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  • Rocklogia – A verdade sobre o preconceito ao “rock cristão”

    Antes de tudo, é importante salientar que, eu particularmente considero muito hilária e ridícula a expressão de opinião sem estudo, e principalmente experiência. Em um contexto virtual em que as pessoas são vitrines, prontas para exibirem máscaras de pseudoconhecimento, a situação torna-se mais notável. Cito porque, o que vejo de ateus fazendo críticas à religião e a espiritualidade (lembrando que são duas coisas distintas) sem uma gota qualquer de raciocínio e de conhecimentos práticos, além de religiosos, principalmente cristãos que citam opiniões ferrenhas a respeito do rock sem ao menos terem lido sequer a história do gênero musical é uma situação quase generalizada. Isso para não dizer no mundo real, em que estas características são ainda mais gritantes.

    A respeito desta divisão entre rock versus religião, tenho uma imagem que, embora não caracterize a situação com clara exatidão é de: existem dois lados estáveis e um pequeno espaço de intersecção altamente instável. De um dos lados estáveis, está o rock sem ligações religiosas, e consequentemente grande parte de seus ouvintes. De outro lado, estão religiosos completamente fechados ao estilo musical, e religiosos que, ao menos toleram um “rock religioso” (abaixo vamos abordar a questão da religião como estilo). Na intersecção, estão pessoas não religiosas e uma quantidade de religiosos (no caso, em meu exemplo abordando o cristianismo) tolerantes, ou seja, que transitam pelos conteúdos dos dois lados. Entretanto, a quantidade de pessoas nesta última situação é extremamente menor em relação aos demais, além de que não são de forma alguma bem vistos por grande parte destes.

    Mas, o que seria o rock cristão? Basicamente, um rock como qualquer outro. A distinção por religião apenas esclarece que, obviamente existe uma separação muito forte entre a religião e as demais coisas. É culpa da religião? Talvez sim, porém o fato mais importante está é que, todo o tipo de diálogo que tenta desvirtuar este paradigma é fortemente desencorajado. A separação pelo rótulo limita o alcance da arte, todavia não possui apenas efeitos negativos. O rótulo também serve para criar e guiar os nichos, embora em muitas situações os rótulos separam conteúdos semelhantes. Tratando o cenário nacional, ao qual está mais próximo da nossa realidade, o que diferenciaria Renato Russo e Brother Simion em seus discursos, nas músicas “Monte Castelo” e “Amor” se, os músicos em suas respectivas letras tratam o mesmo tema a partir da mesma referência?

    Não compreendo o preconceito, ainda mais quando uma das críticas feitas é que o rock cristão é extremamente comercial, e por sua vez estaria traindo a ideologia do gênero. A afirmação é falsa por dois motivos: o primeiro, é que desde sua entrada no ambiente religioso a resistência tem sido enorme, até os dias de hoje. Que ser humano lúcido, com intenções comerciais tentaria introduzir um estilo musical discriminado ao qual dificilmente obteria lucro? Se fosse extremamente comercial, os integrantes do Êxodos (uma das primeiras bandas do segmento no mundo) não teriam sido expulsos de sua igreja, a Sinal Verde não teria encerrado as atividades por dificuldades financeiras, e por aí vão vários exemplos. Até hoje, em anos 2010, existem bandas com propostas contextualizadas que misturam crítica com espiritualidade e são extremamente martirizadas, dos dois lados da moeda. Vendas? Às vezes não chegam nem a cinco mil cópias e precisam de campanhas financeiras do próprio público, isto quando não lançam para download grátis. Proporcionalmente ocorre nos países internacionais, salvo que eles possuem uma abertura mais tolerante ao estilo. Duas vertentes no meio cristão que certamente vendem é o pentecostal (uma espécie de brega religioso) e o congregacional. O restante é campo duvidoso. O segundo motivo está em que o rock não nasceu com uma ideologia anticomercial. Durante a década de 50, o rock possuía um caráter mais dançante e romântico. Uma frase interessante que li em algum lugar diz que: “Não existe gênero musical mais pop do que o rock, pela sua extensa quantidade de subgêneros”.

    Em relação às origens do rock, um detalhe interessante é que o rock começou com várias influências, dentre jazz, blues, folk, country e gospel. O gospel, aqui não possui o mesmo significado do termo comercial que abrange toda a música evangélica produzida aqui no Brasil, mas possui sua origem diretamente ligada aos corais religiosos. Ou seja, o rock indiscutivelmente nasceu com um pouco de “sangue” religioso.

    Na década de 70, o movimento punk ganhou força contrapondo o rock progressivo, por conta da influência pop existente na época. O punk, mesmo surgindo com uma proposta anticapitalista, tornou-se extremamente lucrativo. Em outra época, agora mais recente a linha tênue entre a forte resistência ao indie e sua popularidade. A história do rock é cheia de nuances, controvérsias, e o mais interessante: um estilo musical abraçado por muitos que desejam o fim das barreiras do preconceito o exalta em suas atitudes. Vale salientar que isto não é culpa do rock, mas do ser humano que ainda não aprendeu a lidar com sua bipolaridade.

    Não dá para entender a limitação dos trabalhos musicais. A arte é uma expressão de múltiplas experiências e percepções de alguém. O músico que apresenta um rock com letras cristãs está, simplesmente fazendo o mesmo que um músico comum faria: apresentar a sua visão de mundo em seu trabalho. E quem foi que disse que uma expressão artística é válida, e outra não é? É insano obrigar um músico adepto ao cristianismo a deixar de utilizar sua fé e ao mesmo tempo forçar um ateu a não ver defeitos na religião. E proselitismo, palavra amada pelos pseudointelectuais de hoje não tem nada a ver com o que o rock cristão é.

    Sobre o Black metal e demais vertentes que já nasceram com uma ideologia antirreligiosa, é um assunto bem mais profundo, e com outras considerações, as quais provavelmente serão tratadas em outro artigo.

    Na próxima semana, apresentarei a continuação deste artigo abordando as argumentações que os religiosos apresentam ao respeito do rock.

  • Conectados no Amor – Servir

    O mundo em que vivemos sempre foi algo baseado no extremo consumismo e egocentrismo. Por exemplo, temos o sistema escravista, que sugava a força dos escravos para ter o seu sustento. O homem sempre foi esse ser que para ser feliz, faz o que for necessário para conseguir sua felicidade. Uma sanguessuga que faz de tudo seu objeto de consumo.

    Provérbios: 30. 15. A sanguessuga tem duas filhas, a saber: Dá, Dá. Há três coisas que nunca se fartam; sim, quatro que nunca dizem: Basta; 16. o Seol, a madre estéril, a terra que não se farta d’água, e o fogo que nunca diz: Basta.

    A sociedade contemporânea não é diferente. O sistema que rege o mundo é extremamente consumista e procura sempre enriquecer alguns empobrecendo outros, apesar de nossa moral se basear na igualdade. Temos também uma enorme quantidade de divórcios porque o parceiro “não foi feliz na relação”.

    Eclesiastes 04:1 Vi ainda todas as opressões que se praticam debaixo do sol: eis as lágrimas dos oprimidos! E não tinham consolador. Do lado dos seus opressores havia poder, mas eles não tinham consolador.

    2 Pelo que louvei os mortos que já morreram mais do que os vivos que ainda vivem.

    3 Reputei mais venturoso do que uns e outros ao que ainda não nasceu, nem tem visto as más obras que se fazem debaixo do sol.

    4 Então eu vi que todo o trabalho e toda a destreza em obras não é senão a inveja que o homem tem do seu próximo. Também isto é vaidade e desejo vão.

    Apesar desse contínuo crescimento do ego humano, uma pessoa chegou nessa terra mostrando o contrário, mostrando como deveria ser o ser humano. Ele provou na vida e na morte que enquanto vivemos a vida só existe para nós amarmos. Amar não é um mero sentimento vazio, mas como servir o outro sem querer algo em troca. Esse homem se chamava Jesus. O motivo de viver é servir.

    Mateus 20:26 Não será assim entre vós; antes, qualquer que entre vós quiser tornar-se grande, será esse o que vos sirva;

    27 e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, será vosso servo;

    28 assim como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos.

    João 12:47 E, se alguém ouvir as minhas palavras, e não as guardar, eu não o julgo; pois eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo.

    Todo aquele que se diz cristão, deveria atentar-se para essa verdade. O que nos fazem diferentes dos que não são cristãos é o amor. O que resume nossa história na terra, é que devemos servir e não ser servidos. Lembre-se: o único que faz alguém feliz é Deus, pois somos seres incompletos sem Ele. Deus nos fez para Ele. Se nos afastarmos Dele, perdemos a vida. Se essa é a verdade, se nós somos felizes em Deus aqui na terra, por que insistimos tanto em buscar nossa felicidade aqui, em pessoas, coisas, em vez de buscarmos fazer o próximo feliz?

    I João 03:10 Nisto são manifestos os filhos de Deus, e os filhos do Diabo: quem não pratica a justiça não é de Deus, nem o que não ama a seu irmão.

    I João 04:8 Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor.

    20 Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, não pode amar a Deus, a quem não viu.

