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  • Ser Ester – A moda do desapego

    Um dos primeiros textos que escrevi aqui na Ser Ester foi “7 Motivos Para você comprar em Brechó”, que apresentava boas razões para conhecer mais sobre essas lojas que podem ser ótimas aliadas do estilo e do bolso.

    Hoje, vamos falar de outra forma bem bacana de moda consciente: o Desapego.

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    Em via de regra, a lógica é a mesma de um brechó: adquirir roupas e acessórios novos ou seminovos com precinho amigo. A diferença é que nos Desapegos, normalmente, as ações de compra, venda, ou mesmo trocas, são feitas entre as pessoas, sem qualquer intermediário.

    Nas grandes cidades já são feitos eventos exclusivos para Desapego, onde cada menina leva os itens que não usam mais, desde que em bom estado, e elas negociam entre si. Para quem mora longe dos grandes centros, existem opções pela internet. Vamos ver algumas:

    Site Intermediador

    logo-desktop-x1-ded73da7495bddae3335e447005faad9Existem sites como o Enjoei onde, por meio de um login, a pessoa pode criar sua lojinha. Ali, o usuário disponibiliza os itens que deseja vender de forma bem facilitada e tem à sua disposição uma relação de cerca de 1,5 milhões de produtos prontos para serem comprados. O site administra os pedidos, faz propaganda, paga o frete e disponibiliza sua estrutura para pagamento facilitado em cartões e boletos, para isso, cobra uma comissão de 20% do valor de venda do produto. Compensa mais que promoção de sapatos “Pague 2 e leve 4” ok, exagerei aqui.

    Sites Especializados em Compra/Venda

    OLX-ou-Bom-Negocio-qual-e-o-melhor-classificadoQuando pensamos em Desapego sem intermediários, os principais sites são os já famosos OLX Bom Negócio, que disponibilizam espaço para compra e venda de produtos que vão de filhote de cachorro a vestido de noiva, passando por carros e sapatos. Nesses sites, o vendedor, por meio de login, publica seus próprios produtos e é contatado pelo comprador diretamente, negociando com este todos os detalhes de pagamento e entrega. Mais simples que fazer gelatina com receita.

    Facebook

    fb_icon_325x325O Facebook também já conta com diversos grupos de Desapego que são ainda mais informais os anteriores. Os grupos são, normalmente, criados de forma espontânea para intermediar as operações entre os membros. Por vezes, esses grupos são por região, de forma a facilitar a entrega dos produtos. Um dos maiores que eu conheço e tem alcance nacional é o Nem Tudo é Farm, que tem quase 5 mil membros e uma vasta quantidade de peças de grandes marcas. Para entrar basta enviar uma solicitação de participação. Ali, tudo é feito diretamente entre as partes (aquela que usa termos jurídicos). Do pagamento ao envio, tudo é resolvido via inbox.

    Então, meninas, ninguém mais tem desculpas para dizer que o guarda-roupas está desatualizado ou que não compra roupas por causa da falta de $$$$$. Hoje em dia, você pode até trocar as peças que já enjoou por outras inéditas.

    É uma nova e boa via de consumo econômica e divertida.

    Vamos tentar?

  • Um Brinde – Quando vou parar de falhar?

    Um Brinde – Quando vou parar de falhar?

    Talvez a resposta seja “nunca!”. Mas isto não significa que posso ser um falho menos falho. Contraditório né!? Calma. Vou explicando aos poucos, mas não se anime, pois minha falha pode não deixar que eu consiga explicar.

    As vezes pensamos e até nos exaltamos dizendo que estamos e somos fortes. Mas e aí que está o problema: quando penso que estou forte, fraco estou. Certo que o poder de Deus se aperfeiçoa em nossa fraqueza. Porém, como entender isso? Deus é Pai, como um ótimo pai, sabe muito bem das fraquezas de seus filhos. Ele conhece bem cada vacilo que cometemos e vai nos corrigindo na medida em que possamos suportar. Mas como todo pai, Ele deseja que não falhamos mais. E aí que eu começo a desenvolver a explicação que falei no início: somos falhos pela natureza humana, por sermos pecadores, mas essa fraqueza pode ser natural. Já somos falhos e fracos, não precisamos forçar mais a barra e falhar por desejo e/ou planejado…

    Se fosse outro texto e em outra ocasião, iria pedir para brindarmos as nossas falhas, mas hoje convido o caro leitor a brindarmos nossos esforços para tentarmos ser um filho melhor desse Pai tão lindo e misericordioso! Vamos ouvir uma música?

