Antiphona é uma banda carioca formada pelos amigos Syd Back e Gustavo Brown. Conversamos com Syd, vocalista e fundador, que falou sobre a formação da banda, o primeiro disco, mercado e projetos futuros. Confira!
O PROPAGADOR – Conte-nos sobre como surgiu a banda?
A banda começou em 2000, fundada por mim e dois grandes amigos, os primos Douglas Alves (baixo/teclado) e Marco Antônio (bateria). Conheci Douglas num ponto de ônibus quando éramos alunos da UFRJ, e enquanto esperávamos – às vezes o busão demorava e muito (risos) – conversávamos sobre música, bíblia, igreja e muitos outros assuntos, o que nos fazia perceber uma grande afinidade. Naquela época eu fazia parte de uma banda que de repente, ficou sem baixista e baterista. Douglas foi minha opção mais que imediata, que prontamente aceitou meu convite. Alguns dias depois me apresentou seu primo baterista, Marquinho. A primeira música que mostrei foi “Meu Escudo e Proteção”.
Essa banda acabou se dissolvendo poucas semanas depois, e a partir disso nós três, os remanescentes, fundamos o Antiphona, nome dado pelo Douglas. Essa formação durou quase 5 anos, até que Douglas deixou a banda para se dedicar ao seminário (hoje é pastor) e Marquinho acabou se mudando para outra cidade por motivos profissionais.
Depois da primeira formação, tivemos outras com músicos e amigos sensacionais que certamente foram importantes na estória da banda. Hoje o Antiphona é formado por mim (voz, guitarra e sintetizadores) e pelo Gustavo Brown (baixo, guitarra e sintetizadores), que era um admirador da banda em suas formações anteriores.
OP – De onde veio o interesse pela música e a certeza de querer viver dela?
Tive a sorte de ter família e amigos de excelente gosto musical. Lá em casa sempre tinha os LP’s e compactos dos grandes artistas nacionais e internacionais. A música acabou sendo uma paixão quase que natural.
Agora, o caminho entre ser um admirador de música e me tornar um músico é longo. Comecei a tocar violão já relativamente tarde, com 19 anos. Compor veio antes de começar a tocar, e essa é uma estória bem interessante. Tudo começou quando eu ainda era criança e ouvia em minha cabeça belas melodias que com o tempo fui percebendo que não existiam, ou seja, eu não tinha ouvido no rádio ou na TV. Eram canções originais, com começo meio e fim. Essas melodias eram minhas companheiras nos momentos de tristeza. Como eu era uma criança muito tímida e fechada, deixei isso quieto por anos com medo de que me achassem doido (risos). Na adolescência comecei a escrever poesias, totalmente inspirado pelos estilos literários que eu aprendia na escola, como o romantismo e o Simbolismo. Com 19, como disse, comecei a tocar violão, mas sem uma dedicação maior. Enfim, quando me converti, aos 20, em oração perguntei a Deus o que eu deveria fazer das canções que habitavam minha mente. A resposta? Compor canções que falassem do amor e da misericórdia d’Ele e que narrassem minha caminhada na fé. Daí comecei a levar o violão a sério para tocar no grupo de louvor da igreja e começar a escrever música.
Sobre viver de música, ainda não chegamos a esse estágio (risos). Mas a certeza de que queremos isso temos (risos).
OP – Todas as músicas do disco são autorais. Como se deu este processo de composição e seleção de repertório? De onde vem a inspiração?
Sim, é verdade, todas as músicas são de minha autoria e a inspiração para escrever cada uma delas foi meu relacionamento com Deus. É Ele quem me dá a inspiração para compor. Na grande maioria das vezes começa com a melodia e a harmonia, e depois escrevo a letra. As letras expressam meu testemunho de mudança de vida a partir do momento em que Cristo me resgatou da angústia, da depressão e da enfermidade, dando-me uma vida nova. São letras extremamente autobiográficas, pois ali estou abrindo meu coração e testificando o quanto Deus é maravilhoso. A única música que foge desse padrão é “Deserto” (http://www.youtube.com/watch?v=c5D5E2fgd0c), a qual foi inspirada no triste fato da morte da menina Gabriela Prado Maia Ribeiro, morta por bandidos nas escadarias do metrô da São Francisco Xavier, em 2003, no Rio de Janeiro. Foi algo que me entristeceu muito, pois a violência é um problema crônico em nosso país, e quando você vê vidas sendo destruídas dessa forma, e também o sofrimento gigantesco das famílias, é impossível não se sensibilizar. Sou da opinião de que as pessoas envolvidas com arte seja música, artes plásticas, teatro, cinema, o que for, e que tem como repercutir suas opiniões na mídia, devem se mobilizar e cobrar dos governantes que tomem medidas práticas para coibir a violência e não tolerar a impunidade. Eles são eleitos por nós, e tem o dever de tomar medidas para que tenhamos uma sociedade mais segura. Infelizmente mesmo tendo sido escrita há quase 10 anos, “Deserto” continua sendo uma música atual. Basta ligar a TV para nos depararmos com casos chocantes como o da jovem Daniela Nogueira Oliveira, de 25 anos, que foi baleada na cabeça, grávida de 9 meses, numa tentativa de assalto, em São Paulo. Triste isso…
OP – E a seleção do repertório?
