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  • Melhores discos de rock cristão nacionais: 2005 a 2009

    Continuando a nossa lista de melhores discos de rock cristão nacionais, apresentamos a nossa segunda votação de álbuns na década de 2000. Desta vez, tivemos vários artistas novos, mas alguns bandas já conhecidas também. Confira os dez colocados!

    Leia também as listas anteriores: Década de 70, década de 801990-19941995-1999 e 2000-2004

    [infobox title=’10º: A Tinta de Deus’]Artista: Katsbarnea
    Ano de lançamento: 2007
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Katsbarnea - A Tinta de Deus - 2007

    João: Finalmente o Paulinho acertou a mão no Kats (risos). Não é o disco mais brilhante da banda (tanto que está em 10º), mas foi o melhor da fase de Makuko como líder. Essa sonoridade à lá rock inglês foi muito positiva pra banda, seria bom que eles tivessem mantido nessa linha, com certeza teria sido fabuloso. Enfim, é uma alegria rever o Kats por aqui.

    Márllon: Nunca fui grande fã do Kats, aliás esse é um dos 2 únicos CDs que tenho da banda, mas esse trabalho atinge (na minha concepção) o objetivo da música: Entreter o ouvinte. Não há nada de fora de série aqui, mas são boas músicas e de fácil audição.

    Phil: CD legal, viu. Depois de mais de 10 anos sem lançar nada novo, A Tinta de Deus foi um bom álbum. Por mais que eu não curta demais Paulinho Makuko, não posso negar que é um trabalho muito bem feito e o baiano arregaçou no vocal e nas composições. Talvez não tenha tanto a “identidade Katsbarnea” porque as letras não são de Estevam Hernandes nem de Brother Simion, mas mesmo assim leva um pouco da loucura da banda… a boa loucura, fruto de uma mente da velha guarda do rock cristão brasileiro. Musicalmente, com Dudu Borges (mito) na produção e Déio Tambasco nas guitarras não tem erro! Só não ficou tão hard rock como outros trabalhos antigos (e tem faixas com bastante pegada), mas isso não tira nenhum mérito do álbum. Décimo lugar pra ele e talvez merecesse mais.

    Thiago: A Tinta de Deus é o primeiro disco inédito sem a presença de Brother Simion e solidifica a manutenção de Paulinho Makuko como vocalista (calma, apenas como vocal, sem aqueles irritantes sons de percussão). Começa com uma canção que esbanja nas guitarras, “Primavera”, e com riffs velozes de introdução. Dudu Borges e Déio Tambasco capricharam nos arranjos e na produção. O disco é bastante diferente do que o Katsbarnea já havia feito, todo pautado no rock alternativo, sem as influências tropicais, progressivas e exóticas de Brother. As canções foram escritas, na maior parte, por Makuko. Disco bom, posição justa.

    Tiago: Antes de tudo, acho que esta lista foi a mais difícil de todas. Pelo menos acho todos os álbuns entre os dez bons, sem exceção. E já começar vendo A Tinta de Deus em décimo é meio desanimador, porque eu queria que ele estivesse em uma posição melhor. O trabalho é simplesmente o melhor que Paulinho Makuko fez em sua carreira. Amadurecendo suas letras desde o solo 12 (Gospel Records, 2005), a grande vantagem do disco se deve a parceria com vários músicos, desde as guitarras de Déio Tambasco, a bateria de Marcelo Gasperini e os baixos de Rob Tavares e Villaça. Os versos são bem trabalhados. Até me assusto quando as comparo com o sucessor Eis que Estou à Porta e Bato… O que aconteceu com Makuko, afinal?

    [infobox title=’9º: Target: Human, Mission: Destroy’]Artista: Krig
    Ano de lançamento: 2009
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Target - Human Misson - Destroy - Krig - 2009

    João: Krig foi uma das melhores bandas de metal cristão do Brasil de todos os tempos. Pra mim esse é o melhor disco deles, sem sombra de dúvidas. Só pelas faixas de abertura “Mercenary Pastor” e “Fatality Brutality”, indispensáveis em quaisquer shows que a banda faria de 2009 em diante, já valeria estar entre os 10, mas eles ainda mandaram mais letras impressionantes, seja pela parte crítica da sociedade (“Fast Food”, “My Intestine is Displayed”, “Amazon Bleeds”, “Politicians in the Pigsty” e “Beautiful Mutilation” – essa última trazia uma temática melhor desenvolvida no seu sucessor “Narcissistic Mechanism”), como nas religiosas “Chaos in the Air”, “You Will Be Hated” e “My Abstract Side”. Um disco completo, provando que death metal e cristianismo podem dar muito certo sem serem letras “mata-capeta” o tempo todo. Merecia estar entre os 3 primeiros, desculpem-me.

    Márllon: De longe o melhor da discografia desses mineiros. Bruto, cru, carniceiro e instigante como todo bom trabalho de death metal precisa ser. O que me atrapalha em ouvir o Krig em alguns de seus álbuns é que muitas vezes a música é tão técnica que perde um cado daquele feeling, o que não ocorre neste álbum. Instrumental (muito) pesado com toques de Grind e Death Melódico e letras que saem do lugar comum do estilo, esse é Target: Human, Mission: Destroy.

    Phil: Quando ouvi a introdução da primeira faixa já saquei que ia tremer tudo. Quando o álbum acabou eu me espantei como minhas orelhas não caíram. Krig é death metal, brutal, podrão, denso, sem frescura e com todos os pig squeals que você quiser. Esse álbum em particular tem uma atmosfera grindcore (o que contribui pra podridão) e lirismo niilista/pessimista/destrutivo/DESTROYEVERYONEDESTROYEVERYTHING que me fez pensar como o álbum deve ser importante pra galera que curte o lado negro da força. Eu não sou tão fã de death (vou dar a cara a tapa: gosto de metalcore, desde que bem feito, o que é raro) mas Krig me surpreendeu. Aliás, o álbum foi bem produzido e mixado também. Ah véi, pare de ler e vai ouvir logo.

    Thiago: Com gritos guturais e pig scream, graves riffs de guitarra, bateria pulsante, com o peso do death metal, Krig produziu Target: Human, Mission: Destroy. Apesar de que eu não curto pig scream, o disco é bom para o estilo, tem peso, corre na contramão do tipo de música de mercado. Achei justo estar nessa lista.

    Tiago: Não é muito o tipo de metal que gosto de ouvir, mas é bom sim e merece estar entre os dez.

    [infobox title=’8º: Tudo que eu Queria’]Artista: Tanlan
    Ano de lançamento: 2008
    Número de faixas: 13[/infobox]

    Tanlan - Tudo que eu queria - 2008

    João: Nunca fui muito fã da Tanlan, mas após começar a me aprofundar no novo movimento, percebi o como os caras são geniais. As letras de todos os discos da banda são fora dos padrões do gospel, e sempre trazem reflexões, letras introspectivas, aqueles desejos perdidos que vivem nos arredores de nós e em nossa religiosidade farisaica e hipócrita negamos sentir. Outro disco que está muito abaixo de onde deveria. O primeiro lugar seria perfeito para ele.

    Márllon: Nos vemos na resenha do sexto disco 🙂

    Phil: Textos e reviews costumam empurrar Tanlan pra definição do “novo movimento” e até faz sentido, mas prefiro dizer que Tanlan é uma banda brasileira de rock. Em muitos momentos me lembra Jota Quest (que a turma adora malhar, mas quando toca um clássico ninguém fica parado). Dito isso, não curto tanto esse álbum. Não sei o que falta… Talvez um pouco mais de pegada? Talvez letras mais incisivas? Ou uma produção menos clean e radiofônica? Não sei. Mas essas minhas soluções acabariam com a identidade da banda, e tá bom do jeito que dá, porque é o jeito deles de ser.

    Thiago: Rock alternativo e post-grunge, letras diferentes e reflexivas, músicas fora do padrão gospel são encontrados nesse disco. É um clássico disco do novo movimento, sem as rimas e frases repetitivas evangeliquês. Para um disco de estreia é um bom lançamento. “Tudo que eu Queria”, “Bem Vindo”, “Quando eu Vejo”, “Eu Sei”, “Marionetes”, “Aprender” são algumas das boas obras encontrados nesse CD. “Bem Vindo” tem uma letra com uma influência, ou melhor, a mesma ideia da letra de “Dare You to Move”, a semelhança delas é enorme. Aliás, o disco tem uma influência musical pequena do Switchfoot, uma das bandas que mais influenciaram os músicos que seguiram a ideia do novo movimento ou mesmo do crossover.