  • Análise: CD Tu Reinas – Diante do Trono

    Análise: CD Tu Reinas – Diante do Trono

    Dos tempos das vacas magras em Tua Visão, as mudanças drásticas desde Sol da Justiça, pouco pode-se acrescentar de surpreendente na discografia do Diante do Trono, depois do icônico Príncipe da Paz. Talvez os álbuns Canção do Amor, Aleluia e Creio são os últimos sinais de vida vindo de uma banda que se perdeu em seu excesso de álbuns cheios de propósitos e conceitos, mesmo que justificáveis.

    Dois motivos podem explicar as mudanças drásticas no Diante do Trono: A primeira é que, de certa forma ficou evidente que o exagero do grupo os deixou num beco sem saída, ou apenas resolveram “experimentar” um som mais jovial. Seja lá qual for o motivo, de certa forma estava até dando certo, até chegar 2013.

    Somado a regravações de faixas categoria Lado B, como a monótona “Exaltado“, outras como “Águas Purificadoras” que já se tornaram clichês no repertório do DT, além de uma série de obras oriundas de Por Amor de Ti Oh! Brasil, o trabalho não é digno de ser comparado a um Greatest Hits. Tu Reinas dá sequência à uma crise de insistência que assola Ana Paula Valadão desde que decidiu investir pesado e desnecessariamente em versões e regravações, como o caso de Renovo.

    Nem Vinicius Bruno, que também assinou a produção musical de Creio consegue salvar o disco. Recheado de sintetizadores estéreis e guitarras de Jarley em excesso, Tu Reinas soa como um álbum pop rock comum e oco. O baterista Tiago Albuquerque, que desempenhou papel de destaque em Creio, juntamente com o baixista Daniel Friesen se limitam a cumprir o que cada música pede e não conseguem preencher o vazio que as músicas evidenciam.

    As performances de Ana Paula Valadão ainda tentam, com pouco sucesso transmitir emoção as canções. Nos quase quarenta anos de idade, a artista não tem acompanhado seu envelhecimento (que vale lembrar, não é algo negativo) e se recusa a lançar obras mais maduras. Com isso, o que se vê de Diante do Trono hoje é um real tiro no pé.

    Em relação as músicas inéditas de Tu Reinas, “Só o Senhor é Deus” é a mais interessante, e mostra que quando Ana Paula quer, ela faz boas músicas. Paralelo à isso, “Rasga os céus” e “Deus do Recomeço” seguem o estilo do restante do álbum, porém com uma parte lírica bastante aceitável. O que realmente pesa contra o disco é o restante, ou seja, quase tudo. Também é destacável que diferentemente de Creio, em que os demais vocalistas tiveram  mais espaço, Tu Reinas retrocede e se centraliza em Valadão. Em poucos momentos, por exemplo, Israel Salazar se sobressai, mas sempre como um coadjuvante. Ana Nóbrega, Roberta Izabel, Tião Batista e outros que deixaram o grupo certamente fazem falta nesta hora.

    Mas nem tudo está perdido: O projeto gráfico, idealizado e produzido pela Quartel Design é de ótimo gosto, retratando, em imagens geometricamente dispostas o sertão nordestino e imagens das gravações em forma de coroa.

    Tu Reinas pode ser definido como um disco de uma banda que carrega o nome Diante do Trono, toca músicas do Diante do Trono, mas em sua essência não é mais o Diante do Trono. Certamente, agradará apenas aos fãs mais fervorosos que, durante um ano aguardaram o pior registro de sua série principal. O álbum introduz um futuro duvidoso de um grupo que um dia já esteve na vanguarda do mainstream da música cristã nacional e hoje se contenta em fazer um som que não os diferem dos demais. Infelizmente.

    Confira também nossa análise do DVD Tu Reinas

  • Rebanhão inicia ensaios para gravação de DVD

    A banda Rebanhão iniciou seus ensaios para a gravação de seu DVD neste mês de outubro. O grupo, que é atualmente formado por Pedro Braconnot (vocal/teclado), Carlinhos Felix (vocal/violão/guitarra), Paulo Marotta (vocal/baixo) e Pablo Chies (guitarra) pretende gravar seu primeiro material ao vivo em janeiro de 2015, no Rio de Janeiro. Na bateria, o grupo atuará com Lucio de Paula, ainda não confirmado como integrante oficial ou apenas músico contratado.

