Tag: Katsbarnea

  • Rocklogia – Os primeiros anos do Katsbarnea

    O que te faz pensar uma banda de rock surgida no fundo de uma igreja árabe, que era conhecida por seus membros serem muito loucos e ter um nome chamado Katsbarnea? Pois bem, essa banda, em minha opinião foi a mais ‘revolucionária’ dos anos 90. Desculpa Oficina G3, Fruto Sagrado, Catedral e todas as demais bandas, mas os quatro primeiros álbuns do Katsbarnea são clássicos. São sequências de discos muito bons, com repertório criativo, e os arranjos até hoje não superados pelas subsequentes formações. E melhor, um grupo que até certo momento nunca precisou gabar de si mesmo (como muitos fizeram por aí), preocupando-se apenas a fazer música.

    O Kats foi uma banda pela qual muitos integrantes passaram. Essas saídas e entradas, na verdade, não são uma suposta saída deliberada de membros, mas vários processos internos ocorridos, principalmente em seus primeiros anos. O grupo surgiu em meados de 1988, com uma formação grande. O projeto de estreia, O Som que Te Faz Girar, seria lançado em 1989, quando o grupo tinha cerca de um ano formado. Segundo Sandra Simões, uma das ex-integrantes, este álbum foi produzido por Domingos Orlando, o Mingo, integrante do Os Incríveis pelo fato de, na época, o músico ter gravado um projeto juntamente com Rod Mayer, e consequentemente conhecido o Katsbarnea, interessando-se pelo trabalho do conjunto. A formação inicial era composta por: Brother Simion (vocal, guitarra e gaita), Paulinho Makuko (percussão), Tchu Salomão (vocal e baixo), Patrícia (teclado), Fábio (bateria), Alessandra Orlando (back vocal), Sandra Simões (vocal), Cláudia Bastos (back vocal) e Marquinhos (sax).

    Nesta época, Alessandra inscreveu a banda no FICO, um concurso que ocorria no Colégio Objetivo onde estudava. O Katsbarnea ficou em primeiro lugar. Este projeto seria composto por canções em maioria escritas por Simion, nos vocais do cantor, exceto em “Brisa”, na voz de Tchu Salomão. “Salve a Tua Paz” foi um dueto entre Brother e Sandra.

    “Extra” é até hoje o hit do grupo. Sua textura sombria, e ao mesmo tempo divertida com os vocais femininos traz o individualismo como crítica. E que álbum começa com “Contato”? Meio cantada, meio falada, com sua pegada folk recebeu uma boa regravação no álbum solo de Brother Simion, lançado em 1992, ao qual falaremos em outro post. “Etéreo” e “Retrovisor” são duas canções que trabalham bastante a poesia e assuntos mais pontuais. “Essa energia não é nuclear, mas poderosa para o mundo em amor. Revolucionar”. O som do Kats é uma verdadeira colcha de retalhos, uma gaveta com peças distintas.

    “Grito de Katsbarnea”, assim como “Corredor 18”, “Extra” e “Viagem da Oração” são canções regravadas no segundo projeto do grupo, já com outra formação no Estúdio Transamérica. Nesta época, entrou Maurício Domene (teclado e arranjos), Márcio Domene (trombone), Chiquinho (trumpete), André Mira (guitarra) e Marcelo Gasperini (bateria).

    Este foi produzido por Maurício. Brother Simion, por sua vez apresenta boas composições, como “Apocalipse Now”, “Fumaça Arisca” e “Sepulcro Caiado”. O interessante é a temática droga nas canções. Paulinho Makuko, por exemplo, teve contato com LSD, e conta seu testemunho em “Corredor 18”. Brother Simion teve várias overdoses antes de se tornar cristão, e uma vida pessoal extremamente triste e devastadora, que acabou levando-o a ter conhecimento suficiente sobre tais temas e cantá-los. Em 1991, a formação do Kats mudaria drasticamente, mas isso é assunto para outro post…

  • TOP10 – covers gospel e regravações

    Mais legal do que ouvir um bom sucesso é achar uma versão melhorada de tal música. Assim como é comum no meio secular, temos várias canções da categoria no âmbito cristão. Existem artistas que cedem composições para outros músicos, e logo depois gravam a mesma faixa em sua carreira. Outros prestam tributo a nomes que fortemente contribuíram na construção da modernização na qual a música cristã vivenciou. Aqui, trazemos dez ótimos covers gospel de canções que foram sucesso no meio evangélico.

