de eu ter listado como um dos melhores de 80.

    João: A eterna ignorância de muitos relega bandas geniais como “covers” ou “bandas caronistas” que teoricamente queriam escalar-se no sucesso alheio de alguma banda qualquer. Assim vários grupos como Cogumelo Plutão e Days Are Nights foram idiotamente relegados como cópias do Legião Urbana. Mas o caso mais notório, sem dúvidas, vem desse grupo carioca que com esse segundo disco conseguiu fugir do evangelicalismo que se tornaria até repetitivo e mal construído do universo “gospel” que começava a aparecer na música cristã já naqueles idos de 1989. Letras com forte conteúdo poético e filosófico (“Todos os Dias”, “Aos Ouvidos dos Sensíveis de Coração” e “Além do Nosso Olhar”, só pra citar algumas) e até mesmo crítico, como “Mundo Vazio”, trazem uma banda que estava olhando pro céu, mas que não deixava de olhar como a Terra estava se destruindo sem a direção para o céu.

    Thiago: Kim é o sinônimo da voz de Renato Russo. Porém, o que soa mais cômico é que nos primeiros discos da banda, sua voz, nas interpretações, era mais aguda, e só depois em que a voz dele se adaptou a tons mais graves, se aproximou do Legião Urbana. Mas, deixando de lado esses pormenores, minha relação com esse trabalho é tanto boa como ruim. Outro que não fez parte da minha lista, o conjunto me dá a impressão de ter os arranjos mais rock, com mais riffs, mais peso, mais distorção, porém me incomoda o fato de não chegar tanto no meu coração. As interpretações vocais de Kim com seus agudos não são muito agradáveis, mas o álbum ganha mais nos arranjos. As melhores são “Nas Ruínas Algo Está de Pé”, “Aos Ouvidos dos Sensíveis de Coração”, a boa crítica, e os de “Mundo Vazio”.

    Tiago: Sem comentários.

    [infobox title=’4º: O Dia Final’]Artista: Legenda
    Ano de lançamento: 1986
    Número de faixas: 12[/infobox]

    Legenda - O Dia Final - 1986Jhonata: O que dizer de O Dia Final da banda Legenda? Um álbum proporcional e com guitarras pra lá de bem tocadas. As letras além de serem evangelísticas, têm uma intenção de mostrar o lado humano também, ou seja, as dificuldades de se viver em sociedade, criminalidade, erros etc. Como já citei, as guitarras (ou A guitarra) me prenderam os ouvidos para ouvir faixa por faixa. Alguns clássicos da Legião Urbana são bons de ouvir por causa dessa pegada que te faz querer ouvir um próximo solo, riff e etc. O Dia Final merece ser ouvido!

    João: Corajoso, fantástico, raro. Rock progressivo da melhor safra, na linha de King Crimsom e Pink Floyd, esse grupo fez história por ter sido o primeiro grupo cristão a gravar pela Som Livre (chorem, valadetes e fãs da Aline Barros, hahaha), e apresentar um som entre os anos 70 e 80 muito bom, letras fortes, uma das melhores artes de capa da década (talvez a melhor, na minha opinião), Legenda (ou LEGENDÆ, como ficou conhecida anos depois) poderia sem nenhum problema concorrer em qualidade com qualquer banda de rock dos anos 80, mas por ser cristã possivelmente acabou enfrentando um certo preconceito e não atingiu tanto as grandes massas, e mesmo o mundo cristão à época não conseguiu absorver a qualidade sonora deles.

    Tiago: A Legenda, infelizmente, é um nome um tanto quanto esquecido na história do rock cristão nacional. Acontece que o grupo, mesmo não tendo exercido influência direta nesta linha do tempo, apresentou um disco muito bem produzido, com boas composições, e uma sonoridade muito agradável de ouvir. Lançado pela major Som Livre, com certeza poderia ser mais lembrado por nós, e ganha uma merecida posição aqui.

    [infobox title=’3º: Espelho nos Olhos’]Artista: Banda Azul
    Ano de lançamento: 1988
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Espelho nos Olhos - Banda Azul - 1988João: Junte a fita K7 dos anos 70 do Janires, os 2 primeiros do Rebanhão e esse disco da Banda Azul, e você terá a quadrilogia mais fantástica da música cristã contemporânea nacional. Não é exagero, esse disco foi o auge criativo do cantor, e infortunadamente o último dele, já que logo após a gravação do disco o vocalista faleceria num acidente automobilístico, que ironicamente meio que foi previsto pelo mesmo na faixa-título do disco. O álbum ainda traz o rock “Canção das Estrelas”, o “Baião Eletrônico” (uma nova versão do primeiro Baião), “Foi Por Você” (muito divertida forma de evangelismo, sem dúvidas) e “Veleiro”, com sua pegada MPB, entre outras clássicas do “Amigo Poeta” (essa música composta pouco depois do acidente do Janires, feita em sua homenagem e lançada no disco). Ah, como será bom ver ele lá junto a outros servos do Senhor no “Trem da Amizade”, todos juntos louvando ao Criador.

