Autor: Thiago Junio

  • Fronteira – Apresentação do conteúdo

    No segundo texto da Fronteira, quero noticiar-lhes sobre algumas novidades da coluna. A periodicidade do conteúdo será sempre nas quintas feiras, mas em cada semana pretendo abordar um assunto específico. Na primeira semana, a proposta é tratar sobre música, em vários contextos e de formas variadas. Na segunda quinta, trarei conteúdos sobre temas variados relacionados a arte, procurando englobar vários ramos da cultura, como literatura, desenhos, e muitos outros. Na terceira quinta, buscarei trazer séries de textos girando em torno de algum assunto como poemas, histórias e muitos outros. Na quarta semana será livre, e na presença de uma quinta semana no mês, também será livre.

    A coluna não tem por objetivo oferecer conteúdo biográfico (pode até ter), porém prioriza releituras de obras atuais e antigas, portando também quantidade de conhecimento para formar a própria reflexão, mas é claro que haverá muita bagagem histórica em alguns futuros textos também. Buscarei também oferecer conteúdo próprio, fundamentado na minha própria criatividade. Reflexões serão retomadas como havia no Conectados no Amor, sempre visando conectar a nossa cultura com a espiritualidade e a Bíblia, fugindo dos temas mais abordados pelo mundo evangélico, baseados na busca pela honestidade, imparcialidade e respeito.

    Estejam acompanhando as novidades da coluna, que muita coisa boa vem por aí.

  • Fronteira – Por que Fronteira?

    Olá, leitores.

    Os que me conheciam (aposto que ninguém, meu nível de fama está lá em baixo) pela coluna Conectados no Amor terão a oportunidade de ler novos assuntos através dessa nova coluna. Aos que não me conhecem, terão essa oportunidade através dos meus textos.

    Minha antiga coluna nesse portal era referente a reflexões teológicas, filosóficas e pensamentos pessoais, e essa função de retratar assuntos desse tipo é uma tremenda responsabilidade, porém o que isso mais exige é o que os comunicadores menos fazem: atitudes. Como dizia uma música do O Teatro Mágico, “acredito que errado é aquele que fala correto e não vive o que diz“. Na área em que eu estudo, jornalismo, todos nós, universitários, nos sentimos na posição de mediadores de opiniões e fatos, de juízes de situações, no entanto, somos, por vezes, os que menos praticam o que nos propomos a dizer.

    O fato é que, antes de ensinar, eu preciso viver esse ensino, logo, penso que escrever diretamente sobre essa área atualmente não esteja em concordância com o que vivo. Por isso, ainda preciso aplicar estas reflexões na minha vida antes de trazê-las para os outros.

    Segundo, o motivo mais importante da mudança de tema é o aprendizado. Jovens têm o defeito de acharem que já são sábios o suficiente para viver a vida sem conselhos. Me encaixo nesse grupo. Então, para escrever diretamente sobre pensamentos, necessita-se de estudo, dedicação para aprender, mas principalmente, de lições de vida, algo que as pessoas aparentam ignorar. O mais avançado em idade geralmente sabe mais, pois viveu mais.

    O terceiro motivo é a inovação da coluna: eu queria falar mais do que apenas reflexões, porém assuntos variados a qual a coluna não possibilitava. E essa novidade agora? O que vai tratar? Antes de explicar o conteúdo da coluna, que tal a história do nome dela?

    Fronteira vem de uma proposta de nome para uma banda minha e de um amigo meu chamado Tiago Abreu, editor e colunista do O Propagador (daquelas imaginárias, que só existe na nossa, cabeça). A sugestão da palavra foi dele e conecta-se com a ideia de uma banda que tenta ser como uma fronteira entre o mundo dito secular e o dito gospel, como um porta voz entre eles, uma espécie de divulgador da mensagem cristã para a humanidade, quebrando a própria barreira entre a arte profana e a sagrada, ou seja, uma divisória entre dois campos.

