Tag: Fruto Sagrado

  • Rocklogia – SOS da Vida e as bandas de rock

    O SOS da Vida é uma peça importante na história do rock cristão brasileiro. Este evento, no qual também conta uma parte positiva do legado da Igreja Renascer em Cristo apresentou várias bandas que hoje são de “estudo” obrigatório aqui na Rocklogia. Ainda, somos apresentados às formações de cada grupo, o quanto cada música apresentada se insere no contexto daquela juventude, com seus impactos.

    A primeira edição do evento ocorreu em 1991, no Ginásio do Ibirapuera. Há de se destacar que, considerando a gravadora Gospel Records, o evento acabou, de certa forma dando suporte às bandas novas que estavam surgindo. Talvez a mais beneficiada tenha sido Katsbarnea. Na internet, é possível encontrar apresentações do conjunto em várias de suas edições. Gosto bastante de “Cristo ou Barrabás” no terceiro evento. Com o guitarrista Tomati, Paulinho Makuko e Jadão fornecendo uma base pulsante, é talvez a melhor performance ao vivo desta música. Na sexta edição, “Get out of Babylon” também ficou bem legal.

    Outras bandas também estiveram presentes no festival. Do Resgate, por exemplo, é possível encontrar “Quem é Ele?”, do primeiro álbum, com sua pegada fortemente hard rock. O Rebanhão participou de várias edições. Em 1992, ainda com Pedro Braconnot e Paulo Marotta na formação, em 1993 com a participação da nova formação (incluindo Dico Parente) e em 1994, com Braconnot novamente sozinho.

    O Fruto Sagrado também participou várias vezes do evento, tanto na época do álbum Na Contramão do Sistema e O que a gente faz fala muito mais do que só falar, ambos lançados pela Gospel Records. Neste último, Bênlio está definitivamente nos teclados, quando ocorre a entrada do guitarrista Bene Maldonado na formação. O Oficina G3 destaca-se pela presença de palco do vocalista Luciano Manga. É claro, Juninho Afram também colabora nos vocais e os registros são de uma das melhores fases deste grupo.

    Na edição de 1993, a grande atração foi a banda norte-americana Bride, que recentemente encerrou as atividades. O grupo simplesmente gravou um registro áudio-visual completo no Brasil, em seu auge, numa performance memorável.

    https://www.youtube.com/watch?v=yOJZe66W92o

    Infelizmente, o evento foi perdendo sua força com os anos. Um dos motivos consiste no “fechamento” da visão evangelística da Renascer, que mais tarde daria espaço aos seus escândalos no fim dos anos 2000. Mas isso é outro assunto…

    Continuem acompanhando a Rocklogia que em breve teremos textos incríveis e com material atualizado. Abraços!

  • Conectados no Amor – Um dia especial e tudo igual

    A semana mágica entre o natal e o ano novo é uma fantasia que não conseguimos realizar o ano inteiro. Festas, parentes unidos, etc. É tudo tão belo, festivo, empolgante, e alegre. É por isso que todo mundo é ansioso para que esses benditos dias cheguem logo. Geladeira farta, a mesa cheia, presentes debaixo da árvore de natal, parentes reunidos festejando, comendo, bebendo, se alegrando com a comemoração natalina.

    Mas sabe, isso tudo parece um despisto em frente à solidão. Assemelha-se a uma espécie de festa de finados, comemorando a nossa morte. Depois de um ano de vazio e sem paz, paramos para exagerar no consumismo e encher a alma que nunca se farta. Achamos nossas crianças tão inocentes por acreditarem em Papai Noel, mas nós somos tão iludidos de achar que o natal vai enganar a guerra dentro de nós.

    Olhe ao seu redor. Olhe para o mundo. Atrás dos sorrisos veem-se corações quebrados e partidos, atrás das mansões há famílias destruídas, atrás de shoppings, veem-se barracos com a fome reinando, debaixo de árvores e presentes, há crianças de ruas, no meio dessa casa cheia há seres vazios, entre a prosperidade sonhada há desigualdade gerada, às costas da conversa alegre há almas tristes, no círculo de encontro natalino cheio de paz e diversão há ódio, rancor, facção, inveja, etc., há vazio e escuridão no meio de tanta luz colorida.

    Eu poderia falar de como o natal é um dia alegre, de que a data em que foi escolhida para comemorar a vinda de Jesus a nossa terra tem que haver harmonia, de como é bom dar presentes a quem ama, mas prefiro falar o que ocorre na verdade, comigo e com todos ao meu redor, do que o menino Jesus veio nos salvar, do motivo do Natal, de o quanto tudo está tão mal. Sim, a vinda de Jesus deve ser comemorada, mas para que não haja um dia especial e feliz, mas um ano mais cheio de amor e paz. Então, quero desejar um feliz natal para todas as pessoas.

