Surgida na capital paulista no fim da década de 80, o Resgate é um dos maiores – e melhores – ícones do rock cristão nacional, com o diferencial de manter sua formação praticamente intacta. O quarteto é formado por Zé Bruno, Hamilton Gomes, Marcelo Bassa e Jorge Bruno.
Guia discográfico
Vida, Jesus & Rock’n’Roll (Independente/1991): Bastante amador, mas esforçado, contém alguns dos elementos marca-registrada do Resgate. Sonoridade direta, simples, mas empolgante e algumas letras que começam a impressionar, como “Paralelo”. (Nota: 3.0 out of 5.0 stars)
Novos Rumos (Gospel Records/1993): Seguindo a tendência do anterior, Novos Rumos não contém muitas novidades, mas as canções não são tão elementares como antes. Com pitadas de heavy metal, o hard rock do Resgate começava a se solidificar. (Nota: 3.5 out of 5.0 stars)
On The Rock (Gospel Records/1995): Ampliando a visão do Resgate, o produtor Paulo Anhaia soube lapidar a música da banda. Num registro empolgante da primeira à última faixa, a música da banda é sólida, em certos momentos jovial e saudavelmente composta de autodepreciação. (Nota: 5.0 out of 5.0 stars)
Resgate (Gospel Records/1997): Se remodelando com questões acerca da religiosidade, é liricamente o disco mais complexo do Resgate. A sonoridade suja das guitarras, inspirada no rock londrino parece abandonar o humor tão positivo de On The Rock. (Nota: 4.0 out of 5.0 stars)
Praise (Gospel Records/2000): Com uma proposta praticamente conceitual, Praise encara muito bem o contexto do louvor comunitário no Brasil, sem perder-se na essência rock da banda. Com órgão hammond, backing vocals bem arranjados, as canções mesclam melodias agradáveis com letras de fácil assimilação. (Nota: 4.5 out of 5.0 stars)
Acústico (Gospel Records/2001): Embora o disco não pareça sair-se tão bem, o Resgate não se propôs a copiar suas versões de estúdio, mas com um time muito bom de instrumentistas conseguiu criar um registro coerente, e com um repertório bem selecionado. (Nota: 4.0 out of 5.0 stars)
Eu Continuo de Pé (Gospel Records/2002): Não aproveitando nenhum dos êxitos dos três últimos registros inéditos, Eu Continuo de Pé é, de longe, o pior álbum do Resgate. As letras, em maioria são pobres e a obra soa pouco convincente (Nota: 1.5 out of 5.0 stars)
15 Anos – Ao Vivo (Gospel Records/2004): Com guitarras explosivas e a boa participação de Dudu Borges nos teclados, é uma das melhores apresentações para fãs novos da banda. Embora as interpretações vocais de Zé Bruno propositalmente estejam abaixo de seu nível, o disco é ainda sustentado por duas das três faixas inéditas contidas no final (“O Rio” e “O Meu Lugar”), enquanto “Mais Longe” parece soar como uma sobra horrível de Eu Continuo de Pé. (Nota: 4.0 out of 5.0 stars)
Até eu Envelhecer (Gospel Records/2006): Em 15 anos, o Resgate só poderia continuar evoluindo por conta de seu novo integrante, o tecladista Dudu Borges, que tornou o registro menos previsível do que os anteriores. No entanto, o grande ponto negativo acerca de Até eu Envelhecer são algumas de suas letras panfletárias pró-Renascer. (Nota: 3.5 out of 5.0 stars)
Até eu Envelhecer – ao vivo (Gospel Records/2008): Repetindo grande parte do repertório de 15 Anos – Ao Vivo, Até eu Envelhecer – ao vivo não parece ser um registro muito necessário. No entanto, os registros para “O Rio”, “O Meu Lugar”, “Leve e Momentânea” e algumas das faixas de Até eu Envelhecer justificam relativamente o lançamento. (Nota: 3.0 out of 5.0 stars)
Ainda não é o Último (Sony Music/2010): Uma boa versão fundida de Praise com Até eu Envelhecer, Ainda não é o Último é um dos melhores trabalhos do Resgate, com todas as faces apresentadas pela banda em sua carreira. Com teor político, humorístico e até mesmo confessional, as guitarras de Zé Bruno e Hamilton se complementam aos teclados de Dudu Borges. (Nota: 4.5 out of 5.0 stars)
