Autor: Thiago Junio

  • Conectados no Amor – Um dia especial e tudo igual

    A semana mágica entre o natal e o ano novo é uma fantasia que não conseguimos realizar o ano inteiro. Festas, parentes unidos, etc. É tudo tão belo, festivo, empolgante, e alegre. É por isso que todo mundo é ansioso para que esses benditos dias cheguem logo. Geladeira farta, a mesa cheia, presentes debaixo da árvore de natal, parentes reunidos festejando, comendo, bebendo, se alegrando com a comemoração natalina.

    Mas sabe, isso tudo parece um despisto em frente à solidão. Assemelha-se a uma espécie de festa de finados, comemorando a nossa morte. Depois de um ano de vazio e sem paz, paramos para exagerar no consumismo e encher a alma que nunca se farta. Achamos nossas crianças tão inocentes por acreditarem em Papai Noel, mas nós somos tão iludidos de achar que o natal vai enganar a guerra dentro de nós.

    Olhe ao seu redor. Olhe para o mundo. Atrás dos sorrisos veem-se corações quebrados e partidos, atrás das mansões há famílias destruídas, atrás de shoppings, veem-se barracos com a fome reinando, debaixo de árvores e presentes, há crianças de ruas, no meio dessa casa cheia há seres vazios, entre a prosperidade sonhada há desigualdade gerada, às costas da conversa alegre há almas tristes, no círculo de encontro natalino cheio de paz e diversão há ódio, rancor, facção, inveja, etc., há vazio e escuridão no meio de tanta luz colorida.

    Eu poderia falar de como o natal é um dia alegre, de que a data em que foi escolhida para comemorar a vinda de Jesus a nossa terra tem que haver harmonia, de como é bom dar presentes a quem ama, mas prefiro falar o que ocorre na verdade, comigo e com todos ao meu redor, do que o menino Jesus veio nos salvar, do motivo do Natal, de o quanto tudo está tão mal. Sim, a vinda de Jesus deve ser comemorada, mas para que não haja um dia especial e feliz, mas um ano mais cheio de amor e paz. Então, quero desejar um feliz natal para todas as pessoas.

    Feliz natal para quem está triste.

    Um natal cheio de paz para quem se encontra em guerra.

    Um natal próspero para quem está pobre.

    Muito dinheiro para encher o bolso menor que o vazio do seu interior.

    Muita saúde para quem está doente e cansado de viver.

    Feliz natal para quem está enchendo a barriga, mas ainda está com fome de mais.

    Corações sujos como aquela estrebaria
    Em um lindo shopping center decorado pro Natal…

  • Conectados no Amor – Cristianismo por fé, não por gênero

    A discussão envolvida sobre a grande parede entre o sagrado e secular tem atingido a todas as pessoas. Os radicais ainda persistem em se esconder no lado de cá da cultura gospel, ignorando a arte denominada secular por seus preceitos concebidos. Mas no meio desse muro, vem surgindo grupos que perseveram na mudança dos conceitos recebidos por parte do movimento gospel, quebrando a barreira entre o santo e profano e servindo de porta voz do cristianismo ao mundo.

    Primeiramente, por que há essa moral da divisão do religioso e não religioso? A nossa sociedade sempre persistiu nessas fronteiras onde há duas culturas completamente distintas e que vivem em guerras constantes. Quem nunca ouviu sobre essa divisão entre o sagrado e o mundano? E o pior é isso, o próprio cristão já recebe em sua consciência que enquanto vive, ele tem duas vidas: a santa, quando vai à igreja, e a profana, que condiz com o que ele escolhe fazer para ocupar seu tempo como trabalhar, se divertir, etc. Afirmar isso implica dizer que quando não estamos na igreja, Deus não está conosco, pois a santidade é o fruto do convívio com Deus. Ou seja, é um enorme erro dizer que há uma separação do santo e profano em nossa vida. Somos santos em qualquer lugar.

    Segundo, quando surge essa divisão, manifesta-se outra questão: o que é e como se tem a santidade? Como já relatado, santidade é o fruto do convívio com Deus. Santidade constitui na mudança de interior que se reflete no exterior de uma forma divina. Quanto mais buscamos a Deus, mais santos nós tornamos. E essa santidade se reflete em nossas atitudes. Mas o sagrado reflete-se em nós da Sua habitação em nossa casa. Somos templos do Senhor, e Ele escolheu a nós para sua habitação (Atos 17.24).