    Tiago: O primeiro disco da Tanlan merecia estar lá em cima, sem dúvida. E, depois do disco de estreia da Aeroilis, talvez este seja o mais importante lançamento do novo movimento até hoje. Diferentemente de bandas como a própria Aeroilis e o Palavrantiga, a Tanlan de fato fez um disco com pouquíssimas referências religiosas, fazendo com que conseguissem tocar, por muito tempo, em eventos de fora do nicho evangélico. Os elementos eletrônicos, com as letras existenciais, foram talvez o melhor lançamento dos gaúchos até o momento em que escrevo este texto.

    [infobox title=’7º: Consciência Limpa’]Artista: Complexo J
    Ano de lançamento: 2008
    Número de faixas: 13[/infobox]

    Complexo J - Consciência Limpa - 2008

    João: Não ouvi esse. Sendo do Complexo J deve ser muito bom, mas não ouvi, também irei opinar muito.

    Márllon: Nos vemos na resenha do sexto disco 🙂

    Phil: Meu irmão, que álbum arretado. Parece que Complexo J é das bandas que tudo o que toca é sucesso. E é mais outro feito por cabeças da velha guarda, o que reforça o ditado “panela velha é que faz comida boa”. Err, wait… enfim, é o tipo de CD que eu botaria no carro pra fazer uma viagem bem boa, porque é muito gostoso de ouvir, e as letras são igualmente boas (again, velha guarda). Se minha internet não tivesse falhado tanto durante a época de audições e votações pra essa lista eu teria colocado esse álbum em alguma posição mais pra cima (risos). Rock de primeira nas primeiras faixas, o final mais acústico e tranquilo, transição legal no álbum. Vá embora ouvir também!

    Thiago: Tive a coragem de colocar esse disco em uma posição bastante alta. O que me motivou é a banda ser um dos clássicos do rock cristão nacional, ter inovado o seu som, pautado no hard rock nesse CD, e apresentar uma musicalidade diferenciada do que eu já estou acostumado a ouvir. “O Dia do Senhor” abre com um hard muito bom, “Marcas no Coração” continua nesses mesmos passos, persistindo até a sétima faixa. A partir da oitava faixa, o forrock “Sua Cabeça”, o estrutura musical das canções muda bastante. Complexo J apresenta blues, baladas com saxofone e folk rock com violões. Aliás, saxofone foi usado no disco inteiro. Consciência Limpa é o resultado de inovação de uma banda que ajudou a estruturar o BRock cristão.

    Tiago: O Complexo J ficou sem nos presentear um disco de inéditas por mais de uma década. Tempo suficiente para uma geração inteira esquecê-los. E, mesmo desfalcados, se sobressaem com Consciência Limpa. Marco Salomão canta sozinho todas as músicas (e neste aspecto, Liza faz muita falta), mas temos todos os demais elementos que caracterizam as músicas da banda nos anos 90: crítica, versatilidade, humor e progressivismo musical.

    [infobox title=’6º: Até eu Envelhecer’]Artista: Resgate
    Ano de lançamento: 2006
    Número de faixas: 11[/infobox]

    Resgate - Até eu Envelhecer - 2006Jhonata: Resgate é uma banda que sempre conquistou seu público pelas letras e instrumental. Neste disco, é perceptível um amadurecimento. Questiono muito a base teológica da banda, mas eles conseguem fazer rock cristão de qualidade. As músicas são boas, mas poucas. Sabe quando você ouve um disco e quando ele acaba você pergunta: “Só? Cadê o resto?”. Até eu Envelhecer acaba soando morno demais.

    João: Começa minha jornada de perguntas “o que esse disco faz aqui?”. Sou fã inconteste de Resgate, e na próxima lista já adianto que votarei na banda sem dúvidas, mas esse disco nem na lista dos dez mais deveria entrar. O 666 Corporation do Trino merecia mais, muito mais.

    Márllon: Até 2010 eu até ouvia o Resgate mas não nutria grandes amores por eles ou o seu repertório prévio, mas com o lançamento de Ainda não É o Último passei a ouvir com maior atenção os trabalhos anteriores e foi assim que “descobri” essa pérola em questão. A sonoridade mais vintage (assim como alguns arranjos) é o ponto alto do disco. Sim, existe o ranço da Renascer em algumas letras, mas que não desmerece musicas como “A Gente” (uma das minhas favoritas deles) e “Meus Pés”.

    Phil: Curto esse álbum! Primeira vez que o ouvi na verdade foi através do DVD Até Eu Envelhecer ao Vivo, porque sou fã de coisas ao vivo. 🙂 Mas é fato que eu curti pra caramba quando vim ouvir a versão de estúdio. OK, concordo quando dizem que certas canções são “desnecessárias” ou “demais” (pejorativamente), tal como Fruto Sagrado costumava fazer. Por favor, gente… risos. Mas aí sim, fomos surpreendidos novamente: Como Resgate leva muito do trabalho deles num viés humorístico, eles fazem do desnecessário um “engraçado” e do demais um “interessante”. É, mais uma vez, a tradição do Resgate contorna as próprias limitações.

    Thiago: Eu gosto dos arranjos desse disco. É aberto por uma canção bem seca, “Meus Pés”, com gritaria de Zé Bruno nos microfones. Até eu Envelhecer marca a entrada de Dudu Borges, uma parceria que daria muito, mas muito certo. As camadas de guitarra de Zé e Hamilton Gomes, combinadas ao piano e órgão hammond do novo integrante caíram perfeitamente no som da banda, identificando-a. A viajada “Astronauta”, o punk country “A Gente”, “O Médico e o Monstro” (inspirada no filme de mesmo nome, por Victor Fleming), o folk/country/blues “O Perdido e o Sentido” são as melhores. “Eu Vou Chegar Lá” achei entediante. O que estraga o disco é a influência da Renascer  e do neopentecostalismo na construção lírica de algumas canções. “Meus Pés” tem uma sonoridade destruidora, mas peca nos versos. A palavra do Estevam Hernandes avacalhou no final.

    Tiago: Engraçado que os integrantes do Resgate soavam elegantes mesmo atolados na lama podre do neopentecostalismo. Mas claro, não é porque temos “Meus Pés” e “A Gente” no repertório que o bebê deve ser jogado fora junto com a banheira. Até eu Envelhecer é, musicalmente falando, um dos discos mais consistentes do Resgate. E isso é, principalmente, mérito de Dudu Borges. Recém-integrado, o músico deu uma cara diferente para a banda. Os arranjos soaram melhores, mais ricos e menos previsíveis. Até as duas músicas anteriormente citadas, sonoramente, são muito boas de ouvir. Mas as melhores são “Passo a Passo”, “Astronauta” e “Te Encontrar”. Estão, de longe, entre as melhores músicas que já produziram. Nota-se como amadureceram neste projeto. E, espiritualmente, amadureceriam mais em Ainda não É o Último, o sucessor.

    [infobox title=’5º: A Vida Como Ela Era’]Artista: Hibernia
    Ano de lançamento: 2009
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Hibernia - A Vida Como Ela EraJhonata: Ah, banda Hibernia! Gravaram este disco super demais em 2009 e sumiram: nunca mais gravaram nada (não que eu saiba). A faixa-título é uma introspectiva reflexão sobre a inocência dos dias passados, a mesma narrativa que o restante do álbum segue.

    João: Conheci Hibernia num post daqui do site, e eu me apaixonei à primeira ouvida. Essa banda me fez querer ouvir mais bandas do novo movimento, confesso. Uma lástima que a maioria segue uma receita de bolo chata pra caramba de indie cosplay mal-feito de O Teatro Mágico (que eu amo), ou pior, um Mombojó ou Los Hermanos falsiê (como se Los Hermanos já não fosse algo chato o suficiente…). Mas Hibernia conseguiu ser muito original, e esse disco… cara, eu preciso ouvir mais, pra inspirar meus poemas e arrancar tantas das decepções do meu dia-a-dia e quem sabe acalmar mais minha alma conturbada por vezes.

