O PROPAGADOR – Nesse novo disco vocês colocaram muitas influências do hardcore melódico, tal qual bandas como Dead Fish e CPM 22. O novo vocalista foi quem trouxe essa influência?
Todos nós escutamos e gostamos dessas bandas. Não só o Filé, mas também o Douglas Cocão que está tocando baixo, trouxeram várias ideias e composições novas. Este novo álbum tem influências de todos da banda.
Além da mudança que ocorreu com a entrada de um novo vocalista, quais são as maiores diferenças entre este disco e o anterior?
Além da nova formação, com o Filé nos vocais e o Douglas Cocão no baixo, esse disco representa uma nova fase da banda, mais madura e consistente. O álbum tem músicas com uma pegada mais pop-rock e músicas mais hardcore. Não temos a intenção de nos prendermos a um único direcionamento estético. Estamos abertos a novas ideias e sonoridades. Esse trabalho traduz bem o momento espiritual e familiar de todas da banda. A produção das músicas é um ponto alto também. O produtor foi o Fernando Gambine e a gravação foi dirigida pelo Ricardo Cecchi no estúdio Cia do Som. Diferente dos outros CDs, esse tem um produção mais caprichada e diferenciada que acrescentou muito às músicas. Tivemos também participações de grandes amigos, como Zé Bruno (Resgate) e do Matheus Bird.
Vocês tem dito que o álbum tem dois lados. Como são exatamente estes lados?
São treze faixas. Seis delas tem uma sonoridade mais pop-rock e congregacional, outro grupo de seis músicas tem uma pegada mais hardcore e a faixa “Ah, o Amor…” faz essa transição entre os dois lados. Essa música o Filé já tinha há bastante tempo e gostávamos muito dela. Ela acabou virando uma faixa de interlúdio entre o lado mais pop-rock e o lado hardcore.
É a segunda vez em que Zé Bruno grava uma música com vocês. Qual a relação da banda com os caras do Resgate?
Todos os integrantes do Resgate fazem parte da nossa caminhada. Eles sempre nos acompanharam como pastores, além da influência como músicos. Desde o primeiro disco, eles tiveram uma influência muito grande na banda. Somos fãs do Resgate e ter o Zé Bruno participando do disco, é uma grande honra. Temos eles como referência.
Como foi a produção do clipe “Último e Primeiro”?
Toda a produção, concepção e execução do clipe foi feita pelo Kako Alves, baterista da banda. Foi gravado no Estúdio Backstage em São Paulo com grande ajuda do Alfredo Cappuci. Como a música tem um clima mais dançante, o videoclipe segue essa temática com um visual com muitos efeitos de luz, além de um grande painel de led, que foi a “estrela” da produção. Gostamos muito do resultado final.
Muitas pessoas enfatizam uma divisão entre o “gospel” e o “secular”, o “sagrado” e o “profano”. Em sua opinião, esta separação, em termos musicais, deve existir?
O mundo precisa de amor e não de divisão. De união e não de segregação. Não queremos dividir, queremos multiplicar, queremos somar. Precisamos olhar para o próximo com mais amor e respeito ainda que pensamos de forma diferente. Como cristão, acredito que toda divisão vai contra a mensagem do evangelho. Isso vai muito além de música. Uma postura mais agregadora, compreensiva e respeitosa contribui para vivermos em um mundo com mais amor e com menos radicalismos e extremismos.Fazemos música, fazemos rock, levamos a mensagem do evangelho de forma contextualizada com o mundo que vivemos. Não temos a intenção de sermos panfletários. Acredito que possamos todos sentar na mesma mesa e partilhar do mesmo pão ainda que com gostos e pensamentos diferentes. Queremos falar do amor de Cristo para os todos, tanto “gospel” quanto “secular”. Sem pré-conceitos, sem divisões, mas em amor e respeito.
Cantora, compositora e apresentadora de TV, Priscilla Alcântara é uma artista multitarefa e chega, em 2015, com um novo lançamento no mercado musical cristão, chamado Até Sermos Um. Ainda jovem, a intérprete assinou com o selo gospel da divisão brasileira da Sony Music, e em entrevista ao O Propagador fala um pouco da sua carreira musical.
O PROPAGADOR – Como é a sua relação com a emissora SBT nos dias de hoje?
Não tenho muito contato, a não ser quando participo de alguns programas de lá. Mas lá existem muitas pessoas que amo, saí “de bem” com aquela casa, que sempre me recebe muito bem.
O PROPAGADOR – Você está no meio ‘gospel’ há certo tempo, mas a história da música cristã é muito mais longeva. Quais foram os músicos, no cenário nacional, que mais fizeram parte das suas audições? E no cenário não-religioso? Há algum(a) intérprete ou banda que tenha mais admiração?
Sempre ouvi mais a música americana porque amava a black music, os grandes corais americanos, etc. Claro que tive as referências daqui também, amava ouvir Raiz Coral.
O PROPAGADOR – Fale-nos um pouco da sua última gravação ao vivo acústica.
Foi a gravação de um DVD acústico especial, dos meus 10 anos de carreira. Foi uma setlist cronológica de todos os trabalhos musicais que lancei nesses 10 anos. Foi muito especial, a casa estava lotada de pessoas que não considero fãs, mas amigos que foram comemorar aquele momento comigo.
O PROPAGADOR – Você é responsável pelo Vlog de Tudo no YouTube, que tem feito sucesso, somando mais de 7,5 milhões de visualizações em apenas 4 meses. Como surgiu a ideia? Tens plano de expandir o conteúdo de vídeo?
A ideia surgiu por eu sempre gostar de assistir vlogs e porque notei o quanto meu público se interessava no meu lado descontraído. Decidi fazer o vlog para fazer as pessoas darem risadas, e tem sido muito bom para mim e para eles! Quero expandir, sou apaixonada por produzir conteúdo de vídeos, amo criar!
O PROPAGADOR – Você tem sido uma das jovens cantoras evangélicas que mais possui influência nas redes sociais, inclusive, em quatro meses você conquistou 400 mil inscritos em seu vlog. Como você usa essa influência no seu ministério e no que ela contribui para a divulgação desse novo trabalho?
Em tudo o que faço coloco Jesus no meio. Muitas vezes sem usar palavras, mas com atitudes que refletem muito mais. Mas tenho sim um grande retorno nas redes sociais e sem medo de “perder likes” as uso para falar da verdade. Através das minhas postagens nas redes recebo inúmeros testemunhos, esse é meu objetivo. E claro, esses números colaboram muito para a divulgação do meu trabalho. O mais legal são as interações que posso fazer com meus seguidores, fazendo eles se sentirem por dentro de tudo. Aliás, são essenciais.
O PROPAGADOR – Você, recentemente, lançou uma música em inglês, “I’ve Been Waiting”. Daqui um tempo, você tem pretensão de alçar voo para uma carreira internacional?
Com certeza. Já tenho um projeto completo de um CD com minhas composições em inglês. Espero o momento certo para isso.
Ele fez parte de várias bandas de rock nos anos 80 e 90. Fez parte do Complexo J, e também do Rebanhão. Participando de vários projetos no meio protestante e no meio não-religioso, Murilo Braga é um nome experiente quando se trata de música feita por cristãos. Leia nossa entrevista com o músico, que falou sobre os projetos com a volta do Complexo J, o movimento gospel e seus trabalhos paralelos.
O PROPAGADOR – Antes de tudo, quais sempre foram as suas principais referências musicais? O que você mais gosta de ouvir?
A primeira vez que a música me pegou de jeito eu tinha 11 anos. Um amigo, um pouco mais velho, colocou o disco Help dos Beatles. Aquilo me fez tão bem que não sosseguei até meu pai comprar pra mim… (risos). Ele me deu numa noite de sexta e acordei às 6h pra ouvir sem parar até às 9h. Virei um “beatlemaníaco” e com 12 anos sabia tudo deles, tinha tudo. Depois fui crescendo e descobrindo o som dos anos 60 e 70, décadas onde se criou toda a base do pop e rock. Ouvia Kiss, Led Zeppelin, Peter Frampton, Pink Floyd, Deep Purple, Elton John, Rush. Hoje ainda ouço muito, mas estou mais eclético. Ouço de tudo, menos funk de baile e pagode pop.
O PROPAGADOR – Como se deu a sua entrada no meio musical?
Foi no susto em 1981! (risos) O Rebanhão estava nos primeiros passos e eu fazia parte de uma igreja americana, a Maranatha Ministries (não existe mais). Os pastores trouxeram a cultura do rock cristão e formaram uma banda na igreja, o Novo Começo. Tentei a vaga para o violão, já que o baixo estava ocupado. Fiquei de fora. Marcaram uma apresentação da banda na Concha Acústica da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), e o guitarrista não ia aparecer. Ligaram pra mim às presas pedindo que o substituísse. Fui pra lá cheio de medo. Timidez era meu sobrenome (risos). Dispensaram o guitarrista pela falta e assumi o posto. Como era baixista e não sabia solar na guitarra, sugeri o Helio Zagaglia, que depois veio a ser fundador e toca no Complexo J, pra fazer outra guitarra. Dali veio muita história.
O PROPAGADOR – Quando o Complexo J começou nos anos 80, o mercado musical no meio evangélico ainda era incipiente, mas algumas bandas já existiam, como o Rebanhão e Sinal de Alerta. Como foi esta fase de início de sua banda?