    Feliz natal para quem está triste.

    Um natal cheio de paz para quem se encontra em guerra.

    Um natal próspero para quem está pobre.

    Muito dinheiro para encher o bolso menor que o vazio do seu interior.

    Muita saúde para quem está doente e cansado de viver.

    Feliz natal para quem está enchendo a barriga, mas ainda está com fome de mais.

    Corações sujos como aquela estrebaria
    Em um lindo shopping center decorado pro Natal…

  • Para refletir – Quem sou eu pra julgar?

    Vivemos numa sociedade na qual apontar os erros dos outros é super “normal”, e quase nunca olhamos pra dentro de nós, mas quando nos encontramos com Jesus, todas as nossas máscaras caem. Percebemos que não somos nada, além de pobres pecadores afastados da glória de Deus (Rm 3.23/ Is 6.5). Nos últimos meses de 2012, um determinado cantor do meio gospel nacional retratou-se em sua página do Facebook, um acontecimento e pedindo perdão por um vídeo íntimo seu que vazou pela internet, onde ele masturbava-se. Como sempre, levantam-se os prós e contras, não quero aqui nem defender, nem difamar ninguém por algum pecado cometido, mas quero expor a minha linha de raciocínio à luz das Escrituras, já que nela contém as Palavras de vida eterna (Jo 6.68).

    O nosso senso de justiça é muito aguçado quando se trata em julgar alguém por algum fato ocorrido, desde que aquele alguém seja prejudicado, não eu. Precisamos jogar na cara das pessoas aquilo que elas fazem, para podermos amenizar e escondermos o que na verdade somos. Alguém já disse que o que mais reprimimos em alguém, na verdade aquele sou eu. E como eu não me aceito, reprimo os outros.

    Vemos no capítulo oito do livro de João, uma cena muito forte, conta-se a história da mulher adúltera e os seus acusadores. Aquelas pessoas levam aquela mulher até Jesus dizendo que estavam cumprindo a lei de Moisés. Mas será que aquelas mesmas pessoas estavam de acordo com a lei? Creio eu que não, pois vemos no verso sete, que Jesus faz uma afirmação que os coloca no seu devido lugar, de pecadores indignos de julgar alguém.

    É muito fácil pra nós acusarmos alguém, afinal de contas, o nosso pecado sempre é mais santo que o pecado dos outros. Não serei aqui hipócrita de falar que não julgo as pessoas, mas não me conformo com essa minha atitude pecaminosa e indigna diante de Deus. Quem muito entende que foi perdoado, muito entende os outros e sentem compaixão. Na cruz Jesus nos revela quem realmente somos; ladrões, beberrões, mentirosos, apóstatas, pois foram esses e muitos outros nomes que Jesus carregou sobre si. Ele tornou-se vergonha por mim, morreu sendo considerado como um dos piores dos homens, isso tudo para me salvar e demonstrando o tanto que Ele me ama. Então quem sou eu para julgar alguém? O cantor causou um escândalo pelo fato de ser conhecido, mas arrependeu-se e pediu perdão por ter causado esse mal estar. E a cena de João oito torna a repetir, lá vem os acusadores santos e irrepreensíveis diante de Deus, com as pedras para jogar nele. Será que aquele que o julgou não deveria procura-lo e pedi-lo perdão por tê-lo julgado?

    Será que realmente somos dignos de atirar pedra em alguém? Quando eu vivia preso ao pecado da religiosidade, amava acusar os outros, atirar pedras, colocar o dedo no rosto das pessoas como se eu fosse alguém digno. Mas quando eu chegava em casa e ligava o computador, conversava coisas que não deveria como cristão, via pornografia virtual, fazia perfis falsos para pecar e não ser reconhecido. Usava roupas que eu sabia que chamaria atenção das pessoas e assim ser foco de tentação das mesmas. Mas na frente de todo mundo eu era o crente conservador e irrepreensível diante de Deus. Até que graças a Deus eu realmente me encontrei com Jesus e com a Cruz de Cristo, e pude ver quem realmente sou. Não éramos nada, vivíamos por detrás das malhadas, nas trevas e um dia o Rei nos toma no colo, nos trás para o reino do filho do Seu amor (Cl 1.13), nos dá o direito de sermos filhos de Deus (Jo 1.12). E o que é que nós fazemos? Achamo-nos no direito de julgar alguém por causa disso, e o pior, julgamos os nossos próprios irmãos em Cristo. Quero aqui deixar bem claro que existe perdão, tanto pra quem causa o escândalo, tanto para quem julga.

    Acho que não preciso falar mais nada, afinal de contas, somos ótimos teóricos. Mas a proposta da Cruz é que vivamos a teoria pregada. Quero finalizar as minhas palavras com uma frase do Brennan Manning e com três versículos das Escrituras sagradas.