    Márllon: Pulo.

    Phil: Hibernia? Quem? Não sei, mas achei o álbum muito massinha. Quero dizer, não é o tipo de rock que eu escuto com frequência, mas musicalmente é muito bom. Gostei. Dito isso, eu quase dormi ouvindo o álbum. Acho que umas posições abaixo não seria ruim. E só.

    Thiago: A Vida Como Ela Era é muito intimista. Outro disco do novo movimento, o som é estruturado por bastantes teclados, misturado ao brit rock, resultando em um bom rock alternativo. A concepção do disco se resume ao retorno da vida como ela era, simples, inocente e dependente, com letras poéticas e introspectivas. Não gostei tanto da voz do Renato Santana, porém isso não diminui a qualidade do disco. Ulster ficou deslocada no disco (ela me lembrou “Hosanna”, do Hillsong United). Gostei da capa. Em resumo, um bom CD.

    Tiago: Disco fantástico. Hibernia é uma das melhores bandas do novo movimento. A Vida Como Ela Era é, sobretudo, nostálgico. Toda a sonoridade e versos remetem a uma saudade da infância, dos tempos de inocência. Introspectivo, profundo e triste, sem dúvida foi um dos melhores lançamentos de 2009.

    [infobox title=’4º: Satanichaos’]Artista: Antidemon
    Ano de lançamento: 2009
    Número de faixas: 19[/infobox]

    Antidemon - Satanichaos - 2009

    João: “O que esse disco faz aqui?”² – É um disco legal pra bater cabeça e só, sorry.

    Márllon: Com todo o respeito aos membros da banda, mas esse álbum não merecia estar nem entre os 50 primeiros da lista. De longe o mais fraco da banda, produção limpa demais para uma banda do estilo, composições que no geral não empolgam. Com esforço consigo salvar 3 faixas dentre as 19. Não é um lixo total, mas tá muitíssimo aquém do que a banda poderia oferecer.

    PhilVéi… eu gosto de Antidemon, mas esse álbum não merecia 4º lugar. Sem querer ser chato, mas ficou meio farofa pro potencial da banda. Não é um álbum ruim, mas acho que forçamos a posição. Mas não posso reclamar, eu não votei nessa lista mesmo ¯\_(ツ)_/¯

    Thiago: Eu acho esse disco do Antidemon muito grindcore, músicas muito rápidas, sem criatividade, apenas peso e riffs velozes, mas vale por ser uma música pouco comercial, e fazer algo assim é difícil nos nossos tempos.

    Tiago: Ouvi e já não me lembro das músicas. Maior vacilo da lista. Ninguém votou conscientemente nisso. Podem bater na gente, eu deixo.

    [infobox title=’3º: Depois da Guerra’]Artista: Oficina G3
    Ano de lançamento: 2008
    Número de faixas: 15[/infobox]

    Oficina G3 - Depois da Guerra - 2008

    João: “O que esse disco faz aqui?”³ – Gozado, tenho originais os três discos que fiz isso, mas… esse em especial é o mais superestimado exagerada e erradamente do Oficina G3. A produção é fantástica e panz, mas é um disco desnecessário, igual quando o Petra tentou nos EUA lançar Jekyll and Hyde tentando passar-se por banda pesada – um disco bom, bem produzido, mas que não tem nada demais.

    Márllon: Se for analisar o mainstream cristão, foi um álbum de grande impacto, pois apresentou uma sonoridade mais pesada para uma galerinha marota. O problema foi que essa turma deu origem a uma das pragas mais chatas , os imprestáveis dos oficináticos. Gosto da faixa título, uma das minhas favoritas da banda, mas analisando a fundo, não tem nada de novo nesse trampo. Qualquer um com um pouco mais de vivência de som sabe que o Oficina G3 adora chupinhar o que está na crista da onda, e naquela época não foi diferente.

    Phil: Esse CD tem uns aspectos interessantes. Muitas histórias por trás dele. O Alexandre Aposan (ainda não efetivado na banda) que era um batera de pagode(!) e mesmo não tendo participado do processo criativo aprendeu tudo na boa, arregaçou na batera e ficou em bastante evidência durante a turnê, surpreendendo todo mundo. Ele calou os pseudocríticos da internet que desciam o sarrafo xingando-o de pagodeiro na comunidade do Oficina no Orkut (sim, meus amigos!). Celso Machado gravou algumas (poucas) guitarras e violões. Mauro Henrique que ia estudar algo de música (não lembro exatamente o quê) na Irlanda, mas com o chamado do Oficina ficou por aqui e o resultado tá lá no álbum: O vocal poderoso do recém-chegado. A própria banda trouxe outros produtores (os caras da Korzus) para esquematizar o álbum. Inclusive porque tiveram que mudar o tom de algumas músicas, que estavam na voz de Juninho Afram e depois tiveram que encaixar pra Mauro. E, claro, outros compositores. A soma dos fatores criou o álbum que foi o mais barulhento de 2008 a 2010 no mainstream cristão brasileiro. Não digo isso só pelo som: Por todos os lados eu via e ouvia gente falando do Oficina G3, Depois da Guerra isso, que o DVD DDG Experience aquilo, tinham ganho um Grammy Latino, que “Meus Próprios Meios”, o clipe de “Incondicional”, etc e tal. Então, por mais que o álbum não tenha sido muito “Oficina” foi importantíssimo, e, ei, ficou um trabalho do caramba, vá. Metalcore, progressivo, hard rock, pra tremer tudo, meu amigo.

    Thiago: Depois da Guerra é o disco mais pesado do G3, mas não o mais criativo. Eu gosto bastante dele, a banda mantém sua regularidade nessa obra misturando metal progressivo com metalcore. Inova com os guturais de Jean Carlos (nem  foram tantos, se resumem a trechos de “Meus Próprios Meios”, “Meus Passos”, “Muros”, “Obediência” e de “Better”). A capa desse disco foi bem produzida, é uma das melhores do rock cristão brasileiro. A quebradeira de “Meus Próprios Meios” e “Meus Passos” (as duas parecem uma continuidade uma da outra, com a mesma ideia a La Romanos 7 e com a mesma musicalidade), a ponte e o refrão grudante de “Eu Sou”, a velocidade de “Depois da Guerra” (bem power metal) e o seu solo celestial, “A Ele” (outro solo celestial) e a faixa mais distinta do álbum, o cover “People Get Ready” do The Impressions, a melhor balada do disco, com sua letra exibindo de forma poética a graça de Deus e as camadas delirantes de guitarra. Juninho Afram, Jean Carlos, Duca Tambasco e Alexandre Aposan mantém um ótimo desempenho no disco. Mauro Henrique, com sua voz potente, também, porém, ao vivo, é em parte broxante.

    Tiago: Se não me engano, eu lembro que ouvi “Incondicional” em uma rádio pela primeira vez no final de 2008, quando o disco foi lançado. Foi engraçado, porque até o locutor dizer que se tratava da banda, não me passava pela cabeça que era eles. E era. A sensação que DDG me deixou, por tempos, foi essa: um disco bem produzido, projeto gráfico impecável, algumas músicas de fato excelentes, mas nunca reconheci a Oficina G3 nisso. Outro defeito do álbum é o excesso de compositores externos. Oficina nunca foi uma banda dependente de compositores de fora (embora, sempre em um disco tivesse uma música de outro letrista). “Meus Próprios Meios”, a grande música das pesadas, é escrita por Déio Tambasco. A balada veio da FullRange. As vezes pensava que eu gostaria mais do disco se Juninho tivesse gravado os vocais, mas quando o bom Histórias e Bicicletas foi lançado, vi que o problema não era exatamente as vozes do Mauro. Hoje não sei dizer se Depois da Guerra é um bom disco. Acho-o um mix de exageros.

