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  • Thalles lança single e divulga capa do novo CD ‘Ide’

    Na última quarta-feira, 03, Thalles Roberto lançou sua nova música de trabalho,“Espírito Santo”, em todas as rádios do país. A canção faz parte do projeto “IDE”, que será lançado em breve pela Universal Music Christian Group.

    De autoria do cantor, a música reflete o atual momento da sua vida. Segundo Thalles,  a escolha da canção é uma forma de mostrar o amor e a dependência pelo “Espírito Santo”:

    “Essa música foi escrita quando eu entendi que não conseguimos viver a nossa plenitude se nós mesmos formos os condutores do barco! Nós não somos os criadores e nem temos um ‘manual’. O ‘Fabricante’ sabe exatamente do que somos formados, conhece os nossos limites e sabe exatamente o que é melhor pra nós. É uma música de em que peço perdão ao Espírito Santo por ter desvalorizado a Sua vontade. O mundo inteiro vai entender através dessa música que se entregarmos a direção da nossa vida a Ele, todo o restante vai se encontrar Nele. Quero ensinar as pessoas a depender e confiar Nele”, finalizou.

    Na tarde desta segunda-feira (08), a página oficial da gravadora no Facebook divulgou um vídeo exclusivo, que mostra o próprio Thalles contando detalhes sobre o conceito da capa do novo álbum. Confira:

    O CD IDE estará disponível nas lojas de todo o país em breve.

  • Um Brinde – Deus, eu e uma música

    Um Brinde – Deus, eu e uma música

    Antes de conhecer, de fato, o amor de Cristo sobre mim, achava que a redenção fosse apenas mais um ato dos tempos históricos e que nada tinha a ver com nossa realidade. Mas ao crescer e mudar de mente (metanoia), fui atraído por esse amor provado na cruz e não sei mais viver sem o amor do Pai. Amor que cura, muda, transforma e nos dá vida.

    Quando resolvi mudar de estilo – musicalmente falando -, trocando o gospel por música sem rótulo, desconhecia completamente o crossover, e na época não tinha acesso a internet e fui um pouco criticado por esse mudança. Porém, Deus mais uma vez provou seu amor grandioso a mim: me inspirou a escrever minha realidade e criar pequenas histórias que podem ser compartilhadas com quem ouve. Quero apresentar uma de minhas canções que tive o prazer de compor e compartilhar com minha antiga banda, Distrito92. “Vila dos Erros” é uma música que remete um acordo de alguém que conheceu uma nova forma pra se viver uma boa vida, mas essa forma é detalhada de erros, não é perfeito como nos contos de fadas, mas nada nessa “vila” é proposital e esse não é o nosso mundo essencial. Assistam e abração!

  • Análise: CD O Agora e o Eterno – Rosa de Saron

    Análise: CD O Agora e o Eterno – Rosa de Saron

    Fechando a lista dos álbuns que mais me tocaram (espiritualmente falando), falo um pouco do O Agora e o Eterno, décimo primeiro álbum do Rosa de Saron. Particularmente tenho como o melhor trabalho da banda em sua discografia. Considero também a qualidade simplista de Depois do Inverno, de 2002. Essa é mais uma boa obra de divulgação da Som Livre.

    O Agora e o Eterno mostra claramente o amadurecimento da banda em suas composições. Mas assim como nem toda laranja é doce, o disco tem lá seus defeitos e um deles é o exagero de músicas: 17 no total. Talvez seja até convincente, porém muitas boas canções deste trabalho ficaram esquecidas no DVD de 25 anos (Latitude, Longitude). O título do álbum é autoexplicativo, aborda temas temporais e atemporais. Fazendo um detalhado setplay das canções, você percebe músicas como “Autor Desconhecido“, “Casino Boulevard“, “Rubra Alma” e “Vendetta! Vendetta!” detalhando temas atuais tal como descaso político, aborto e vingança. 