    Uma pintura, uma banda, uma associação artística por si é apenas uma entidade cultural. A arte não cometeu pecados, ela não precisa ser justificada e ela também não é uma habitação divina. O cristianismo é fé e não um gênero musical. A despeito do conceito de música cristã (aquela utilizada com fins evangelísticos e congregacionais), Cristo não escolheu e não morreu por nossa banda, por nossa música, por nosso desenho, ou por nosso símbolo, mas escolheu a nós, homens pecadores, e morreu para justificar a nós e mostrar a santidade divina para nós, criaturas humanas. A “música cristã” não é santa, sagrada, pois ela é apenas uma arte e um reflexo do que nós queremos falar.

    O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em bandas, entidades artísticas, música, desenhos, poesias feitos por mãos de homens.

  • Conectados no Amor – Tudo tem seu lugar – parte 2

    Tudo que Deus faz na nossa vida é para colocar as coisas no seu devido lugar.

    Todo cristão que começa a caminhar na direção contrária do mundo, sempre tem duras lições. E uma das perguntas que mais se ouve entre os filhos de Deus é: por que estou sofrendo provas?

    A teologia da prosperidade é um das linhas teológicas que diz que provação é do diabo e que o cristão por ser filho de Deus tem que ter uma vida de príncipe. Outro pensamento proclama que a prosperidade não é o enriquecimento financeiro, mas estar feliz com o que tem. E há outro argumento também, que diz que cristão sofre provas, mas isso deve acontecer como diz na bíblia. São três teses que tem as suas bases e argumentos, bíblicos ou não, mas olhando-os pela perspectiva teocêntrica, o primeiro é um absurdo e os dois últimos estão certos, contudo, eles são apenas partes do pacote do desenvolvimento salvação.

    Relatar que um cristão passa por dificuldades apenas porque tem que passar deixa o evangelho superficial. Cristo quando disse isso, queria dizer mais uma coisa. Paulo, no livro de Romanos, diz que TODAS as coisas cooperam para o bem daqueles que amam ao Senhor. Primeiro, Paulo no contexto em que vivia, estava sendo perseguido e passando por “coisas ruins”. Segundo, ele diz que tudo isso cooperava para o bem dele. Como alguém sofrendo diz que seu sofrimento coopera para o seu bem? Dizer também que a prosperidade é estar feliz com o que tem, tem seu fundo de verdade, mas ela se encaixa na mesma questão da primeira: ela tem seu lugar, mas não pode ser levado como um todo, pois também tornaria o cristianismo supérfluo, pois ficamos tristes sim com algum tipo de tormento.

    A provação, ou melhor, a lição tem um caráter edificativo e construtivo. Deus busca modelar nosso interior e não o exterior. Por isso que tudo coopera para o nosso bem, pois toda dificuldade quer nos ensinar algo ou nos fazer mais íntimos de Deus, apesar de que no início não entendemos nada. Aí também entra o argumento da felicidade. Não ficamos contentes com provações, ao contrário, Paulo chega a declarar que podemos ficar abatidos, angustiados, mas nunca desanimamos. A alegria divina é sobrenatural, vai além da felicidade passageira e superficial humana. Temos alegria enquanto estamos tristes. Parece contraditório, mas é a verdade.

    Agora, por que relatei na primeira frase do texto “Tudo que Deus faz na nossa vida é para colocar as coisas no seu devido lugar.”? No primeiro texto do “Tudo tem seu lugar”, escrevi que a vida é uma união de partes. Todo homem, cristão ou não, está em desordem em seu próprio ser. A provação é justamente o instrumento que Deus usa para colocar as coisas no seu devido lugar naqueles que O amam.

    Entre o que somos e o que deveríamos ser, há um enorme trajeto cheio de lições, e mesmo que todo aquele que ama a Deus se sinta confuso e angustiado, sem entender a bagunça ao redor de si mesmo, saiba que Deus apenas está organizando a desordem de seu ser interior, acarretando um enorme peso de glória nos dias que ainda estão por vir, no Grande Dia de seu retorno.

    Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.

    Romanos 8.28

  • Análise: CD Fernandinho Acústico – Fernandinho

    Em 3 de setembro deste ano, Fernandinho lançou um álbum acústico de quinze canções, contendo regravações e uma canção inédita. Após o notável sucesso de Teus Sonhos, Fernandinho Acústico surge e, apesar de ser um projeto com regravações, apresenta-se com o mesmo impacto de uma obra inédita em sua discografia. O repertório contém vários de seus hits, e o instrumental é baseado em estruturas acústicas, com uso de violão, sintetizadores, baixo, banjo, instrumentos sinfônicos de cordas e bateria.