    [infobox title=’2º: Cadeira de Rodas’]Artista: Desertor
    Ano de lançamento: 2006
    Número de faixas: 20[/infobox]

    Desertor - Cadeira de Rodas - 2006

    João: SURPRESA! Não merecia estar no segundo lugar, mas nos dez mais com certeza! Um disco fantástico de um ritmo tão pouco explorado no cenário cristão em geral e principalmente no Brasil, a fusão perfeita de metal e punk/HC: Crossover (não, metalcore não é a melhor e nunca será, não tem o peso necessário pra isso, chorem moderninhos!). Esse disco eles conseguiram a combinação perfeita que o anterior Aborto não! não tinha conseguido, virando um disco claramente inspirado em Ratos de Porão (só que bem melhor, digo mesmo). Se você gosta de peso pesado de verdade, esse é o disco. Agora se você não é adepto, passe longe (eu mesmo na primeira vez que ouvi me assustei, confesso, mas depois gamei muito nesse disco). Como faz falta bandas desse gênero no Brasil, além deles só vi a desaparecida Theosophy dos anos 90 e a recente e caruaruense Proffetos HC.

    Márllon: Muito me surpreendi com esse trabalho nessa lista, ainda mais em uma posição tão alta. Cadeira de Rodas é um divisor de águas no cenário nacional. Apesar de termos tido trabalhos fabulosos no underground BR, nenhum (a meu ver) atingiu um nível de excelência quanto esse álbum. Produção meticulosa, arte gráfica decente, letras fortes e de impacto e com apoio de um selo de verdade, que manjava dos paranauês. Indispensável na coleção de quem curte som porrada.

    Phil: Punk hardcore! Meus olhos brilharam quando descobri isso aqui! Cara, que incrível. Na verdade tem uma influência bem Ratos de Porão, e bem, eu gosto muito de RdP, mas Desertor é mais rápido e mais pesado, até com uma cara thrash. Lógico, Cadeira de Rodas é um daqueles álbuns cheio de faixas de um minuto (ou menos), algo que muita banda loucona hardcore costuma fazer isso. Normal, e legal na verdade. Mas o que me impressiona é a produção e a arte gráfica. O CD é muito bem feito. OK, é hardcore e por isso não tem a intenção de soar podrão. Mas assim como o Krig fez um death intencionalmente podre, porém bem produzido. Desertor conseguiu mandar pra galera um álbum pesado mas não descontrolado, dentro da proposta que eles queriam mandar. E a capa foi bem feita pacas. Imagino que isso foi bem importante já que esse era o primeiro álbum completo deles. E as letras? Como todo punk, falam de tudo. Drogas, guerras, injustiça social, política, alienação, e etc. Mas com um enfoque cristão, bem realista. Como eu disse anteriormente, não votei pra essa lista… mas fico feliz que meus companheiros botaram Desertor no pódio!

    Thiago: Cadeira de Rodas tem um estilo que ouço muito pouco, crossover thrash. Misturando hardcore e thrash metal, riffs velozes e pesados, bateria pulsantes e vocais rosnados, fazem um tipo de música muito pouco comum dentro do rock cristão tupiniquim. Não tenho tanta propriedade para falar da banda, mas a sua música valeu a entrada.

    Tiago: Cadeira de Rodas é fantástico. Um disco de uma banda independente que longe está das bandas mais conhecidas do rock cristão nacional em segundo lugar nesta lista mostra o quanto este trabalho se sobressai. A Desertor produz um som crossover, com elementos de thrash e hardcore, mas com a agressividade punk.

    [infobox title=’1º: Além do que os Olhos Podem Ver’]Artista: Oficina G3
    Ano de lançamento: 2005
    Número de faixas: 14[/infobox]

    Oficina G3 - Além do que os Olhos Podem VerJhonata: Talvez esse seja o único disco dessa lista que eu discordo severamente de estar nessa posição. Para ser mais claro, considero Além do que os Olhos Podem Ver um bom álbum, mas muito inferior a, por exemplo, Casa dos Espelhos do Rosa de Saron. Eu também não entendo o louvor que as pessoas colocam em cima desse trabalho pois, para mim, continua sendo um Oficina G3 forçado tentando fazer rock pesado além do que consegue (o nome desse álbum poderia ser perfeitamente Além do que o Oficina Consegue Ser). Mas, nem tudo são pedras: o disco realmente é bom ao nível da banda e a situação em que os integrantes estavam. É um rock pra curtir, refletir e acreditem, dançar.

    João: Ahhh só estamos falando do segundo melhor disco da carreira do Oficina G3! O Indiferença sem dúvidas é o melhor, mas esse disco é fantástico. Engraçado é notar que numa mesma época dois discos foram feitos por bandas que passaram praticamente pelo mesmo problema com integrantes: O G3 e o Fruto Sagrado, ambas lançaram discos com músicas que num nível ou outro falavam dessa situação (esse disco e o Distorção do FS), e chega a ser bizarro pensar que o grupo conseguiu acertar em cheio (e não, não tem nada a ver com o fato de terem mais fama) e o Fruto falhou miseravelmente. Além é muito bem produzido, a voz de Juninho é linda demais, os arranjos baseados no rock/metal progressivo estão entre os melhores da história do rock cristão mainstream e as letras estão fantásticas, como a faixa título, “Réu ou Juiz”, “Mais Alto”, “Amanhã”, “Sem Trégua”, “Lugar Melhor” e a “Numb”, digo, “A Lição” (é, porque os arranjos dessas duas são tão parecidos em alguns pontos que eu e um amigo meu costumávamos brincar com isso [risos]). Ele e o da Tanlan mereciam muito estar em primeiro, já que foi o G3, coroado está com honras.

    Márllon: Depois de uma sequencia de álbuns puramente comerciais, o Oficina G3 fez uma mudança radical neste primeiro álbum sem o seu antigo vocalista. Após álbuns mais simples foi bom ver e ouvir a banda se arriscando em campos mais ‘intricados’ instrumentalmente falando. A voz de Juninho casou perfeitamente bem nas musicas mais lentas mas não fez feio nas mais agressivas. E tirando a música em parceria com Marcão do FS, não há música ruim nesse CD.

    Phil: Após um período tenso entre a mudança de hard rock pra pop rock com o CD O Tempo (que teve lá sua importância) e depois pra uma coisa híbrida e mal feita (Humanos), PG saiu da banda e não vou falar sobre isso; a internet tem links explicando ambos lados dessa separação. O fato é que agora o Oficina, seguindo oficialmente como trio, parecia ter retomado o caminho do Oficina. Entendam: Além do que os Olhos Podem Ver seguiu um caminho que muitos fãs de O Tempo acharam bem ruim. É lógico, a maioria da galera que se aproximou nessa época curtiu o pop, o rock tranquilo; esse álbum retornou às raízes pesadas, mas agora com ideias de metalcore, contratempos, mais distorção, e virtuosidade, então é natural que torçam o nariz. Mas, na boa? Esse era o caminho natural que o Oficina seguiria! Basta analisar o caminho feito antes da era PG. O Oficina iria ficar mais e mais pesado, cedo ou tarde. Era inevitável. Só que, acontecidos os fatos, me soou como uma redenção e o retorno da fênix (que nunca tinha morrido, só foi passear no bosque). Pra mim, é o melhor álbum de inéditas do Oficina até hoje, e é o meu preferido. As letras, por sinal, mudaram pra muito melhor, em minha opinião. Juninho Afram arregaçou nos vocais, cara! Eu prefiro ele a qualquer outro vocal que tenha passado pelo Oficina (mas compreendo que ter que cantar e ainda tocar tudo o que ele toca é difícil; que venha Mauro em 2008). E acho que falar melhor desse álbum do que desse jeito só se eu analisar faixa a faixa, e não cabe aqui. Por hora, esse é o campeão, merecidíssimo!

