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  • Rocklogia – As igrejas da década de 70

    Prosseguiremos nossa linha do tempo a respeito da história do rock cristão no Brasil, na qual anteriormente abordamos a história da banda Êxodos (se não leu, clique aqui).

    Durante a década de 70, além dos múltiplos movimentos culturais no Brasil e no mundo, grande parte deles consequências do movimento hippie nos anos 60, começavam a se formar algumas propostas diferenciadas de culto e evangelismo pelo país. Destas ideias, destacam-se o nome de quatro igrejas.

    Uma destas instituições é a Igreja Presbiteriana de Copacabana, que como o nome afirma, localiza-se na cidade do Rio de Janeiro. Em 1972, iniciou-se o Culto Jovem, no qual era realizado as 18hs, um pouco antes do culto principal de domingo, com o objetivo de alcançar a juventude que não frequentava, e dificilmente se adaptaria a liturgia do outro horário. O músico Elmar Gueiros foi um dos principais participantes destes cultos, e o resultado foi positivo, pois a igreja ficava lotada de jovens, muitos destes não cristãos. Durante o culto, eram utilizados vários instrumentos até então demonizados na maioria das igrejas, como a bateria, guitarra, baixo e teclado/sintetizadores. O culto jovem durou muito tempo, graças ao apoio dos pastores Benjamin Morais, Jonas Rezende e Nehemias Marien (este último conhecido por sua personalidade polêmica). Destes frutos, destaque para a banda Sinal Verde (na liderança do conceituado compositor Lucas Ribeiro), o surgimento do Rebanhão (com Janires, Carlinhos Felix, Paulo Marotta e outros), e várias conversões de pessoas que tinham aversão ao cristianismo, como o tecladista Pedro Braconnot.

    Entretanto, a mais conhecida desta época é, sem dúvida a Igreja Cristo Salva, também conhecida como igreja do Tio Cássio, localizada em São Paulo. A igreja surgiu através do casal Noeli Colombo e Cássio, no qual eram empresários. Entretanto, com o surgimento de problemas, provavelmente financeiros, procuravam ajuda em vários locais, porém não encontraram. Conhecer a Cristo foi a solução para os dois, que passaram a evangelizar por onde iam. Com a crescente quantidade de jovens que abraçaram a causa, e participavam de ‘reuniões’ na casa de Cassio, surgiu a Cristo Salva, em meados de 1975. Foi nesta igreja em que Janires, futuro líder e vocalista do Rebanhão iniciou sua vida cristã, também sendo o local onde surgiu a banda Oficina G3, na época com sua formação inicial, na qual, atualmente apenas Juninho Afram está. O casal Estevam e Sônia Hernandes, antes das corrupções nos anos 2000 frequentaram cultos desta igreja e desempenharam grande função evangelística nos anos 90 através dos eventos públicos da Renascer, tema que trataremos em posts futuros. O conhecido piloto Alex Dias Ribeiro também esteve por lá.

    No Rio de Janeiro, também temos a Igreja de Nova Vida no bairro da Tijuca, que gerou a Banda Fé (futura Banda & Voz). Esta, fundada em 1982 (embora o movimento tenha ganhado força na década anterior) seguiu a linha dos demais templos existentes com seu teor mais pentecostal, ou seja, não tão tradicionalista quanto as outras igrejas de sua época, investindo também na mídia, como rádio, e consequentemente atraindo a juventude.

    A última destas é a Comunidade S8, que, apesar de não ser uma igreja com todas as letras, desempenhou um papel importante na música cristã. É uma associação civil, com fins não lucrativos, fundada em 1971. Seu grande trabalho é de atuar na recuperação de dependentes químicos. Com a chegada de vários jovens, a comunidade também gravou álbuns, com forte característica do rock progressivo. Foi da S8 em que alguns membros do Fruto Sagrado vieram. Um de seus influenciados foi o guitarrista e produtor musical Toney Fontes, que é responsável pela masterização de grande parte dos lançamentos do gospel nacional há vários anos. Seu pai, Geremias Fontes é o fundador da instituição.

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    Uma das canções da Comunidade S8

  • Análise: CD Venha o Teu Reino – Davi Sacer

    Davi Sacer se tornou um dos grandes expoentes da música congregacional no Brasil ao liderar ao lado de Luiz Arcanjo os ministérios de Louvor Toque no Altar e Trazendo a Arca, fazendo sua voz ser conhecida em todo o país através dos grandes sucessos do Toque no Altar e Trazendo a Arca.

    Em carreira solo desde 2010, Davi renovou contrato com a Som Livre e em 2014 lançou seu segundo trabalho pela gravadora, o álbum “Venha o Teu Reino”.

    Recém-lançado pela Som Livre, o novo álbum solo do cantor Davi Sacer tem projeto gráfico assinado pela Agência Excellence, do David Cerqueira, este que também assina algumas canções, inclusive “Venha o Teu Reino”. A produção musical e arranjos ficou por conta de Kleyton Martins.

    Diferente do disco anterior “Às margens do teu rio”, o cantor apostou numa capa temática, simbolizando o Reino dos Céus, em direção à terra. O tema do disco não é a toa, pois reflete bem a proposta do álbum de ser um disco bem mais “vertical”, teocêntrico do que o que normalmente o cantor costuma apresentar, desde o Toque no Altar e Trazendo a Arca e seguindo carreira solo, recebendo inclusive algumas críticas a respeito disso.

    Davi Sacer diversificou o repertório gravando menos canções autorais, o que certamente contribui para um disco menos repetitivo principalmente quanto às temáticas das canções.

    A música de abertura “Quanto mais Te conheço” de autoria de Marcos da Costa Brunet funciona como uma declaração de amor ao Senhor. Seu refrão reflete bem isso: “E quanto mais te conheço| Muito mais eu te amo | Meu amado preferido”. Aqui Davi Sacer declara que não importa o que vier, jamais deixará de seguir e adorar ao Senhor.

    A segunda canção é a faixa que dá nome ao álbum. “Venha o Teu Reino” é baseada na oração ensinada por Jesus, o “Pai nosso”. Sem dúvida é uma das melhores canções do álbum. Apesar de “letristicamente” simples, a sonoridade alcançada pela canção a torna singular. A ponte da música declara a mudança na postura musical de Sacer: “Porque o reino, poder e a glória | São Teus para sempre | Amém”.

