Entrevista: Rosa de Saron

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Considerada uma das melhores do Brasil, a banda de rock católica Rosa de Saron conseguiu fazer com que seu som extrapolasse as paredes das catedrais e encantou jovens evangélicos e não cristãos.

Famosos pelas letras fortes, caracterizados pela voz marcante do vocalista Guilherme de Sá e identificados por um rock que vem se mantendo atualizado há mais de 25 anos, não é exagero nenhum dizer que os integrantes do Rosa de Saron fizeram e continuam fazendo história na música cristã nacional.

Em turnê do novo disco, a banda colhe os frutos de mais um trabalho altamente elogiado. O álbum “Cartas ao Remetente” teve sua resenha aqui em O Propagador.

Para falar mais sobre história, música e novo disco, conversamos com exclusividade com o Rogério Feltrin, baixista e fundador da banda. Ao lado de Guilherme (voz), Wellington Greve – o Grevão – (bateria) e Eduardo Faro (guitarra), ele integra essa que é, sem dúvidas, uma das bandas de rock de maior qualidade do Brasil, tanto no segmento religioso quanto no secular.

O PROPAGADOR – No quesito qualidade musical, Rosa de Saron é praticamente unanimidade, sendo frequentemente lembrada como uma das melhores bandas de rock do cenário nacional. Com todo o potencial musical da banda, alguma vez vocês pensaram em ampliar de vez os horizontes deixando o segmento religioso?

Não. A gente sempre quis e sempre pensou em atingir outros mercados, outros segmentos e outros públicos, mas nunca pensou em deixar o segmento religioso. Nós temos uma noção muito grande das nossas raízes, do porque montamos a banda e isso é o essencial, é o fundamental e imutável.


OP – Desde o DVD Acústico, e em parte pela parceria com a Som Livre, vocês romperam os limites da música católica e conquistaram não religiosos e evangélicos amantes de rock. Essa ampliação de público interferiu nas composições atuais da banda? Existe a preocupação de, por exemplo, diminuir referências especificamente católicas para tornar suas músicas mais acessíveis?

Na verdade, não foi exatamente isso que aconteceu. Nós sempre atingimos outros públicos e sempre conseguimos falar com os evangélicos e o público de rock. Não ampliou para outros públicos, mas ampliou de um modo geral para estes mesmos públicos, então cresceu de uma forma geral. E não! Isso não interfere na forma como nos compomos. A gente não compõe para agradar esses públicos, mas agradamos a esses públicos pela forma com que a gente compõe. O caminho, na verdade, ele é inverso.


OP – Vocês surgiram como uma banda com forte influência do heavy metal fazendo um som que praticamente não existia há mais de 20 anos atrás na música cristã. Com o passar do tempo, mais exatamente após a entrada do Guilherme em 2001, o som se consolidou como um rock que busca referências em outros estilos, como o pop. Como essa mudança foi vista pelo público que a banda tinha até então? Existe alguma possibilidade de um retorno às raízes no Metal?

Bem, eu acho que a primeira coisa é que o público se renova muito. Se você pegar, 50% do nosso público hoje não tinham nem nascido quando a gente começou. Então não tem muito isso de “como o público encarou”. O público vai renovando sempre. Lógico que tem aqueles que são mais antigos. Uns gostam das novidades, uns não e outros vão passando a curtir outras coisas também. Esses fãs também mudam. Outros não mudam e param de gostar, e assim vai. Eu acho muito difícil a gente analisar, mesmo com artistas com longevidade de carreira, eles manterem a mesma característica de som sempre. Estão sempre se atualizando, se renovando, porque isso é do artista, normalmente, essa ansiedade de novidade, porque a gente também se cansa. São pouquíssimos casos de artistas que mantém exatamente o mesmo estilo por muitos longos anos a fio. Existem alguns casos assim e dá pra citar, claro, de muito sucesso inclusive, mas de um modo geral não. De um modo geral eles gostam de se atualizar e a gente não é diferente.

Acho pouco provável um retorno à raiz de Metal, pelo menos em curto prazo, porque não é uma coisa que a gente está vivendo no momento de gosto pessoal e musical. O Metal, ele também ficou um pouco datado, ele ficou um ‘som daquela época’ e não se atualizou muito. Agora estão vindo algumas bandas novas, mas eu acho que primeiro a gente precisaria mais ser reconquistados pelo estilo para poder voltar a fazer. Eu gosto de muita coisa de Metal, mas gosto daquelas coisas que eu curtia há quinze anos atrás, há vinte anos atrás, entendeu? Então, aí fica datado mesmo e a gente não. A gente gosta de estar soando atual.


OP – Desde 2007 a banda vem lançando um trabalho por ano. Como produzir tanto e ainda manter a qualidade? Com tantos trabalhos emblemáticos na bagagem e 25 anos de carreira, fica mais fácil ou mais difícil inovar musicalmente?