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    “Aguenta Firme” – Voices (Ludmila Ferber)

    Ludmila Ferber, em sua carreira sempre gostou de produzir canções sobre superação em meio a dificuldades. A frase “Não desista!” tornou-se um bordão da cantora, e “Aguenta Firme” é uma dessas canções. Registrada no álbum Coragem, quinto título da série Adoração Profética, foi regravada pelo grupo Voices em seu álbum de despedida, Voices para Sempre. Hoje, a canção é bem mais conhecida na voz do supergrupo, até ganhando premiação no Troféu Promessas com seu clipe. (2012)

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    “Jerusalém e Eu” – David Cerqueira (Denise Cerqueira)

    Mais do que um filho de uma cantora famosa, David Cerqueira conquistou seu espaço no meio cristão por méritos próprios, sendo compositor, ex-vocalista do Toque no Altar, designer conceituado e uma carreira solo que abrange quatro álbuns. Cristina Mel também a gravou, mas o melhor registro de “Jerusalém e Eu” é de David, que deu destaque a leveza da canção e a interpretou muito bem. (2012)

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    “Promessa” – Anderson Freire (Marco Aurélio)

    Anderson Freire possui uma enorme lista de canções gravadas por uma série de artistas. Mas “Promessa”, também conhecida como “Vou Voar”, foi gravada e escrita anteriormente por Marco Aurélio em seu álbum Reflexão, e Freire trouxe para a sua carreira. Enquanto a versão de Marco, apesar de modesta conter elaborada interpretação, Freire aposta mais nos arranjos e na participação de Wilian Nascimento nos vocais. (2014)

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    “Primeira Essência” – Aline Barros (Anderson Freire)

    “Primeira Essência” foi gravada, inicialmente no álbum Identidade, de Anderson Freire. No mesmo ano, Aline a lançou em Extraordinário Amor de Deus, sendo uma das canções de maior sucesso do projeto. A leveza de sua interpretação e o feeling do arranjo, com execução instrumental colaborada pelos integrantes do Roupa Nova garantiu, sem dúvida o êxito da versão. (2010)

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    Autor da Minha Fé – Cristina Mel (Logos)

    O Grupo Logos é, sem dúvida um dos maiores influenciadores da música cristã nos anos 80. As composições do Pr. Paulo César são até hoje lembradas e cantadas por várias igrejas. “Autor da Minha Fé” é um de seus principais hits, e também foi regravada por Carlinhos Felix e Paulo César Baruk.

    Já Cristina Mel surgiu no início do movimento gospel, e sem dúvida é a cantora cristã com a melhor voz e desempenho vocal. Em seu álbum Eternamente faz uma versão impressionante de “Autor da Minha Fé”, com arranjos de cordas e metais. Sem a menor dúvida, a versão uniu o bom com o agradável. (2002)

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    “Palácios” – Fernanda Brum (Rebanhão)

    “Palácios” foi o último grande sucesso do Rebanhão e ficou por muitos anos no set list de shows da banda. Foi sua época de grande auge, com o lançamento do álbum Princípio, que influenciou toda uma geração, embora Pedro Braconnot tenha declarado que a escreveu a canção anos antes e teve receio de gravar. A composição volta com o lado crítico que o Rebanhão apresentava lá no início de sua história com Janires, mas desta vez com o tecladista e compositor Braconnot à frente. Carlinhos Felix, o ex-guitarrista da banda a regravou em 1996.

    A amizade entre Pedro Braconnot e Emerson Pinheiro, marido de Fernanda Brum é antiga, e em homenagem ao Rebanhão e seu compositor, a cantora, com seu marido apresentaram uma nova roupagem de “Palácios” no álbum Glória in Rio. Sem dúvida, Pedro, que estava no show se orgulhou da regravação. (2011)

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    “Aos Pés da Cruz” – Oficina G3 (Kleber Lucas)

    Admiradores declarados do cantor, a banda apresentava uma versão de “Aos Pés da Cruz” há uns anos, mas a banda decidiu registrá-la no álbum Histórias e Bicicletas. O grande hit de Kleber Lucas, sem dúvida recebeu uma roupagem extremamente diferente e trabalhada, já que o registro original contava com a presença de um sax e efeitos de sintetizadores.

