Por esses dias eu estava conversando com uma pessoa, sobre teatro, a qual concluiu, há pouco, a Faculdade de Direito. Então perguntei como a pessoa se comportava ao tribunal, diante do júri, e do juiz, por exemplo. Mas num dado momento, ela me falou: ‘‘Afinal de contas, o tribunal é um grande teatro’’.
Algo que tem vindo, fortemente ao meu coração, nesses dias, é o quanto que nós vivemos uma vida de ‘‘máscaras’’. Uns com muitas, outros com poucas, mas todos têm a sua máscara. Assim, comecei a pensar no tanto de gente que vive aprisionada, dentro das igrejas, carregando um jugo e um fardo que não vem do Senhor, simplesmente para agradar aos outros. Afinal, o jugo de Jesus é suave e o seu fardo é leve (Mt 11.30).
Nós vivemos numa sociedade onde os “pode, não pode” são obrigações, pois se você não seguir esse estilo de vida, automaticamente será excluído. E assim tem sido a igreja do Senhor na Terra. Eu entendo que devemos ter uma linha de raciocínio doutrinária, porém, nem tudo está pautado pela Palavra de Deus. São apenas costumes humanos que foram impostos. E muitos não sabem nem porque os seguem, mas para não contrariarem ou serem excluídos por suas igrejas locais, preferem segui-los.
O texto de Mateus 9, do verso 9 ao 13 relata o encontro de Jesus com um homem chamado Mateus, seguido de uma cena muito interessante. O texto diz que Jesus foi para casa, e chegando ali, ele sentou-se à mesa com muitos publicanos e pecadores. Então os discípulos são indagados, sobre o motivo de o Mestre deles sentar-se à mesa, com aquele tipo de gente. Mas eis então, o “x” da questão. Você não vê Jesus explicando-se ou titubeando quanto ao que responder. E nas Suas palavras, Ele deixa bem claro, que sabia quem Ele era, e que o fato dele estar ali entre os desprezados, não o influenciava para o mal. Jesus não tinha compromisso em buscar ser o que não era, para agradar os homens, mas simplesmente era o que era.
Outro texto no qual enxergo esse chamado de Jesus para nós, para que sejamos nós mesmos, sem máscaras, é o de Lucas 18:9-14, pelo qual o Senhor conta a parábola do fariseu e o publicano. Não me atentarei em contar a história (leia o texto). O notável é que, Jesus falou que o publicano, após desmascarar-se diante de Deus, voltou pra casa justificado. E aqui nós percebemos a importância de sermos nós mesmos. E não buscarmos títulos ou respeito humano por aquilo que nos é imposto, não buscarmos o respeito dos irmãos das nossas igrejas, enquanto massacramos quem nós somos. Fingindo ser/ter uma personalidade que não é real.
Quando nos encontramos verdadeiramente com a Cruz, percebemos quão miseráveis homens somos e como necessitados da transformação de Deus em nós. O Senhor não se atenta ao que nós somos enquanto estamos mascarados. Ele nos conhece, e antes que falemos, Ele já sabe (Sl 139.4).
Quando nós nos abrimos e mostramos a nossa verdadeira identidade, permitimos automaticamente que Deus trabalhe em nós. Alguém já disse que caráter é tudo aquilo que nós somos no escuro, ou seja, quando ninguém vê. Podemos enganar qualquer pessoa, fascinar a muitos com as nossas máscaras, mas diante de Deus o que prevalece são os nossos corações. E a caminhada diária com Jesus, é uma caminhada de retiradas e cada uma delas, e de reconhecimento de quem nós somos de verdade. Óbvio que nem todo mundo nos aceitará por sermos quem somos, mas não podemos nos preocupar com o que a outra pessoa pensa sobre nós, e sim, com o que o céu, de nós, pensa. Que o Senhor nos ensine e nos ajude a retiramos as nossas máscaras dia após dia!
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