    “Na Cruz Jesus desmascara o pecador não apenas como mendigo, mas como criminoso diante de Deus.” Brennan Manning, no livro: O Evangelho maltrapilho.

    “Não julguem, para que vocês não sejam julgados. Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês.

    “Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho?

    Como você pode dizer ao seu irmão: ‘Deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando há uma viga no seu?
    Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão.”
    Mateus 7:1-5

    “Portanto, você, que julga, os outros é indesculpável; pois está condenando a si mesmo naquilo em que julga, visto que você, que julga, pratica as mesmas coisas.

    Sabemos que o juízo de Deus contra os que praticam tais coisas é conforme a verdade.
    Assim, quando você, um simples homem, os julga, mas pratica as mesmas coisas, pensa que escapará do juízo de Deus?”

    Romanos 2:1-3

    “Irmãos, não falem mal uns dos outros. Quem fala contra o seu irmão ou julga o seu irmão, fala contra a Lei e a julga. Quando você julga a Lei, não a está cumprindo, mas está se colocando como juiz.

    Há apenas um Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e destruir. Mas quem é você para julgar o seu próximo?”

    Tiago 4:11-12

    Que o Senhor nos ajude a sermos mais parecidos com Jesus, que é o nosso modelo maior. Que busquemos amar, sentir compaixão e entender o outro com a mente e o coração de Deus. No amor de Cristo, daquele que foi alcançado pela Graça e misericórdia de Deus. E que não desiste de lutar contra a sua natureza pecaminosa.

    Por Thallyson Borba e Danilo Maia Cavalcanti

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=yD4M28Dc-8M]

  • Rocklogia – O início do metal cristão no Brasil

    I.X.O.Y.E. Esta frase, traduzida para Jesus, Cristo, Deus, Filho, Salvador é o título do primeiro álbum de metal cristão brasileiro. A banda Calvário, de terras paulistas produziu este trabalho em 1993, época em que o rock cristão estava em seu auge, considerando a ascensão de várias bandas novas. Era hora do metal mostrar sua cara, e este disco é bem representado. Há de considerar que, à frente do seu tempo, o álbum é muito maduro. Com influências claras de Led Zeppelin e Black Sabbath (mesmo sendo bandas de hard rock) e, principalmente de Judas Priest, o heavy metal do grupo é bem construído, e além do instrumental, as letras das canções são bastante instigantes.

    Calvário surgiu em 1992, alcançou reconhecimento até no meio secular devido à qualidade do disco, mas logo se dissolveu por conta de discordâncias entre os integrantes em relação ao som da banda. O grupo se reuniu poucas vezes: uma delas foi em tributo ao Stryper. Mais recentemente, a banda voltou à ativa com uma formação diferente de vinte anos atrás, mas com alguns membros daquela época. Além da Calvário, outras bandas de heavy metal surgiram como Kletos e Martíria.

    De vertentes mais pesadas do metal surgiram muitas bandas, mas a mais conhecida, até os dias de hoje é o Antidemon. Fundada em 1994, o grupo de death metal produziu  demos e coletâneas até lançar Demonocídio em 1999, que se tornou um sucesso na carreira do grupo. Hoje, com vinte anos de carreira a banda soma vários álbuns lançados no Brasil e em vários países do exterior. Satanichaos e Apocalypsenow foram seus lançamentos subsequentes.

    A cena metal ganhou mais força ainda quando o Stauros lançou, em 1997 o álbum Sentido da Vida. Ganhando projeção, o grupo lançou ainda alguns títulos com canções em inglês, mas se dissolveu. Agora, mais recentemente o grupo voltou à ativa e em breve lançará novos trabalhos.

    É importante salientar que outras bandas da época, que não possuem ligação direta ao metal lançaram músicas do gênero. O Fruto Sagrado, certamente é o exemplo mais conhecido. O álbum O que a gente faz fala mais do que só falar, distribuído em 1995 possui influências evidentes do metal progressivo. Nos anos 2000, as influências do metal alternativo no som do grupo foram mais claras ainda. Mas isso é assunto para outro post…

  • Rocklogia – Os primeiros anos do Fruto Sagrado

    O Fruto Sagrado, diferentemente da maioria das bandas de rock cristão que surgiram nesta época é do Rio de Janeiro. Começou como um quarteto, composto por Marcão (voz e baixo), Bênlio Bussinguer (guitarra e vocal), Marcos Valério (teclado e vocal) e Flávio Amorim (bateria e vocal). Oficialmente, a banda iniciou suas atividades em agosto de 1988, e ficou por durante anos ensaiando. Segundo Marcão, ex-vocalista do grupo, o Fruto Sagrado só teve a oportunidade de lançar o primeiro álbum em 1991. Durante os dois anos em que o conjunto ensaiava com o apoio da Igreja Presbiteriana Bethânia de Niterói, o Fruto Sagrado sofreu a primeira mudança em sua formação: o tecladista Marcos Valério teve problemas com a fé e deixou tudo, incluindo o grupo. Porém, algumas de suas composições ainda seriam registradas no primeiro álbum do Fruto.