    A primeira música retirada do quarto álbum do cantor, “Tudo o que eu quero“, teve uma ótima adaptação ao acústico. Utilizou-se de arranjos sinfônicos, teclados, violão, baixo e bateria. Aplausos ao solo de violão e ao final da música com uma forte sonoridade blues, country e até southern rock. Segunda melhor canção do álbum.

    Mil Cairão”, do último disco lançado, teve uma interpretação de boa qualidade. Introdução com belos dedilhados de violão, refrão marcante, ponte com belos dedilhados. A composição baseia-se em Salmos 91.7.

    A tão repetitiva “Se Não For pra Te Adorar“, canção na quais grandes partes das igrejas cristãs utilizam-se no momento do ofertório, foi a melhor adaptação do CD. Estruturada em country, a canção ficou incrivelmente impactante, mais interessante que a própria versão original gravada na segunda obra apática de “Faz Chover”, principalmente pelo uso de banjo na instrumentação. Contou com a participação de David Quinlan.

    Pra Sempre” (“Forever”) é a única inédita da obra, porém uma versão de Kari Jobe. É interpretada por Fernandinho, juntamente à sua esposa, Paula Santos. A canção é de autoria de Jenn Johnson, Joel Taylor, Gabriel Wilson “Gabe” e Briam Johnson. A balada consiste mais na presença de sintetizadores, e no fundo há uma presença de banjo. A letra retrata a morte de Cristo na cruz para nos salvar. Apesar de ser a única exclusiva do álbum, surgiu com uma faixa solta, uma canção sem grandes expectativas, apenas como um cover ressaltando a ligação com a música internacional.

    Regravada do insípido disco que leva o nome da composição, “Faz Chover” teve a participação de vários cantores internacionais, um capricho extravagante, sem muitas diferenças na organização do arranjo. Contém uma camada de arranjos de cordas que embelezam a canção. No final desta, há uma espécie de clamor bem curto. As parcerias ressaltam o reconhecimento internacional do músico, com as inclusões de vários cantores de vários países.

    Mais Alto”, retirada da era invernal musical do compositor, nos velhos tempos de Abundante Chuva, é conduzida por belos toques de teclado, que é o ponto positivo da canção, em comparação ao arranjo rítmico e harmônico do violão um pouco maçante.

    Pai de Multidões” segue a mesma linha da canção anterior, porém mais pedante. No entantoa ponte da canção possui uma parte consideravelmente bonita, tanto no arranjo, como na letra: “Consolar os que choram / Libertar os cativos / Preparar o caminho / Anunciar Tua salvação”.

    Eu Vou Abrir o Meu Coração” foi bem interpretada com toques de teclados e presença de violino, melhor que a versão original da segunda obra Faz Chover, que contém uma estrutura melódica bem cansativa. Percebe-se na parte lírica a influência do livro de Cantares. Contou com a participação da cantora Fernanda Brum.

    A faixa-título do penúltimo recém-lançado disco, “Teus Sonhos”, tem uma introdução interessante de violão que sua organização musical poderia ter sido mantida baseada em dedilhados ou melodicamente semelhante à introdução.

    Nada Além do Sangue”, outra do frutífero Sede de Justiça, é conduzida com dedilhados, entre notas de teclados, possuindo uma boa interpretação. A canção contém um coral no final.

    A canção que leva o nome do ótimo álbum de “Uma Nova História”, é baseada na história de Abraão e tem um ajuste acústico agradável, possuindo toques de acordes na região aguda do violão, algo que teve na maior parte das canções do álbum, o que evidencia o uso de capotraste.

    O Hino”, outra canção do último álbum do Fernandinho, é arranjado de forma interessante, maçantes em algumas partes, boas em outras, salva pelos toques de violino. “Te Adorar”, extraída do segundo disco de Fernandinho, possui um refrão grudento, e o restante é bem tedioso. Teve a participação de Aline Barros. Sem dúvida, foi uma das canções menos empolgantes, de menor qualidade do álbum. A presença notável de Aline no backing vocal não salvou a composição da insipidez.