Aqui eu peço licença pra responder em duas partes. Pessoalmente, fiz parte da fase inicial do movimento de música cristã pra jovem, pra rapaziada, pra tocar nas praças, praias, points, e ser ouvido. Isso se deu comigo no Novo Começo em 1981 e a maior dificuldade não estava na sociedade. A galera curtia e ouvia música com letras mais livres, falando de Jesus com ritmo pesado, roupas modernas, visual legal e nos aceitava. O problema se dava nas igrejas, especialmente as pentecostais e de linha mais legalista. Qualquer balada eles diziam que era heavy metal. Foi a época em que se pregou demais sobre o rock ser do diabo. Quanta infantilidade… Rolava perseguição. Mas o que nos importava era ver gente saindo das drogas, do vício, sendo feliz com Jesus. Quando entrei no Complexo J em 1989, o rock cristão vivia seu melhor momento, especialmente no número de grupos com oportunidade de mostrar um bom trabalho, especialmente porque nossas referências de composição estavam na chamada “música secular”. Até os 80 eram raríssimos os trabalhos cristãos de qualidade. Destaco o grupo S8 e os Vencedores, ambos vindos da década anterior.
O PROPAGADOR – Na mesma época em que o rock cristão nacional ganhava força com o surgimento de bandas, o meio nacional fervilhava com notáveis e novas bandas, como Titãs, Paralamas do Sucesso, RPM e a Legião Urbana, enquanto ocorria, aqui, o Rock in Rio em 85. Você, como vivenciador desta época, acha que os músicos cristãos que gostavam de rock foram influenciados por este “boom”?
Acredito que sim. O Rock in Rio de 1985 foi disparado o melhor de todos. Foi um ROCK in Rio. Assim como começaram a surgir bandas nacionais que ganharam a mídia, fazendo a festa de uma geração com o bom e velho rock and roll, no meio cristão o Rebanhão foi fundamental pra inspirar outros a montarem trabalhos semelhantes. Aqui vale ressaltar o nome do falecido Janires, o fundador do Rebanhão, que saiu do grupo em 1984, ano que “trocou seus jeans pelas vestes brancas do Senhor” conforme cantou… (risos). Ele era o “Raul Seixas de Jesus”. Um revolucionário na música cristã. Seu carisma era impressionante e levou o grupo a ser conhecido no Brasil todo.
O PROPAGADOR – O Complexo J teve muitas particularidades em relação a maioria das bandas da época, como um vocal feminino (Liza) e por letras bastante atípicas. Essas narrativas e propostas já eram muito claras no início, ou foram se desenvolvendo com o passar dos anos?
Eram naturais. Nada foi programado. A Liza também entrou na música no Novo Começo, também por indicação minha, depois que me efetivaram. Nós estávamos num treinamento de liderança da igreja nos Estados Unidos, e eu a ouvi cantarolando. Falei que ela deveria ser da banda. O pastor concordou que ela somaria no vocal e acabou entrando com o Hélio. O tipo de letras e de sonoridade estão relacionados ao que ouvíamos. O primeiro disco – Solidão, tem canções com elementos de rock progressivo, o que se percebe até o terceiro – Complexo J 3. No entanto, tem um pouco das influências de cada um.
O PROPAGADOR – Alguns músicos cristãos deste período se queixam acerca de desonestidade por produtores de eventos e adjacências. Em algum momento, no Complexo J, aconteceu com a banda?
Eu estou de volta à banda desde o final de 2014, depois de 22 anos. Estive entre 1989 e 1992. Gravei o segundo e terceiro trabalhos (Arte Final – 1990 e Complexo J 3 – 1992). Dá pra responder de forma geral à sua pergunta porque a banda nunca fez exigências financeiras pra tocar. Então, no aspecto desonesto de não pagar o combinado, nada a declarar, porque a gente espera a consciência de quem nos chama e entenda que temos despesas, e consciência tem-se ou não. Mas quando foi preciso viajar, transporte, hospedagens e refeições nunca faltaram.
O PROPAGADOR – Após dois discos lançados, vocês participaram do Programa do Jô. Como se deu esta entrevista e, na época, qual o impacto na carreira da banda?
A banda estava prestes a lançar o que considero (e parece que dizem ser) o mais marcante trabalho do grupo: o Complexo J 3. Tínhamos um amigo que quis ser nossos relações públicas, e foi ao SBT e deixou o Solidão e o Arte Final na mão do Jô. Alguns dias depois, a produção fez contato dizendo que o “gordo” queria fazer uma entrevista com a gente. Ficamos surpresos e felizes! Na época, o Jô fechava seus programas entrevistando alguém da música, que se apresentava no encerramento. Tudo transcorreu bem, mas rolou um pequeno mal entendido, contornado, mas que nos fez suar de tensão. A produção falou que o tema da entrevista seria “Deus é Real”, nome de uma canção do disco Solidão. Como foi-nos dito que a música era uma sugestão e nós nem tocávamos nos shows, pegamos uma do disco novo, demos “um gás” na passagem de som, e depois que só teríamos como tocar pra valer diante das câmeras, soubemos que não tínhamos escolha: a música não poderia ser outra! Tivemos que “ensaiar de boca” no camarim! “Martinho, a batera faz tum-ta-tchun-ta”…”e Helio, entra o solo depois que o Zé Carlos mandar aquela parte pirauã…pidauê”…”Murilo, marca o baixo pedal”…”Vamos lá, lembra o vocal Liza?…É…Não…Isso!” Foi por aí! rsrs. No final deu tudo certo pela graça de Jesus! Tá no YouTube. O público não entende porque rimos quando o Jô diz: “é Deus é Real que vocês vão tocar, né???!” Hahahaha. Foi importante pra abrir o leque de oportunidades pra tocar. Nós queríamos falar melhor de Jesus no programa, mas estávamos muito tensos com a parte da música no final. O que pode ter atrapalhado um pouco o nível da oportunidade foi que 1992 foi um ano de mudanças intensas.
O PROPAGADOR – Depois, vocês assinaram com a MK Music e lançaram a obra-prima da banda, o disco 3. Inclusive, recentemente, o álbum entrou em nossa lista dos 100 maiores álbuns da música cristã brasileira. Este disco certamente se destaca por ter letras com temáticas mais ousadas e polêmicas e pelos hits que teve. Como se deu a produção deste disco? Alguma composição deste projeto lhe é especial?
É preciso esclarecer um pouco melhor sobre o Complexo J 3. Primeiramente ele foi gravado pela Anno Domini, um selo novo aberto pelo baterista da época, Martinho Luthero. Depois de lançado, ele encontrou problemas com distribuições e divulgação. Nossos melhores divulgadores foram, e ainda são, o público. As pessoas compravam e falavam “uau, que trabalho maneiro!” e assim o disco chegou a ter sua crítica positiva publicada em O Globo pelo jornalista Mauro Ferreira, que tinha nos entrevistado e ao Rebanhão para uma matéria de capa do Segundo Caderno em 1990. Sinto uma grande alegria de ter feito esse trabalho com o grupo. Chegamos a vender 250 discos em 2 noites numa igreja em Santos (SP). Nós éramos os distribuidores… (risos). Em 1993, a formação já havia mudado quando a MK comprou a matriz. Prensou uma quantidade, distribuiu, mas não divulgou. Decidiu gravar um novo trabalho. Com todas essas dificuldades, sem apoio da mídia, praticamente no “ouvi dizer”, o disco é falado até hoje. É comovente vê-lo em 13º lugar dentre todos os trabalhos lançados na música cristã em todos os tempos. Infelizmente, eles nunca se interessaram em lançar em CD.
Sobre composição especial, existe uma composição minha – “Abra Seus Olhos”, composta com outra letra aos 16 anos. Aos 19, no Novo Começo, mudei para a letra gravada e criei uma encenação enquanto cantava. Colocava um roupão preto com uma interrogação na frente e rasgava na estrofe final. Tinha muito impacto no público, e eu poderia contar várias situações diferentes e impressionantes. A mais marcante foi no festival de bandas de rock da antiga “rádio rock”, a Fluminense FM. A gente se meteu no meio de bandas de todo tipo e mandamos rock falando de Jesus. Os malucos ficaram mais malucos me vendo rolar no chão e rasgar o roupão (detalhe: tinha roupa por baixo… rs). O Evangelho é loucura para os que creem. Mas isso é um detalhe. Esse disco soa como um todo. Gosto dele inteiro.
O PROPAGADOR – Após o disco 3, você deixou o Complexo J. Quais foram os motivos da sua saída da banda?
Eu tinha um convite para assumir um culto de domingo à noite na igreja que frequentava. A ideia era que meu visual de cabeludo aproximasse os jovens. O louvor seria mais “barulhento” e eu pregaria. Chamava-se “Giro 180”. Ao mesmo tempo, é preciso lembrar que banda é parecido com casamento, só que mais complicado: não são duas pessoas na busca de entendimento pra andarem juntas, mas 4..5..6..8 pessoas. Nós dialogávamos bastante. Não tivemos nenhuma briga, desentendimento, mas chega um momento em que todos tem razão, só fica complicado equacionar prioridades. Percebi que em alguns pontos eu iria violentar minhas convicções, então conversamos, fiz meu show de despedida, choramos juntos no final, e agora voltamos.