    E só em 91 que a gente conseguiu lançar o 1° trabalho em estúdio que foi o álbum Fruto Sagrado. Já nessa época a gente lançou em três, porque assim que entramos no estúdio, Marcos Valério teve seus problemas de relacionamento com Deus e literalmente chutou o balde, pulou fora do barco e resolveu nadar contra a maré. Inclusive a música “Livre Arbítrio” do CD O Segredo foi feita para o Marcos Valério. O pessoal fica pensando que foi feita para o Flávio Amorim, porque ele saiu da banda, não foi não.

    As sessões de gravação, que duraram uma semana, com Bênlio assumindo também os teclados geraram o álbum Fruto Sagrado, uma produção independente com distribuição da Bom Pastor. Neste projeto, o grande destaque inicial é a música “Base Forte”, de Bênlio, apresentando o potencial criativo do grupo. Sozinho, ele também escreveu “Nunca mais”. Marcão, com o ex-integrante Marcos Valério escreveu “Fruto Sagrado”, “Guerra interior”, “O tempo vai cessar” e “Sem definição”. O trio Flávio Amorim, Bênlio e Marcão escreveram “Vazios de coração”, “Pra Acordar” e “Não me Deixará”.

    http://www.youtube.com/watch?v=bmvryXAl0n8

    Bênlio acabou assumindo os teclados, e nos shows a banda tocava com guitarristas. A banda efetivava o músico como integrante, mas em cerca de dois anos o indivíduo saía. Assim ocorreu na entrada e saída de  Wagner Junior, Paulo de Barcellos e outros. No final das contas, o Fruto Sagrado seguia na ativa com um núcleo bem sólido: Marcão, Bênlio e Flávio.

    Este trio produziria Na Contramão do sistema, o primeiro disco da banda com distribuição da Gospel Records. Seguindo a proposta do álbum anterior, que mesclava hard rock com progressivo, as críticas sociais neste projeto se tornaram bem mais intensas, com letras como “Jimmy” (sobre racismo), “Meninos de Rua” (segregação social de crianças) e até mesmo críticas a falsos profetas, como “Lobo Mau”.

    Leia também: Entrevista com Marcão (2003)

  • Rocklogia – O movimento gospel

    Observando a linha do tempo, percebemos que as bandas de rock cristão, juntamente com outros grupos como o Vencedores por Cristo estavam na ponta da vanguarda na modernização da música cristã nacional. Durante os próprios anos 80, alguns sinais indicavam algo que estava por vir: o movimento gospel.

    A começar, como dito no post da contratação do Rebanhão com a gravadora PolyGram, alguns olhares começaram a ver que devido a fidelidade do público evangélico, a distribuição de álbuns era algo financeiramente promissor. E pelo fato destes trabalhos serem lançados por pequenos selos, a certificação e o cálculo de vendas (hoje pela ABPD) não eram feitos. Tem-se dito, por exemplo, que o disco Cem Ovelhas de Ozéias de Paula vendeu mais de dois milhões de cópias. E a informação é muito provável de ser verdadeira, já que é um dos álbuns cristãos nacionais mais conhecidos do século XX (se não o mais conhecido), mas lançado por uma pequena e extinta gravadora.

    Ozéias de Paula, Rebanhão e Álvaro Tito foram os nomes nos quais a gravadora apostou. Mas, outro aspecto, além da distribuição denomina o que chamamos de movimento gospel: se antes, a música cristã brasileira era envolvida por preconceito, principalmente no que se refere a uso de instrumentos e tecnologia, tais barreiras aos poucos eram quebradas. O próprio Rebanhão, como disse antes gravou seu álbum Luz do Mundo no estúdio Transamérica, onde os grandes artistas da música nacional gravavam, por ser o melhor estúdio da época. Carlinhos utilizava uma guitarra Fender (ao qual continuou a usar durante décadas), Pedro Braconnot um sintetizador Phophet-5, no qual era utilizado mundialmente por grandes músicos. Outro ponto é a apresentação em casas de shows seculares, nos quais Marina de Oliveira também passou a se apresentar logo depois.

    O olhar religioso para “música de igreja” deu lugar a uma visão horizontal, de evangelismo no fim dos anos 80, para letras que fugiam das previsíveis rimas, dando lugar a mensagens contextualizadas com o ambiente. Surgiu o Sinal de Alerta, Complexo J e em 1989 era fundada a promissora gravadora Gospel Records por Estevam Hernandes. Não apenas a gravadora, mas não há a menor dúvida de que a Igreja Renascer em Cristo foi o principal componente deste movimento, aliado aos grandes eventos que promovia, como o SOS da Vida e a Marcha para Jesus.

