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  • Análise: CD Learning to Breathe – Switchfoot

    Com canções mais “sujas” e pesadas, o álbum Learning to Breathe da banda Switchfoot inova com músicas fantásticas, como “I Dare You to Move”, “Love Is the Movement” e “Learning to Breathe”. Preenchida por onze faixas segmentadas pelo rock alternativo, post grunge e até uma canção com influências da bossa nova, o terceiro projeto do grupo musical apresenta um notável e admirável desenvolvimento em suas canções, considerando o antecessor, a começar pela arte da capa: figuras geométricas representando homens e em suas cabeças, um desenho de televisão. Uma crítica bem humorada feita à nossa cultura atual, onde nossos valores intelectuais, de caráter tem se dobrado à produção midiática, à cultura pop e superficial de nossa geração.

    Abrindo o CD, “I Dare You to Move” exime a beleza da criatividade da banda, numa canção empolgante e reflexiva. A primeira versão da composição e single da banda é introduzida por notas dissonantes tocadas em um violão, e com a duração da música são incrementados os outros instrumentos. Possuindo um refrão daqueles grudentos e excitantes, o tipo você que você canta, decora e nunca mais esquece, a música é uma chamada de recomeço, nos momentos em que nós caímos, para correr de encontro à Cristo.

    A segunda faixa, single e faixa-título, “Learning to Breathe“, é uma bela balada com uma linda introdução de guitarra. Junto com outras canções do Swtichfoot, integrou a trilha sonora de Um Amor para Recordar. A melodia segue usando uma escala de sol com os versos poéticos de Jon Foreman retratando a “morte de si” para viver e sobre como o homem cai.

    You Already Take Me There, a terceira obra do álbum, com direito a um videoclipe, orienta-se em um som bem grunge. Uma melodia executada com guitarras mais distorcidas, é acompanhada pela voz de Jon Foreman cantando sobre o lugar onde nós encontramos em meio à destruição e morte do mundo: em Deus.

    A quarta composição do álbum é a beleza e a harmonia entre a poesia e um arranjo extravagante. “Love Is the Movement” é a definição disso. Com uma introdução de dedilhados em sol maior e si menor, acompanhado por toques graciosos e suaves de baixo, a obra, uma das melhores da banda, exprime o amor de Deus como poucas canções conseguem exprimir. Depois da introdução, a entonação da musica altera-se, entre belos dedilhados. A canção finaliza com um coral.

    A próxima faixa é uma das mais divertidas do CD. Em meio à riffs e solos de guitarras sujas, solos de teclado e com vozes falando e cantando, complementa o conjunto da harmonia de Paparazzi. Seguindo o som grunge, a voz de Foreman destoa em algumas partes e em outras executa uma boa interpretação, enquanto proclama a revolta contra cultura pop que invade a mentalidade cada pessoa.

    Innocence Again” é sem dúvidas a melodia mais distinta do álbum. Com excelentes trabalhos de guitarra e violão, a música possui certa influência da bossa nova, que lembra algumas obras dos Los Hermanos, como “Veja Bem Meu Bem”, e a parte instrumental aos 01h47min da duração de “A Flor”. Aplausos ao solo de violão em sincronia com o canto de Foreman encontrado mais ou menos no meio da música. A composição expõe a ideia de como a nossa fé é inocente ao crer em Deus só em momentos fáceis, mas que a oportunidade de redenção e sua graça se encontram em todos os momentos.

    A sétima melodia do álbum é um som levado por riffs até bons de ouvir. “Playing for Keeps” começa com toques de guitarra com poucas distorções, quase clean, até partir para a ponte e refrão, onde se acrescenta mais distorções a guitarra. Palmas aos trabalhos de backing vocais na canção.

    The Loser” é uma boa música. Com uma introdução marcante de riffs de guitarra que também acompanham o refrão, Jon Foreman canta sobre o esvaziamento de alguém, sobre ser perdedor e poder ainda ganhar.

    A nona faixa, “The Economy of Mercy”, é outra balada, na qual quebrando a sequência de canções ótimas e boas apresenta uma sonoridade de qualidade mediana, com uma bonita introdução, mas com fracas interpretações e um arranjo um pouco maçante. A letra que apresenta uma visão poética da graça divina poderia ser o ponto positivo da canção.

    Erosion” em termos de qualidade seria uma espécie de melhoria da composição anterior, mas com um refrão ainda um pouco cansativo. Com uma introdução bem interessante de efeitos na voz do vocalista e grungeria na linha de guitarra, a música mistura um pouco de suavidade no refrão e ponte e sujeira no resto da construção musical, declara sobre a chuva divina que pode quebrar nosso coração, e um clamor por isso.

