Um Brinde – Quando Kevin Arnold falou de fé

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Sou um fã nato do seriado Anos Incríveis que, na minha infância foi televisionado na TV Cultura e foi um sucesso nos anos 90. Depois de anos, em tempos de www, como diz o grande Humberto Gessinger, consegui encontrar algumas temporadas completas no YouTube. Bem, o personagem principal é o Kevin Arnold (Fred Savage) de 13 anos. O mesmo narra a história, só que já adulto. Anos Incríveis é uma criação honrosa de Neal Marlens e Carol Black. Pois bem, a família Arnold não é religiosa. Mas neste episódio, Kevin inicia falando da formação de seu país (Estados Unidos) e da base de fé que tinham, tendo o curso mudado no fim da década de 60 com alguns questionamentos sobre o real sentido da vida. Kevin não fala necessariamente de religião e nem do próprio Deus. O mesmo tem como dever de casa escrever um necrológio que é uma espécie de como as pessoas falarão de nós após morrermos. Kevin ainda muito ingênuo, não sabe o que de fato tem que fazer. Na primeira tentativa faz uma resumidíssima apresentação e sua professora o repreende, pois se assemelha com a história do presidente George Washington. Em casa, a família Arnold passa por alguns problemas com os recibos dos impostos a serem pagos. A mãe de Kevin, Norma Arnold (Alley Mills), perde os recibos, mas não perderiam de vez, apenas alguns problemas da agência haviam acontecido. O que deixou Norma preocupada mesmo, foi os astronautas da Apolo13 que estavam na lua e correndo risco por alguma falha mecânica. Por conta disso, ela vai até uma igreja e Kevin a segue, mais tarde a noite, já em casa, ele sai e reza a Deus. Quando entra, vê os pais sorrindo e bem um com o outro. Então Kevin reflete sobre a família e fé.

Entenda caro leitor, o episódio não trata de nada grandiosamente espiritual, apenas um pouco do que nós cristãos deveríamos observar mais: as nuances de nossa rotina. Já escrevi aqui um pouco sobre isso e creio ter deixado claro que o que torna os dias cansativos e sem graça não é a rotina em si, mas a repetição sem extras dos dias. A professora de Kevin pediu apenas uma página do necrológio. Sim, não exigiu muita coisa, pois sabia que eram jovens demais, mas precisavam compreender um pouquinho de suas próprias vidas. O irmão do personagem, Wayner, o qual não é nada gentil nem legal, ao descobrir o trabalho do irmão, tenta “ajudá-lo” sugerindo que o escreva:

“Kevin Arnold: nasceu idiota
Viveu uma vida idiota
Morreu idiota”

Acredito que já vivemos uma vida assim. Talvez não vivemos mais por viver pois entendemos agora que há um sentido para a vida. Aprendi 3 coisas bem importantes com este episódio:

1°) Estamos muito longe de sermos humanos. A busca incessante de querermos ser perfeitos e o piloto automático frenético, faz com que transpareça que não somos humanos com falhas, limitações, dores e sonhos. A fé nos garante muito mais que refúgio. Ela nos dá a certeza do que não vemos (Hb 11:1). Deus nos mostra o caminho da verdade (Sl 25:8) e nos instrui e ensina (Is 28:26). Ao contrário do que as pessoas pregam, o nosso Deus se relaciona sim conosco. Ele apenas não fala em Sua palavra, mas se relaciona com seus filhos, que é incrivelmente abençoador para nós. Quando entendemos que somos humanos, compreendemos o quanto necessitamos do amor do Pai e precisamos melhorar como filhos.

2°) As crises são transitórias. Por mais difícil e dolorosa que sejam as crises que enfrentamos, elas são transitórias, cedo ou tarde vão passar. Se bem que elas parecem infinitas porque nos atinge demais, e isso porque somos frágeis e não vemos lado bom nas dores. Não que é necessário sair por aí fingindo que está tudo bem com um enorme sorriso no rosto, mas é importante procurar algo bom onde aparentemente não existe bondade. Soa bem contraditório, mas isso é necessário. Precisamos entender que nunca seremos completamente felizes aqui na Terra, e isso nos motivará a continuar crendo em Deus e nas suas maravilhas.

3°) A fé sempre será uma decisão. É bem provável que já tenhamos pensado em coisas triviais e de pensarmos em largar a fé. Não importa a base, mas já pensamos ou abandonamos a fé. Eu, particularmente, abandonei a fé católica, espirita e dos testemunhas de Jeová. Neste episódio, Kevin Arnold decide orar, decide buscar a Deus por um instante, e mesmo não tendo uma relação com Deus ativa, ele soube o que dizer. Em Habacuque 2:4, vemos que o justo viverá pela fé. Viver é algo prolongado e cheia de decisões. Pagar impostos por exemplo, não é uma decisão que parte de nós, e como um simples calvinista, também creio que a fé não é decisão nossa, mas Deus nos permite ver essas situações e tomarmos tais rumos conclusivos. Por isso, a fé faz parte do corpo divino da graça. Graças a misericórdia do nosso Deus podemos ter fé nele e viver melhor.

Quando Kevin Arnold falou de fé eu percebi que o meu lado humano pulsa e anseia por Deus. Entendi que minha cosmovisão cristã precisa ir além de musicas e situações rotineiras, preciso olhar com amor para o meu bairro, cidade, estado e país. Preciso tirar bonança do caos político que se estabelece no congresso e ver ternura na simples dor de uma personagem de um seriado ou filme que muito gosto. Quando Kevin Arnold falou de fé, eu sorri e disse: “Obrigado meu Deus, Tua glória é magnífica e incomparável!” Um brinde!

https://www.youtube.com/watch?v=mLHr5fBAmmU

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