    Thiago: Espelho nos Olhos é o último álbum da carreira de Janires e o primeiro da Banda Azul. Esse singular disco tem duas características: a sua história e o seu teor poético. Após a saída da banda Rebanhão, Janires vai morar em Minas Gerais, onde entra para a MPC (Mocidade para Cristo), e junto com outros integrantes do projeto cria a denominada Banda Azul, um nome que surgiu de uma conversa em um restaurante entre Janires e Moisés (baixista e vocal), o qual, o primeiro citado viu uma marca de refrigerante europeia denominada Banda Azul. Janires gostou do nome e os integrantes do grupo nomearam-na com o nome da marca. As faixas andam pelo rock progressivo, pop rock e tropicália, trazendo as mesmas referências de Janires que trazia sobre Rebanhão. O que talvez eu não tenha gostado em uma boa parte das canções foi a camada de teclado por causa da sonoridade, por exemplo, nas canções “Amigo, Amiga”, “Baião Eletrônico”, “Meninos de Rua”, “Espelho nos Olhos”, “Canção das Estrelas” e “Trem da Amizade”. O disco contou com uma importante contribuição do Janires nas letras, o tornando uma obra poética, com letras brilhantes. “Foi por Você” faz combinações de vários tipos de pessoas que Cristo veio buscar, “Amigo, Amiga” é uma poesia sobre a verdadeira felicidade, “Veleiro” é um MPB sobre a busca de nosso coração pelo descanso, felicidade e paz, “Baião Eletrônico” se apresenta como um baião cheio de influências eletrônicas, “Amigo Poeta” é a única interpretada no disco apenas por Guilherme Praxedes, tecladista. “Meninos de Rua” é outra poesia rica, “Coração Azul” contém conteúdo com referências ao fim do regime militar, enquanto “Trem da Amizade” fala sobre várias pessoas que fizeram parte da vida da banda. Indivíduos e grupos como Rebanhão, Jovens da Verdade, João Alexandre, Sérgio Pimenta, pastor Caio Fábio e Asaph Borba são uns do que foram incluídos na canção. Porém, o mais notável do conjunto foi a letra “Espelhos nos Olhos”, apresentando uma autobiografia de Janires e uma possível referência a sua morte, que infelizmente ocorreu antes mesmo da finalização do projeto, a qual o cantor não teve a oportunidade de vê-lo completo e terminado. Janires morreu em um acidente automobilístico, em um ônibus que se dirigia de Três Rios a Rio de Janeiro para um culto. Essa obra deixa uma grande história por trás, na composição, e nos fatos que ocorreram em torno dele.

    Tiago: Janires nunca se superaria em relação ao Rebanhão, eu acreditei. E eu estava certo. Mas calma, Espelho nos Olhos consegue ser quase tão cativante quanto os primeiros discos do cantor. Mas como eu disse no Novo Dia, praticamente da mesma época, as gravações em estúdio na época me incomodam um pouco. Este álbum, por sua vez, faz o mesmo que Janires fazia no Rebanhão, uma mistura de sons. Aqui temos um explosivo solo de guitarra em “Canção das Estrelas”, um reggae em “Foi por Você”, uma poesia delicada em “Veleiro”, enfim, o disco tem uma sonoridade rica, digna de uma banda capitaneada por um músico experiente. Janires, que também foi o produtor musical, também criou uma lírica antenada à época. Em uma das canções, o músico chega a refletir a respeito dos efeitos negativos da ditadura militar, mas, a coisa mais bela é a sua faixa-título, um testemunho pessoal poético, e uma declaração que, por coincidência, teria muito a ver com a sua morte (o disco foi lançado cinco meses depois do acidente que tirou sua vida).

    [infobox title=’2º: Luz do Mundo’]Artista: Rebanhão
    Ano de lançamento: 1983
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Rebanhão - Luz do Mundo - 1983Jhonata: Quando você começa a ouvir Luz do Mundo, sente que ali não existe somente música. Deve existir algo mais, ou melhor, tem que existir algo a mais. O disco não é nada de extraordinário, ele é simplista pela época de sua gravação e etc. Mas confesso que, por meio de minha pequena experiência com rock cristão nacional, Luz do Mundo me impressionou bastante. Desde a música título até o fechamento com a balada meio samba-blues-rock da “De que adianta”, o disco passa confiança de um trabalho introspectivo e atraente para o público da época. E não é atoa que o álbum ultrapassou gerações. A versatilidade de Janires e Carlinhos Felix me chamou muito atenção quanto o Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante do Los Hermanos. As composições em nível bem digno de aplausos, principalmente as assinadas pelo Janires. Destaco as músicas “Luz do Mundo”, “Hoje sou feliz”, “Com Cristo em mim”, “Casa no céu” e “Ano 2000”.