    Por outro lado, a versão da Oficina G3 apostou em transformá-la em uma balada de metal, destacando-se, como sempre na execução instrumental do guitarrista e líder do grupo, Juninho Afram. Graças a esta regravação, “Aos Pés da Cruz” voltou a ser tocada em igrejas no geral. (2013)

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    “Apocalipse Now” – Resgate (Katsbarnea)

    Escrita pelo cantor Brother Simion com Estevam Hernandes e lançado no álbum Cristo ou Barrabás do Katsbarnea, “Apocalipse Now” é um dos clássicos da banda, e também uma das melhores canções sobre arrebatamento já apresentadas no meio cristão. Sendo Simion pai da segunda geração do rock cristão surgido no movimento gospel, a canção tem toda aquela atmosfera experimental que marca sua carreira.

    Quase 15 anos depois, o Resgate a regrava com novos arranjos no álbum Até eu Envelhecer. A banda, durante muito tempo dividiu espaço com o Kats, e a escolha não poderia ser melhor. O tecladista Dudu Borges utilizou-se de execuções dramáticas, e os guitarristas Zé Bruno e Hamilton fazem dois ótimos solos de guitarra. Para completar, um arranjo de cordas para embelezar um dos melhores covers gospel desta lista. (2006)

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    “Marca da Promessa” – Carlinhos Felix (Trazendo a Arca)

    Carlinhos Felix, além de várias vezes homenageado é um exímio prestador de tributos. Somente em seu último álbum Lindo Senhor, foram três: um ao Fruto Sagrado, outro à Banda Azul, último projeto de Janires em vida e por fim uma versão alternativa do sucesso “Marca da Promessa”, do Trazendo a Arca. A própria banda fluminense possui duas versões da canção. Uma, mais lenta na voz de Davi Sacer e a agitada, com Luiz Arcanjo.

    Carlinhos Felix deu tons de tropicália na canção, e uma introdução com um arranjo vocal. De início, nem dá pistas que qual canção se trata, mas quando revelada, o público vai a delírio. Excelente versão. (2012)

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    “Sobre as Águas” – Trazendo a Arca (Soraya Moraes)

    A canção é de autoria de Luiz Arcanjo, Davi Sacer e Ronald Fonseca, mas os artistas cederam a composição para Soraya Moraes gravar em seu projeto Promessa. Na mesma época, a banda deu “Caminho de Milagres” para Aline Barros (que participou na composição) e também “Na Corte do Egito” e “Aos Teus Pés” para Fernanda Brum. Mas, de todas, a versão mais bem trabalhada pelo grupo foi “Sobre as Águas”.

    A versão do Trazendo a Arca é tão superior a original que muitos a desconhecem como versão, e hoje é um dos maiores clássicos na voz do grupo. Ronald Fonseca, autor do arranjo investiu nos violões e cordas. Davi e Verônica Sacer cantam juntos. (2007)

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    Este foi nosso TOP10 de covers gospel. Lembra-se de mais algum que não esteve na lista? Comente!

  • Análise: CD Eis que estou à Porta e Bato – Katsbarnea

    Análise: CD Eis que estou à Porta e Bato – Katsbarnea

    Depois de mais de dez anos da saída de Brother Simion do Katsbarnea e a atual liderança de Paulinho Makuko, muito ainda se diz no assunto. Até, porque se antes Simion era o “dono” da banda, hoje Makuko representa o mesmo. Entretanto, todas as letras e arranjos experimentais fora do comum não são percebíveis nos últimos trabalhos do grupo como eram nos anos 90. Desta nova fase, o melhor álbum foi A Tinta de Deus, uma espécie de cala a boca para os haters que insistentemente afirmavam que Paulinho nunca faria algo digno no Katsbarnea. E, juntamente com Déio Tambasco, ele fez.

    Seis anos se passaram de 2007 pra cá, e somos surpreendidos com o novo lançamento da banda, bastante adiado: Eis que Estou à Porta e Bato. Produção musical assinada por André Kostta e lançado de forma independente, o disco apresenta um bom projeto gráfico, um ponto que a banda raramente deixou a desejar. E provavelmente seja o único realmente excelente do álbum.