    A canção baseada em um capítulo de Habacuque e sacada do sexto trabalho do músico, “Ainda que a Figueira” foi a terceira melhor adaptação do álbum. Orientada pelo country e folk, possui cativantes arranjos de banjo na canção. Uma ótima interpretação. A canção poderia ter tido um solo de violão ou banjo adaptado para o acústico, pois ficaria espetacular.

    Dançar na Chuva” foi brilhantemente repaginada. Toques de violão estupendos, arranjos de sintetizadores às vezes meio espaciais, no estilo rock que ela tem. Uma das melhores do CD.

    O novo álbum de Fernandinho possui ótimas interpretações, outras medianas, segmentadas pelo folk, country e blues. Teve poucos exageros no aspecto vocal de Fernandinho, e os arranjos sinfônicos que foram utilizados nas músicas são encantadores e inéditos na discografia do cantor. Desde o primeiro álbum do artista, que foi musicalmente lamentável, o avanço na qualidade das produções dos CDs é notável. Todavia, algumas canções importantes de sua carreira poderiam ter estado neste repertório, como “Há um Rio”, “Sede de Justiça”, “Eu Fui Comprado” e “Eu Vou Subir a Montanha”.

    Fernandinho Acústico foi gravado e produzido no estúdio Asterisk Sound, o que fez uma enorme diferença na qualidade de produção e editorial do projeto, localizado no estado do Texas, nos Estados Unidos, com Fernandinho (vocais e violão), Mark “The Shark” Waldrop ( uitarra acústica, percussão e banjo), Jeremy “B-Wack” Bush ( bateria), Mike “Mike D” Dodson ( baixo, teclado, piano) e Jack Parker (violão, guitarra acústica e banjo), músicos pertencentes a banda The Digital Age. No dia 12 de novembro, recebeu disco de ouro, na Igreja Batista de Lagoinha, por mais de 40 mil cópias vendidas.

  • Conectados no Amor – Tudo tem seu lugar – parte 1

    Por que reclamamos que tudo está desorganizado?

    O caminho da terra, rotação e translação, acontece com uma perfeição, a distância entre o sol e a terra tem a exatidão que define o equilíbrio da vida terrestre, as estações, e se algo estivesse em desordem, haveria alguma tragédia de indefinível tamanho. Mas e os dias? Por que sete dias, doze meses, etc. e etc.?

    As velhas reclamações dos atarefados de que o dia é curto demais, daqueles que estão apressados querendo tempos mais curtos e ninguém percebe que o tempo é sempre o mesmo, que temos um sol que nasce e se põe todos os dias, que a lua de segunda-feira é a mesma que a de sábado (a não ser que elas estejam em fases diferentes). A própria divisão de datas, anos é uma questão histórica e cultural, definida pelo calendário gregoriano, sendo que alguns países possuem dotações datais diferente da mais comum. Mas na essência, temos os mesmos dias e as mesmas noites.

    Então por que tanta reclamação contra o tempo? A verdade é que o homem se encontra em desordem. Longe da sua forma original, ele está em constante desequilíbrio interno e se tornando cada vez mais escravo de si mesmo. Mesmo com todas essas indagações de que o dia poderia ter mais horas, o desajuste está no próprio ser que enxerga, define e nomeia a divisão horária. Se tivéssemos um tempo que cremos ser o mais condizente com as nossas obrigações e direitos, ainda sim reclamaríamos.

    A relativização das coisas vem dessa “doença humana”. Ela perverteu o significado de que tudo tem seu lugar. A relatividade prega que tudo depende de um ponto de vista. Mas a cegueira humana não enxerga que na verdade, tudo depende de seu espaço. Quando o dia está chuvoso e frio, não sairemos com roupas curtas na rua, pois podemos gripar ou pegar algum mal respiratório. Quando está quente, não sairemos encapuzados, com roupas quentes, pois podemos sofrer alguma desidratação, etc. Se alguém se afogar, não vamos jogar uma âncora para a pessoa. Para cada doença, um determinado remédio, para cada problema, uma solução. A relatividade é apenas o resultado da desordem do ser interior.

