Entrevista: Eli Soares

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Ele é considerado um dos principais nomes da nova geração da música gospel nacional e é ele, Eli Soares, esse mineiro cheio de estilo, nosso entrevistado de hoje.

Vamos falar sobre carreira, influências, música secular e muito mais. Confira!

O PROPAGADOR – Você é de Belo Horizonte, cidade referência no cenário musical nacional, berço de grandes cantores e bandas gospel e seculares. Como foi o início de sua carreira em uma cidade efervescente artisticamente? Esse ambiente influenciou sua formação musical?

Belo Horizonte é a cidade que eu amo. Nasci, cresci e formei família aqui. Aqui estão as melhores lembranças e momentos que vivi na vida. Mas em relação ao celeiro de adoradores que é a cidade, o ambiente não me influenciou, mas me motivou. Até porque eu vim de uma escola de black music, soul pop que é diferente da maioria dos ministros oriundos de BH. Mas, por ter contato com tanta qualidade musical e ministerial, fui motivado a ter um ministério e seguir uma carreira.


 

O PROPAGADOR – Seu primeiro disco foi prêmio por sua vitória no Showveiro, concurso de calouros do programa Balaio da Rede Super. Como foi essa experiência?

Louvo a Deus por ter participado do Showveiro, pois ali foi onde dei o pontapé inicial para a carreira musical na minha vida. Foi uma experiência muito marcante pra mim como músico sair vencedor de um projeto cheio de gente boa cantando. Foi a partir desse concurso que entrei a primeira vez num estúdio para gravar e percebi o quanto era bom profissionalizar o talento. Me deu mais vontade de aprender a fazer as coisas de verdade.


 

O PROPAGADOR – Do “Eli Soares”, seu primeiro disco, até o “Casa de Deus” se passaram alguns anos. Como você sentiu sua evolução musical nesse período?

Eu acho que o meu amadurecimento musical foi muito importante para a gravação do “Casa de Deus”, pois tive a oportunidade de estar na estrada e ela me moldou bastante para esse projeto. Pra quem conhece os dois discos sabe que dá para ver a diferença de estilo e de pegada e até mesmo na construção dos arranjos e das letras. O crescimento tem sido importante. Nunca paramos de aprender.


 

O PROPAGADOR – Além de intérprete, você também é compositor de praticamente todas as faixas do disco. Qual é seu processo pessoal de composição? Dentre suas músicas autorais, qual a que mais lhe marcou?

O processo de composição pra mim é um variado. Depende mais do que Deus tem para me dar na hora. É algo que vem do Espírito Santo mesmo e se eu tentar sentar em algum lugar com o violão e tentar fazer algo de mim vai sair caricato, esquisito mesmo. E veio de Deus a canção que mais me marcou que é “Me ajude a melhorar”. É uma oração, uma experiência muito particular com Deus. Prova disso é a identificação que a maioria das pessoas tem quando ouve esse louvor. Fico feliz de ter sido escolhido pelo Senhor para levar essa canção para todos que precisam.


 

O PROPAGADOR – Alguns sugerem que seu estilo musical lembra o cantor Thalles, fenômeno do segmento na atualidade. Houve essa influência? Você se incomoda com a comparação? Quem são suas referências musicais?

Muita gente já me comparou muito com o Thalles. Temos coisas em comum, né?  Gravei duas músicas dele, chegamos a fazer um som juntos, somos negros e temos um cabelinho durinho e um estilo voltado pro pop-soul. (risos) Nunca me importei com essa comparação e me sinto honrado. Mas hoje, acredito que me achei na música e apresento aquilo que tem mais do meu estilo e claro baseadas nas minhas referências que são Stevie Wonder, Michael Jackson, Fred Hammond e Kim Burrell.


 

O PROPAGADOR – Na música “Me Ajude a Melhorar”, você diz: “Meu Pai, o mundo insiste em me comprar(…)“. Com seu talento, você já recebeu propostas artísticas para cantar no meio secular?

Já recebi inúmeras propostas e uma mais interessante que a outra. Não condeno quem faz música secular também, mas confesso que nunca senti que era isso que Deus tinha pra mim, pra minha vida. Deus me travou de uma série de pontos de vista diferentes e eu nunca aceitar nenhum convite.

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O PROPAGADOR – Falando em secular, como você vê a música fora das fronteiras cristãs? Acredita que é possível conquistar espaço entre o público não cristão com o chamado Crossover? Em entrevista recente ao O PROPAGADOR, o cantor Leonardo Gonçalves afirmou não acreditar que o público cristão esteja pronto para digerir esse tipo de intersecção entre gospel e secular. Qual a sua posição quanto a isso?  Sendo cristão, é possível fazer música secular?

Eu concordo com o Leonardo. Acredito que algumas pessoas ainda estejam distantes de entender isso. Na minha concepção existem três tipos de música: as que falam de Deus, as que falam sobre o inimigo e as que falam da vida, independente de religião falando sobre sentimentos, histórias experiências de vidas. Dentro desses três estilos, religiosa, secular e profana, entendo que secular não é pecado, o profano sim.


 

O PROPAGADOR – Algumas vertentes cristãs rejeitam a música secular. Você acha possível consumir música não cristã? Para você, ela pode ser referência de sonoridade?

Não rejeito não. Acredito que sim, é possível consumir música secular uma vez que você entenda do que se trata a letra da música, por exemplo, quando é cantada numa língua estrangeira. Para nós músicos é importante obter referências de estilos, sons, ritmos de toda música. Música secular não é sinônimo de música ruim, pelo contrário. Existem vários artistas bons, com qualidade excepcional nesse meio. Ouço, colho o que tem de melhor e isso não muda a minha espiritualidade com Deus.


 

O PROPAGADOR – Seu terceiro disco, o “Casa de Deus”, foi relançado em fevereiro com o selo da Universal Music Christian Group (UMCG). Como é, sendo tão jovem, ser um dos primeiros contratados pelo braço gospel brasileiro da maior gravadora do mundo? Que peso tem isso?

Esse peso é o peso da responsabilidade. Estar na maior gravadora do mundo indica que as pessoas esperam de mim o mesmo nível de qualidade que a Universal tem hoje. Preciso sempre fazer boa música, levar minha verdade e ser luz com meus testemunhos e atitudes. Passar o máximo das coisas de Deus, da glória de Deus pra vida das pessoas. O peso da responsabilidade é grande, mas se Jesus me colocou nesse patamar, aqui estou eu para servir.


 

O PROPAGADOR – Na UM Entretenimento, você é parte de um projeto de gerenciamento de carreira que, até a criação da empresa, ainda era inédito no Brasil. Como é participar disso? Como tem sido essa parceria?

A UM hoje é meu braço de suporte para o artista. Ela oferece coisas que são muito necessárias na carreia do músico. Essa estrutura facilita o caminho.


 

O PROPAGADOR – Você está em um momento de consolidar sua carreira musical, acabou de se casar, está tendo seu talento reconhecido nacionalmente, está conseguindo atingir vidas com sua música, ou seja, está se realizando. Quais são seus sonhos? Onde você almeja chegar aqui na terra?

Se Jesus voltar agora eu subo feliz e muito. Sou uma pessoa simples, pé no chão. Consegui gravar minhas músicas, estou casado. Não preciso de mais nada. Tudo o que eu mais queria Jesus já me deu. Agora, o que eu faço com isso tudo é o que vai me deixar bem ou não. Agora é só continuar cantando por esse Brasil levando a palavra dos nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

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