    Durante as sessões, a banda divulgou a aparição de Lucas Ribeiro (compositor e ex-integrante da banda Sinal Verde), que já cedeu várias composições para o Rebanhão gravar, como “Paz do Senhor”, “Princípio”, “Metrô”, “Firme os pés”, “Vinde as águas”, entre outras. Bené Gomes, do Ministério Koinonya de Louvor também foram uma das visitas durante os ensaios.

    Entretanto, a formação divulgada causou questionamentos por uma parcela do público pela não-participação de alguns ex-integrantes, que em alguma fase do Rebanhão passou pelo grupo. Em nome do conjunto, Pedro Braconnot lançou um comunicado:

    Aos amigos do Rebanhão

    O ministério Rebanhão em seus trinta e cinco anos já contou com a participação de dezenas de músicos (mais de trinta). Com todo nosso respeito e admiração por cada um deles, seria inviável convidar a todos para participar deste projeto 35 anos.

    Nosso objetivo maior é honrar a Deus em primeiro lugar. Com certeza daremos honra a todos que de alguma forma contribuíram para o ministério dentro e fora da plataforma.

    Não vamos permitir que nenhum outro espírito venha interferir querendo parar o que Deus tem para fazer neste tempo. Este é o formato que encontramos para desenvolver este novo projeto.

    A todos que oraram e continuam orando pelo Rebanhão nossa humilde gratidão.

    O local e a data de gravação ainda não foram confirmados.

  • Oficina G3 lança clipe de “Encontro”

    A banda Oficina G3, durante sua série de eventos pelo Brasil está produzindo o #G3NaIgreja, como forma de aproximar o público do grupo ao ambiente congregacional. Durante esta semana, em seu canal oficial, o grupo lançou o clipe da música “Encontro”, que traz, inclusive a participação do ex-baterista Alexandre Aposan.

    “É um clipe novo, um dvd, uma apresentação, ou sei lá mais o quê? rs.
    não! é mais do que isso!
    Foi a maneira que encontramos para agradecer a todos vocês que nos acompanham; é nossa gratidão à igreja que nos é refúgio, fonte de inspiração e comunhão”, disse a banda em sua página oficial.

  • Rocklogia – Os primeiros anos do Fruto Sagrado

    O Fruto Sagrado, diferentemente da maioria das bandas de rock cristão que surgiram nesta época é do Rio de Janeiro. Começou como um quarteto, composto por Marcão (voz e baixo), Bênlio Bussinguer (guitarra e vocal), Marcos Valério (teclado e vocal) e Flávio Amorim (bateria e vocal). Oficialmente, a banda iniciou suas atividades em agosto de 1988, e ficou por durante anos ensaiando. Segundo Marcão, ex-vocalista do grupo, o Fruto Sagrado só teve a oportunidade de lançar o primeiro álbum em 1991. Durante os dois anos em que o conjunto ensaiava com o apoio da Igreja Presbiteriana Bethânia de Niterói, o Fruto Sagrado sofreu a primeira mudança em sua formação: o tecladista Marcos Valério teve problemas com a fé e deixou tudo, incluindo o grupo. Porém, algumas de suas composições ainda seriam registradas no primeiro álbum do Fruto.

    E só em 91 que a gente conseguiu lançar o 1° trabalho em estúdio que foi o álbum Fruto Sagrado. Já nessa época a gente lançou em três, porque assim que entramos no estúdio, Marcos Valério teve seus problemas de relacionamento com Deus e literalmente chutou o balde, pulou fora do barco e resolveu nadar contra a maré. Inclusive a música “Livre Arbítrio” do CD O Segredo foi feita para o Marcos Valério. O pessoal fica pensando que foi feita para o Flávio Amorim, porque ele saiu da banda, não foi não.