    A bagunça no jogo humano é o efeito da falta de uma peça central. Em um edifício, se faltar a base, o sustentáculo, logo ele desabará. O nosso ser é como um todo conectado de partes. Quando a parte principal sai de cena, é como se as partes tentassem ocupar o lugar dela, logo elas saem do seu devido lugar, mas nenhuma consegue ocupar essa posição, pois esse lugar só é ocupado por uma única peça. E quando elas não estão de sua devida função, há uma desorganização geral, um efeito dominó devastador. Por exemplo, imagine um time de futebol. Acontece que, o goleiro machuca e o clube não possui um time reserva. Logo, outros jogadores são obrigados a cumprir esse papel, só que sempre alguém terá que sair de sua posição para cumprir uma nova formação a qual não tem os requisitos para cumprir e nem sabe como desenvolver essa nova obrigação.

    Essa metáfora ainda não consegue definir exatamente todo o conceito da desordem interior do ser humano, pois a peça principal que falta ao homem é Deus, e Ele não é só uma parte do sistema, mas a peça que conecta todas as partes, o ser que mantém tudo unido. Podemos tentar preencher esse espaço com todas as coisas possíveis, tirando elas de seu lugar, mas nada vai completar o homem, e ele vai continuar em sua bagunça até enxergar o que falta para tirar o vazio que há dentro de si mesmo.

    Reflitam na passagem bíblica e na música.

    Eclesiastes 3

    1 Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.

    2 Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;

    3 Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;

    4 Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;

    5 Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;

    6 Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;

    7 Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;

    8 Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.

  • Conectados no Amor – A grande obra

    Enfeitamos aquela coroa. Colorimos o seu corpo com marcas, riscos vermelhos. Toda a nossa arte sem criatividade, sem cores, apenas uma confusão de ideias, objetos, uma arte mais que abstrata, a manifestação do vazio, a tinta sem cor, como um ácido sendo despojado sobre os ombros do grande pintor.

    A cada palavra mal proferida, cada ação desprovida de amor, como um pincel pintando uma folha branca, um chicote cortando a pele do crucificado. Nós, artistas destinados a eterna agonia de não saber o que criar, através de uma obra mais que perfeita, somos ligados a grande origem de toda nossa inteligência e o motivo de nossas composições. Temos através da pintura que fez os céus se fecharem, uma razão para compor, porque dEle e por Ele são feitas todas as coisas.

    A arte não mora nos objetos, na tinta, no quadro, mas na criatividade, a qual os artistas perderam, bloqueados pelo próprios olhos. E sem um porém, se vêem nas esquinas, nas calçadas da fama, vendendo sua arte forçada, descontentes com a própria produção. A criatividade, a profundidade permanece oculta nos olhos de quem acha que do mundo visível sairá algo novo, mas perdido no engano que dura desde o princípio da arte sem arte, não percebe que apenas está transformando apenas mais um pouco de tinta em busca de mais um pouco de dinheiro.Mas desde o início, o Grande Criador já planejava uma maior pintura para nos trazer ao lugar de origem. Para o lugar onde somos felizes porque sabemos quem está nos dando razões de criar, onde o improviso mais belo acontece a cada dia, para onde a espiritualidade reina.

    E toda aquela pintura negra que se fez no alto do monte, quando o céu se abalou, que a escuridão parecia tomar conta de toda a terra, era apenas o princípio da criatividade sem limites. Pois depois de três dias, o não mais único criativo pintor ressuscitava, e com Ele, uma geração de artistas começava.

    Pois na verdade, somos uma pintura sendo transformada em pintores.

  • Análise: CD New Way To Be Human – Switchfoot

    New Way to Be Human, a segunda obra de Switchfoot é sem dúvida um progresso em forma de arranjos. Com um álbum anterior orientado pelo post grunge e com pequenas influências do post punk, o novo conjunto de faixas apresentou canções mais trabalhadas e marcantes, sem grandes mudanças no estilo musical. As composições, em sua maior parte foram creditadas a Jon Foreman e a execução das faixas feitas pelo power trio formado pelos irmãos Jon Foreman (vocal e guitarra) e Tim Foreman (baixo e backing vocal), e com Chad Butler na percussão, contando ainda com outros convidados especiais para execução de algumas faixas. O projeto foi gravado e distribuído pela gravadora Re:think Records e produzido por Charles Peacock.

    A primeira canção e single da obra, “New Way to Be Human“, faixa-título, introduz bem o CD. Começando com um violão, alguns toques de guitarra, baixo, teclado e uma bateria acompanhando no fundo, já diz bem o que será o segundo álbum da banda, uma mistura de melodias acústicas, lentas, velozes e alternativas. Sua letra se sobressai como o ponto forte da banda, falando de um eu lírico procurando um jeito de viver. A música apresenta essa forma de ser, o “New Way to Be Human”. A canção recebeu um videoclipe e entre as faixas do álbum, listaria como a terceira melhor obra deste.