    Thiago: Além do que os Olhos Podem Ver marca a saída de PG e a consolidação de Juninho Afram como vocalista principal. É prog metal puro, com peso, músicas com mudanças tonais, quebras de ritmos, tudo que é característico desse estilo. Tem uma das canções preferidas minha do Oficina G3, “A Lição”, música de muito feeling e com uma letra espetacular. O desempenho dos músicos se manteve num nível alto desde a primeira faixa até a última, sem perder o embalo. Não há faixa mediana no CD. “Mais Alto”, uma das melhores do disco, é bem estruturada, pesada e tem um solo numa velocidade complexa. “Réu ou Juiz” manteve o embalo, “Meu Legado”, também uma das melhores, persistiu nos passos da energia transmitida nas primeiras canções. “Através da Porta” (introdução clássica), mantendo a qualidade de “Meu Legado”, foi inspiradora com seus bends delirantes. “Além do que os Olhos Podem Ver” (introdução clássica também), uma semibalada e uma das melhores do disco, é reflexiva com sua letra sobre saudades da eternidade. “A Lição” une feeling, reflexão e peso, “O Fim É Só o Começo”, também uma das melhores do disco, teve a participação de Déio Tambasco (perfeita, pra constar) com riffs delirantes de blues (blues é a coisa mais sentimental do mundo), é celestial. “Lugar Melhor”, uma balada intimista, é ótima, “Amanhã”, (introdução no estilo “Através da Porta” e “Além do que os Olhos Podem Ver”) une peso e guitarras harmônicas de forma muito boa. “Sem Trégua” conta com uma ótima participação do polêmico Marcão, é poderosa, “De Olhos Fechados”, com riffs harmônicos e slides na guitarra eletrizantes, “Ver Acontecer” tem uma ótima letra, e, terminando,“Queria te Dizer”, uma balada, é a canção menos boa do disco. O notável é Juninho ter mantido o ótimo desempenho nas execuções complexas nas seis cordas, nos solos regados a sentimento, bends, velocidade e técnica, e também, um ótimo papel no vocal. Duca Tambasco mostra todo o seu potencial no baixo, e Jean Carlos faz sua parte. Ótimo disco.

    Tiago: Não tem jeito, tem coisas que beiram o gosto pessoal. E para uma banda que já mudou tanto, como a Oficina G3, a missão de escolher o melhor álbum sempre será difícil. Considero Além do que os Olhos Podem Ver um dos melhores. Após um bom tempo em letargia e colhendo os frutos de seu sucesso, o trio Juninho, Duca e Jean precisou mudar a direção, rever conceitos e entregar algo bom para o público. Crise, para muitos, é terreno de boas criações, e no caso do G3 foi inspirador. Como um grupo de três de fato, os músicos assinaram quase todas as músicas, mas apoiados por Déio Tambasco e Lufe. O resultado foi extremamente positivo. Um disco em que as reflexões são bem mais articuladas, menos piegas/religiosas, além da sonoridade. Além do que os Olhos Podem Ver lhe dá a sensação de que a banda conseguiu desbravar novos sons a partir da estrutura que já tinham. Juninho se encaixou bem nos vocais.


    A lista foi compilada através de votos dos participantes. Confira, nesta página, a quantidade de votos e os discos que ficaram de fora. Desta vez, Jhonata não pôde comentar todos os álbuns.

  • TOP 10 – músicas sobre a vaidade

    A vaidade consiste em uma estima exagerada de si mesmo, uma afirmação esnobe da própria identidade, e infelizmente pode atingir a todos. Esta questão foi tratada em muitas das músicas cristãs, e por isso decidimos trazê-las aqui no O Propagador. Confira.

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    O que não Precisa – Resgate

    Abrindo a lista, temos “O que não Precisa”, da banda de rock Resgate. A faixa alerta o esquecimento das coisas de Deus, atentando-se para questões passageiras deste mundo. (2012)

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    Tudo o que eu Preciso – Nívea Soares

    O nono lugar é de Nívea Soares, com “Tudo o que eu Preciso”. Do álbum Reina Sobre Mim, esta canção é uma oração, a qual pede que Deus venha tirar o foco das coisas deste mundo e que neguemos a nós mesmos. (2003)

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    Tudo Passa – Rebanhão

    Escrita pelo cantor Carlinhos Felix, “Tudo Passa” abre a discografia do Rebanhão nos lembrando que “tudo neste mundo é ilusão”, e que, mesmo dias, meses e anos passando, Cristo nunca passará. O músico ainda canta que Cristo “é tempo sem perder”. (1981)

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    Quem Sou Eu? – PG

    Embora se trate de uma versão do Casting Crowns, “Quem Sou Eu” foi um sucesso importante na carreira de PG. Sua letra é uma reflexão do quão pequenos, frágeis e tolos que somos, sem poder para controlar tudo ao nosso redor. Deus, ao contrário de nós, não é passageiro. (2007)

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    Vaidade – Hibernia

    A maior parte do repertório da banda Hibernia é composto por canções introspectivas e extremamente reflexivas. “Vaidade” não foge deste padrão, e analisa a prevalência da transitoriedade a qual lidamos todos os dias, além da nossa vontade constante de ter coisas fúteis. (2009)

    https://www.youtube.com/watch?v=_GhhqSpO_cg

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    Milímetro – Daniela Araújo

    Canção que abre a carreira solo de Daniela Araújo, “Milímetro” é uma reflexão sobre a brevidade da vida, tão curta em relação à tudo em nosso redor. E, de tempos em tempos, seres nascem, seres morrem, num ciclo de repetições. (2011)

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    Senhor do Tempo – Paulo César Baruk

    Uma reflexão acerca dos nossos dias tão frenéticos, e as vezes, cada vez mais distantes do Criador, “Senhor do Tempo” é uma das melhores canções na carreira de Paulo César Baruk. O clipe para esta canção alcançou alta popularidade, tendo mais de um milhão de visualizações, e foi feito em relação ao conceito gráfico do álbum Entre. (2013)

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    [tab title=”3º”]

    Vaidade – Tanlan e Marcos Almeida

    A medalha de bronze vai para a banda Tanlan, com a participação do cantor Marcos Almeida. “Vaidade” explora justamente as definições deste conceito, mas, de forma esperançosa, afirma que “a vida ainda vale a pena” e que a busca pela realidade o levou até a este ponto. (2012)

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    Tudo é Vaidade – João Alexandre

    João Alexandre é notável por afirmações e canções polêmicas, sem a menor pretensão de agradar egos, abordando verdades bíblicas. “Tudo é Vaidade” é uma união de várias críticas, desde a valorização do dinheiro, a prosperidade até tudo que dê ar de superioridade ao ser humano, afirmando que tudo isto é vaidade. No final, o cantor apresenta um trecho da canção “Palácios”, um clássico do Rebanhão. (2000)

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    Vaidade – Heloisa Rosa

    O primeiro lugar vai para a cantora Heloisa Rosa, com “Vaidade”. O mundo cada vez mais frenético e acelerado. Os anseios consumistas nos fazem que, de tempo em tempo, busquemos por coisas que realmente não precisamos. “Vaidade” vai exatamente neste tema, com o clamor de que Deus nos atraia para perto dEle e longe dos propósitos deste tempo. (2008)

    https://www.youtube.com/watch?v=_uD7m8zfaVs

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    O que achou deste nosso TOP 10? Conhece mais canções acerca deste tema? Comente e compartilhe com todos, sua opinião é importante!

  • Rocklogia – Um pouco de outras bandas independentes

    Sei que há várias bandas independentes (e não-independentes) que pouco a pouco constroem o legado do rock cristão brasileiro, e sei que falho com muitas por não citá-las.

    Antes, de tudo, sei que a maioria das bandas citadas não se intitulam como “rock cristão”, mas ao menos são bandas de rock compostas por músicos que professam a fé cristã, o que me deu liberdade de incluí-los aqui.

    Mas enfim, resolvi trazer neste post, algumas bandas de rock que tem lançado trabalhos relevantes, como forma de dizer que eu não me esqueci delas. Vamos conferir?


    Hibernia

    O material dessa banda é muito interessante por seu ambiente introspectivo. Com muito uso de teclados, pianos e órgão, lançaram o álbum A Vida como Ela Era em 2009, que até já foi analisado aqui no O Propagador e a própria banda agradeceu pelo texto. Aguardamos mais um disco de inéditas!


    Quarto Fechado

    O vocalista da Quarto Fechado, Helon Borba, já foi citado aqui na Rocklogia por ter sido ex-baixista da Aeroilis. O músico também foi integrante da Adorelle. Este grupo lançou, em 2012, para download na rede, o EP Um Brinde ao Recomeço, que meu colega de equipe Thiago Junio resenhou. Até o momento em que escrevo, estão prestes a lançar o primeiro álbum completo, sob produção de ninguém mais que Raphael Campos, membro fundador da extinta Aeroilis. O disco se chama Meu Labirinto.


