Verônica Sacer é ex-integrante dos grupos Toque no Altar e Trazendo a Arca, e junto com seu marido Davi Sacer tem trabalhado desde então. São quase quinze anos de carreira, mas pode-se afirmar que seu papel como intérprete passou a ser mais importante a partir dos álbuns Olha pra Mim (2006) e Marca da Promessa (2007), das bandas Toque no Altar e Trazendo a Arca, respectivamente. O auge se deu em “Ouve oh! Deus”, de Salmos e Cânticos Espirituais (2009), que foi o primeiro solo de Verônica em sua carreira.
Ao passo que sua participação nos álbuns solos de Sacer tornou-se cada vez mais fundamental, o óbvio era que, em algum momento a cantora lançaria algum projeto solo. E aconteceu. Devo Seguí-lo é este resultado, gravado durante o ano de 2013 em estúdios do exterior tendo a produção musical de Kleyton Martins, tecladista da banda de Davi e também produtor de seus álbuns solos desde Confio em Ti.
Entretanto, se o álbum de estreia de Verônica tinha a proposta de causar um impacto, infelizmente foi bastante falho. Em termos técnicos, o disco é inteligentemente refinado, correto, minucioso, mas não parece acrescentar nada na obra de Verônica, dando a certeza de que a cantora não conseguiu desvencilhar com sucesso da imagem de “vocal de apoio” ou “vocalista dos duetos com Davi/Luiz” construída ao longo dos anos.
Devo Seguí-lo é um disco essencialmente pop. Mesmo sem grandes novidades, “Oxigênio” aposta em um gradativo peso. “Blindado” tem um groove interessante, que tenta mudar o clima arrastado do trabalho. Mas a melhor música do álbum é a faixa-título, “Devo Seguí-lo“, com sua profunda letra versando sobre renúncia. “Descanso” fecha o ponto alto do álbum com seu arranjo de cordas. A mesma aposta de cordas vem em canções seguintes, principalmente “Vou Te Adorar“. “Majestoso Criador” fecha o disco de forma envolvente, diferentemente do clima frio que se estende por quase todo o disco.
As letras do disco são intimistas, e os arranjos colaboram para este clima. Porém, a interpretação íntima de Verônica Sacer não surge. A artista parece se esconder, enquanto sua dominação necessária é pedida pelo ouvinte. Até mesmo no dueto com Davi, a cantora parece retornar ao posto de apoio vocal. Mas, num disco solo, é necessário o controle total, o poder sobre as canções. Esta é a maior falha de Devo Seguí-lo.
Mesmo não causando o efeito esperado, o álbum de estreia de Verônica Sacer não é de todo negativo e possui boas canções, mas nada próximo do patamar que idealmente deveria alcançar. Claramente faltou mais ousadia e energia nas interpretações de Verônica, mesmo para um disco de textura claramente dramática. Este começo pode ser redimido, e tomara que num futuro breve. Capacidade é o que não falta para Sacer.
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