    Incomplete”, com seu riff de introdução, e um estilo meio rock alternativo misturado ao post punk do U2 é a segunda melodia do CD de maior qualidade. A canção, falando de um ser incompleto procurando alguém para completá-lo, desempenha bem seu papel e, seguindo a faixa anterior, mostra o melhor do álbum.

    A terceira melodia, “Sooner or Later(Soren’s Song)” demonstra a habilidade conceitual de Jon Foreman ao citar filósofos nas suas composições. A música, calma e com dedilhados simples de guitarra, tendo direito as sons de violinos e outros, até ganhar um peso no meio da sua duração faz referência às ideias do filósofo cristão Søren Kierkegaard de que há uma realidade conflitante no mundo a qual os homens terão que lidar algum dia. Cita também a ideia do filósofo Jean Paul Sartre de que os homens estão condenados a serem livres. A beleza da composição é notada em uma desenvoltura de trabalhar bem com palavras instigando ao ouvinte a pensar e entender a mensagem da letra. O arranjo em si, é simples, sem algo notável e cumpre o papel de uma canção comum.

    Company Car”, a quinta faixa, é uma das composições mais conhecidas do projeto, bela como os primeiros arranjos. Destaca-se os instrumentos de sopro encontrados na melodia e a construção da letra, detalhando a vida de um cara que tem um alto cargo e o carro da empresa, mas continua sendo um nada e um ser vazio. Ótima letra, ótima mensagem.

    A sexta composição do CD, “Let That Be Enough”, é uma faixa acústica de voz, violão e teclado. Uma canção de arranjo sem excentricidades, mas com uma bonita letra sobre solidão e a vontade de se repousar em Deus. “Something More (Augustine’s Confession)” é uma das melhores composições do álbum. Citando “Confissões”, um livro de um dos pais do cristianismo, Santo Agostinho, tem um arranjo introduzido por riffs de guitarra pegajosos e um refrão com um backing vocal notável. Uma canção com fortes características do post punk, principalmente no refrão.

    A sétima canção, “Only Hope”, é sem dúvidas a melhor e mais esplêndida composição do álbum. Uma das canções mais conhecidas do grupo musical, uma melodia semiacústica, com graciosos toques de violino, um belo dedilhado de violão, acompanhada por sons de teclados e em algumas partes por guitarra aliado a uma letra de amor a Deus (a canção é usualmente entendida como uma música romântica), constroem uma bela obra da banda. A composição é um dos maiores sucessos da banda, principalmente pelo cover feito por Mandy Moore no filme “Um Amor para Recordar”.

     “Amy’s Song”, sem grandes detalhes apresenta toques suaves de violão. Fala da garota Amy, uma simbologia a uma pessoa que vive sua vida centrada em Cristo, e que está viva em um mundo morto, em uma bela construção de versos, característica notável da banda quando querem escrever algo.

    A penúltima faixa, “I Turn Everything Over”, é uma boa canção. Arranjo com base definida no rock alternativo, no fundo, uma pequena influência do post punk e expressa a fraqueza e a decadência humana em comparação com a grandeza de Deus, nossa única esperança.

    A última composição do álbum, “Under the Floor” é uma música simples com uma letra de devoção ao Deus e de reconhecimento de sua Glória. Apesar de sua simplicidade, após o final da canção há um encantador conjunto de vozes mais instrumentos finalizando a melodia e o álbum.

    New Way to Be Human representa um bom avanço na carreira da banda, em comparação ao último álbum, notado em suas composições e na criação de canções mais impactantes. Jon Foreman nesse CD mostra novamente seu dom de compor letras sem pieguices e clichês, com versos poéticos e complexos que retratam e buscam a vida de Deus sem falar diretamente de Deus, em virtude da fraqueza e superficialidade humana. Canções como “Only Hope”, “Incomplete”, “New Way to Be Human” e “Something More (Augustine’s Confession)” poderiam ter sido facilmente transformadas em singles da banda.

