Carlinhos Felix, intérprete conceituado da música cristã nacional é o entrevistado de hoje no O Propagador. Iniciou sua carreira no final da década de 70, sendo integrante de duas bandas. A primeira, a Sinal Verde, que mais tarde lhe garantiu entrada no Rebanhão, onde permaneceu até 1991, atuando como guitarrista, violonista, compositor e vocalista. Do Rebanhão, em carreira solo até os dias de hoje, Carlinhos escreveu e gravou canções que hoje são clássicos, lançando álbuns por grandes gravadoras. Confira nossa conversa com o músico, que falou sobre carreira, influências musicais e a volta do Rebanhão.
O PROPAGADOR – Em 2012, você estreou no cast da Sony Music e em seguida lançou “Lindo Senhor”. Agora, em 2014, você lança o single “Não posso me calar”. Fale um pouco sobre essa canção e o que ela representa para o momento atual de seu ministério.
Ela é muito forte e eu acredito no que ela diz. É uma mensagem pra esses dias que estamos vivendo. Estou decidido a fazer com que minha música seja mais que uma simples canção, alguma coisa que venha trazer um impacto nas pessoas e em especial, nesta canção um impacto na Igreja de hoje. E aqui pra nós, ela tem uma melodia maravilhosa e um refrão forte.
O PROPAGADOR – No álbum “Lindo Senhor”, você regravou Fruto Sagrado, Trazendo a Arca e uma composição de Janires gravada pela Banda Azul. Por que as escolheu para gravar?
OK. Você está ligado! “Amor de Deus” gravei com o Fruto Sagrado em 1999, 2 dias antes de ir morar nos EUA. Me apaixonei por esta música. Aprendi a cantar dentro do estúdio de gravação, foi amor a primeira vista, por isso decidir por no repertório. “Marca da Promessa”, eu gostei tanto dela que fiz um arranjo alterando os acordes e com uma andamento um pouco mais pra frente. Cantei tanto que pedi permissão aos compositores para gravar e ter o registro dela com minha interpretação. É também uma letra que eu acredito, por isso coloquei no repertório. “Baião Eletrônico” é um clássico, se vocês observarem, fiz um arranjo caprichado, para uma música de alto nível.
O PROPAGADOR – Considerando que sua carreira começou como baixista da banda Sinal Verde em meados de 1979, você completa 35 anos de carreira, um tempo muito considerável para um artista cristão. De lá pra cá, qual foi (e talvez ainda seja) seu maior desafio como cantor/músico?
Você pegou pesado, sabe tudo! Meu desafio é manter minhas origens musicais, não me contaminar e guardar o meu coração de aborrecimentos, promessas não cumpridas e por ai vai… são muitas emoções. O mais DEUS tem me ajudado a vencer.
O PROPAGADOR – Na época em que você começou, existiam poucos ou praticamente nenhum guitarrista cristão. Quais foram suas referências no instrumento naquela época?
De guitarristas, George Benson, Steve Lukather, Paulinho Guitarra e Toney Fontes.
O PROPAGADOR – Depois de vários anos morando na cidade de Vila Velha, você retorna ao Rio de Janeiro. Qual o motivo para esta mudança?
Estar de volta à minha querida cidade e dos acontecimentos musicais, pelos meus filhos, e estar também num lugar mais central para me locomover. Meu volume de viagens é muito grande, o Rio me dá mais mobilidade.
O PROPAGADOR – Seu último DVD lançado foi “Na Tua Sombra”, gravado no Olympia e lançado em 2005. Você pretende gravar algum DVD nos próximos anos?
Sim. Já precisava gravar outro, mas ainda não foi possível. Sei que num futuro bem próximo estarei gravando.
O PROPAGADOR – Em carreira solo, além de composições autorais, você gravou canções de vários compositores, com destaque a Jorge Guedes, Joran, Adson Sodré, além de Lucas Ribeiro e seu irmão Luciano Dewey, que tocaram contigo na Sinal Verde. Qual é o significado dessas parcerias pra você?
São na maioria inesquecíveis amigos e que somaram e somam muito em minha vida. E o mais importante é que sei qual a fonte de inspiração.
O PROPAGADOR – Com o Rebanhão, e fora do Rebanhão, você realizou feitos até então pouco comuns, como gravar com músicos fora do nicho cristão (como nos álbuns Pé na Estrada e Coisas da Vida). Você acredita que os músicos cristãos podem aprender algo com os do secular? Existe limite para essa interação gospel + secular?