    Declarando Jesus como o centro de tudo, Davi traz para o público brasileiro uma bela versão da canção “Jesus At The Center” de Israel Houghton, Micah Massey e Adam Ranney. “Jesus é o Centro” é o que pode ser chamado de canção vertical, onde o centro da temática enfoca não bênçãos, milagres ou as relações humanas, mas a adoração ao Senhor, sua grandiosidade e a necessidade dEle ser o centro de tudo, inclusive em nossos corações. “Que em meu coração | Cristo seja o centro | E todo o meu ser | Mostre quem tu és”, declara o refrão. Ministérios de louvor, cantem essa música!

    “Eu entrego tudo” é a primeira canção do disco assinada por Sacer em parceria com Luiz Moreira e Kleyton Martins. Esta bela canção de renúncia, traz pontualmente alguns conceitos usados por Davi em outras canções. Essa dramaticidade às vezes assusta. É preciso ouvir bem o que se canta pra não incorrer em mentira. De qualquer forma, quem conhece a fundo a história do Davi Sacer ao ouvir essa canção vai perceber que cantá-la faz todo o sentido ‘para ele’, refletindo um novo momento em sua vida. “Eu entrego tudo | Pra seguir-te até o fim | Nunca mais o mundo | Vai mudar meu rumo | Estou indo para a cruz | Deixo o que for preciso | Pra não me perder de Ti”.

    A faixa cinco, “Graça que me faz vencer” está entre as mais belas do disco. Composição de Jeff Arantes, versa sobre a perseverança de seguir em frente mesmo contra tudo e todos. Apesar de lindo louvar algo assim, só quando passamos por momentos que nos exigem essa postura que sabemos o quanto é difícil. “Eu não desisto, eu não paro de lutar| Eu não me canso de recomeçar | O inimigo não entende o porquê | É a graça que me fortalece | E me faz vencer”.

    Mais uma composição de David Cerqueira chama atenção no álbum. “Vem rasgando o céu” é a faixa sete do disco e traz um som forte com arranjos mais pesados pro disco.  É dele também a faixa nove “Salmo 40” como se pode supor, baseada neste Salmo. Seu refrão reflete a essência de todo o álbum “Glória, poder e majestade | Sejam dadas a ti | Honra, domínio e governo | Devolvemos a ti”.

    Ao ouvir todo o projeto é possível ver a coerência entre todo o repertório e o tema do disco. “Venha o teu reino” é essencialmente um disco que enaltece e revencia a Deus, o ser supremo. Do início ao fim, Davi Sacer procura passar a mensagem da necessidade de que Deus esteja em evidência. Que ele cresça e nós diminuamos.

    Se antes criticado por músicas de tom antropocêntrico, Davi Sacer dedicou todo um trabalho para declarar que o centro de tudo é o Senhor. Um disco coeso, agradável de ouvir e cheio de canções com forte apelo aos grupos de louvor. Para quem sente saudades da época de Sacer no Toque no Altar, vale a pena conferir este disco que, não substitui os clássicos “Sacer/Arcanjo”, mas prova que Davi está buscando fazer o melhor também em carreira solo. O disco não foge ao que Davi Sacer sempre apresentou, e nem teria sentido. É um álbum congregacional mesclando pop rock em algumas faixas. A mudança notável está mesmo por conta das letras.

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  • Entrevista: Pedro Braconnot

    Pedro Braconnot é cantor, compositor, multi-instrumentista, produtor musical e pastor. Atravessou várias décadas influenciando a história da música cristã nacional como integrante e, posteriormente, líder da banda Rebanhão. Já produziu grandes nomes da música cristã nacional, como Cristina Mel, Ozéias de Paula, Denise Cerqueira, João Alexandre e outros. Confira nossa entrevista com o músico.

    O PROPAGADOR – Seu encontro com Jesus Cristo foi na juventude. Em sua conversão e, logo após amizade com Janires, quais foram os maiores desafios nos quais você vivenciou em sua caminhada de neófito?

    Tive uma experiência com Jesus aos meus 19 anos. Exatamente no final de uma adolescência intensa como geralmente é com todo mundo né? Nesta época conheci o Janires que foi o meu primeiro discipulador. Andamos juntos e comecei a tocar com ele ainda novo na fé. Minha experiência com Deus foi muito forte e percebi que havia acontecido algo que seria para a minha vida toda. Eu passei por vários desafios, tendo sido exposto ao palco ainda muito novo na fé. Isto trouxe também desafios no meu amadurecimento espiritual, mas no final das contas o que havia acontecido comigo era para sempre e em meio às lutas de um jovem cristão eu sempre optei em lutar por minha fé. Hoje fazem 33 anos de caminhada, a vida com Deus é maravilhosa porque quanto mais perto dele mais nos conhecemos a nós mesmos e o realce nos ajuda a vencer tanto os obstáculos pessoais quanto os externos. Sem dúvida os maiores desafios são os que rolam dentro de nós mesmos. A maturidade é ganha pela luta consigo mesmo, ou seja, a reação que aprendemos a ter diante de cada passo que damos frente aos desafios da vida.


    OP – Como lhe surgiu o interesse pelo teclado e o piano? Quais os músicos nos quais mais se inspirou?

    Minha mãe estudou piano por anos e sempre tinha um piano em casa. Quando a ouvia tocar me dava vontade de aprender. Com 13 anos entrei finalmente numa aula particular de piano clássico no Rio de Janeiro, mas foi o Rebanhão que me ligou para sempre com a música me dando asas para continuar fazendo música a minha vida toda.


    O PROPAGADOR – Sua primeira composição gravada foi “Refúgio”, um rock progressivo que permaneceu um bom tempo no repertório dos shows do Rebanhão. Como essa canção surgiu?

    Foi realmente a primeira música que fiz. Simplesmente brotou falando um pouco da minha realidade de andar distante de Deus e ter recebido o brilho de sua luz sobre a minha vida que me fez mudar a direção radicalmente. Quando descobri o amor de Deus, mesmo que ainda jovem e sem um entendimento tão profundo, pois o amor de Deus é como um oceano insondável de tão profundo e imenso, pude ver que era isso que eu queria para sempre em minha vida. Essa música marcou o início da minha experiência com Deus.