    A obra em si foi muito bem desenvolvida. As composições do Rogério Feltrin continuam seguindo a linha adoração de canções já conhecidas no repertório da banda como “Real em Mim”. Neste trabalho, ele assinou “Rubra Alma” juntamente com o guitarrista Eduardo Faro (que além de um talentoso músico é um excelente letrista) numa composição que fala poeticamente do aborto. E “Quadro Novo” como uma canção que remete a beleza e calmaria do templo. Citando o Edu, ele assinou mais três canções além da parceria com o Rogério, que são “Acenda a Luz“, “As Horas” e “Distante do que sou“. Não consigo afirmar, mas parece que essa fase foi um momento muito difícil na vida do guitarrista, e por isso suas canções neste disco fala muito de esperança, dor e solidão. O principal compositor e o que assina a maioria das composições, é o vocalista Guilherme de Sá que compôs sozinho, 9 das 17 faixas, sendo “Vendetta! Vendetta!” desenvolvida em parceria com Ricardo Domingues, que desde 2009 vem trabalhando nos discos das banda. O mesmo ainda participou como músico convidado agregando uma segunda guitarra.

    Ninguém Mais“, “Metade de Mim” e “Última Lágrima” são canções que mais expressam a adoração à Deus. A faixa “Versos” é uma oração mariana, e que substituiu o jargão de “Linda Menina” popularizada no acústico que tem seu refrão explicitamente cantado “Ave Maria!”. “O meio e o fim” e “Jamais será tarde demais” são músicas bem dançantes considerando o lado pop do grupo. E de tanto se falar que as canções da banda eram românticas, o disco trouxe o que há de mais apreciador numa banda de rock: uma balada romântica com a música “Máquina do Tempo” a qual a mesma rendeu um belo clipe. “Vinte e Seis” é uma das minhas favoritas. Remete toda uma vida que buscou tanto algo mas agora encontra-se sozinho e sedenta de Deus.

    O baterista Grevão mais uma vez cuidou bem da parte de produção, junto com o Guilherme e o Ricardo. Enfim, O Agora e o Eterno é um maravilhoso disco de rock, deixando uma marca pra lá de positiva no cenário em 2012. “Casino Boulevard” foi o single do disco, mas pra espanto de quem vê a banda como mais uma outra do mundo religioso, e tal não substituiu a força que “Sem você” e “Menos de um segundo” tem. Um disco com bons arranjos, boas reflexões, riffs de guitarra muito bem encaixados, bateria com o peso linear ao contra-baixo, e como disse no início: considero o melhor álbum de estúdio da banda até hoje.

  • Conectados no Amor – Sábio, uma pessoa triste

    ECLESIASTES 07:

    2 Melhor é ir à casa onde há luto do que ir a casa onde há banquete; porque naquela se vê o fim de todos os homens, e os vivos o aplicam ao seu coração.
    3 Melhor é a mágoa do que o riso, porque a tristeza do rosto torna melhor o coração.
    4 O coração dos sábios está na casa do luto, mas o coração dos tolos na casa da alegria.
    5 Melhor é ouvir a repreensão do sábio do que ouvir alguém a canção dos tolos.
    6 Pois qual o crepitar dos espinhos debaixo da panela, tal é o riso do tolo; também isso é vaidade.

    Os caminhos são realmente difíceis para quem quer um caminho de sabedoria. E a sabedoria, verdadeira, completa e não ideias supérfluas provem do Senhor e de uma caminhada com Ele.

    Felicidade engloba coisas boas. Mas a felicidade pode ser algo meio fútil no seu contexto. O sábio Salomão dizia isso que o tolo vive na alegria, mas o sábio na tristeza. Os sorrisos trazem algo de aparência e só na superfície e reflete a exterioridade, o que está por fora. Quando a tristeza vem, é como se a exterioridade caísse, o véu se quebrasse e pudéssemos nos deparar com o que vem depois do exterior. É o que se percebe em Eclesiastes.

    A tristeza vem para nos colocar no horizonte divino, para fazer nossos olhos se encontrarem com o interior. E toda sabedoria que Deus quer nos passar é adquirida através de experiências e lições e não com ideias rápidas ou frases que devem ser aceitas por si mesmas.