    21 E dele temos este mandamento, que quem ama a Deus ame também a seu irmão.

    O mundo espera isso de nós. Deus espera isso de nós. Deus é amor, quem vive em Deus ama, serve. Aquele que quer ser maior vá servir. Em todos os sentidos. Nos nossos vários relacionamentos, devemos procurar servir e ajudar o outro.

    Romanos 09:12 foi-lhe dito: O maior servirá o menor.

    Mateus 23.11 Mas o maior dentre vós há de ser vosso servo.

    João 13.4 Ora, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros.

    Então por que, mesmo Jesus vindo e mostrando um novo mandamento que é o amor, insistimos tanto em receber? Por que queremos tanto nos enriquecer e buscamos a felicidade incessantemente nas igrejas, sendo que o evangelho diz para nós servir, sair da posição de conforto? O mundo com tanta dor espera uma mensagem de esperança, espera nossas atitudes, mas estamos tão preocupados com nossa prosperidade, com o nosso crescimento e só com nós mesmos e esquecemo-nos do outro, do oprimido, dos que nada tem. Em um mundo caótico e cheio de dor, o que as pessoas mais querem é amor.

    Textos para reflexões:

    • 1 Coríntios 13
    • Mateus 20:26-28
    • 1 João 4:7-21
    • João 13:13-17

    Um videoclipe da música O Que Na Verdade Somos da banda Fruto Sagrado para refletir sobre o assunto.

  • No Caminho

    É, iniciamos mais uma etapa em nossas vidas, mais um projeto midiático com o qual estamos sonhando e cheios de boas expectativas. Não muito diferente do que fazia no Gospel Músikas, continuarei fazendo no “O Propagador”, expressando aquilo que tenho vivido e aprendido com Jesus no dia a dia, através de textos reflexivos. Por isso resolvi explicar na minha primeira postagem a intenção da coluna e o motivo de seu respectivo nome.

    Como falei acima, a minha coluna terá textos baseados e inspirados na caminhada de fé com Jesus, entrevistas com pessoas que tem caminhado com Jesus lado a lado e tem me inspirado a ser um cristão melhor. Porque eu acredito que na caminhada com Jesus nós melhoramos dia após dia, passo a passo, porque afinal de contas estamos trilhando numa estrada em direção aos céus.

    Antes de serem chamados pela primeira vez de cristãos (veja Atos 11.26) os seguidores de Jesus eram conhecidos como “os do Caminho” (At 9.1-2), o motivo de eles serem chamados assim era para fazer distinção entre eles e as tantas seitas existentes na época. O que nos leva a crer que eles seguiam o caminho proposto pelo mestre Jesus. A proposta áurea do Caminho está descrita em Lucas 9.23e24: “Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; quem perder a vida por minha causa, esse a salvará.”

    E esse chamado é diário, até que o Senhor volte e nos leve para Si.

    Em Mateus 9.9-13 nós encontramos o texto do chamado do discípulo Mateus, o que me chama muito a atenção e me impacta demais nesse texto é o versículo nove, que diz: “Partindo Jesus dali, viu um homem chamado Mateus sentado na coletoria e disse-lhe: Segue-me! Ele se levantou e o seguiu.”

    Jesus não o prometeu nada, apenas o chamou para O seguisse. Mateus não sabia o que viria pela frente, mas como ninguém resiste ao convite do mestre Jesus, assim Mateus obedeceu. Vivemos em um mundo onde o foco é a Terra, os bens materiais, as riquezas, os diplomas e tantas outras coisas que engrandecem o ego humano. Mas para nós cristãos isso não pode fazer sentido, somos peregrinos e forasteiros (1Pe 2.11ª), a nossa passagem aqui na terra é por pouco tempo e logo nos encontraremos com o Senhor nos ares e ali viveremos eternamente.

    Essa coluna é para você que entendeu o sacrifício da cruz, rendeu-se ao Senhor, entendeu a proposta da cruz e está no Caminho, mas não somente para nós cristãos, mas a você que ainda não entendeu que precisa estar no Caminho e seguir os passos do Mestre em direção aos céus. Porque esse será o fim do Caminho; os céus.

    Que Deus, em Jesus, continue nos abençoando e conduzindo os nossos passos no Caminho, sem olharmos para a direita ou esquerda, apenas com os olhos fixos na cruz e no fim que nos aguarda.

  • Análise: CD Canto de Sião – Renascer Praise

    No dia 15 de outubro de 2013, em Amnon Beach Kineret, às margens do mar da Galiléia, em Israel, foi gravado o Canto de Sião, décimo oitavo trabalho do Renascer Praise, um dos maiores ministérios de Louvor do Brasil, e da América Latina, durante a Caravana Apostólica, que anualmente é realizada, pela Igreja Apostólica Renascer em Cristo, à Terra Santa.

    Não é a primeira vez que o grupo grava em Israel. Seu sétimo trabalho, Ressurreição, foi o primeiro CD gospel brasileiro gravado na Terra Santa, e o primeiro do mundo gravado em um teatro a céu aberto, em Israel, na cidade de Beht-Shean.

    E não poderia ser de outra maneira; mais uma vez o louvor e a adoração marcaram o trabalho do ministério, que é referencia no meio gospel.

    Diferente das grandes aberturas de projetos anteriores, como o Restauração, Apostólico e Reinando em Vida, Canto de Sião, que abre o projeto, e o intitula também, inicia-se ao som das cordas, com um solo de violino, e de vozes, e com uma pequena palavra da Bispa Sonia Hernandes, sobre Isaías 9, e segue falando sobre a promessa contida em Joel 2:24. Neste mesmo calor, 1000 graus, composta por Clóvis Pinho, assume seu lugar entre os destaques do louvor, e nos mostra o que acontece quando o povo de Deus louva Seu nome, e O adora, a temperatura sobe, pois o fogo cai, e o inimigo vai ao chão. E se o inimigo vai ao chão, a vitória é do Seu povo, como está escrito nos versos de Poderoso nas Batalhas, que engloba um Hino “tradicional”, Se O Espírito De Deus Se Move Em Mim.

    Dom da Fé, composta por Elyas Vianna e Oseas Silva, que também sola a canção, traz uma das mais fortes mensagens de todo o trabalho, uma fé que confia absolutamente em Deus, ao ponto de se lançar nos Seus caminhos, sem duvidar ou desistir. O destaque do arranjo vocal está na rampa (Nada e ninguém pode me parar ou me deter), com uma singela divisão de vozes, que resulta num uníssono no refrão. Esta é uma das canções mais agudas do projeto, alcançando o G3 (Sol3). E por falar em fé e confiança, temos uma Pessoa que nos ajuda a superar cada momento difícil de nossas vidas, quando estes sentimentos falham. É o Espírito Santo, ou como Ele é chamado, Consolador, adjetivo que não apenas representa uma de suas maiores atribuições, mas que também nomeou uma das faixas, de autoria da Bispa Sonia, que explicou que ela mesma tinha uma dor no coração, mas que o Senhor mostrara um caminho. “Ele sempre me deu um louvor!” O que você pode fazer com a saudade, com a dor, com a angústia que sente, com as tristezas, ou com a perda de algo ou alguém? Os versos de Consolador trazem uma resposta:

    “Tem dor que a gente sente que o jeito é sentir.

    Só tem Um que nos entende e o Seu nome é Jesus.

    Ele sabe como fala, como cura o coração.

    Ele supre toda falta, derrama o Espírito e traz consolação.”

    Eu Vou Viver Milagres assume a cena como a sexta faixa. E em vez de priorizar o milagre como tema de uma composição, Bispa Sonia e Clóvis Pinhos, que são os autores, vão além. Afinal não basta apenas cantar, compor ou falar de curas, bênçãos, e favores de Deus. É preciso se santificar, buscar mais unção, conhecê-lo mais do que pelo véu, e ser transformado a imagem dEle. É preciso ter uma atitude, colocar-se numa posição. E se milagres são coisas “de outro mundo”, para muitos ou algo impossível; para Deus, são apenas elementos de Seu currículo, afinal Ele pode todas as coisas. É o que diz Deus Pode, em sua letra, que por si só, engloba vários aspectos pertinentes aos nossos dias. Segundo a Bispa, a composição surgira após o recebimento de um resultado não muito bom. E ela diz: “Como posso não crer ou duvidar, se o Teu amor insiste em me chamar?”. Certamente esta pergunta percorre a mente de muitos de nós, cotidianamente. Por que Deus ainda insiste? Por que quando desistimos e até entregamos os pontos, “algo” faz com que às nossas mãos volte aquilo que entregamos, como cargos, ministérios, trabalhos que desempenhamos? Por que quando não queremos cantar, ou nos sentimos fracos, sem inspiração, somos fortemente usados, levantados e encorajados? Certamente é porque há um amor além. Um Deus que pode fazer muito mais. E como o profeta Isaías declara que sobre os desertos fluiriam rios, somos convidados a cantar: “Somente crer, e o deserto vai florescer”. Pois Deus enxerga bem além do que vemos. Pois Seus caminhos são mais altos que os nossos.