    A nova coluna Fronteira vai buscar ser exatamente uma divisória entre vários tipos de conteúdos. Tratará de assuntos variados, temas livres, sobre música, literatura, arte, até reflexões, e outros. A estrutura dessa nova proposta é apresentar criatividade, conteúdo e conhecimento.

    Bem vindos a Fronteira!

  • Para refletir – Você está aberto a mudanças?

    Eclesiastes: 3. 1. Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.

    2. Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;

    3. tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derribar, e tempo de edificar;

    4. tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;

    5. tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de abster-se de abraçar;

    6. tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de deitar fora;

    7. tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;

    8. tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.

    Inconstante é aquele que vive atrás de alegrias passageiras, belos fast foods que não descansam a alma.

    Porém, mudar significa inconstância?

    O caminho do homem, do nascimento até a morte, é feito de incríveis mudanças, uma história que se altera constantemente. O que eu dizia que eu gostava hoje, amanhã eu odiarei, o que eu odiava hoje amanhã amarei. Eu dizia que não faria aquilo, no entanto, hoje essa atitude se torna tão costumeira. O coração é inconstante como a folha no vento, atrás de mudanças, porque o velho é enfadonho.

    Porém, nem todo novo caminho significa inconstância, e fazer novos planos significa também novas lições de vida.

    Há tempo para cada coisa, tempo de persistir e tempo de mudar, porém, principalmente estar adepto as mudanças que o ocorrem na vida. Há coisas que lutamos contra diariamente sem perceber que isso pode ser um novo aprendizado, um acréscimo a sabedoria. Viva cada instante buscando o que é honroso, bondoso, pois esse momento também passará.

    Você está aberto a mudanças?

  • Análise: CD Moderno à Moda Antiga – Marcela Taís

    A influência da música folk e da poesia trouxe ótimos cantores ao meio cristão, como Os Arrais, Bruno Branco e a Marcela Taís. Nos últimos anos, se vê um crescimento grandioso do novo movimento no Brasil, revelando músicos com grande capacidade letrística e musical.

    Neste contexto surge o novo álbum de Marcela, Moderno à Moda Antiga. O disco foi lançado em 2 de junho pela Sony Music, produzido por Michael Sullivan, músico com uma longa trajetória no ramo. As fotos para a capa e encarte foram produzidas por Bruno Fioravanti, e o design gráfico foi criado pela própria Marcela Taís, em parceria com seu irmão, Max Munhoz. Combinando com a temática do título do CD, o projeto gráfico da obra traz um ambiente country com traços antigos, igualmente o conjunto das músicas, tanto conceitualmente como musicalmente. O resultado foi o primeiro lugar no iTunes.

    A primeira canção já revela o propósito fonográfico do disco inteiro. Ame Mais, Julgue Menos é um country tratando sobre o nosso julgamento parcial, sem conhecer a realidade de quem levantamos como réu. A interpretação de Marcela Taís é a mais adulta em comparação a todo o álbum anterior que já conhecemos, e essa mudança não sugere um avanço, mas uma perca do melhor valor de Taís, que é sua leveza, simplicidade e jovialidade tanto nas composições como nas interpretações. Vale ressaltar o banjo que durou o arranjo inteiro, identificando-a.

    Moderno à Moda Antiga, a faixa-título, é um folk que traz toques de acordeon para equilibrar-se com a concepção da letra, que se trata justamente de costumes antigos os quais estão se perdendo na sociedade.

    Muita Calma Nessa Alma é uma obra notavelmente feminina conceitualmente falando. Tem um belo arranjo, superando as duas primeiras canções neste quesito, porém a feminilidade desta chega a ser quase um clichê.

    Risco é uma combinação de poesia e reggae, se destacando acima de todas as anteriores. Com a participação especial de Salomão do Reggae, Marcela Taís conseguiu combinar perfeitamente uma boa letra e um bom arranjo na mesma faixa, resgatando a leveza e a simplicidade que marcava seu estilo, assim, trazendo traços de Cabelo Solto, seu primeiro CD.