    A última do CD, “Living Is Simple”,  apresenta a mesma qualidade que se percebeu antes das duas últimas canções. Ótimo trabalho de violão, guitarra, baixo e bateria. Notáveis solos de violão em algumas partes, enquanto expõe a sua visão de que viver não é simples, mas morrer todos os dias, uma contradição com o título que é exposto na escrita da música.

    Em suma, a terceira obra de Switchfoot mais uma vez mostra um maior e notável amadurecimento na composição dos arranjos, e um perceptível aumento de peso nas canções em comparação com os dois primeiros álbuns. Com a mesma característica dos CDs anteriores, foi um álbum estritamente “Jon Foreman”, tendo a maior parte da assinatura das composições, exceção de algumas que criou com o irmão e baixista Tim Foreman.

    Vale salientar a qualidade de algumas canções, tanto na poesia e na harmonia, presente nesse álbum, como a canção “Love Is the Movement”, que mais tarde se tornaria o slogan de uma organização social chamada To Write Love On Her Arms, que luta contra depressão, vícios, automutilação e suicídio, do qual Switchfoot participa. Mas o conjunto como um todo, percebe-se que foi um álbum com letras mais devotas e menos trabalhadas que as anteriores, apesar de como sempre estarem excelentes.

    O álbum foi produzido por Charlie Peacock e Jacquire King, e o último a ser gravado pela gravadora independente Re:think Records, com distribuição feita pela Sparrow Records, lançado em 26 de Setembro de 2000. Os créditos para a execução dos arranjos ficaram nas mãos de Jon Foreman como vocalista e guitarrista, Tim Foreman no baixo e backing vocal, e Chad Butler na bateria, com participações de Vicky Hampton e Darwin Hobbs em “Love Is the Movement” e de Jan Foreman em “Living Is Simple”. O álbum foi mais bem sucedido que os dois primeiros, recebendo disco de ouro da RIAA (Recording Industry Association of America) e nomeado como “Melhor Álbum Gospel Rock” pelo Grammy em 2001.

  • Análise: CD New Way To Be Human – Switchfoot

    New Way to Be Human, a segunda obra de Switchfoot é sem dúvida um progresso em forma de arranjos. Com um álbum anterior orientado pelo post grunge e com pequenas influências do post punk, o novo conjunto de faixas apresentou canções mais trabalhadas e marcantes, sem grandes mudanças no estilo musical. As composições, em sua maior parte foram creditadas a Jon Foreman e a execução das faixas feitas pelo power trio formado pelos irmãos Jon Foreman (vocal e guitarra) e Tim Foreman (baixo e backing vocal), e com Chad Butler na percussão, contando ainda com outros convidados especiais para execução de algumas faixas. O projeto foi gravado e distribuído pela gravadora Re:think Records e produzido por Charles Peacock.

    A primeira canção e single da obra, “New Way to Be Human“, faixa-título, introduz bem o CD. Começando com um violão, alguns toques de guitarra, baixo, teclado e uma bateria acompanhando no fundo, já diz bem o que será o segundo álbum da banda, uma mistura de melodias acústicas, lentas, velozes e alternativas. Sua letra se sobressai como o ponto forte da banda, falando de um eu lírico procurando um jeito de viver. A música apresenta essa forma de ser, o “New Way to Be Human”. A canção recebeu um videoclipe e entre as faixas do álbum, listaria como a terceira melhor obra deste.

    Incomplete”, com seu riff de introdução, e um estilo meio rock alternativo misturado ao post punk do U2 é a segunda melodia do CD de maior qualidade. A canção, falando de um ser incompleto procurando alguém para completá-lo, desempenha bem seu papel e, seguindo a faixa anterior, mostra o melhor do álbum.

    A terceira melodia, “Sooner or Later(Soren’s Song)” demonstra a habilidade conceitual de Jon Foreman ao citar filósofos nas suas composições. A música, calma e com dedilhados simples de guitarra, tendo direito as sons de violinos e outros, até ganhar um peso no meio da sua duração faz referência às ideias do filósofo cristão Søren Kierkegaard de que há uma realidade conflitante no mundo a qual os homens terão que lidar algum dia. Cita também a ideia do filósofo Jean Paul Sartre de que os homens estão condenados a serem livres. A beleza da composição é notada em uma desenvoltura de trabalhar bem com palavras instigando ao ouvinte a pensar e entender a mensagem da letra. O arranjo em si, é simples, sem algo notável e cumpre o papel de uma canção comum.