    A oitava faixa do álbum é uma das mais aclamadas: Restitui. E sobre os vários conceitos e visões de restituição, é válido ressaltar que continuamente associamos tal palavra ao que é material, como a perda de um carro, de uma casa, de um emprego, de um relacionamento e de tantas coisas desta terra. Mas a maior restituição é a espiritual. Há pessoas que antes eram frutíferas na Casa do Senhor, e hoje estão “estéreis”. Há pessoas que tinham sonhos, e eram engajadas na obra, que cruzaram os braços. E se falarmos em dons do Espírito, não é difícil encontrar aquele irmão ou aquela irmã que antes eram “fogo puro” e que hoje estão “apagados”. Alegria sobre a depressão e sobre a tristeza; cura sobre anos de doença e resultados desenganadores; ressurreição, prosperidade sobre a fome e sobre a seca. E sobre a seca a chuva e a fartura. Pois Ele é o Poderoso Deus, que conquistou na cruz para nós, através de Jesus, a vida abundante e plena. Homem de dores, que sabe o que é sofrer. E tal história é relembrada por uma palavra do Apóstolo Estevam Hernandes, como de praxe, que fala sobre a passagem de Isaías 53.

    Após a pregação, temos Cria em mim, palavras de Davi, que deve ser uma oração constante no coração de um servo de Deus. Inicia-se com as palavras da Bispa, que remetem a uma antiga composição do grupo, Edifica (Renascer Praise 3). Em um mundo mal, somos constantemente abalados, e se nos permitirmos, moldados à fôrma do mundo. Fôrma do ressentimento, da dor, da raiva e da falta de perdão. E em um coração sujo, contaminado por sentimentos tão podres, o Espírito de Deus não pode habitar. É como uma casa que agregou tanta mobília ao ponto de impedir o próprio dono de entrar. Cria em mim tem um instrumental, que leva à ponte, que nos lembra de My Heart Sings Worthy (CFNI), ou como no Brasil ficou conhecida, Eu canto (Ministério de Louvor Diante do Trono).

    Plano Perfeito é talvez a música que, de todo o projeto, mais chamou a atenção dos fãs. Sua letra associa-se rapidamente a Cruz (Trazendo a Arca), em duas cenas: o palco do amor e o silencio no céu. É a música mais aguda do projeto, chegando ao A3 (Lá3). E encerrando Canto de Sião, vem Santo é o Cordeiro, não aquela gravada há 11 anos, no Estádio do Pacaembú, em São Paulo, com participação do Shekinah Glory Choir. A nova canção foi composta por Elyas Vianna, e tem na ponte seu maior destaque quando duas coisas acontecem: uma mudança na fórmula de compasso (De 4/4, quaternário, para 6/8, binário composto) e o arranjo vocal, com um jogo de respostas à melodia.

    Sobre outros aspectos, este é o cd com músicas mais agudas do Ministério, e cuja Harmonia foi menos “trabalhada”, diante de outros projetos, deixando-o mais simples. Também não conta com um solo da cantora Eliane, que se destacou nos últimos projetos, como uma das principais líderes de louvor. Ainda teve a participação do grupo de dançarinos da Igreja Renascer, e foi assistido não apenas pela Caravana Apostólica, mas também por moradores da área, e turistas, segundo o site do próprio grupo.

    O sucesso do cd é notório, sendo disco de Ouro, por 40 mil cópias vendidas. Então junte-se também aos mais de 40 mil adoradores que já adquiriram o cd, e cante o Canto De Sião, cante os Seus louvores, até os confins da Terra.

     

  • Análise: CD Revealing Jesus – Darlene Zschech

    Revealing Jesus (Revelando Jesus) é o mais novo trabalho da cantora e pastora australiana, Darlene Zschech, que atualmente segue em carreira solo, após anos liderando o Hillsong, demonstrando total amadurecimento, em relação a seus trabalhos solos anteriores. Esta gravação jamais aconteceria, dependendo da vontade da própria ministra, que explica, que conversando bastante com Deus e com amigos, decidiu então, gravar ao vivo outra vez.

    O palco para esta noite de adoração foi a The Church of the Highlands, em Birmingham (EUA), presidida pelos pastoresChris e Tammy Hodges, nos dias 28 e 29 de Setembro de 2012, durante uma conferência, em um final de semana. E contou com a participação de grandes nomes do cenário gospel internacional, como Michael W. SmithIsrael Houghton eKari Jobe, que entre outros, assinam juntos com Darlene, várias canções deste álbum, que não cantam a história de Jesus, como se presume pelo título, mas lembram importantes momentos da vida do Senhor, como sua crucificação, e sua vinda, e declaram sua fidelidade, e o amor por ele.

    Da primeira canção a última, percebe-se facilmente o jeito Darlene de cantar, e conduzir a congregação. Do mais pop ao mais piano, os arranjos carregam uma mistura entre o atual e o simples, fazendo uma bela transição musical, que pode facilmente tocar o público. Começando em God Is Here (Deus Está Aqui), com arranjos de guitarra que remetem, rapidamente, as músicas celtas; seguimos por Best For Me (O Melhor Por Mim), que tem na bateria sua marca mais forte, e destaca o sacrifício de Jesus como maior razão para se viver uma vida de adoração. All That We Are (Tudo Que Somos), conta com um elemento incomum: os assobios dos próprios cantores, timbrando com a flauta. In Jesus’ name (No Nome De Jesus) configura-se como uma música peculiar, na qual Darlenemostra, além do seu lado cantora, o seu lado pastora, ministrando sobre a vida de mulheres com câncer naquela noite, entoando os versos: ‘‘Não morrerei, mas viverei. O poder da ressurreição está dentro de mim. E eu sou livre em nome de Jesus’’.

    Your Presence Is Heaven To Me (Tua Presença é o Céu), é uma canção comum, não apresentando uma letra marcante ou inovadora. Não ultrapassou em beleza sua versão original, e nem a maioria das versões cantadas por Israel, em várias igrejas, pelo mundo. Mas firma-se como uma oração, um desejo, um clamor pela presença de Deus, nem que seja pelo transbordar de um cálice. Como diz em seus versos: ‘‘Oh Jesus, Tua presença é o céu para mim’’, nos faz lembrar que não precisamos de grandes versos para estarmos diante dele, ou para cantarmos, para Ele.

    Victor’s Crown (A Coroa Do Vencedor) é o carro-chefe de todo o trabalho, e apesar de levar o público ao delírio, e ter tocado facilmente os fãs, mostra-se mais como uma nova It’s Your Love. Tanto em questões melódicas, como harmônicas. Não sendo, nem de longe, uma das melhores e mais surpreendentes composições de ZschechYours Forever (Teu Para Sempre), do último CD da cantora, ganha um novo arranjo, bem como a interpretação de Kari Jobe, que mais uma vez abusa de seu jeito ‘‘meloso e arrastado’’ de cantar, que soa, no entanto, mais confortável e natural, que a própriaZschech.

    Quem conhece a versão original de Magnificent (Magnífico) do Álbum Blessed, reconhece nesta, uma das canções mais fortes do disco, que não se perde ou se enfraquece, na nova versão, levada pelas cordas e pela Harpa, se aproximando mais do angelical, que apenas do grandioso e épico. My Jesus, I Love Thee (Meu Jesus, Eu Te Amo), com letra de William Ralf Featherstone e melodia de Adoniram Gordon, composta no século XIX, agrega ao CD a grandeza de entoar Hinos, algo esquecido nesta geração do Gospel, e cede o lugar para Your name (Teu Nome), que obtém na ponte, exatamente composta pelos versos de Cry Of The Broken (Clamor Do Quebrantado), seu clímax. I Am Yours (Eu Sou Teu), é uma das mais fortes e mais envolventes canções do álbum, despontando na ponte, que canta Apocalipse 5:11-14, também declamados pela ministra, como um dos maiores momentos da noite. Pode-se ouvir os brados da igreja. Jesus At The Center (Jesus No Centro) figura, talvez, como o que há de mais simples em termos de composição, porém, não menos digno de atenção. Seus versos declaram que Jesus deve ser o centro de nossa vida, de tudo o que fazemos, de Sua igreja, do começo até o fim. E do nosso coração até o céu, o centro de tudo, não nos importando mais nada, além dele. Em DVD, ainda pode-se conferir um medley de dois dos maiores hits gospel do mundo: Shout To The Lord e Agnus Dei.

    Musicalmente falando, Revealing Jesus carrega uma sonoridade peculiar, fazendo uso de instrumentos como Harpa, flauta irlandesa, já mencionados anteriormente, e contando com a participação das Cordas da Escola de Belas Artes do Alabama. Do ponto de vista vocal, Darleneexibe sua voz, do G3 (Sol3 – EUA) ao D5 (Ré5 – EUA), quando nos últimos anos apresentou certa dificuldade para emitir confortavelmente tal nota aguda.

    Sem dúvidas, este álbum não pode ser considerado de antemão, o melhor trabalho da música gospel internacional do ano, mas também não fica atrás. Sendo um ótimo disco, não apenas de cabeceira, mas também de coração.

  • Análise: CD O Maior Troféu – Damares

    Damares, uma das mais importantes representantes da música pentecostal na atualidade é uma cantora que divide opiniões. Amada por muitos e questionada por outros, estes, geralmente alegando exagerado triunfalismo ou revanchismo em suas músicas, Damares é uma cantora inegavelmente popular.

    Depois de dois discos, “Apocalipse” e “Diamante”, que se firmaram como grandes sucessos, a cantora apresenta seu mais recente álbum pela gravadora Sony Music. “O Maior Troféu” vem com a missão de manter Damares no posto de destaque pentecostal, e com o desafio de manter o sucesso de vendas de seus antecessores.