    A quinta música é a mais contrastante do álbum, e talvez a melhor. Quando É Amor é um folk romântico à lá retrô, dando ênfase na interpretação vocal de Marcela Tais, que soube usar dos agudos de uma forma doce, e relembrando sons das décadas de 60 a 90.

    Sou Diferente conteve participação especial de Paulo César Baruk, e já se mostra a música mais agitada do álbum, com influências do rock dentro do estilo próprio de Marcela. Relata sobre ser diferente nesse mundo, e que isso às vezes é visto como piada, brega, porém é a única coisa diferente neste mundo igual.

    A sétima do conjunto, Voar é embalada por um piano. É uma composição lenta, para refletir sobre a eternidade, e a seguir, outra bela poesia como a contida em “Risco”. O arranjo é perfeito para o assunto tratado nesta faixa, e a combinação lhe torna, também, uma das melhores do disco.

    Partir é outra balada do álbum, tratando sobre deixar passar algumas coisas na vida em virtude de coisas melhores.

    Naufrágio peregrina pelo blues, e novamente conta com belos desempenhos vocais de Marcela Taís, e inspiradores riffs e solos de guitarra. A faixa trata-se de um clamor para que Deus venha salvar o eu lírico.

    A canção Homem de Verdade é um pop rock que fala sobre os valores masculinos, uma composição que se localiza como uma peça diferente no meio de uma obra tão feminina. Apesar de versar sobre a masculinidade, não deixa de ter o próprio toque feminino, pois se refere justamente a gostos de uma mulher.

    A décima primeira música do álbum, Conselho de Amiga, apresenta uma lição de autoajuda para sofrimentos amorosos de garotas. O próprio título demonstra essa ideia, mas assim como “Muita Calma Nessa Alma”, soou um pouco clichê, com mais intensidade do que a terceira canção. Conta com a participações de  Anayle Sullivan, esposa de Michael.

    Espera por Mim é uma balada romântica, um assunto a qual Marcela já andou bastante. A última canção, Pequena Alegria, é um retorno como “Risco” ao estilo simples e leve da vocalista cantar. Acompanhada por ukulele, é uma espécie de “Naquela Rua” 2, exibindo uma bela letra que versa sobre a simplicidade das pequenas alegrias que temos na vida, e que com essas curtas dádivas seríamos felizes para sempre. Outra esplêndida canção.

    Em suma, o álbum conta com arranjos levados pelo country, reggae, folk, blues e rock, uma combinação de influências antigas com o que pode ser chamado de moderno. Canções como “Moderno à Moda Antiga” e “Pequenas Alegrias” expuseram perfeitamente o conceito do registro, da mesma maneira que outras produções que, não plenamente, girou em torno deste assunto. Porém, a temática mais abordada neste álbum seguiu-se em direção à questões relativas ao público feminino. Músicas como “Muita Calma Nessa Alma” e “Conselho de Amiga”, foram as que declaradamente andaram sobre essa linha, mas outras composições do álbum se encaixam no eixo, mesmo que indiretamente.

    Apesar de Marcela Taís soar jovial em suas interpretações vocais, suas canções mais belas sempre foram as que tratavam a leveza e a simplicidade da vida, em torno de tanta competição e materialismo da sociedade moderna, como “Naquela Rua”, sua melhor criação. E justamente nesta fase de construção de pensamentos em que os adolescentes se encontram, estas ideias de Marcela Tais são ótimos temas para se tratar. No entanto, o lançamento da intérprete soou também juvenil conceitualmente falando. Tratar desilusões, problemas de garotas sem parecer clichê, imaturo, ou com o “complexo de princesa”, pode ser uma tarefa nem um pouco tão fácil, e é neste tópico que a artista pecou, assim como errou um pouco no primeiro álbum com a canção “Menina, Não Vá Desanimar”. Este disco soou demasiadamente teen, principalmente com composições como “Muita Calma Nessa Hora”, “Conselho de Amiga”, mas, contudo, Marcela com sua voz doce e que se encaixa perfeitamente em produções alegres, soltas e desapegadas, também trabalhou com ótimas músicas como “Risco”, “Pequenas Alegrias”, dentre outras. A compositora poderia aprofundar mais nesses tipos de melodias.

