Blog

  • TOP 10 – Polêmicas de 2015

    Assim como nos anos de 20122013 e 2014, fizemos uma lista com as dez maiores polêmicas ocorridas no segmento musical evangélico em 2015. Confira os acontecimentos:

    Vamos lembrar?

    [tabs]

    [tab title=”10º”]

    Inimigos?

    Juninho Afram Duca TambascoDurante a última Parada Gay em São Paulo, uma transexual causou polêmica dentre parte do segmento evangélico por encenar Cristo cruficicado, em protesto contra a homofobia. Enquanto líderes religiosos a atacaram, o baixista da Oficina G3, Duca Tambasco, criticou pastores e alguns evangélicos por incitarem o ódio. O músico disse: “Me poupem do discurso do ‘quão ofensivo eles foram’, ‘eles estão ganhando terreno’, ‘eles são agressivos.’ Eles??? Pra mim não tem eles! Se trata de nós!”. Após Duca, o guitarrista e principal integrante da banda, Juninho Afram, escreveu um texto endossando a opinião do baixista. “Diferentemente do que muitos líderes evangélicos incitam por aí – que mais parece olho por olho, dente por dente -, a resposta de Jesus ao ódio e calúnia é beeeeeem diferente”, disse.

    [/tab]

    [tab title=”9º”]

    As babás

    Flordelis Fernanda LimaNo começo do mês de agosto, uma foto das babás de seus filhos gêmeos que a apresentadora Fernanda Lima postou em sua conta no Instagram virou notícia em toda a imprensa nacional. Tudo se deu porque a artista comentava sobre as moças não usarem uniforme e o quanto eram “estilosas”. Por se tratar de duas mulheres negras, Fernanda foi chamada de “Sinhá” por uma seguidora e acusada de racismo, desencadeando em uma grande polêmica cujos efeitos abasteceram a imprensa por dias, causou grande comoção nas redes sociais e foi tema de diversas discussões sobre o racismo. O que muita gente não sabia era que as babás, Ângela e Tayane Dias, era filhas de ninguém menos que a cantora evangélica Flordelis, um dos nomes mais proeminentes da música pentecostal. Diante da controvérsia, Flor, que estava em turnê pelos Estados Unidos, foi às suas redes sociais defender a patroa de suas filhas que, por sinal, é sua amiga pessoal há anos.

    [/tab]

    [tab title=”8º”]

    Homofobia?

    aline-barros1Durante um espetáculo infantil, a cantora Aline Barros se envolveu em uma saia-justa com o público LGBT. Ao conceder uma entrevista, disse que ora por todos os homossexuais e afirma que eles sabem que suas práticas é pecado. A declaração foi feita ao programa TV Fama, da RedeTV!. A repórter questionava Aline sobre questões do seu cotidiano e resolveu perguntar a sua opinião acerca da homossexualidade: “Quero mandar um abraço a todos eles. Dizer que nós amávamos a vida deles. Não concordamos. A Palavra de Deus nos ensina isso. Existem algumas atitudes que nós aprendemos que não vão trazer frutos para nossa vida, não vão edificar, é errado. É pecado mesmo, e isso eles sabem, não precisa eu falar”, disse.

    Em seguida, afirmou as passagens bíblicas contra a homossexualidade não estão presentes somente no Velho Testamento. No entanto, não é a favor do pecado, mas ama o pecador: “Tá na Bíblia. É só você ler Romanos, capítulo 1. Mas nós amamos a vida deles. Eu oro. Muitos deles admiram meu trabalho, admiram a minha vida, aquilo que faço. Toda vez que posso, a gente fala, a gente prega, evangeliza, ministra sobre eles o amor de Jesus, que é a coisa mais preciosa desse mundo, gente. É um amor que abraça, que transforma, que com certeza faz a nossa vida mudar por completo”, continuou. Não adiantou: alguns internautas acharam seu discurso preconceituoso.

    https://www.youtube.com/watch?v=BZqUASbrxSI

    [/tab]

    [tab title=”7º”]

    Manda nudes

    Daniel e SamuelUm portal evangélico divulgou imagens pessoais da dupla Daniel e Samuel. O material supostamente vazado, foi enviados por uma mulher misteriosa através do aplicativo Whatsapp. Este não foi o único escândalo envolvendo os artistas. Ainda este ano, a dupla participou de um congresso no interior de Minas Gerais e não deixou uma boa impressão. Segundo os próprios membros da Assembléia de Deus em Teófilo Otoni, onde participaram de um congresso, os sertanejos davam cantadas nas irmãs de maneira desavergonhada. Segundo o mesmo portal, houve um abarcamento com uma jovem de olhos verdes.

    [/tab]

    [tab title=”6º”]

    Jotta umbandista

    Jotta AFigura polêmica, Jotta A é conhecido não somente por seu grande sucesso no passado, particularmente quando participou do quadro Jovens Talentos Kids no programa Raul Gil, como também pelas confusões em que seu nome já se envolveu. No entanto, depois de encerrar o contrato com a gravadora Central Gospel, responsável pela distribuição de Geração de Jesus, o cantor não anunciou novidades. Desta vez, vazaram imagens, em que o jovem estaria sendo adepto de religiões africanas, em uma gruta no Rio de Janeiro. Jotta A disse que são montagens, em uma nota de esclarecimento.

    https://youtu.be/r7TQgvuogtg

    [/tab]

    [tab title=”5º”]

    “Sai das trevas, a gente é luz!”

    Mara MaravilhaA cantora Mara Maravilha foi uma das primeiras personalidades confirmadas na oitava edição de A Fazendo, causando a curiosidade de diversas pessoas, principalmente, por ser evangélica. Antes de entrar no reality show, Mara disse que já acompanhou o programa e tinha vontade de participar, além disso, falou que estava preparada para recontar a sua história.

    Sua participação foi uma das mais polêmicas de toda história do programa. A cantora participou de muitas brigas dentro do confinamento, alegando que era “crente, mas não demente”. Em uma das ocasiões, os participantes chegaram a se unir e pedir para a produção do programa e para o público a sua saída. Entretanto, Mara só foi eliminada do programa algumas semanas depois por Marcelo Bimbi.

    https://www.youtube.com/watch?v=F0Nbu11bW8E

    [/tab]

    [tab title=”4º”]

    Sem repertório

    Lenilton - Novo SomEm agosto, o ex-baixista, fundador e compositor da maioria das músicas do Novo Som publicou uma nota em tom de desabafo. No longo texto, o músico falou sobre sua carreira, o início da banda e os motivos pelos quais deixou-a. Entre várias afirmações, Lenilton disse que os músicos da banda queriam apenas usá-lo e não o queriam por perto. Por conta disso, o instrumentista proibiu que o trio tocasse suas músicas nos shows. Diante do texto, os fãs do grupo criticaram duramente Alex Gonzaga e Mito.  Lenilton  é o letrista majoritário da maioria das músicas e praticamente de todos os sucessos do Novo Som. Eles seguem cumprindo agenda, tocando, desta vez, músicas que não são dele.

    [/tab]

    [tab title=”3º”]

    Não há crise

    André ValadãoNo final do mês de setembro, André Valadão recebeu destaque dentre a imprensa evangélica após o Presidente da Câmara Municipal de Cabo do Santo Agostinho, em Pernambuco, divulgar que a prefeitura do município havia firmado um contrato de 200 mil reais com o cantor, que gravaria seu novo álbum, Crer para Ver, na cidade. Após uma semana de muita especulação sobre o alto preço do suposto cachê e da polêmica ter eclodido, André afirmou que o valor era destinado à estrutura grandiosa do evento, que também traria divulgação do turismo da cidade, e que se tratava de uma parceria colaborativa, na qual ele também estava investindo financeiramente.

    [/tab]

    [tab title=”2º”]

    Princípio e fim

    Aliança Leonardo e DanielaEm meados do mês de agosto, o público foi pego de surpresa com a notícia da separação de um dos casais mais notáveis da música evangélica: Leonardo Gonçalves e Daniela Araujo. A informação se espalhou quando o processo se tornou visível no portal jurídico JusBrasil. O nome completo dos cantores apareceu em uma desistência de ação de processo de divórcio litigioso (não amigável) movido por Leonardo. Os artistas, que já não apareciam mais juntos há algum tempo, se calaram não confirmando se o processo continuaria ou se desistiriam do divórcio. Daniela Araújo retirou as fotos em que apareciam juntos de suas redes sociais. Os músicos passaram a serem vistos sem aliança, contribuindo para aumentar a inquietação dos fãs quanto ao destino do relacionamento.

    Em novembro, se manifestando sobre o tema pela primeira vez, Leonardo Gonçalves publicou um texto em sua página no Facebook. O cantor afirmou que só os dois sabiam o quanto haviam tentado e que o seu silêncio sobre o assunto era sua maneira de sofrer.

    [/tab]

    [tab title=”1º Lugar” icon=”trophy”]

    Acima da média

    thallesO primeiro lugar vai para Thalles que, desde 2012, provoca diversas polêmicas. No entanto, este ano, o cantor conseguiu deixar sua carreira musical em maus bocados. Na Conferência Global 2015, em Brasília, anunciou que seu próximo disco seria dedicado ao público “secular”. Por várias críticas ao meio musical evangélico, incluindo a afirmação de que o meio contém artistas fracos, Thalles conseguiu movimentar toda a classe artística cristã em repudio a suas palavras.

    O cantor que mais se destacou nestes manifestos foi Leonardo Gonçalves, que publicou um texto em suas redes sociais criticando a postura. Marcos Almeida, ex-vocalista do Palavrantiga, usou da polêmica para refletir acerca da dualidade entre o “gospel” e o “secular”. O jornalista e escritor Ricardo Alexandre, em um artigo publicado em seu blog no R7, expôs suas opiniões acerca da aparelhagem do mercado evangélico e a particularidade negativa existente no paradigma entre arte e expressão de fé.

    A agenda do cantor diminuiu bruscamente. Em contrapartida, Thalles tornou-se pastor da instituição neopentecostal Renascer em Cristo, recebendo um salário mensal de cem mil reais. Também gravou um disco com o Renascer Praise.

    https://www.youtube.com/watch?v=CHSQR-TmRJo

    [/tab]

    [/tabs]

  • Fique Sabendo – Leonardo Gonçalves, Ton Carfi, Paulo César Baruk e muito mais

    Leonardo Gonçalves participa do programa Esquenta!