    As sessões de gravação, que duraram uma semana, com Bênlio assumindo também os teclados geraram o álbum Fruto Sagrado, uma produção independente com distribuição da Bom Pastor. Neste projeto, o grande destaque inicial é a música “Base Forte”, de Bênlio, apresentando o potencial criativo do grupo. Sozinho, ele também escreveu “Nunca mais”. Marcão, com o ex-integrante Marcos Valério escreveu “Fruto Sagrado”, “Guerra interior”, “O tempo vai cessar” e “Sem definição”. O trio Flávio Amorim, Bênlio e Marcão escreveram “Vazios de coração”, “Pra Acordar” e “Não me Deixará”.

    http://www.youtube.com/watch?v=bmvryXAl0n8

    Bênlio acabou assumindo os teclados, e nos shows a banda tocava com guitarristas. A banda efetivava o músico como integrante, mas em cerca de dois anos o indivíduo saía. Assim ocorreu na entrada e saída de  Wagner Junior, Paulo de Barcellos e outros. No final das contas, o Fruto Sagrado seguia na ativa com um núcleo bem sólido: Marcão, Bênlio e Flávio.

    Este trio produziria Na Contramão do sistema, o primeiro disco da banda com distribuição da Gospel Records. Seguindo a proposta do álbum anterior, que mesclava hard rock com progressivo, as críticas sociais neste projeto se tornaram bem mais intensas, com letras como “Jimmy” (sobre racismo), “Meninos de Rua” (segregação social de crianças) e até mesmo críticas a falsos profetas, como “Lobo Mau”.

    Leia também: Entrevista com Marcão (2003)

  • Damares se prepara para gravação de DVD O Maior Troféu

    Após o sucesso de repercussão e vendas alcançado pelo CD O Maior Troféu, Damares se prepara para gravar o segundo DVD pela Sony Music no dia 06 de dezembro partir das 20h na Igreja Bíblica da Paz em São Paulo.

    O álbum “O maior troféu” foi lançado em 2013 e logo assumiu posição de destaque entre os álbuns mais vendidos do ano segundo a ABPD – Associação Brasileira de Produtores de Discos, consolidando a sétima posição nacional. Atualmente o CD conta com mais de 300 mil cópias vendidas tornando-se um dos produtos mais vendidos do mercado.

    No fim do ano a gravadora Sony Music promoveu coletiva de imprensa especial para anunciar a renovação do contrato com a cantora paranaense e entre as novidades previstas no contrato estavam a gravação de três projetos inéditos que podiam ser três CDs ou dois CDs e um DVD. Com o evidente sucesso do disco, sabiamente Sony e Damares resolveram investir no DVD que vai trazer todas as canções do disco O Maior Troféu e mais duas ou três faixas inéditas.

    “Estou muito feliz com este momento. Temos uma aliança muito forte com a Sony Music e estamos empenhados em juntos desenvolver grandes novidades neste novo período. Em todo momento buscamos a direção de Deus e neste momento temos muito paz nesta renovação. Agradeço ao empenho de todos por este momento. Agradeço meus familiares, amigos, equipe da gravadora e todos que torceram e torcem pelo meu ministério. O carinho de todos vocês é muito importante para mim! Amo vocês!”, declarou a cantora.

    [button style='blue' url='https://opropagador.com.br/analise-cd-o-maior-trofeu-damares/' target='_blank' icon='entypo-right-thin' fullwidth='true']Confira aqui a análise do CD O Maior Troféu[/button]

    A produção musical do projeto seguirá a cargo do maestro Melk  Carvalhedo, já a direção do DVD e captação das imagens ficará por conta de Hugo Pessoa.

    Segundo informações da gravadora, o projeto contará com um palco jamais projetado no meio gospel será construído com o que há de mais moderno e sofisticado. De acordo com Hugo Pessoa, diretor do DVD, o público irá se surpreender com todo o projeto. “Estamos na fase final de aprovação do cenário, mas já temos todo o conceito bem definido e aprovado pela cantora. Vamos fazer um DVD muito sofisticado, de muito bom gosto, que alie modernidade e bom gosto. O palco será um dos destaques do projeto não somente pela grandiosidade, mas pelos recursos tecnológicos que iremos inserir no cenário. Temos certeza de que mais uma vez a cantora irá se antecipar e determinar uma nova tendência para o meio gospel, em especial, o segmento de música pentecostal.”