    Lucas 9

    Fundada em 2004, esta banda tem um som mais pesado do que as anteriormente citadas, e já recebeu indicações ao Troféu Promessas. Seu trabalho mais recente é o CD Sem Máscaras, o segundo do grupo, lançado em 2013. Confira o som da Lucas 9.


    Memora

    A Memora é uma banda fluminense, com um som mais abrasileirado, se assim podemos dizer (o que é bom, pois fogem a regra maçante do britrock). Com a influência do novo movimento, o grupo divulgou, em 2013, um EP de seis faixas pela rede e estão prestes a lançar o primeiro CD, de fato. O disco pode ser adquirido e ouvido nas plataformas digitais também. Ano passado, lançaram o clipe do seu último single, chamado “Ela”.


    Observ

    O grupo, que lançou O Mar que nos Envolve em 2014, e foi citado como um dos melhores álbuns de 2014 aqui no site, deve ser bastante conhecida pelos fãs da Oficina G3. Isso porque seu guitarrista é Celso Machado, que trabalhou na guitarra base do grupo dentre 2006 e 2015. O baixista do G3, Duca Tambasco, também participou das gravações deste álbum. No entanto, a banda tem a sua identidade, o que lhe recusa comparações, e tem ótimas composições.


    Iahweh

    Esta banda católica tem se destacado pela rede nos últimos anos, embora tenha uma carreira bastante longeva. Constantemente vejo pessoas compartilhando músicas deste grupo. Seu último álbum, Deserto, teve uma popularidade considerável, principalmente com a participação do padre Fábio de Melo na faixa-título.


    Godcore

    O Godcore é um power trio, que também conheci através do Junio. Possui dois discos lançados, sendo o mais recente lançado ano passado, chamado Tua Graça.


    Os Oitavos

    Eles tem muito o que dizer. Apesar de eu achar o instrumental fraco e pouco criativo, eles tem os melhores versos dentre os grupos aqui citados. Suas letras são instigantes, polêmicas e fortes na medida certa. Se você ainda não ouviu o álbum Armas de Distração em Massa, não sabe o que perde. É formada por Johnnie Haeuser (vocal, guitarra e piano), Cris Selbach (baixo), Lucas Daneluz (guitarra) e Ricardo Dini (bateria).


    Hazerhort

    OK, depois de rock alternativo e uns materiais bem leves, vamos de metal extremo. Banda brasiliense, tem se destacado há mais de uma década na cena metal cristã, principalmente por se tratar de uma das pouquíssimas bandas do gênero no centro-oeste brasileiro. Esse ano prometem um disco de inéditas. Confira, abaixo, um dos clipes do grupo.


    Conhece mais bandas independentes que poderiam ser citadas nesta lista? Dê o seu pitaco e divulgue essa galera que tem buscado fazer um som relevante e de qualidade na cena.

  • TOP 10 – Músicas sobre o tempo

    O tempo é algo que, até os dias de hoje, não sabemos definir. Mas é através desta noção que guiamos nossa vida, e ouvimos canções sobre o tema. No meio cristão, existem várias, por isso fizemos uma seleção e trouxemos dez músicas gospel sobre o tempo.

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    Eclesiastes – Brother Simion

    O décimo lugar vai para Brother Simion, com a canção mais eclesiástica desta lista. O livro de Eclesiastes é cheio de reflexões acerca da temporalidade, a passagem da vida, e outras questões relacionadas. Assim, Simion conclui que, assim como há tempo para tudo, neste trajeto é Deus quem nos guia. (2001)

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    Quatro Estações – Kleber Lucas

    Uma das mais belas e singelas canções da carreira de Kleber Lucas, o cantor relaciona as fases do ano, a passagem do tempo aludindo os momentos bons e ruins da vida de qualquer pessoa, afirmando que em qualquer tempo o Senhor é nosso pastor e que nada nos separa do amor dEle. Sem dúvida, ótima opção para ouvir. (2007)

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    Ainda Há Tempo – Marcela Taís

    Marcela Taís já é conhecida por seus versos poéticos, e “Ainda Há Tempo” não foge disto. É uma canção que, suavemente trata que, enquanto ainda existe vida, ainda existe tempo. Tempo para amar, cuidar, dedicar-se à Deus: não perca seu tempo. (2011)

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    Ninguém Vai Saber – Resgate

    Escrita para o disco de 25 anos do Resgate, “Ninguém Vai Saber” é uma canção que reflete o quão inesperado o futuro pode nos ser. Quanto mais dias passam, menos dias temos para evoluir, e mais próximos estamos de nossa morte. No álbum, antes de cantá-la, Zé Bruno também faz uma reflexão. (2015)

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    A Vida como Ela Era – Hibernia

    Canção que intitula o álbum, o qual, toda a sua temática é voltada ao fato de voltar aos tempos de infância, é uma canção suave e agradável. A banda afirma que o tempo “é trem que não espera por ninguém”, e que a vida como era bela na infância, com requintes de inocência. (2009)

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    Tempo para Amar – Thiago Grulha

    Do álbum Meus Passos no Tempo, “Tempo para Amar” é uma das várias canções de Thiago Grulha acerca do tempo, e é uma das mais fortes, tratando a necessidade de dedicarmos parte do nosso tempo para amar as pessoas à nossa volta: “Quem não tem tempo para amar / Morre por dentro a cada segundo / Nós fomos feitos para amar / O amor de Deus transforma o mundo“. (2010)

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    Tempo – Daniela Araújo

    Juntamente à canção “Milímetro”, Daniela Araújo reflete sobre a nossa pequena e curta existência em meio à um universo de duração tão gigante. Assim, esquecendo-se do que passou, o tempo que não mais volta, somos levados à recomeçar com Deus: “O tempo não volta, nem pode parar / Mas me dá a chance de recomeçar / O tempo é tempo não pode curar / Mas é no tempo que escolhes me encontrar / Esquecendo o tempo que passou / Segurando Tua mão, Senhor / Eu vou recomeçar“. (2011)

    https://www.youtube.com/watch?v=j8KFKh5JQv4

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    O Tempo de Deus – Ma-Lu

    A dupla Ma-Lu ficou conhecida nacionalmente entre meados de 2006 e 2007, quando lançaram seu primeiro álbum. Com um som pop com influências do country, a dupla lançou o álbum Amor Maior, com a produção de Dudu Borges. “O Tempo de Deus” foi a principal canção deste projeto, a qual afirma que a vontade de Deus para as coisas acontecerem sempre são maiores e melhores em nossa vida. (2008)

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    Senhor do Tempo – Paulo César Baruk

    Uma reflexão acerca dos nossos dias tão frenéticos, e as vezes, cada vez mais distantes do Criador, “Senhor do Tempo” é uma das melhores canções na carreira de Paulo César Baruk. O clipe para esta canção alcançou alta popularidade, tendo mais de um milhão de visualizações, e foi feito em relação ao conceito gráfico do álbum Entre. (2013)

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    O Tempo – Oficina G3

    Um dos maiores sucessos da Oficina G3, que marcou gerações, foi escrita pelo guitarrista Juninho Afram, que também é o intérprete, juntamente com o ex-vocalista PG. A canção é uma reflexão em primeira pessoa, vendo como o tempo passa e nós morremos, aos poucos, com o seu passar. No entanto, seus versos são esperançosos: “O tempo se vai / Mas algo sempre guardarei / O teu amor, que um dia eu encontrei“. Ainda há a participação especial do Coral Kemuel. (2000)

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    O que achou deste nosso TOP 10? Conhece mais canções acerca deste tema? Comente e compartilhe com todos, sua opinião é importante!

  • TOP 10 – Músicas sobre saudade

    A saudade é um dos sentimentos mais particulares e descritos na nossa língua, embora sua sensação seja geral. Em mortes, afastamentos, situações, sentimos saudade de alguém, de alguma coisa ou de alguma época. Natural, e as vezes pouco confortante é tema de várias músicas cristãs. Confira nossa lista com alguns exemplos.