    Recentemente, o cantor Leonardo Gonçalves participou do programa Esquenta, na Rede Globo. O artista interpretou três canções já conhecidas do público: “Acredito”, “Quando Deus Criou Você” e “Sublime”.

    Leonardo foi questionado sobre seu disco em hebraico, Alvinu Malkenu (2010). O músico apontou seus motivos para gravar o projeto: “Na verdade, tem a ver com duas coisas. Primeiro, em eu descobrir a minha ascendência judaica. As pessoas que são adventistas do sétimo dia, mas têm ascendência judaica têm um lugar específico, onde podem entrar em contato e manter a sua raiz cultural”, disse.

    Gonçalves afirmou que sofreu diversas críticas pelo projeto. No entanto, afirmou saber lidar com os comentários que questionavam o fato de um cantor adventista cantar canções judaicas: “Falavam coisas como: ‘Assume logo que você não é evangélico’, ‘…que você está preso na lei’, essas besteirinhas assim. Mas a gente não pode levar isso muito a sério”, destacou.

    Além disso, Leonardo contou que a gravação de um disco totalmente em hebraico serviu para criar um diálogo inter-religioso. “A gente vive em uma era de muitos discursos, muito polarizados. O mundo está muito polarizado e na minha opinião, está muito chato, existindo cada vez menos diálogo”, afirmou.


    Ton Carfi lança clipe com vocalista do Sorriso Maroto

    Ton Carfi divulgou o clipe da versão voz e violão da canção “Porque Eu Te Amei”, com a participação de Bruno, vocalista da banda de pagode Sorriso Maroto. Carfi explicou o motivo de ter escolhido esta canção para essa participação: “Considero essa canção a mais inspiradora das inúmeras que tenho em todos os meus CDs. Ela transmite a mensagem do amor de Deus como se fosse o próprio Jesus falando conosco. Eu sei que os meus trabalhos são frutos de inspiração divina, por isso tocam o coração das pessoas. E “Porque Eu Te Amei” mostra, de maneira bem simples, porém intensa, o sacrifício de Jesus por nós. Essa música nos conscientiza do valor da Salvação.” O vídeo já passa de 260.000 visualizações. Confira:


    Paulo César Baruk gravará DVD Graça

    Após o sucesso com o lançamento dos álbuns Graça, Graça Para Ninar e Graça Quase Acústico {rs}, Paulo César Baruk decidiu gravar o DVD Graça ainda este ano. O cantor gravará ao vivo canções já conhecidas do público, como “Sobre a Graça” e “Assim Sou Eu” e acrescentará ao seu repertório cinco faixas inéditas. A gravação será dia 18 de dezembro, na AD Bom Retiro, em São Paulo. Todo o valor arrecado com a venda dos ingressos serão revertidos as vítimas do desastre em Mariana, no interior de Minas Gerais.


    Israel Salazar lança single em comemoração ao natal

    O cantor e compositor Israel Salazar lançou o vídeo de seu novo single de natal, chamado “É Natal”. Gravado na sala da casa da cantora Ana Paula Valadão, o clipe traz uma interpretação concisa de Israel, com destaque para os arranjos de cordas. Ouça o single:


    Anderson Freire lançará disco em 2016
    O cantor Anderson Freire já está em estúdio para as gravações de seu novo álbum pela MK Music. Em suas redes sociais, Anderson já vinha apresentando trechos de suas novas canções e confirmou a participação de Daniela Araújo em um dueto.


    Michelle Nascimento lança clipe de “Desafio no Deserto”
    A música de trabalho, “Desafio no Deserto”, foi gravado em Nevada (EUA). O videoclipe é fiel a letra. A intérprete relata o momento em que Jesus foi tentado no deserto, fazendo uma alusão com o que é vivido na atualidade. Confira o clipe:


    Ariely Bonatti seleciona repertório para novo álbum
    A cantora Ariely Bonatti ganhou notoriedade por seu estilo pentecostal. Após dois anos sem lançar nenhum trabalho inédito, o público estava aguardando um novo projeto e a espera acabou, pois a cantora já está em fase de seleção das músicas do novo disco. Acompanhada do marido Joelson e de sua filha Valentina, Ariely está na reta final para o fechamento do repertório desse álbum inédito, com previsão de lançamento para 2016.


    Delino Marçal lança lyric video
    Delino Marçal, um dos novos contratados da gravadora MK Music, está preparando seu novo disco, Nada Além da Graça, que teve a produção artística de Marina de Oliveira. Com um estilo pop congregacional contemporâneo, o single “Deus é Deus” tem tudo para agradar em cheio aqueles que o ouvirem. A canção fala que Deus é imutável, Ele continua sendo o mesmo, apesar de todas as nossas falhas. Ouça:

  • Rocklogia – Rebanhão 35 anos – o retorno

    De 2010 pra cá, muitos grupos, outrora sumidos, retornaram as atividades, ou fizeram pequenas apresentações. Stauros e Banda Azul voltaram com todo o fôlego, Complexo J fez algumas apresentações com alguns membros originais e Sinal Verde fez uma apresentação única… mas nada causou impacto em termos de público e imprensa do que a volta do Rebanhão em 2014.

    Quando o O Propagador surgiu, nós da equipe do site, decidimos trazer algumas matérias sobre a banda, e a cada ano, se possível, abordar um cantor ou grupo que já tenha encerrado as atividades. O retorno deste grupo foi praticamente uma surpresa pra mim, e veio exatamente na mesma época em que nós do site estávamos publicando muitos materiais sobre eles.

    Anteriormente a isso, Pedro Braconnot, juntamente com Anderson Freire, foi o compositor da canção “Ame Mesmo Assim”, gravada por Cristina Mel. Em uma entrevista a uma revista em 2013 (que já está fora do ar), Braconnot afirmou que tocava com o Pablo Chies em alguns eventos, mas que estava difícil reunir o grupo, embora fosse uma vontade geral. No aniversário de Carlinhos Felix em janeiro daquele ano, Pedro e Pablo fizeram uma surpresa e os três tocaram juntos. Carlinhos, inclusive, estreava pela Sony com o disco Lindo Senhor.

    Mais tarde, ainda em 2013, numa entrevista ao Super Gospel, Carlinhos falou um pouco sobre a banda.

    “Acho não. Estivemos juntos dia 25 de janeiro no meu aniversario, que era a festa de 40 anos da vigília de Bento Ribeiro. Foi emocionante. Sempre falamos que só faríamos se fosse uma produção maravilhosa, pois o Rebanhão merece. E o povo que curte também merece. Creio que a Sony faria isso com muita propriedade”. [Carlinhos Felix, sobre uma reunião em fevereiro de 2013, Super Gospel]

    O movimento continuou, e no final de 2013, Braconnot divulgou uma música inédita no iTunes, chamada “Mais que Palavras”, com a participação de uma de suas filhas nos vocais. Mais tarde, em seu Soundcloud, publicaria mais duas novas músicas, com a tendência mais congregacional existente em Vamos Viver o Amor: “Nada Mais” e “Amado da Minh’Alma” (esta última recebeu a hashtag #Rebanhão).

    Enquanto isso, Carlinhos e Paulo Marotta, nestes anos, tornaram-se intensamente críticos da pobreza de conteúdo do meio gospel. Marotta, em uma entrevista à MPC em 2000, diria que “é preciso tirar Jesus do rótulo e trazê-lo de volta para o centro“, e Felix, diria repetidamente, em entrevistas, que estava vendo muita música sem criatividade no meio. Paulo foi o único integrante do grupo a participar do Tributo a Janires, gravado no Som do Céu em 2003.

    Quando Braconnot, Felix e Marotta anunciaram a reunião do grupo, lembro que foi uma surpresa para todos, e imediatamente, a nova página da banda no Facebook passou a ser divulgada. Fernando Augusto ia participar, mas acabou ocorrendo algo que inviabilizou sua participação. Para completar, a banda chamou Pablo Chies para a guitarra solo, e trabalhou com o músico contratado Lucio de Paula para a bateria, durante os ensaios.

    Depois da volta, Pedro Braconnot e Carlinhos Felix responderam entrevistas aqui no site, falando sobre a carreira e projetos com o grupo. Durante os ensaios, se encontraram com Lucas Ribeiro, principal mente atrás da Sinal Verde, um dos embriões antecedentes do Rebanhão e Bené Gomes, líder do Koinonya.

    Depois disso, o Rebanhão acabou firmando uma parceria com a Mess Entretenimento, que fará a distribuição do futuro álbum de 35 anos do grupo.

    Abaixo, veja os blocos de uma entrevista com o Rebanhão veiculada pela TV Boas Novas e vamos aguardar as novidades do Rebanhão 35 anos.

  • Ser Ester Indica: 5 Cantoras que você precisa conhecer!

    Olá Meninas

    Hoje vamos falar um pouco sobre 5 cantoras que você definitivamente precisa conhecer. De estilos e abordagens musicais diferentes, elas têm em comum o grande talento e a alta qualidade em seus trabalhos. Do pop ao R&B, do folk ao pentecostal, essas meninas mostram que a música cristã nacional ainda tem muita coisa boa para mostrar.

    Venha conhecer e ouvir!


    AMANDA RODRIGUES

    11825170_846451428774367_3388779202479301429_nA cantora carioca Amanda Rodrigues faz parte do cast da Universal Music Christian Group e é, para mim, uma das mais gratas surpresas musicais de 2015. Com uma voz doce, interpretações certeiras e excelentes letras, a cantora pop, que trás referências da MPB e Folk, coloca seu disco, Sobre Ele, no rol dos melhores do ano. O álbum conta com a participação especial de Samuel Mizrahy na música Faz a Tua Paz Reinar, e do cantor norte-americano Jimmy Needhan em Refúgio. Entre as faixas, destaque para a música tema, a belíssima Vaso Novo, a ótima Seu Amor, além da romântica Mais.