    A cantora esteve em visita técnica ao local nos últimos dias. Já nesta semana, todos os preparativos começam a ser definidos, incluindo os figurinos, roteiro e mesmo a estratégia de divulgação. “Estou muito feliz com todo este projeto. Sem dúvida, será mais um passo em minha carreira, meu ministério. Estou muito tranquila porque tenho todo o suporte de profissionais gabaritados e principalmente pela paz que estou sentindo e essa paz nada mais é do que a confirmação de Deus de que estamos no caminho certo. Vai ser uma noite inesquecível e espero contar com a presença de todo mundo lá!”

  • Entrevista: Rosa de Saron

    Considerada uma das melhores do Brasil, a banda de rock católica Rosa de Saron conseguiu fazer com que seu som extrapolasse as paredes das catedrais e encantou jovens evangélicos e não cristãos.

    Famosos pelas letras fortes, caracterizados pela voz marcante do vocalista Guilherme de Sá e identificados por um rock que vem se mantendo atualizado há mais de 25 anos, não é exagero nenhum dizer que os integrantes do Rosa de Saron fizeram e continuam fazendo história na música cristã nacional.

    Em turnê do novo disco, a banda colhe os frutos de mais um trabalho altamente elogiado. O álbum “Cartas ao Remetente” teve sua resenha aqui em O Propagador.

    Para falar mais sobre história, música e novo disco, conversamos com exclusividade com o Rogério Feltrin, baixista e fundador da banda. Ao lado de Guilherme (voz), Wellington Greve – o Grevão – (bateria) e Eduardo Faro (guitarra), ele integra essa que é, sem dúvidas, uma das bandas de rock de maior qualidade do Brasil, tanto no segmento religioso quanto no secular.

    O PROPAGADOR – No quesito qualidade musical, Rosa de Saron é praticamente unanimidade, sendo frequentemente lembrada como uma das melhores bandas de rock do cenário nacional. Com todo o potencial musical da banda, alguma vez vocês pensaram em ampliar de vez os horizontes deixando o segmento religioso?

    Não. A gente sempre quis e sempre pensou em atingir outros mercados, outros segmentos e outros públicos, mas nunca pensou em deixar o segmento religioso. Nós temos uma noção muito grande das nossas raízes, do porque montamos a banda e isso é o essencial, é o fundamental e imutável.


    OP – Desde o DVD Acústico, e em parte pela parceria com a Som Livre, vocês romperam os limites da música católica e conquistaram não religiosos e evangélicos amantes de rock. Essa ampliação de público interferiu nas composições atuais da banda? Existe a preocupação de, por exemplo, diminuir referências especificamente católicas para tornar suas músicas mais acessíveis?

    Na verdade, não foi exatamente isso que aconteceu. Nós sempre atingimos outros públicos e sempre conseguimos falar com os evangélicos e o público de rock. Não ampliou para outros públicos, mas ampliou de um modo geral para estes mesmos públicos, então cresceu de uma forma geral. E não! Isso não interfere na forma como nos compomos. A gente não compõe para agradar esses públicos, mas agradamos a esses públicos pela forma com que a gente compõe. O caminho, na verdade, ele é inverso.


    OP – Vocês surgiram como uma banda com forte influência do heavy metal fazendo um som que praticamente não existia há mais de 20 anos atrás na música cristã. Com o passar do tempo, mais exatamente após a entrada do Guilherme em 2001, o som se consolidou como um rock que busca referências em outros estilos, como o pop. Como essa mudança foi vista pelo público que a banda tinha até então? Existe alguma possibilidade de um retorno às raízes no Metal?

    Bem, eu acho que a primeira coisa é que o público se renova muito. Se você pegar, 50% do nosso público hoje não tinham nem nascido quando a gente começou. Então não tem muito isso de “como o público encarou”. O público vai renovando sempre. Lógico que tem aqueles que são mais antigos. Uns gostam das novidades, uns não e outros vão passando a curtir outras coisas também. Esses fãs também mudam. Outros não mudam e param de gostar, e assim vai. Eu acho muito difícil a gente analisar, mesmo com artistas com longevidade de carreira, eles manterem a mesma característica de som sempre. Estão sempre se atualizando, se renovando, porque isso é do artista, normalmente, essa ansiedade de novidade, porque a gente também se cansa. São pouquíssimos casos de artistas que mantém exatamente o mesmo estilo por muitos longos anos a fio. Existem alguns casos assim e dá pra citar, claro, de muito sucesso inclusive, mas de um modo geral não. De um modo geral eles gostam de se atualizar e a gente não é diferente.