Bom, é um trabalho minucioso que requer uma dedicação toda especial. Eu penso no cd como uma obra que será ouvida do inicio ao fim, onde o músico levará o ouvinte por uma viagem onde lhe mostrará todos os sentimentos que estão em sua alma. Apesar de hoje em dia pouquíssimas pessoas ouvirem um álbum na sequência, preferindo ouvir as faixas de maneira avulsa no mp3 player, tive o cuidado organizar as faixas numa ordem em que houvesse uma dinâmica, ou seja, que mantivesse o ouvinte interessado. A arte do disco remete ao disco de vinil, representante de uma época em que ouvir um álbum era algo que se parava para fazer, acompanhando as letras, cantando junto, esmiuçando a ficha técnica, vendo as fotos, etc. Conceitualmente queríamos essa ideia de convidar o ouvinte a ouvir na íntegra, na ordem.
OP – Alguma música que você considera que mereça um destaque especial? Por quê?
Essa é uma pergunta interessante, pois a maioria dos compositores diz que as músicas que compõem são como filhos, e desta forma, dizem ser impossível destacar a preferida. Comigo ocorre de forma diferente, pois há aquelas de que gosto mais. No entanto, nem sempre essas são as preferidas daqueles que apreciam nossas canções. Bom, diante disso prefiro omitir minhas preferências para não influenciar ninguém (risos). Por esse motivo optei por não por um título no cd que fizesse uma referência a uma das faixas, pois com isso acaba-se colocando um peso excessivo sobre a faixa-título, e na minha opinião a audição de um disco acaba sendo algo pessoal, pois cada ouvinte terá sua preferida, seja quanto à melodia ou quanto à letra que mais o emocionou.
OP – Ouvindo o disco, muito bom por sinal, a gente se depara com uma sonoridade muito pouco explorada no meio gospel brasileiro. Como você descreveriam seu trabalho em termos músicais?
Acho que a música é uma linguagem, e a maneira como fazemos uso dela é fruto de nossa criação desde a infância, experiências de vida, cultura, influências musicais e literárias, estudos, pesquisa etc. Pra mim é muito natural compor, fazer os arranjos e produzir as canções dessa forma porque é resultado de tudo que recebi de informação e formação musical. Não somos melhores nem piores do que ninguém, apenas essa é a única forma que sabemos fazer. Acredito que a partir das influências que recebe, o músico deve criar algo original, que tenha uma característica própria, sabe? Não podemos nos limitar a fazer meras cópias de outros artistas ou ficar se repetindo eternamente em fórmulas que se perpetuam a cada disco só porque deu certo um dia. Isso me assusta, pois acredito que o músico deve ser inquieto por definição, buscando sempre novos caminhos e trazer ao público algo diferente.
Não tenho a preocupação de ser comercial ou alinhado com aquilo que o mercado fonográfico convencionou que é bom. Não temos como meta sermos um fenômeno de popularidade, mas sim sermos honestos em nossa mensagem. Essa é a grande vantagem de sermos uma banda independente, ou seja, ter autonomia.
Eu e Gustavo somos aficionados por tecnologia do áudio, temos nosso próprio estúdio, e isso nos permite experimentarmos timbres e sons diferentes até encontrarmos o que realmente queremos. Gostamos dos timbres clássicos de guitarras les paul, telecaster, stratocaster e semi-acusticas e combinamos a isso os instrumentos virtuais (VST) que emulam minimoogs, melotrons, cordas e sintetizadores diversos. Gosto de experimentar cada preset de um desses instrumentos virtuais, cada preset das pedaleiras, cada combinação dos pedais analógicos, enfim, gostamos desse experimentalismo. É algo que nos deixa bastante entusiasmados.
OP – Quais são suas inspirações musicais? Quais artistas nacionais e internacionais vocês costumam ouvir?