    O primeiro álbum “gospel” do Brasil, também lançado em CD foi Princípio do Rebanhão, e consequentemente marcou uma geração pela enorme evolução no repertório, produção musical e arranjos (em um post falaremos mais detalhadamente deste disco). Foi o primeiro álbum distribuído pela gravadora. A Gospel Records lançou vários nomes durante os anos 90, como o Renascer Praise, Resgate, Oficina G3, Fruto Sagrado, Katsbarnea, João Alexandre e muitos outros artistas. De uma pequena igreja árabe tornou-se um império, embora a partir dos anos 2000 a igreja infelizmente perdeu seu foco.

    Mas a Gospel Records não foi a única gravadora a apresentar algo diferenciado, e um pouco antes a Bom Pastor, do cantor Luiz de Carvalho tinha lançado alguns nomes, como a Banda Azul, Armando Filho e Cristina Mel. A MK Music apresentou Marina de Oliveira, Complexo J, logo se tornando a maior gravadora ‘gospel’ do Brasil. No mesmo período também surgia a Line Records.

    E por que o termo ‘gospel’? Em português, significa evangelho. O gospel aqui resume e facilita, num tom comercialmente melhor toda a música evangélica produzida no país. A ideia veio bem a calhar, pois até hoje a utilizamos, há quase 30 anos do início do movimento.

    Há certa controvérsia a respeito do fim do movimento gospel. O autor Salvador de Souza, colecionador do maior acervo de álbuns cristãos no Brasil acredita que foi em 1999, e eu particularmente concordo. Por volta deste ano, vários músicos e bandas encerraram a carreira e tivemos o boom do “louvor e adoração”, tendo o Diante do Trono como seu maior expoente com o álbum Exaltado. Por outro lado, outras pessoas afirmam que o movimento não morreu na década de 90, mas tomou outras ramificações e adaptações ao contexto.

    Nas próximas semanas, a Rocklogia apresentará a segunda geração das bandas de rock trazidas pelo movimento gospel.

    Leia também: O movimento gospelMovimento gospel, estratégias de proselitismo e as dinâmicas identitárias da juventude evangélica em Campina Grande / A explosão gospel: um olhar das ciências humanas sobre o cenário evangélico no Brasil

  • Para refletir – Guerra interior

    Mundo caótico, individualista, no qual grande parte das pessoas são motivadas a vencer pisando nos outros. É neste ambiente que muitos assustadoramente gostam de viver. Talvez, por um sentimento de pertencimento, ou a falta de noção ampla do que vivemos. Se não pertencemos a este lugar, por que o amamos tanto?

    Existem muitas pessoas não cristãs que, pelo fato de não se encaixarem neste ambiente hostil perderam o sentido da vida. Além do externo, existe um imenso conflito interno que “desconserta” os indivíduos. É por conta disso que milhões de pessoas tem procurado ajuda psicológica na tentativa de se adaptarem a este espaço monstruoso no qual, de forma alguma podemos nos esquecer de que construímos.

    Para piorar, a cultura da autoajuda influenciou-nos a crer que nossas forças pessoais são o suficiente para vencer os problemas da vida. É, também por isso que existem tantas pessoas frustradas, lutando contra suas fraquezas, andando em círculos. E, quando não se vence, a primeira alternativa que resta é de engolir o imenso imbróglio e conformar-se, alegando que seu problema é algo normal, e que isto é parte de si ou que é algo passageiro.

    Será que, a maioria destas pessoas não se perguntaram o porquê de viver esta vida medíocre? Onde estão nossas bases e referências? Quando a vida perde o sentido, o primeiro pensamento no qual temos é de procuramos uma nova razão para seguir. Algo mais intenso e duradouro. E, de pouco a pouco vamos tendo novos momentos. Quando isso não acontece, a frustração acusa: “Você caiu outra vez.”

    Os que creem em um Deus que, além de criador é um pai sabem onde afogar os maus sentimentos. Não é um papai noel, ou um mero seguro de vida para o incerto lado obscuro da morte. É Alguém que sonda nossos corações e conhece os sentimentos como ninguém. É com Ele que vemos que não somos independentes.

    A paz que Jesus dá ninguém neste mundo dará. Ademais, a única coisa que este mundo é capaz de mudar são as ações, mas Deus vai mais fundo e trata os corações.

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=wGmawJbgbdw]

  • TOP 10 – músicas sobre a teologia da prosperidade

    Como cada corrente teológica, uma teologia apresenta uma interpretação de textos bíblicos, seja a visão aceita como verdadeira ou não. A teologia da prosperidade é uma das vertentes mais conhecidas e polêmicas da atualidade. Intimamente ligada ao movimento neopentecostal, tem rendido frutos e ao mesmo passo discussões acaloradas sobre sua essência. Na música, se por um lado, várias músicas fazem apologia a respeito do assunto, outras criticam fortemente.