    Acho pouco provável um retorno à raiz de Metal, pelo menos em curto prazo, porque não é uma coisa que a gente está vivendo no momento de gosto pessoal e musical. O Metal, ele também ficou um pouco datado, ele ficou um ‘som daquela época’ e não se atualizou muito. Agora estão vindo algumas bandas novas, mas eu acho que primeiro a gente precisaria mais ser reconquistados pelo estilo para poder voltar a fazer. Eu gosto de muita coisa de Metal, mas gosto daquelas coisas que eu curtia há quinze anos atrás, há vinte anos atrás, entendeu? Então, aí fica datado mesmo e a gente não. A gente gosta de estar soando atual.


    OP – Desde 2007 a banda vem lançando um trabalho por ano. Como produzir tanto e ainda manter a qualidade? Com tantos trabalhos emblemáticos na bagagem e 25 anos de carreira, fica mais fácil ou mais difícil inovar musicalmente?

    A gente criou um ritmo nosso e incorporou esse ritmo na rotina. É desgastante sim, é puxado, é cansativo, mas nos adaptamos a isso, na verdade. Vamos dizer assim: que se criou uma fórmula interna para conseguir produzir nessa quantidade, mas também não é uma obrigação. Eu tenho dito isso. Eu já respondi a essa pergunta recentemente e a gente não tem essa obrigação de um trabalho por ano, mas temos conseguido fazer e enquanto tivermos o que dizer e estivermos conseguindo fazer trabalhos de qualidade nesse ritmo, a gente faz, mas não há problema nenhum em estender estes prazos. Então, não é uma obrigação que se impõe. A gente gosta de perseguir essa meta, mas se não for possível, tudo bem, ela pode ser revista.


    OP – Como está sendo a receptividade do público com o novo disco?

    Ótima! A receptividade tem sido muito bacana. Eu acho que, em toda nossa carreira, este é um dos melhores feedbacks que a gente teve. São os mais positivos e estamos muito felizes.


    OP – Em entrevista antiga, o Rogério Feltrin afirmou que os integrantes da banda são muito ecléticos “… dentro do rock”. Como toda essa diversidade se traduziu no “Cartas”?

    Eu sou muito suspeito para dizer, mas eu acho que as músicas soam bem diferentes. Se pegar o disco, você vai ter vários tipos de levadas diferentes acontecendo. Algumas músicas puxam para uma coisa mais britânica, outras para uma coisa mais americana. Eu acho que isso se reflete mais nesse sentido. Apesar de ter uma coerência musical do próprio estilo, eu acho que o disco é bem eclético também, com bastante nuances bem diferentes.


    OP – Neste novo álbum, vocês falam de temas atemporais, como a morte, verdade e mentira, além de questões contemporâneas, como o egoísmo, a fragilidade humana e até mesmo uma referência à Síndrome de Asperger. No processo de composições, há uma intenção conceitual para todo o álbum ou a produção é completamente livre e despretensiosa?

    Não existe uma intenção conceitual, mas acaba soando conceitual porque eles são sempre reflexo de um período que a gente está vivendo, entende? Então as músicas acabam girando em torno daquela fase, daquele período e são um retrato daquele momento que a gente está vivendo, do que a gente está pensando, discutindo, conversando. Então, ele não é propositalmente conceitual, mas ele acaba soando um pouco conceitualmente.


    OP – Ainda em relação ao “Cartas”, a banda já tem algum projeto em vista com o disco? Novos videoclipes? Considerando o sucesso dos trabalhos em vídeo da banda, o público pode esperar DVD deste trabalho?

    A gente tem a intenção ainda de produzir alguns clipes para este trabalho. É uma área que estamos investindo agora – de vídeos – porque hoje existe um espaço para isto, principalmente na internet, coisa que não existia há tempos atrás. Por isso que nunca nos preocupamos com videoclipe. Por enquanto, ainda é muito recente e a gente está pensando em um próximo trabalho. Temos algumas ideias de coisas que queremos fazer. São muitas coisas que passam pelas nossas cabeças, mas provavelmente, a gente não faça um DVD deste trabalho. Por enquanto, é algo que não estamos considerando ainda.


    OP – Vocês conhecem ou acompanham alguma banda evangélica? Se sim, qual a visão que vocês tem do rock gospel que é vem sendo produzido no Brasil?