    Company Car”, a quinta faixa, é uma das composições mais conhecidas do projeto, bela como os primeiros arranjos. Destaca-se os instrumentos de sopro encontrados na melodia e a construção da letra, detalhando a vida de um cara que tem um alto cargo e o carro da empresa, mas continua sendo um nada e um ser vazio. Ótima letra, ótima mensagem.

    A sexta composição do CD, “Let That Be Enough”, é uma faixa acústica de voz, violão e teclado. Uma canção de arranjo sem excentricidades, mas com uma bonita letra sobre solidão e a vontade de se repousar em Deus. “Something More (Augustine’s Confession)” é uma das melhores composições do álbum. Citando “Confissões”, um livro de um dos pais do cristianismo, Santo Agostinho, tem um arranjo introduzido por riffs de guitarra pegajosos e um refrão com um backing vocal notável. Uma canção com fortes características do post punk, principalmente no refrão.

    A sétima canção, “Only Hope”, é sem dúvidas a melhor e mais esplêndida composição do álbum. Uma das canções mais conhecidas do grupo musical, uma melodia semiacústica, com graciosos toques de violino, um belo dedilhado de violão, acompanhada por sons de teclados e em algumas partes por guitarra aliado a uma letra de amor a Deus (a canção é usualmente entendida como uma música romântica), constroem uma bela obra da banda. A composição é um dos maiores sucessos da banda, principalmente pelo cover feito por Mandy Moore no filme “Um Amor para Recordar”.

     “Amy’s Song”, sem grandes detalhes apresenta toques suaves de violão. Fala da garota Amy, uma simbologia a uma pessoa que vive sua vida centrada em Cristo, e que está viva em um mundo morto, em uma bela construção de versos, característica notável da banda quando querem escrever algo.

    A penúltima faixa, “I Turn Everything Over”, é uma boa canção. Arranjo com base definida no rock alternativo, no fundo, uma pequena influência do post punk e expressa a fraqueza e a decadência humana em comparação com a grandeza de Deus, nossa única esperança.

    A última composição do álbum, “Under the Floor” é uma música simples com uma letra de devoção ao Deus e de reconhecimento de sua Glória. Apesar de sua simplicidade, após o final da canção há um encantador conjunto de vozes mais instrumentos finalizando a melodia e o álbum.

    New Way to Be Human representa um bom avanço na carreira da banda, em comparação ao último álbum, notado em suas composições e na criação de canções mais impactantes. Jon Foreman nesse CD mostra novamente seu dom de compor letras sem pieguices e clichês, com versos poéticos e complexos que retratam e buscam a vida de Deus sem falar diretamente de Deus, em virtude da fraqueza e superficialidade humana. Canções como “Only Hope”, “Incomplete”, “New Way to Be Human” e “Something More (Augustine’s Confession)” poderiam ter sido facilmente transformadas em singles da banda.

  • Um Brinde – Crônica em torno de ‘Only Hope’

    Um Brinde – Crônica em torno de ‘Only Hope’

    Lembro bem que ouvia “Only Hope” pela primeira vez interpretada pelo Switchfoot. E tomei um baita susto mesclado com uma alegria enorme em saber que era composição do Jon Foreman. Um motivo a mais para ser fã do artista!

    Demorei um pouco pra dormir, antes, ainda fui até ao meu amigo pegar uns currículos e um boleto de um produto que comprei pela internet. Essa mesma bem-dita internet que você está lendo este post. Ah, e sobre a composição do Jon de “Only Hope”, talvez não devesse confiar no letras.com, mas isso não interessa agora, ainda vejo Switchfoot como uma das melhores bandas de rock do Século XXI (poden me julgar).

    Lembro também de ter tentado compor uma canção usando alguns comparativos com o filme “As Crônicas de Nárnia”, mas não deu certo. Há não muito tempo venho usando a teoria do Lucas Silveira que “a música está todo tempo no ar, conspirando, e, o que nos faz ser compositor é a habilidade de captar cada detalhe e transformar em arte”. Eu, que nunca fui adepto da atmosfera enquanto escrevo, passei a me policiar a cada texto que ouso passar para o papel.