    Com produção deMelk Carvalhedo e Emerson Pinheiro, “O Maior Troféu” já é, sem dúvidas, um dos discos mais comentados do ano. Coberto de expectativas, as notícias a respeito desse projeto foram constantes na mídia gospel especializada. Agora, com o cd a venda nas melhores lojas do país, vamos analisar cada faixa, a fim de saber se essas expectativas foram atendidas.

    Iniciando o trabalho, temos “A vida venceu”, música de Jeann e Júnior. A música é a cara de Damares e, talvez por isso, seja o cartão de visitas do disco. Estabelecendo uma relação entre as tecnologias modernas e a impossibilidade humana de explicar a morte, a letra fala sobre a vitória de Cristo na cruz do Calvário. O destaque positivo da música é o tema que, por mais que seja exaustivamente cantado, nunca é demais, afinal trata-se da base do cristianismo. Outro ponto que merece destaque é o back vocal bem colocado e com algumas pontes interessantes.

    O single e tema do disco, “O Maior Troféu”, foge da temática dos maiores hits anteriores da cantora. Talvez para se livrar da imagem de cantora de músicas revanchistas, como ficou conhecida por causa de “Sabor de Mel”, Damares optou por uma música que diz que o maior troféu que o homem pode receber, é ter o nome escrito no Livro da Vida. Com uma letra simples e bonita composta por Tony Ricardo, um dos destaques da música é a interpretação da cantora que ficou na medida certa. O arranjo vocal novamente é ótimo para a música pentecostal. Com momentos de dueto, back vocal pesado no refrão e uma bela sobreposição de vozes no final.

    A temática do Arrebatamento ganha moldes pop e com detalhes trabalhados em instrumentos de sopro na música “Todo Olho o Verá”, de Moisés Cleyton. As revelações do apocalipse são cantadas de forma ordenada, culminando no refrão animado e acompanhado pelo back vocal. Alguns arranjos da música estão bem agradáveis e a progressão do back em certos momentos é interessante. A faixa começa fraca, mas vai ganhando corpo e termina muito bem.

    “Pode ser Hoje”, de Tângela Vieira, fala sobre fazer tudo ao Senhor com o máximo de dedicação como se estivéssemos no último dia, afinal, a volta do nosso Salvador pode ser hoje. Uma bela letra que tem tudo para ser sucesso, embora o arranjo não tenha nada de muito impactante. Uma capela ou aumento de um tom em uma das passagens do refrão teria sido excelente para essa enriquecer o arranjo da música.

    Uma das melhores faixas do disco vem agora.

    “Essência da Adoração” reúne os melhores elementos das músicas anteriores em apenas uma canção. Um tema não comunmente abordado na música pentecostal – a adoração-, uma introdução excelente no piano e a melhor interpretação de Damares no disco. O back vocal que, até aqui vinha muito bem, ganha um destaque especial e cumpre seu papel com louvor. A sobreposição das vozes e um refrão simples e empolgante credenciam “Essência da Adoração” a ser uma das melhores e mais executadas músicas pentecostais de 2013.

    “A Dracma e Seu Dono”, de Anderson Freire, foi uma das músicas mais aguardadas do disco, tudo por causa de sua inusitada participação especial, a do cantor Thalles. A curiosidade em torno do cantor interpretando uma música pentecostal foi grande e o resultado não deixou a desejar. A harmonia de dois artistas tão diferentes é, certamente, um dos pontos altos da faixa. De inicio, a música tem um viés sertanejo muito interessante, mas a partir do segundo refrão entra nos trilhos pentecostais sem perder o fôlego. Certamente será uma das músicas do disco mais executadas do disco nas rádios.

    “Adorador” é musicalmente interessante. A faixa não tem aquele refrão explosivo típico das músicas pentecostais, mas isso não é ruim, pois a deixa menos óbvia. A música vai crescendo e no momento que viria aquele tradicional ápice mais acelerado da canção, ela diminui o ritmo. Novamente muito bem colocado, o back vocal ganha destaque encorpando a música. A composição é de Nice Santos.

    Na oitava faixa aparece o que muitos esperavam que Damares fizesse o disco inteiro. “Você Mais Deus”, de Moisés Cleyton, é uma música popular, de fácil assimilação, falando sobre vitória e confiança em Deus, e com um arranjo genuinamente pentecostal.

    “Sou Teu Deus” inicia como uma oração que tem como seu ponto alto, e refrão, a resposta de Deus. “Eu estou pertinho e você não vê” demonstra um Deus amoroso querendo amparar seu filho que sofre. A letra de Moisés Cleyton não é inovadora nem nada do gênero, mas é uma bela forma de fazer o pentecostal vitorioso de sempre, mas de uma forma mais singela. Destaque para a interpretação de Damares que ficou na medida.

    “Alto Preço” parece feita especialmente para grupos de senhoras de igrejas pentecostais. Anderson Freire compôs uma letra interessante que fala sobre pagar o preço para chegar ao céu, pois o mais alto preço foi pago na cruz. O refrão ganha uma série grudenta de “eu to pagando, eu to pagando” que fica na cabeça. Com forte apelo popular, a música corre o risco de virar hit.

    O nome “Temporal de Poder” já dá indícios do que virá na décima primeira faixa. “Tempestade de glória” e “enchente de milagres” são expressões marcantes na canção. A música composta por Tângela Vieira divide opiniões, mas considerando que faz parte de um estilo que tem em “500 Graus”, de Cassiane, um de seus hits mais marcantes, tem tudo para fazer sucesso.

    Depois de duas faixas com letras simples, chega “Oração de Jabes” de Anderson Freire. A letra é bastante bíblica e apresenta esse personagem pouco conhecido de forma interessante. Os arranjos são simples e feitos para evidenciar a interpretação singela de Damares. Faixa bastante interessante pois foge do óbvio, mas ainda assim se mantém popular.

    A tradicional faixa com elementos de forró, típicas de discos pentecostais, vem com “Davi ou Mical”, de Moisés Cleyton. Embora a melodia lembre outras tantas músicas do gênero, não apresentando nada de novo, a música vale a pena pela letra. Com estrofes bem trabalhadas e embasadas em no capítulo 6 de II Samuel, a canção se enriquece.

    “Tô Na Estrada” é uma surpresa interessante do disco. Anderson Freire compondo e Damares cantando sertanejo universitário. A produção da música foi muito bem pensada por Melk que, caso errasse a mão, teria deixado a faixa caricata. Dentro das conhecidas limitações do estilo, é uma música digna.

    O disco fecha de forma quase decepcionante com “Celebrando a vida”, uma música cercada de expectativas por reunir, além de Damares, três dos maiores talentos da nova geração da música cristã nacional: Brenda, Jotta A. e Anderson Freire. Com esses companheiros, poder-se-ia fazer uma das melhores faixas do disco, caso a música escolhida fosse mais promissora. “Adorador” poderia ter sido facilmente escolhida. A música não é ruim, pelo contrário. É um pop dançante bem executado e com um belo trabalho de back vocal. O grande problema é a sensação de desperdício de talentos em uma música mediana e sem grandes pretensões.

    A coisa mais perceptível ao ouvir “O Maior Troféu” é o cuidado com o repertório. A seleção das músicas foi feita de forma cuidadosa para manter a multidão de admiradores de Damares e conquistar os amantes da música pentecostal ainda resistentes à cantora.

    Em alguns momentos ao longo do álbum, tem-se a impressão de estar ouvindo um trabalho de outro tempo. Certos músicas e arranjos parecem saídos de discos do começo dos anos 2000, como “Recompensa” de Cassiane. Isso é ótimo. Damares fez um disco essencialmente pentecostal, mantendo o pop, que insiste em invadir as produções do gênero, presente, mas sob cotrole.

    “O Maior Troféu” traz uma Damares musicalmente madura e em seu melhor momento. As interpretações estão mais comedidas, mas não menos fortes, como pede o estilo pentecostal. É um disco muito correto, tecnicamente bem pensado, com poucos deslizes realmente significativos e com potencial para ser um dos melhores álbuns pentecostais do ano.

  • Entrevista: Os Arrais

    Eles foram os vencedores do nosso Top 10 de melhores discos de 2013, com o aclamado “Mais”. Analisamos minuciosamente o disco e demos nota 9 para o marcante e profundo CD que os lançaram ao mainstream. Deste então, chamaram a atenção de alguns com um grito silencioso. Perturbaram os mais céticos com uma tranquilidade sonora. Agora, a dupla André e Tiago Arrais nos concede uma entrevista exclusiva abordando os mais variáveis assuntos: o início, a carreira, fama, crítica, ensinamentos teológicos e projetos futuros. Acompanhe!

    arrais entrevista crítica

    OP: Como tudo começou? Conte-nos um pouco da história da dupla.