    DEISE JACINTO

    10675788_996742957009300_8652641085730271482_nA cantora catarinense Deise Jacinto já ganhou destaque aqui na Ser Ester e volta a ser citada nesta lista por seu excelente disco Final Feliz. Lançando mão do Folk e da MPB, a cantora e compositora vem com uma proposta de fazer música leve como a vida deve ser. No álbum, Deise coloca sua voz doce em canções delicadas e com letras marcantes, como a faixa tema, a lindíssima Inventor do Tempo e as poéticas Me Leva e Rumores.


    ESTHER

    11988470_1061708327181111_3737399217302984842_nA linda sergipana Esther, com seu disco de estréia, Milagres que eu Preciso, apresenta um pop com flertes ao pentecostal super envolvente. Com voz doce, mas enérgica, e boas melodias, a cantora é uma grande promessa para o futuro de um dos estilos mais populares da música gospel nacional. Dentre as faixas, destaque para o single Entrega o Teu Caminho, a introspectiva Oração FeridaO Sinal e a empolgante Jesus está na Igreja.


    GISLAINE MATOS

    capaAinda no pop pentecostal, temos a curitibana Gislaine Matos com seu álbum Terra dos Milagres. Com músicas para serem cantadas em igrejas, vocais pesados e bem trabalhados e melodias ricas, a cantora apresenta um disco redondinho para conquistar grupos jovens de denominações pentecostais. Cabe aqui destacar as belas Vou me Abrigar e A Ti a Honra, além da vibrante Virás e da imperdível Serei Fiel.


    JESSICA AUGUSTO

    jessicaaugusto_jessicaaugustoaovivo_0548__AA500Ela é integrante do grande Coral Resgate para a Vida e cantora solo. Jessica Augusto é dona uma voz privilegiada, energia contagiante e talento incontestável. Fazendo uma Black Music de qualidade, com um back vocal afiado e melodias marcantes, o EP Jessica Augusto Ao Vivo é um belo registro de um estilo pouco explorado por artistas solo da música cristã nacional. Destaque para a ótima Poderoso Ele É, a envolvente Ele Pode e a empolgante Eu Sou Filho de Deus.


    E então, curtiram­­­?

    Essas meninas são ótimas, já estão nas minhas playlists e têm tudo para conquistar cada vez mais espaço na nossa música.

  • Análise: CD Aroma da Adoração – Eliane Silva

    Eliane Silva é uma das muitas cantoras pentecostais que assinaram contrato com a gravadora Som Livre nesses últimos tempos, apostando em novos rostos no segmento gospel. Após o bem sucedido, Senhor do Tempo pela Sony Music Brasil, o próximo lançamento da cantora era muito aguardado por seu público. Aroma da Adoração é um disco mais pop do que pentecostal, produzido por Melk Carvalhedo, Paulo César Baruk e Wesley Ross.

    É importante destacar que o disco seguiu bem a temática proposta, com um repertório eclético composto por nomes de peso, como Moisés Cleyton e Tony Ricardo. De cara, nos deparamos com Meu Alvo, a primeira canção do disco com um arranjo de cordas consistente, além de um vocal maduro da intérprete, mostrando o que vem por aí. Destaque para a guitarra e o piano de Henrique Garcia e Rafael Fagundes, respectivamente. Canções como Vai Ser Melhor, Meu Milagre e O Imutável deixam suas marcas no álbum, todas essas tem em sua essência uma pegada pop.

    Na sequência, Eu O Verei é uma boa surpresa: arranjos fortes que lembram a essência pentecostal da cantora, acompanhado por um backing vocal de respeito composto por Paloma Possi, Jessica Augusto, Dyani Primo, Rodrigo Mozart, Gustavo Mariano e Paulo César dos Santos Rosa. Infelizmente, acerca de As Sete Cartas não podemos dizer o mesmo. É uma canção equivocada que não deveria fazer parte do repertório, mas não pela letra – pois é totalmente bíblica – e sim pela produção, que deixou a desejar e tornou-a cansativa. Na mesma situação, se encaixa Só Quero Adorar e a faixa-título, Aroma da Adoração.

    Ainda, é fundamental pontuar as canções que melhor representam o pop no álbum, Eu Sou Teu Deus e Aceito o Desafio. Destaque para a bateria bem colocada de Cleverson da Silva, além do contrabaixo de Lau Gomes. Em influências pentecostais, Rainha Esther, Notícia Nacional e O Som do Vento se sobressaem – entretanto, não são canções de grande novidade. Produzida por Baruk, Volte a Sonhar é intimista e passa uma mensagem de incentivo ao ouvinte, daquelas que causam comoção ao público. O arranjo de cordas por Ronaldo de Oliveira e o naipe de cordas – Cello: Renato de Sá/Viola: Edmur Mello/Violinos: Rodrigo Moreira, Marcelo Soares e Matthew Thorpe enriquece a musicalidade.

    Dessa forma, apesar das falhas perceptíveis em várias canções ao longo do disco – que mesmo assim não tiram o mérito da intérprete e dos produtores –, é possível perceber que Eliane Silva se esforçou para entregar um bom trabalho. Contudo, os três produtores não foram o suficiente e a obra causa cansaço em quem o escuta. Logo, o álbum veio para provar de uma vez por todas que o pop virou uma das principais vertentes da cantora, para decepção dos mais tradicionais que, provavelmente, passarão longe deste disco.

  • Melhores discos de rock cristão nacionais: 2005 a 2009

    Continuando a nossa lista de melhores discos de rock cristão nacionais, apresentamos a nossa segunda votação de álbuns na década de 2000. Desta vez, tivemos vários artistas novos, mas alguns bandas já conhecidas também. Confira os dez colocados!

    Leia também as listas anteriores: Década de 70, década de 801990-19941995-1999 e 2000-2004

    [infobox title=’10º: A Tinta de Deus’]Artista: Katsbarnea
    Ano de lançamento: 2007
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Katsbarnea - A Tinta de Deus - 2007

    João: Finalmente o Paulinho acertou a mão no Kats (risos). Não é o disco mais brilhante da banda (tanto que está em 10º), mas foi o melhor da fase de Makuko como líder. Essa sonoridade à lá rock inglês foi muito positiva pra banda, seria bom que eles tivessem mantido nessa linha, com certeza teria sido fabuloso. Enfim, é uma alegria rever o Kats por aqui.

    Márllon: Nunca fui grande fã do Kats, aliás esse é um dos 2 únicos CDs que tenho da banda, mas esse trabalho atinge (na minha concepção) o objetivo da música: Entreter o ouvinte. Não há nada de fora de série aqui, mas são boas músicas e de fácil audição.

    Phil: CD legal, viu. Depois de mais de 10 anos sem lançar nada novo, A Tinta de Deus foi um bom álbum. Por mais que eu não curta demais Paulinho Makuko, não posso negar que é um trabalho muito bem feito e o baiano arregaçou no vocal e nas composições. Talvez não tenha tanto a “identidade Katsbarnea” porque as letras não são de Estevam Hernandes nem de Brother Simion, mas mesmo assim leva um pouco da loucura da banda… a boa loucura, fruto de uma mente da velha guarda do rock cristão brasileiro. Musicalmente, com Dudu Borges (mito) na produção e Déio Tambasco nas guitarras não tem erro! Só não ficou tão hard rock como outros trabalhos antigos (e tem faixas com bastante pegada), mas isso não tira nenhum mérito do álbum. Décimo lugar pra ele e talvez merecesse mais.

    Thiago: A Tinta de Deus é o primeiro disco inédito sem a presença de Brother Simion e solidifica a manutenção de Paulinho Makuko como vocalista (calma, apenas como vocal, sem aqueles irritantes sons de percussão). Começa com uma canção que esbanja nas guitarras, “Primavera”, e com riffs velozes de introdução. Dudu Borges e Déio Tambasco capricharam nos arranjos e na produção. O disco é bastante diferente do que o Katsbarnea já havia feito, todo pautado no rock alternativo, sem as influências tropicais, progressivas e exóticas de Brother. As canções foram escritas, na maior parte, por Makuko. Disco bom, posição justa.

    Tiago: Antes de tudo, acho que esta lista foi a mais difícil de todas. Pelo menos acho todos os álbuns entre os dez bons, sem exceção. E já começar vendo A Tinta de Deus em décimo é meio desanimador, porque eu queria que ele estivesse em uma posição melhor. O trabalho é simplesmente o melhor que Paulinho Makuko fez em sua carreira. Amadurecendo suas letras desde o solo 12 (Gospel Records, 2005), a grande vantagem do disco se deve a parceria com vários músicos, desde as guitarras de Déio Tambasco, a bateria de Marcelo Gasperini e os baixos de Rob Tavares e Villaça. Os versos são bem trabalhados. Até me assusto quando as comparo com o sucessor Eis que Estou à Porta e Bato… O que aconteceu com Makuko, afinal?

    [infobox title=’9º: Target: Human, Mission: Destroy’]Artista: Krig
    Ano de lançamento: 2009
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Target - Human Misson - Destroy - Krig - 2009

    João: Krig foi uma das melhores bandas de metal cristão do Brasil de todos os tempos. Pra mim esse é o melhor disco deles, sem sombra de dúvidas. Só pelas faixas de abertura “Mercenary Pastor” e “Fatality Brutality”, indispensáveis em quaisquer shows que a banda faria de 2009 em diante, já valeria estar entre os 10, mas eles ainda mandaram mais letras impressionantes, seja pela parte crítica da sociedade (“Fast Food”, “My Intestine is Displayed”, “Amazon Bleeds”, “Politicians in the Pigsty” e “Beautiful Mutilation” – essa última trazia uma temática melhor desenvolvida no seu sucessor “Narcissistic Mechanism”), como nas religiosas “Chaos in the Air”, “You Will Be Hated” e “My Abstract Side”. Um disco completo, provando que death metal e cristianismo podem dar muito certo sem serem letras “mata-capeta” o tempo todo. Merecia estar entre os 3 primeiros, desculpem-me.

    Márllon: De longe o melhor da discografia desses mineiros. Bruto, cru, carniceiro e instigante como todo bom trabalho de death metal precisa ser. O que me atrapalha em ouvir o Krig em alguns de seus álbuns é que muitas vezes a música é tão técnica que perde um cado daquele feeling, o que não ocorre neste álbum. Instrumental (muito) pesado com toques de Grind e Death Melódico e letras que saem do lugar comum do estilo, esse é Target: Human, Mission: Destroy.