O PROPAGADOR – Quando o Rebanhão passava por profundas mudanças de integrantes, você permaneceu como baixista, com eles, por cerca de um ano. Como se deu a sua entrada no grupo?
A banda estava com Paulinho Marotta no baixo e Pedro Braconnot como integrantes originais do primeiro disco. Paulinho teve um convite de trabalho na área dele (engenharia) fora do Rio de Janeiro e meu nome surgiu em consenso com Pedrinho, que me ligou. Eu havia acabado de pedir pra sair da liderança do Giro 180, porque percebia que meu lugar era na música. Fiquei muito feliz e honrado com o convite. Pedro me falou que o afto de conhecer a banda desde o início, ser amigo da turma, ter as condições técnicas e entender a missão, eu seria o mais indicado. Foi muito bom. Tocar com Pablo Chies, Serginho Batera (depois Wagner Carvalho), Pedrinho, Dico Parente (que cantor de rock!) e Zé Canuto foi um presente. Praticamente um ano depois, a banda teve convite para excursionar pelo nordeste. Eu tinha emprego fixo. Aí foi final da linha.
O PROPAGADOR – Você se lembra, mais ou menos, dos músicos que passaram nesta época na banda ou alguma situação em especial no tempo em que ficou com eles?
Lembro de todos! No Complexo J não houve mudança de membros. Era Martinho Luthero (bateria), eu (baixo, gaita e voz), Marco Salomão (Voz e guitarra), Helio Zagaglia (Guitarra), Zé Carlos Salgado (teclados) e Liza Zagaglia (Voz). Histórias marcantes? Vou acabar com o seu espaço (risos). Pra falar por alto: entrevistas para O Globo e Jô Soares. Tocar no Festival de Bandas de Rock e ser premiada com uma das melhores bandas dentre 100 competidoras (o prêmio era ter uma faixa gravada num disco produzido pela rádio). Tocar na Catedral Metropolitana do Rio, num festival católico, a música “Ressuscitou”, debaixo de um crucifixo de uns 10 metros com Cristo pendurado na cruz foi muito legal (apesar de saber que católicos creem que Jesus ressuscitou também). Ah… e tem coisa que eu não gosto de contar, do tipo “orei pelo cego e ele enxergou” (não rolou isso). Motivo: não sou nem somos NADA. Quem fez e faz qualquer coisa é Jesus. Só contei fatos legais e marcantes pra gente.
O PROPAGADOR – Os anos 90, no rock feito por cristãos, foi muito marcado pelo “movimento” das bandas da Renascer, mas no Rio de Janeiro, além de Rebanhão e Complexo J, tinham outras bandas como o Catedral. Como era a relação de vocês com tudo aquilo que ocorria na capital paulista e com as bandas do Rio?
Era ótimo no princípio de tudo. Com o Complexo J fiz shows grandes junto com o Resgate. Ficamos amigos da formação original do Katsbarnea. Tocamos junto com Oficina G3. Era um tempo ainda “pré-gospel”. Ainda se podia ver amor falando mais alto que o mercado, que a grana, a fama, o glamour.
O PROPAGADOR – O movimento gospel, ocorrido nos anos 90, causou uma intensa mudança no meio musical protestante em geral. Você acha que essas mudanças foram benéficas?
Benefícios só no aspecto de investimentos maiores na infraestrutura de mercado. Passou-se a gravar melhor, se tornou mais profissional o resultado da sonoridade. O rótulo “gospel” para a música de conteúdo cristão foi uma imposição mercadológica. A Renascer de Estevam Hernandes, homem de marketing, junto com Toninho Abbud, dono da Gospel Records e publicitário, conseguiu colocar todo mundo que canta música cristã como “gospel”. Gospel Music é um estilo de música americano, logo não pode haver “rock gospel”, “samba gospel”. O que passou a acontecer desde então foi uma mercantilização cada vez maior da música cristã, chegando ao que temos hoje. Minha resposta? Maléficas! Não confundam com malignas! Mudou pra pior. Hoje vemos gente que sonha em ser cantor(a) gospel “pra honra e glória de Jesus” mas eu pergunto se esse sonho se mantém de pé se for pra cantar por amor, ou aceitando ofertas voluntárias. Há igrejas que investem grana nos músicos pra ver se gravam “os levitas” e fazem um CD e um DVD, e “se Deus nos abençoar”, na MK (porque se for no Rio, dá pra garantir que vai tocar na rádio e vai chover convite). Junto com essa onda de fazer sucesso, tem a máquina de “compor sucesso”. Lixo! Letras sem conteúdo, ou mesmo sem sentido ou base no Evangelho! Outro dia ouvi cantarem numa igreja uma letra que dizia “Espírito Santo, ore por mim”. Provavelmente porque diz que o Espirito intercede por nós. Deve ser de algum cantor gospel desses que cobram 10 mil pra cantar 3 “louvores” em playback! Tiago, se eu for falar o que eu sei de malefícios vindos desse gospel que está aí, não paro de falar e de ficar chateado.
O PROPAGADOR – Depois do Rebanhão, quais projetos musicais você tem participado desde então?
Depois do Rebanhão eu fui chamado para uma banda que fez sucesso nos anos 80 junto com Radio Taxi, Blitz, Herva Doce, etc, chamada Grafite. Explodiu em 84 com a música Mamma Maria. O líder fundador havia se convertido e era pastor. Remontou o Grafite cristão. Fui fazer a voz e guitarra-base, mas logo assumi o baixo. Um ano depois, todos cristãos na banda, pensamos que o lugar de ser luz era fora, e que o Grafite deveria lutar pro espaço na mídia secular. Fiquei no grupo até 98. Tim Maia ouviu nosso CD e elogiou. Chegamos a meio passo de estourar, mas a mídia decidiu lançar o axé do Tchan. Fiz um único show solo cristão em 2000, e não prossegui. Voltei para bandas. Ajudei a montar algumas, mas só em 2004 comecei a tocar novamente profissionalmente. Montei bandas-tributo e covers, todas seculares: Vid Versus, The Kalks e desde 2008 toco nos Rockólatras que faz flash back do rock dos anos 60 aos 90. Fiz gravações ao longo do tempo, e no final do ano passado retornei ao Complexo J na proposta de retomar a pegada do Complexo J 3. Também tenho um projeto de power trio pra 2016 com um guitarrista que já tocou no Rebanhão e hoje toca na noite, Chello Freitas, e um batera que gravou com Bruce Dickinson do Iron Maiden.
O PROPAGADOR – Como você vê a música dita gospel atualmente? Em que, talvez, é preciso melhorar?
Eu não vejo nem ouço… e pra ser honesto, nunca fui de ouvir rádio evangélica. O que eu gostava, eu comprava. Nunca curti rádio. Por isso sempre tive muitos discos e tenho CDs, DVDs e mp3s aos montes. Mas pra melhorar a dita “gospel” tem que começar pelo espírito da coisa. Não estou generalizando, porque tenho certeza de que tem gente boa e honesta, mas que vive cercada de corrupção. É preciso OUVIR música de qualidade pra COMPOR melhor. Ler e prestar a atenção em grandes letristas, na poesia, e sair do mantra. Parar de compor música como se fosse ração pra gado: aprende algumas sequências de acordes que mexem na emoção das pessoas, e só alteram a melodia. Encaixam umas letras colocando as palavras-chavão fora de ordem, e está pronto o novo sucesso gospel. É incrível, como dá pra identificar quando é gospel às vezes por um trechinho de 10 segundos!
O PROPAGADOR – Nos últimos anos, tem-se visto a volta de bandas que outrora encerraram as atividades, como o Stauros, a Banda Azul, mais recentemente o Rebanhão, e agora o Complexo J. Como se deu esta reunião de vocês?
A banda nunca parou, mas fala-se que depois do Complexo J 3, os novos integrantes deram uma nova roupagem ao grupo, e os fãs da banda gostavam mais da fase anterior. Um fato: os músicos que entraram eram (e são) tecnicamente excelentes. O que eu notei também foi isso: o estilo mudou. Aí o público também muda. Recentemente, a banda estava apenas com os dois membros da formação original, Marco Salomão e Helio Zagaglia, ainda sem novos rumos. Sem saber de nada, comentei com o Helio, que voltaria a tocar na banda com prazer. Pouco depois ele e Marco me chamaram pra conversar e me falaram da gente resgatar a pegada roqueira. Topei e aqui estamos.
Sobre o retorno de bandas antigas, que podemos de chamar do rock cristão brasileiro de base, a explicação é simples. Cresce o número de pessoas com saudade do som que fazíamos, das letras, do bom clima, da ausência de competição pelas luzes, fama. A gente toca coisa de 30 anos atrás e pensam que é coisa nova e gostam! O povão se acostumou com o “gospel” e quando alguém mostra algo mais consistente, acham que “a revolução está começando” (risos). Não. Ela estava ganhando raízes quando o mercantilismo tomou conta.
O PROPAGADOR – O que o público pode esperar desta volta do Complexo J? Terá algum registro de inéditas, ou vocês pretendem apenas se apresentar com o material já lançado?