    João: Mais uma sequência perfeita, de fato esse pódio ficou bem Janires (risos), esse disco me faz lembrar da música que mais me faz chorar sempre que escuto: “Hoje Sou Feliz”. Essa faixa é meu recordatório mestre, porque lembra a infância de muitos de nós (apesar de que ao invés de Flash Gordon, pra minha época poderia ser o Ranger Vermelho, hahah), e o disco todo em si fala da volta de Cristo, de maneira muito explícita e ao mesmo tempo criativa. Janires focou ao extremo nesta temática no álbum, usando até interjeições mineiras (UAI – que na verdade seria a sigla de “Unidos no Arrebatamento da Igreja”, dava até pra fazer um samba-enredo com esse nome hehe) e aquele fascínio pelo fim do mundo no ano 2000 que ainda ia de vir no ainda não tão próximo ano de 1983, até mesmo na regravação de “Casa no Céu”. Que falta faz falar desse tema sem medo e ao mesmo tempo de maneira reflexiva e criativa!

    Thiago: Luz do Mundo é o segundo na discografia do Rebanhão, e o segundo merecidamente nessa lista. Apesar de que a banda ocupou o primeiro lugar dessa lista com seu primeiro lançamento, e agora ocupa o segundo, os integrantes do grupo desenvolveram um ótimo trabalho durante os anos 80, lhes rendendo essa devida posição. O disco segue os passos do primeiro, com as influências progressivas, do pop rock, do art rock e o tropicalismo. Como no primeiro álbum, a melhor música do álbum, tanto conceitualmente como musicalmente, é uma música com claras referências ao tropicalismo, e especificamente a MPB, a canção “Hoje Sou Feliz”. Como “Baião” e “Casinha”, ela trabalha uma crítica social contra a hipocrisia, e nossos sentimentos de heroísmo, em virtude de nossa verdadeira identidade de vilões. A melhor composição instrumental foi a meio samba rock “De Que Adianta”, uma brilhante faixa dançante. O rock ‘n’ roll de “Casa no Céu”, o arranjo de “Ano 2000”, a bela música de “Sinal Verde” são as melhores do álbum. Os restos são boas canções também, valendo ressaltar o mineirês “UAI (Unidos no Arrebatamento da Igreja)” (ela tem uma introdução de teclado muito parecida com “Cristo em Mim”) e o forró folk rock de “Jesus Meu Refúgio”. Nesse álbum, senti uma melhora nas camadas de guitarra do que no álbum Mais Doce Que o Mel, apesar de que esse primeiro apresentar um trabalho melhor como um projeto de estreia. As introduções do teclado são novamente notáveis, identificando os traços art rock da banda. Rebanhão mantém nesse disco seu esforço de lançar uma boa música, e além de uma ótima produção fonográfica, em comparação as dificuldades da época.

    Tiago: Luz do Mundo é um dos poucos discos de toda a história do rock cristão nacional que acompanha, bem na ponta, a evolução técnica dos estúdios. A qualidade da gravação é absurdamente superior ao Mais Doce que o Mel (1981), porque foi gravado nos Estúdios Transamérica, onde gigantes da MPB gravavam seus discos. O repertório pode não ser mais chocante e surpreendente que o trabalho de estreia, mas mostra uma banda bem mais entrosada. Eu gosto muito de “Hoje sou Feliz”, de Janires, e acredito que as composições de Carlinhos Felix não são tão boas, mas possuem uma qualidade totalmente aceitável. Se você observar o projeto gráfico, verá que até mesmo o encarte do LP é muito bem acabado, com ótimas fotografias, ou seja, um disco que tenta superar o primeiro, em todos os aspectos. Luz do Mundo, enfim, é um álbum excelente.