A gente criou um ritmo nosso e incorporou esse ritmo na rotina. É desgastante sim, é puxado, é cansativo, mas nos adaptamos a isso, na verdade. Vamos dizer assim: que se criou uma fórmula interna para conseguir produzir nessa quantidade, mas também não é uma obrigação. Eu tenho dito isso. Eu já respondi a essa pergunta recentemente e a gente não tem essa obrigação de um trabalho por ano, mas temos conseguido fazer e enquanto tivermos o que dizer e estivermos conseguindo fazer trabalhos de qualidade nesse ritmo, a gente faz, mas não há problema nenhum em estender estes prazos. Então, não é uma obrigação que se impõe. A gente gosta de perseguir essa meta, mas se não for possível, tudo bem, ela pode ser revista.


OP – Como está sendo a receptividade do público com o novo disco?

Ótima! A receptividade tem sido muito bacana. Eu acho que, em toda nossa carreira, este é um dos melhores feedbacks que a gente teve. São os mais positivos e estamos muito felizes.


OP – Em entrevista antiga, o Rogério Feltrin afirmou que os integrantes da banda são muito ecléticos “… dentro do rock”. Como toda essa diversidade se traduziu no “Cartas”?

Eu sou muito suspeito para dizer, mas eu acho que as músicas soam bem diferentes. Se pegar o disco, você vai ter vários tipos de levadas diferentes acontecendo. Algumas músicas puxam para uma coisa mais britânica, outras para uma coisa mais americana. Eu acho que isso se reflete mais nesse sentido. Apesar de ter uma coerência musical do próprio estilo, eu acho que o disco é bem eclético também, com bastante nuances bem diferentes.


OP – Neste novo álbum, vocês falam de temas atemporais, como a morte, verdade e mentira, além de questões contemporâneas, como o egoísmo, a fragilidade humana e até mesmo uma referência à Síndrome de Asperger. No processo de composições, há uma intenção conceitual para todo o álbum ou a produção é completamente livre e despretensiosa?

Não existe uma intenção conceitual, mas acaba soando conceitual porque eles são sempre reflexo de um período que a gente está vivendo, entende? Então as músicas acabam girando em torno daquela fase, daquele período e são um retrato daquele momento que a gente está vivendo, do que a gente está pensando, discutindo, conversando. Então, ele não é propositalmente conceitual, mas ele acaba soando um pouco conceitualmente.


OP – Ainda em relação ao “Cartas”, a banda já tem algum projeto em vista com o disco? Novos videoclipes? Considerando o sucesso dos trabalhos em vídeo da banda, o público pode esperar DVD deste trabalho?

A gente tem a intenção ainda de produzir alguns clipes para este trabalho. É uma área que estamos investindo agora – de vídeos – porque hoje existe um espaço para isto, principalmente na internet, coisa que não existia há tempos atrás. Por isso que nunca nos preocupamos com videoclipe. Por enquanto, ainda é muito recente e a gente está pensando em um próximo trabalho. Temos algumas ideias de coisas que queremos fazer. São muitas coisas que passam pelas nossas cabeças, mas provavelmente, a gente não faça um DVD deste trabalho. Por enquanto, é algo que não estamos considerando ainda.


OP – Vocês conhecem ou acompanham alguma banda evangélica? Se sim, qual a visão que vocês tem do rock gospel que é vem sendo produzido no Brasil?

Na Verdade, acompanhar assim mais de perto, eu acompanho o trabalho da galera do Oficina G3, porque a gente desenvolveu um laço de amizade e sempre estamos trocando ideias e, enfim, conversando sobre trabalho, essas coisas. Então, estamos sempre por dentro do que eles tem feito. Fora isso, eu vejo muito esporadicamente de coisas que as pessoas enviam para a gente, como vídeos, trabalhos e demos. Então a gente acompanha um pouco assim. Mas eu acho que o rock gospel no Brasil sofre do mesmo problema do rock secular, que é a dificuldade de espaço. Não é o momento dele. Não é o momento do rock na música. Apesar disso, mesmo sem exposição, tem muita banda bacana fazendo coisa muita legal em nível de garagem e de underground fazendo coisas muito bacanas e com muito potencial.

Para acompanhar mais sobre o trabalho do Rosa de Saron:

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4 respostas a “Entrevista: Rosa de Saron”

  1. […] Mauro Loop Sessions ao vivo em Belo Horizonte, cantando ao lado de Guilherme de Sá, vocalista do Rosa de Saron, e Mauro Henrique, vocalista da Oficina G3, o responsável pelo encontro entre o […]

  2. […] vocalista do Rosa de Saron, Guilherme de Sá, é integrante do grupo desde o início dos anos 2000. Sendo o principal […]

  3. […] mas sim o que os motiva a interpretar. No meio cristão, com uma pequena exceção do Rosa de Saron, o qual gravou o Rosa na Estrada, eu ainda não tinha visto um trabalho desses e com tanto […]

  4. […] Meu primo Thiago Batinga é fã doente de bandas católicas, em especial Anjos de Resgate e Rosa de Saron. Católico do pé roxo, era de se esperar. Mas o Rosa que ele ouvia nunca me encheu os ouvidos, um […]

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