    Phil: Quando ouvi a introdução da primeira faixa já saquei que ia tremer tudo. Quando o álbum acabou eu me espantei como minhas orelhas não caíram. Krig é death metal, brutal, podrão, denso, sem frescura e com todos os pig squeals que você quiser. Esse álbum em particular tem uma atmosfera grindcore (o que contribui pra podridão) e lirismo niilista/pessimista/destrutivo/DESTROYEVERYONEDESTROYEVERYTHING que me fez pensar como o álbum deve ser importante pra galera que curte o lado negro da força. Eu não sou tão fã de death (vou dar a cara a tapa: gosto de metalcore, desde que bem feito, o que é raro) mas Krig me surpreendeu. Aliás, o álbum foi bem produzido e mixado também. Ah véi, pare de ler e vai ouvir logo.

    Thiago: Com gritos guturais e pig scream, graves riffs de guitarra, bateria pulsante, com o peso do death metal, Krig produziu Target: Human, Mission: Destroy. Apesar de que eu não curto pig scream, o disco é bom para o estilo, tem peso, corre na contramão do tipo de música de mercado. Achei justo estar nessa lista.

    Tiago: Não é muito o tipo de metal que gosto de ouvir, mas é bom sim e merece estar entre os dez.

    [infobox title=’8º: Tudo que eu Queria’]Artista: Tanlan
    Ano de lançamento: 2008
    Número de faixas: 13[/infobox]

    Tanlan - Tudo que eu queria - 2008

    João: Nunca fui muito fã da Tanlan, mas após começar a me aprofundar no novo movimento, percebi o como os caras são geniais. As letras de todos os discos da banda são fora dos padrões do gospel, e sempre trazem reflexões, letras introspectivas, aqueles desejos perdidos que vivem nos arredores de nós e em nossa religiosidade farisaica e hipócrita negamos sentir. Outro disco que está muito abaixo de onde deveria. O primeiro lugar seria perfeito para ele.

    Márllon: Nos vemos na resenha do sexto disco 🙂

    Phil: Textos e reviews costumam empurrar Tanlan pra definição do “novo movimento” e até faz sentido, mas prefiro dizer que Tanlan é uma banda brasileira de rock. Em muitos momentos me lembra Jota Quest (que a turma adora malhar, mas quando toca um clássico ninguém fica parado). Dito isso, não curto tanto esse álbum. Não sei o que falta… Talvez um pouco mais de pegada? Talvez letras mais incisivas? Ou uma produção menos clean e radiofônica? Não sei. Mas essas minhas soluções acabariam com a identidade da banda, e tá bom do jeito que dá, porque é o jeito deles de ser.

    Thiago: Rock alternativo e post-grunge, letras diferentes e reflexivas, músicas fora do padrão gospel são encontrados nesse disco. É um clássico disco do novo movimento, sem as rimas e frases repetitivas evangeliquês. Para um disco de estreia é um bom lançamento. “Tudo que eu Queria”, “Bem Vindo”, “Quando eu Vejo”, “Eu Sei”, “Marionetes”, “Aprender” são algumas das boas obras encontrados nesse CD. “Bem Vindo” tem uma letra com uma influência, ou melhor, a mesma ideia da letra de “Dare You to Move”, a semelhança delas é enorme. Aliás, o disco tem uma influência musical pequena do Switchfoot, uma das bandas que mais influenciaram os músicos que seguiram a ideia do novo movimento ou mesmo do crossover.

    Tiago: O primeiro disco da Tanlan merecia estar lá em cima, sem dúvida. E, depois do disco de estreia da Aeroilis, talvez este seja o mais importante lançamento do novo movimento até hoje. Diferentemente de bandas como a própria Aeroilis e o Palavrantiga, a Tanlan de fato fez um disco com pouquíssimas referências religiosas, fazendo com que conseguissem tocar, por muito tempo, em eventos de fora do nicho evangélico. Os elementos eletrônicos, com as letras existenciais, foram talvez o melhor lançamento dos gaúchos até o momento em que escrevo este texto.

    [infobox title=’7º: Consciência Limpa’]Artista: Complexo J
    Ano de lançamento: 2008
    Número de faixas: 13[/infobox]

    Complexo J - Consciência Limpa - 2008

    João: Não ouvi esse. Sendo do Complexo J deve ser muito bom, mas não ouvi, também irei opinar muito.

    Márllon: Nos vemos na resenha do sexto disco 🙂

    Phil: Meu irmão, que álbum arretado. Parece que Complexo J é das bandas que tudo o que toca é sucesso. E é mais outro feito por cabeças da velha guarda, o que reforça o ditado “panela velha é que faz comida boa”. Err, wait… enfim, é o tipo de CD que eu botaria no carro pra fazer uma viagem bem boa, porque é muito gostoso de ouvir, e as letras são igualmente boas (again, velha guarda). Se minha internet não tivesse falhado tanto durante a época de audições e votações pra essa lista eu teria colocado esse álbum em alguma posição mais pra cima (risos). Rock de primeira nas primeiras faixas, o final mais acústico e tranquilo, transição legal no álbum. Vá embora ouvir também!

    Thiago: Tive a coragem de colocar esse disco em uma posição bastante alta. O que me motivou é a banda ser um dos clássicos do rock cristão nacional, ter inovado o seu som, pautado no hard rock nesse CD, e apresentar uma musicalidade diferenciada do que eu já estou acostumado a ouvir. “O Dia do Senhor” abre com um hard muito bom, “Marcas no Coração” continua nesses mesmos passos, persistindo até a sétima faixa. A partir da oitava faixa, o forrock “Sua Cabeça”, o estrutura musical das canções muda bastante. Complexo J apresenta blues, baladas com saxofone e folk rock com violões. Aliás, saxofone foi usado no disco inteiro. Consciência Limpa é o resultado de inovação de uma banda que ajudou a estruturar o BRock cristão.

    Tiago: O Complexo J ficou sem nos presentear um disco de inéditas por mais de uma década. Tempo suficiente para uma geração inteira esquecê-los. E, mesmo desfalcados, se sobressaem com Consciência Limpa. Marco Salomão canta sozinho todas as músicas (e neste aspecto, Liza faz muita falta), mas temos todos os demais elementos que caracterizam as músicas da banda nos anos 90: crítica, versatilidade, humor e progressivismo musical.

    [infobox title=’6º: Até eu Envelhecer’]Artista: Resgate
    Ano de lançamento: 2006
    Número de faixas: 11[/infobox]

    Resgate - Até eu Envelhecer - 2006Jhonata: Resgate é uma banda que sempre conquistou seu público pelas letras e instrumental. Neste disco, é perceptível um amadurecimento. Questiono muito a base teológica da banda, mas eles conseguem fazer rock cristão de qualidade. As músicas são boas, mas poucas. Sabe quando você ouve um disco e quando ele acaba você pergunta: “Só? Cadê o resto?”. Até eu Envelhecer acaba soando morno demais.

    João: Começa minha jornada de perguntas “o que esse disco faz aqui?”. Sou fã inconteste de Resgate, e na próxima lista já adianto que votarei na banda sem dúvidas, mas esse disco nem na lista dos dez mais deveria entrar. O 666 Corporation do Trino merecia mais, muito mais.

    Márllon: Até 2010 eu até ouvia o Resgate mas não nutria grandes amores por eles ou o seu repertório prévio, mas com o lançamento de Ainda não É o Último passei a ouvir com maior atenção os trabalhos anteriores e foi assim que “descobri” essa pérola em questão. A sonoridade mais vintage (assim como alguns arranjos) é o ponto alto do disco. Sim, existe o ranço da Renascer em algumas letras, mas que não desmerece musicas como “A Gente” (uma das minhas favoritas deles) e “Meus Pés”.

    Phil: Curto esse álbum! Primeira vez que o ouvi na verdade foi através do DVD Até Eu Envelhecer ao Vivo, porque sou fã de coisas ao vivo. 🙂 Mas é fato que eu curti pra caramba quando vim ouvir a versão de estúdio. OK, concordo quando dizem que certas canções são “desnecessárias” ou “demais” (pejorativamente), tal como Fruto Sagrado costumava fazer. Por favor, gente… risos. Mas aí sim, fomos surpreendidos novamente: Como Resgate leva muito do trabalho deles num viés humorístico, eles fazem do desnecessário um “engraçado” e do demais um “interessante”. É, mais uma vez, a tradição do Resgate contorna as próprias limitações.

    Thiago: Eu gosto dos arranjos desse disco. É aberto por uma canção bem seca, “Meus Pés”, com gritaria de Zé Bruno nos microfones. Até eu Envelhecer marca a entrada de Dudu Borges, uma parceria que daria muito, mas muito certo. As camadas de guitarra de Zé e Hamilton Gomes, combinadas ao piano e órgão hammond do novo integrante caíram perfeitamente no som da banda, identificando-a. A viajada “Astronauta”, o punk country “A Gente”, “O Médico e o Monstro” (inspirada no filme de mesmo nome, por Victor Fleming), o folk/country/blues “O Perdido e o Sentido” são as melhores. “Eu Vou Chegar Lá” achei entediante. O que estraga o disco é a influência da Renascer  e do neopentecostalismo na construção lírica de algumas canções. “Meus Pés” tem uma sonoridade destruidora, mas peca nos versos. A palavra do Estevam Hernandes avacalhou no final.

    Tiago: Engraçado que os integrantes do Resgate soavam elegantes mesmo atolados na lama podre do neopentecostalismo. Mas claro, não é porque temos “Meus Pés” e “A Gente” no repertório que o bebê deve ser jogado fora junto com a banheira. Até eu Envelhecer é, musicalmente falando, um dos discos mais consistentes do Resgate. E isso é, principalmente, mérito de Dudu Borges. Recém-integrado, o músico deu uma cara diferente para a banda. Os arranjos soaram melhores, mais ricos e menos previsíveis. Até as duas músicas anteriormente citadas, sonoramente, são muito boas de ouvir. Mas as melhores são “Passo a Passo”, “Astronauta” e “Te Encontrar”. Estão, de longe, entre as melhores músicas que já produziram. Nota-se como amadureceram neste projeto. E, espiritualmente, amadureceriam mais em Ainda não É o Último, o sucessor.