    OP – O senhor, conciliando a carreira no Rebanhão, também trabalhou como produtor musical, arranjador e músico convidado, tendo gravado com grandes nomes da música cristã, como Cristina Mel, Ozéias de Paula, Denise Cerqueira, Sinal de Alerta, Carlinhos Felix, João Alexandre, Altos Louvores e muitos outros. Emerson Pinheiro também já lhe indicou como grande influência. Qual a importância dessa multi utilidade musical na construção de sua carreira musical? Como é ser parte viva da história da música cristã nacional e referência para quem segue nos caminhos musicais que o senhor ajudou a abrir?

    Me sinto muito feliz pelo trabalho que tive a oportunidade de realizar junto a tantos nomes da música cristã brasileira. Tudo começou porque eu era o tecladista do Rebanhão e começaram a me chamar para gravar. Eu sempre tive uma atração pela tecnologia e meu pai me deu um computador Apple em 1987, antes mesmo de a internet ser febre no Brasil eu me dedicava à gravação em computadores o que veio a ser o caminho nos estúdios do mundo inteiro. Cada vez que eu entrava em um estúdio de gravação queria aprender tudo e então parti para esta profissão como um meio de apoiar o ministério do Rebanhão financeiramente. Conheci muita gente boa neste tempo e fiz muitos amigos, mas também pude ver o lado frio e comercial que invadiu a música cristã que a meu ver em muitos casos deixou de ter uma mensagem forte e profética para se contentar com letras que agradassem a maioria. Uma mensagem mais lugar comum em prol do sucesso comercial.


    OP – A importância do Rebanhão para a música cristã é inegável e inquestionável. Mas qual a importância da banda e dos integrantes na sua vida? Em algum momento, naquela época, o senhor seria capaz de supor a importância que o que faziam teria para o futuro da nossa música?

    Quando comecei no Rebanhão não tinha ideia do que iria acontecer. Para mim, como novo convertido, era muito normal cantar músicas em uma linguagem textual e musical jovem e divertida, mas para muitos se tratava de algo inaceitável para os padrões religiosos da época. No entanto, com certeza, o Rebanhão foi e continua sendo um fato marcante em minha vida. Tanto o trabalho do grupo, quanto as amizades que fizemos. Além disso, hoje posso ver tantos testemunhos de pessoas que foram tocadas através deste trabalho que não tenho dúvida de que foi um instrumento de benção, um vaso de honra. Sou muito feliz pelo que Deus fez com o Rebanhão durante todos estes anos.


    O PROPAGADOR – Após o fim do Rebanhão, o senhor decidiu dedicar-se ao ministério pastoral, sendo consagrado pastor. Hoje está à frente da IHOP (International House of Prayer) em Caratinga. Fale-nos um pouco deste projeto, sua experiência com o movimento das casas de oração e sua visão a respeito da igreja brasileira.

    Quando parei de viajar com o Rebanhão no ano 2000, senti que precisava de um tempo maior para a família e me preparar para uma nova fase que estaria por vir. Eu e minha amada esposa Anya Braconnot fomos ordenados pastores em 2002 e hoje temos cinco filhos e nossa família é simplesmente a maior benção de todas que Deus já nos deu! Depois que nasceu nossa última filha chamada Victoria em 2006 nos Estados unidos, nos alistamos de corpo alma e espírito neste mover de oração que o Espírito está promovendo ao redor do mundo. Deus tem levado centenas de milhares de pessoas ao redor do mundo a orar e adorar coletivamente em uma onda de avivamento que tem se espalhado cada vez mais. Como no modelo do tabernáculo de Davi a música era de vital importância, eu me sinto em casa quando passamos horas adorando e intercedendo no que chamamos de harpa e Taça (Ap 5:8). Voltamos para o Brasil e estamos liderando uma casa de oração em Caratinga, Minas Gerais. Durante a copa do mundo 2014 estaremos apoiando um ministério do IHOP-KC que vai levantar salas de oração nas doze capitais onde haverá jogos da copa. 32 dias de oração: 24 horas contra o tráfico humano, turismo sexual, pedofilia e tudo que tenha a ver com a injustiça social sobre o Brasil. Vai ser um tempo intenso, eu sou apaixonado pela oração da igreja, a noiva de Cristo precisa saber mais de sua autoridade como intercessora.


    O PROPAGADOR – Janires, em suas canções apresentava um cristianismo que transcendia as clássicas quatro paredes que muitas vezes são impostas. Como compositor, várias de suas canções mantiveram essa característica, como as canções “Palácios” e “Elo Perdido”. Em sua opinião, qual é a importância da música cristã na abordagem social e de questões do cotidiano?

    Às vezes o cristão é taxado de ignorante e alheio à sociedade porque evita tratar temas que transcendem o linguajar bíblico. É muito fácil não “errar” quando se canta os salmos de Davi e por assim em diante. Mais creio que como Davi falava do Egito e de seus cavaleiros nos seus salmos, porque não falar de realidades atuais em nossas músicas? Creio que precisamos manter nosso foco na Palavra, mas não podemos nos esquecer de fazer músicas que possam se comunicar com o mundo em uma linguagem mais atual. O trabalho do Rebanhão ficou conhecido por causa desta visão e isso é um objetivo que não pode ser esquecido. Fazíamos uma música para alcançar almas que não tinham nem coragem de entrar em uma igreja, mas conseguiam ouvir um “Baião”, por exemplo.


    O PROPAGADOR – Uma de suas mais recentes composições de destaque no cenário nacional é “Ame mesmo Assim”, gravada por Cristina Mel e escrita em parceria com Anderson Freire. Em um dos trechos da canção, a letra diz: “Se você marcar uma geração com o seu canto / Com o passar do tempo esquecerão a sua voz / Então, tente lembrar que o mundo não te dará honras”.  A canção, e principalmente este trecho tem algo autobiográfico? Considerando a vida, na qual passamos por várias fases, qual é a sua visão a respeito do sucesso já vivenciado?

    Na verdade tudo passa nesta vida, mas podemos fazer coisas que tenham valor eterno. Essas coisas são as mais importantes. O sucesso dos homens é passageiro, por isso ser conhecido no céu é o que mais quero na minha vida. A única coisa que sobe com a gente depois desta vida são as almas que apresentamos diante do Senhor. Não por mérito nosso, mas por causa dEle. Precisamos fazer amigos eternos.


    O PROPAGADOR – No final de 2013, foi lançado no iTunes a canção “Mais que Palavras” com a participação de sua filha, Lídia, nos vocais. Em março, foi divulgada no Soundcloud “Nada Mais”, dedicada a sua esposa Ayna Braconnot e mais recentemente “Amado da Minh’alma”. Essas canções podem se tornar um álbum solo?