    Na Verdade, acompanhar assim mais de perto, eu acompanho o trabalho da galera do Oficina G3, porque a gente desenvolveu um laço de amizade e sempre estamos trocando ideias e, enfim, conversando sobre trabalho, essas coisas. Então, estamos sempre por dentro do que eles tem feito. Fora isso, eu vejo muito esporadicamente de coisas que as pessoas enviam para a gente, como vídeos, trabalhos e demos. Então a gente acompanha um pouco assim. Mas eu acho que o rock gospel no Brasil sofre do mesmo problema do rock secular, que é a dificuldade de espaço. Não é o momento dele. Não é o momento do rock na música. Apesar disso, mesmo sem exposição, tem muita banda bacana fazendo coisa muita legal em nível de garagem e de underground fazendo coisas muito bacanas e com muito potencial.

    Para acompanhar mais sobre o trabalho do Rosa de Saron:

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    Youtube

    Twitter

  • Rocklogia – Os primeiros anos do Katsbarnea

    O que te faz pensar uma banda de rock surgida no fundo de uma igreja árabe, que era conhecida por seus membros serem muito loucos e ter um nome chamado Katsbarnea? Pois bem, essa banda, em minha opinião foi a mais ‘revolucionária’ dos anos 90. Desculpa Oficina G3, Fruto Sagrado, Catedral e todas as demais bandas, mas os quatro primeiros álbuns do Katsbarnea são clássicos. São sequências de discos muito bons, com repertório criativo, e os arranjos até hoje não superados pelas subsequentes formações. E melhor, um grupo que até certo momento nunca precisou gabar de si mesmo (como muitos fizeram por aí), preocupando-se apenas a fazer música.

    O Kats foi uma banda pela qual muitos integrantes passaram. Essas saídas e entradas, na verdade, não são uma suposta saída deliberada de membros, mas vários processos internos ocorridos, principalmente em seus primeiros anos. O grupo surgiu em meados de 1988, com uma formação grande. O projeto de estreia, O Som que Te Faz Girar, seria lançado em 1989, quando o grupo tinha cerca de um ano formado. Segundo Sandra Simões, uma das ex-integrantes, este álbum foi produzido por Domingos Orlando, o Mingo, integrante do Os Incríveis pelo fato de, na época, o músico ter gravado um projeto juntamente com Rod Mayer, e consequentemente conhecido o Katsbarnea, interessando-se pelo trabalho do conjunto. A formação inicial era composta por: Brother Simion (vocal, guitarra e gaita), Paulinho Makuko (percussão), Tchu Salomão (vocal e baixo), Patrícia (teclado), Fábio (bateria), Alessandra Orlando (back vocal), Sandra Simões (vocal), Cláudia Bastos (back vocal) e Marquinhos (sax).

    Nesta época, Alessandra inscreveu a banda no FICO, um concurso que ocorria no Colégio Objetivo onde estudava. O Katsbarnea ficou em primeiro lugar. Este projeto seria composto por canções em maioria escritas por Simion, nos vocais do cantor, exceto em “Brisa”, na voz de Tchu Salomão. “Salve a Tua Paz” foi um dueto entre Brother e Sandra.

    “Extra” é até hoje o hit do grupo. Sua textura sombria, e ao mesmo tempo divertida com os vocais femininos traz o individualismo como crítica. E que álbum começa com “Contato”? Meio cantada, meio falada, com sua pegada folk recebeu uma boa regravação no álbum solo de Brother Simion, lançado em 1992, ao qual falaremos em outro post. “Etéreo” e “Retrovisor” são duas canções que trabalham bastante a poesia e assuntos mais pontuais. “Essa energia não é nuclear, mas poderosa para o mundo em amor. Revolucionar”. O som do Kats é uma verdadeira colcha de retalhos, uma gaveta com peças distintas.

    “Grito de Katsbarnea”, assim como “Corredor 18”, “Extra” e “Viagem da Oração” são canções regravadas no segundo projeto do grupo, já com outra formação no Estúdio Transamérica. Nesta época, entrou Maurício Domene (teclado e arranjos), Márcio Domene (trombone), Chiquinho (trumpete), André Mira (guitarra) e Marcelo Gasperini (bateria).