    [infobox title=’5º: A Vida Como Ela Era’]Artista: Hibernia
    Ano de lançamento: 2009
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Hibernia - A Vida Como Ela EraJhonata: Ah, banda Hibernia! Gravaram este disco super demais em 2009 e sumiram: nunca mais gravaram nada (não que eu saiba). A faixa-título é uma introspectiva reflexão sobre a inocência dos dias passados, a mesma narrativa que o restante do álbum segue.

    João: Conheci Hibernia num post daqui do site, e eu me apaixonei à primeira ouvida. Essa banda me fez querer ouvir mais bandas do novo movimento, confesso. Uma lástima que a maioria segue uma receita de bolo chata pra caramba de indie cosplay mal-feito de O Teatro Mágico (que eu amo), ou pior, um Mombojó ou Los Hermanos falsiê (como se Los Hermanos já não fosse algo chato o suficiente…). Mas Hibernia conseguiu ser muito original, e esse disco… cara, eu preciso ouvir mais, pra inspirar meus poemas e arrancar tantas das decepções do meu dia-a-dia e quem sabe acalmar mais minha alma conturbada por vezes.

    Márllon: Pulo.

    Phil: Hibernia? Quem? Não sei, mas achei o álbum muito massinha. Quero dizer, não é o tipo de rock que eu escuto com frequência, mas musicalmente é muito bom. Gostei. Dito isso, eu quase dormi ouvindo o álbum. Acho que umas posições abaixo não seria ruim. E só.

    Thiago: A Vida Como Ela Era é muito intimista. Outro disco do novo movimento, o som é estruturado por bastantes teclados, misturado ao brit rock, resultando em um bom rock alternativo. A concepção do disco se resume ao retorno da vida como ela era, simples, inocente e dependente, com letras poéticas e introspectivas. Não gostei tanto da voz do Renato Santana, porém isso não diminui a qualidade do disco. Ulster ficou deslocada no disco (ela me lembrou “Hosanna”, do Hillsong United). Gostei da capa. Em resumo, um bom CD.

    Tiago: Disco fantástico. Hibernia é uma das melhores bandas do novo movimento. A Vida Como Ela Era é, sobretudo, nostálgico. Toda a sonoridade e versos remetem a uma saudade da infância, dos tempos de inocência. Introspectivo, profundo e triste, sem dúvida foi um dos melhores lançamentos de 2009.

    [infobox title=’4º: Satanichaos’]Artista: Antidemon
    Ano de lançamento: 2009
    Número de faixas: 19[/infobox]

    Antidemon - Satanichaos - 2009

    João: “O que esse disco faz aqui?”² – É um disco legal pra bater cabeça e só, sorry.

    Márllon: Com todo o respeito aos membros da banda, mas esse álbum não merecia estar nem entre os 50 primeiros da lista. De longe o mais fraco da banda, produção limpa demais para uma banda do estilo, composições que no geral não empolgam. Com esforço consigo salvar 3 faixas dentre as 19. Não é um lixo total, mas tá muitíssimo aquém do que a banda poderia oferecer.

    PhilVéi… eu gosto de Antidemon, mas esse álbum não merecia 4º lugar. Sem querer ser chato, mas ficou meio farofa pro potencial da banda. Não é um álbum ruim, mas acho que forçamos a posição. Mas não posso reclamar, eu não votei nessa lista mesmo ¯\_(ツ)_/¯

    Thiago: Eu acho esse disco do Antidemon muito grindcore, músicas muito rápidas, sem criatividade, apenas peso e riffs velozes, mas vale por ser uma música pouco comercial, e fazer algo assim é difícil nos nossos tempos.

    Tiago: Ouvi e já não me lembro das músicas. Maior vacilo da lista. Ninguém votou conscientemente nisso. Podem bater na gente, eu deixo.

    [infobox title=’3º: Depois da Guerra’]Artista: Oficina G3
    Ano de lançamento: 2008
    Número de faixas: 15[/infobox]

    Oficina G3 - Depois da Guerra - 2008

    João: “O que esse disco faz aqui?”³ – Gozado, tenho originais os três discos que fiz isso, mas… esse em especial é o mais superestimado exagerada e erradamente do Oficina G3. A produção é fantástica e panz, mas é um disco desnecessário, igual quando o Petra tentou nos EUA lançar Jekyll and Hyde tentando passar-se por banda pesada – um disco bom, bem produzido, mas que não tem nada demais.

    Márllon: Se for analisar o mainstream cristão, foi um álbum de grande impacto, pois apresentou uma sonoridade mais pesada para uma galerinha marota. O problema foi que essa turma deu origem a uma das pragas mais chatas , os imprestáveis dos oficináticos. Gosto da faixa título, uma das minhas favoritas da banda, mas analisando a fundo, não tem nada de novo nesse trampo. Qualquer um com um pouco mais de vivência de som sabe que o Oficina G3 adora chupinhar o que está na crista da onda, e naquela época não foi diferente.

    Phil: Esse CD tem uns aspectos interessantes. Muitas histórias por trás dele. O Alexandre Aposan (ainda não efetivado na banda) que era um batera de pagode(!) e mesmo não tendo participado do processo criativo aprendeu tudo na boa, arregaçou na batera e ficou em bastante evidência durante a turnê, surpreendendo todo mundo. Ele calou os pseudocríticos da internet que desciam o sarrafo xingando-o de pagodeiro na comunidade do Oficina no Orkut (sim, meus amigos!). Celso Machado gravou algumas (poucas) guitarras e violões. Mauro Henrique que ia estudar algo de música (não lembro exatamente o quê) na Irlanda, mas com o chamado do Oficina ficou por aqui e o resultado tá lá no álbum: O vocal poderoso do recém-chegado. A própria banda trouxe outros produtores (os caras da Korzus) para esquematizar o álbum. Inclusive porque tiveram que mudar o tom de algumas músicas, que estavam na voz de Juninho Afram e depois tiveram que encaixar pra Mauro. E, claro, outros compositores. A soma dos fatores criou o álbum que foi o mais barulhento de 2008 a 2010 no mainstream cristão brasileiro. Não digo isso só pelo som: Por todos os lados eu via e ouvia gente falando do Oficina G3, Depois da Guerra isso, que o DVD DDG Experience aquilo, tinham ganho um Grammy Latino, que “Meus Próprios Meios”, o clipe de “Incondicional”, etc e tal. Então, por mais que o álbum não tenha sido muito “Oficina” foi importantíssimo, e, ei, ficou um trabalho do caramba, vá. Metalcore, progressivo, hard rock, pra tremer tudo, meu amigo.

    Thiago: Depois da Guerra é o disco mais pesado do G3, mas não o mais criativo. Eu gosto bastante dele, a banda mantém sua regularidade nessa obra misturando metal progressivo com metalcore. Inova com os guturais de Jean Carlos (nem  foram tantos, se resumem a trechos de “Meus Próprios Meios”, “Meus Passos”, “Muros”, “Obediência” e de “Better”). A capa desse disco foi bem produzida, é uma das melhores do rock cristão brasileiro. A quebradeira de “Meus Próprios Meios” e “Meus Passos” (as duas parecem uma continuidade uma da outra, com a mesma ideia a La Romanos 7 e com a mesma musicalidade), a ponte e o refrão grudante de “Eu Sou”, a velocidade de “Depois da Guerra” (bem power metal) e o seu solo celestial, “A Ele” (outro solo celestial) e a faixa mais distinta do álbum, o cover “People Get Ready” do The Impressions, a melhor balada do disco, com sua letra exibindo de forma poética a graça de Deus e as camadas delirantes de guitarra. Juninho Afram, Jean Carlos, Duca Tambasco e Alexandre Aposan mantém um ótimo desempenho no disco. Mauro Henrique, com sua voz potente, também, porém, ao vivo, é em parte broxante.

    Tiago: Se não me engano, eu lembro que ouvi “Incondicional” em uma rádio pela primeira vez no final de 2008, quando o disco foi lançado. Foi engraçado, porque até o locutor dizer que se tratava da banda, não me passava pela cabeça que era eles. E era. A sensação que DDG me deixou, por tempos, foi essa: um disco bem produzido, projeto gráfico impecável, algumas músicas de fato excelentes, mas nunca reconheci a Oficina G3 nisso. Outro defeito do álbum é o excesso de compositores externos. Oficina nunca foi uma banda dependente de compositores de fora (embora, sempre em um disco tivesse uma música de outro letrista). “Meus Próprios Meios”, a grande música das pesadas, é escrita por Déio Tambasco. A balada veio da FullRange. As vezes pensava que eu gostaria mais do disco se Juninho tivesse gravado os vocais, mas quando o bom Histórias e Bicicletas foi lançado, vi que o problema não era exatamente as vozes do Mauro. Hoje não sei dizer se Depois da Guerra é um bom disco. Acho-o um mix de exageros.

    [infobox title=’2º: Cadeira de Rodas’]Artista: Desertor
    Ano de lançamento: 2006
    Número de faixas: 20[/infobox]

    Desertor - Cadeira de Rodas - 2006

    João: SURPRESA! Não merecia estar no segundo lugar, mas nos dez mais com certeza! Um disco fantástico de um ritmo tão pouco explorado no cenário cristão em geral e principalmente no Brasil, a fusão perfeita de metal e punk/HC: Crossover (não, metalcore não é a melhor e nunca será, não tem o peso necessário pra isso, chorem moderninhos!). Esse disco eles conseguiram a combinação perfeita que o anterior Aborto não! não tinha conseguido, virando um disco claramente inspirado em Ratos de Porão (só que bem melhor, digo mesmo). Se você gosta de peso pesado de verdade, esse é o disco. Agora se você não é adepto, passe longe (eu mesmo na primeira vez que ouvi me assustei, confesso, mas depois gamei muito nesse disco). Como faz falta bandas desse gênero no Brasil, além deles só vi a desaparecida Theosophy dos anos 90 e a recente e caruaruense Proffetos HC.