    Jó 42:5 – Com os ouvidos eu ouvira falar de ti; mas agora te veem os meus olhos.

    Depois que Jó percebeu o que havia atrás de toda sua alegria, quando lhe foi tirado o véu, ele havia visto realmente a glória de Deus.

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=CRKg-XdixTI]

  • Anderson Freire – discografia e obra

    Nascido em Cachoeiro de Itapemirim em 22 de junho de 1981, o cantor e compositor Anderson Freire tornou-se um grande fenômeno da música cristã nacional, tanto como compositor quanto como intérprete. O cantor começou sua carreira como vocalista na Banda Giom ao lado de seus irmãos Adelso, Adilson e Dirceu Freire. Pela MK a banda lançou dois discos com a participação de Anderson Freire. “Futuro” em 2008 e “Coroa de Justiça” em 2010, ano em que o cantor deixou o grupo para investir na carreira solo.

    É inegável o talento de Anderson Freire como compositor. Suas canções foram gravadas por grandes nomes da música gospel, tais como Cassiane, Aline Barros, Bruna Karla entre tantos outros, sendo logo alçado a melhor compositor do segmento e não é à toa. Diversos singles e sucessos que tocam nas rádios são de sua autoria a exemplo de Sou Humano e Advogado Fiel que lançaram Bruna Karla definitivamente como uma das maiores cantoras gospel da atualidade.

    Porém não é apenas como compositor que Anderson Freire vem obtendo destaque. O impressionante talento de Anderson Freire também é notável como cantor. Seus discos solos lançados pela MK Músic se tornaram sucessos imediatos de vendas.

    Discografia

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    [tab title=”CD Identidade”]

    Em 2010 o cantor gospel Anderson Freire aceitou o convite da diretora da MK Music Yvelise de Oliveira para lançar carreira solo. O cantor que até então era fazia vocal e guitarra junto com os irmãos na banda Giom, aceitou o desafio e brindou o público com o belíssimo disco “Identidade”. Totalmente autoral (com algumas parcerias), o CD trouxe treze faixas e contou com a participação especial da cantora Bruna Karla na faixa-título e da Banda Giom em “Primeira essência”.

    Praticamente todas as canções se tornaram sucessos tanto nas rádios quanto na internet. Não bastasse isso, o cantor alcançou um feito raramente alcançado por cantores já consagrados atualmente recebendo certificação de Disco de Ouro e de Platina por mais de 80 mil cópias vendidas.

    Letras

    1. Identidade
    2. Coração Valente
    3. Capacita-me
    4. Canção do céu
    5. Primeira essência
    6. Colisão
    7. Meu carpinteiro
    8. Imperfeito
    9. Remédio Sobrenatural
    10. A senha
    11. Imensidão
    12. Coração de Jó
    13. Adorador

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    [tab title=”CD Raridade”]

    Em 2013 Anderson Freire lançou seu segundo CD solo intitulado “Raridade”. Este disco o consagrou como melhor cantor do ano eleito na terceira edição do Troféu Promessas. Com produção do próprio cantor juntamente com seu irmão Adelso Freire e Dedy Coutinho, o CD vem com doze faixas autorais e com algumas parcerias como Dedé de Jesus e Pr. Claudio Duarte.

    Raridade contou com participações especiais das cantoras Ariely Bonatti na faixa “Um novo endereço” e Arianne na canção “Aliança do Sangue”. O projeto ainda trouxe uma novidade para quem adquirisse o CD: o download da faixa-bônus “O retorno do Rei”.

    Ainda no ano de lançamento Anderson Freire conquistou Disco de Ouro e de Platina e no início de 2014 alcançou Disco de Platina Duplo superando as 160 mil cópias vendidas. Raridade ainda foi indicado ao Grammy Latino como Melhor Álbum de Música Cristã em Língua Portuguesa.

