Hoje, continuarei falando da banda Simonami. Diga-se de passagem, os caros leitores já perceberam o quanto admiro a banda, certo? OK. Além de falar desse grupo, vou tratar de um tema que eu nunca tratei antes: suicídio. Talvez por ser um assunto muito delicado, ou por eu achar bem longe da minha realidade, neguei-me a escrever sobre isso por tanto tempo. Mas hoje é o dia e tecnicamente irei ser sucinto.
“Janela” é a segunda música do álbum Então Morramos, da banda curitibana Simonami. O disco tem nove faixas e traz um estilo folk/MPB bem intrigante. Calma, eu não irei fazer uma resenha. Mas é como eu disse: nunca falei de suicídio antes, então é fato que eu iria enrolar durante o texto todo para poder começar a falar do assunto proposto.
Por mais que “Janela” não seja uma música escrita para ser especificamente sobre suicídio, é inegável que em sua letra narra o drama de alguém que está prestes a tirar a própria vida e num rápido instante, desiste. A canção se divide em uma estrofe e um refrão. Sendo que a estrofe e o refrão repetem com uma palavra acrescentada.
“Eu escalo a cama do alto e
Olho de dentro pra fora
Miro a janela pro salto e
O medo estoura o meu coração
Me aperta o sangue
Tanto que corte nenhum vaza
O sol não aumenta o calor, e eu já não sinto mais” (na repetição acrescenta o “nada”)
Vamos lá: a pessoa está aflita e já fez de tudo, até cortou os pulsos (ou tentou cortar, não sei). Trêmula e com medo, o indivíduo está em meio de decidir o futuro de sua vida. É só pular e pôr fim em tudo. Peraê! Abre um parêntese. É só pular e tudo acabou? Mas o que levou-a a fazer aquilo não continuará existindo e causando o mesmo efeito em outras pessoas? OK, o suicida não mais sentirá a dor mas ela não vai morrer, quem vai morrer é o suicida. Imagina se eu vou sair matando todos os cachorros que vejo porque um me mordeu. Isso seria grave, não? Fecha parêntese. Levando em conta essa minha observação, o suicídio não mata a dor, mata o corpo, assim como o caçador não mata o animal, e sim a caça.
E eu sei que tudo o que eu estou escrevendo aqui não faz muito sentido para alguém que já pensou em suicídio ou foi amigo de alguém que se matou. Mas eu não sou psicólogo, sou um músico, então dá um desconto vai. Refrão:
“Chega, o tempo da sua vez
De que contar até três
Não faz passar, não faz passar
Deixa, eu nem quero mais
Não vou mais fazer por onde
Parece que tudo se esconde” (na repetição acrescenta “de mim”)
Agora entende o título do texto? Eu sinceramente não entendo esse refrão e sabe, para mim não importa entender. O que eu leio e ouço nessa parte é o suficiente. Talvez, só quem vive o drama de chegar ao ponto de tentar um suicídio, é que entende isso. E aqui nem cabe levantar aquela questão de “o suicida vai para o inferno?”, mas levanto a questão do por enquanto, do efêmero e doloroso. Sei o quanto a solidão dói e o quanto isso parece injusto. Davi expressa no Salmos 44 verso 22 que por amor a Deus somos mortos/ou levados a morte todos os dias. O suicídio afugenta algo que não é possível entender para nós que conseguimos lidar bem com a dor. Ninguém é obrigado a ser um experiente nato em lidar com o sofrimento e por isso, a depressão como o último estágio da dor humana, como define o psicanalista Augusto Cury, nos leva a querer matar isso. Tirar a própria vida pode ser definido como aliviar um sofrimento insuportável, o qual é incômodo conviver.
Então, o que eu aprendo com esta música? Aprendo que somos frágeis e incapazes. Somos flagelos que facilmente são levados pelo vento em dias de inverno. Somos peças fora do lugar tentando se achar a cada movimento. Somos pó (Salmos 113.14) e carentes de Deus. O sentimento de querer se matar é a externa revelação de que precisamos urgentemente dos carinhos de Deus, do Pai protetor que rege a Terra com toda maestria de um Pai perfeito! “Eu nem quero mais”. Se você caiu nesse texto com a intenção de procurar um alívio e leu essa frase, repita consigo e diga alto outra vez, EU NEM QUERO MAIS! Não vale apena se entregar porque somos maiores do que a dor, somos humanos! Superamos!
Um brinde!

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