Creio que um músico deve ouvir de tudo. Fui criado em lar não cristão, logo, era muito comum ter em casa os grandes clássicos do rock, pop, soul, MPB, progressivo, rhythm ´n´ blues, black music, etc. A lista de bandas e cantores que admiro é infindável. Minha mãe ama música e sempre teve um gosto bem diversificado. Em casa eu ouvia, Stevie Wonder, Barry White, Dire Straits, Queen, George Benson, Alcione, Roberto Carlos, Cauby Peixoto, Nelson Gonçalves…enfim, algo de um ecletismo admirável (risos).
Na segunda metade dos anos 80, ainda criança, tomei contato com bandas de synth pop como A-ha e Duran Duran. Durante a adolescência preferi “voltar no tempo” e ouvir música dos anos 60 e 70 e daí vieram influências do rock progressivo de Genesis, Yes e Pink Floyd, assim como do hard rock do Led Zeppelin e do pop-rock-melodia-redonda dos Beatles. As bandas dos anos 60 e 70 têm forte influência na minha maneira de tocar guitarra, assim como no uso de teclados vintage como minimoogs e melotrons, instrumentos que toquei bastante na gravação do disco.
Do segmento gospel nacional gosto muito de Oficina G3 (principalmente dos trabalhos mais recentes), Resgate, Livres para Adorar/Juliano Son e Rafael Lima (http://soundcloud.com/memorabilialima/sets/memorabilia-b-sides). Este último é um músico e produtor genial com o qual tive o imenso prazer de trabalhar em 2 faixas do cd do Antiphona: “Certeza de Vitória (https://soundcloud.com/antiphona-1/01-certeza-de-vit-ria) e “Meu Escudo e Proteção” (https://soundcloud.com/antiphona-1/04-meu-escudo-e-prote-o). Do gospel internacional me inspiram muito DC Talk, Neal Morse, Jesus Culture, Jars of Clay, Leeland e Hillsong United.
OP – Vocês se tornaram notícia em diversos sites e blogs especializados devido ao lançamento do clipe da música “Carpe Diem” em dezembro. O vídeo, excelente, foi inclusive resenhado aqui no O Propagador. Qual a importância desse videoclipe para você?

E inegável que um videoclipe é um meio de divulgação fantástico de um cd. Assim tem sido desde os anos 80, com advento da MTV e investimentos milionários por parte das gravadoras nesse veículo audiovisual. Sempre sonhei em ter um clipe em animação para uma música do Antiphona. Sou fã de animação desde criança e já frequentei incontáveis edições do festival Anima Mundi. O clipe de “Carpe Diem” foi feito pelo designer e cineasta brasileiro radicado no Canadá Dimitri Kozma. Eu era admirador do trabalho dele já há bastante tempo, e certa vez o adicionei no Facebook com o intuito de manifestar minha admiração. Disso resultou uma série de aprazíveis conversas e a proposta dele de fazermos esse projeto como uma parceria, ou seja, ele faria a animação em cima da música e eu cuidaria também dos efeitos, sons ambientes, enfim, dos detalhes finais. Foi um prazer indescritível trabalhar com o Dimitri, pois ele é uma pessoa bem humorada, inteligente, acessível e talentosíssima.
O clipe é lindo e agrada adultos e crianças graças a seus personagens cativantes e meigos. Tem todo um colorido que parece saltar pra fora da tela. A mensagem da canção é passada de forma plena e delicada. Estamos muito felizes com a repercussão que estamos obtendo. O clipe estreou bem nos festivais de animação, pois ficamos em 2º lugar no Festival do Minuto, do qual participamos com uma versão reduzida do clipe, e foi muito bem recebida, pois foi a única animação brasileira a ficar entre os 5 primeiros colocados. Enfim, o clipe tem sido fundamental para que as pessoas conheçam o Antiphona.
OP – O mercado da música gospel brasileira está em uma onda crescente, com isso, a concorrência se torna mais acirrada e as expectativas do público maiores. Como vocês, enquanto banda, se veem diante dessa realidade?
O público tem se tornado cada vez mais exigente e a quantidade de bandas, cantores e cantoras no mercado é enorme, o que torna ainda mais difícil a tarefa de chamar a atenção das pessoas que gostam de música. É preciso mostrar algo realmente diferente para que o ouvinte clique no link da sua música/clipe e ouça até o final, pois com o dinamismo da internet ninguém perde tempo com o que não interessa. Além do mais, é muito difícil disputar espaço com artistas de grandes gravadoras, os quais têm à sua disposição generosas quantias para serem investidas em divulgação. O Antiphona nesse cenário se posiciona do lado alternativo/independente, procurando usar de criatividade, com a internet como principal aliada, para compensar a falta de recursos para investir em marketing em rádio, TV, jornais, revistas, portais de internet, etc. Nós cuidamos de tudo relacionado à nossa música, desde a criação até o produto final que é o cd. Nosso objetivo é criar uma relação contínua e fiel com as pessoas que tem apreciado nossas músicas e comprado o cd, nos apoiando, dando-lhes exclusividade na audição prévia de nossos novos trabalhos. É o que faremos com as novas músicas que lançaremos ao longo de 2013.