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    Espelho nos Olhos – Banda Azul

    “Espelho nos Olhos”, da Banda Azul, escrita por Janires é uma lembrança dos acontecimentos da vida. A infância sonhadora, a juventude corriqueira e frustrante e o encontro com Cristo. Tudo isso é lembrado de forma poética com requintes de saudades pelo compositor, que logo morreria, deixando um imenso legado para a música cristã nacional. Sobre sua vida, escreveu: “Na causa do bom mestre já rodei ‘brasis’ / Irmãos, amigos, companheiros de esperança fiz / Mas, agora já é hora / De ir embora viajar / Descobrir outro mundo, outro lugar / Levo no peito saudades de vocês…“. Um pouco dessa história você pode ler neste post. (1988)

    https://www.youtube.com/watch?v=F82qJmSzkHU

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    Flores em Vida – Paulo César Baruk

    Música já registrada em reflexão neste site, nos faz pensar em quantas pessoas passaram pela nossa vida e sequer uma demonstração de sentimentos damos. Quando vão embora, apenas a saudade fica. Temos que oferecer flores em vida enquanto é dia… (2010)

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    Princípio e Fim – Leonardo Gonçalves e Daniela Araújo

    O tempo passa, a vida passa e muitas vezes nos esquecemos do que é Eterno. Você sente saudade da Eternidade? De seus momentos com Deus? No céu há a certeza de que não haverá saudade. Tudo o que envolve este sentimento será sanado pela presença do Criador. (2012)

    https://www.youtube.com/watch?v=QApf576iKRk

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    A Tempestade e o Sol – Catedral

    Em 2003, o guitarrista do Catedral Cezar faleceu num acidente. “A Tempestade e o Sol”, feita por seus irmãos Kim e Júlio Cezar é em homenagem ao músico, refletindo sobre a fragilidade da vida e a saudade, que um dia desaparecerá no céu. (2003)

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    Esperança – Voz da Verdade

    Certamente, o Voz da Verdade, no âmbito musical cristão é um dos grupos que mais viveram perdas. Com cerca de cinco integrantes mortos, maioria por questões de saúde, “Esperança” já foi trilha sonora em homenagem a eles. Hoje, a saudade e o sentimento de perda. Amanhã, o emocionante reencontro. (1983)

    https://www.youtube.com/watch?v=nyS1HSIgWZk

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    Saudade – Cristina Mel

    Do álbum Refúgio de Amor, de autoria da própria cantora, “Saudade” é um registro poético e direto sobre este sentimento. “Saudade / É o nome dessa amiga / Que um dia lá glória / Já não mais existirá”. (1994)

    https://www.youtube.com/watch?v=iUtXrblZY5A

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    [tab title=”4º” icon=”entypo-music”]

    A Vida como ela Era  – Hibernia

    A banda Hibernia não apenas fez tal canção, mas praticamente um álbum inteiro sobre saudade e nostalgia. A letra de “A Vida como ela Era” remete a saudade da infância, e principalmente da inocência, que se perde ao longo dos anos. Seus versos também remetem à influência do tempo neste processo. “Vê que o tempo está aí / Sem ter pra onde ir / Movido a vapor / Vai / Levar dentro de si / Histórias sobre mim / De risos e de dor“. (2009)

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    O Lado da Vida – Ana Paula Valadão

    “O Lado da Vida” faz parte do único álbum solo de Ana Paula Valadão, As Fontes do Amor. As letras deste trabalho, no geral são fortemente intimistas e poéticas. Esta canção segue a mesma linha, refletindo sobre a saudade de pessoas que já faleceram. As vezes nos questionamos sobre o curso natural da vida, mas em tudo Deus é soberano. (2009)

    https://www.youtube.com/watch?v=WS9lQetQMaY

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    A Saudade é um Milagre – Alexandre Malaquias

    Escrita pelo próprio cantor, “A Saudade é um Milagre” é uma das principais músicas de Alexandre Malaquias. Contendo uma das melhores letras sobre saudade no gospel, o eu lírico compreende e aceita os acontecimentos da vida pela soberania do Criador. (2011)

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    Igreja Pequena – Cassiane

    Fechando a lista, o clássico “Igreja Pequena” de Cassiane retrata a saudade de uma igreja fervorosa e das pessoas que lá congregaram. A canção, até hoje é um dos maiores sucessos da cantora e não poderia faltar nesta lista. (1994)

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    O que você achou da lista? Que tal mandá-la para as pessoas nas quais você sente saudade? Abraços e até a próxima!

  • Rocklogia – Desmistificando o novo movimento ou crossover no meio cristão

    Atenção: A opinião do autor mudou. Após ler o texto, leia Desafios para o novo movimento.

    Eu me nego a usar a palavra crossover neste contexto. Vamos apenas de novo movimento.

    Com a popularidade de bandas e artistas como Tanlan e Palavrantiga, tem crescido a discussão de vários assuntos nos meios virtuais, como portais de notícias e redes sociais. Um destes, sendo o principal é: até onde vai a interação da “música religiosa” em espaço “não-religioso”? A própria pergunta possui um raciocínio errado. Mas vamos com calma, e entender o que é, com quem começou e disseminou esta ideologia. Eu, particularmente abordaria esse assunto apenas daqui a uns meses, para não atropelar a linha do tempo que vou apresentar sobre a história do rock cristão no Brasil aqui na Rocklogia. Mas, como o tema tem gerado confusão, é de certa urgência apresentar a minha visão particular e do que tenho lido sobre o assunto vindo de quem mais entende: os próprios criadores dessa música.

    Antes de tudo: Janires, Catedral e João Alexandre não são nomes do novo movimento. Se você observar isso escrito em qualquer lugar, não acredite. No caso de Janires, era um músico comum que se converteu ao cristianismo e decidiu colocar a sua visão de mundo nas músicas para evangelização. O cantor não tinha um propósito filosófico e extremamente conceitual em sua obra. Fazia o que sua criatividade permitia e o público que identificasse o abraçaria. Óbvio que ele é um dos nossos melhores referenciais de como olhar fora da caixa, mas não é o mesmo que temos atualmente. No caso do Catedral, surgiu como uma banda de rock cristão como qualquer outra, que mais tarde construiu uma ideia de fazer uma música para todos os públicos. Ou seja, o grupo nasceu segmentado e depois tentou subverter esta situação. A Catedral conseguiu atingir o mercado secular? Sim, e com êxito! Mas não pode ser chamada como integrante do novo movimento porque não nasceu com essa ideia. João Alexandre nunca negou ser um cantor do mercado evangélico, ou colocar um cristianismo claro e direto em suas canções. Possui seu lado poético e artístico, mas continua sendo um músico com rótulo cristão. Quando o cantor afirmou não querer mais fazer parte do chamado “movimento gospel”, não negou sua veia cristã, mas referindo-se ao movimento ocorrido no final dos anos 80, no qual a Renascer em Cristo foi a principal instituição colaboradora.

    Esclarecido um ponto importante, surge uma pergunta: o que é novo movimento? Novo movimento é, como seu título define um movimento musical (não um estilo) em que a arte produzida não é segmentada por barreiras religiosas, ou até mesmo antirreligiosas. Um movimento em que a fé do indivíduo não é mais importante que o conteúdo no qual é apresentado. Não é um movimento nascido no “gospel” para atingir o “secular”. Até porque, em concepção o novo movimento não nasce dentro da música religiosa, mas desde o início desconsidera os muros existentes para invadir todos os ambientes e não ser contaminado pela perspectiva atual. É, claro, que por consequência, o fato de atingir um “público cristão” fará com que muitos, até de forma inocente o rotule como um artista/banda gospel. Uma das consequências que o novo movimento pretende trazer é uma transformação de todos os mercados “segmentados” que o envolvem para que seus efeitos perdurem com o passar do tempo.

    E por que se chama “novo movimento”? O nome “novo movimento” foi utilizado pela primeira vez pelo músico Arvid Auras, um baterista que foi integrante e o principal compositor da banda Aeroilis, conhecida como a precursora do movimento. Neste texto, produzido pelo instrumentista, ele conceitua a expressão. Infelizmente, não posso transcrevê-lo, porque o site da banda encontra-se inativo. No início do texto, eu disse que não gosto de utilizar a palavra “crossover”, porque o significado desta expressão, em sentido original e principal se refere ao fato de misturar dois ou mais gêneros musicais, o que tem pouco, ou definitivamente nada a ver com o que o novo movimento propõe em sua concepção. Entretanto, ainda assim o termo ainda é utilizado no exterior para designar cristãos que romperam as barreiras do mercado cristão e expandiram seu trabalho para um público maior e mais heterogêneo.

