Para refletir – Confio em Teu amor

Confio em Teu amor que não mudará, nem mesmo a morte pode me separar/ Do Teu cuidado e proteção/ Mesmo quando não Te vejo sei que a Tua mão/ Me sustenta…

No dia 02 de junho de 2009 o Espírito cantou esse refrão pra mim enquanto eu estava dentro do ônibus indo em direção ao necrotério ver o corpo do meu pai, depois de ter recebido a notícia do falecimento dele. Dentro daquele ônibus, eu brigava com Deus, jogava toda a culpa da morte do meu pai Nele, fazia várias perguntas. Afinal de contas, eu queria entender o motivo real de tal permissividade. Meu pai era jovem, tinha 43 anos, aparentemente saudável; por que morreu então? Eu não queria saber mais de nada, só queria entender os motivos de tal feita. E no meio de tantas indagações, dúvidas, lágrimas rolando no rosto, eu ouço aquela doce voz bradando dentro de mim em forma de consolo e paz, cantando uma verdade que eu tinha declarado há um ano na gravação do 11º cd do Diante do Trono aqui em Recife.
Lembro-me que nos ensaios do coral para essa gravação a música “Confio em Teu amor” me marcou de forma profunda, em todos os aspectos dela. E mal sabia eu que um ano depois eu a cantaria pra Deus em meio ao luto. Depois de passar um mês certinho de internação, volta pra casa e novamente outra internação, Deus na Sua infinita Sabedoria e Soberania resolveu levar meu “painho” e deixar uma lacuna aberta dentro de mim.

Como todo ser humano que não está preparado para a morte e não foi criado por Deus pra ela, mas por causa do pecado gerado lá em Adão, a morte é a única certeza vindoura para o ser humano aqui na terra. Ali estava eu, cheio de dores, sem chão, esvaziado de mim; então o Espírito começa a cantar essa tão bela canção dentro do meu ser. E a minha única reação no momento era chorar e arrepender-me pelas tantas indagações, logo eu que sempre falei pro Senhor que o adoraria em qualquer circunstância de minha vida, e ainda que Ele me matasse; Nele eu esperaria (Jó 13.15). E agora em contrição e arrependimento e com uma fé que eu nunca tinha sentido em toda a minha vida, até aquele exato momento. Criando a cena em minha mente que eu poderia chegar ao necrotério e encontra-lo ressuscitado, por saber que o Deus a quem eu sirvo tem o poder de fazer isso. Eu comecei a cantar dentro de mim, pro Senhor: “Mesmo quando eu não posso entender/ Minhas lágrimas me impedem de Te ver/ Teus caminhos são mais altos que os meus…”. E assim eu fui cantando ao Senhor até chegar ao hospital o qual ele estava internado e tinha falecido. Chegando ali eu me deparo com a esposa dele e sua cunhada, e de imediato eu olho pra dentro daquela sala e vejo o meu amado pai deitado no lugar que chamamos de “pedra” sem vida, as lágrimas rolam e mais uma vez o Espírito me convence falando dentro de mim: Não se preocupe, ele morreu salvo.

Essa certeza imediatamente consolou parte do meu coração, já que ele tinha retornado ao Caminho do Pai, enquanto esteve internado por 25 dias num outro hospital antes desse onde ele faleceu. Mas a dor de saber que nunca mais eu ouviria a campainha da minha casa tocar logo cedo de manhã, ouvir seus conselhos, suas broncas, sentir o seu cheiro, seu abraço, suas brincadeiras; assolavam o meu coração. E mesmo assim, eu só sabia descansar e cantar: “Não temerei más notícias/ Mesmo no vale da sombra da morte/ Comigo Tu estás.” E assim eu passei o dia todo, e com uma fé inabalável dentro de mim, pulsando com as batidas do meu coração. Crendo no poder sobrenatural de Deus, que meu pai poderia levantar do caixão.

Então é chegada a hora do sepultamento, o momento de lacrar o caixão dando o último adeus, aquele que sempre me amou. Mesmo quando eu o neguei, por não aceitar o fato de ele sair de casa, separando-se da minha mãe. Enquanto caminhávamos para o túmulo, meu coração palpitava mais forte e de dor, mas crendo que Deus poderia ressuscita-lo. O caixão então começa a descer, ouve-se a voz da minha irmã falando: “Eu vou sempre te amar, painho.” E em seguida, ela junto com a minha tia irmã da minha mãe e uma prima postiça; começam a entoar: “Mais perto quero estar meu Deus de Ti/ Ainda que seja a dor que me una a Ti/ Sempre hei de suplicar/ Mais perto quero estar/ Mais perto quero estar/ Meu Deus de Ti”. Como foi difícil aquele momento, saber que Deus na Sua santa Soberania não o quis ressuscita-lo. Como seria a nossa situação pós-sepultamento? Eu não imaginava como seria tão difícil o luto, como seria tão difícil fazer-me de forte e chorar escondido da minha mãe e irmã, para vê-las bem.

Passados quatro anos do falecimento do meu “painho”, apenas um sentimento inunda o meu coração: Gratidão. Gratidão pelos amigos me sustentou e me consolaram em meio à dor, gratidão por Deus me ensinar como adora-Lo em meio aquilo tudo, pelo doce Espírito e tão Fiel amigo que não me abandonou quando eu mais precisei e me ensinou que eu nunca estaria só. E quando as dores vierem apertar o meu pobre coração, que eu possa ter a certeza que o Senhor estará comigo até a consumação dos séculos (Mt 28.20).

Eu não sei pelo que você tem passado, mas eu sei que se você apenas confiar no amor do Pai e descansar Nele, e ainda que isso não aconteça. Tenha a certeza que o bom Consolador Espírito Santo estará do seu lado e não te deixará só. Eu ainda não tenho todas as respostas, mas mesmo assim eu descanso em Deus. Ele é Soberano, e vê além do que os meus olhos podem ver. O meu trabalho é apenas descansar Nele e crer que ainda que seja forte demais a dor, todas as coisas cooperam pro meu bem (Rm 8.28) e que a vontade Dele é sempre boa, perfeita e agradável. Descanse no Senhor, creia que Ele sempre terá o melhor pra você, ainda que não entendas.

Que Deus, em Jesus, nos bendiga na caminhada de fé, amor e renúncia que Cristo nos propõe diariamente.

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