Ele é um dos grandes nomes da música cristã nacional. Dono de uma voz privilegiada, de técnica vocal apurada e talento natural para composição, Leonardo Gonçalves é sucesso de público e crítica. Em vias de lançar “Princípio”, seu primeiro DVD, o cantor fala com exclusividade ao PROPAGADOR sobre sua história, inspiração, projetos, família, trabalho, sonhos e fé.
O PROPAGADOR – Você é de uma família musical. Seu pai foi integrante do Arautos do Rei, o maior grupo vocal do Brasil e seu tio, Williams Costa Júnior, é um grande e reconhecido produtor musical. Você sempre sonhou em trilhar o caminho musical, ou a música foi um sonho mais tardio?
A música na verdade nunca foi um sonho pra mim. É verdade que desde o ventre da minha mãe fui exposto a música de qualidade e desde muito cedo (com 5 anos de idade) tive aulas de música, mas, especialmente onde cresci, isso fazia parte de uma educação geral; ter aulas de música não era algo “profissionalizante”, mas algo que deveria me ajudar a constituir-me gente, no sentido mais amplo. Estudei Viola da Gamba por 7 anos (dos 7 aos 14), mas sempre fui um instrumentista muito limitado; não tinha e não tenho facilidade pra coisa. Foi quando comecei a cantar que “me descobri” na música. E, dado meu background, comecei até a cantar relativamente tarde, com 15 anos de idade, já no Coral Jovem do IASP e no grupo Tom de Vida.
Já escrever, sempre foi algo que fez parte da minha vida. Comecei a tentar minhas primeiras narrativas com 7 anos de idade e a partir dos 13 anos não lembro de um tempo em que não escrevi. E foi aos 11 anos de idade que decidi que eu queria estudar Literatura e lecionar. Cheguei a me formar em Letras, mas o chamado para a música e para o ministério acabou sendo mais forte.
O PROPAGADOR – Musicalmente, quem te inspira? De onde vem suas referências musicais?
Primeiro acho que temos separar “inspiração” de “referência”. Já me compliquei por confundirem as duas coisas, rs. Vamos mudar “referência” para “influência”, pode ser?
O que me inspira é o Eterno; e meu relacionamento com Ele; as angústias e as certezas que provém deste relacionamento. Em segundo lugar: Sua criação; e meu relacionamento com Sua criação e Suas criaturas. Viver é algo extremamente inspirador. Mas na medida em que você se conhece e reconhece o plano dEle para você e para a humanidade, isto também é extremamente desconcertante. Mas esta tensão entre o que é e o que deveria ser é uma fonte inesgotável de inspiração.
Quanto a influências musicais… Antes de citar coisas específicas, quero explicar um conceito que creio explicar não somente como penso, mas também muitas de minhas decisões em relação ao que eu escuto: Eu creio que, da mesma maneira que não existe um ser humano que é 100% bom, também não há, sobre a face da terra, nenhum ser humano que seja 100% ruim. Nós cristãos muitas vezes temos a mania de descartarmos uns aos outros inteiramente por causa de, às vezes, uma só coisa. Queremos muitas vezes encontrar na vida ou na intenção de alguém confirmação ou segurança de que o que esta pessoa faz (artisticamente) é bom ou “do bem”. Só que qualquer vida que for analisada sempre terá suas falhas; e acho muito perigoso começarmos a dividir se esta ou aquela falha é, para nós, aceitável ou não; quais falhas são “menores” e quais “maiores”. Quanto às intenções… Diz o ditado popular que “de boas intenções o inferno está cheio”; e ao mesmo tempo que, às vezes não intencionalmente, fazemos coisas ruins, eu também creio que, às vezes sem nos apercebermos disso, podemos fazer coisas muito boas, verdadeiramente inspiradas.
Além disso: se há criatividade, se há profundidade, se há beleza, se há elevação de alma, como não atribuir isto ao Eterno? Como alguém poderia fazer estas coisas se não pela capacidade que Ele lhe deu? Entendo que para muitos cristãos estas afirmações sejam extremamente complicadas. Por um lado, há muitas pessoas que não se querem dar ao trabalho de refletir, e há muitos cristãos que sequer buscam um nível de auto-consciência que lhes permita o mínimo de auto-análise. E muitas destas pessoas preferem respostas prontas, fáceis, ou melhor: alguém que lhes diga o que ouvir e como ouvir. E por outro lado há aqueles que temem o que pode acontecer se cada um pensar por si, e a que conclusões cada um chegará baseado em suas próprias reflexões e que não teríamos como administrar ou controlar isto. Já eu creio que Ele dotou a cada um de nós de inteligência e de capacidade de reflexão. E não fazermos uso dela chega a ser um insulto a Quem nos criou.