    A formação atual contém Paulinho Makuko (vocais), Marrash (bateria) e Moisés Brandão (baixo). Juntamente a músicos mais jovens, Makuko continua o mesmo: pretensioso e cheio de energia. O que falta, afinal, são músicas de verdade.

    No setlist, onze obras. Infelizmente duas são regravações. “Overdose” e “Jeremias” são oriundas do álbum “12” de Makuko, lançado em 2005. A primeira é de bom gosto, porém, a última citada não, contendo uma letra extremamente confusa e desconexa, iniciando sua mensagem com uma descrição de um personagem fictício, e esquecendo-se de todo este contexto pela expressão de louvor no refrão.

    Diferente do A Tinta de Deus, Eis que Estou à Porta e Bato é um álbum tão quente como uma pista de gelo, ecoando a fraqueza lírica do grupo. A melhor canção do álbum, e que mais representa o Kats que todos conhecem é “Mensageiro”. Seu arranjo progressivo, e a letra versando o caos mundial controvertido ao amor de Deus garante o momento mais agradável do projeto. Um solo de guitarra simples, nada rápido e pesado. O single “Nasceu um Novo Dia” aproxima-se com mais fidelidade as músicas de carreira solo de Makuko. Sua versão acústica é superior a original.

    “I Can Fly” lembra bem a tendência do Katsbarnea em incluir uma faixa em inglês em suas obras, versando sobre libertação. O groove tentado em “Anjo do Mal” não convence e “A Cabeça de João Batista” começa bem, porém perde-se no refrão. Em contrapartida, “Morra Babilônia” e “Passo a Passo” são canções que agradam, com suas pegadas hard rock. “Verdadeiro Amigo” é o single que o álbum precisava.

    O grupo está decaindo com força letristicamente, usando termos de modismo como “chuva”, “bênçãos”, “armas espirituais”, sendo estes objetos de crítica do próprio vocalista Paulinho Makuko em entrevistas, declarando que o conteúdo do gospel está careta. Entretanto, não há diferença alguma entre os pontos negativos observados pelo cantor no gospel em relação à Eis que Estou à Porta e Bato.

    O Katsbarnea tem potencial para surpreender positivamente se esforçar a fazer um trabalho melhor que o apresentado, nas letras. Sonoramente, a banda ainda acerta. Finalmente e infelizmente, este é o projeto mais fraco de toda a sua discografia.

  • Análise: single Nasceu um Novo dia – Katsbarnea

    Análise: single Nasceu um Novo dia – Katsbarnea

    Como prévia do novo álbum que está com lançamento previsto em breve, a banda de rock Katsbarnea lançou o primeiro single de toda a carreira em vários canais digitais, como o iTunes, Terra Sonora e Deezer, intitulado “Nasceu um novo dia (chuva de bênçãos)”.

    Faz cerca de cinco anos que o Katsbarnea não lança um disco inédito. O último foi A Tinta de Deus, lançado pela Gospel Records em meados de 2007/2008, produzido por Dudu Borges. O trabalho marcou a volta da banda após um período de crises e divisões, sendo um projeto de qualidade instrumental e letrista. Segundo a banda, este novo disco inédito deveria ter sido lançado em 2010, porém por múltiplos problemas, incluindo na gravação fizeram com que o Kats parasse com toda a produção e a recomeçasse em 2012.

    Para matar um pouco da ansiedade do público que curte o grupo, que está há cerca de 25 anos na estrada, foi lançado o single “Nasceu um Novo dia”. A capa, conceitual mostra os três atuais integrantes (Paulinho Makuko, Marrash e Moisés Brandão) e ao fundo uma imagem de uma cidade ao nascer do dia. Ponto positivo.

    A canção traz uma nova vibe da banda, trazendo uma letra com um refrão repetitivo, porém com uma dinâmica envolvente, bem radiofônica. Gostei da forma em que foi explorado o vocal de Paulinho Makuko no refrão e da execução da bateria. Isto mostra que, a cada disco, apesar das constantes crises que o conjunto sofre, este mantém sua essência “revolucionária” em seus trabalhos. Nasceu um Novo dia ficou dentre as 50 músicas gospel mais ouvidas no Brasil, segundo informações divulgadas pela Billboard Brasil através da Crowley.

    Segundo o Katsbarnea, o disco, ainda sem título definido será lançado este ano e não se sabe ainda qual gravadora lançará a obra.