    [infobox title=’1º: Mais Doce que o Mel’]Artista: Rebanhão
    Ano de lançamento: 1981
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Rebanhão - Mais Doce que o Mel - 1981João: O que dizer desse disco que não seja repetitivo? Possivelmente o melhor disco de rock cristão e um dos, senão o melhor disco da música cristã contemporânea de todos os tempos, com uma das combinações mais bem sacadas da história de rock progressivo, MPB e as letras mais inventivas e loucas da história, uma continuidade óbvia do K7 lançado no final dos 70. Mas o que esse disco tem de criativo, tem de polêmico, claro. Pra época, desde a capa até as “mensagens subliminares” que o disco teoricamente teria foram realmente algo que deve ter causado celeumas (risos). Em suma, é um disco simplesmente fantástico, como já disse, ele pode ser talvez o nosso The Joshua Tree (Nota do Escritor: segundo a revista CCM norte-americana, o melhor disco da música cristã contemporânea numa lista de 100 melhores). Letras como o pot-pourri “Salas de Jantar”/”Jesus Cristo pode Te dar”/”Glória pra Jesus”/”Jesus Filho do Homem”/”Glória ao Pai, ao Filho, ao Espírito Santo”, “Mel”, “Baião” e “Casinha” valem o disco inteiro, mas outras, como “Monte” (de Carlinhos Felix) também trazem um lado genial e crítico ao mesmo tempo do Rebanhão.

    Jhonata: 10 faixas bem detalhadas musical e tematicamente, o disco Mais Doce que o Mel lançado em 1981, é bem introspectivo e simplista. Considerando que 90% dos discos cristãos da década de 80 foram discos simplistas, este do Rebanhão traz uma numeração considerável de detalhes. Em “Casinha”, uma bela canção interpretada por Janires, percebemos o quão a intenção de passar boas canções cristãs sem precisar se prender a um rótulo era grande. Destaco este como um dos melhores discos de rock cristão da década de 80.

    Thiago: Ao se deparar com a produção de “Mais Doce Que o Mel”, é perceptível o avanço no rock cristão brasileiro. O melhor disco da década indubitavelmente traz canções que mesclam o rock progressivo, pop rock, a música popular brasileira e estilos tropicais, e o new age e art rock. A investida do álbum e as polêmicas que vieram em torno dele, em virtude do preconceito religioso da época, provam que essa obra veio para influenciar muitas outras produções posteriores. Apesar das polêmicas, Mais Doce Que o Mel teve um bom retorno e é considerado um dos clássicos da música underground brazuca. Faixas como “Baião”, uma bela canção com conteúdo expondo sobre o encontro com Cristo e crítica social seguindo o baião do sertão, a obra mais conhecida da banda, “Casinha”, um choro contendo uma linda mensagem sobre a verdadeira realidade humana por trás da falsa alegria da sociedade, aparecem como as melhores do disco. “Monte”, “Tudo Passa”, “Amizade “, “Tudo É Meu”, “Passageiro” e o pot-porri são outras ótimas canções. As interpretações de teclado por parte de Pedro Braconnot são mais visíveis do que as camadas de guitarra, revelando uma linha meio art rock nas composições, e vale ressaltar as participações de outros instrumentos que ficaram muito boas, como o sax tenor de “Monte”, o conjunto de instrumentos de sopro de “Tudo Passa” e a harmônica de “Tudo É Meu”. Esse álbum representa um início de um avanço contra a religiosidade, e também para a criatividade cristã, pois compositores como Janires conseguem tratar coisas do cotidiano, a vida social das pessoas dentro de uma perspectiva cristã, um assunto que era pouco trabalhado (ou nada) até então dentro do meio.

    Tiago: Primeiro lugar óbvio, e era de se esperar. O Rebanhão lançou um disco que falou muito, e por anos continuou a falar. Apesar de ser menos consistente que o seu posterior, é aqui que, especialmente Janires e Carlinhos Felix (o barbudão da capa!) mostraram a que vieram. As composições do capixaba Janires são as mais conhecidas de toda a sua carreira, como as brilhantes “Casinha”, “Baião”, “Mel” e o progressivo pot-porri. Mas o que me encanta, em muitos momentos, é a beleza e simplicidade de “Refúgio”, de Pedro Braconnot, uma canção do naipe que só um neófito poderia fazer. Paulo Marotta está ali, mostrando sua proficiência, fazendo as bases com Kandell, enquanto Zé Alberto soa deslocado e deixaria o grupo em breve.


    A lista foi compilada através de votos dos participantes.

  • Melhores discos de rock cristão nacionais: Década de 70

    O portal O Propagador estreia uma nova série aqui, chamada “Melhores Discos Cristãos”, procurando compilar os melhores álbuns na história da música cristã nacional e internacional. Para introduzir as listas, nossa equipe, juntamente com alguns leitores que, selecionados, conhecem e muito acerca do tema, preparamos várias listas individuais com discos e através de votação, compilamos uma seleção final, que você vê aqui.