Talvez alguns não compreendam o porquê de uma “introdução” tão longa a uma pergunta tão simples. Fato é que, se Wolfgang Amadeus Mozart vivesse hoje, em uma época de instagram e Facebook, talvez a grande maioria dos cristãos o desprezasse enquanto ser humano e descartasse toda sua obra. Não apenas a “secular”, mas também a “sacra”. Até porque seria difícil aceitarem que uma pessoa com hábitos tão desprezíveis fosse capaz de produzir qualquer coisa sublime. Mas a verdade é que o Criador não nos usa por sermos bons, mas o fato de sermos usados por Ele é o que nos torna bons, apesar de não o sermos. E também há, como mencionei anteriormente, o fato que Ele criou a TODOS NÓS (não apenas aos cristãos) à Sua imagem e semelhança. E por mais que o pecado nos deteriore, não há como nada apagar esta centelha do divino que há em cada um de nós. E eu prefiro procurar esta centelha não apenas na arte, mas também nos meus relacionamentos com outros seres humanos.
Sei que mesmo depois desta longa explicação há quem cite Tiago 3:11: “Porventura deita alguma fonte de um mesmo manancial água doce e água amargosa?” Basta ler o texto todo pra entender do que o autor fala: “Mas nenhum homem pode domar a língua. É um mal que não se pode refrear; está cheia de peçonha mortal. Com ela bendizemos a Deus e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma mesma boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que isto se faça assim. Porventura deita alguma fonte de um mesmo manancial água doce e água amargosa?” (Tiago 3:8-11) Veja que em nenhum momento ele diz que não é assim; ele diz que todos nós deveríamos fazer de tudo para que não fosse assim, embora esta seja –ainda– nossa realidade. Hoje busco separar ao máximo da minha capacidade o artista de sua obra; e me contento em avaliar e desfrutar da obra, sem ter que avaliar e julgar o artista.
Vamos, então, às minhas influências musicais. Ouço realmente muita coisa diferente. Tenho mais de 1.000 cds em casa, fora as bibliotecas digitais e/ou virtuais. Tem sempre algumas coisas que estou ouvindo atualmente –e entre estas eu citaria Os Arrais, Noah Gundersen, The Brilliance, Andy Gullahorn, Bon Iver, Josh Garrels, Leeland, etc.– coisas que já passaram pelo “teste do tempo” e que sempre volto a escutar –como Bach, Tschaikovsky, Cindy Morgan, Radiohead, Michael Jackson, Justin Timberlake, Peter Gabriel, Sting, João Alexandre, Coldplay, etc.– e ainda tem as coisas que eu escuto “profissionalmente” (porque de alguma maneira participo da produção destas coisas) que também tem um grande impacto no meu trabalho, como Daniela Araújo (hoje, de longe, minha maior influência), Oficina G3, Felipe Valente, etc.… e tantos outros que eu nem saberia citar.
O PROPAGADOR – Você já morou em alguns países mundo afora. Essa experiência internacional influenciou na sua música? Quais as diferenças você enxerga entre a música evangélica produzida aqui e lá fora?
Bem… na Europa foi onde morei mais tempo e lá quase não há produção de música cristã expressiva, como nos EUA ou no Brasil. Curiosamente entrei em contato, mesmo, com a música cristã dos EUA depois de voltar a morar no brasil, por influência dos meus primos brasileiros que entendiam tudo do mercado de música cristã americana, rs. Eu acho que em muitos sentidos diferentes, ter morado fora por tanto tempo me influenciou e influencia. A começar pelo fato e saber que em outros lugares os hábitos são diferentes –e que isto nada tem de superior ou inferior– me faz rejeitar qualquer conceito de normatização. Outra coisa é que minhas influências vocais quase todas não são brasileiras e que por isso, naturalmente, eu aspirava a um tipo de voz que não era muito comum por aqui, quando eu comecei a cantar.
Agora a principal diferença que enxergo é do mercado, mesmo. O brasileiro é diferente e por isso a música brasileira é diferente. E por muito tempo, também, o mercado fonográfico de música cristã no brasil era tão pouco rentável que não tinha como se investir muito dinheiro em produção. E isso acabou influenciando tanto o gosto do público como também a produção em si. Tenho dados de 2 DVDs de pagode –que dizem ter como público-alvo as classes C e D à semelhança da maioria dos evangélicos no Brasil– em que foram investidos em torno de 2.500.000,00R$ na produção de cada um deles. A média das “grandes” produções evangélicas é o dízimo disso. Mas o público evangélico parece não se incomodar com isto.