    Em linhas simples, a teologia da prosperidade defende, usando-se de várias referências advindas da Bíblia que o crescimento financeiro é um desejo de Deus para os cristãos. Entretanto, outras correntes teológicas discordam de tal ponto defendido, e neste TOP 10, vamos trazer canções que façam crítica ao consumismo, dinheiro, e até mesmo a teologia da prosperidade. Vamos lá?

    OBS: O portal O Propagador não possui pretensões em defender ou combater a teologia da prosperidade.

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    Semideus – Brother Simion

    Após mais de cinco anos sem um álbum relevante, Simion volta com tudo (literalmente) em Eclipse. Letras do estilo que consagrou o cantor. Mas o destaque mesmo vai para “Semideus”, uma canção de protesto nunca vista na carreira do músico, criticando pastores que transformam seu ministério em business, se perdendo nas coisas deste mundo. Vale ressaltar que Brother Simion, por anos, frequentou a uma igreja adepta à teologia da prosperidade. (2004)

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=xrZ2RlE6-sk]

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    Gadara – Luiz Arcanjo

    Bem distante do estilo ao qual é conhecido através do Trazendo a Arca, Luiz Arcanjo apresentou com seu álbum solo uma forte letra de crítica social, na participação de Pregador Luo. A letra faz referência da passagem de Jesus em território gadareno, quando a população o expulsou da região após ter expulsado uma legião de demônios de um homem e o lançado sobre porcos, deixando a entender que os porcos, os quais obtinham lucro eram mais importantes do que a cura vivida pelo homem.

    “O povo de Gadara prefere os porcos do que as pessoas”, diz o refrão de “Gadara”. (2009)

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=3jpgd7koY-s]

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    The Time is Over – Fruto Sagrado

    Do álbum O Segredo, o Fruto Sagrado apresenta uma de suas várias canções que contém visões críticas despejadas na cabeça dos ouvintes. A banda sempre foi conhecida por abordar temas polêmicos e complexos. “The Time is Over” aborda a história fictícia de um pastor que deixou o primeiro amor e se iludiu com as riquezas deste mundo e tem sua alma levada por um anjo da morte para o inferno.

    Nos shows da época, o grupo utilizava uma pequena parte teatral durante a execução desta canção. (2000)

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=FVtAa8jGLvE]

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    Eu não Aceito – Godcore

    Uma banda independente, que alcançou uma quantidade de visualizações interessante com seu primeiro clipe, “Eu não Aceito”. Misturando elementos de rock, reggae e rap, a banda apresenta um tema polêmico, de uma das formas mais polêmicas possíveis, criticando abertamente a campanhas a favor da teologia da prosperidade feitas por igrejas neopentecostais e a valorização do dinheiro. (2009)

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=fqZ3uYQCE7w]

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    Eu Espero em Ti – Davi Sacer

    Chega até ser curioso um cantor extremamente criticado por algumas letras de apologia a prosperidade ter uma canção como “Eu Espero em Ti”. Sim, pois é. Davi Sacer lançou em 2008 o álbum Deus não falhará, que segue na mesma linha da canção citada.

    A letra é muito interessante, e a execução instrumental também. A letra e a melodia são de autoria do próprio Davi Sacer. (2008)

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=2evNSRyBBBs]

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    O Último Julgamento – Mara Lima

    Mara Lima é a representante pentecostal deste TOP 10. E em, “O Último Julgamento” faz algo um pouco semelhante ao Fruto Sagrado, defendendo através da letra que Deus está acima de qualquer bem material. Também aborda a falta de amor por missões e ao egoísmo. (1999)

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=65TGUkMx0Q8]

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    Põe na Conta – Ao Cubo

    O consumismo irracional e a sede enorme de comprar é tratado muito bem pelo Ao Cubo, de forma bem humorada e inteligente. “Guarde o seu tesouro onde o ladrão não alcança”, e é com base nisso que a banda estrutura toda a sua letra. (2009)

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=59vHSr_ll0c]

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    Tudo é Vaidade – João Alexandre

    João Alexandre pode ser considerado um dos músicos, senão o mais completo dentre os cristãos. Produtor, compositor, instrumentista conceituado, João também é notável por afirmações e canções polêmicas, que, como o Fruto Sagrado (inclusive a banda e João já gravaram juntos) apresenta assuntos sem a menor pretensão de agradar egos. Tanto é que Alexandre já foi imensamente prejudicado em sua carreira por afirmações.