OP – Vocês estão trabalhando a todo vapor na divulgação do disco. Quais ferramentas estão usando?
A internet é a grande ferramenta! Estamos divulgando via Facebook e Twitter, principalmente. Nossas músicas estão hospedadas no Soundcloud (http://soundcloud.com/antiphonarock) e em nosso site oficial (www.antiphona.com.br) e os vídeos estão em nosso canal no Youtube. Gosto dessa interação com as pessoas que têm curtido nossas músicas. Temos feito grandes amigos dessa forma. Temos uma equipe pequena, porém muito eficiente, de assessores que cuidam de nossa divulgação nas redes sociais. Alguns sites populares e blogs independentes têm publicado sobre o cd e o clipe de “Carpe Diem”, o que nos deixa muito felizes, pois faz repercutir para todo o país. Graças a isso estamos recebendo encomendas de diversos estados.
OP – Como vocês se veem daqui a alguns anos? Consolidados como uma banda forte no segmento mais alternativo da música gospel ou firme em uma grande gravadora?
Lidar com música para nós e como respirar, enfim, é algo que faz parte do nosso dia-a-dia, seja tocando, seja pesquisando novos timbres e possibilidades melódicas ou simplesmente ouvindo um cd de uma banda que gostamos. A todo o momento estamos buscando elementos para criar, escrever novas músicas num processo contínuo, com muita liberdade, fazendo música honesta, do fundo do coração, inspirados por Deus e fazendo tudo no ritmo que tem que ser. Por essas características do nosso trabalho, nos vemos dentro de um cenário alternativo/independente, pois o experimentalismo é um dos alicerces do nosso trabalho.
OP – 2013 está apenas começando. Quais as expectativas e planos da banda para este ano?
Estamos retomando os ensaios com o objetivo de tocarmos ao vivo, louvar e adorar a Deus nas igrejas, dando nosso testemunho de fé em Cristo. Paralelamente a isso estamos nos dedicando ao projeto cujo título provisório é “Acoustic Sessions”, que como o próprio nome diz, consiste de músicas em formato acústico, ou algo bem próximo disso, com violões de 12 cordas, bandolim, guitarras semi-acústicas, pianos, cordas, órgãos, etc. Traremos tanto versões de algumas músicas desse primeiro cd quanto composições inéditas. Lançaremos uma música por mês pela internet, sempre enviando com exclusividade antes para aqueles que adquiriram o cd. Será uma forma de demonstrarmos gratidão a aqueles que nos têm apoiado comprando nosso cd, pois isso contribuirá para que lancemos novos trabalhos de qualidade. Talvez após todas as 10 músicas serem lançadas transformemos o projeto em cd físico numa tiragem limitada apenas para registro formal. .
Certamente lançaremos novos videoclipes. No momento estamos trabalhando com um artista plástico e designer aqui do Rio de Janeiro chamado Rafael Costa. Foi ele que cuidou de toda arte do nosso cd captando com grande inteligência o clima retrô das músicas. Alem disso há grande probabilidade de que voltemos a trabalhar com Dimitri Kozma. Enfim, virão boas surpresas por ai.
OP – Gostaria de deixar um recado para os leitores do GM?
Gostaria de deixar um grande abraço em meu nome e do Gustavo a todos os leitores do Gospel Musikas e que Deus os abençoe grandemente. Agradeço pelo carinho que tem tido conosco, nos apoiando e ajudando a divulgar nosso trabalho.

OP – Como o leitor pode conhecer mais sobre vocês e adquirir o disco? Deixem seus contatos.
Nós mesmos estamos vendendo o cd enviando para todo Brasil. O cd custa R$7,00. O preço final com frete incluso é R$ 9,00. O cd tem encarte com todas as letras, foi fabricado em Manaus na Microservice/Videolar e conta com arte do talentoso artista plástico e designer Rafael Costa.
Para conhecer mais do nosso trabalho e só entrar em um dos seguintes links:
Vendas: contato@antiphona.com.br / sydback@gmail.com
Youtube – link do clipe “Carpe Diem”:
https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=c5US-o5oouY
Site oficial da banda:
Soundcloud:
http://soundcloud.com/antiphona-1/sets
http://soundcloud.com/antiphonarock
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Estejam Com Deus e Até a Próxima!
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