Análise: CD Tribo do Leão – Alex & Alex

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Após um longo tempo na MK Music, a dupla Alex e Alex migra para a Som Livre e lança um projeto que deve falar muito mais que os anteriores, para o bem, e, principalmente, para o mal. Tribo do Leão foi lançado em 2015 e pode ser definido como um disco pseudovariado.

Note que ecletismo é uma característica que não se força, e não se constrói sem que o artista realmente tenha uma bagagem e saiba canalizá-la para algo claro e sólido. Um dos grandes males de artistas cristãos, por vezes, é assumir uma imagem que não possuem, ou pior, sequer saberem qual identidade vão assumir.

Alex e Alex é uma dupla veterana. São músicos que deveriam saber para onde querem chegar. Mas este recente trabalho, Tribo do Leão, prova justamente o contrário: os anos passam, e os cantores não mostram se, realmente, querem assumir o posto de vanguarda, com seriedade, ou se entregam a músicas radiofônicas e pouco convincentes.

Grande parte do álbum apresenta elementos que remontam a canções de relativa notoriedade na carreira da dupla, como “Muda Minha Vida”, hit do disco Até o Céu Te Ouvir. A busca por um som que consiga fundir o soul pop com o congregacional (ou um pentecostal disfarçado), no entanto, mostra apenas que a sonoridade não consegue verbalizar a alma da dupla. Aleluia, por exemplo, segue todos os modismos do gênero, com um piano introdutório, aquele arranjo de cordas leve e suave, a subida de tom e o “peso” gradativo próximo ao refrão, acompanhando uma letra indefinida, que mescla versos de exaltação e, ao mesmo tempo, se modula em chavões pentecostais. E isso se repete na maior parte do repertório. Alex e Alex continuam, assim, a dar tiros no escuro, ao invés de procurarem fazer música que realmente definam seu estilo, que, até os dias de hoje, soa como uma incógnita.

Em Ouve Senhor e Governa-me, o diagnóstico é claro: versos pentecostais escancarados, enquanto a sonoridade continua a alcançar o lugar-comum. Os cantores, em suas interpretações estão, evidentemente, com a cabeça fincada em outro gênero. As letras falam de milagres, curas, fazem metáforas de gosto duvidoso, enquanto sintetizadores desconexos e um coral sem feeling forma o pano de fundo. Mas calma, o pior ainda não chegou.

Outra parte de Tribo do Leão é evidentemente ofensiva e chega a soar como um deboche no ouvido do ouvinte. A faixa-título, Tribo do Leão, com alguns trechos do funk, não consegue ser nem um pouco divertida. Mas não para por aí: Topo do Mundo tenta surpreender com frases como “Tudo o que tem fôlego louve ao Senhor / Te dou a minha vida e o meu amor”. A coisa chega a piorar quando a dupla entra em um clima de rave gospel e sua música continua fria e forçada, assim como Aperta o Play, que arrisca em frases pouco inspiradas como “Aperte o play / DJ / Hoje a festa é para Deus”. É, certamente, a dupla deveria pensar muito bem antes de dar, ao seu ouvinte, o qual compra discos originais em pleno tempo de crise econômica, canções de troça.

Na melhor oportunidade que tiveram para mostrar a que vieram, a dupla Alex e Alex continua a provar que seguem perdidos musicalmente falando. É um disco sem fórmulas, propostas, ou discursos. É um disco que não cai, com total gosto, em clichês da chamada teologia da prosperidade, mas consegue ser tão vazio quanto os rumos do nosso mercado gospel, torturante para os órfãos de boa música. Do que se chama de gospel nacional, é completamente esperado, para o que se convenciona de música negra, a boa herança que temos do chamado ‘gospel’ norte-americano, revela a alienação da dupla. Portanto, Tribo do Leão é um registro decepcionante.

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