    Márllon: Muito me surpreendi com esse trabalho nessa lista, ainda mais em uma posição tão alta. Cadeira de Rodas é um divisor de águas no cenário nacional. Apesar de termos tido trabalhos fabulosos no underground BR, nenhum (a meu ver) atingiu um nível de excelência quanto esse álbum. Produção meticulosa, arte gráfica decente, letras fortes e de impacto e com apoio de um selo de verdade, que manjava dos paranauês. Indispensável na coleção de quem curte som porrada.

    Phil: Punk hardcore! Meus olhos brilharam quando descobri isso aqui! Cara, que incrível. Na verdade tem uma influência bem Ratos de Porão, e bem, eu gosto muito de RdP, mas Desertor é mais rápido e mais pesado, até com uma cara thrash. Lógico, Cadeira de Rodas é um daqueles álbuns cheio de faixas de um minuto (ou menos), algo que muita banda loucona hardcore costuma fazer isso. Normal, e legal na verdade. Mas o que me impressiona é a produção e a arte gráfica. O CD é muito bem feito. OK, é hardcore e por isso não tem a intenção de soar podrão. Mas assim como o Krig fez um death intencionalmente podre, porém bem produzido. Desertor conseguiu mandar pra galera um álbum pesado mas não descontrolado, dentro da proposta que eles queriam mandar. E a capa foi bem feita pacas. Imagino que isso foi bem importante já que esse era o primeiro álbum completo deles. E as letras? Como todo punk, falam de tudo. Drogas, guerras, injustiça social, política, alienação, e etc. Mas com um enfoque cristão, bem realista. Como eu disse anteriormente, não votei pra essa lista… mas fico feliz que meus companheiros botaram Desertor no pódio!

    Thiago: Cadeira de Rodas tem um estilo que ouço muito pouco, crossover thrash. Misturando hardcore e thrash metal, riffs velozes e pesados, bateria pulsantes e vocais rosnados, fazem um tipo de música muito pouco comum dentro do rock cristão tupiniquim. Não tenho tanta propriedade para falar da banda, mas a sua música valeu a entrada.

    Tiago: Cadeira de Rodas é fantástico. Um disco de uma banda independente que longe está das bandas mais conhecidas do rock cristão nacional em segundo lugar nesta lista mostra o quanto este trabalho se sobressai. A Desertor produz um som crossover, com elementos de thrash e hardcore, mas com a agressividade punk.

    [infobox title=’1º: Além do que os Olhos Podem Ver’]Artista: Oficina G3
    Ano de lançamento: 2005
    Número de faixas: 14[/infobox]

    Oficina G3 - Além do que os Olhos Podem VerJhonata: Talvez esse seja o único disco dessa lista que eu discordo severamente de estar nessa posição. Para ser mais claro, considero Além do que os Olhos Podem Ver um bom álbum, mas muito inferior a, por exemplo, Casa dos Espelhos do Rosa de Saron. Eu também não entendo o louvor que as pessoas colocam em cima desse trabalho pois, para mim, continua sendo um Oficina G3 forçado tentando fazer rock pesado além do que consegue (o nome desse álbum poderia ser perfeitamente Além do que o Oficina Consegue Ser). Mas, nem tudo são pedras: o disco realmente é bom ao nível da banda e a situação em que os integrantes estavam. É um rock pra curtir, refletir e acreditem, dançar.

    João: Ahhh só estamos falando do segundo melhor disco da carreira do Oficina G3! O Indiferença sem dúvidas é o melhor, mas esse disco é fantástico. Engraçado é notar que numa mesma época dois discos foram feitos por bandas que passaram praticamente pelo mesmo problema com integrantes: O G3 e o Fruto Sagrado, ambas lançaram discos com músicas que num nível ou outro falavam dessa situação (esse disco e o Distorção do FS), e chega a ser bizarro pensar que o grupo conseguiu acertar em cheio (e não, não tem nada a ver com o fato de terem mais fama) e o Fruto falhou miseravelmente. Além é muito bem produzido, a voz de Juninho é linda demais, os arranjos baseados no rock/metal progressivo estão entre os melhores da história do rock cristão mainstream e as letras estão fantásticas, como a faixa título, “Réu ou Juiz”, “Mais Alto”, “Amanhã”, “Sem Trégua”, “Lugar Melhor” e a “Numb”, digo, “A Lição” (é, porque os arranjos dessas duas são tão parecidos em alguns pontos que eu e um amigo meu costumávamos brincar com isso [risos]). Ele e o da Tanlan mereciam muito estar em primeiro, já que foi o G3, coroado está com honras.

    Márllon: Depois de uma sequencia de álbuns puramente comerciais, o Oficina G3 fez uma mudança radical neste primeiro álbum sem o seu antigo vocalista. Após álbuns mais simples foi bom ver e ouvir a banda se arriscando em campos mais ‘intricados’ instrumentalmente falando. A voz de Juninho casou perfeitamente bem nas musicas mais lentas mas não fez feio nas mais agressivas. E tirando a música em parceria com Marcão do FS, não há música ruim nesse CD.

    Phil: Após um período tenso entre a mudança de hard rock pra pop rock com o CD O Tempo (que teve lá sua importância) e depois pra uma coisa híbrida e mal feita (Humanos), PG saiu da banda e não vou falar sobre isso; a internet tem links explicando ambos lados dessa separação. O fato é que agora o Oficina, seguindo oficialmente como trio, parecia ter retomado o caminho do Oficina. Entendam: Além do que os Olhos Podem Ver seguiu um caminho que muitos fãs de O Tempo acharam bem ruim. É lógico, a maioria da galera que se aproximou nessa época curtiu o pop, o rock tranquilo; esse álbum retornou às raízes pesadas, mas agora com ideias de metalcore, contratempos, mais distorção, e virtuosidade, então é natural que torçam o nariz. Mas, na boa? Esse era o caminho natural que o Oficina seguiria! Basta analisar o caminho feito antes da era PG. O Oficina iria ficar mais e mais pesado, cedo ou tarde. Era inevitável. Só que, acontecidos os fatos, me soou como uma redenção e o retorno da fênix (que nunca tinha morrido, só foi passear no bosque). Pra mim, é o melhor álbum de inéditas do Oficina até hoje, e é o meu preferido. As letras, por sinal, mudaram pra muito melhor, em minha opinião. Juninho Afram arregaçou nos vocais, cara! Eu prefiro ele a qualquer outro vocal que tenha passado pelo Oficina (mas compreendo que ter que cantar e ainda tocar tudo o que ele toca é difícil; que venha Mauro em 2008). E acho que falar melhor desse álbum do que desse jeito só se eu analisar faixa a faixa, e não cabe aqui. Por hora, esse é o campeão, merecidíssimo!

    Thiago: Além do que os Olhos Podem Ver marca a saída de PG e a consolidação de Juninho Afram como vocalista principal. É prog metal puro, com peso, músicas com mudanças tonais, quebras de ritmos, tudo que é característico desse estilo. Tem uma das canções preferidas minha do Oficina G3, “A Lição”, música de muito feeling e com uma letra espetacular. O desempenho dos músicos se manteve num nível alto desde a primeira faixa até a última, sem perder o embalo. Não há faixa mediana no CD. “Mais Alto”, uma das melhores do disco, é bem estruturada, pesada e tem um solo numa velocidade complexa. “Réu ou Juiz” manteve o embalo, “Meu Legado”, também uma das melhores, persistiu nos passos da energia transmitida nas primeiras canções. “Através da Porta” (introdução clássica), mantendo a qualidade de “Meu Legado”, foi inspiradora com seus bends delirantes. “Além do que os Olhos Podem Ver” (introdução clássica também), uma semibalada e uma das melhores do disco, é reflexiva com sua letra sobre saudades da eternidade. “A Lição” une feeling, reflexão e peso, “O Fim É Só o Começo”, também uma das melhores do disco, teve a participação de Déio Tambasco (perfeita, pra constar) com riffs delirantes de blues (blues é a coisa mais sentimental do mundo), é celestial. “Lugar Melhor”, uma balada intimista, é ótima, “Amanhã”, (introdução no estilo “Através da Porta” e “Além do que os Olhos Podem Ver”) une peso e guitarras harmônicas de forma muito boa. “Sem Trégua” conta com uma ótima participação do polêmico Marcão, é poderosa, “De Olhos Fechados”, com riffs harmônicos e slides na guitarra eletrizantes, “Ver Acontecer” tem uma ótima letra, e, terminando,“Queria te Dizer”, uma balada, é a canção menos boa do disco. O notável é Juninho ter mantido o ótimo desempenho nas execuções complexas nas seis cordas, nos solos regados a sentimento, bends, velocidade e técnica, e também, um ótimo papel no vocal. Duca Tambasco mostra todo o seu potencial no baixo, e Jean Carlos faz sua parte. Ótimo disco.

    Tiago: Não tem jeito, tem coisas que beiram o gosto pessoal. E para uma banda que já mudou tanto, como a Oficina G3, a missão de escolher o melhor álbum sempre será difícil. Considero Além do que os Olhos Podem Ver um dos melhores. Após um bom tempo em letargia e colhendo os frutos de seu sucesso, o trio Juninho, Duca e Jean precisou mudar a direção, rever conceitos e entregar algo bom para o público. Crise, para muitos, é terreno de boas criações, e no caso do G3 foi inspirador. Como um grupo de três de fato, os músicos assinaram quase todas as músicas, mas apoiados por Déio Tambasco e Lufe. O resultado foi extremamente positivo. Um disco em que as reflexões são bem mais articuladas, menos piegas/religiosas, além da sonoridade. Além do que os Olhos Podem Ver lhe dá a sensação de que a banda conseguiu desbravar novos sons a partir da estrutura que já tinham. Juninho se encaixou bem nos vocais.


    A lista foi compilada através de votos dos participantes. Confira, nesta página, a quantidade de votos e os discos que ficaram de fora. Desta vez, Jhonata não pôde comentar todos os álbuns.