    Tudo começou da maneira mais natural possível. Eu (Tiago) comecei escrevendo músicas no período do segundo grau. Pouco tempo depois o André também começou a escrever músicas. As músicas eram simples, mas sinceras. Quando fui para o UNASP-EC no interior de São Paulo continuei escrevendo, e pouco tempo depois o André decidiu ir para a mesma instituição. E lá continuamos escrevendo, cantando aqui e ali, até que o dia chegou de tocarmos juntos. O André cantava as músicas dele, eu fazia vocal, eu tocava e cantava minhas músicas e o André fazia vocal. Quando eu fazia minhas visitas pastorais de estágio cantava para as pessoas em suas casas, hospitais, etc. Nossos amigos e colegas gostavam bastante de nossas músicas e desta maneira nos motivaram a gravar um CD com estas músicas. Pela providência Divina e com o apoio de muitos conseguimos gravar o primeiro CD chamado “Introdução” e este foi o começo de tudo.

    OP: O primeiro disco (Introdução), embora bastante poético, foi composto essencialmente por músicas mais diretas e pessoais com letras mais fáceis de serem assimiladas. O “Mais”, em contrapartida, é rebuscado, entretanto foi o trabalho que projetou vocês. Houve alguma surpresa, ou desde o inicio vocês tinham a ciência de que o “Mais” sendo profundo teria maior alcance? 

    Sem dúvida. O período entre o CD Mais e Introdução é de mais ou menos 5 anos. Houve bastante amadurecimento neste período. Muita água passou debaixo da ponte. Mas nunca imaginamos que o CD Mais chegaria aonde chegou. A princípio tínhamos o planos de lançar o CD de maneira independente. Mas pela providência Divina, Deus orquestrou algo diferente para o CD Mais que não poderíamos ter antecipado. Tivemos apoio de muitos amigos como o Léo (Leonardo Gonçalves), a Daniela Araújo, o Duca Tambasco e o pessoal do Oficina G3, fora o pessoal da Sony que nos deu um apoio muito grande par ao CD chegar aonde chegou. Nunca imaginávamos que o CD Mais chegaria ao 1o lugar no iTunes em pouco tempo, etc. Deus foi muito bom. Nosso objetivo desde o CD introdução era de ser fiéis ao nosso chamado de ensinar a Palavra através de música. Assim, sempre buscamos fazer o nosso melhor ao nos colocamos nas mãos de Deus. A glória é Dele. Nós somos vasos quebrados e imperfeitos, Ele é o tesouro. Mas sobre o alcance dos dois CDs, o engraçado é que esta semana o jogador Neymar postou a letra de uma de nossas músicas chamada “Cada Passo” do primeiro CD Introdução! Por mais que o CD Mais teve um alcance maior, Deus continua usando as músicas antigas para alcançar pessoas em todos os cantos com a Palavra.


    OP: O que atualmente vocês escutam e o que os incomodam na música cristã atual?

    O André e eu temos gostos muito semelhantes. Mas ouvimos de tudo. De músicas cristãs antigas americanas até Brahms. Dentre nossos favoritos estão Andrew Peterson, Andy Gullahorn (que produziu Mais conosco), The Brilliance, Sara Groves, e no cenário nacional Léo, Dani, Felipe Valente, Os Iglesias, e Fernando Queiroga estão entre os que mais admiramos (sem contar Stênio Marcius e outros gigantes da música cristã nacional).

    Sobre o que nos incomoda… pouco nos incomoda. Não estamos em posição de julgar ninguém. A pior coisa é julgar a intenção de alguém. Quando julgamos a intenção de alguém compor algo não damos o direito do outro se defender. Cada músico tem uma consciência, e um dia irão prestar contas diante do Eterno com relação a suas obras. Somente Deus sabe quais músicos estão fazendo um trabalho para glória pessoal e quais fazem um trabalho para Sua glória em favor do Reino. Podemos avaliar os frutos, mas nunca iremos saber o que agrada ou desagrada a Deus. Assim, pouco nos incomoda. Gostaríamos que certas coisas fossem diferentes, mas cada um diante de si e da missão que lhes foi dada.


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    OP: Podemos dizer que a mensagem dita em suas canções não tem exatamente o mesmo apelo popular como as músicas mais conhecidas do meio gospel. Se for comparar, a ótica é meio torta. Para que as pessoas entendam pra onde a roda gira, expliquem melhor a visão que vocês têm do evangelho e a mensagem que querem passar. Há algum ensinamento especifico da bíblia que é pouco explanado na música contemporânea que vocês tendem a defender? 

    Boa pergunta. Nossa perspectiva sobre o evangelho e a mensagem que queremos passar é a perspectiva de Cristo. A bíblia diz em João 8:31 “se permanecerdes em minha Palavra verdadeiramente sereis meus discípulos…” Uma coisa é cantar músicas com linguagem Bíblica. Outra coisa é escrever e cantar músicas com a sabedoria que a Bíblia oferece. É muito fácil sentar e escrever uma música que fala informações sobre Deus. Difícil é escrever algo que parte de uma experiência real com Cristo através da Palavra, especialmente no contexto de sofrimento. Uma música que tenha raiz em uma realidade concreta. Meu irmão e eu temos apenas um ministério: o ministério da Palavra. A música faz parte deste ministério de ensinar a Palavra, mas tanto o André como eu estamos em uma universidade nos EUA cursando mestrado e doutorado em teologia porque a música é só parte do ministério, a música é a porta de entrada… existe muito mais na Palavra do que uma música pode abraçar. Assim, como a missão de Cristo era fazer discípulos que continuassem a obra Dele nesta terra até o Seu retorno, e como discipulado está diretamente ligado a “permanecer na Palavra” nós usamos nossas músicas para mostrar a beleza, a profundidade, e o poder que a Palavra têm de nos fazer “mais” do que nós seriamos sem Cristo.

    Sobre defender algum ensinamento… a Bíblia não precisa de defesa. Ela é o que é. Para nós, e para Paulo “é o poder de Deus para salvação daquele que crê” (Romanos 1:16). O problema é que hoje em dia nós entendemos o valor do texto Bíblico para espiritualidade, mas a Bíblia não nos fascina, não nos desfaz, não nos comove. Nosso trabalho é usar a música para ser um tira-gosto daquilo que a Bíblia oferece, assim, se você gosta das nossas músicas, espere para ver o que a Palavra tem para oferecer!


    OP: Vocês dois, além de músicos, são profundos estudiosos da Bíblia e Teologia (Tiago faz doutorado em Antigo Testamento e Filosofia Cristã; André é mestrando em Divindade). Qual a importância desse estudo e como isso reflete na música que fazem?

    Extremamente importante e faz toda a diferença na nossa música. Nós temos o privilégio de estudar a Palavra por 6-8 horas por dia na universidade (e as vezes mais!). Estamos imersos num ambiente acadêmico onde muitos tem esta mesma experiência que nós estamos tendo. E é como diz o ditado, nós somos o que somos mais o nosso ambiente. Ter passado estes anos aqui tem mudado nossa perspectiva sobre muitas coisas, mas a principal delas é a importância da educação. Educação segue os mesmos parâmetros da Redenção que Cristo oferece. Se não fosse assim, porque é tão importante “conhecer” a Cristo de acordo com a Palavra? Pense no texto de João 17:3 – “esta é a vida eterna, que conheçam a Ti.” Nossa vida eterna, nossa salvação em Cristo está diretamente relacionada ao conhecimento de Deus. Conhecimento que nunca tem fim! É permanecendo na Palavra que somos transformados e de acordo com João 8 é somente assim que encontramos verdadeira “liberdade.” Assim, o estudo da Palavra afeta diretamente quem somos em primeiro lugar. Mesmo sem estas músicas, a Palavra tem um papel central na nossa vida. Nossas músicas são apenas um pequeno reflexo daquilo que Deus está fazendo em nós, e daquilo que Deus está disposto a fazer em qualquer um que estiver disposto a ouvir Sua voz através da Palavra. Nossos próximos CDs por este mesmo motivo serão ainda mais Bíblicos, Pentateuco primeiro, Salmos em segundo, e iremos tentar cobrir a Bíblia, cantando e escrevendo sobre as experiência de nossos antepassados na fé! Para que desta forma possamos receber nova motivação para permanecer na jornada, e para que possamos continuar aprendendo do amor e da graça de Deus estendida a todos nós através da revelação da Palavra.


    OP: A respeito dos próximos trabalhos, vocês adiantaram nas redes sociais que já estão com dois projetos finalizados: O “Torah” e o EP “Salmos”. Poderiam nos adiantar alguma informação a mais sobre a sonoridade e previsão de lançamento?

    Sonoridade de agora em diante não irá ser diferente do CD Mais, poucas diferenças. Queremos manter a mesma produção pois esta é a maneira que tocamos nossas músicas. Sobre previsão e lançamento não temos idéia ainda. Só iremos entrar em estúdio quando tivermos os fundos para pagar o projeto por completo. Até lá é esperar e confiar que se for da vontade de Deus tudo irá acontecer naturalmente. Iremos fazer nossa parte, e o resto, Deus no controle.


    OP: Criticas sempre existirão. Esbarrando no maior entrave da dupla, acredito que o folk (estilo de maior predominância em seus trabalhos) veio gerando algumas críticas como “músicas que dão sono” (afirmativa já mencionada por vocês). Isso é algo que – na pior das hipóteses – permeou ou pode afetar e mudar a regência de futuros álbuns? 