    O CD buscou ter uma face mais retrô, inclusive nos temas, porém, Marcela abriu mão de letras mais poéticas, para mais diretas, e isso decaiu também o seu valor. A cantora poderia ter sido mais metafórica com os assuntos abordados, e menos presa a conceitos, assim soaria mais poética e, logo, trataria melhor os assuntos, como no Cabelo Solto.

    As melhores da obra em um todo, tanto na ideia como no arranjo, são as “Quando É Amor”, “Risco”, “Pequenas Alegrias” e “Voar”. Faixas como “Muita Calma Nessa Alma”, “Naufrágio” tiveram arranjos espetaculares, no entanto, são letras que não nivelam com a qualidade das demais. “Sou Diferente”, “Homem de Verdade”, “Conselho de Amiga”, “Ame Mais, Julgue Menos”, “Moderno à Moda Antiga” foram bem produzidas, e apenas “Partir” e “Espera por Mim” soaram medianas. Portanto, Marcela fez uma boa participação vocal, a banda de apoio cumpriu sua parte, teve uma ótima produção gráfica, e cumpriu a proposta que pretendia, embora poderia ter dado outra face, outro conceito às canções.

  • Conectados no Amor – Cansado de religião

    Uma guerra é o que todos nós queremos evitar. A paz é um momento a qual toda pessoa quer prolongar, até que passa, e na hora da angústia, os tempos pacíficos são como lembranças de outro mundo. Na vida, tudo é passageiro, porém queremos evitar essas mudanças a todo custo. A vida machuca todo mundo. E com o tempo, não resta super homens lutando por suas glórias, no entanto humanos fracos e dependentes. Sobre o que está apoiado nosso orgulho? Em nossos feitos?

    Às vezes, parece que o cristianismo cria indivíduos egocêntricos, que acham que são os poderosos na terra, gente que pode julgar os outros e se considerar como perfeitos. Como dói encontrar semideuses na igreja, e não vidas cansadas, decepcionadas, magoadas com o mundo.

    O Reino de Deus não é o lugar para orgulhosos, que fingem ser boas pessoas, cheios de currículos e títulos, mas de indivíduos que reconheçam o que são, suas máscaras, porém o mais importante, é de pessoas que buscam mudar o próprio coração, antes de desejarem mudar as atitudes.

    Estamos criando lobos, autoritários, egocêntricos, hipócritas, fariseus, e o ainda pior, estamos gerando pessoas machucadas, feridas, ovelhas perdidas, que anseiam por um bom pastor.

    Até quando, até quando?

    Somos uma bela decepção
    Dolorosamente inseguros
    A igreja dos marginalizados
    Dos perdedores, dos pecadores,
    Dos falhos e dos tolos…
    Que bela decepção
    Somos sal na ferida?
    Hei, vamos cantar uma harmonia verdadeira!

  • Conectados no Amor – Preparem-se para a glória

    O filme 300, dirigido por Zack Snyder, traz uma grande lição: a glória de morrer. A produção cinematográfica conta a história do povo de Esparta, que foi afrontada por um desejo de Xerxes I, o rei da Pérsia, de dominá-los. O rei de Esparta, Leónidas, um homem que aos sete anos entrou para um ritual de privações e testes a qual todos espartanos passavam, ergueu-se contra os persas e contra a tirania de Xerxes, e liderou trezentos guerreiros que provocaram um grande estrago no exército inimigo. No entanto, todos esses trezentos soldados morrem no final do filme.

    A história narra majestosamente o sentido de honra e coragem dos espartanos contra os persas, lidando com o verdadeiro sentido de glória. E esse valor demonstrado no filme que pode trazer muitas reflexões para uma vida cristã.

    Cristo deixou aos seus discípulos que todo aquele que quisesse o seguir, deveria tomar a sua cruz, e porfiar por um caminho estreito.