Por enquanto, estamos apresentando o material já gravado, resgatando o dos 3 primeiros trabalhos que deram a marca mais forte ao grupo, e pra 2016 os planos são inserir novas composições e músicas seculares que são Evangelho puro. Muita gente pelas igrejas não consegue ouvir porque se fecha, mas Deus está falando através de Beto Guedes, Teatro Mágico, Rod Stewart…
O PROPAGADOR – Deixe uma mensagem/recado para os nossos leitores.
Antes de tudo: AMEM!! Jesus disse aos apóstolos: “Vocês serão conhecidos como meus DISCÍPULOS pelo AMOR que tiverem uns pelos outros”. Deus escolheu ser amado no seu próximo. Alguém tem sede? Água pra ele. Fome? Rango! Tá doente, preso? Visita. Tá fazendo tudo pra Jesus. É isso que vai fazer a diferença quando chegar diante dEle.
Pra quem quer ser músico cristão: seja músico. Cristão você já é. Não pense em luzes. Já vi as luzes e a fama. Ilusão. Grana corrompe. Cuidado. Pense no Evangelho e no amor pelas pessoas.
Curtam a página do Complexo J no Facebook, e quem quiser ser meu amigo(a) por lá, Murilo Kardia Braga, só mandar uma mensagem dizendo: “li sua entrevista e quero ter você entre os amigos” e o pedido. Será um prazer.
Semana passada, publicamos uma resenha do show que o Resgate fez em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais.
Em entrevista ao O Propagador, após o show, Zé Bruno falou com muito humor sobre carreira, projetos e as polêmicas declarações do cantor Thalles, ocorridas na semana em que o show começou.
Perguntado sobre esses 25 anos de carreira, incluindo o pastoreado, perguntamos como que eles conseguiram e conseguem administrar tudo isso. Para Zé Bruno, a façanha acaba se tornando muito natural com o tempo, desde o inicio que não foi fácil, o fundamental aspecto é a honestidade e o prazer no que faz, não sendo jamais um fardo.
E a banda pensa em aposentar-se ou ainda tem forças para seguirem? Zé Bruno com muito bom humor respondeu: “… ah, o que eu vou fazer com esse tanto de guitarras velhas lá em casa? O melhor é tocar mesmo, enquanto tiver doidos pra ouvir a gente nós vamos trabalhar”.
Questionado sobre as declarações de Thalles cuja polêmica ocorreu no mês passado, Zé Bruno mais uma vez e sempre humorado se esquivou um pouco, desconhecendo do assunto declarando: “… Eu não sei o que esse pessoal fala quando vai ao banheiro, não costumo acompanhá-los no vaso, falam m… demais”, finalizou rindo.
No final, o cantor mandou um recado para os leitores do site. Veja:
O Adoração e Intimidade é um dos grupos congregacionais que vem se destacando nos últimos anos. Formado por Adriano Mendonça (vocal), Nanni Nascimento (vocal), Alex Eduardo (vocal e teclado) e Sandro Faria (baixo), o quarteto lançou, ano passado, o álbum Ele nos Amou, que mesclou o louvor comunitário com sonoridades que envolvem o pop rock e influências eletrônicas. Conversamos com a banda acerca de sua carreira, ideologia e projetos e vocês conferem aqui no O Propagador.
O PROPAGADOR – O grupo nasceu em 2005, mas o primeiro álbum somente saiu em 2008. Como foi esta fase de formação e preparação para o primeiro trabalho?
A banda nasceu sem aquele pensamento de gravar CD, eram apenas adolescentes que queriam tocar música na própria igreja e acompanhar o primeiro vocalista da banda. Desta primeira formação, atualmente, ninguém está mais hoje. Do início, até o primeiro CD, muita coisa aconteceu. Tivemos a troca dos músicos, já que eram adolescentes, então suas prioridades foram mudando ao longo do tempo. Na época, estávamos com as condições financeiras preparadas para arcar com a gravação do CD, e as músicas foram chegando através do Alex, que compôs 8 das 10 faixas do projeto, todas baseadas em histórias pessoais dos membros da banda. Estávamos bem crus, não sabíamos direito o que queríamos, e gravamos o que achamos importante para nós, naquele momento.
O PROPAGADOR – Eu Tenho um Sonho (2008), primeiro álbum de vocês, foi produzido por Ed Oliver e teve a participação de Adhemar de Campos. O que vocês acreditam ser de maior destaque neste projeto?
O que marcou foi que tudo era novo para nós, era um novo tempo para nós. O grande destaque foi a possibilidade de eternizar em um CD as 10 faixas que escolhemos para o CD. Ed Oliver foi um presente de Deus para as nossas vidas, Adhemar de Campos com seus conselhos e sua participação foi essencial para nos direcionar no projeto. Eu Tenho um Sonho reflete muito o que tínhamos naquela época, uma sede por conhecer mais de Deus e também porque o CD nos fez amadurecer. Não foi nada fácil ensaiar aquelas canções (risos). Regravar a canção “Jesus”, do nosso querido amigo Kleber Ferraz foi muito bom, porque foi uma canção que cantamos muito nos corais da vida (risos). E regravar a canção “Made me Glad”, da Hillsong Worship, também foi um sonho realizado.
O PROPAGADOR – Ano passado, vocês lançaram Ele nos Amou (2014), um álbum que difere bastante do primeiro disco do Adoração e Intimidade. A que vocês devem estas mudanças?
Do novo álbum para o anterior, a única coisa que preservou são os três vocalistas e a proposta congregacional, pois acreditamos que esta vontade de cantar música para a igreja nunca sairá de nós. Estas mudanças foram necessárias para o nosso amadurecimento, algumas coisas foram bem naturais, como a inserção do eletrônico, porque fomos inundados com canções que usam muito eletrônico e queríamos inserir isto em nossas músicas. Gostamos de canções explosivas para que possam ser utilizadas no período de música na igreja, e o eletrônico veio calhar com o que já usávamos, que era o pop/rock. Com tudo isso, procuramos nos diferenciar de tudo o que estavam fazendo por aqui, principalmente a ideia de três vocalistas na condução das músicas, bem como esta sonoridade congregacional.
O PROPAGADOR – No repertório, nota-se que vocês andam bastante atentos ao que está sendo feito lá fora, e destaque para as versões do Planetshakers. Essas versões, em especial, foram escolhidas por qual motivo?
As versões foram escolhidas principalmente porque ouvíamos elas no original e aquela vontade de ouvi-las em português nos fez ir atrás da autorização, principalmente as do Planetshakers que já eram do nosso desejo desde o primeiro álbum e foi concretizado somente no segundo. Se ouvirem as versões agitadas principalmente (“Todo o poder a Ti”, “Levar minha Cruz” e “Em Ti Jesus”) notará a sonoridade que é muito diferente do que ouvimos em músicas agitadas nacionais, e no momento estávamos com poucas canções agitadas para o álbum, e gravar uma versão de canção agitada só nos ajudou a montar o projeto, não porque existia uma preguiça artística, mas foi totalmente pensada, a dificuldade em compor canções agitadas. A faixa “Canção do Apocalipse” porque queríamos uma canção que já fosse conhecida pelo público para puxar as demais canções, e a sonoridade dela nos agradou. Newsboys sempre foi referência para nós e tudo casou com a proposta. “O Grande Eu Sou” foi um presente para nós, é uma das canções mais executadas e versionadas de 2013/2014 e ficamos muito impactados com a música. Colocar versões no álbum nos fez subir o nível para que trabalhássemos melhor as canções autorais, porque, em alguns projetos, víamos aquela discrepância no conceito, que a versão sempre chama mais a atenção do que as faixas autorais, trabalhamos arduamente pra que as canções autorais pudessem ficar no mesmo patamar que as versões.
O PROPAGADOR – A música de trabalho do disco é “O Grande Eu Sou”, que até recebeu uma versão em videoclipe. Dentre tantas canções no disco, o que esta, em especial representa a vocês?
Esta em especial traz uma mensagem poderosa, principalmente na ponte da música: “montanhas se abalam, demônios fugirão, ao ouvir que o Senhor Jesus é o Rei dos reis não há poder no inferno nada resistirá diante da presença e do poder do Grande Eu sou”. É um trecho muito impactante e ele traduz muito a mensagem que pregamos no álbum que é o amor e o poder de Deus. A melodia também é bem chamativa e o que mais nos despertou foi de que na igreja em que parte da banda congrega, a Igreja Internacional Torre Forte, na primeira vez que a ministramos já foi recebida muito bem, e acabamos optando por ela. Graças a Deus temos algumas canções que poderiam ser singles também, mas por conta desta receptividade maior por parte da nossa igreja, acabamos escolhendo ela. Uma versão também chama mais a atenção e algumas informações na divulgação da faixa colaboram na propagação da música, principalmente no YouTube.
O PROPAGADOR – Muitos dos grupos congregacionais (ou até artistas solo), quando produzem um disco, possuem um repertório autoral inferior as versões. Isso não é visto no trabalho de vocês. Isso foi pensado? Qual a política do Adoração e Intimidade quanto ao repertório?