    O novo movimento também coincide com um momento de descontentamento de uma parcela de cristãos (ainda pequena), tanto com teologias nas quais mantém contato, seja pelas igrejas/instituições que frequentam e músicas produzidas por artistas do mainstream gospel. A busca por um conteúdo relevante, sincero, profundo e que não é uma mera propaganda de uma crença ou placa de denominação pode explicar o êxito que artistas do underground estão alcançando atualmente, principalmente com o advento da internet. Incluindo o contexto pós-moderno, em que muitas pessoas procuram algo etéreo, mas fora dos padrões religiosos que temos, a música apresentada pelo novo movimento cai como uma luva para esses indivíduos.

    E por que o “novo movimento” causa tanta confusão? Para começar, há pouco material disponível sobre o assunto, e a conceituação por jornalistas e blogueiros é confusa e superficial. A inclusão de nomes que não fazem parte do movimento, ou até mesmo a linha de pensamento em que ele é restrito as bandas de rock, o que não é. Segundo, porque a própria “música gospel” brasileira, mesmo com suas limitações líricas está chegando numa mídia que não pertence ao nicho evangélico. Estes artistas que estão em destaque, por alcançarem novos públicos (embora não fidelizem) são denominados, de forma incorreta como algo semelhante ao novo movimento. Terceiro, porque achamos que, para ser integrante do novo movimento, o público deve de alguma forma falar pelo conteúdo do artista. Se o artista, com seu conteúdo ainda possui um público muito homogêneo, somos levados a pensar que a tentativa é falha. Quarto e mais importante: a nossa mentalidade dualista de dividir a música “profana” da “sagrada” é algo tão enraizado na nossa cultura (principalmente aqui no Brasil) que é, de certa forma muito complexo definirmos com clara exatidão o que esses desbravadores de novas linguagens e abordagens estão fazendo. Isso me lembra do desconforto que temos em pensar no pós-modernismo com nossa perspectiva modernista. Talvez, a minha metáfora seja absurda, mas é a visão que tenho.

    A Aeroilis foi a primeira banda que nasceu com essa ideologia no Brasil (lembremo-nos que no exterior temos várias outras) e lançou seu primeiro álbum em 2004, tal qual é considerado o primeiro trabalho desse movimento. No ano seguinte, a Tanlan lançou seu primeiro EP, e ambos os grupos são os precursores. De certa forma, influenciaram tanto que a maioria das bandas de rock que compartilham dessa visão são da região sul do Brasil. E, por minha suposição, creio que Palavrantiga alcançou mais sucesso por três motivos: tem sua origem na região sudeste, sua aparição foi mais tardia e a imagem/discurso de Marcos Almeida, que de certa forma se destacou de uma forma diferente e tomou novas abordagens, principalmente com seu portal Nossa Brasilidade.

    O vocalista e frontman da Tanlan, Fábio Sampaio citou artistas e bandas que crê serem do novo movimento, que são: Aeroilis, Hibernia, Marcela Taís, Crombie, Lorena Chaves, Danni Distler, Eduardo Mano, Banda Salt, Grato!, Hélvio Sodré, Adriel Nephesh, Primerandar, Os Oitavos, Quarto Fechado, Palavrantiga e Tanlan. Eu, particularmente também incluiria Bruno Branco, Memora e Matina. Aeroilis e Fábio Sampaio já tocaram juntos, Tanlan já gravou com Marcos Almeida. Várias outras parcerias entre esses nomes poderiam ser mencionadas aqui.

    Para finalizar, creio que é importante citar a obra de um filósofo que influenciou a proposta de algumas, senão todas essas bandas e artistas. O livro “A arte não precisa de justificativa”, de Hans Rookmaaker provavelmente seja a leitura mais indispensável para quem deseja entender a fundo as ideias do novo movimento. Convido você, assim como eu a entender mais profundamente esse movimento dentro da música nacional, e não sermos levados por uma visão de patamar comum sobre o assunto.

  • Análise – CD A Vida como ela era – Hibernia

    A infância, além de ser uma fase marcada pelo início das descobertas da vida, é envolvida pela pureza e simplicidade. O álbum de estreia da banda Hibernia, “A vida como ela era” remete a essa nostalgia dos tempos de inocência, tanto de vida, quanto espiritualmente falando. Não só conceitualmente, as melodias e letras são, em alguns momentos fortemente introspectivas, trazidas a primeira pessoa, o que não é muito comum de encontrarmos no mainstream. Além de tudo, o grupo é adepto ao mesmo crossover abraçado pelas bandas Tanlan e Palavrantiga, por exemplo.

    A capa, produzida por Oliver Garcia traz um guarda-chuva. Sabemos que, a chuva durante a infância lembra o sorriso de se molhar a cada pingo recebido. O guarda-chuva, por outro lado transforma-se no pudor e nos receios de que temos em viver a simplicidade da vida e a pureza desta fase. E, claramente, como todo o projeto enfatiza, não é tarde para voltar à inocência. Foi lançado em 2009.

    O conjunto inteiro da obra soa muito bem trabalhado e coeso, como dito anteriormente. A faixa título A Vida como ela era representa muito bem o CD. O uso de sintetizadores, teclado e piano aliados ao clássico som da guitarra alternativa contemporânea remetem um momento de lembranças, e ao mesmo tempo na procura de uma retomada ao passado, como bem citado na letra.

    Os vocais cheios de feeling do cantor Renato Santana junto a letra e melodia de Além do que se entende retratam bem a angústia do homem contemporâneo cristão em permanecer na presença de Deus com o tempo e situações ao seu desfavor. Ligando-se, temos Vaidade que segue, de forma menos introspetiva a versar sobre as fraquezas humanas, por uma perspectiva bem racional.

    Sei nunca é tarde pra voltar à inocência que me fez feliz
    E reencontrar sem nenhum pudor
    Motivos para estar em Tua presença
    Que me fez tão bem
    Não sinto muito bem onde estou
    Mas é cedo pra dizer não mais
    As cores ainda estão por vir
    Vão trazer consigo tanta paz
    Além do que se entende

    Esses Olhos Teus, mais lenta é a melhor balada do projeto, em todos os aspectos. Retrata muito bem a intimidade de Deus com o homem que abre o coração para Ele, com sua melodia e interpretação suave, principalmente com o órgão sintetizado na introdução.

    Os riffs de guitarra “abrasileirado” de Não sei Fingir contribui para a boa variação de melodias do álbum, porém, de maneira alguma foge do conceito geral. E se eu disser que não, como várias, inicia-se com forte presença de sintetizadores, mesclando momentos lentos e densos, trazendo o clima de angústia e reflexão enfatizado na letra, cheia de perguntas e sugestões.

    Ulster e João fazem parte dos momentos mais fracos do projeto, que poderiam ter sido melhor explorados. Quem me Dera volta ao tema inicial, dissertando a respeito dos erros humanos e seu coração caído diante dos seus planos e ações incorretas. Foi a primeira canção do repertório apresentada pela banda em sua carreira.

    Fechando o álbum, este reserva uma das melhores faixas do repertório. O Amor é o que me Basta conclui o conceito do álbum de forma excelente, versando sobre as vaidades e o real sentido da vida para nós que conhecemos Aquele que dá o sentido de todas as coisas, concluindo que, apesar de tanta complexidade e saudade, é possível ser feliz apenas com o amor que vem de Deus. Mais uma vez, o órgão sintetizado é bem presente.

    Sem renúncia não há vida que se possa encontrar
    Não há defeitos no aroma insaciável do amor

    Finalmente, o disco da Hibernia, que se aparenta inicialmente tão simples e despretensioso surpreende-se a cada faixa, embora a partir da sétima o projeto não mantenha o nível apresentado desde o início. O destaque vai, em primeiro lugar as letras. Elas justificam a sensação que as melodias causam a cada audição, sem medo e sem pudor para o ouvinte final. Para quem gosta de discos essencialmente cristãos, mas ao mesmo tempo atento ao mundo contemporâneo, “A Vida como ela era” é um bom exemplo.

    hibernia1