    Mateus: 10. 38. E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim. 39. Quem achar a sua vida perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim achá-la-á.

    Caminhar sobre estrada é ser desligado da própria vida, viver com a condição de que será provado todos os dias por algo maior que o próprio respirar. Paulo dizia que somos mais que vencedores, pois nosso propósito trata-se maior que vitórias e batalhas ganhas, porém na glória de perseverar pelo Reino de Deus em qualquer circunstância. Aquele que não está disposto a morrer, não pode entrar por esse caminho.

    A morte tem vários aspectos na vida cristã, sobre desejos pecaminosos, por tristezas e provações, mas a honra em persistir nos momentos difíceis produz eternos frutos de glória. Em uma certa parte do filme, um soldado espartano em conversa com um soldado comum de um povo que se juntou a eles para lutar contra os persas de espiona o campo inimigo. O espartano ri de alegria, enquanto o comum estava tremendo de medo. Essa eufórica felicidade é uma expressão do desejo de glórias maiores que a própria guerra, mas de uma honra provinda do próprio ato de morrer por seu povo.

    Preparem-se para a glória.” (300)

  • Conectados no Amor – A verdade é relativa?

    A relatividade é um pensamento que afirma que um valor é subjetivo, ou seja, se dobra aos joelhos das experiências pessoais de cada indivíduo. Cada paradigma levantado não pode ser levado como verdade absoluta, porém apenas como uma regra individual. Essa teoria surge como uma arma contra a imposição de ideias, uma tese desenvolvida por humanistas. Olhando esse argumento de um modo mais profundo, nota-se que cada costume ditado no tempo foi criado baseado nas vivências de cada homem, e não de um ser superior que ditou essas leis. Além disso, essa concepção usa como principal base a questão de como a cultura muda ao longo dos anos e, portanto, seus costumes.

    O seguinte problema: sem valores absolutos que definiriam algo, qual é a lógica da crítica? A crítica difere da dúvida, pois a primeira confere a um sentido de refinação de algo, ao contrário do que as pessoas pensam que é, que o pensamento dele é ser uma espécie de “do contra”. Ela aparece com uma função de conferir algo de acordo com um modelo de qualidade, pois não existe uma percepção analítica sem um horizonte.

    A dúvida é o ato de indagar uma ideia recebida. A dúvida não consiste no ceticismo exagerado, mas na procura de uma verdade em tantas teorias ditadas. O mais importante não são as respostas, mas as perguntas, pois elas revelam um receptor que deseja entender algo. Se existissem apenas verdades relativas, qual seria a lógica da dúvida, se a própria se baseia na busca de uma verdade absoluta?

    A dúvida e a crítica são instrumentos da  racionalidade. Essa, por sua vez, é completamente contra a concepção da relatividade. A racionalidade constrói um pensamento baseado num conjunto de conexões, formando um sistema interligado, e se uma parte dessa construção possuir uma quebra, ou uma parte solta, ele cai por terra. Ao dizer que tudo depende de um ponto de vista, o fundamento da razão quebra-se ao meio, pois ela precisa de pontos fixos para construir conceitos. Logo, tudo é nada, e não há nada de verdadeiro no mundo. A mentira pode ser verdade, o que é pode ser que não é, e qualquer ideia de luta por direitos humanos é apenas uma luta por nada, pois isso também é subjetivo.

    Por último, o próprio raciocínio de que tudo é relativo gera um pensamento absoluto, o que seria uma verdadeira contradição. Se eu proclamo essa ideia, estou dizendo de outro juízo fixo para julgar as coisas. A própria palavra “ideia” significa algo absoluto, já que relatividade é uma ideia. Consequentemente, defender esse argumento é defender a irracionalidade, ou seja, a loucura.