    Não posso me esquecer também do finalzinho do debate presidencial que assisti na TV. Pequenas ideias partilhadas e ataques, um em cima do outro. E sabe o que é mais profundo? Fazendo do meu controle remoto um botão de controle de PS3, encontrei um letrado no Canal Viva que dizia “Um Amor Para Recordar“. Bah! Seria minha oportunidade de assistir o filme pela primera vez, e após saber que a música-tema do filme era do compositor que mais admiro depois do Guilherme de Sá e Humberto Gessinger, mas infelizmente, o que passava na TV não coincidia com o letrado. Pequena decepção!

    E vale lembrar também que a música não tem nada a ver com o que a massa pensa: não é uma canção apaixonante de homem para uma mulher, mas sim, uma melodia harmônica romântica dos homens a Deus! Incrivelmente lindo! Talvez se o admirável Rodolfo Abrantes estivesse ao meu lado, diria que estava idolatrando Jon Foreman. Por partes concordaria com ele, lembrando bem que o que chamam de idolatria tem duas partes (pensem).

    O que falar da teoria de Sócrates sobre responder uma pergunta com outra pergunta? “Jhonata, você nunca assistiu o filme e acha a trilha sonora o máximo?” Respondo: “Querido(a) como foi assistir o filme e conciliar a música com o que você assistia?”. Sócrates explicava (quase) tudo. O Apóstolo Paulo me alertaria bem que tudo o que vejo, ouço, sinto não é o que o Celeste tem pra mim. É tudo inimaginável! Divinamente lindo!

    Observe bem que nem citei a versão do filme, cantada por uma linda cantora que nem sei o nome. Ta bom, você vai dizer que era pra eu ter feito uma pesquisa no Google, mas o meu amigo Gessinger já me falou um pouco do que é natural na escrita. Estou escrevendo sobre a música, não estou fazendo uma pesquisa sobre a mesma. E para não ficar mais chato do que está este texto, vou pôr o “the end” sem pretensões de “fim”, acrescentando o brinde de hoje: brindamos uma noite qualquer (nostalgia do blog do Stecanella) , uma música de reflexão e a beleza dos detalhes! Um brinde à “Only Hope”.

  • Análise: CD The Legend of Chin – Switchfoot

    Para um primeiro lançamento de uma banda, Switchfoot demonstrou uma grande criatividade tanto nas letras como nos arranjos. Nesse primeiro trabalho, o grupo esbanjou na complexidade e reflexão em suas abordagens, como o vazio humano, sentimentos e assuntos do cotidiano. A gravação é creditada ao power trio formado por Jon Foreman, Tim Foreman e Chad Butler, o que faz de uma obra tão criativa tornar-se notória por ser executada por apenas três pessoas. As músicas foram compostas pela genialidade de Jon Foreman, com exceção do “Underwater”, que foi escrita por Jon em parceria com Casey Gee. A capa e o título do projeto faz referência a um amigo dos integrantes da banda chamado Chin.

    A primeira canção, “Bomb”, começa com uma bela introdução de baixo e de acordo com o andamento da música ganha peso até terminar com a mesma leveza da introdução. Música com dissonantes, dedilhados e riffs de guitarra, a segunda melhor melodia. O mais notável e legal nessa canção foi o baixo. Ótima música de introdução. A letra faz referência a um vazio do eu lírico clamando a Deus para que possa preencher esse espaço. O vazio é a bomba que ele vive. Uma letra criativa e legal.

     “Chem 6A” é a melhor música do álbum, o primeiro single da banda, com direito a um videoclipe. Começando com falas no início, a música segue uma linha que me lembra um grunge. Nessa, Jon Foreman caprichou nos riffs de guitarra, mostrando alegria. O guitarrista a compôs se referindo a um curso acadêmico de Química que ele fez na Universidade de San Diego. Os versos se referem à preguiça de estudar, tentar resolver seus problemas e mudar o mundo. Esse problema se reflete na sociedade como uma falta de esforço do homem para resolver suas dificuldades. Uma ótima letra e complexa.

     Outra ótima música, “Underwater” segue a linha alegre e alternativa das primeiras canções. Riffs interessantes de guitarra e mais ou menos no final da música, ela ganha um estilo meio blues novamente até aumentar o peso e voltar para o rock alternativo. Sua letra é bastante complexa. Ao que parece, uma moça vive sua vida correndo contra o tempo tentando saber qual o sentido de tudo e assim vive seu tempo. Mas ela não consegue e sempre falha. Numa parte mais complexa ainda, usando de metáforas, a letra parece passar uma ideia sobre a morte dessa moça, que perde todos seus objetivos. O que se pode tirar dessa canção é sobre a busca cega do homem sobre o sentido da vida, mas não consegue encontrar. Algo que deveria ser buscado em Deus.