    Não nos afeta nem 1%. E nada irá mudar. Nós escrevemos as músicas da maneira que escrevemos. Umas são mais animadas, outras são menos. Tudo depende do que queremos comunicar, do que a letra diz. Nem todos entendem esta relação de música (forma) e letra (conteúdo), e não esperamos que todos entendam também. E no final das contas, dormir faz bem, se nossas músicas ajudam, ótimo! rs.


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    OP: Na música “Oração”, vocês referem à grandeza de Deus em relação à finitude humana (“que o meu nome morra com meu corpo e o de Cristo permaneça em tudo”). Qual a relação de vocês com a fama? São contrários a ela por achar errado, ou consideram como inevitável para quem consegue destaque com o trabalho? 

    A fama não é um problema em si. O problema é o ser humano. Os construtores da torre de babel em Gênesis 11 buscavam um “nome,” um tipo de “fama” egoísta, voltada para o “eu,” para as obras como um fim em si mesmo. Logo em seguida no capítulo 12 de Gênesis Deus chama Abraão e diz que irá dar a ele um “nome,” um tipo de “fama” diferente, uma “fama” em serviço de muitos, uma “fama” que termina glorificando a Deus e não as obras do homem. Nunca buscamos o primeiro tipo de fama. A fama egoísta, que busca aplauso de homens nas custas do favor de Deus. Como disse antes, meu irmão e eu cantávamos nossas músicas em visitas pastorais, em casas, em barracos, mansões, em hospitais, em asilos. Isto nos dava e ainda nos dá muita alegria. Pois a música tem esta função de alcançar as pessoas onde elas estão, e quando podemos orar pelas pessoas, falar para elas da Palavra e não somente cantar, o trabalho é ainda mais completo e profundo. Desta maneira, se esquecerem de nós amanhã, para nós, nada irá mudar, iremos continuar fazendo aquilo que sempre nos deu alegria: ensinar a Palavra de diversas maneiras, para poucos ou para muitos. Recebemos muitos emails com convites para cantar em diversos locais. As vezes estes emails contém informações como: “3 mil pessoas estarão no evento…” e muitas vezes nem respondemos. Não estamos atrás de fama, atrás de multidões, mas atrás de fazer a vontade de Deus, para 1 ou para 10 mil com a mesma intensidade e devoção. E foi por isso que escrevemos: que nosso nome morra com nosso corpo e que o de Cristo permaneça em tudo. Se no final de nossos dias as pessoas lembrarem mais de nós, e menos do Cristo do qual falamos, cantamos, e servimos, teremos falhado. A fama que queremos é aquela fama que traz glória a Deus. Se é plano de Deus que nossas músicas se espalhem pelo Brasil todo gerando uma certa “fama” que assim seja, mas nosso ministério, nossa vida e existência não dependem disso. Ele sabe. E é por isso que de alguma maneira Ele honrou nossa disposição de usar nossos dons para minoria nos dando oportunidades de cantar para uma maioria que não nos conhecia. A fama que queremos é a fama diante Dele, uma fama onde nós desaparecemos, e Cristo permanece em tudo. Uma fama que no serviço faz o homem desaparecer para que a glória Dele seja manifesta. João Batista estava certo: “importa que Ele cresça e eu diminua…” (João 3:30). Perfeito exemplo a ser seguido!


    OP: Residindo nos Estados Unidos, pretendem iniciar um ministério ou projeto voltado especificamente no idioma inglês? 

    Quem dera! Temos algumas músicas em inglês, mas infelizmente todos os fundos que temos e recebemos dedicamos para os projetos brasileiros em português. Nossa vida aqui nos EUA é passageira. Se um dia retornarmos para cá, iremos pensar mais uma vez nesta possibilidade, mas no momento nosso foco é no Brasil.


    OP: Como vocês veem o futuro da dupla? Mesmo sendo matéria de competência Divina, se vocês pudessem escolher e trabalhar nisto, como vocês – enquanto músicos – se enxergam no futuro? Considerando o momento que decidiram fazer música profissionalmente, vocês já atingiram o que sonhavam? Ultrapassaram? Ou ainda não alcançaram? 

    Há sempre mais. Enquanto Deus nos der melodias iremos compor pois isto é natural para nós. É uma maneira de sintetizar teologia para que ela seja comunicada de uma forma mais simples e bela, através de arte. Mas sobre o futuro nosso plano é continuar nos colocando nas mãos de Deus como temos feito até aqui. Iremos continuar escrevendo músicas e é Ele quem decide aonde estas músicas irão chegar. Assim, com ou sem CD, com ou sem fama, iremos continuar nesta trilha. Nosso sonho é cobrir toda a Bíblia na forma de música. De Gênesis até Apocalipse, para que as pessoas tenham um desejo renovado de estudar estes livros cheio de beleza e poesia, livros que contam a história da humanidade na vida de pessoas que como nós viveram alegrias e tristezas, desafios e incertezas, que lutaram com o “eu” ao aprenderem a confiar num Deus que muitas vezes nem podiam ver. Desta maneira, sempre existe mais para ser feito, mais para ser escrito. Mas nos colocamos nas mãos de Deus, nós somos apenas instrumentos, ele é o Músico, o Regente.

  • Top 10 – Músicas Pentecostais de 2013

    O ano de 2013 já está entrando na reta final e, como de costume aqui no Gospel Músikas*, vamos começar a relembrar o que de mais importante aconteceu no ano.

    Dando a largada na nossa retrospectiva, vamos falar sobre a sempre popular música pentecostal, que passou por 2013 com o destaque que lhe é peculiar.

    Com os principais álbuns do estilo já lançados, é hora de relembrar as 10 principais, e por que não melhores, músicas pentecostais lançadas esse ano.

    Vamos conferir?

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    [tab title=”10º Lugar” icon=”entypo-music”]

    História de Adorador – Lilia Paz

    A cantora Lilia Paz apresentou em 2013, como single e tema de seu mais recente disco, a música “História de Adorador”, composição de Rogério Fernandes. A canção segue à risca a cartilha de como fazer uma boa música pentecostal. Falando sobre adoração e vitória, a música tem refrão forte, back vocal potente, ponte marcante e uma interpretação enérgica, marca registrada de Lília. “Quero viver uma história de adorador, mesmo na prova vou louvar ao meu Salvador / Aos pés da Cruz contemplar o sobrenatural / Vencer a tempestade e a força do mal”. “História de Adorador” defende com dignidade a bandeira de seu estilo e se tornou um prato cheio para corais jovens de igrejas pentecostais.

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    [tab title=”9º” icon=”entypo-music”]

    O Sonho não Acabou – Gisele Nascimento

    Após alguns anos com pouco destaque na mídia gospel, Gisele Nascimento fez de 2013 um ano de mudanças. Em nova gravadora, a MK Music, a cantora lançou “O Sonho não Acabou”, seu sétimo álbum. A música tema, composta porSérgio Marques Cristine Ferr, é o grande destaque do projeto e tem sido bastante executada em rádios de todo o Brasil. Com uma letra que fala sobre o cumprimento de promessas, típico do estilo pentecostal, a cantora emprestou sua voz forte para cantar sobre a certeza e confiança em Deus, dizendo “O sonho não acabou, meu Deus realizará/ Sua palavra é certa eu posso confiar/ Preciso esperar”.

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    [tab title=”8º” icon=”entypo-music”]

    Seja Livre – Michele Nascimento

    Após o grande sucesso do disco “Louve e Adore”Michele Nascimento entrou em estúdio para gravar “Batalha Contra o Mal”, seu novo trabalho. “Seja Livre”, um dos destaques do álbum, é uma música imperativa que ganha ares de profecia ao decretar liberdade contra o mal. Com uma letra de forte apelo popular, a canção fala de forma direta, mais como uma pregação do que como uma música. A composição da dupla Gislaine e Mylena sintetiza em apenas uma faixa todo o conceito pensado para o disco de Michele. A ideia de batalhar contra o mal é percebida não apenas na letra, mas no arranjo e interpretação forte da cantora.

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    [tab title=”7º” icon=”entypo-music”]

    Eu Mato Esse Gigante – Lea Mendonça

    Uma das histórias mais conhecidas e queridas da Bíblia Sagrada, a de Davi, ganhou notas pentecostais na canção “Eu Mato Esse Gigante” de Lea Mendonça. A composição da cantora em parceria com a dupla Junior Maciel e Josias Teixeira mostra Davi, então futuro rei de Israel, diante do gigante Golias contando sobre as grandes conquistas que já havia tido em seu tempo de solidão. “Eu Mato Esse Gigante” fala sobre coragem, atributo fundamental para quem batalha contra os gigantes do mundo moderno. “Hoje arranco minha casa das mãos desse Golias, pois na minha família ninguém se perderá / Não sou de correr da guerra já vivi momentos piores / Posso até me ferir, mas eu mato esse gigante”.

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    [tab title=”6º” icon=”entypo-music”]

    Não Negarei Minha Fé – Beatriz / Thiago Alves

    A mensagem de que independente do que a vida possa apresentar, a fé não pode ser negada foi um dos grandes temas da música pentecostal em 2013, pelo menos entre as canções de maior destaque. “Não Negarei minha Fé”, composição da dupla Gislaine e Mylena é uma das representantes. Gravada pela cantora Beatriz Andrade e pelo jovem cantor paranaense Thiago Alves, a música fala que o adorador que não abre mão da fé tem uma recompensa celestial eterna. “Não negarei minha fé, eu sou adorador prometo ser fiel senhor / Na fornalha, na prisão seja onde for, não negarei minha fé,eu sou adorador / Na tribulação,na perseguição, nada vai me separar de ti, senhor”.