    Podem e devem (risos). Tem muito mais para ser gravado se Deus quiser.


    O PROPAGADOR – No aniversário de Carlinhos Felix em janeiro de 2013, o senhor cantou ao lado dele canções do Rebanhão. O guitarrista Pablo Chies também estava presente. Como é a sua relação com os demais ex-integrantes do Rebanhão, especialmente Paulo Marotta e Carlinhos Felix?

    Graças a Deus somos amigos e contamos com a presença dos dois em uma reunião para gravar um DVD Rebanhão 35 anos.


    O PROPAGADOR – Em dezembro, completam 30 anos da gravação de Janires e Amigos, o primeiro álbum da música cristã nacional gravado ao vivo. O senhor possui alguma lembrança em especial desta gravação? Como foi encarar a saída de Janires, visto que além de “mentor” e líder, era grande amigo da banda?

    O Janires foi um cara único, ele saiu talvez porque nós não conseguíamos seguir no ritmo dele. Deus o usou de maneira especial e o levou. No entanto tinha outros planos para o resto de nós. Foi um desafio quando ele disse que ia sair, mas conseguimos seguir em frente com a graça e misericórdia de Deus.


    O PROPAGADOR – Agradecemos pela entrevista. Gostaria de deixar alguma mensagem para nossos leitores?

    Agradeço a oportunidade e quero convidar os leitores a participar deste movimento Rebanhão 35 anos na nossa página do Facebook e em breve no site www.rebanhao.com

  • Confira clipe Estou em guerra de Ariely Bonatti

    Foi publicado nesta terça-feira (17), pela gravadora MK Music o vídeo clipe da canção “Estou em guerra” da cantora Ariely Bonatti, disponível no canal oficial da gravadora no you tube.

    A canção é a primeira música de trabalho do recente álbum de Ariely Bonatti intitulado “A Porta”. Com ritmo e melodia fortes, uma interpretação marcante, traz uma mensagem de coragem, força e fé em nossas batalhas espirituais contra o pecado.

    “Não vou ceder. Há um campo de batalha aqui dentro de mim preciso vencer. O pecado todo dia tem ofertas pra me corromper, querendo na base se infiltrar. Mas não vou negociar, não vou tirar a farda. No campo de batalha não vou baixar a guarda…” canta Ariely Bonatti.

    Confira agora mesmo o videoclipe e declare guerra ao inimigo, pois nosso alvo é a santidade que há somente no Senhor.

  • Dica de filme: Amor Incondicional – A história de Oseias

    O filme Amor incondicional conta a história do profeta Oseias, que se casou com uma prostituta para atender à vontade de Deus. Essa passagem bíblica retrata a importância do amor verdadeiro, que perdoa e não julga, fazendo uma metáfora do amor que o Senhor tem por nós.

    O filme traz em papel de destaque o ator Sean Astin, conhecido por atuar na trilogia cinematográfica O senhor dos anéis. Também participam do elenco: Elijah Alexander, Kenton Duty, Sammi Hanratty e Erin Bethea.

    Sinopse:

    Stuart (Sean Astin), líder da juventude da igreja, e sua esposa, Beth (Erin Bethea), levam cinco adolescentes para acamparem no fim de semana. Porém, duas garotas têm uma séria discussão. Para resolver o conflito e fazer os jovens repensarem seus comportamentos, Stuart cita o belo exemplo de Oseias (Elijah Alexander): ele recebe uma revelação de Deus e se casa com uma prostituta. Tempos depois, sua mulher, Gomer (Tehmina Sunny), abandona o lar por causa de riquezas materiais. Mesmo assim, seguindo o exemplo do incrível amor de Deus, o profeta perdoa à esposa e volta a cuidar dela depois que ela é jogada, pelo amante, no mercado de escravos.

    Uma bela lição é transmitida por esta história emocionante, que exalta o amor incondicional do Senhor e o Seu perdão pelos erros da humanidade.

    Trailer:

  • Rocklogia – Êxodos: o início do rock cristão no Brasil

    Passaram-se muitas décadas desde o início do movimento do rock, tanto em suas bases musicais quanto filosóficas. No rock de vertente cristã (se é assim que podemos chamar), também é assim. No Brasil, colhemos vários frutos através da coragem e ousadia de muitos antecessores que, se antes estavam na flor da juventude, hoje são idosos cheios de lembranças. A verdade é que os anos nos moldam, mas sempre temos a oportunidade de relembrar.

    Aqui no Brasil, nunca se sabe ao certo, e com registros muito claros dos primeiros trabalhos de rock cristão. O escritor Salvador de Souza, no qual possui uma coleção invejável de discos nacionais cristãos diz que, durante os anos 70, a proposta musical jovem cresceu em um nível maior em relação as décadas anteriores, mas que o rock propriamente dito ainda não predominava nas obras lançadas. Em um contexto de alta religiosidade, ditadura militar, é de certo afirmar que o terreno não estava assim tão propício para esta vertente do rock e não temos nenhum álbum que tenha influência direta e clara do gênero.

    É neste ambiente que, em 1970 surgiu a banda Êxodos, de uma igreja batista humilde de São Paulo. Se os recursos financeiros eram poucos, a vontade compensava. Com um repertório claro, a banda trazia composições próprias, e como uma tolerância ao clima intolerante, os músicos não exageravam em sua liberdade durante os cultos.

    Os anos se passaram e os jovens (Edson, Eli, Nelson, Osny e Osvair) decidiram ousar mais, causando a irritação de grupos conservadores e até mesmo da vizinhança. Ao mesmo passo, sua atitude impressionava a muitos. Na estrada, viam que era a única banda de rock brasileira com integrantes cristãos. Um ano antes do seu fim, em 1976 a Veja produziu uma matéria sobre o Êxodos.

    A pressão foi tanta e os jovens foram expulsos da igreja. Sem apoio da religião, do mercado musical decidiram deixar de lado o repertório cristão e tocar na noite. Entretanto, logo o grupo se desfez, decepcionados com tudo o que tinha acontecido.

    A composição “Galhos Secos”, maior sucesso do grupo foi lançada pela banda Som Maior, e quase dez anos depois pelo Catedral. Provavelmente os integrantes do Êxodos não imaginariam que uma canção tão séria tornar-se-ia um meme da internet.