    Nossa primeira lista é acerca dos discos de rock cristão nacionais da década de 70. Época cheia de propostas evangelísticas e, ao mesmo tempo, forte repressão religiosa, dava indícios à explosão que ocorreria nos anos 80. Com isso, escolhemos cinco álbuns que devem ser de audição obrigatória para quem deseja conhecer esta fase. Confira:

    [infobox title=’5º: Quem deseja ser criança?’]Artista: Comunidade S8
    Ano de lançamento: 1979
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Comunidade S8 - Quem Deseja ser Criança - 1979João: Como o ressoar de um clarim celestial chamando a todos para se voltar à velha infância de uma fé simples, a faixa-título e várias outras desse álbum como “Quando as Flores Não Mais Existirem” e “Quando Vejo os Céus!” fazem qualquer um voltarem aos tempos do “Primeiro Amor”. As letras desse segundo disco da S8 me remetem aos trabalhos d’Os Meninos de Deus, com aquele ideal hippie de ‘voltar ao jardim’, ‘retorno ao paraíso’, ‘jardins floridos’ e etc, só que aqui esse ideal é remetido aos céus, com passagens bíblicas muito bem repassadas e poesias geniais, mostra que toda a sociedade sem Deus pode procurar em várias formas de escape, mas é totalmente inútil, pois continuam sendo ‘escravos do erro’; e que a vida é passageira e um dia as flores não mais existirão e o tempo parará de contar, dando lugar à certeza da companhia eterna no verdadeiro paraíso, ao lado do Pai. A sonoridade é muito na linha de bandas como Yes, Genesis e Os Mutantes, sendo portanto uma das bandas mais contemporâneas na sonoridade dos anos 70 a lançar material, e esse disco é muito superior ao antecessor ‘O Rio das Águas que Saram’, e o mais legal é que a S8 nos dois álbuns seguintes, já nos anos 80, até onde ouvi, fizeram trabalhos ainda mais esplêndidos e com uma poesia singela sobre a sociedade de sua época, e o mais impressionante, ‘Quem Deseja Ser Criança’ ainda parece uma canção feita ontem, basta olharmos pros lados e vemos que ‘os dias reclamam por transformação e os fatos imploram reformulação’ até hoje.

    Phil: Um trabalho com cara bem brasileira! Não que os outros não tivessem, mas pude notar mais elementos de música brasileira nas canções. Na instrumentação, nos ritmos, mas nem tanto na forma de cantar; por outro lado temos um vocal feminino bem ajustado e bem presente. É um álbum feliz, daqueles que pra sorrir e cantar junto. Achei mais jovem que o trabalho do Jovens da Verdade (trocadilho não intencional, rs), no senso comum de dizer que isso ou aquilo “é pra jovem”. Acho que vocês entenderam, né? Para este álbum, destaque nas canções “Quem deseja ser criança?”, “Ó Senhor, livra a minha alma” e “O rio vivo”.

    Thiago: A Comunidade S8 surgiu do objetivo de ajudar dependentes químicos. O grupo não girava só em torno da música, mas em volta de vários projetos de cunho social. Havia colocado outro álbum da banda na lista final, o qual o mesmo não havia tido um grande interesse. Com músicas em rock progressivo, o que vale ressaltar no projeto é o que fizeram com suas canções, que era contra a religiosidade da época. Poderia ter merecido o máximo a posição de quinto lugar. A faixa “Ó Senhor, Livra a Minha Alma!” lembrou-me a canção “Babe I’m Gonna Leave You” do Led Zeppelin.

    Tiago: Embora temos um enxurrado de bandas que mantinham os pés na Jovem Guarda, a Comunidade S8 produziu um disco basicamente de rock progressivo, com os aspectos que esperamos de um disco deste gênero. Já no final da década, me parece que é mais tranquilo falar de temas que aos poucos deixariam de ser tabus na música cristã com bastante seriedade, mas sem deixar de soarem juvenis.

    [infobox title=’4º: Bonança’]Artista: Os Cantores de Cristo
    Ano de lançamento: 1975
    Número de faixas: 12[/infobox]

    Bonança - Os Cantores de CristoJoão: Muitos grupos na época investiram em Jovem Guarda, como os Embaixadores de Sião, Cades-Barneia, Triumpho, Os Atuantes, Os Ligados, mas Os Cantores de Cristo foram além, porque fizeram isso colocando pitadas do rock psicodélico e do progressivo (os Embaixadores de Sião fariam isso no seu segundo disco, já nos anos 80, mas aí é outra história). Desde Olhando o Infinito Os CDC já vinham surpreendendo, mas em Bonança eles investiram numa produção mais limpa e letras bem mais coloquiais do que no seu antecessor, como o verso da faixa-título: “Jatos de luz vêm colorir, dando beleza, nos fazendo sorrir”, e você ter na sua mente que esses jatos são emitidos pelo Sol da Justiça abrindo os céus em bonança é algo muito belo de se imaginar. Infelizmente foi o último disco deles com uma sonoridade mais juvenil, e logo eles se poriam a fazer canções mais suaves, mas sem perder o enfoque evangelístico.