    Letras

    1. A igreja vem
    2. Raridade
    3. Um novo endereço
    4. Acalma o meu coração
    5. Efésios 6
    6. Deus e seus milagres
    7. Aliança de Sangue
    8. Atitude de Cristão
    9. Ele chegou
    10. Meu hospital
    11. Uma história contigo
    12. Força e sabedoria
    Faixa-bônus: O retorno do Rei

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    [tab title=”CD Anderson e Amigos”]

    Em 2014 Anderson Freire lançou a coletânea “Anderson e amigos” com 10 canções escolhidas a dedo. São 11 faixas e 10 artistas participando no disco. Algumas canções ganharam novos arranjos, outras mantiveram a gravação original, tais como Identidade que Anderson canta com Bruna Karla.

    Das 11 faixas, apenas “Promessa” não é de autoria do cantor. Composição de Marco Aurélio, a canção foi incluída a pedido de Yvelise de Oliveira que teve um episódio de sua vida marcado por este clássico da música cristã. Anderson Freire divide o vocal da canção com Wilian Nascimento.

    Além de Wilian o disco conta com as participações de Bruna Karla (duas músicas), Fernanda Brum, Aline Barros, Marina de Oliveira, Ariely Bonatti, Gisele Nascimento, Arianne, Léa Mendonça e a Banda Giom.

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    [tab title=”DVD Essência”]

    No dia 31 de julho Anderson Freire gravou o seu primeiro DVD da carreira em São Gonçalo, Rio de Janeiro. Intitulado “Essência”, o projeto contou com as participações especiais das cantoras Bruna Karla, Fernanda Brum e Gisele Nascimento.

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    Fontes: Site oficial Anderson Freire/ ABPD/ Gospel Músikas

  • Rocklogia – Complexo J

    Quando o assunto é rock cristão nos anos 80, as pessoas geralmente só lembram de Rebanhão, Sinal de Alerta, Banda Azul (só porque foi fundada por Janires) e os grupos que seriam os principais nomes durante os anos 90. Esquecem-se de um ótimo grupo, no qual traz um som e proposta musical muito interessante, chamado Complexo J.

    O Complexo J é uma banda carioca, que traz uma sonoridade marcada pela predominância de duas vertentes do rock: o hard rock e o rock progressivo. Seu primeiro álbum foi Solidão, lançado em 1988, mas a banda foi fundada em 1986. Este primeiro trabalho traz algumas características que seriam marcas registradas do grupo, como o lado crítico encontrado em “Brasil”. O interessante é que, até hoje eu não conheço nenhuma banda no mainstream do rock cristão nacional que tenha uma mulher nos vocais, e creio que o Complexo J foi a primeira, e até hoje a única. Em 1990, saiu o Arte Final, e a formação era: Marco Salomão (guitarra e vocal), Murilo Kardia (vocal e arcordeon), Liza Cardoso (vocal), Helio Zagaglia (guitarra), José Carlos Salgado (baixo) e Martinho Luthero (bateria).

    O clássico da banda foi o álbum 3, lançado pela MK Music em 1992. Em todos os aspectos, é o seu melhor projeto. Desde a criativa capa ao repertório de boas músicas como “Sábado quente”, “Abra seus olhos”, “Mais que um Sonho” e “Choro da Natureza”. Nessa época, o Complexo J esteve no programa do Jô e a entrevista da banda pode ser encontrada no YouTube. Em minha opinião particular, o Complexo J, semelhantemente a outros grupos da década de 90 se destacava pela análise crítica do mundo em suas letras, mas em seu caso de uma forma bem mais particular e sutil. “Sábado Quente” é a música que melhor representa o álbum, e eu colocaria facilmente num TOP de melhores músicas do Brock cristão anos 90.