O PROPAGADOR – Em entrevista concedida há alguns anos, você declarou que descobrir sua ascendência judaica foi o que te levou às pesquisas que acabaram culminando no “Avinu Malkenu”, lançado em 2010. Como foi essa experiência de lançar um trabalho no idioma de Cristo e de seus antepassados? O fato de se descobrir judeu, em algum momento foi fator de impedimento ou preconceito no meio musical?
Olha… há tanto preconceito no mundo que acho difícil a gente, quando sofre preconceito, saber o porquê, no momento em que sofre, rs… Não lembro de nenhuma situação em que eu tenha ficado com esta impressão, no entanto. Uma pequena correção: os estudiosos crêem que Jesus e seus discípulos falavam Aramaico; mas a língua dos cultos e da Bíblia de sua época era o Hebraico, claro. No cd há uma canção em Aramaico; o resto é em Hebraico, mesmo. A experiência foi incrível. Indizível, na verdade. O tanto que aprendi e continuo aprendendo a respeito do Novo Testamento, quanto mais eu mexo com a cultura judaica, não tem palavras. Não poderia nem citar um exemplo apenas e acho que só este assunto mereceria uma entrevista completa, rs.
O PROPAGADOR – Há alguns anos você disse em entrevista que estava preparando um disco em inglês totalmente com músicas inéditas. Mais tarde, no “Princípio e Fim”, você gravou “There”. Esse projeto ainda existe? A carreira internacional é o próximo passo?
Gravar um cd em Inglês é uma coisa; carreira internacional, outra, rs. Tenho muita vontade de gravar um álbum em Inglês, mas não sei se eu teria condições de fazer disso uma carreira. Já não tenho nem mais idade nem condições de fazer o necessário para fazer uma carreira internacional “virar”. Teria de me mudar pra lá, correr risco de perder meu público aqui, por algo que não somente é incerto mas até improvável. Encaro meu possível projeto em Inglês como o fiz com meu cd em Hebraico: como um projeto paralelo que me dará a oportunidade de explorar coisas artisticamente que não posso no meu trabalho principal que é em Português. E continuo sonhando com isso. Mas sem nada concreto.
O PROPAGADOR – Você é aclamado como uma dos melhores cantores da música cristã nacional, não apenas por sua alta técnica vocal como também pela qualidade musical de seus discos. Isso pesa na hora de produzir novos projetos? Como você lida com a alta expectativa que o público e a crítica criam em torno de seus trabalhos?
Nenhum público e/ou mídia poderiam colocar sob meus ombros uma pressão maior do que minha família e amigos –mesmo sem saber disso– colocam. E nem eles conseguem colocar uma pressão maior do que simplesmente esta: que Ele espera o meu melhor; e que qualquer coisa menos do que o meu melhor seria um insulto a Ele. Então não estou “competindo” com ninguém. E nem com meus trabalhos anteriores. Mas estou sempre em busca de dar o meu melhor. Stravinsky sempre respondia à pergunta de qual sua maior obra da seguinte maneira: “A próxima.” Mesmo que não seja verdade, gosto de pensar assim.
Eu sempre avalio o meu trabalho levando em consideração 4 itens: arte, produção, conteúdo teológico e conteúdo espiritual. E quero fazer o melhor nas 4 áreas, de preferência de maneira equilibrada. Os arranjos, as melodias, as letras, a interpretação, tudo que diz respeito à arte precisa ficar o mais bonito possível; a produção precisa ser a melhor disponível, com mais clareza e menos ruído entre o ouvinte e eu; o conteúdo das letras precisa ser relevante, teologicamente atual e correto (e tenho com quem discutir todas as idéias antes de gravá-las), além de apresentado da forma mais bela possível; e com tudo isso não pode faltar o ingrediente principal: a “unção”. E não é fácil dar 100% em todas estas áreas equilibradamente. E estou longe de conseguir fazê-lo. Mas vou morrer tentando…
O PROPAGADOR – Você faz uma música que definitivamente não é popular, no entanto, você conseguiu popularidade e reconhecimento do grande público. Isso é surpresa, visto que você não se enquadra no padrão do gospel mais acessível?