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    [tab title=”5º” icon=”entypo-music”]

    Cresça – Leandro Borges feat. Vanilda Bordieri

    Ele é uma das maiores promessas no segmento pentecostal. Antes mesmo do lançamento do disco “Deus, eu e meu violão”Leandro Borges ganhou destaque em toda a mídia especializada ao apresentar o videoclipe do single do álbum, a música “Cresça”, com participação especial da cantora Vanilda Bordieri. Uma música pentecostal na essência do estilo: letra forte, interpretação marcante, back vocal destacado, já indicando futuras versões de corais jovens de igrejas, e arranjo intenso. A composição trata sobre o homem abrir mão de si mesmo para que a Glória de Deus se revele. “Cresça, até que o meu eu desapareça, até a Tua Glória me encobrir quero Tua Glória exalando em mim / Que eu diminua e o Senhor cresça / Que o Teu nome esteja sempre em evidência que a Tua Glória eternamente permaneça / Senhor, que eu venha diminuir, que a Tua Glória vá além de mim”. De single de um cantor ainda pouco conhecido nacionalmente, “Cresça” ganhou público e se revelou uma das melhores canções pentecostais do ano.

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    Acalma o Meu Coração – Anderson Freire / Lauriete

    A música pentecostal, conhecida por sua força e verve vitoriosa, também pode ser doce, sutil e melancólica. “Acalma o Meu Coração” é exatamente assim. A canção é um diálogo com Deus, onde aquele que sofre chega humildemente na presença do Pai pedindo que Ele o console. É ainda um pedido de desculpas por achar que em determinados momentos Deus se faz de indiferente diante da dor humana. “O barulho do mar vem pra me confundir /Oh, pai não deixe as ondas minha fé diminuir / Perdoa se pensei que em meio ao teu silêncio não estivesse aqui / Viver na superfície sem poder respirar é o mesmo que morrer por não te adorar / És o meu oxigênio / Senhor, sem tua presença minha fé vai naufragar”. Com a marca poética característica das composições de Anderson Freire, “Acalma o Meu Coração” conseguiu o feito de, em um mesmo ano, ser sucesso na voz de dois grandes artistas: seu compositor e Lauriete.

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    [tab title=”3º” icon=”entypo-music”]

    3º Peregrino – Vanilda Bordieri

    O álbum “Pra Deus é nada” de Vanilda Bordieri, apresentou umas das mais belas músicas pentecostais do ano.“Peregrino”, composição de Rogério Junior, é uma composição de encorajamento a todos os cristãos que peregrinam por essa terra. A letra recorda que aqui não é o lar daqueles que batalham pelo céu.  “Peregrino guarda bem no peito a fé, põe no alvo o teu chamado pelo rei / Traz na força a tua coragem / Peregrino este mundo não é tua casa, o teu Rei te preparou uma morada / Ele vem te resgatar desta batalha”.

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    [tab title=”2º” icon=”entypo-music”]

    O Maior Troféu – Damares

    A cantora pentecostal do momento, Damares é o grande destaque de vendas do segmento. Após sucessos emblemáticos nos discos “Apocalipse” e “Diamante”, a cantora chega mais madura musicalmente em “O Maior Troféu”. Indo na contramão das músicas que a tornaram conhecida, Damares se destacou em 2013 cantando que “O Maior Troféu é no Livro da Vida / Saber que o meu nome está escrito lá, e quando os portais da Glória se abrirem, ter a certeza que Deus irá me chamar”. A composição de Tony Ricardo fez sucesso em rádios e igrejas de todo o Brasil, sendo e foi o carro-chefe que levou Damares a ser a artista gospel com maior vendagem no de discos no ano.

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    A Igreja Vem – Anderson Freire

    O Troféu Promessas pode não tê-la contemplado, mas “A Igreja Vem” de Anderson Freire é, sem dúvida, uma das principais músicas do ano. Single do disco “Raridade”, sucesso de vendas, a música se tornou febre em igrejas, e especialmente entre corais jovens de todo o Brasil. A letra, composição do próprio Anderson Freire, fala sobre a força da Igreja que resiste às perseguições e vence o mal. “A Igreja vem” caiu nas graças do público e seu refrão marcante, certamente, foi um dos mais repetidos em 2013. “A igreja vem com Aquele que brilha mais que a luz do sol / dissipando as trevas, destruindo o mal / A sua face é um refletor de glória, o céu derrama a glória”. Para coroar o sucesso, a música concorre ao Grammy Latino na categoria de Melhor Composição Clássica Contemporânea.

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    * Texto publicado originalmente no Portal Gospel Músikas.

  • Entrevista: Kim – Banda Catedral

    Conhecido por seu trabalho à frente da banda Catedral iniciada no fim dos anos 80, conseguindo romper as barreiras do gospel alcançando feitos inéditos como ser a banda de rock mais votada entre todas do rock nacional na MTV Brasil em 2000, além de ter cerca de 3 milhões de cópias vendidas em sua carreira, Kim se destaca também em carreira solo, sempre lançando discos de grande aceitação do público.

    Prestes a lançar novo disco intitulado “Intimidade Sonora” pela Sony Music, Kim fala com exclusividade ao Gospel Musikas sobre sua carreira tanto na banda como em solo além de adiantar detalhes relevantes a respeito deste novo trabalho e aproveita pra esclarecer algumas dúvidas em relação à banda, e afirma: “O crossover no mercado brasileiro nasceu com a Banda Catedral. Queiram ou não”. Acompanhe nossa conversa:

    1. O álbum M.I.M. inicialmente foi lançado de forma independente, numa versão limitada com um livro, que contém vários materiais exclusivos da banda. Como surgiu essa ideia de lançar um livro-CD?

    Queríamos fazer algo diferente de forma independente e por isso tivemos a idéia de fazer um livro de luxo com edição limitada que dava um CD inédito {o M.I. M} de brinde. Foi interessante todo esse processo, pois vendemos bem a edição e praticamente apenas com as redes sociais e o nosso site, ou seja, sem nenhuma outra propaganda ou mídia!

    2. Quais são as diferenças técnicas mais notáveis deste último trabalho em relação aos anteriores, principalmente o “Pedra Angular”?

     

    A Banda Catedral sempre esta amadurecendo! Essa é a nossa principal marca! Não nos acomodamos! Esse CD, o M.I.M também é totalmente inédito, diferente do Pedra Angular que tinha algumas regravações… Eu colocaria o M.I.M em termos de repertório certamente no TOP 5 da nossa carreira! Não preciso dizer mais nada, rsrsrs…

    3. De 1999, quando o Catedral lançou o seu primeiro disco ao mercado nacional secular até os dias de hoje, quais foram os detalhes, tanto positivos e negativos que vocês notaram na nossa música brasileira?

    Entrar bem no mercado popular e principalmente se manter é muito complicado, pois requer muitos investimentos! Em 1999 existia ainda muito preconceito, por isso foi muito complicado, mas mesmo assim conseguimos coisas até então inimagináveis para a época! (aliás, até hoje ninguém com origem no gospel dentro do pop/rock conseguiu algo igual) Como as indicações para os prêmios Multishow de 2000 e os VMBs da MTV Brasil de 2001, 2004, 2005. Como em ser a banda de rock mais votada entre todas do rock nacional na MTV Brasil em 2001, participar de vários festivais no palco principal como no Ceara Music de 2001 e de 2004, ter as nossas músicas nas principais redes de rádios em todo Brasil sempre nas primeiras colocações e de vender cerca de 300 mil CDs em 3 trabalhos em uma gravadora popular (de 1999 a 2002), no caso a WEA/Warner!

    4. Em 2012 o Catedral, juntamente com o Novo Som gravou o álbum “Mais que amigos = irmãos”. Como se deu esse encontro, e amizade entre os dois grupos? Contem detalhes da produção.

    Era uma coisa que queríamos fazer já há algum tempo e não tínhamos tido a oportunidade devido a questões de gravadoras e etc… Foi legal fazer esse projeto, pois a amizade é verdadeira! Vamos ver agora com o lançamento desse projeto que é independente como vai ser a reação de todos e como ele vai se portar perante o mercado!

    5. Poderia falar um pouco da produção musical e conceito do disco “Intimidade Sonora”, desde as canções e o título do projeto?

    É um projeto diferenciado! Com arranjos e produção musical primorosa do meu brother Júlio. A concepção do trabalho, os instrumentos usados, enfim, tudo valoriza as minhas interpretações dando um efeito agradável de intimidade com todas as músicas! Neste CD gravei 7 músicas inéditas entre elas destaco “O mundo precisa de Deus” escolhida pela Sony para ser  a música de trabalho, “Muito Obrigado”, faixa que eu acho uma das mais fortes do CD entre as inéditas e “Tô contigo e não abro Jesus” que é um funk dançante bem diferente de tudo que fiz! O CD também traz 8 regravações especiais, sendo que a maioria nunca tinha regravado! É um projeto especial e eu gostei muito do resultado! Espero que todos curtam bastante!