    “Tudo é Vaidade” é uma união de várias críticas, desde a valorização do dinheiro, a teologia da prosperidade e até tudo que dê ar de superioridade ao ser humano. No final, o cantor apresenta um trecho da canção “Palácios”, um clássico do Rebanhão. (2000)

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=54MPV2u877c]

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    Eles Precisam Saber – Resgate

    Considerada por muitos como uma das melhores músicas de 2012, “Eles Precisam Saber” é uma crítica na autoria de Zé Bruno a venda de fé. Em suas palavras, as pessoas necessitam apenas de salvação e da compreensão de que não há barganha com Deus.

    A canção em si originalmente seria gravada com a participação do guitarrista e líder da banda Oficina G3, Juninho Afram, mas por questões relacionadas às gravadoras, não foi possível. (2012)

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=HRhumHx-nr0]

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    Último Dia – Apocalipse 16 e Templo Soul

    Esta canção fez um enorme sucesso, e somente no YouTube possui cerca de cinco milhões de acessos. Aborda a história fictícia de alguém que pôs o dinheiro como seu deus, e de forma inescrupulosa correu atrás de riquezas. “Último dia” faz parte do álbum Apocalipse 16 e Tempo Soul, uma parceria entre as duas bandas. (2006)

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=KauIwsmX9wo]

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  • TOP 10 – Músicas sobre angústia

    A angústia ainda é um assunto de tabu no meio cristão. No extremo, em assuntos como a depressão, mais ainda. Muitos acreditam que, um cristão dificilmente passa por momentos de tristeza e desânimo, enquanto outros afirmam que este está passível a passar por isso igualmente ao incrédulo.

    Segundo a Organização Mundial da Saúde, a depressão atinge cerca de 350 milhões de pessoas no mundo atualmente, e em 2030 será a doença mais comum existente. No Brasil, cerca de 18% da população sofre. Apesar de que a angústia não seja propriamente depressão, esta é uma das características mais notáveis da patologia.

    Independente das opiniões e dos fatos, Jesus disse: “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz, no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. Jo 16.33

    Apresentamos, então, dez canções a respeito de angústia.

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    Por que Te Abates (Salmo 42) – Trazendo a Arca

    Do álbum temático Salmos e Cânticos Espirituais, lançado em 2009, o Trazendo a Arca apresenta uma de suas canções mais intimistas – baseada no Salmo 42, em que o salmista dialoga com sua alma, perguntando-a o motivo de sua angústia. A salvação de Deus é o alívio, a base na qual o autor se baseia. No instrumental, destaque para o arranjo de cordas, por Wagner Derek.

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    Um Lugar para Descansar – Livres para Adorar

    Poucos álbuns cristãos nacionais possuem uma textura tão melancólica, e ao mesmo tempo de tão grande esperança quanto Mais um dia, do Livres para Adorar. O projeto, conceitual teve início após o suicídio de um amigo de Juliano Son, no qual estava distante por um tempo.

    Por vários momentos, basta apenas uma mensagem de luz no final do túnel para que uma decisão, apesar de pessoal, mas drástica seja evitada. Será que Deus se esqueceu de nós? Será que, meramente respirar seja tão complexo? O discurso de Juliano, aliado as cordas no arranjo são o destaque desta música.

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    A Ilha – Voz da Verdade

    O silêncio, na maioria das vezes é a única companhia de alguém solitário. Quando todas as luzes se queimam, quando as vozes se calam. Não existem palavras, tampouco anseios futuros. No corpo, apenas a vontade de fazer algo que acabe com todo o tormento. O suicídio é a única solução encontrada por muitos. Mas, o Voz da Verdade apresenta em “A Ilha”, além de todo este sentimento introspectivo a resposta de alguém divino que possui um controle acima do humano.

    Esta canção foi gravada originalmente no ano de 1990, no álbum Um Grito de Liberdade. Foi regravada no DVD 30 anos, gravado e lançado em 2008.

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    Marcas – Fernanda Brum

    No registro de nossa pequena vida, várias situações e momentos sucedem-se. Alguns de imenso prazer, outros nos quais esquecer é o melhor. Porém, muitas das vezes não se vão, e ao invés de ficarem enterrados, de volta e meias aparecem, seja para acusar, ou lembrar-nos que não somos tão blindados o quanto pensamos. Indiferença a isso é o amor de Deus, que conforta-nos no íntimo de nossas marcas e lembranças, com sua paz singular.

    A canção, de Fernanda Brum, é registrada no álbum Quebrantado Coração, de 2002.

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    A Deus – Oficina G3

    É sempre mais fácil desistir do que enfrentar as dificuldades da vida. Ainda mais para quem não possui nenhuma garantia de vitória e superação. Dar adeus ao mundo e entregar a Deus sua alma… com este trocadilho criativo, a Oficina G3 produziu uma das mais brilhantes baladas de sua carreira, presente no álbum Elektracustika, lançado em 2007, característico pela fusão do acústico e o elétrico em todo o projeto, baseado no rock progressivo.

    “Não é tempo de dizer adeus, a Deus pertence todo o tempo, sempre que quiser dizer adeus, a Deus entregue todo o seu sofrimento”.