    Após o sucesso de 3, estranhamente, em 1994 lançam Riqueza de Sons, que abre mão parcialmente do rock característico e mergulha em outras sonoridades, como a tropicália e o pop. É difícil dizer que este álbum seja predominantemente de rock, mas como nos anteriores temos muitas boas músicas. “Ieoah (moça bela)” tem uma letra interessante. “Você não precisa de um milagre / para viver com Deus / Você não precisa de um sinal / pra acreditar em Deus”, muito simples hoje, mas para 20 anos atrás? E há de se considerar toda a articulação nas estrofes para este refrão, não sendo algo maçante ou arrogante, mas mesclando muito humor ao citar jovens, velhos e moças belas.

    O Complexo J trocou a MK pela Gospel Records e em 1995 lançou V, cinco no algarismo romano. Seguindo a linha pop do trabalho anterior, o álbum contém canções como “Doce Presença”. Este projeto possui a participação do músico Marcos Kinder.

    A partir dos anos 2000, a banda passou a estar um pouco sumida. Títulos antigos foram relançados, algumas canções regravadas, mas nada que trouxesse a força dos anos de ouro. Porém, o grupo deu grandes contribuições à cena cristã.

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=_tw8NJvLE0U]

  • Limão com Mel – Quem ouve “música do mundo” vai pro inferno

    Como a maioria daqueles que cresceram numa igreja pentecostal, cheia de rigores e costumes próprios, certamente já devem ser ouvido a frase do título. Sempre me questionei sobre essa expressão “do mundo” afinal, a música evangélica também não é do mundo? Fato é que me acostumei com a ideia de que era errado ouvir e cantar as tais “músicas do mundo”, que não “edificam” o espírito, que não são inspiradas por Deus…

    Até descobrir que posso pensar por mim mesmo, sem assumir uma ideia pronta e acabada. Afinal, quem disse que é pecado? Quem disse que vou para o inferno? E por que ver televisão “do mundo”, ver filmes “do mundo”, ou consumir qualquer outro produto “do mundo” não me leva para o inferno como ficou condicionado quando o assunto é música?

    O mundo evangélico está cheio de verdades absolutas e cada dia se cria mais. E o público cristão se condicionou a não se questionar, a aceitar, como sinal de obediência (ou preguiça). Acontece que cada um cria e molda verdades para seu próprio interesse. Vendem-se essas verdades e as compra quem quer. Em relação à música secular também é assim. Disseram que não podemos ouvir e acreditamos, mas por que não pode?

    Acredito que nenhum tipo de extremismo seja saudável. Não posso simplesmente rotular toda a música secular como ruim apenas por não ter o “selo gospel de santidade”. É preciso bom senso pra que possamos filtrar o que é relevante do que não é. Assim como é no “gospel” a música secular é recheada de sucessos de duas sílabas, aquelas músicas que viram memes e na mesma velocidade em que aparecem, somem sem deixar rastros. Mas há muita música de qualidade sim! Que não podem ser ignoradas ou serem jogadas na lata do profano sem terem tido a chance se serem ouvidas e minuciosamente digeridas.

    Quantos cantores evangélicos tem se proposto a falar dos problemas sociais que afetam a nossa população? Quantos tem usado a sua arte para se opor à corrupção, à ganância, e o descaso com o menos favorecidos? Poucos. Muito poucos. A grande maioria segue a linha “glória glória e aleluia” como se vivêssemos num mar de rosas e que não precisamos nos preocupar, “tudo é permissão de Deus” inclusive a pobreza da população e o enriquecimento da maioria de nossas estrelas.

    Que fique claro que não sou contra as canções que glorificam e engrandecem ao Senhor, afinal, essa é sim uma das funções da música, da arte em si, mas não o único.

    Se você fez a escolha de apenas ouvir música gospel, ótimo. Cada um é livre para escolher aquilo que quer ouvir, agora permita que o outro escolha também, sem julgá-lo por isso. Creio que há tempo para tudo em cima da terra. E isso inclui o momento de ser “edificado”. Não dá pra ficar buscando ser edificado com toda música que ouve. Tanta música que possui o “selo gospel de santidade”, mas não tem nada que edifica além de frases feitas pra vender…

    Não tenho essa síndrome da “edificação” ininterrupta. É preciso compreender que nem todas as canções possuem esse propósito, mas nem por isso podem ser jogadas no lixo, descartadas como sendo ruins ou abomináveis. Existem aquelas que são apenas para viajar na melodia, para curtir o momento, ou para dar um choque de realidade em muita gente que anda dormindo!