  • Um Brinde – “Mandume”, racismo e a ótica cristã – segunda parte

    Um Brinde – “Mandume”, racismo e a ótica cristã – segunda parte

    “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou.” (Gênesis 1:27)

    “E de um só fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação;” (Atos 17: 26)

    Note que no primeiro texto não citei passagens bíblicas que dessem respaldo à minha tese. Por isso, quis começar a segunda parte com esses dois versos. Se você perdeu a primeira parte deste texto, leia aqui para entender melhor do que estamos falando. John Piper escreveu um artigo com 8 Motivos Bíblicos para Dizer: ‘Racismo Não!’, cujo texto comenta:

    “(…) Deus é o CRIADOR dos grupos étnicos. “Deus fez de um só toda a raça humana”. Grupos étnicos não simplesmente aconteceram a partir de mudanças genéticas aleatórias. Eles aconteceram pelo desígnio e propósito de Deus.”

    Vale dizer aqui que Deus não é “deus dos brancos” ou “deus dos negros”. Ele não é um orixá ou Padroeiro, Ele é o CRIADOR, único Deus e ele não escolheu um grupo étnico para chamar de filhos. Ele escolheu quem ele quis escolher e isso envolve negros, brancos, pardos, indígenas, mestiços e etc. A predestinação e escolha de Deus não envolve cor e sim graça. E como eu prometi no último texto, vou analisar algumas partes da música que considero fundamental serem pensadas por nós cristãos. Que Deus nos guie!

    “Tanta ofensa, luta intensa nega a minha presença / Chega! Sou voz das nega que integra resistência Truta rima a conduta, surta, escuta, vai vendo / Tempo das mulher fruta, eu vim menina veneno / Sistema é faia, gasta, arrasta Cláudia que não raia / Basta de Globeleza, firmeza? / Mó faia! / Rima pesada basta, eu falo memo, igual Tim Maia / Devasta esses otário, tipo calendário Maia”

    Essa parte é cantada pela lindíssima Drik Barbosa e esclarece o feminismo – não como algo patético e protestado erroneamente, mas de forma inteligente e esclarecendo que a mulher não nasceu pra ser poste e nem tapete – e o racismo. Abrindo um necessário parêntese, acho eminente entendermos que o fato das mulheres serem submissas aos seus maridos, isso não significa em nada que devem ser menosprezadas. Nós, homens, devemos entender melhor o que a Bíblia quer dizer com submissão ao marido, mas isso é assunto pra outro texto. Fecha parêntese. “Luta intensa nega a minha presença” esclarece o quanto a mulher negra ainda sofre em nosso país. Este texto nem precisaria ser escrito por alguém negro e brasileiro porque grande parte da população brasileira denomina-se negra. Mas infelizmente, isso é uma realidade nua e crua ainda.

    Uma amiga certa vez me disse que se sentia excluída nas rodas de conversas na faculdade porque boa parte da turma que estudava com ela eram brancos. O racismo nunca vai acontecer de forma bonitinha como pensamos, mas só o fato de você ignorar um negro de algo que ele deveria fazer parte, para mim, isso já é racismo. Outra vez, um colega disse que estava sendo vítima de comentários racistas na academia que ele malhava. Disse que todos os dias as pessoas ao seu redor faziam certas piadinhas dizendo: “Academia virou local pra todas as espécies agora né?” / “Rapaz, eu achava que só gente se interessava pra manter o corpo bonito“. Confesso que fiquei muito triste com isso e mais triste ainda por acontecer com alguém tão próximo de mim.

    Basta fazer uma pequena análise no seu dia-a-dia frenético e perceber o quanto o racismo está presente em nossas cidades. E você aí achando que quando um cara ou uma moça branca dos olhos azuis não sentava do seu lado na cadeira vazia no ônibus era porque não estava cansado. Não mesmo, isso tem nome e se chama preconceito. Ainda sobre a parte da Drik: “Sistema é faia, gasta, arrasta Cláudia que não raia“. Aqui é usado uma metáfora bem inteligente em referência a uma atriz famosa [Cláudia Raia] com o significado do seu sobrenome. Aquilo que raia, brilha, ou seja, tem foco, luz. Mas as milhões de Cláudia’s negras do nosso país, como são vistas? (fica a pergunta no ar)

    “Respeito, não vão ter por mim? Protagonista, ele preto sim / Pelo gueto vim, mostrar o que difere / Não é a genital ou o “macaco!” que fere / É igual me jogar aos lobos / Eu saio de lá vendendo colar de dente e casaco de pele”

    Há algumas semanas atrás, a atriz Taís Araújo sofreu racismo após publicar uma foto no Facebook e isso reacendeu o debate sobre o tema no país. O mais intrigante nisso tudo, através do trecho cantado pelo Amiri mostra com é que se fala tanto em “direitos humanos” para proteger bandidos e esses mesmos direitos não embasam em nada aqueles que são vítimas de tal preconceito. E o respeito ao próximo? E eu sempre costumo dizer a esse tipo de gente: Já que sua cor é tão bonita, não precisa falar. Mas sem se deixar abater por esses comentários, o conselho que deixo é: Mantenha a classe e honre suas raízes. Você é negro sim, mas isso não é nenhum defeito. Não há nada de errado com você. O que há de (muito) errado é com os preconceituosos que estão naquela de querer dividir o mundo por cor.

    “Meme de negro é: me inspira a querer ter um rifle Meme de branco é: não trarão de volta yan, Gamba e Ringue”

    Essa é a parte do Rico Dalasam e infelizmente só mostra como a sociedade nos rotula: Negro é sinônimo de bandido e branco, intelectual. O meu protesto é: Vamos lutar contra o racismo. Não com armas e nem com xingamentos, mas de forma passiva mostrando que não precisamos abaixar a cabeça e nem se sujeitar a humilhações pela nossa cor, pois nós somos iguais, amados por Deus tremendamente como qualquer outra pessoa de qualquer grupo étnico. Na próxima semana, trago a parte final do texto com a continuação da música. Um brinde!

  • Análise: CD Acústico e ao Vivo 2/3 – Rosa de Saron

    Em Acústico e ao Vivo 2/3, Rosa de Saron relembrou músicas de álbuns gravados após o primeiro acústico e com a seguinte divisão: Horizonte Distante (5 músicas), O Agora e O Eterno (4 músicas), Latitude, Longitude (2 músicas), Cartas ao Remetente (6 músicas) e inéditas (2 músicas). Mesmo assim, esperava que outras músicas estivessem presente no DVD e CD, como “As Horas”, “Até o Fim”, “Acenda a Luz” e “Vinte e Seis”, mas as inéditas, com certeza, preencheram todas as lacunas que poderia incomodar o ouvinte quanto ao repertório.

    Mesmo sendo um disco composto, em grande parte, por regravações, a banda conseguiu imprimir um conceito, tanto em termos de musicalidade, no teor gótico e trovadoresco dos arranjos. A orquestra que acompanhou os músicos e os backing vocals soaram totalmente conexos com a proposta do álbum.

    Se aparece pela segunda vez em um álbum da banda e novamente ao vivo. As mais conhecidas e queridas pelo público apareceram em uma roupagem diferente, como se fossem inéditas: Mais que um mero poema e Menos de Um Segundo. O disco também reserva participações especiais que enriquecem o produto final. Em Casino Boulevard, o padre Fábio de Melo dividiu os vocais com Guilherme. A inédita Incompletude teve a participação ilustre do violinista Lucas Lima. E em Dias Assim, o convidado foi Jonathan Correa, vocalista da banda Reação em Cadeia. Em mais de vinte e cinco anos de carreira, os músicos do Rosa de Saron estão em total forma.

  • TOP 10 – músicas sobre a vaidade

    A vaidade consiste em uma estima exagerada de si mesmo, uma afirmação esnobe da própria identidade, e infelizmente pode atingir a todos. Esta questão foi tratada em muitas das músicas cristãs, e por isso decidimos trazê-las aqui no O Propagador. Confira.

    [tabs]

    [tab title=”10º”]

    O que não Precisa – Resgate

    Abrindo a lista, temos “O que não Precisa”, da banda de rock Resgate. A faixa alerta o esquecimento das coisas de Deus, atentando-se para questões passageiras deste mundo. (2012)

    [/tab]

    [tab title=”9º”]

    Tudo o que eu Preciso – Nívea Soares

    O nono lugar é de Nívea Soares, com “Tudo o que eu Preciso”. Do álbum Reina Sobre Mim, esta canção é uma oração, a qual pede que Deus venha tirar o foco das coisas deste mundo e que neguemos a nós mesmos. (2003)

    [/tab]

    [tab title=”8º”]

    Tudo Passa – Rebanhão

    Escrita pelo cantor Carlinhos Felix, “Tudo Passa” abre a discografia do Rebanhão nos lembrando que “tudo neste mundo é ilusão”, e que, mesmo dias, meses e anos passando, Cristo nunca passará. O músico ainda canta que Cristo “é tempo sem perder”. (1981)

    [/tab]

    [tab title=”7º”]

    Quem Sou Eu? – PG

    Embora se trate de uma versão do Casting Crowns, “Quem Sou Eu” foi um sucesso importante na carreira de PG. Sua letra é uma reflexão do quão pequenos, frágeis e tolos que somos, sem poder para controlar tudo ao nosso redor. Deus, ao contrário de nós, não é passageiro. (2007)

    [/tab]

    [tab title=”6º”]

    Vaidade – Hibernia

    A maior parte do repertório da banda Hibernia é composto por canções introspectivas e extremamente reflexivas. “Vaidade” não foge deste padrão, e analisa a prevalência da transitoriedade a qual lidamos todos os dias, além da nossa vontade constante de ter coisas fúteis. (2009)

    https://www.youtube.com/watch?v=_GhhqSpO_cg

    [/tab]

    [tab title=”5º”]

    Milímetro – Daniela Araújo

    Canção que abre a carreira solo de Daniela Araújo, “Milímetro” é uma reflexão sobre a brevidade da vida, tão curta em relação à tudo em nosso redor. E, de tempos em tempos, seres nascem, seres morrem, num ciclo de repetições. (2011)

    [/tab]

    [tab title=”4º”]

    Senhor do Tempo – Paulo César Baruk

    Uma reflexão acerca dos nossos dias tão frenéticos, e as vezes, cada vez mais distantes do Criador, “Senhor do Tempo” é uma das melhores canções na carreira de Paulo César Baruk. O clipe para esta canção alcançou alta popularidade, tendo mais de um milhão de visualizações, e foi feito em relação ao conceito gráfico do álbum Entre. (2013)

