Em 1988, surgiria uma das bandas cristãs de rock mais influentes no Brasil nos anos 90 e 2000. Realmente, um grupo que evoluiu muito e lançou clássicos como O que a gente faz fala muito mais do que só falar, Na Contramão do Sistema e O que na Verdade Somos. O grupo que mudou por algumas vezes de sonoridade também passou por várias mudanças de integrantes, a qual nos dias de hoje não permanece ninguém da formação inicial.
O Fruto Sagrado foi fundado por Marcão (Vocal e baixo), Bênlio Bussinguer (Teclado e guitarra), Flávio Amorim (Bateria) e Marcos Valério (Vocal e teclado). Segundo Marcão, logo após o lançamento do primeiro disco, Marcos Valério teve problemas com seu relacionamento com Deus e deixou a banda, fazendo com que Paulo de Barcelos trabalhasse com o grupo durante uns anos. Após sua saída, entrou Bene Maldonado, que sairia e voltaria anos depois. Flávio Amorim se casou, mudando para os Estados Unidos, saindo em 2000. Então, Sylas Jr. o substituiu, mas este já trabalhava com a banda desde o seu início.
O grupo também já fez parte de várias gravadoras, como a Gospel Records, Salmus Produções, Top Gospel, até chegar a MK Music em 2002, quando a banda lançou O que na Verdade Somos. Por divergências com os demais integrantes, Bênlio deixou o grupo. Anos depois, Marcão deixaria a banda para ser pastor na Igreja Presbiteriana Betânia da região Oceânica e entraria o jovem Vanjor. Apesar das diversas especulações do fim do grupo, a banda parou para produzir algo novo e criativo. Assim foi lançado, totalmente independente o disco Fruto Sagrado 20 Anos.
Um fato é que a obra dividiu opiniões. Uns acham que a obra não caracteriza a essência do Fruto Sagrado, outros já elogiaram. Eu particularmente concordo com ambos os lados. Não diria que é um trabalho ruim, mas diferente e muito bem idealizado e produzido. É uma nova fase que o conjunto está vivendo.
O disco seleciona as melhores baladas da banda, exclusivamente dos álbuns O que na Verdade Somos (2003) e Distorção (2005), além de duas inéditas.
“Uma Noite de Paz” é integrante do primeiro disco da banda pela MK, e da versão original poucas coisas foram alteradas, mas nota-se uma grande evolução em relação à sua primeira gravação. Há uma presença maior do teclado e da bateria, então não presentes na anterior. Sua letra trata o Natal e o nascimento de Jesus como os temas principais, mas também fala de fome e miséria.
A segunda e a terceira canção, “Diferente dos Anjos” e “O que na Verdade Somos” mantém a característica do disco, que é trazer maior atenção às letras que o instrumental em si. A última tem uma letra bastante reflexiva, sobre a nossa missão nesse mundo.
A primeira inédita do trabalho é a quarta faixa. “Ao Fim do Dia” é escrita pelo novato Vanjor que chega ao grupo. É uma bela poesia, conduzida somente ao violão e mostra que o novo integrante não é só mais um com uma voz bonita.
Ao contrário de sua versão energética de 2003, “A Sanguessuga” continua seguindo muito bem a proposta do disco, fazendo uma releitura, transformando-a uma balada. O texto de Provérbios 30:15 resume a letra da canção.
Uma das principais baladas de Distorção, desta vez com uma presença maior da bateria e nula da guitarra é “Superman”, que descreve o ser humano dos dias de hoje. “Não Quero mais Acordar Assim” recebe um tom muito agradável, faz alusão à vida de Jó.
Após isso, temos “Escravos do Porvir” é a segunda e última inédita do repertório. Outra canção que o músico Vanjor demonstra sua personalidade musical, usando a ansiedade pelo dia de amanhã como conceito da música.
“O Sangue de Abel”, dentre o repertório, é uma dentre as minhas preferidas. Diferentemente da versão original, a qual o Fruto recebeu a participação de João Alexandre desta vez é conduzida unicamente pelo vocalista. Sua letra é uma oração, pedindo perdão a Deus por todo o mal causado pelo ser humano desde o primeiro homicídio ocorrido na Terra.
Chegamos à última canção, “Ninguém me encontrará dentre os fracos”, a releitura mais irreconhecível do disco, totalmente diferente da primeira gravação. Ambas as duas versões ficaram muito boas.
Talvez o conceito usado no disco não foi o mais correto, pois em todos os discos anteriores o Fruto Sagrado sempre apresentou um rock pesado. Mas o termo “balada” foi idealizado de forma fiel em cada traço do disco, desde os instrumentais, os vocais e o projeto gráfico. Concluo dizendo que Fruto Sagrado 20 Anos imprime muito bem a proposta que quer apresentar, o único problema talvez esteja no que o Fruto Sagrado fez no passado, que é bastante diferente do atual, porém isso não é um ponto negativo, mostra que mesmo após 20 anos, uma banda sabe se reinventar e mostrar uma nova sonoridade e novos conceitos, o que é raro no meio cristão. Parabéns a todos os músicos envolvidos na gravação do disco.

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