Pretérito Imperfeito, mais que Perfeito (Sony Music/2011): Um dos melhores Greatest Hits do mercado cristão, é um excelente cartão de visita da banda, com todos os seus sucessos contidos até 2010. Ainda, incluindo a autobiográfica “Assim Caminha a Humanidade?”, inclui fotos e depoimentos que não o tornam apenas uma coletânea, mas uma espécie de documentário sobre os melhores momentos do Resgate. (Nota: 5.0 out of 5.0 stars)
Este Lado para Cima (Sony Music/2012): Sem Dudu Borges, a banda retorna à agressividade de On The Rock, com a produção de Paulo Anhaia. Neste projeto, é interessante perceber que, apesar de simples, o Resgate criou tantas possibilidades e propostas musicais que a saída de um membro não a afetaria tanto. Com um discurso conceitual e forte de se desapegar das coisas terrenas, em direção para cima, a grande faixa do registro é “Eles Precisam Saber”. (Nota: 4.0 out of 5.0 stars)
Aos Vivos (Sony Music/2013): Claramente afetado por seu pouco planejamento, Aos Vivos soa justificável pela simplicidade que a banda vem adotando desde a saída de seu tecladista. Abordando também algumas canções de Ainda não é o Último com samples, o disco remonta o Resgate no ápice de sua elementaridade. (Nota: 3.0 out of 5.0 stars)
25 Anos (Sony Music/2015): Com arranjos acústicos suaves, mas vintage, além das grandes inéditas “Ninguém vai Saber”, “Luz” e “Ele”, o Resgate preferiu fazer um trabalho mais calmo, diferente dos anteriores, revisitando canções esquecidas. Apesar de alguns deslizes, o registro teve um acabamento bastante positivo. (Nota: 4.0 out of 5.0 stars)
Ao Vivo na Kiss FM (Independente/2016): Antes não planejado, Ao Vivo na Kiss FM é uma apresentação despojada, com o uso dos melhores elementos do trabalho de 25 Anos. Apesar da falta de novidades, vale destacar a versão estendida de “Luz”. (Nota: 3.0 out of 5.0 stars)
No Seu Quintal(Sony Music/2017): Álbum do Resgate com mais contribuições individuais de Zé Bruno em mais de uma década e com uma musicalidade que bebe fortemente do rock sessentista, dá continuidade às críticas religiosas do grupo (“Lágrimas”) e um bom gosto nos rocks, como “História” e “No Seu Quintal”. (Nota: 4.0 out of 5.0 stars)
Ao Vivo no Prosa & Canto Festival(Independente/2017): Originalmente descartado pela insatisfação da banda com o áudio, o projeto foi enfim lançado com overdubs da versão de estúdio. Isso, de certa forma, tira o grande charme do projeto. (Nota: 2.0 out of 5.0 stars)
É Só Isso Aqui(The Orchard/2020): A safra autoral de Zé Bruno e a tentativa da banda de fazer algo diferente resulta em um álbum intrigante, cheio de altos e baixos, participações de artistas jovens e parcerias nostálgicas, um olhar para o passado e, ao mesmo tempo, para o futuro do grupo. (Nota: 3.5 out of 5.0 stars)
Onde Guardamos as Flores?(OneRPM/2024): Nenhuma banda, na história da música evangélica brasileiro, conseguiu produzir um manifesto importante como o Resgate em um momento tão avançado da carreira. Onde Guardamos as Flores? traz o que há de melhor do grupo em termos musicais, com riffs deliciosos de Zé e Hamilton, e letras que respondem questões contemporâneas sobre divisões políticas, as posições evangélicas sobre a população LGBTQIAPN+ e a dor dos excluídos. (Nota: 4.0 out of 5.0 stars)
On the Rock – Ensaio(Independente/2026): Sessões de ensaio da época do álbum de 1995, com gravações que já se assemelham bastante à versão final das músicas. Um material indiscutivelmente histórico, mas que seria melhor valorizado dentro de uma edição comemorativa, expandida e completa do álbum original remasterizado. (Nota: 3.0 out of 5.0 stars)
Melhores músicas
5:50 AM, A Hora do Brasil, Acusador, Água Viva, Astronauta, Daniel, Em Todo o Lugar, Eles Precisam Saber, Eu Estou Aqui, Infinitamente Mais, Jack, Joe and Nancy in the Mall, Liberdade, Neófito, O Meu Lugar, O Nome da Paz, O Rio, Palavras, Paralelo, Passo a Passo, Pra Todos os Efeitos, Restauração, Rock da Vovó, Solidão, Te Encontrar, Tempo, Todo Som e Vou me Lembrar.
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