A nossa política é reunir o melhor repertório possível, independente se são canções próprias, de compositores parceiros ou de versões. Ouvimos mais de 200 canções para chegar no repertório final. A parte que mais desprendemos tempo foi na construção do repertório. Preocupamos-nos muito com a qualidade da melodia e da letra. Tínhamos um tema central que era Ele nos Amou e dentro disto fomos trabalhando nas letras que apareciam para compor o projeto. Para os compositores nacionais e também acreditamos dos grupos e artistas que vão fazer um CD congregacional a maior dificuldade são as canções agitadas, e com uma dica aqui e ali do nosso produtor Ruben Morais tivemos um start… “puxa existem muitas canções agitadas internacionais que poderiam calhar neste repertório, já que as composições da banda e de amigos da banda não estão tão boas como estas versões. Vamos utilizar versões para as agitadas?” Aí partimos daí para construir nosso CD. E estamos satisfeitos com isso.
O PROPAGADOR – Vocês são de uma área que já foi mais forte na música cristã nacional. Nos últimos anos, temos visto vários grupos e ministérios tornando-se em carreira solo, ou simplesmente encerrando as atividades. Como vocês enxergam estas mudanças?
Olha, durante o nosso crescimento musical, sempre estivemos envolvidos com a música congregacional, ela sempre esteve presente em nossas vidas. O que tem acontecido no mercado é que as pessoas andam seguindo muito a moda ou o que estão tocando lá fora, mas acredito que o que de fato chama a atenção é quem procura criar suas próprias características, pois não temos visto ninguém que copia outra pessoa fazer sucesso ou conseguir destaque. Acreditamos que, na música, as pessoas precisam focar e saber aonde quer chegar e acima de tudo ter esse chamado para trabalhar com música cristã, algo que não é nada fácil. Se olharmos para as barreiras nem teríamos gravado o primeiro álbum. Tudo existe um começo e um fim também. Esperamos que este ciclo tenha acontecido com todos os grupos e ministérios que optaram por trabalhar somente na carreira solo.
O PROPAGADOR – Agradecemos pela entrevista cedida. Querem deixar algum recado para os leitores do O Propagador?
Queremos agradecer a todos que tiraram um tempo para ler o que tínhamos a compartilhar. Deus abençoe todos vocês e ouçam nossos álbuns nas plataformas digitais. E que a mensagem do amor de Cristo possa abraçar todos vocês. Não existe nada do que o amor de Jesus sobre nós!
Ela tem apenas 15 anos de idade, mas já está em vias de lançar seu segundo disco da carreira, acumula mais de 540 mil seguidores somados em suas redes sociais e cerca de 13.600.000 visualizações apenas em seu canal oficial no YouTube. Ela é Bekah Costa.
Revelada no Programa Raul Gil, Bekah emocionou o Brasil com sua história de vida e encantou a todos com sua voz marcante. Agora, prestes a lançar “Lugar Secreto”, seu novo álbum, Bekah Costa fala com exclusividade ao Propagador contando sobre o novo projeto, carreira e futuro.
Está imperdível!
O PROPAGADOR – Você sempre diz que sua vida é um milagre. Conte um pouquinho dessa sua história de milagres.
Sim, é verdade! A minha vida é um milagre de Deus. Aos oito meses de idade fui acometida por uma bactéria, conhecida como Staphylococcus aureus e estive em coma, na UTI por 20 dias. Fiquei sepse (infecção generalizada), pneumatórax (entrada de ar dentro da pleura, a membrana que recobre os pulmões e tive derrame pleural). Meus rins pararam de funcionar e fiquei uma bolinha de tanta retenção de líquidos no meu corpo. Dias depois fui desenganada pelos médicos, mas, os planos de Deus foram e são outros para minha vida. Aos 4 anos de idade tive muitas crises de edema de glote que fechava minha garganta e me deixava sem ar! Hoje tenho muita convicção do meu chamado! Passei por 10 cirurgias em minha perna esquerda e o prognóstico seria sua amputação, mas, estou com ela até hoje e uso aparelho ortopédico para andar, correr, pular e andar de patins.
OP – Você ganhou destaque nacional no Programa Raul Gil e se tornou conhecida ainda muito nova. Sendo tão jovem, como é lidar com os dilemas da adolescência enquanto é acompanhada por tanta gente?
Antes de qualquer coisa, eu amo de paixão todos meus amigos das redes sociais! Bem, a adolescência é uma fase linda, porém, difícil para todos nós, ainda mais quando nos tornamos pessoas públicas. Tenho aprendido a lidar com meus impulsos, meus questionamentos e a fazer escolhas mais acertadas. O segredo está conhecer a palavra de Deus e guardar o coração quando o inimigo soprar seus enganos sobre nós. Quanto a ser acompanhada por milhares de pessoas, sei que é uma responsabilidade gigantesca, pois, elas sempre esperam o melhor de mim e nem sempre consigo corresponder, mas, me sinto super honrada e feliz e sempre que posso respondo as mensagens que elas mandam para mim, mas, não consigo responder todas elas, mas, quase deixo um coração para elas!
OP – Você é muito nova e já está em seu segundo disco. Você ainda está na escola, mas já tem uma carreira. Você pensa, ou em algum momento já pensou, em fazer outra coisa que não fosse cantar?
A música é uma herança que vem de meus bisavós, avós e de meus pais. Então, não poderia ser diferente comigo. Sim, houve momentos em que eu estava muito cansada de tantos compromissos, viagens e das exigências do colégio militar que pensei em dar um tempo, mas, sabia que eu iria sofrer muito se abandonasse o que mais amo: a música. Respiro, durmo e acordo com ela em minha mente.
OP – Você está em fase de produção de “Lugar Secreto”, seu segundo disco. O que você tem notado de evolução musical em relação ao “Vivendo Milagres”, seu álbum de estreia?
Meu novo álbum, Lugar Secreto, tem um estilo muito diferente do meu primeiro trabalho. A evolução é nítida em termos de estilo e de arranjos que são super modernos. A minha interpretação melhorou muito e ainda terei a participação do African Singer no back vocal e da Daniela Araújo em uma das faixas do álbum. A vibe está super up e é voltada para meu público: adolescentes e jovens de 18 a 88 anos! (risos) Aguardem, fevereiro vem aí!
OP – Daniela Araújo, que assina o “Lugar Secreto” como produtora musical, afirmou em seu Twitter que o álbum será inovador e fará ‘a juventude pirar’. Que inovações são essas? O que o público pode esperar deste trabalho?
Se a Dani falou, tá falado e eu assino em baixo! (risos) Então, são 10 canções inéditas com estilo e os arranjos que estão super modernos. Minha expectativa é que será super aceito pelo meu público. As letras falam do amor de Deus, dos planos dEle, do lugar secreto…
OP – Você já adiantou em vídeo que o disco apresentará músicas de Daniela e Jorginho Araújo, bem como versões. O que você pode adiantar em relação a isso? As canções seguem uma temática específica?
As composições da Dani e os arranjos do Jorginho estão fazendo toda diferença nesse álbum. Sem noção do quanto estou feliz com os resultados que estamos conquistando. Quanto às versões só posso adiantar que foram escolhidas com muito carinho e são lindíssimas! Não, não tem uma temática definida, mas, os estilos e as letras das canções conversam bem entre si.
OP – Qual a previsão de lançamento do novo disco?
Faremos pré-lançamento pelo site do Cristão Shop, iTunes e Google Play e isso deve acontecer no mês de fevereiro, se Deus quiser! Estamos trabalhando muito para isso. O lançamento oficial está previsto para abril e será em Brasília, depois, faremos em algumas capitais.
OP – Quem são suas referências musicais na atualidade? Em quem você se inspira para fazer sua música?
Daniela Araújo, Leonardo Gonçalves, Gabriela Rocha, Bethel Live, Paulo César Baruk, Brooke Fraser, Gungor, Tye Tribbett, João Alexandre, Palavrantiga, Israel Houghton, Mali Music, Mindy Gledhill, Shawn McDonald, etc.
OP – Você ainda é jovem, mas já pensa no futuro? Como você gostaria de estar daqui a dez anos? O que você espera alcançar seja na sua vida pessoal ministerial e profissional?
Gostaria e quero estar onde Deus reservou para eu estar e isso significa estar no centro da vontade de Deus. Espero alcançar muitos adolescentes e jovens para JESUS e que meu ministério seja uma ferramenta poderosa para falar do amor de Deus. Como profissão desejo continuar com a música e fazer publicidade e propaganda.
Enquanto você aguarda o lançamento de “Lugar Secreto”, acompanhe o clipe de “Vivendo Milagre”, título e single do álbum de estreia de Bekah.
Ela é uma das principais cantoras da música cristã nacional. Referência entre o público jovem, Pamela é sucesso há anos. Com o Tempo de Sorrir, seu mais recente álbum lançado, e primeiro pela gravadora Som Livre, a cantora apresenta um dos melhores trabalhos de sua carreira e, como não poderia deixar de ser, está cheia de planos para o futuro.
Para falar mais sobre o “Tempo de Sorrir”, carreira e novos projetos, Pamela falou com exclusividade ao Propagador. Confira:
OP – Primeiro trabalho pela nova gravadora, a Som Livre. Qual a expectativa para este novo momento profissional / ministerial?
As expectativas são as melhores possíveis. A Som Livre é uma gravadora muito profissional e trabalha com muita excelência, acredita nos meus projetos e deixa ser realmente quem eu sou, não tirar a minha essência. O CD está tendo uma ótima repercussão e isso é resposta de um trabalho feito com amor, com oração, direção de Deus e muita seriedade.