    Em 2006, como forma de registrar o passado, a banda lançou de forma independente, e em edição limitada para colecionadores um disco chamado “1970-1977”, com várias canções que fizeram parte do repertório autoral do grupo. As canções, basicamente mesclam rock progressivo e country rock.

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=uW_zwhXZFrc]

  • Análise: CD The Legend of Chin – Switchfoot

    Para um primeiro lançamento de uma banda, Switchfoot demonstrou uma grande criatividade tanto nas letras como nos arranjos. Nesse primeiro trabalho, o grupo esbanjou na complexidade e reflexão em suas abordagens, como o vazio humano, sentimentos e assuntos do cotidiano. A gravação é creditada ao power trio formado por Jon Foreman, Tim Foreman e Chad Butler, o que faz de uma obra tão criativa tornar-se notória por ser executada por apenas três pessoas. As músicas foram compostas pela genialidade de Jon Foreman, com exceção do “Underwater”, que foi escrita por Jon em parceria com Casey Gee. A capa e o título do projeto faz referência a um amigo dos integrantes da banda chamado Chin.

    A primeira canção, “Bomb”, começa com uma bela introdução de baixo e de acordo com o andamento da música ganha peso até terminar com a mesma leveza da introdução. Música com dissonantes, dedilhados e riffs de guitarra, a segunda melhor melodia. O mais notável e legal nessa canção foi o baixo. Ótima música de introdução. A letra faz referência a um vazio do eu lírico clamando a Deus para que possa preencher esse espaço. O vazio é a bomba que ele vive. Uma letra criativa e legal.

     “Chem 6A” é a melhor música do álbum, o primeiro single da banda, com direito a um videoclipe. Começando com falas no início, a música segue uma linha que me lembra um grunge. Nessa, Jon Foreman caprichou nos riffs de guitarra, mostrando alegria. O guitarrista a compôs se referindo a um curso acadêmico de Química que ele fez na Universidade de San Diego. Os versos se referem à preguiça de estudar, tentar resolver seus problemas e mudar o mundo. Esse problema se reflete na sociedade como uma falta de esforço do homem para resolver suas dificuldades. Uma ótima letra e complexa.

     Outra ótima música, “Underwater” segue a linha alegre e alternativa das primeiras canções. Riffs interessantes de guitarra e mais ou menos no final da música, ela ganha um estilo meio blues novamente até aumentar o peso e voltar para o rock alternativo. Sua letra é bastante complexa. Ao que parece, uma moça vive sua vida correndo contra o tempo tentando saber qual o sentido de tudo e assim vive seu tempo. Mas ela não consegue e sempre falha. Numa parte mais complexa ainda, usando de metáforas, a letra parece passar uma ideia sobre a morte dessa moça, que perde todos seus objetivos. O que se pode tirar dessa canção é sobre a busca cega do homem sobre o sentido da vida, mas não consegue encontrar. Algo que deveria ser buscado em Deus.

     “Edge Of My Seat” também é ótima, e começa lentamente com piano e voz, até ficar mais rápida como as músicas anteriores com a entrada da guitarra, do baixo e da bateria. Ótimos riffs de guitarra. Como sempre, outra letra complexa e poética. O que poderia tirar dela, é sobre uma articulada declaração de amor. Ele está dizendo que não sabe o que tem no futuro, nem o que espera por ele, mas quer que uma garota ande com ele na vida, uma menina que conheceu e que não pode esquecer. Deseja que ela ande com ele na montanha-russa fazendo alegoria a uma vida vivendo do lado do seu amor.

     Diferente das primeiras músicas, “Home” já segue um estilo mais calmo. Primeira balada do álbum, segue com belos dedilhados e acordes de violão. Uma bela canção e um ponto forte do Switchfoot de fazer canções desta categoria. Nessa, entram violinos que executam belas notas, o ponto forte da melodia. Agora, o mais notável dessa canção e o ponto mais forte do Switchfoot é a letra, bastante poética, que fala da longa caminhada até a eternidade. Em partes dessa letra como “Parar para pensar em todo/ O tempo que eu tenho perdido/ Começar a pensar em todas as/ Pontes que eu tenho consumido/ Que devem serem cruzadas” confessam sobre o tempo perdido em coisas passageiras e sobre caminhos que deveriam ter seguidos. Fala sobre tudo está no controle de Deus e que não devemos parar nessa longa caminhada, a longa caminhada para nossa “Home”. Essa é a melhor letra do disco.

     “Might Have Ben Hur” segue alternando riffs calmos e dedilhados entre riffs rápidos. A interpretação de Jon Foreman com agudos em algumas partes é interessante e até cômica. A letra, outra confissão de amor, fala sobre o eu lírico pensando que poderia ter sido aquela garota que amava que ele compartilharia seus sonhos e fracassos, que ele poderia ter confiado, mas que pelo “Poderia ter sido ela” não estava com ele e assim o deixou triste.

     “Concrete Girl” é uma boa música, segue também alternando entre longos dedilhados calmos e curtos riffs potentes. A letra fala sobre problemas que acercam uma garota, que balançam seu mundo, mas como uma palavra de conforto do eu lírico, ele fala para ela sobreviver a isso tudo e continuar vivendo. Uma ótima letra que descreve sem feminismo o verdadeiro valor de uma garota.

     “Life And Love And Why” começa com um dedilhado suave de guitarra. E assim, como algumas canções dessa obra, ganha peso com o tempo. Segue alternando entre peso e suavidade. Contém uma ótima letra, reflexiva e poética, falando sobre a busca fútil de coisas que possam preencher o vazio humano, lhe dar alegria, e o há um questionamento sobre isso tudo. A alegria ansiada só poderia ser encontrada em Deus, que descrita na canção como uma súplica pela resposta para o vazio humano.

    Outra balada, “You” seguindo a linha de “Home”, é um belo registro. Contém toques de violinos, não tão atraentes como o do “Home”. A canção tem uma linda e poética letra que descreve sobre a esperança não ser encontrada em nós, nos homens, mas em Deus. Uma esperança encontrada em Deus mesmo nas decepções humanas, em suas fraquezas. E assim, o eu lírico espera perder-se de si mesmo e se encontrar em Deus.