  • Conectados no Amor – Sobre a profecia de Ana Paula Valadão

    Durante a época das eleições deste ano, boatos se espalharam na internet sobre uma possível “profetada” da Ana Paula Valadão sobre a candidatura da Marina. Nas palavras da profecia:

    “Envie teu povo para toda parte desta sociedade e nós ousadamente declaramos que iremos sim para aquela área mais temida das trevas para que a nossa invasão venha mudar a história. Nós estamos indo Satanás para a política brasileira e as portas do inferno não prevalecerão contra a igreja do Senhor. Sai, vai pra fora Igreja, vai para os lugares mais escuros enviar a tua luz, é chegada a tua hora, é chegada a hora da igreja.”

    Muitos afirmam que essa profecia se dirigia a possível vitória de Marina Silva. Nesse cenário, surgiram críticos, a maior parte da linha reformada, postando críticas contra Ana Paula, enquanto os defensores da Ana afirmam que a profecia se dirigia a área política, não a um candidato em si.

    Ana Paula já é bastante conhecida por transmitir profecias de grande impacto no Brasil, e é bastante criticada por isso. No último contexto eleitoral, essa profecia da invasão da igreja na política brasileira ganhou ainda mais repercussão.

    Analisando as frases da cantora e pastora, não há realmente uma clara referência à candidata pessebista. As frases proferidas por Ana são muito vagas para se dirigir a um candidato em si. Mas de acordo com os críticos de plantão, a profecia é claramente dirigida à Marina Silva pelos seguintes fatos:

    • Ana Paula era abertamente adepta da Marina. Há um vídeo dela orando pela concorrente do PSB na Conferência Livres;
    • Após o prenúncio da Ana Paula, o vídeo foi usado na campanha eleitoral de Marina;
    • Outras profecias haviam sido preditas em apoio à candidata Marina. Valnice Milhomens na eleição de 2010 profetizou a vitória da candidata, o pastor André Salles profetizou também nas eleições atuais a vitória de Marina em uma entrevista a revista Época. André Valadão afirmou em seu Facebook que Marina é resposta de oração, não objetivando sua vitória certa, mas que ela será a melhor opção para o Brasil nas eleições;

    Para esclarecer tudo, Ana Paula publicou um vídeo de sua oração com um texto por nome de “De baixo pra cima e de cima pra baixo” para se defender das acusações sobre a possível “profetada”. Em suas palavras, “Faço questão de divulgá-lo ainda mais, pois nele oro e declaro o avanço da Igreja em todas as esferas da sociedade, e também na política. Mas quem o assiste vê que NÃO PROFETIZEI QUE MARINA GANHARIA.”, ela afirma que a profecia não se dirigia à Marina, mas sim a invasão da igreja na esfera política.

    Sendo assim, independentemente da validade das críticas, a culpa ou a inocência de Ana Paula Valadão, temos que ter cuidado com a veracidade do que compartilhamos, e principalmente realizarmos a análise de todas as profecias humanas como diz em I Tes. 5:20-21. Caso contrário, boatos, críticas e confusões acerca destes assuntos se tornam situações bastante prejudiciais para nós, como cristãos.

    Referências

    Profecia da Ana Paula Valadão: https://www.youtube.com/watch?v=9pvPK94WrQE

    Apoio do André Valadão: https://www.facebook.com/andrevaladaoofficial/photos/a.224382524291926.56118.113686508694862/783265441736962/

    Oração da Ana Paula pela candidata Marina na Conferência Livres: https://www.youtube.com/watch?v=3i-z-Dn0s80

    Profecia de Valnice Milhomens em 2010: https://www.youtube.com/watch?v=hSrqM0-ft54

    Explicação da Ana Paula sobre a profecia: https://www.youtube.com/watch?v=NMVLQ7Kkj5I&feature=youtu.be

    Entrevista de André Salles à revista Época: http://epoca.globo.com/tempo/eleicoes/noticia/2014/09/deus-me-revelou-que-marina-sera-proxima-presidente-afirma-o-bpastor-que-converteub-candidata.html

  • Conectados no Amor – Meditações do dia: Pensando algo impensável

    Eu admito que tenho hábitos introspectivos. E com todas as minhas meditações (vãs ou não), pus-me a pensar em algo impensável: eternidade. Contraditório ou não, pelo menos eu tentei. É claro que a situação de se imaginar algo que não se imagina é a mesma coisa que um peixe tentar pensar fora d’água.

    Mas refletindo sobre o conceito de se pensar em algo que não faz parte de meus pensamentos, percebi uma coisa: só imaginamos ou criamos uma nova realidade a partir do que vemos, vivemos ou do que já existe. Ou seja, eu, um grande iludido a tentar criar, compor e escrever algo, percebi que não criava nada, mas apenas misturava símbolos, coisas, formando uma novo ser. Oh, que grande ilusão de um pequeno aspirante a criador!