OP – Você disse, em entrevista, que cada disco retrata um momento da sua vida. Que momento é esse explicitado no Tempo de Sorrir?
Tempo de Sorrir retrata um momento muito bom da minha vida, tanto pessoal quanto profissional. Posso dizer que estou vivendo um novo tempo em Deus, um tempo de colher coisas boas, pois durante o Recuperando o Tempo (álbum lançado anteriormente a esse) eu literalmente plantei muitas coisas em Deus. Foi um recomeço, tive que sair dos holofotes e “trocar a lâmpada” pra voltar a brilhar em Deus, renovada, pra ser usada por Jesus e levar a palavra dele através dos louvores. Já é o segundo álbum que meu marido Márcio Carvalho produz e estamos mais envolvidos, mas entrosados. É maravilhoso ver o que Deus tem feito conosco.
OP – Para quem ainda não ouviu, como você descreveria o “Tempo de Sorrir”? Quais são suas músicas preferidas deste novo álbum? Amo todas as canções, falam muito comigo, me identifico com elas. Eu realizei um grande sonho nesse CD de regravar a canção “Desde o primeiro momento” (From This Moment) é uma canção de amor que havia gravado no ano 2000 e tê-la agora nesse CD foi um presente de Deus.
OP – Após o elogiado Recuperando o Tempo que, dentre outras influências, flertou com o sertanejo universitário, no Tempo de Sorrir você volta com força ao pop que te consagrou junto ao público jovem. Como funciona esta escolha da identidade sonora do álbum? Eu gravo o que toca meu coração, e em todos meus CDs eu coloco canções românticas e eletrônicas. Essas nunca podem faltar. Nesse álbum estava sentindo falta do pop rock e voltei a gravar músicas nesse estilo. Eu gosto de variar, já são 9 CDs lançados ao longo do meu ministério, já posso fazer isso.
OP – Você lançou recentemente o clipe da música “Flecha em suas mãos”. Como foi o processo de gravação? O que o público pode esperar deste projeto? Essa foi a primeira música que escolhemos pra trabalhar nesse cd e foi bem difícil escolher! Porque temos vários estilos e cada um se identifica com uma. Mas esse clipe “Flecha em suas mãos” está um marco no meu ministério porque são histórias reais, são testemunhos, a minha Banda participou e cada um contou a sua história. Foram 3 dias intensos de gravações, foi bem cansativo, mas valeu a pena. O roteiro foi todo escrito pelo meu marido Marcio Carvalho e ele também conta o que Deus fez na vida dele. O clipe foi lançado dia 14/10, juntamente com meu novo site www.pamela.com.br
OP – O projeto gráfico do Tempo de Sorrir foi assinado pela Imaginar, agência mineira de designer. Quais foram as referências para a criação da identidade visual do disco? O Marcus Castro fez um estudo de capa incrível! Eu queria fazer uma capa diferente, de corpo inteiro, então ele propôs colocar 5 fotos todas sorrindo em 5 situações diferentes. 5 “Pamelas” vivendo realmente o Tempo de Sorrir sendo que a do meio estaria destacada. A contra capa tem 3 “Pamelas” em closes mais fechados também sorrindo.
OP – Agora, que o novo disco foi lançado, quais são os planos futuros? O público pode esperar um registro em DVD? Sim! Graças a Deus vou realizar esse sonho e agora me sinto preparada pra isso. Ainda não temos data, mas provavelmente será em 2015.
OP – Você faz música tipicamente jovem, com apelo imenso especialmente junto ao público teen. Qual a importância de fazer música voltada para essa faixa etária? Você já teve testemunhos de adolescentes que tiveram suas vidas transformadas por Deus, através das suas canções? Eu sempre canto aquilo que primeiramente fala comigo! Como comecei a cantar na adolescência os temas eram pra os adolescentes, e esses adolescentes foram crescendo junto comigo e fui amadurecendo junto com os meus CDs. Não me vejo hoje como uma cantora “teen” e mesmo assim os jovens continuam se identificando comigo, que bom! Fico muito feliz! Gosto dos jovens, eles são ousados e é isso que sempre faço nos meus trabalhos “ousar”. Acredito que os elementos musicais chamam a atenção deles, é tudo muito moderno. E os frutos desse trabalho todo são colhidos. Muitos testemunhos, salvação, aquilo que Deus sempre faz através do louvor.
OP – Já são 9 álbuns gravados, videoclipes, discos de ouro, shows, indicação ao Grammy, disco em espanhol, mais de 1 milhão de seguidores nas redes sociais e diversos hits emplacados. Você acha que te falta conquistar alguma coisa na carreira? Profissionalmente falando, quais são os sonhos ainda não foram realizados? Sem dúvida nenhuma meu DVD! E está bem próximo de acontecer.
Considerada uma das melhores do Brasil, a banda de rock católica Rosa de Saron conseguiu fazer com que seu som extrapolasse as paredes das catedrais e encantou jovens evangélicos e não cristãos.
Famosos pelas letras fortes, caracterizados pela voz marcante do vocalista Guilherme de Sá e identificados por um rock que vem se mantendo atualizado há mais de 25 anos, não é exagero nenhum dizer que os integrantes do Rosa de Saron fizeram e continuam fazendo história na música cristã nacional.
Para falar mais sobre história, música e novo disco, conversamos com exclusividade com o Rogério Feltrin, baixista e fundador da banda. Ao lado de Guilherme (voz), Wellington Greve – o Grevão – (bateria) e Eduardo Faro (guitarra), ele integra essa que é, sem dúvidas, uma das bandas de rock de maior qualidade do Brasil, tanto no segmento religioso quanto no secular.
O PROPAGADOR – No quesito qualidade musical, Rosa de Saron é praticamente unanimidade, sendo frequentemente lembrada como uma das melhores bandas de rock do cenário nacional. Com todo o potencial musical da banda, alguma vez vocês pensaram em ampliar de vez os horizontes deixando o segmento religioso?
Não. A gente sempre quis e sempre pensou em atingir outros mercados, outros segmentos e outros públicos, mas nunca pensou em deixar o segmento religioso. Nós temos uma noção muito grande das nossas raízes, do porque montamos a banda e isso é o essencial, é o fundamental e imutável.
OP – Desde o DVD Acústico, e em parte pela parceria com a Som Livre, vocês romperam os limites da música católica e conquistaram não religiosos e evangélicos amantes de rock. Essa ampliação de público interferiu nas composições atuais da banda? Existe a preocupação de, por exemplo, diminuir referências especificamente católicas para tornar suas músicas mais acessíveis?
Na verdade, não foi exatamente isso que aconteceu. Nós sempre atingimos outros públicos e sempre conseguimos falar com os evangélicos e o público de rock. Não ampliou para outros públicos, mas ampliou de um modo geral para estes mesmos públicos, então cresceu de uma forma geral. E não! Isso não interfere na forma como nos compomos. A gente não compõe para agradar esses públicos, mas agradamos a esses públicos pela forma com que a gente compõe. O caminho, na verdade, ele é inverso.
OP – Vocês surgiram como uma banda com forte influência do heavy metal fazendo um som que praticamente não existia há mais de 20 anos atrás na música cristã. Com o passar do tempo, mais exatamente após a entrada do Guilherme em 2001, o som se consolidou como um rock que busca referências em outros estilos, como o pop. Como essa mudança foi vista pelo público que a banda tinha até então? Existe alguma possibilidade de um retorno às raízes no Metal?
Bem, eu acho que a primeira coisa é que o público se renova muito. Se você pegar, 50% do nosso público hoje não tinham nem nascido quando a gente começou. Então não tem muito isso de “como o público encarou”. O público vai renovando sempre. Lógico que tem aqueles que são mais antigos. Uns gostam das novidades, uns não e outros vão passando a curtir outras coisas também. Esses fãs também mudam. Outros não mudam e param de gostar, e assim vai. Eu acho muito difícil a gente analisar, mesmo com artistas com longevidade de carreira, eles manterem a mesma característica de som sempre. Estão sempre se atualizando, se renovando, porque isso é do artista, normalmente, essa ansiedade de novidade, porque a gente também se cansa. São pouquíssimos casos de artistas que mantém exatamente o mesmo estilo por muitos longos anos a fio. Existem alguns casos assim e dá pra citar, claro, de muito sucesso inclusive, mas de um modo geral não. De um modo geral eles gostam de se atualizar e a gente não é diferente.
Acho pouco provável um retorno à raiz de Metal, pelo menos em curto prazo, porque não é uma coisa que a gente está vivendo no momento de gosto pessoal e musical. O Metal, ele também ficou um pouco datado, ele ficou um ‘som daquela época’ e não se atualizou muito. Agora estão vindo algumas bandas novas, mas eu acho que primeiro a gente precisaria mais ser reconquistados pelo estilo para poder voltar a fazer. Eu gosto de muita coisa de Metal, mas gosto daquelas coisas que eu curtia há quinze anos atrás, há vinte anos atrás, entendeu? Então, aí fica datado mesmo e a gente não. A gente gosta de estar soando atual.
OP – Desde 2007 a banda vem lançando um trabalho por ano. Como produzir tanto e ainda manter a qualidade? Com tantos trabalhos emblemáticos na bagagem e 25 anos de carreira, fica mais fácil ou mais difícil inovar musicalmente?