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    5:50 AM – Resgate

    O grande clássico do Resgate, também, demonstra, com uma simplicidade ímpar no meio cristão o clima de monotonia e cansaço de grande parte das pessoas. Os dias iguais, ações semelhantes e mecânicas. Sentido não há, apenas sobrevivendo com enorme dificuldade e peso.

    Entretanto, as misericórdias de Deus se renovam diariamente, e um novo dia, com Ele é possível. Sendo dez para as seis ou não, sempre é hora de buscar Sua face e encontrar a paz que este mundo não dá.

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    Acalma o meu Coração – Anderson Freire

    De seu mais recente projeto Raridade, Anderson Freire sabe unir o poético com um lado pentecostal. O mesmo é observado em Acalma o Meu Coração. Como num turbilhão de sensações, existem momentos em que somos barcos, perdidos em meio do nada. Abaixo, o naufrágio, e no horizonte nenhum sinal de encontro. Será que a maré vai derrubar? Será que vamos nos afogar? Como perder a agonia?

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    Não quero mais Acordar Assim – Fruto Sagrado

    Para todos, sempre existe aquele dia em que não poderia ter existido. Um imenso peso, cansaço, clara demonstração de agonia presa a uma falsa tranquilidade. Em que, olhando-se ao espelho, nada se vê além de uma capa que reveste um ser fracassado.

    É neste fracasso, no qual todos estão mergulhados que Deus se manifesta levantando, nos tornando alguém, tirando-nos da condição de meras criaturas caídas para seus filhos. Pessoas não satisfazem, bens materiais também não, mas somente a Sua voz tira toda a escuridão do nosso céu interior.

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    Esperança – Diante do Trono

    O medo é um dos sentimentos humanos mais complexos. Por conta deste evitamos o perigo. As vezes o odiamos por perdermos grandes momentos por tais receios, em outros o abraçamos como um troféu. Desfalece, perdemos a força. Pelo medo, evidenciamos as marcas e más lembranças da vida.

    Quando nos sentimos protegidos, todos os nossos monstros internos se desintegram. Nosso Deus, o nosso pai é este que ampara, protege, nos livra e esconde das preocupações que criamos ou vivenciamos, dando força para também enfrentar, em necessidade.

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    Quem Chora pra Deus – Elaine de Jesus

    Escrita por Daniel e Samuel, a letra aborda o ponto principal de nossa reflexão. Pessoas de qualquer credo ou falta dele passam por momentos de angústia. Entretanto, apenas aquele que verdadeiramente conhece a Deus sabe onde encontrar abrigo no dia mau.

    O sentimento humano é as vezes inexplicável para o próprio indivíduo, mas Deus, como nosso “programador” conhece até nossos lados mais complexos e sombrios. E é através dEle que somos levantados da melhor forma possível e na que convém ocorrer.

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  • Para refletir – Superman

    As vezes me pergunto certas coisas que observo na sociedade. Quão triste é, sabermos no geral que ninguém é blindado de problemas e tristezas, mas todos acabam por ser obrigados a passar uma imagem de alegria e satisfação constante, como superhumanos.

    Outro fato importante a salientar é que, nos tempos atuais a maior parte das pessoas buscam por uma alegria pessoal por meio da experimentação excessiva e indiscriminada. Drogas, bebidas, sexo, amizades que mais parecem um titanic prestes a se afundar. Enquanto isso, um monstro interior grita por socorro, ajuda e atenção. O que fazer disto? Vivemos num tempo onde descobrimos o mundo, o universo, os planetas, mas não conseguimos entender nem dominar nossos sentimentos e o ser. Estamos fora de controle.

    Talvez, diante dessa situação desesperadora, você pergunta: onde está Deus em tudo isso? Onde Deus entra no seu universo particular, na sua identidade, nos seus problemas e conceitos? A resposta, para os mais racionais e reflexivos pode soar absurda, mas quando o “compartimento” é emocional, a razão não se mostra totalmente bem-sucedida na explicação de algo. Nós que cremos em Deus (o que é muito diferente de ter e seguir uma religião) experimentamos isso. Isto porque, para Ele não conseguimos de maneira alguma fugir ou esconder nossos problemas. A própria Palavra de Deus diz, que “sem mim nada podereis fazer” (João 15. 5). Ainda, no Salmo 139 é clara a ciência de Deus da nossa vida de forma tão quanto abrangente e profunda. Para seres mortais e limitados como nós, é fácil transmitir uma inverdade sobre nossos sentimentos, mas Deus possui ciência antes mesmo de confessarmos, e mais do que isso, mesmo sendo tão poderoso e grande, eles nos compreende e sabe como levantar-nos. Diante dEle você reconhece que é igual a todo mundo, e quem sem Ele você é absolutamente nada.

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