    6. Como você consegue conciliar duas carreiras musicais? Acha que isto é possível para a maioria dos músicos?

    É uma coisa muito complicada e ainda mais com sucesso! Já faço isso desde 1990 com meu primeiro LP Além do espelho, mas tendo mais destaque a partir de 1995 com o CD de sucesso Coração Aberto…

    7. Dos seus projetos solo, existe algum ao qual você tenha um sentimento especial, seja em qualquer aspecto?

    Gosto dos CDs que lancei na Line… Gosto deles, porque sinto uma maturidade musical implícita e uma qualidade nas interpretações e arranjos que os diferencia dos demais anteriores! Destaco com prazer todos eles: Simplesmente Kim, O Meu destino é você, Realidade, Com toda força do Amor em CD e DVD e o Kim Acústico! Gosto de todos eles!

    8. Kim, atualmente vem ganhando força no Brasil o movimento “crossover”, que apesar de parecer novo, muitos creditam seu início à Catedral ainda nos anos 2000. Realmente a Catedral tinha essa intenção? O que você considera ter sido impeditivo para que se tornasse bem sucedido?

    A Banda Catedral não só teve essa intenção como realizou isso não só em termos musicais, mas em termos de carreira! (pois hoje a Banda tem um público forte e formado nos dois mercados). Ninguém vende em 3 trabalhos (como já disse anteriormente) 300 mil CDs sem ser bem sucedido! Depois na Line mais de 700 mil (CDs e DVDs entre Catedral e Kim) dando continuidade a esse sucesso e mantendo a mesma ideologia! Como já disse antes “na pergunta número três”ninguém faz aquilo tudo sem conseguir um “crossover muito bem acertado e competente” por sinal! O problema é que a sustentação disso requer muito investimento em mídia e ai é outra questão que independe de qualquer artista… Agora vejo um problema sério quando leio tudo isso que é a falta de memória que alguns têm… Como o povo esquece as coisas…

    9. Certamente a banda foi alvo de preconceito devido essa musicalidade “fora da caixa gospel”. Como foi viver isso na pele? Acredita que o público atualmente está mais maduro e pronto para consumir esse tipo de música?

    O público amadureceu sim, mas sempre demos importância apenas ao nosso público! O resto não é do nosso interesse!

    10. Em entrevista à Billboard – Edição 37, Marcos Almeida da Palavrantiga disse não compartilhar das mesmas intenções da Catedral – “no fundo desconhecidas para todos nós”. Sugerindo que a banda não buscou o “crossover”, apenas migrou de um mercado para outro. Foi mesmo essa a intenção da banda? Você acredita em um meio termo? Nesta intersecção musical que permite ser secular sem deixar de ser cristão, ou tudo não passa de ideologias filosóficas?

    Não o conheço pessoalmente, mas já disse a ele mesmo em uma rede social que ele se equivocou brutalmente ao dar declarações nesse sentido nos citando sem conhecer a Banda… Na verdade acho até engraçado esse tipo de declaração! Rsrsrs… Não só a ideia, mas como toda a prática dessa ideologia no mercado brasileiro nasceu com a Banda Catedral! E não agora, mas em 1999, ou seja, há 14 anos! Dá pra imaginar uma atitude dessas em 1999/2000? Pois é, coragem é sinônimo de CatedralQueiram ou não temos história, fatos, resultados que confirmam tudo isso, enquanto muita gente ainda tem que comer muito feijão com arroz em vários sentidos…

    10. Agora em nova fase, na Sony Music, o que o público pode esperar desta parceria?

    A continuidade do nosso trabalho que sempre foi pautado na qualidade e no conteúdo de nossas músicas…

    11. Deixe uma mensagem para os leitores que estão acompanhando essa entrevista:

    Que Deus abençoe a todos! Muita paz, felicidades e lembrem-se: Deus É maior!

    12. A quem interessar como entrar em contato com o Kim e Banda Catedral?

    É só acessar o nosso site www.bandacatedral.com.br. Lá você encontra tudo! Contato para shows com a Gospel Power, nossos facebooks, Twitters e etc. Valeu!

    Colaboração especial: Tiago Abreu

  • Análise: CD Nada temerei – Ana Nóbrega

    Vocalista do Diante do Trono, a cearense Ana Nóbrega chega a seu segundo trabalho solo, mas com cara de álbum de estreia. Nada Temerei foi lançado pela Som Livre em fevereiro deste ano e pretende evidenciar Ana como a revelação da música gospel nacional deste ano.

    O álbum foi gravado no estúdio da banda Diante do Trono durante os anos de 2012 e 2013. Os arranjos ficaram por conta de vários músicos, e a produção musical por Vinícius Bruno e Robert Dolabella. A maior parte das faixas são de autoria de Nóbrega e algumas em parceria com Israel Salazar, também vocalista do Diante do Trono. O criativo e conceitual projeto gráfico é criação da Quartel Design.

    A primeira faixa do repertório é De Tal Maneira. Letra clichê no refrão, porém muito bem arranjada. Riffs de guitarra na introdução, bateria bate-estaca e muitos efeitos eletrônicos. Desta já nota-se que o disco de Nóbrega desvincula totalmente da proposta musical do Diante do Trono de forma bem-sucedida. Um dueto no refrão entre a cantora e o músico Rodrigo Campos ficou agradavelmente bom.

    Eu Amo Te Adorar tem uma vibe bastante abrasileirada, com muitos toques de teclado lembrando vários estilos nacionais. Os contracantos de Nóbrega foram bem explorados, e o groove da bateria, baixo e teclado ficaram agradáveis, embora a faixa soe um pouco enjoativa pelo refrão repetitivo.

    A seguir, Bendiga ao Senhor, que é uma das melhores do repertório. Cheia de efeitos eletrônicos, um vocal melódico, embora novamente bem repetitiva possui uma dinâmica bastante agradável, e um final excelente. É uma faixa bem “pra cima”.

    Num momento mais lento do repertório, Com Tudo o que Sou segue a linha das anteriores no quesito instrumental. Pop rock com muitos efeitos eletrônicos. A interpretação de Nóbrega é um dos destaques, e a letra em si, apesar de naturalmente tender para um lado clichê é bem articulada e agradável de ouvir. “Mostra-me de dia o Teu amor e quando o sol se for Te darei minha canção / Enche-me de alegria e paz, Teu amor me satisfaz, Deus da minha salvação”.

    Nada Temerei, apesar de ser a faixa-título do álbum acabou se tornando o maior ponto negativo da obra. Ao ouvi-la, dá a impressão de que nada combinou, nem a letra, arranjos e interpretação de Nóbrega, apesar de que nestes pontos a canção não seja ruim, mas a má união destas a tornou uma canção melosa. A proposta não deu certo.

    Contrastando com a anterior, Sempre por Perto tem os melhores arranjos do repertório, além da impecável interpretação de Ana. Um jazz-blues, com toques de guitarra, teclado, criando uma “atmosfera musical” envolvente. A música versa sobre a onipresença de Deus em nós.

    Com a participação de Ana Paula Valadão, temos Pra Te Adorar, um folk bem intimista. O dueto das “Anas” ficou excelente, embora o fade out na faixa poderia ter sido evitado. Ao longo da canção, mais próximo ao final, ela ganha o peso necessário.

    Estou Aqui é um dos pontos altos do repertório. Sendo bem intimista, Nóbrega faz uma interpretação leve, assim como a sonoridade, executada por um violão combinada a toques leves de guitarra, bateria e efeitos eletrônicos. A letra mescla declarações verticais a frases poéticas.

    Um solo de piano unido a um arranjo de cordas, Mais tem um das sonoridades mais lentas do repertório. O refrão é simples, clichê, mas não conta como ponto negativo, principalmente por conta de sua condução.

    Te Quero Mais possui uma condução musical percussiva, riffs de guitarra e um vocal melódico que contrasta a voz de Nóbrega. A letra é clichê e enjoativa, e conta como mais um ponto negativo do álbum Nada Temerei.

    Com uma intro cheia de sintetizadores, Tu és a Fonte possui uma letra interessante, em primeira pessoa, primeiramente se referindo a alguém, até chegar ao refrão, em que se volta às declarações verticais.

    Eu Quero Teu Fogo é a faixa mais pesada do álbum, e instrumentalmente uma das melhores do projeto. É destacável, a força da bateria e da guitarra base, e mais tarde o momento leve da canção, com efeitos eletrônicos e um vocal de apoio formado por backs do Diante do Trono, e a parte final da música, excelente.

    Fechando a obra, temos a regravação de Porque estás Comigo, presente também no CD Creio, lançado pelo Diante do Trono em 2012. São poucas a mudanças para a versão original, um vocal de apoio removido no refrão e a inclusão deste na introdução. Particularmente, prefiro esta versão, mais “pesada” e menos psicodélica, embora ambas sejam agradáveis de ouvir.

    No geral, Nóbrega acertou em cheio neste projeto. Evitou usar os moldes e padrões musicais do Diante do Trono para revelar sua identidade musical, que é excelente. O que, conta como negativo, em algumas partes é o uso da mesma temática em várias canções e os refrões repetitivos. Considerando tudo o que foi dito, o disco recebe nota 8 de 10 e é altamente recomendável para quem curte um pop rock contemporâneo bem produzido e cheio de identidade musical.