     “Edge Of My Seat” também é ótima, e começa lentamente com piano e voz, até ficar mais rápida como as músicas anteriores com a entrada da guitarra, do baixo e da bateria. Ótimos riffs de guitarra. Como sempre, outra letra complexa e poética. O que poderia tirar dela, é sobre uma articulada declaração de amor. Ele está dizendo que não sabe o que tem no futuro, nem o que espera por ele, mas quer que uma garota ande com ele na vida, uma menina que conheceu e que não pode esquecer. Deseja que ela ande com ele na montanha-russa fazendo alegoria a uma vida vivendo do lado do seu amor.

     Diferente das primeiras músicas, “Home” já segue um estilo mais calmo. Primeira balada do álbum, segue com belos dedilhados e acordes de violão. Uma bela canção e um ponto forte do Switchfoot de fazer canções desta categoria. Nessa, entram violinos que executam belas notas, o ponto forte da melodia. Agora, o mais notável dessa canção e o ponto mais forte do Switchfoot é a letra, bastante poética, que fala da longa caminhada até a eternidade. Em partes dessa letra como “Parar para pensar em todo/ O tempo que eu tenho perdido/ Começar a pensar em todas as/ Pontes que eu tenho consumido/ Que devem serem cruzadas” confessam sobre o tempo perdido em coisas passageiras e sobre caminhos que deveriam ter seguidos. Fala sobre tudo está no controle de Deus e que não devemos parar nessa longa caminhada, a longa caminhada para nossa “Home”. Essa é a melhor letra do disco.

     “Might Have Ben Hur” segue alternando riffs calmos e dedilhados entre riffs rápidos. A interpretação de Jon Foreman com agudos em algumas partes é interessante e até cômica. A letra, outra confissão de amor, fala sobre o eu lírico pensando que poderia ter sido aquela garota que amava que ele compartilharia seus sonhos e fracassos, que ele poderia ter confiado, mas que pelo “Poderia ter sido ela” não estava com ele e assim o deixou triste.

     “Concrete Girl” é uma boa música, segue também alternando entre longos dedilhados calmos e curtos riffs potentes. A letra fala sobre problemas que acercam uma garota, que balançam seu mundo, mas como uma palavra de conforto do eu lírico, ele fala para ela sobreviver a isso tudo e continuar vivendo. Uma ótima letra que descreve sem feminismo o verdadeiro valor de uma garota.

     “Life And Love And Why” começa com um dedilhado suave de guitarra. E assim, como algumas canções dessa obra, ganha peso com o tempo. Segue alternando entre peso e suavidade. Contém uma ótima letra, reflexiva e poética, falando sobre a busca fútil de coisas que possam preencher o vazio humano, lhe dar alegria, e o há um questionamento sobre isso tudo. A alegria ansiada só poderia ser encontrada em Deus, que descrita na canção como uma súplica pela resposta para o vazio humano.

    Outra balada, “You” seguindo a linha de “Home”, é um belo registro. Contém toques de violinos, não tão atraentes como o do “Home”. A canção tem uma linda e poética letra que descreve sobre a esperança não ser encontrada em nós, nos homens, mas em Deus. Uma esperança encontrada em Deus mesmo nas decepções humanas, em suas fraquezas. E assim, o eu lírico espera perder-se de si mesmo e se encontrar em Deus.

    “Ode To Chin” é mais alegre e animada como as primeiras faixas. A letra tem um tom reflexivo e bem poética, e como sempre ótima. Questiona sobre nossas visões, nossas escolhas, e que Deus é maior que isso, maior que palavras. Então num convite do eu lírico, ele nos pede para firmar nossa vida em Deus, nossa visão Nele.

    Uma música acústica do disco, “Don’t Be There” segue numa linha suave com violão e a entrada de toques de violinos. Boa canção, que lembra canções que podem ser tocadas em bar. Jon Foreman a compôs porque estava passando por um período difícil na vida pela perca de uma amizade. A letra se baseia na melancolia da separação e a preocupação do cantor com o seu amigo em que havia se separado. Como sempre, letra poética e complexa.

    Ótimo álbum, letras complexas, poéticas e belas, arranjos criativos mesclando alegria e suavidade. A capa é interessante, mas não muito chamativa, lembrando algo mais clássico e antigo. Pela letra “Ode To Chin”, essa capa poderia se referir a um projeto de reflexão a vários “chins” no mundo. Jon Foreman interpreta bem as músicas nesse álbum, sem exageros e firulas. Switchfoot demonstrou que viria a ser a melhor banda de rock alternativo.