    “Ode To Chin” é mais alegre e animada como as primeiras faixas. A letra tem um tom reflexivo e bem poética, e como sempre ótima. Questiona sobre nossas visões, nossas escolhas, e que Deus é maior que isso, maior que palavras. Então num convite do eu lírico, ele nos pede para firmar nossa vida em Deus, nossa visão Nele.

    Uma música acústica do disco, “Don’t Be There” segue numa linha suave com violão e a entrada de toques de violinos. Boa canção, que lembra canções que podem ser tocadas em bar. Jon Foreman a compôs porque estava passando por um período difícil na vida pela perca de uma amizade. A letra se baseia na melancolia da separação e a preocupação do cantor com o seu amigo em que havia se separado. Como sempre, letra poética e complexa.

    Ótimo álbum, letras complexas, poéticas e belas, arranjos criativos mesclando alegria e suavidade. A capa é interessante, mas não muito chamativa, lembrando algo mais clássico e antigo. Pela letra “Ode To Chin”, essa capa poderia se referir a um projeto de reflexão a vários “chins” no mundo. Jon Foreman interpreta bem as músicas nesse álbum, sem exageros e firulas. Switchfoot demonstrou que viria a ser a melhor banda de rock alternativo.

  • Rocklogia – Desmistificando o novo movimento ou crossover no meio cristão

    Atenção: A opinião do autor mudou. Após ler o texto, leia Desafios para o novo movimento.

    Eu me nego a usar a palavra crossover neste contexto. Vamos apenas de novo movimento.

    Com a popularidade de bandas e artistas como Tanlan e Palavrantiga, tem crescido a discussão de vários assuntos nos meios virtuais, como portais de notícias e redes sociais. Um destes, sendo o principal é: até onde vai a interação da “música religiosa” em espaço “não-religioso”? A própria pergunta possui um raciocínio errado. Mas vamos com calma, e entender o que é, com quem começou e disseminou esta ideologia. Eu, particularmente abordaria esse assunto apenas daqui a uns meses, para não atropelar a linha do tempo que vou apresentar sobre a história do rock cristão no Brasil aqui na Rocklogia. Mas, como o tema tem gerado confusão, é de certa urgência apresentar a minha visão particular e do que tenho lido sobre o assunto vindo de quem mais entende: os próprios criadores dessa música.

    Antes de tudo: Janires, Catedral e João Alexandre não são nomes do novo movimento. Se você observar isso escrito em qualquer lugar, não acredite. No caso de Janires, era um músico comum que se converteu ao cristianismo e decidiu colocar a sua visão de mundo nas músicas para evangelização. O cantor não tinha um propósito filosófico e extremamente conceitual em sua obra. Fazia o que sua criatividade permitia e o público que identificasse o abraçaria. Óbvio que ele é um dos nossos melhores referenciais de como olhar fora da caixa, mas não é o mesmo que temos atualmente. No caso do Catedral, surgiu como uma banda de rock cristão como qualquer outra, que mais tarde construiu uma ideia de fazer uma música para todos os públicos. Ou seja, o grupo nasceu segmentado e depois tentou subverter esta situação. A Catedral conseguiu atingir o mercado secular? Sim, e com êxito! Mas não pode ser chamada como integrante do novo movimento porque não nasceu com essa ideia. João Alexandre nunca negou ser um cantor do mercado evangélico, ou colocar um cristianismo claro e direto em suas canções. Possui seu lado poético e artístico, mas continua sendo um músico com rótulo cristão. Quando o cantor afirmou não querer mais fazer parte do chamado “movimento gospel”, não negou sua veia cristã, mas referindo-se ao movimento ocorrido no final dos anos 80, no qual a Renascer em Cristo foi a principal instituição colaboradora.

    Esclarecido um ponto importante, surge uma pergunta: o que é novo movimento? Novo movimento é, como seu título define um movimento musical (não um estilo) em que a arte produzida não é segmentada por barreiras religiosas, ou até mesmo antirreligiosas. Um movimento em que a fé do indivíduo não é mais importante que o conteúdo no qual é apresentado. Não é um movimento nascido no “gospel” para atingir o “secular”. Até porque, em concepção o novo movimento não nasce dentro da música religiosa, mas desde o início desconsidera os muros existentes para invadir todos os ambientes e não ser contaminado pela perspectiva atual. É, claro, que por consequência, o fato de atingir um “público cristão” fará com que muitos, até de forma inocente o rotule como um artista/banda gospel. Uma das consequências que o novo movimento pretende trazer é uma transformação de todos os mercados “segmentados” que o envolvem para que seus efeitos perdurem com o passar do tempo.

    E por que se chama “novo movimento”? O nome “novo movimento” foi utilizado pela primeira vez pelo músico Arvid Auras, um baterista que foi integrante e o principal compositor da banda Aeroilis, conhecida como a precursora do movimento. Neste texto, produzido pelo instrumentista, ele conceitua a expressão. Infelizmente, não posso transcrevê-lo, porque o site da banda encontra-se inativo. No início do texto, eu disse que não gosto de utilizar a palavra “crossover”, porque o significado desta expressão, em sentido original e principal se refere ao fato de misturar dois ou mais gêneros musicais, o que tem pouco, ou definitivamente nada a ver com o que o novo movimento propõe em sua concepção. Entretanto, ainda assim o termo ainda é utilizado no exterior para designar cristãos que romperam as barreiras do mercado cristão e expandiram seu trabalho para um público maior e mais heterogêneo.

    O novo movimento também coincide com um momento de descontentamento de uma parcela de cristãos (ainda pequena), tanto com teologias nas quais mantém contato, seja pelas igrejas/instituições que frequentam e músicas produzidas por artistas do mainstream gospel. A busca por um conteúdo relevante, sincero, profundo e que não é uma mera propaganda de uma crença ou placa de denominação pode explicar o êxito que artistas do underground estão alcançando atualmente, principalmente com o advento da internet. Incluindo o contexto pós-moderno, em que muitas pessoas procuram algo etéreo, mas fora dos padrões religiosos que temos, a música apresentada pelo novo movimento cai como uma luva para esses indivíduos.

