Análise: CD Ainda Existe Uma Cruz – Diante do Trono

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Quando o ouvimos o oitavo CD do Diante do Trono, Ainda Existe uma Cruz de forma rasa e bem superficial, atentamos a poesia das composições, e nos deixamos ser embalados por melodias atrativas e coesas. O CD que o antecede, é o Esperança. Um disco que se canta sobre o ser humano colocado na sua forma mais indefesa. Mas a fragilidade não podia ser o único fator exposto.

O trabalho tem dois pólos. Ambíguo. É algo que vai da criação, vida benevolência até o pecado, erro, mortalidade. A variação é enorme até mesmo numa mesma religião. Mas o seu princípio é a afronta direta a Teologia da Prosperidade (assunto que a Ana só veio falar abertamente no X Congresso de Louvor e Adoração, e, claramente se pôs contra).

As referências bíblicas são diversas. Isaías 40, Salmos 40, Salmos 24, Romanos 11, 2 Samuel 7, Lucas 9… e demais. O disco começa nos ensinando a partir daí: O fato dela não querer fincar suas músicas em detrimento de outras que ela não compôs já mostra que pra ela, o que importa é o resultado final, não o nome na descrição. No fim, o importante são exemplos como esse: é uma pedrinha jogada no lago, mas pode ter certeza que as ondas produzidas vão chamar atenção numa margem distante. O trabalho como um todo serviu para despertar a igreja, ainda que aos poucos.

O que torna tudo mais visível é o teor de regresso das composições. As músicas “cospem” e cobram aquilo o que a igreja não está(va) vivendo. Em razão disso, sem pudores, chamaram-na de louca. Mas o precedente foi ABERTO.

Indo mais o fundo, o ministério nos elaborou uma grande metáfora a respeito do quebrantamento. O grande segredo do Ainda Existe uma Cruz, é que, de uma forma bem minuciosa, nos mostra que o cristianismo, atualmente, NÃO aprende e NÃO evolui. E sinto uma pena que a religião que se baseia na fé em algo tão perfeito, pode ser tão, mas TÃO limitada aos próprios dogmas, e tal falta de entendimento de algo que, se compreendido, poderia dar uma força maior a sua instituição.

Digo que não aprende, pois foi preciso ela ser tachado de louca, por criar um disco com nuances de uma estrutura tão simples quanto efetiva. O cru do evangelho. Aquilo que muitos tinham se esquecido. Porque a complexidade do disco está nos arcos de histórias – subjetivo até. Mesmo que o público (tanto os que estiveram na gravação, e os que compraram o CD) não tenha consciência disso tudo, o disco continua sendo um excelente thriller, justamente por ser óbvio demais.

Com tanto conteúdo e interação artística, o DT8 acaba sendo uma pia ENORME e com MUITA LOUÇA SUJA que muitos até hoje não tiveram a disposição de lavar. Talvez se deslumbrem facilmente com a Ana no palco, e se satisfazem com o superficial do disco. Aquilo que está fácil de mastigar, ainda que bonito. Estamos longe de atingir o conhecimento sobre luas, divagações, saraus, compilações, expedições, trocas entre outras coisas que só conheçamos de nome. Mas a mensagem do disco é clara, e ainda é válida nos dias de hoje, até mesmo em seu próprio título. O CD é um amontoado de fatos, e quanto mais rápido a pessoa lidar, melhor.

Veja também: Guia discográfico do Diante do Trono

Comentários

2 respostas a “Análise: CD Ainda Existe Uma Cruz – Diante do Trono”

  1. […] uma era polarizada do grupo, mais acentuada no aguado Nos Braços do Pai (2002), até o tarimbado Ainda Existe uma Cruz (2005). Mas, nos últimos três anos, o imbatível nome começou a soar como uma banda que estava […]

  2. […] incômoda e bem fora da caixinha congregacional. Assim é “Ainda Existe uma Cruz”, tema do 8º disco da banda, gravado na cidade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. A canção é simples e baseada nas […]

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