Foi uma grande surpresa pra mim. E continua me surpreendendo aonde o aprouve ao Eterno levar minhas canções e minha voz. Nunca esperei muita coisa, mas realmente é surpreendente, levando tudo em consideração. Mas há pelo menos uma tentativa de explicação: especialmente no começo do meu trabalho, quem me escutava muito eram os músicos; de bandas, de igreja, etc… Aliás, muitos falaram que meu (primeiro cd) não “daria certo” porque eu estava fazendo música para músicos. Não sei se isto é verdade, mas fato é que há músicos em todas as igrejas; e eles são formadores de opinião. E tenho certeza que esta foi uma das maneiras que o Senhor encontrou para tornar meu ministério viável.
O PROPAGADOR – Você é adventista e os artistas da igreja costumam ter maior reconhecimento junto aos membros da própria IASD. Você, no entanto, especialmente a partir do enorme sucesso de “Getsemani” expandiu essas fronteiras, passando a ter sua música tocada em todas as igrejas. Ministerialmente, o que isso significa pra você?
Em primeiro lugar isto significa que canto em eventos muito diferentes, de tamanhos e estruturas muito diferentes e em praticamente todas as denominações. E gosto disso e acho que me adapto bem a isso. Mas isso também significa que eu não preciso me preocupar em agradar apenas um grupo de pessoas, me dá uma independência incrível nas decisões que, por causa disso, sou capaz de tomar, ministerialmente.
O PROPAGADOR – Há algum tempo, você participou de um show do cantor Ed Motta. Como foi isso? E as reações do seu público a essa parceria? Você acha que o público cristão está pronto a digerir esse tipo de intersecção entre o gospel e o secular?
Foi ótimo. Foi demais! E o fiz baseado no que eu escrevi naquela resposta às influências e referências musicais. Com certeza o Ed foi a primeira pessoa que eu vi cantar no estilo que eu queria cantar em língua Portuguesa. E passei incontáveis horas analisando e imitando seu jeito único de adaptar a sonoridade do soul a esta nossa língua. Pra mim a parte mais legal não foi nem cantar com ele e, sim, conhecê-lo pessoalmente e poder trocar figurinhas com ele. Quanto à reação do público… De maneira geral os músicos gostaram muito. Tanto do reconhecimento do Ed quanto do que rolou musicalmente, mesmo. Mas sem sombra de dúvidas o público cristão NÃO está pronto para digerir este tipo de coisa. Literalmente graças a D-S eu não dependo de nenhum público específico. E não preciso agradar a nenhum público especificamente. E por isso posso fazer o que Ele colocar no meu coração sem ter que medir tanto as conseqüências. ABSOLUTAMENTE não me arrependo. E com certeza faria tudo igualzinho.
O PROPAGADOR – Sobre o DVD “Principio” que está prestes a ser lançado, quais são as novidades que o público pode esperar? Como foi a experiência gravar um DVD pela primeira vez? Quais foram os principais desafios?
O principal desafio foi participar de uma produção desta magnitude. E senti demais a pressão disso, no dia, na hora do “vamu ver”. E é um peso financeiro, mesmo. Pelo menos na minha cabeça funciona assim. Num cd em estúdio, eu posso insistir e refazer quantas vezes eu quiser, até ficar do jeito que eu acho que pode e deve ficar. E com a ajuda da Dra. Blacy Gulfier eu fico seguro de que vou conseguir chegar no resultado que eu quero.
Já no ao vivo… com todo o investimento feito, se eu ficar doente, já era! E fiquei tão louco com isso que uma semana antes, eu realmente fiquei doente. Com febre e tudo. Claro que eu poderia refazer, depois, minha voz, mas tomei a decisão consciente de me expôr, de ser vulnerável e até mesmo quebrar este “mito” que vocês mencionaram antes de “um dos melhores cantores da música cristã nacional”. Sei que haverá comentários especialmente em uma ou outra música, mas já estou mais bem resolvido com isso e oro para que não seja um ruído para a transmissão da mensagem; e hoje até creio que isso pode ajudar na transmissão desta mensagem.
Um exemplo: bem no meio da programação teve uma música em que fiquei emocionado; chorei, mesmo, durante a música do começo ao fim, praticamente. Até entendo que isso possa ficar legal, no DVD, porque foi algo muito do momento e um momento realmente muito especial pra mim. O problema é que depois que você chora, a voz muda. E sempre pra pior. Quem trabalha com voz sabe disso. E minha voz CLARAMENTE esteve pior depois desta música. Justamente nas músicas pelas quais o público mais espera que são “getsêmani”, “Ele vive” e “novo”. Eu só espero que a força da mensagem não diminua por causa disso. Porque usamos 90% do que foi gravado no segundo dia de gravação do DVD (que foi 3a feira, dia 11.06.2013).