    E por que o “novo movimento” causa tanta confusão? Para começar, há pouco material disponível sobre o assunto, e a conceituação por jornalistas e blogueiros é confusa e superficial. A inclusão de nomes que não fazem parte do movimento, ou até mesmo a linha de pensamento em que ele é restrito as bandas de rock, o que não é. Segundo, porque a própria “música gospel” brasileira, mesmo com suas limitações líricas está chegando numa mídia que não pertence ao nicho evangélico. Estes artistas que estão em destaque, por alcançarem novos públicos (embora não fidelizem) são denominados, de forma incorreta como algo semelhante ao novo movimento. Terceiro, porque achamos que, para ser integrante do novo movimento, o público deve de alguma forma falar pelo conteúdo do artista. Se o artista, com seu conteúdo ainda possui um público muito homogêneo, somos levados a pensar que a tentativa é falha. Quarto e mais importante: a nossa mentalidade dualista de dividir a música “profana” da “sagrada” é algo tão enraizado na nossa cultura (principalmente aqui no Brasil) que é, de certa forma muito complexo definirmos com clara exatidão o que esses desbravadores de novas linguagens e abordagens estão fazendo. Isso me lembra do desconforto que temos em pensar no pós-modernismo com nossa perspectiva modernista. Talvez, a minha metáfora seja absurda, mas é a visão que tenho.

    A Aeroilis foi a primeira banda que nasceu com essa ideologia no Brasil (lembremo-nos que no exterior temos várias outras) e lançou seu primeiro álbum em 2004, tal qual é considerado o primeiro trabalho desse movimento. No ano seguinte, a Tanlan lançou seu primeiro EP, e ambos os grupos são os precursores. De certa forma, influenciaram tanto que a maioria das bandas de rock que compartilham dessa visão são da região sul do Brasil. E, por minha suposição, creio que Palavrantiga alcançou mais sucesso por três motivos: tem sua origem na região sudeste, sua aparição foi mais tardia e a imagem/discurso de Marcos Almeida, que de certa forma se destacou de uma forma diferente e tomou novas abordagens, principalmente com seu portal Nossa Brasilidade.

    O vocalista e frontman da Tanlan, Fábio Sampaio citou artistas e bandas que crê serem do novo movimento, que são: Aeroilis, Hibernia, Marcela Taís, Crombie, Lorena Chaves, Danni Distler, Eduardo Mano, Banda Salt, Grato!, Hélvio Sodré, Adriel Nephesh, Primerandar, Os Oitavos, Quarto Fechado, Palavrantiga e Tanlan. Eu, particularmente também incluiria Bruno Branco, Memora e Matina. Aeroilis e Fábio Sampaio já tocaram juntos, Tanlan já gravou com Marcos Almeida. Várias outras parcerias entre esses nomes poderiam ser mencionadas aqui.

    Para finalizar, creio que é importante citar a obra de um filósofo que influenciou a proposta de algumas, senão todas essas bandas e artistas. O livro “A arte não precisa de justificativa”, de Hans Rookmaaker provavelmente seja a leitura mais indispensável para quem deseja entender a fundo as ideias do novo movimento. Convido você, assim como eu a entender mais profundamente esse movimento dentro da música nacional, e não sermos levados por uma visão de patamar comum sobre o assunto.

  • TOP 10 – casais músicos da música gospel

    Lembrando-nos do mês dos namorados, o interessante é notar que no meio cristão vários músicos construíram suas famílias e trabalho com colegas de profissão. Alguns possuem carreiras separadas, outros atuam juntos. Neste TOP 10 resolvemos listar dez casais relevantes para a música cristã nacional.

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    João Alexandre e Tirza

    O casal João Alexandre e Tirza são casados há décadas. Juntos, gravaram o álbum Autor da Vida em 1997. Mais tarde, em 2005, produziram, juntamente com o filho Felipe o disco Família. João é um dos grandes intérpretes da música cristã nacional, e por vezes tem sua família diretamente ligada aos seus projetos.

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    Mariana Valadão e Felippe Valadão

    Conheceram-se no Orkut em 2005, e os contatos seguiram para o MSN. Meses depois, conhecem-se pessoalmente, e de amizade, com o tempo tornou-se num relacionamento sério. Hoje, Mariana e Felippe trabalham juntos. Mariana possui carreira solo, e esporadicamente seu marido fornece vocais de apoio, composições e toca em sua banda. Paralelamente, Felippe é pastor da igreja Batista da Lagoinha em Niterói, no Rio de Janeiro.

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    Lauriete e Magno Malta

    No início da carreira de Lauriete, Magno compôs músicas para a cantora. E após vários anos de casamento, Lauriete se divorciou e casou-se com Magno Malta, que além de político é vocalista da banda Tempero do Mundo, que apresenta canções de pagode. Lauriete mantém uma longa carreira de cunho pentecostal, colecionando vários hits.

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    Elaine de Jesus e Alexandre Silva

    Casados desde 1995, Elaine de Jesus conheceu Alexandre Silva nos EUA. Pastor, o cônjuge é citado pela cantora como uma das pessoas mais importantes na solidez de sua carreira. Gravaram dois álbuns juntos, os quais são Sem Comparação e Deus nos Escolheu.

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    Fernandinho e Paula Santos

    Paula Santos atua em vocais de apoio e muitas vezes em dueto com seu marido. Fernandinho, por sua vez é um notável artista solo, mas mantém a “imagem” familiar em sua obra. Paula também apresenta mensagens e um de seus filhos participou no vocal de abertura da canção “Uma Nova História”.

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    Paulo César Baruk e Rebeca Nemer

    Baruk e Nemer são casados desde abril em 2004, e possuem carreiras paralelas, embora uma vez ou outra atuem em conjunto. Um desses exemplos é a canção “Isso é Amor”, na qual rendeu até um videoclipe. Assim como Baruk é fortemente conhecido por sua atuação no meio virtual, sua esposa não fica atrás, e possui alguns títulos solo dedicados ao público infantil.

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    [tab title=”4º”]

    Leonardo Gonçalves e Daniela Araújo

    Leonardo Gonçalves e Daniela Araújo se conheceram em 2006. Nesta época, Leonardo já tinha carreira solo, enquanto Daniela não. Na gravação do DVD Deus de Promessas do Toque no Altar, ambos integravam o coral que registrou algumas das canções, e neste evento se conheceram. Diálogo entre os dois foi suficiente para que percebessem vários pontos em comum. Casados, ambos mantêm carreiras solo, porém Leonardo e Daniela colaboram entre si em seus projetos, sejam na parte de composição, interpretação ou produção musical.