    [/tab]

    [tab title=”3º”]

    Vaidade – Tanlan e Marcos Almeida

    A medalha de bronze vai para a banda Tanlan, com a participação do cantor Marcos Almeida. “Vaidade” explora justamente as definições deste conceito, mas, de forma esperançosa, afirma que “a vida ainda vale a pena” e que a busca pela realidade o levou até a este ponto. (2012)

    [/tab]

    [tab title=”2º”]

    Tudo é Vaidade – João Alexandre

    João Alexandre é notável por afirmações e canções polêmicas, sem a menor pretensão de agradar egos, abordando verdades bíblicas. “Tudo é Vaidade” é uma união de várias críticas, desde a valorização do dinheiro, a prosperidade até tudo que dê ar de superioridade ao ser humano, afirmando que tudo isto é vaidade. No final, o cantor apresenta um trecho da canção “Palácios”, um clássico do Rebanhão. (2000)

    [/tab]

    [tab title=”1º Lugar” icon=”trophy”]

    Vaidade – Heloisa Rosa

    O primeiro lugar vai para a cantora Heloisa Rosa, com “Vaidade”. O mundo cada vez mais frenético e acelerado. Os anseios consumistas nos fazem que, de tempo em tempo, busquemos por coisas que realmente não precisamos. “Vaidade” vai exatamente neste tema, com o clamor de que Deus nos atraia para perto dEle e longe dos propósitos deste tempo. (2008)

    https://www.youtube.com/watch?v=_uD7m8zfaVs

    [/tab]

    [/tabs]

    O que achou deste nosso TOP 10? Conhece mais canções acerca deste tema? Comente e compartilhe com todos, sua opinião é importante!

  • Rocklogia – Desafios para o novo movimento

    Fico muito feliz sempre quando vejo algum músico do novo movimento divulgando um dos primeiros textos que escrevi para a Rocklogia em 2014, sobre o assunto. E fico mais satisfeito ainda quando muitos cristãos veem, nestes artistas, questões muito interessantes sobre os desdobramentos do segmento evangélico no país (por seus lados bons e ruins).

    Mas antes de tudo, eu preciso dizer que não acredito mais na existência do novo movimento da mesma forma com a qual disse naquele texto. Acredito que um movimento, com contexto e raízes históricas, nos dias de hoje, não existe. Sim, existe a ideologia, mas o movimento não. E naquele texto, fiz uma confusão, pois não diferenciei o novo movimento como movimento e o novo movimento como ideologia.

    Confesso que os meus conceitos estão mudando conforme me aprofundo no assunto que, aliás, é ainda bastante complexo. Vejo que o contexto para a existência deste “movimento” já passou, e foi na década passada. Este pano de fundo foi quando os mais esclarecidos já observavam os rumos errados do chamado “meio gospel” e cresceu a falta de identificação ao “rock gospel” (toda aquela estrutura de eventos e gravadoras e a crescente letargia lírica). Sem falar nos fóruns cristãos, cheio de pessoas em busca de novidades que fugissem o lugar-comum. Nisso, o campo estava formado para novas ideias. E, particularmente, acho que de 2011 para cá, as ideias sobre um movimento foram esvaziadas. Se tudo é novo movimento, logo novo movimento não significa nada. O termo crossover, definido como um sinônimo, entrou no vocabulário dos diretores de gravadoras, artistas de vários gêneros, e a discussão, que antigamente era muito mais profunda, parece ter se limitado a discutir o possível alcance mercadológico da música produzida por esses músicos.

    Em contrapartida (uma divagação pessoal), parte do que alguns gostam de chamar de “pós-gospel” (estes artistas mais novos que tem despontado de uns quatro anos pra cá), para mim, não é nada mais do que um “gospel” que certas pessoas querem vender (ou simplesmente divulgar) como música popular. Então, particularmente, não creio que um novo movimento, organizado e concreto, exista hoje.

    E dentre os remanescentes do movimento, com o passar dos anos, alguns artistas procuraram embasar todo aquele descontentamento verbalizado em músicas por correntes teóricas. Foi aí que os nomes de Rookmaaker, por exemplo, caíram como uma luva para estas propostas. Naquele momento, a questão musical tornou-se muito mais ideológica (uma perda enorme, diga-se de passagem). Estas teorias bebem da fonte de clássicos da antropologia e sociologia nacional. Ver um músico cristão citando Sérgio Buarque de Holanda, por exemplo, é algo muito incomum para o que temos visto nas últimas décadas. Mas, ao mesmo tempo, é preciso lembrar que o chamado ‘gospel’ (nada mais do que um rótulo bizarro surgido no início dos anos 90) é um mercado com letras maiúsculas: está muito bem articulado, forte e segmentado. Transitar entre os meios ‘populares’ e neste espaço, dependendo da forma como se é proposto, não faz sentido algum. Reforçando: Vejo que a proposta essencial do novo movimento era de questionar, proporcionar alternativas, restaurar o sentimento de muitos artistas cristãos aos tempos que antecederam o movimento gospel. Afirmar, ou utilizar-se do novo movimento como mera ideologia de mercado é usar de um reducionismo muito inocente.

    Mas, se o questionamento é de fazer uma música que provoque identificação para um público religioso e não-religioso, a questão fica ainda mais tênue e difícil. É impossível? Tenho a absoluta certeza que não. É interessante para o mercado gospel? Tenho a absoluta certeza que não. Mas, considerando que fosse, diria o seguinte:

    O preconceito, talvez, é a chave de toda a dificuldade de transitar entre o ‘gospel’ e o ‘secular’, o ‘profano’ e o ‘sagrado’. O crescimento dos evangélicos na população, o surgimento de todo um meio específico e segmentado para este público, ilhou e destruiu a maioria das pontes possíveis. Nos anos 70, era normal Wolô e Ozéias de Paula serem produzidos por Ângelo Apolônio (Poli). Nos anos 80, era normal o Rebanhão gravar com Jessé Sadoc, um dos melhores trompetistas do Brasil, trabalhar com Amaro Moço, engenheiro de gravação responsável por discos da Legião Urbana, Paralamas do Sucesso e Martinho da Vila. Era normal serem produzidos por Paulo Debétio, que trabalhou em diversos discos para a Polygram nos anos 80 e gravar uma composição de Tutuca Borba, tecladista/pianista do cantor Roberto Carlos. Sem falar na dupla Edson e Tita, que tocam até hoje com medalhões da MPB. Era totalmente aceitável Carlinhos Felix gravar com Paulinho Guitarra, um dos mestres da guitarra no Brasil. Mesmo após o início do chamado movimento gospel, não era estranho Resgate e Katsbarnea trabalhar com Paulo Anhaia e Rick Bonadio, este último que se tornou nacionalmente conhecido produzindo os Mamonas Assassinas, e até hoje é um produtor musical extremamente notável. Mais recentemente, ocorreu a ascensão de Dudu Borges no cenário sertanejo e como um dos produtores musicais mais caros do país, e sua consequente saída do Resgate fomentou novas discussões. Vi, por várias vezes, pessoas acusando-o de falso cristão, mercenário, ou coisas do tipo. Curiosamente, quando é entrevistado por grandes mídias, sequer citam que, por dez anos, trabalhou com o Resgate (sendo seis anos como integrante), e, no máximo, diz que gravou com músicos do gospel. Por que? Pela “aparelhagem” do meio. E, mesmo querendo ou não, introduzir-se neste mercado obriga o artista a abrir mão de várias coisas. No ‘gospel’, há regras, linguajar e propostas específicas e que dificultam muito o diálogo com qualquer meio que não seja o seu. Eles, com razão, não entendem o que nós produzimos.

    Em 2012, tivemos três coisas interessantes: Uma delas foi o discurso tido, por um portal de música não-religiosa, como confuso do álbum Sobre o Mesmo Chão, as fortes críticas do disco Este Lado para Cima e as polêmicas de Zé Bruno acerca de sua insatisfação com o meio gospel. Esses acontecimentos e registros reiniciaram uma discussão que precisa ser trazida constantemente para o nosso meio. Para questionar os que dizem que tudo é válido, questiono: Será que, realmente, esta popularização do gospel no mercado é real e benéfica? Será que, como evangélicos, as pessoas não tem sido apenas usadas e manipuladas como consumidores fiéis de produtos originais? Será que vale a pena renegar a cultura brasileira, a crítica, a alma artística, tão valorizada em clássicos dos anos 70 e 80, para importar e copiar, irracionalmente, o pop-rock-Hillsong-Gateway-Masterizado-No-Sterling-Sound nos anos 2010? Será que trazer de volta os clichês “Jesus-luz”, “Jesus-cruz” e “Jesus-conduz” não é cuspir em todo o esforço que cristãos das décadas anteriores tiveram para tornar a música feita por evangélicos mais criativa e menos caracterizada como mera propaganda fútil? Seja qual a resposta, é importante refletir.

    Por isso, talvez seja interessante bandas e artistas pensarem se o mais válido, no momento, seria se livrar de toda a estrutura e associação com o chamado meio “gospel” que, pelo menos em minha visão, representa todo o oposto do que querem fazer. Ou então, tentarem, à sua maneira, transformar o mercado, pois em seu estado atual, qualquer proposta de transgressão ao rótulo é impossível e desinteressante para toda a sua estrutura. Até porque, se definir adepta ao novo movimento e ter toda a sua agenda dedicada ao meio gospel é, no mínimo, incoerente.

    Antes do final, eu preciso pontuar algo que eu venho observando: é necessário também, aos grupos que conseguirem contratos com gravadoras, explicitar o que realmente se propõem a fazer. Um caso: há uns meses, estava visitando a página do selo gospel da gravadora Sony Music Brasil e notei que a Tanlan, por exemplo, estava sendo chamada, em um post, de “pop rock gospel”. Só que Tanlan é uma banda de rock alternativo, não de pop rock (engraçado que no Brasil, tudo é pop).

    Portanto, acima e independentemente de tudo, sigam fazendo o que todos os bons músicos fizeram e fazem: música com arte. Daqui a algumas décadas, veremos no que deu tudo isso.