A gente criou um ritmo nosso e incorporou esse ritmo na rotina. É desgastante sim, é puxado, é cansativo, mas nos adaptamos a isso, na verdade. Vamos dizer assim: que se criou uma fórmula interna para conseguir produzir nessa quantidade, mas também não é uma obrigação. Eu tenho dito isso. Eu já respondi a essa pergunta recentemente e a gente não tem essa obrigação de um trabalho por ano, mas temos conseguido fazer e enquanto tivermos o que dizer e estivermos conseguindo fazer trabalhos de qualidade nesse ritmo, a gente faz, mas não há problema nenhum em estender estes prazos. Então, não é uma obrigação que se impõe. A gente gosta de perseguir essa meta, mas se não for possível, tudo bem, ela pode ser revista.
OP – Como está sendo a receptividade do público com o novo disco?
Ótima! A receptividade tem sido muito bacana. Eu acho que, em toda nossa carreira, este é um dos melhores feedbacks que a gente teve. São os mais positivos e estamos muito felizes.
OP – Em entrevista antiga, o Rogério Feltrin afirmou que os integrantes da banda são muito ecléticos “… dentro do rock”. Como toda essa diversidade se traduziu no “Cartas”?
Eu sou muito suspeito para dizer, mas eu acho que as músicas soam bem diferentes. Se pegar o disco, você vai ter vários tipos de levadas diferentes acontecendo. Algumas músicas puxam para uma coisa mais britânica, outras para uma coisa mais americana. Eu acho que isso se reflete mais nesse sentido. Apesar de ter uma coerência musical do próprio estilo, eu acho que o disco é bem eclético também, com bastante nuances bem diferentes.
OP – Neste novo álbum, vocês falam de temas atemporais, como a morte, verdade e mentira, além de questões contemporâneas, como o egoísmo, a fragilidade humana e até mesmo uma referência à Síndrome de Asperger. No processo de composições, há uma intenção conceitual para todo o álbum ou a produção é completamente livre e despretensiosa?
Não existe uma intenção conceitual, mas acaba soando conceitual porque eles são sempre reflexo de um período que a gente está vivendo, entende? Então as músicas acabam girando em torno daquela fase, daquele período e são um retrato daquele momento que a gente está vivendo, do que a gente está pensando, discutindo, conversando. Então, ele não é propositalmente conceitual, mas ele acaba soando um pouco conceitualmente.
OP – Ainda em relação ao “Cartas”, a banda já tem algum projeto em vista com o disco? Novos videoclipes? Considerando o sucesso dos trabalhos em vídeo da banda, o público pode esperar DVD deste trabalho?
A gente tem a intenção ainda de produzir alguns clipes para este trabalho. É uma área que estamos investindo agora – de vídeos – porque hoje existe um espaço para isto, principalmente na internet, coisa que não existia há tempos atrás. Por isso que nunca nos preocupamos com videoclipe. Por enquanto, ainda é muito recente e a gente está pensando em um próximo trabalho. Temos algumas ideias de coisas que queremos fazer. São muitas coisas que passam pelas nossas cabeças, mas provavelmente, a gente não faça um DVD deste trabalho. Por enquanto, é algo que não estamos considerando ainda.
OP – Vocês conhecem ou acompanham alguma banda evangélica? Se sim, qual a visão que vocês tem do rock gospel que é vem sendo produzido no Brasil?
Na Verdade, acompanhar assim mais de perto, eu acompanho o trabalho da galera do Oficina G3, porque a gente desenvolveu um laço de amizade e sempre estamos trocando ideias e, enfim, conversando sobre trabalho, essas coisas. Então, estamos sempre por dentro do que eles tem feito. Fora isso, eu vejo muito esporadicamente de coisas que as pessoas enviam para a gente, como vídeos, trabalhos e demos. Então a gente acompanha um pouco assim. Mas eu acho que o rock gospel no Brasil sofre do mesmo problema do rock secular, que é a dificuldade de espaço. Não é o momento dele. Não é o momento do rock na música. Apesar disso, mesmo sem exposição, tem muita banda bacana fazendo coisa muita legal em nível de garagem e de underground fazendo coisas muito bacanas e com muito potencial.
Para acompanhar mais sobre o trabalho do Rosa de Saron:
Ele é o principal nome quando se trata de humor no meio gospel. Com dois canais de vídeos no YouTube e apresentações por todo o Brasil, Jonathan Nemer tem conseguido mostrar que crente não apenas sabe rir, como também sabe fazer os outros rirem.
Confira esse bate-papo exclusivo e divertido com Jonathan e aproveite para conhecer mais desse talentoso jovem.
O PROPAGADOR – Como e quando você decidiu levar o humor a sério na sua vida? Sendo advogado e atuando na área jurídica, por que escolheu fazer humor profissionalmente? Acreditas que pode chegar o momento em que você terá que decidir entre as duas áreas?
Você falou que seriam 10 perguntas, mas só nessa você já fez 3. Se as outras 10 forem assim, ao final serão 30… espertinhos kkkkkkkkkkkkkkkkkk Desde pequeno sempre gostei de comédia, de filmes e seriados de humor, sempre fui piadista nos ambientes em que vivia. Em 2005 participei de um filme de comédia musical chamado Sou Diferente, da minha irmã Rebeca Nemer, como ator e como roteirista. Em 2009 foi o 2º filme, Tudo de Bom – O Filme, também atuando e roteirizando. Em 2010 comecei a fazer meus próprios vídeos, ainda de forma bem amadora. Ainda advogo em horário comercial, e confesso que estou sem tempo para outras coisas em razão da existência desses 2 trabalhos que exigem tanto de mim. Pode ser que um dia eu tenha que optar entre as 2 áreas, mas por hora, apesar do aperto de tempo, não abriria mão de nenhuma delas.
O PROPAGADOR – O humor no meio gospel não é exatamente uma unanimidade. Como você lida com as críticas em relação às suas piadas?
Eu entendo completamente a pessoa que rejeita o “humor gospel”. O Humor gospel começou em 2011 quando fiz meu primeiro vídeo destinado escancaradamente a esse público. A repercussão foi gigantesca, e as críticas também vieram. Mas hoje a esmagadora maioria já entendeu a proposta e até aceita. É incrível o número de emails e mensagens que recebo nas redes sociais de pessoas pedindo perdão, pois pensavam que o objetivo era um, mas perceberam que é outro. Mas é compreensível rejeitar esse tipo de humor… temos que saber que existem igrejas, famílias que vivem de uma forma extremamente conservadora, e talvez isso seja chocante demais para eles.
O PROPAGADOR – Pra você, fazer humor gospel é mais fácil ou mais difícil que o convencional? Como fazer humor para cristãos em uma época em que a vulgaridade parece ter virado uma das peças fundamentais desse segmento?
Eu faço os 2 tipos de humor. O canal youtube.com/JonNemer é de humor gospel. O canal youtube.com/Desconfinados é de humor convencional, um projeto que tenho em parceria com o Thiago Baldo, também dono do canal. O que é humor gospel? Humor com situações dos cristãos, igreja, brincando com seus costumes, vestimentas, vocabulário, etc. Já o canal Desconfinados é um canal de humor sem segmentação. Os temas tratados semanalmente são sobre TV, comercial, música, relacionamento, sexo, política, e as vezes religião. A diferença é que apesar de ser humor pra todos, não usamos as armas que todos usam para alcançá-los. Bom senso e valores pessoais ditam isso. Por isso não usamos palavrão em nossos vídeos.
O PROPAGADOR – Uma pergunta que já se tornou recorrente para os humoristas é a respeito do limite do humor. No meio gospel, este limite, se de fato existe, é mais restrito? Até que ponto vale a pena ir em busca da risada?
O limite do humor é subjetivo. Cada um tem um limite, nenhum limite é igual. O limite que uso, é o MEU limite, que talvez pra outra pessoa seja muito forte, e pra outra pessoa muito leve. Meu limite como disse na pergunta anterior está ligado ao Bom Senso e aos meus valores. O que falo dentro de casa, para meus pais, para meus amigos, eu falo nos vídeos.
O PROPAGADOR – Alguma vez você já sentiu que ultrapassou os limites? Já se arrependeu de alguma piada feita?
Não. Penso muito bem antes de gravar. Já deixei de gravar algo por achar que ultrapassaria os limites, mas se fiz, é porque foi muito bem pensado.
O PROPAGADOR – Existe diferença na aceitação, ou mesmo não aceitação, em algum segmento religioso em relação ao seu humor?
Não, recebo mensagens em meus vídeos de pessoas das mais diversas igrejas, seja pentecostais, tradicionais, neo pentecostais, etc. O humor tem um cunho pessoal, subjetivo. Não tem como delimitar por placas algo que seja tão íntimo.
O PROPAGADOR – Nos seus vídeos, você faz críticas bem humoradas a certos vícios e características do meio religioso, como aos telepastores, comércio de oração e coisas do tipo. Além da comicidade natural das situações, você acha que seu humor pode servir para alertar as pessoas?
O humor tem 2 características… Entreter e fazer refletir. Alguns vídeos são meramente entretenimento. Outros, são entretenimento, mas existe um claro objeto crítico que gera reflexão. Só reflexão, pesa, cansa. Só entretenimento, fica muito raso. É bom sempre haver um equilíbrio entre ambos elementos.