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    [tab title=”3º”]

    Davi Sacer e Verônica Sacer

    Falando em Toque no Altar, o casal Sacer se manteve unido em duas bandas, e agora ambos mantém carreiras solo. Casados desde dezembro de 1995, Davi e Verônica se conheceram na JOCUM. No início dos anos 2000 se tornaram integrantes do Toque no Altar. No álbum Deus de Promessas, Verônica e Davi escreveram todas as canções ao lado de Ronald Fonseca. Mais tarde, no Trazendo a Arca, Verônica Sacer obteve grande participação nos vocais, duetando com seu marido, com Luiz Arcanjo, e também cantando sozinha. Ambos saíram do Trazendo a Arca em 2010, quando Davi decidiu seguir em carreira solo, já iniciada em 2008. Verônica Sacer gravou seu primeiro álbum ano passado, de título Devo Seguí-lo, lançado nos últimos meses de 2014.

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    [tab title=”2º”]

    Fernanda Brum e Emerson Pinheiro

    Fernanda Brum possui mais de vinte anos de carreira solo. Emerson Pinheiro foi um dos fundadores da banda Quatro por Um e possui uma forte reputação como produtor musical. O relacionamento entre os dois também é antigo e sólido. Casados desde maio de 1996, Emerson é responsável pela produção de todos os álbuns de Fernanda a partir de seu lançamento Meu Bem Maior. De lá para cá, foram várias composições, arranjos e obras criadas pelo casal. A saída de Pinheiro do Quatro por Um foi para dedicar-se à carreira de sua esposa, mas o músico ainda possui alguns títulos solo.

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    Cassiane e Jairinho

    De um namoro de criança, o relacionamento continuou e amadureceu. Cassiane e Jairinho não são simplesmente mais um casal notável do meio gospel, mas unidos estiveram na vanguarda do segmento romântico religioso, e embora esta vertente ainda esteja num nível aquém do que pode ser alcançado, sem dúvida a dupla foi importante para a quebra de paradigmas e preconceitos no que se refere à trabalhos deste cunho. São vários álbuns de sucesso juntos, e Jairinho é o produtor musical de Cassiane até os dias de hoje.

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  • Rodolfo Abrantes causa revolta em integrantes do Raimundos por entrevista

    A revista Trip publicou, no início dessa semana uma entrevista do cantor Rodolfo Abrantes, que comentou sobre questões relacionadas à sua trajetória musical e vida pessoal. Ex-integrante da banda Raimundos, o músico foi responsável por parte da obra conceitual da banda nos anos em que esteve envolvido. Polêmico e altamente relevante para o rock nacional, o Raimundos abordou temas como sexo, relacionamentos amorosos e questões sociais com muito humor. Entretanto, Rodolfo se declarou totalmente arrependido deste tempo, embora o texto da entrevista não seja profundo sobre o assunto, inserindo apenas citações do cantor.

    Após a publicação, os integrantes Digão e Canisso manifestaram-se nas redes sociais lamentando os comentários do ex-companheiro de grupo. “Eu, nesses 13 anos, reconstruí minha vida honestamente, com muito suor e amigos de verdade! Não o fiz desmerecendo o trabalho dele como ele tem feito até hoje com o nosso. Infelizmente, tive que interromper um pouquinho a nossa bela e gloriosa escalada pra deixar essa história em pratos limpos. Espero que o verdadeiro Deus possa tocar o coração dele e abrir seus olhos, não para voltar ao Raimundos, mas para ser uma pessoa do bem de verdade. Sem mais”, disse Digão. Canisso afirmou que “Passam os anos e nada, nosso Rodolfo morreu mesmo”. Os instrumentistas afirmaram categoricamente que Abrantes vive de hipocrisia, recebendo a parte financeira de seus direitos autorais da época na qual condena.

    A situação também causou intensa discussão dentre as redes sociais, na qual o principal questionamento foi os fins pelo qual Rodolfo Abrantes dá ao dinheiro recebido pelos direitos autorais.

    Através de sua fanpage oficial no Facebook, Rodolfo Abrantes respondeu às críticas dizendo que fica triste com a dimensão e o rumo que sua entrevista tomou. O rockeiro buscou responder pontualmente as principais polêmicas. A primeira foi em relação ao fato do cantor ter dito que se arrependia 100% das músicas que escreveu na época do Raimundos.

    Na cultura do ambiente cristão, arrependimento verdadeiro significa basicamente duas coisas.
    Primeiro, não voltar a fazer o que fazia. Jesus disse isso pra muitas pessoas, “vá, e não peques mais”. A segunda é, mostre frutos de arrependimento, ou seja, “faça diferente”. Quando disse estar “100% arrependido das músicas que escrevi”, foi nesse sentido, pois é isso que tenho tentado cumprir como alguém que crê em Jesus. Arrependimento verdadeiro não é remorso, ele não aponta pro passado numa tentativa inútil de tentar apagá-lo. Ele aponta pro futuro, tipo “daqui por diante, bola pra frente”. Meu maior arrependimento é o de ter tido, por um período de tempo, uma geração me ouvindo, e não tê-la edificado como gostaria, pois, naquela época, eu não tinha o entendimento que tenho hoje.

    Tal declaração desdobrou em outra polêmica levantada pelos ex-colegas de banda, sendo chamado de hipócrita pelo fato de viver com o dinheiro que recebe pelos direitos autorais das músicas que renega. Sobre isso, Abrantes declara:

    Desde 1994 recebo royalties pelas canções que escrevi ou tive alguma participação. Sou compositor e essa é minha principal fonte de renda. É lícito, é digno, me permite pagar tributos e me permite servir à igreja voluntariamente, por amor e sem precisar cobrar altos cachês. Nesses vinte anos lancei, se não me falha a memória, onze cds. Seis com o Raimundos, dois com o Rodox, quatro do meu ministério, além de várias participações nos projetos de bandas como Charlie Brown Jr., Natiroots, Strike, Pregador Luo. Artistas como Nengo Vieira e Lucas Souza também regravaram algumas canções de minha autoria. A instituição que arrecada os valores que tenho direito como autor, repassa mensalmente o que me é devido, num só depósito. Portanto, eu não vivo as custas do Raimundos, mesmo porque eu não toco nenhuma música deles. Eu recebo os direitos autorais por toda obra que escrevi durante minha vida.

    Por fim, o cantor ainda afirma desejar vida longa a Canisso e Rodrigo. “Vocês podem pensar o que quiserem de mim, mais nunca vão se livrar das orações que faço, e continuarei fazendo, em favor de vocês. Mão de vitória️.”  Finaliza.