Para refletir – Quem sou eu pra julgar?

Vivemos numa sociedade na qual apontar os erros dos outros é super “normal”, e quase nunca olhamos pra dentro de nós, mas quando nos encontramos com Jesus, todas as nossas máscaras caem. Percebemos que não somos nada, além de pobres pecadores afastados da glória de Deus (Rm 3.23/ Is 6.5). Nos últimos meses de 2012, um determinado cantor do meio gospel nacional retratou-se em sua página do Facebook, um acontecimento e pedindo perdão por um vídeo íntimo seu que vazou pela internet, onde ele masturbava-se. Como sempre, levantam-se os prós e contras, não quero aqui nem defender, nem difamar ninguém por algum pecado cometido, mas quero expor a minha linha de raciocínio à luz das Escrituras, já que nela contém as Palavras de vida eterna (Jo 6.68).

O nosso senso de justiça é muito aguçado quando se trata em julgar alguém por algum fato ocorrido, desde que aquele alguém seja prejudicado, não eu. Precisamos jogar na cara das pessoas aquilo que elas fazem, para podermos amenizar e escondermos o que na verdade somos. Alguém já disse que o que mais reprimimos em alguém, na verdade aquele sou eu. E como eu não me aceito, reprimo os outros.

Vemos no capítulo oito do livro de João, uma cena muito forte, conta-se a história da mulher adúltera e os seus acusadores. Aquelas pessoas levam aquela mulher até Jesus dizendo que estavam cumprindo a lei de Moisés. Mas será que aquelas mesmas pessoas estavam de acordo com a lei? Creio eu que não, pois vemos no verso sete, que Jesus faz uma afirmação que os coloca no seu devido lugar, de pecadores indignos de julgar alguém.

É muito fácil pra nós acusarmos alguém, afinal de contas, o nosso pecado sempre é mais santo que o pecado dos outros. Não serei aqui hipócrita de falar que não julgo as pessoas, mas não me conformo com essa minha atitude pecaminosa e indigna diante de Deus. Quem muito entende que foi perdoado, muito entende os outros e sentem compaixão. Na cruz Jesus nos revela quem realmente somos; ladrões, beberrões, mentirosos, apóstatas, pois foram esses e muitos outros nomes que Jesus carregou sobre si. Ele tornou-se vergonha por mim, morreu sendo considerado como um dos piores dos homens, isso tudo para me salvar e demonstrando o tanto que Ele me ama. Então quem sou eu para julgar alguém? O cantor causou um escândalo pelo fato de ser conhecido, mas arrependeu-se e pediu perdão por ter causado esse mal estar. E a cena de João oito torna a repetir, lá vem os acusadores santos e irrepreensíveis diante de Deus, com as pedras para jogar nele. Será que aquele que o julgou não deveria procura-lo e pedi-lo perdão por tê-lo julgado?

Será que realmente somos dignos de atirar pedra em alguém? Quando eu vivia preso ao pecado da religiosidade, amava acusar os outros, atirar pedras, colocar o dedo no rosto das pessoas como se eu fosse alguém digno. Mas quando eu chegava em casa e ligava o computador, conversava coisas que não deveria como cristão, via pornografia virtual, fazia perfis falsos para pecar e não ser reconhecido. Usava roupas que eu sabia que chamaria atenção das pessoas e assim ser foco de tentação das mesmas. Mas na frente de todo mundo eu era o crente conservador e irrepreensível diante de Deus. Até que graças a Deus eu realmente me encontrei com Jesus e com a Cruz de Cristo, e pude ver quem realmente sou. Não éramos nada, vivíamos por detrás das malhadas, nas trevas e um dia o Rei nos toma no colo, nos trás para o reino do filho do Seu amor (Cl 1.13), nos dá o direito de sermos filhos de Deus (Jo 1.12). E o que é que nós fazemos? Achamo-nos no direito de julgar alguém por causa disso, e o pior, julgamos os nossos próprios irmãos em Cristo. Quero aqui deixar bem claro que existe perdão, tanto pra quem causa o escândalo, tanto para quem julga.

Acho que não preciso falar mais nada, afinal de contas, somos ótimos teóricos. Mas a proposta da Cruz é que vivamos a teoria pregada. Quero finalizar as minhas palavras com uma frase do Brennan Manning e com três versículos das Escrituras sagradas.

“Na Cruz Jesus desmascara o pecador não apenas como mendigo, mas como criminoso diante de Deus.” Brennan Manning, no livro: O Evangelho maltrapilho.

“Não julguem, para que vocês não sejam julgados. Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês.

“Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho?

Como você pode dizer ao seu irmão: ‘Deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando há uma viga no seu?
Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão.”
Mateus 7:1-5

“Portanto, você, que julga, os outros é indesculpável; pois está condenando a si mesmo naquilo em que julga, visto que você, que julga, pratica as mesmas coisas.

Sabemos que o juízo de Deus contra os que praticam tais coisas é conforme a verdade.
Assim, quando você, um simples homem, os julga, mas pratica as mesmas coisas, pensa que escapará do juízo de Deus?”

Romanos 2:1-3

“Irmãos, não falem mal uns dos outros. Quem fala contra o seu irmão ou julga o seu irmão, fala contra a Lei e a julga. Quando você julga a Lei, não a está cumprindo, mas está se colocando como juiz.

Há apenas um Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e destruir. Mas quem é você para julgar o seu próximo?”

Tiago 4:11-12

Que o Senhor nos ajude a sermos mais parecidos com Jesus, que é o nosso modelo maior. Que busquemos amar, sentir compaixão e entender o outro com a mente e o coração de Deus. No amor de Cristo, daquele que foi alcançado pela Graça e misericórdia de Deus. E que não desiste de lutar contra a sua natureza pecaminosa.

Por Thallyson Borba e Danilo Maia Cavalcanti

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