    Este foi produzido por Maurício. Brother Simion, por sua vez apresenta boas composições, como “Apocalipse Now”, “Fumaça Arisca” e “Sepulcro Caiado”. O interessante é a temática droga nas canções. Paulinho Makuko, por exemplo, teve contato com LSD, e conta seu testemunho em “Corredor 18”. Brother Simion teve várias overdoses antes de se tornar cristão, e uma vida pessoal extremamente triste e devastadora, que acabou levando-o a ter conhecimento suficiente sobre tais temas e cantá-los. Em 1991, a formação do Kats mudaria drasticamente, mas isso é assunto para outro post…

  • Limão com mel – Músicas de grife

    Há algum tempo atrás, indaguei em meu perfil no Facebook, se meus amigos conheciam músicas de grife. A maioria não entendeu bem o que eu quis dizer e nem imaginavam que isso viraria um texto aqui no O Propagador. Pra não antecipar o que queria dizer com o termo, deixei o dito pelo não dito. Agora é a hora, vamos aos fatos.

    Você já se questionou como surgem as canções? Como elas são criadas? Como ela toma forma na voz de determinado cantor/banda/ministério?
    Cada compositor tem suas experiências particulares para compor. A grande maioria atribui ao divino, como se compor fosse algo sobrenatural, além das habilidades humanas. “Começo a falar com Deus, e de repente ele “me dá” uma canção”. “O Senhor me deu esta música em sonhos, foi incrível!”. “Quando estava aflito, passando por problemas, o Senhor falou comigo, então compus este hino”. Esses são alguns dos milhares “bordões” de compositores gospel. Não que não seja assim, algo sobrenatural o ato de compor, mas…

    Acontece que com o aquecimento do mercado musical gospel, esses feitos parecem que viraram parte do cotidiano dos compositores tamanha é a fabricação de canções. Tais canções ganharam status de super produção. O nome do compositor A ou B virou grife.

    Imagine que você quer um aparelho celular, e pode pagar pelo mais caro. Qual compraria? iPhone? Acho que o iPhone é um dos sonhos de consumo da maioria dos mortais assalariados os não assalariados também, mas Dilma ainda não criou o Bolsa iPhone, chateado rs. Pois é. Alguns compositores se tornaram “Apples” da música gospel. Suas canções são alvo do desejo insaciável de 10 em cada 10 cantores que querem fazer suce$$o.

    A máxima do mercado é que quanto maior for a demanda, mais valorizado é o produto. Aí já viu não é? Nem todos podem comprar iPhones. Quando vejo que um cantor novato conseguiu gravar uma música da grife, prevejo até motivo para nota da assessoria: “O single é de autoria de Fulano de Tal, que compôs os sucessos x, y e z nas vozes de grandes nomes da música gospel”. E daí?

    Gravar música de grife não garante sucesso. Primeiro que não adianta ter iPhone se ainda nem aprendeu a enviar SMS! É uma pena que a música cristã esteja caminho desta forma, buscando músicas fabricadas para emplacar nas rádios e cair na boca do público como se isso fosse o fim nisso mesmo. Claro que como qualquer trabalho comercial, um álbum precisa ser coerente com o que o mercado busca, mas como um trabalho cristão, onde o foco também é servir como ferramenta para o evangelho, esse não deveria ser o único ou o principal viés considerado.
    No entanto, porém, todavia…

    A falha não está apenas nos cantores que “solicitam” canções receitadas para o sucesso à “Apple”, mas também está no público que consome. A cantora Quincas da Silva só lança CD todo ano porque sabe que alguém vai comprar. Mesmo que nem tenha ouvido o anterior. “Quero uma música que fale de vitória, porque a daquela cantora estourou”. Note como as músicas cristãs vem se tornando descartáveis com o tempo. Assim como um celular que hoje é moderno, mas amanhã a Apple já lançou outro ainda mais equipado, as músicas também estão sendo deixadas de lado, esquecidas. Esse efeito “temporada” já é bastante comum no secular, onde lançam músicas pra carnaval, e um mês depois ninguém mais ouve falar. O gospel está no mesmo caminho. Será que daqui há 10 ou 20 anos nos lembraremos das canções que hoje estão tocando nas rádios?

    Aí no fim, faremos campanha contra o consumismo, contra o entretenimento, contra o oba-oba que virou o segmento. Coerência pra que?

    Limão com mel: porque a realidade nem sempre é tão doce quanto gostaríamos…