    Todas as pessoas, mesmo que não percebam, buscam uma forma concreta de pensar, pois é essa busca que gera críticas e dúvidas, e se ao dizer que as coisas dependem de um horizonte pessoal, essa procura seria em vão. Do ponto de vista humano, a verdade absoluta é algo pessoal e que ocasiona uma luta para proclamá-la, pois o próprio sentimento de estar fundamentado algo leva a um anseio de espalhar isso às outras pessoas, porque todo mundo sabe que estamos lidando com um mundo muito confuso. A própria livre expressão baseia-se nessa ideia, pela vontade de divulgar os nossos pensamentos individuais a todo mundo, algo que tem gerado ao longo dos anos diversos movimentos, religiões, etc. como, por exemplo, o feminismo, o LGBT, movimentos socialistas, liberais, o cristianismo e muitas outras crenças.

    Há uma diferença entre verdade relativa e opinião. Se juntarmos uma multidão com fundamentos pessoais, isso não ocasionaria num monte de verdades, mas de opiniões sobre ela. A opinião é relativa, a verdade não. Há uma única só, e vários modos de pensar buscando-a. Logo, o respeito à opinião diversa é que deve ser pregado, não a uma imposição dessa ideia humanista que quer encaixar todos os indivíduos num mesmo modo de pensar absoluto.

    Racionalidade e relatividade não se juntam na mesma ideia. Não existem crítica e dúvida em um pensamento relativista.

  • Conectados no Amor – Por que o Senhor não retira o mal do mundo?

    “Caso o Senhor retirasse todo o mal

    Eu seria o primeiro na fila

    Ele teria que acabar com todos nós e com todas as pessoas

    It Is Time II – HB

    Há certa canção da banda brasileira Fruto Sagrado que dizia que, se a verdade é tão simples, onde estaríamos errando? Os olhos dos homens não são cegos para algo de extrema dificuldade, que necessita de um complexo entendimento, porém, não veem algo que está diante dos seus olhos.

    É verídico que nós gostamos de criar discursos e teses para todos os tipos de problemas, de levantar linhas de pensamentos, mas no final de tudo todas caem na mesma contradição ou na falta de efeito. E ao se deparar com a insolubilidade de uma questão, nos levamos a crer que a verdade é relativa. A humanidade complica tudo, de forma exaustiva, cheias de argumentos, mas essas suposições não respondem nossas maiores indagações. Como diz a canção “Neófito” do Resgate, “tanta teoria pra me embriagar”.

    Eis que isto tão somente achei: que Deus fez o homem reto, mas os homens buscaram muitos artifícios.”  Eclesiastes 7:29

    Uma das grandes perguntas que se desenrolam neste planeta é sobre o porquê Deus permite o mal. Definitivamente, o ser divino não tem pacto com o mal, e Ele não criou o mal, apenas definiu o que seria errado. O mal não é uma coisa em si, como um objeto, mas uma ação. Escuridão é ausência de luz, assim como o mal é ausência de luz, logo não precisa de um criador. E o Eterno definindo o que é bom, logo mostrou o que era ruim.

    No entanto, uma das faces dessa questão é aplicar a Deus algo que nós somos plenamente responsáveis. E é aqui que mora a centralidade desse texto: Se Deus pudesse dar um cabo no mal por inteiro, os que indagam a integridade divina não teriam em mente que eles estariam nessa fila de destruição dEle.

    A fonte do mal mora em um ser: homem. Se percebermos que a fonte de toda bondade mora nEle, então perceberemos que ao se afastar dEle, estaremos na escuridão, que é um vazio, um vácuo. Em Romanos 3.23, diz que todos os homens estão destituídos da glória de Deus. Destituição é falta de algo. Assim caminha a humanidade, vazia da luz divina. Logo, antes de indagar o caráter de Deus, veja se está sendo uma pessoa plenamente boa, pois se ao questionar porque Ele não destrói o mal definitivamente, você está oferecendo logicamente o seu corpo para a ira dEle.

    Não há mais teorias que possam solucionar nossos problemas, apenas vão amenizá-los, no entanto, toda nossa resposta se encontra em Cristo.

    https://www.youtube.com/watch?v=g4AbFfejefE

  • Conectados no Amor – Dia das Mães

    Efésios: 6. 1. Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo.