    Phil: Letras muito boas, sendo aqui não tão loucas quanto Rebanhão ou mesmo Jovens da Verdade, mas um pouco mais diretas. Arranjos mais uma vez bem ajustados para quem curte um baile de jovem guarda, mas bem animadinho em algumas faixas, e com guitarra mais presente no som. Ah, não tem como não agradecer aos céus pelo solinho na introdução de “O Caminho”, afinal é um sonzinho distorcido, finalmente! Haha. (E não duvido que alguns dos outros analisadores leram a faixa dois como “O mundo está por um Phil”. Estou de olho nessa zoeira, hein, colegas!) Aqui destaco a curtinha “Achei”, “O Caminho” e “Eli”.

    Thiago: Havia listado dois álbuns do Os Cantores de Cristo na minha seleção dos melhores. Coloquei esse álbum como o primeiro lugar na minha classificação. Tiveram muita repercussão na época, com o som predominantemente rock progressivo, e uma qualidade musical que se assemelhava com bandas de grande porte. A qualidade musical do álbum é um avanço para época, e as guitarras foram o seu melhor aspecto. No resto, repetiram as ideias musicais da época, como o órgão, e as interpretações vocais em conjunto. “Bonança”, “Eli”, “O Mundo Está por um Fio” são as melhores músicas. O impacto do grupo foi bem grande, influenciando bandas e cantores como Novo Som, e no Janires e Amigos, do Rebanhão, a banda é citada, mostrando a importância do Os Cantores de Cristo.

    Tiago: Confesso que a música dos Cantores de Cristo não despertou minha atenção, mas é inegável que o trabalho deles estava acima da maioria de seus contemporâneos. É o segundo trabalho, mais ousado que Olhando o Infinito, seu antecessor, e talvez o último lançamento que valha a pena ser mencionado.

    [infobox title=’3º: Viagem’]Artista: Jovens da Verdade
    Ano de lançamento: 1973
    Número de faixas: 12[/infobox]

    Viagens - Jovens da VerdadeJoão: Um dos primeiros álbuns revolucionários da história da música cristã brasileira, tem uma pegada bem tropicalista, com letras bem na linha Movimento de Jesus, mesmo que possivelmente o pessoal do projeto JV nem conhecesse o que tava rolando nos EUA nessa época, pra mim é um disco que mexe ainda pra caramba com minha mente, em especial a faixa-título, que usa de um vocabulário extremamente cabuloso pra época, como a palavra ‘transas’, que devia horrorizar muito crente da época (e acho que até hoje, rsrs), letras que falam muito sobre a juventude como “Desligado”, “Um Jovem Triste”, “Jovens Vamos Lutar”, “Pra Viver Sorrindo”, e claro, a faixa-título, que vai bem no meio do assunto que de certo modo foi abordado de maneira mais direta e pesada no disco anterior, Drogas Matam. A capa também é um primor, a sacada do avião foi muito bem feita na minha opinião. Quando ouvi pela primeira vez esse disco, fiquei sem palavras, tentando me colocar, como historiador, na década de 70 e dizer ‘meu, esses caras eram doidos!’ (risos). Muito relevante e impossível não ser citado por alguém que pesquise sobre essa década.

    Phil: “Jesus, amigão, quero fazer uma viagem com você”. Assim canta a primeira faixa do “Viagens”. É um LP bem classudo, com vocais bem trabalhados (como tudo na época, pois, se estou certo, as canções cristãs tinham mais um formato de “coral”, não necessariamente com 20 integrantes, mas raramente havia muito solo vocal). Se existisse uma espécie de “baile de jovem guarda” gospel na época (mamãe me contou que o baile se chamava “assustado”, porque era de uma hora pra outra, no susto, que se ficava sabendo dele), muito provavelmente teríamos o Jovens da Verdade tocando lá, até porque o Viagens é o terceiro registro deles (até onde sei), então eles já teriam bastante material pra palco, não acham? Em destaque, “Viagens” e “Não mais eu”. O curioso foi que comecei a ouvi-los num dia chuvoso, e caiu perfeito, a atmosfera tranquila do álbum com a reflexão que sentar à janela e olhar a chuva traz. É simples e belo assim.

    Thiago: Os Jovens da Verdade não haviam entrado na minha lista pessoal. Um disco de qualidade baixa, não me chamou a atenção. O grupo é muito ligado a missões e obras como a Comunidade S8, e tem participação ativa na sociedade. Musicalmente, o álbum de modo pessoal, merecia o quinto ou quarto lugar nessa lista, mas ainda assim seu som era um tanto polêmico pelas regras religiosas da época.