O PROPAGADOR – Seus discos sempre tiveram a presença marcante de uma orquestra. “Principio e Fim”, inclusive, teve toda a orquestração gravada em Praga. No DVD “Princípio”, no entanto, você optou por uma banda de base e apenas a canção “Getsemani” teve um grande back vocal. Qual o motivo por optar por essa abordagem aparentemente mais simplista de sua música?
Se eu colocasse orquestra eu ia ter que fazer overdub. Gravação ao vivo de orquestra nunca funciona. Tem que gravar antes ou depois. Ou investir 2.000.000,00R$. Gravar um cd com banda, do ponto de vista técnico, é mais simples e mais viável. E eu teria como garantir que realmente fosse tudo ao vivo. Além disso, uma das coisas que mais inspiram a criatividade é limitação e vulnerabilidade. Conscientemente escolhi me limitar e, desta maneira, me forçar ainda mais a escolher os músicos certos, a elaborarmos os arranjos certos, os timbres certos, etc.… Enfim… Com apenas 4 músicos em cima do palco, todo mundo se sente nu. Ninguém pode se encostar em ninguém em nenhum momento. Tem que dar 100% o tempo todo. E na mix dá pra escutar exatamente o que cada um tocou o tempo inteiro. Cada um em seu lugar. Se você escolhe os músicos certos, esse tipo de pressão revela o melhor de cada um… E creio que conseguimos captar isso. Mas, de fato, pela falta de orquestra neste DVD algumas canções tiveram de ser deixadas de fora…
O PROPAGADOR – Sua esposa, a Daniela Araujo, está participando do DVD em dois momentos. Como é essa parceria musical entre vocês?
Nossa… Tá aí outro assunto que dá uma entrevista inteira. Nós 2 somos movidos por Amor a duas coisas: a D-S e à arte que reflete esse D-S. Nada nos fascina mais, nada nos empolga mais. Nada nos emociona mais. Mas nossas semelhanças terminam por aí, rs… Somos pessoas fundamentalmente diferentes na nossa aproximação a estas coisas. E, de alguma maneira, o Eterno nos dá a capacidade de usarmos isto em nosso favor e para Sua glória.
Ela é extremamente competente em áreas em que tenho dificuldade e vice-versa. Infelizmente nem sempre podemos aproveitar o melhor um do outro, porque o meu trabalho me consome muito e o trabalho dela também consome muito a ela. Mas das 3 músicas inéditas deste DVD duas são dela, além da música de trabalho “sublime” (que eu já havia gravado no cd “princípio e fim”, mas que nunca havíamos trabalhado)… Mas se ela não estivesse tão envolvida com seu cd “Criador do mundo” tenho certeza que ela teria ajudado ainda mais nos arranjos; ela é uma arranjadora incrível.
O PROPAGADOR – Você faz planos para sua carreira? Se pudesse escolher, como gostaria de ver seu ministério daqui a dez anos?
Puxa… Pergunta muito difícil. Sinceramente? Daqui a 10 anos eu gostaria de ser professor, dar aula e cuidar dos meus filhos (que espero que até lá eu já tenha). É um grande privilégio poder tocar e alcançar a vida de tantas pessoas através da minha voz e música; mas o impacto que um professor de língua materna tem sobre a vida de seus alunos também é inestimável e, sinceramente, me atrai muito mais do que “os palcos da vida”. E também é um ministério.
Mas vou continuar cantando e gravando cds enquanto aprouver a Ele… E é fácil constatar que é esta a vontade dEle pra mim, porque, muito embora eu seja um PÉSSIMO administrador da minha carreira, minha música e arte continua sendo viável. E enquanto ela o for, creio que é da vontade dEle. E se este é um método ruim de determinar qual a vontade dEle, tenho certeza que Ele me mostrará, rs.
Mas morro de medo de amar mais meu ministério ou a vida que levo do que o próprio Senhor. E quero fechar com uma paráfrase de Os Arrais: “me dê os bens que de imediato eu possa abandonar”; e eu digo: “não me dê nada, Senhor, sem o qual eu não possa viver; nem ministério, nem carreira, nem voz, nem nada!” E digo isso com a certeza de que, se eu perdesse minha voz num acidente e nunca mais pudesse cantar, eu encontraria uma outra maneira de servir ao Senhor, ajudando no estabelecimento de Seu Reino; e por mais triste que isto fosse para mim (perder a voz), Ele me bastaria, e saber que sou dEle.




Deixe um comentário