    A comemoração de dia das mães é marcada por festas, presentes e uma data especial para aquelas que já criaram e criam seus filhos. Porém, o principal aspecto desta comemoração, por várias vezes, é a marca da hipocrisia. Passa-se o ano inteiro entre confusões, filhos ingratos agindo como se fossem perfeitos diante de seus responsáveis e anos de dores pela mulher que exerce a função da educação familiar e recebe como recompensa o desgosto de seus filhos.

    Não sei se tenho algo para comemorar nessa data. Talvez o que eu posso colocar nessa festa é a minha infelicidade comigo mesmo, e a dor de não ser quem eu deveria ser. Não posso festejar algo que não passará de palavras vazias, e de máscaras num dia tão belo.

    Na fase da adolescência e da juventude, é o tempo que se reconhece menos o que nossos pais passam por nós. Ninguém tem mães perfeitas, mas a falta de perdão e de compreensão tem destruído muitas famílias. Não, não tenho muito o que comemorar, além de tristezas.

    Cada dia que passa, elas perdem um pedaço de si, dando-se para nós, mas as horas que passam só servem para aumentar a divisão familiar. Até que se vão, e deixam marcas de melancolias dentro daqueles que ficam, pois não usaram o tempo que dispunham para agradecerem por tão grande amor. Não perca nenhum momento para ser grato com aqueles que realmente te amam, não deixe passar as ocasiões doces e de se esforçar para amar as suas mães. Elas não são eternas e não terão toda vida para ouvir isso.

    Dia 10 de maio, uma data com motivos mais que especiais, no entanto, sinto-me como o mais melancólico e pródigo filho retornando a casa de seu pai, depois de o ter abandonado dentro de seu próprio lar.

  • Conectados no Amor – Todas as pessoas irão sofrer

    Tenho-vos dito estas coisas, para que em mim tenhais paz. No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.

    JOÃO 16:33

    Ao contrário da mensagem que tem sido pregada com bastante frequência, a proposta do evangelho é mostrar as pessoas uma verdade inevitável: o sofrimento que vão enfrentar. Por causa da falsa mensagem de prosperidade divulgada nos púlpitos de algumas igrejas, homens têm sido colocados em ilusões que uma hora ou outra destruirão sua fé.

    A cada dia que nasce teremos que lidar com esta verdade dolorosa: a vida não é fácil e nunca será. Infelizmente, pessoas procuram o cristianismo no desejo de ter um bom casamento, bom emprego, serem prósperos e felizes. No entanto, menos para tomar a cruz e seguir o caminho de arrependimento. A verdade é que dificuldades são barreiras as quais existem na estrada de todas as pessoas.

    Quantas vezes fazemos propósitos e buscas para que Deus responda nossas orações, jejuns para receber uma vitória, campanhas para abrir a porta, com corações totalmente fechados para as coisas celestiais, e fazendo barganhas para que o Pai possa fazer as coisas segundo nossas vontades?

    Um filósofo existencialista chamado Søren Kierkegaard dizia que “a função da oração não é influenciar Deus, mas especialmente mudar a natureza daquele que ora”, ou seja, é o pedido de “faça-se tua vontade”. Nessa caminhada até a eternidade, ou você segue a vontade de Deus, vivendo livre de si mesmo, ou continuará na sua caminhada própria vivendo escravo de si. Já que ninguém é obrigado a ser cristão, então não venha para o cristianismo com interesses próprios.

    O evangelho é uma chamada de venha e tome sua cruz, e sim, ele representa uma estrada difícil, onde poucos encontram. Mas este caminho representa a paz interior, a felicidade e preenchimento do lado mais profundo de nosso ser. É essa paz, essa energia que fortalece os cristãos a caminhar, não as coisas visíveis e passageiras. O sermão das boas aventuranças é um chamado para valores interiores e não a tranquilidade exterior. Assim, viveremos em meio a guerras, mas em paz de espírito.

    Fiquem com a música “Superman” e reflitam nas dificuldades da vida, pois todas têm seus planos.

    Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me;

    Mateus 16:24