    Tiago: A capa do álbum é, de fato, antológica. Um disco bem mais maduro que seu anterior, Drogas Matam, Viagem apresenta um JV calcado na Jovem Guarda, porém um pouco mais ousado. É claro, as composições aqui e acolá são até ousadas, mas nada que se compare a alguns músicos dos anos seguintes.

    [infobox title=’2º: Rebanhão’]Artista: Janires
    Ano de lançamento: 1979
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Rebanhão - Janires - Fita Cassete - 1979João: A demo que mais intriga tanta gente até hoje. As letras contidas nessa demo até hoje não vi iguais, Janires era muito inteligente, conseguiu colocar influências da psicodelia, tropicalismo, rock progressivo, até um samba, tudo num cadinho só que me remete aos clássicos trabalhos de Raul Seixas dos anos 70, principalmente o obscuro e estranho Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10. As letras, obviamente, são fora de tudo que já se viu. Cada letra merecia um review próprio, acho que mereciam é um livro (risos), “Castelo de Areia” como uma nova versão e genial da parábola dos homens que constroem suas casas na rocha ou na areia, “Aleluia” começa naquela pegada de músicas da Tropicália, mas depois fica piano, quase um canto congregacional, “General” é uma balada que fala da volta de Cristo, muito tocante, “Disco Voador (Bebê de Proveta)” é a primeira a mandar uma letra completamente pirada pra época, com menções à comerciais de cremes dentais, viagens espaciais, OVNIs (muito em moda na época a crença nisso, vide “Ouro de Tolo” de Raul Seixas) e a revolução da inseminação artificial e do bebê de proveta, ‘Taças de Cristais” eu gostei mais da versão dos anos 80, mas enfim, é uma letra muito boa, “Discoteca”… ah, se Janires soubesse que a turma dos anos 2000 ia fazer essa tal de discoteca gospel (risos), mas é uma ótima letra e que chegou a ser usados alguns dos seus versos pela banda Louvor Art e Cia na música “Milagres” do seu único álbum Criação de 1994, “Eu Tenho uma Casa no Céu” é uma das minhas prediletas, até de seriados e filmes da época ele fala, como Flash Gordon e King Kong, “Ponte” é uma polêmica e inacreditavelmente atual crítica aos usos e costumes de muitas igrejas, somado à falta de amor às pessoas e amor capitalista às coisas, “Cara a Cara” deve ter chocado na época igual se hoje em dia decidíssemos falar de programas da ‘satânica’ Rede Globo em uma música, e “Arco-Íris” fecha com uma beleza indescritível esse K7, com a temática predileta do Janires: A volta do Senhor. Pra mim essa fita merecia é ser colocada acima até do primeiro lugar, pq é incomparável demais.

    Phil: Cheio de atitude, como um bom rock deve ter! Como não ficar encantado? Caraca! Tanta criatividade e loucura, vivacidade e cultura. E olha que era apenas uma demo mas mesmo assim merece demais entrar na lista. Confesso que só tinha ouvido poucas canções, soltas, do Rebanhão antes dessa empreitada auditiva e agora que dei atenção a um álbum inteiro eu captei uma boa parte do que a galera vive dizendo sobre a banda. Impressiona a atualidade, pois certas afirmações cabem muito bem nas situações de hoje, 30 e tantos anos depois! Como diria Paulo Bonfá, é totalmente excelente. Fico imaginando a polaridade na época, uns dizendo “que loucura é essa? por Deus, não dá pra mim, tô fora disso!” e outros exclamando “que loucura é essa? por Deus, que maravilha, era isso o que eu tava procurando!”. Quebrando paradigmas, encantando meus ouvidos! Destaco aqui as boas zoeiras de “Eu Tenho uma Casa no Céu” e “Disco Voador (Bebê de Proveta)”.

    Thiago: Janires é um distinto compositor e notoriamente conhecido por ter fundado a banda Rebanhão. Apesar de ter colocado em quinto lugar na minha lista pessoal, esse álbum tem um dos melhores arranjos da época. O que o disco perde demais é na questão técnica, com uma gravação claramente amadora, cheia de falhas, o que poderia ser normal para época. Mas apesar dos defeitos, o cassete em comparação ao rock cristão setentista apresenta uma das melhores sonoridades, e os arranjos de teclados foram os melhores até aqui. “Disco Voador (Bebê de Proveta)” e “Eu Tenho uma Casa no Céu” com suas influências de blues, “Cara a Cara” com seu solo de guitarra distorcida (o que poderia ser quase um absurdo), “Ponte” com sua bela letra de crítica a ingratidão e religiosidade dos cristãos, são as melhores músicas do registro.