    Aí, percebemos a realidade do enunciado de Antoine Lavoisier: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Desculpem-me os escritores, artistas da vida, mas vocês não criam nada, apenas transformam. E eu que achava que escrevia músicas, apenas misturava notas musicais, harmonias, ritmo, e formava uma canção que não é nada criativa, mas bem transformada. Não há nada novo no mundo.

    Voltando ao assunto que eu estava falando, tentei pensar na eternidade. Em meus raciocínios refleti: o Ser Eterno, por ser eterno que é antônimo de temporal, não poderia ser uma contagem infinita, pois isso continua sendo temporal, mas num tempo infinito e além de ter que ter um início, o Ser que é maior que tudo não poderia ter tamanho, pois tamanho indica possibilidade de ser medido e compreendido e, além disso, propõe que Ele tenha um espaço e volume e, se Ele tem um espaço e volume, já não pode estar em todos os lugares, ou seja, Ele é inimaginável, incompreensível, não pode ser medido, não vive pelo tempo, e já que não vou conseguir parar de descrevê-Lo, vou resumir a isso: Eterno.

    Assim, Ele é o único que sabe criar e criou tudo isso que a gente sabe transformar. E eu, mais uma das milionésimas criações dEle, persisto a cada dia em conhecê-Lo (não compreendê-lo, pois não consigo), como um peixinho, melhor, um salmão nadando contra correnteza do mundo de volta ao lugar de onde eu vim, até ser transformado num ser que vive fora da água.

    É claro que uma ilustração temporal ainda não conseguiria ainda definir um Ser Eterno. Então é melhor ficar com esse versículo aqui:

    Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.” 1 Coríntios 2:9

  • Conectados no Amor – Eleição

    Eleição é época de tudo.

    Eleição é época de perder amigos.

    Eleição é época de ouvir comícios e carros chatos fazendo propaganda na rua.

    Eleição é época de propaganda eleitoral (pra rir bastante também).

    Eleição é época de decisão.

    Eleição é época de sujeira nas ruas.

    Eleição é época de burrice.

    Principalmente burrice.

    Mas não é de burrice que quero falar.

    Quero falar de corrupção.

    Falou em corrupção, o normal é pensar em política. Política lembra corrupção e corrupção lembra política.

    Mas não quero falar de corrupção na política.

    Quero falar de corrupção no povo que reclama tanto dos nossos governantes. Das pessoas que furam filas, que querem receber mais pelo pouco que fazem, de estarem descontentes pelo pouco, mas serem ambiciosos de tal forma a transformarem homens em objetos, da inveja, da falta de amor, e de outras “corrupções”que não vão caber aqui.

    De que adianta criar políticas de igualdade social, se continuamos individualistas? De que adianta a formulação de leis ambientais, de sustentabilidade, se continuamos consumistas e amantes de objetos?

    Com políticas e leis, nossos problemas são apenas retardados, mas não cancelados, nossa auto destruição fica apenas mais lenta.

    Pois nosso caos não vai acabar se continuarmos tentando lutar contra o fruto, consequência de nossas atitudes. É a lei da ação e reação. Não adianta querer mudar os frutos, não adianta tantas leis para segurar a raça humana. As leis apenas nos seguram até um certo limite, depois elas mesmas se tornam armas nas mãos dos indivíduos.

    Não adianta se julgar como uma pessoa boa, se na primeira oportunidade de ver sua bondade, aquele conceito de si não mostra as ações. Há uma espécie de doença, vírus, comendo cada pessoa no mundo, sem exceção. E se o vírus não for curado dentro de nós mesmos, o mundo não vai mudar, e a morte bate na porta da casa do nosso planeta. Esse vírus pode ser chamado de um monte de coisa, mas resumindo, aponta em uma direção só: destituição da glória de Deus. E a única forma de receber a cura, é percebendo que estamos doentes pois um são não procura médico.

    Quer a mudança de um país para melhor? Mude a si mesmo e reconheça a própria falha. O resto é só tentativa de tapar o sol com peneira. E por último, a verdade é sempre a mesma: quem nos representam é sempre o nosso ego, ou seja, o governo representa o povo, se o povo é corrupto, o governo será corrupto.

    Antes de mudar o mundo, mude a si mesmo.