    Pensando nisso, deixo duas músicas seculares que já adianto que muito provavelmente não edificará o seu espírito, e você nem é obrigado a ouvir, mas tenho certeza que “edificará” o seu senso crítico (se você tiver).

  • Um Brinde – 00h49

    Um Brinde – 00h49

    Existem coisas que visivelmente parecem transitórias, já outras dão a impressão de que serão eternas. Para os mais vividos que se relacionaram com pessoas super legais e, juraram que aquela seria pra sempre, sabem do que estou falando. Jesus sabia muito bem quando alguém precisava dele, e até hoje sabe. Ele também sabe o que é eterno e o que é transitório. Por esse e inúmeros motivos, não se preocupa em nos dar o que pedimos. Já percebeu que nos preocupamos muito com coisas passageiras? Uma roupa pra vestir, um carro pra andar, uma viagem pra fazer, e entre outras coisas que dão a ilusão de que serão duradouras. Me preocupo muito com coisas bem simples: poder andar de ônibus e tomar um bom tereré com os amigos enquanto tocamos e cantamos uma boa música no sábado à noite, por exemplo. 

    O texto de hoje foi feito exclusivamente para fazer o fiel leitor refletir sobre suas prioridades. O mais simples pode ser o mais importante. O visível pode estar visivelmente errado, ou não. Deixo duas belas canções para que te faça refletir sobre a sua vida: “Quando tiver sessenta” e quando não saber o que de fato é “Atemporal”.

  • Entrevista: Fábio Sampaio (Tanlan)

    Fábio Sampaio, conhecido por sua atividade como vocalista da banda de rock alternativo Tanlan é o entrevistado de hoje pelo O Propagador. A banda completa cerca de dez anos, com dois álbuns lançados e em um disco em produção. Abaixo, o cantor fala sobre seus projetos musicais dentro e fora da banda, e os rumos do novo movimento. Confira!

    O PROPAGADOR – A Tanlan existe há praticamente dez anos, sendo o primeiro EP lançado em 2005. De lá pra cá, o que mais mudou em vocês (pra melhor)?
    Acredito que esses dez anos foram essenciais para formar nossa identidade estética e lírica. Mas não dá pra responder essa pergunta sem contar um pouco da nossa história.

    Quando começamos, ninguém falava de Rookmaaker ou Schaeffer. Não existia um embasamento teórico/teológico para o que a gente fazia. E isso produzia uma reação muitas vezes negativa de algumas igrejas. Exatamente por isso, quando a Tanlan nasceu, nós não participávamos de nada que envolvesse igreja. Eramos uma banda como outra qualquer abrindo espaço no difícil caminho das bandas autorais em Porto Alegre: Festivais, bares, covers etc.

    Com o tempo, a seriedade com a qual encarávamos nosso trabalho foi sendo conhecida por muitos, o que nos levou a receber vários convites para participarmos de eventos evangélicos dentro e fora do estado. Hoje, depois da popularização de bandas como Palavrantiga e Crombie pelo Brasil a fora, não somos mais uma voz solitária na multidão. Mais e mais pessoas começam a acreditar na necessidade de sermos influência cultural fora das 4 paredes litúrgicas e, a cada dia, mais artistas e bandas iniciam projetos nesse caminho.


    OP – O guitarrista de vocês, Beto Reinke deixou o grupo em certa época, substituído por Lucas Moser. Com a saída de Lucas, Beto voltou. Como ocorreu essa volta?

    A saída do Beto partiu de uma necessidade familiar que lhe exigia um tempo maior de dedicação, tempo este que estava sendo usado com a banda. Logo, a decisão mais coerente com o que acreditamos, só poderia ser a que ele tomou: Deixar a banda para dar atenção à família.