Isto é muito relativo, depende do nível de amizade. Os que gravei, todos foram meus amigos de dentro de casa, eles se sentiam bem comigo e minha música os confortavam. Eu orava com eles e pregava a palavra pra eles e eles ouviam, alguns aceitaram a JESUS. Os que não aceitaram ouviram e tem uma semente no coração. Todos são meus amigos e ainda nos encontramos.
O PROPAGADOR – Em entrevista ao Super Gospel, no ano de 2003, você afirmou ter se assustado com muitos trabalhos, afirmando que estávamos atravessando um momento de pouca identidade. Após mais de dez anos, qual é a sua opinião sobre a música gospel hoje?
Infelizmente continua ainda a mesma coisa. Muita influência de fora em tudo, nos arranjos, nos timbres, a nossa música perdeu muito, tem muita gente cantando igual, fazendo tudo igual, tem horas quem confundimos, como: quem é quem? A galera ficou preguiçosa pra escrever, pra fazerem melodias e de investirem em suas qualidades e talentos.
O PROPAGADOR – Em janeiro de 2013, no seu aniversário, você cantou ao lado do tecladista Pedro Braconnot e do guitarrista Pablo Chies. Em 1995, você convidou o baixista Paulo Marotta pra cantar “Muro de Pedra” no disco “Nada a Perder”. Como é a relação entre você, Braconnot e Marotta, após tantos anos juntos?
Somos eternos amigos. O mais legal foi esses dias ver meus filhos com os filhos do Pedro cantando e tocando violão lá em casa. Foi emocionante! O Paulinho está um pouco mais distante, no Pará. Mas também é uma festa quando nos encontramos. Eles são incríveis.
O PROPAGADOR – A importância do Rebanhão foi ímpar na modernização da música cristã nacional. Após tantos anos e possibilidades de volta, vocês gravarão um DVD de 35 anos. Como se deu essa decisão entre vocês? Há novidades que público pode esperar dessa volta e que podem ser adiantados?
Temos conversado muito sobre isso, de gravar um DVD de 35 anos, estamos ouvindo gravadoras, ouvido o pessoal que tem visitado o Facebook dando opiniões de lugares para gravarmos e repertórios. Estamos muito motivados. Se der certo vai ser legal. Tem agências de viagens querendo saber onde será, para fazer excursão, até para cruzeiro no ano que quem recebemos convite. Estamos orando e atentos aos sinais de DEUS para este projeto.
O PROPAGADOR – Nesses 35 anos de carreira você viu o cenário gospel mudar diversas vezes. Considerando seu início, o que mais mudou? Você acha que evoluímos, regredimos ou ambos?
Evoluímos é claro! “Mas uma coisa ainda falta”, isso te lembra algo? “Um bate papo” (Lucas 18:18)
O PROPAGADOR – Você é parte viva da história da música cristã nacional. Você interpretou e compôs canções que são verdadeiros clássicos. Como é olhar pra trás e ver sua trajetória? O que mais te orgulha na história que você construiu?
Não sou pretensioso a ponto de chegar a me orgulhar! Mas, fico feliz em saber que dei minha contribuição.
O PROPAGADOR – No dia 14 de dezembro deste ano completam 30 anos da gravação de “Janires e Amigos”, que além de ser o primeiro álbum cristão gravado ao vivo é o último trabalho de Janires com o Rebanhão. Quais lembranças você tem desta gravação? Houve alguma grande dificuldade a enfrentar? Como foi para você a saída de Janires do grupo, visto que ele era o “mentor” do Rebanhão?
Esta gravação foi muito legal e corajosa. Não esqueço: tudo engatilhado, mas deu certo, era tudo em cima de milagres. Ele saiu do Rebanhão para realizar um sonho. Foi para BH e ficar perto do pessoal da MPC. Sentimos muito, mas ele nos deixou preparados, para continuar o que ele começou. Aprendi muita coisa com ele, levei bem até onde pude, depois fui também atrás do meu sonho, onde estou até hoje, muito feliz com minha herança que é minha esposa, Pra. Adriana e nossos filhos, Rafael, Lucas e Davi Felix. Uma escola de louvor e adoração chamada Rios de Adoração com muitos alunos formados. E com uma alegria muito grande no coração toda vez que subo num púlpito para cantar ou pregar ou num palco pra fazer um show. “Não Posso Me Calar” porque é “Lindo Senhor”
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