O PROPAGADOR – Além de fazer seu stand up nas igrejas, você ainda prega ao final de suas apresentações. Você já recebeu testemunhos de pessoas que se converteram e tiveram a vida transformada por Deus nos seus shows? Pra você, qual a importância de usar o humor em prol do reino?
O stand up é um projeto separado, que começou em dezembro de 2011 no Cruzeiro do Diante do Trono onde me apresentei 3 dias. O stand up geralmente é um meio de humor em que se usa muita apelação, palavras pesadas… Meu stand up tem um conteúdo 100% censura livre, pra toda família. Falo de tudo… cotidiano de uma pessoa comum, e cotidiano de coisas da igreja. O stand up tem 60 minutos e ao final deixo uma palavra de 20 minutos, que graças a Deus tem sido muito bem recebida. Creio que o humor tem esse poder, de trazer a confiança do ouvinte, você se torna íntimo dele, sem saber nada da vida dele. Ele confia em você, ouve com mais confiança. Igual um professor engraçado de uma matéria chata. O professor é engraçado, você começa a gostar mais da matéria, entende, aprende com mais facilidade. E o humor tem dado esses resultados nas igrejas. Esse ano tive praticamente todos finais de semana com agenda, sendo que em alguns finais de semana tive sexta, sábado e domingo em 3 estados diferentes. E ao final, não foram poucas igrejas que tivemos mais de 100 jovens à frente no apelo. Tem sido realmente uma estratégia muito edificante e frutífera, pois estamos falando a língua dos jovens.
O PROPAGADOR – Você tem milhares de seguidores nas redes sociais, dois canais no YouTube, mais de 13 milhões de visualizações em seus vídeos, já participou de vários programas de televisão – além de alguns pedidos de casamento via facebook. Você se considera famoso? Como é sua relação com o público? Existe cobrança das pessoas em relação à sua vida ou comportamento?
Me considero famoso? Que estranha essa pergunta… Prefiro ver o significado de fama que é “ser conhecido”. Na minha cidade sou um advogado famoso, pois temos bons êxitos em nosso escritório, com entrevistas para emissoras de TV por conta de ações ganhas etc. Um médico famoso, tem competência em seu proceder. Se você me considerar um “humorista” famoso, vou me sentir honrado, pois é sinal de que está sendo feito um bom trabalho e está havendo um reconhecimento. Mas pouquíssimas pessoas me conhecem, não sou famoso não rsss…
O PROPAGADOR – Mesmo sabendo que o futuro está sob controle de Deus, como você se imagina daqui a cinco anos? Que sonhos você almeja realizar? Além dos palcos e internet, você pretende levar seus projetos humorísticos para outras plataformas?
Como me imagino daqui a 5 anos? Prefiro continuar guardando isso só pra mim e pra Deus rsss… vamos marcar outra entrevista pra 2019 e saberemos como tudo estará rsss… Muito obrigado pela entrevista e pela paciência em ler tanto. Nunca se esqueçam que a marca do cristão é a alegria, e jamais a alegria pode ser confundida com pecado. Se alegrar é bom, fazer sorrir é bom, e tem como sermos pessoas alegres e vivermos em santidade. Um abraço e Deus abençoe a todos.
O Rede Ativa é uma banda cristã de rock, que surgiu em meados de 2004, na cidade de São Paulo. No final do mesmo ano, o grupo gravou ao vivo o seu primeiro CD e DVD, intitulados por Rede ao Mar, contendo 11 faixas inéditas. Em dezembro de 2007, o grupo lançou seu segundo CD, Sem Perder o Estilo, gravado em estúdio e contendo 15 faixas inéditas. Em fevereiro de 2008, este mesmo álbum foi indicado ao Troféu Talento – até então, a maior premiação da música gospel – como melhor álbum alternativo. E para brindar esta conquista, em março de 2010, o grupo lançou o seu segundo registro áudi0-visual, gravado ao vivo na praia de Ubatuba/SP, intitulado também por Sem Perder o Estilo, onde contém as músicas desse mesmo CD + 3 músicas inéditas, making of, entrevistas, e um documentário da banda.
Em seguida, o grupo voltou suas atenções para a gravação do terceiro projeto. Gravado totalmente em estúdio, o O Mundo a Meu Favor contém 11 faixas inéditas com mais 2 musicas já conhecidas pelo público (“Sal e Luz” e “Sol do meu Verão”), gravadas também no DVD Sem Perder o Estilo.
Em agosto de 2011, o grupo fez uma turnê pelos Estados Unidos, para lançamento do novo disco. Ao retornar ao Brasil, em 14 de outubro de 2011, eles lançaram o seu primeiro clipe, da música “Regue a Semente”, e que com apenas 12hs de postagem, o vídeo ganhou 5 menções honrosas do YouTube, dentre elas como um dos vídeos de música mais adotados como favoritos, melhores avaliados e mais comentados.
Em maio de 2013, a banda voltou suas atenções para o lançamento de mais um álbum, contendo 10 faixas inéditas. Intitulado por Caixa Preta, o CD foi produzido por Lampadinha, antigo braço direito do produtor Rick Bonadio, com quem produziu bandas renomadas, como: CPM 22, NX Zero, Fresno, Charlie Brown Jr., Planta & Raíz, Raimundos, Titãs, Rita Lee, Ultraje a Rigor, Sandy Lea, Los Hermanos, entre outros. A Rede Ativa foi indicada ao Troféu Promessas, como na categoria Melhor grupo” em 2013. Abaixo você pode conferir nossa entrevista com a banda e conhecer um pouco mais sobre sua trajetória, desafios e conquistas.
O PROPAGADOR: A banda já existe há 9 anos, sendo surgida no culto de jovens da IEQ Ipiranga. Como é fazer música pra juventude, sendo essa uma geração muito consumista?
É muito gratificante, pois o jovem é intenso em tudo o que faz. Quando gosta de algo, ele abraça aquilo e vai até o fim, sem medir esforços.
O PROPAGADOR: Já no ano de estreia da banda, foi gravado o 1° CD e DVD ao vivo, intitulado por “Rede ao Mar” . Como foi o processo de gravação e qual a reação do público?
Gravamos esse CD e DVD só para os jovens da nossa igreja. Não tínhamos a pretensão de sermos uma banda reconhecida. Mas, pra nossa surpresa, fomos tão bem aceitos pelos jovens, que não demorou muito para começarmos a fazer eventos fora da nossa igreja, fora do nosso estado, e até mesmo fora do Brasil.
O PROPAGADOR: Qual a base de composição das letras na banda?
As músicas são compostas pelo líder e vocalista da banda (Daniel Passamani), e relatam histórias da sua própria vida, e da vida de outros jovens também.
O PROPAGADOR: Em fevereiro de 2008, o álbum “Sem Perder o Estilo” foi indicado ao Troféu Talento como melhor álbum alternativo. Como o grupo encarou essa indicação?
Foi um susto pra nós. Tudo aconteceu muito rápido. Ficamos felizes, mas não nos iludimos, pois para nós, uma premiação não significa aprovação de Deus.
O PROPAGADOR: Recentemente, vocês fizeram a sétima turnê pelos Estados Unidos. Os cristãos norte-americanos são mais agitados que os brasileiros? Como é tocar fora do Brasil?
Não vemos muita diferença entre os jovens daqui com os de lá. Mas é muito legal saber que Deus tem usado nossas experiências de vida relatadas nas nossas músicas, para abençoar e trazer identificação aos jovens do outro lado do mundo.
O PROPAGADOR: Antigamente muito eram as comparações do Rede Ativa com a banda Charlie Brown Jr. Como vocês encaram essa especulação? Quais são as influências musicais da banda?
Encaramos de forma natural. É inevitável a comparação, pois as 2 bandas têm o mesmo estilo musical. Quanto às influências, fica difícil falar, pois cada um da banda gosta de um estilo diferente. E isso acaba sendo bom, pois a junção desses diferentes gostos musicais formam o nosso som.
O PROPAGADOR: Há uns dias atrás, fiz uma análise do mais recente trabalho de vocês (Caixa Preta), e que inclusive teve a produção de Lampadinha, antigo braço direito do Rick Bonadio. Qual foi a experiência de trabalhar com ele? O Caixa Preta representa um “novo” Rede Ativa?
O Lampadinha é considerado um dos melhores produtores de rock do brasil. É um privilégio pra poucos gravar com ele. E para melhorar, mesmo não sendo cristão, ele disse que curtiu o nosso som, e foi muito abençoado por ele. Só por isso já teria valido a pena! Quanto ao cd, nós não diríamos que é uma nova fase, mas sim que ele reflete um amadurecimento natural da banda.
O PROPAGADOR: Em outubro de 2011, foi lançado o clipe da música “Regue a Semente” que com 12hs de postagem alcançou mais de 2 mil acessos, e o clipe de “Amigo” já tem um grande número de visualizações. Os fãs do R.A podem esperar clip novo ou quem sabe um DVD do Caixa Preta?
Ainda em 2014 lançaremos um clipe novo de uma das músicas do CD “Caixa preta”, mas não pretendemos gravar o DVD desse CD.
O PROPAGADOR: Quais são os projetos futuros do Rede Ativa?
No ano que vem, lançaremos um CD e DVD, em comemoração aos nossos 10 anos de banda.
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