    A partir daí fomos em busca de alguém para suprir a necessidade sonora que tínhamos (uma banda de duas guitarras, precisa de duas guitarras) e encontramos no Lucas uma possibilidade muito rica de crescimento, tanto pra gente, quanto pra ele. Depois de pouco mais de um ano como músico convidado, decidimos que era hora dele fazer parte efetiva da banda. Nessa época, o Beto já estava em condições de voltar a se dedicar à banda, e começamos a ensaiar um quinteto. Com o tempo, entretanto, algumas atitudes e posicionamentos (estéticos, teológicos e pessoais) do Lucas começaram a entrar em conflito com o que nós entendiamos ser o DNA da banda. E por conta disso, em um certo momento ele, o Lucas, decidiu que já não dava mais para continuar com a gente, e nós aceitamos a decisão dele.

    Assim, voltamos a ser um quarteto tendo o Beto como músico convidado até julho desse ano, quando o efetivamos novamente como membro da banda.


    OP – Além da Tanlan, você possui um projeto solo, chamado Feito a mão, que já gerou canções como “Eu” e “Balada de um Andarilho”. O projeto soa bastante diferente da banda, na preferência de sonoridades acústicas. Em sua opinião, a tecnologia hoje mais ajuda ou atrapalha na criatividade?

    Sem sombra de dúvidas que ajuda!

    Mas ajuda no processo de gravação, não no de criação. Isso acontece com o artista e seu instrumento, um caderninho de notas (que pode ser um celular) e suas ideias. Só depois de a obra ter nascido é que a tecnologia entra para facilitar o processo de registro sonoro.

    O projeto “Feito a mão” nasceu de uma necessidade natural de utilizar canções que por diversos motivos, não encontraram espaço na estética da Tanlan. Então, o caminho acabou sendo o projeto solo.


    OP – A Tanlan já foi destaque em uma das principais publicações semanais do país – a Revista Época – por fazer parte do que eles chamavam de “A Nova Reforma Protestante”. Na matéria, que foi capa, a banda é citada como parte de um grupo religioso que tenta “recriar o protestantismo à brasileira”. É isso mesmo? Na sua opinião, o que é necessário mudar? Qual seria a forma ideal do cristianismo para você?

    Na verdade, fomos citados como uma banda que derruba as barreiras que a cultura gospel criou no país, como uma banda que se comunica tanto com o mercado evangélico, quanto com o convencional.

    E mesmo não tendo essa intenção em nossa origem, aceitamos o desafio de criar essa ponte entre o templo e o entretenimento.


    OP – No álbum Um dia a Mais, você foi o compositor da maioria das canções, algumas em colaboração com os demais integrantes da Tanlan. Como é o processo de composição do grupo? Quais são as suas inspirações para escrever?

    Geralmente, eu escrevo as músicas e mando um áudio pros outros três, a partir daí trabalhamos nos arranjos. Mas acontece de eu já compor a música com todo o arranjo pronto e daí só ensaiamos e amarramos as pontas. Algumas vezes, em grupo, trabalhamos as letras e modificamos drasticamente o arranjo original, até que encontremos a voz que identifique a Tanlan.

    Recentemente, como você bem disse, começamos a compor em conjunto. A música “Louco Amor”, é um bom exemplo disso. Nasceu de uma letra que o Fernando Garros (baterista da Tanlan) escreveu e deixou comigo para que eu musicasse. Após algumas versões rejeitadas, modificações na letra e muitos ensaios, chegamos ao que veio se tornar a cação gravada.

    Tudo pode ser motivo de inspiração pra gente. Uma frase de algum livro, Uma notícia no jornal, uma mensagem de algum pastor, uma música que tocou no rádio… os estímulos são variados e podem vir de qualquer lugar. Acreditamos que é papel do artista filtrar esses estímulos e decodificá-los em música, pinturas, poemas etc, e é isso que tentamos fazer com nossa arte.