    Tiago: As vezes soa estranho uma fita demo, de produção amadora tomando o lugar de vinis. Mas é isso mesmo. O trabalho de Janires estava muito acima do que seus contemporâneos poderiam alcançar (e até hoje muitos ainda não conseguem entender a genialidade deste capixaba). Este trabalho, gravado em São Paulo e que, mais tarde tornaria-se a banda que o cantor fundaria no Rio de Janeiro é talvez o primeiro registro de um rock cristão que consegue fugir das rimas previsíveis “Jesus-luz-Jesus-conduz” e apresenta um repertório contextualizado com sua época. Com faixas que são um verdadeiro tapa na cara dos cristãos, como “Ponte”, e faixas dançantes como “Aleluia”, o que não falta no disco é espontaneidade.

    [infobox title=’1º: O que a Lua não pôde, não pode e não poderá’]Artista: Wolô
    Ano de lançamento: 1975
    Número de faixas: 12[/infobox]

    O que a Lua não pôde, não pode, nem poderá - WolôJoão: Tecnicamente nem é um disco de rock, tendo uma ou outra música realmente nessa pegada, como “Cara” e “Amor Amor de Cristo”, mas é um disco muito bom, de uma produção soberba, rara de se ouvir de lançamentos dessa época, especialmente nos meios cristãos, e com uma das capas mais legais, e Wolô é um poeta, né, véi, conseguiu imprimir muitas das pirações da era hippie (o misticismo de venerar a natureza, a lua e o sol, etc), as gírias (“Cara”), e as viagens filosóficas e parciais sobre Jesus da época (“Duas Fáceis e Duas Difíceis”) numa visão cristocêntrica e com uma linha que lembra Ronnie Von, que conseguiu misturar a Jovem Guarda com a psicodélica da época, muito criativo, sem sombras de dúvidas. Por isso merece o primeiro lugar, por ser um corajoso precursor.

    Phil: De toda a lista que obtivemos para audição, eu corri logo para esse. Fui pego pelo nome do cara. “Wolô? Que maluco é esse, em plenos anos 70?” Uma rápida busca na internet e entendi: trata-se de Wolodymir Boruszewski, ucraniano que é enraizado em terra brasileira desde que Renato Russo era um bebê (e talvez até antes disso). Bem, à medida que eu ia escutando outros álbuns, a liderança do belo “O que a lua não pôde, não pode e não poderá” foi muito ameaçada, mas não saiu do topo. Curti demais! Me cativou, me prendeu a atenção. Quando se fala de rock pensa-se em jovialidade, energia, animação, mas esquece-se que há vertentes e originalidades e particularidades, e o Wolô não fez um álbum loucão. Fez um álbum consistente! Destaco as faixas “Cara” e “Pai Nosso”, esta última provavelmente você já ouviu por aí.

    Thiago: Ao contrário da dificuldade de gravações de muitos na época, a falta de tecnologia, as vozes extenuantes e bregas da maioria das bandas e cantores brasileiros da década de 70, Wolô consegue se superar na maior parte desses quesitos. Wolodymir Boruszbwski, conhecido como Wolô, é descendente de sérvios, cientista (geólogo), mestre em Meteorologia pelo INPE, doutor em Engenharia Aeronáutica na área de Estruturas e Mecânica dos Sólidos, pelo ITA. Com um extenso currículo na área cientista, suas músicas mostram o outro lado do compositor. O vinil O que Lua não pôde, não pode, nem Poderá possui letras com um jogo de palavras poéticas, que brincam com as palavras, e canções de rock bem características da época, principalmente o progressivo. O que poderia ser classificado como um escândalo na época, o uso de guitarras, bateria para acompanhar o órgão que era costume nas canções evangélicas da época, a parte lírica vence nesse álbum. Canções como “Cara”, “O Olhar Sorrir” pela influência da bossa nova, se destacam como as melhores canções do conjunto.

    Tiago: Já deu para notar que a maioria das bandas e cantores desta época ainda eram fortemente influenciados pela música da Jovem Guarda. Mas Wolô foi mais longe. Mesclando vários gêneros musicais, como o samba, o disco é ousado também nas composições. Com um título instigante e uma capa conceitual (o que é raro para a época), o disco de Wolô era uma escolha óbvia para os primeiros lugares desta lista.


    A lista foi compilada através de votos dos participantes, além de Jhonata Fernandes e Maycom Franklin, que não puderam comentar desta vez. Para saber, com maiores detalhes o processo de escolha dos álbuns, acesse esta página.