    OP – No álbum Um dia a Mais, Marcos Almeida gravou “Vaidade”. No Hope Music Festival, você cantou “Passos Lentos” juntamente com a galera da Aeroilis. Como é sua relação com outras bandas da cena?

    Eu sempre acreditei que uma cena só existe quando aqueles que participam dela se comunicam, trocam experiências e provoquem uns aos outros.

    Quando começamos, procurávamos “desesperadamente” na internet por outras bandas que estivessem fazendo, ou pensando, o mesmo que a gente. A primeira a encontrarmos foi a Aeroilis. Imediatamente fizemos contato com eles e iniciamos uma relação que dura até hoje, mesmo com eles tendo encerrado suas atividades como banda. E esse hábito de prospectar novas bandas continua até hoje. Sempre que encontro alguma faço questão de entrar em contato.

    Quero agregar o máximo de bandas e artistas nessa caminhada. O que eu lamento, é que muitas vezes me sinto o único a pensar assim. Todos estão tão preocupados com o seu, e em fazer a sua história, que esquecem que juntos a gente pode ir mais longe.

    Dito isso, é importante concluir que, mesmo tendo a cada dia mais e mais artistas fundamentando seus projetos em visões similares as nossas, não temos ainda uma cena formada. É preciso uma comunicação maior entre esses que já estão consolidados, com os que estão começando para que realmente aconteça uma cena como sonhamos.


    OP – Como uma banda que, em grande parte da carreira teve como base a independência, qual é seu pensamento sobre o uso das redes sociais como estratégia para alcance de mais públicos?

    É fundamental. A palavra chave em toda história da Tanlan é a “comunicação”. Um artista que não se comunica não é relevante. Não adianta você ser o melhor guitarrista, de mil notas por segundo, se o som que você toca só é perfeito para os anos 80. Precisamos falar a língua da nossa época e é isso que gera comunicação relevante com a cultura.


    OP – O que os fãs podem esperar do novo álbum da Tanlan, em fase de composição?

    Assim como “Um dia a mais” foi diferente de “Tudo que eu queria”, o próximo será muito diferente do anterior. Queremos sempre nos reinventar, buscar novas referências, fazer o que ainda não fizemos, encontrar soluções que ainda não encontramos, falar o que ainda não falamos e alcançar públicos que ainda não alcançamos. Isso é o que move a Tanlan.


    OP – Deixe uma mensagem pros leitores do O Propagador.

    Não importa o que você faça, não importa quem você seja, nem onde você esteja, faça tudo que estiver em suas mãos com qualidade e responsabilidade. Seja relevante na sua escola, no seu trabalho, na sua igreja. Não viva uma fé aprendida, mas uma fé vivida. Produza sua arte e espalhe esta esperança que nos move em amor, pelo amor e para o amor. Obrigado pela oportunidade e grande abraço!

  • Para refletir – O tempo do amor

    As ilusões a cada dia se inflamam. Além das clássicas substâncias químicas, criamos realidades virtuais para não nos sentirmos tão angustiados. A rotina é desagradável, e a necessidade de dar um “stop” em tudo o que vivemos aqui parece ser a solução mais fácil e palpável.

    Esta realidade não seria de espanto se não tivéssemos a noção de que há uma imensa quantidade de cristãos que enxergam absolutamente tudo com imensa tristeza. Até os trechos bíblicos triunfantes de Jesus e sua ressurreição não escapam. A grande maioria das pessoas focam com extrema dramaticidade na dor e sofrimento do nosso Salvador, ignorando que maior foi a consequência de tudo isso.

    Se os dias são maus, temos o consolo e a alegria vinda de Deus, através de Seu Espírito Santo. O sangue de Cristo lava-nos e purifica de todo o pecado. O nosso alvo está no céu. O tempo do amor está por vir.

    Nenhuma realidade virtual, por mais prazerosa que seja garante uma paz interior como a que Deus dá. Que acordemos a cada manhã sentindo-nos livres para contemplar ao Criador.

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=Xu1qg5owGms]