Still Believe (Creio ainda) é o mais novo trabalho da cantora Kim Walker-Smith, líder de louvor da banda Jesus Culture, conhecida, indubitavelmente, por sua voz diferenciada, numa cultura musical gospel, dominada por cantoras de voz mais aguda e canto meio dramático.
Gravado ao vivo, no Teatro Cascade, em Redding, na Califórnia, o segundo álbum solo da ministra, após cinco anos do Here Is My Song (Eis Aqui Minha canção), segue a linha de adoração da Jesus Culture, e contem músicas de cantores como Martin Smith, Chris McClarney, Tim Hughes e Christa Black.
Começando por Alive, introduzida levemente, como um cântico de adoração, que se rompe numa celebração, ao som da guitarra, e se remete, em seu refrão a melodias do Hillsong, o que não a desmerece. Ao som da bateria, e sob acordes menores, Waste It All (Gastar tudo), de Chris McClarney, fala sobre uma entrega, uma rendição sem restrição, sem dar importância a opinião do mundo. Como diz entre seus versos: ‘‘Coberto de vergonha, e escondendo o rosto. Eu possuía uma dívida impagável. Procurando preencher o vazio do meu coração em vão. Desperdiçando meu valor.’’
A terceira música do cd, The King Is Here (O Rei Está Aqui), vocalmente falando, parte de um F#3 (Fá sustenido 3 – EUA), nota grave para a maioria das vozes femininas. É uma canção de natureza convidativa. Os que apreciam as músicas que falam sobre o Espírito Santo, Sua presença, Sua vinda, e Sua visita, facilmente se identificarão. Yield My Heart (Rendo Meu Coração) e Spirit, Break Out (Espírito, rompe) configuram mais como clamores, que necessariamente ‘‘canções’’. Letristicamente são singelas, salvas, no entanto, pelos arranjos, e pela participação de cordas, ainda que de uma maneira suave.
Através destas faixas, podemos refletir, num contexto mais abrangente, sobre a importância da complexibilidade, mas também da simplicidade, em uma música. O Bom ou Belo, ou aceitável, não se restringe a um arranjo muito elaborado e uma letra bem articulada. Nem o comum, e o repetitivo, podem ser descartados. E na simplicidade pode-se perceber, bem mais, o coração do próprio compositor, em relação ao que o mesmo compreende e aspira, em se tratando de louvor e adoração. E nesta atmosfera, Spirit, Break Out culmina num cântico espontâneo, que sem dúvidas, agrega ao cd, a imagem de um instrumento de quebrantamento e derramar de Deus, mais que a de um produto.
Still Believe (Creio ainda), a única faixa escrita apenas por Kim, e que nomeia o álbum, canta a fé, a convicção em um Deus de milagres, mas não pelos milagres apenas, mas pelos feitos de Deus. Um Deus que faz surdos ouvirem, cura doenças, quebra maldições, liberta cativos, restaura corações, transforma o coração duro em perdoador, muda mentes e ergue-nos da morte para a vida.
A penúltima faixa, Miracle Maker (Miraculoso), de Delirious?, carrega um sentimento profundo e mais pesado, típico das ‘‘melodias menores’’, através de seu instrumental, principalmente, como um alguém que anseia, espera por algo, como os versos iniciais dizem: ‘‘Estou esperando aqui, que minha vida mude’’. Do ponto de vista vocal, chega a nota mais grave de todo cd. Kim emite facilmente um E3 (Mi 3 – EUA), e para quem não sabe, esta é, por exemplo, a última nota da extensão vocal da maioria dos sopranos. E não sendo, Kim, um soprano, abusa de suas notas médio-graves, com total domínio, controle e facilidade.
E encerrando o trabalho, Healing Oil (Óleo de cura), se firma, mais como uma ponte de Miracle Maker, embora não seja. A letra diz: ‘‘Posso sentir Teu óleo de cura escorrendo sobre meu rosto. Jamais trocaria o que sinto agora por outra vida.’’
Em um todo, Still Believe é um disco voltado para a adoração simples e íntima. Seus versos soam mais como orações, petições pela presença do Senhor, que certamente tocarão aqueles que estão em busca de algo a mais em um relacionamento com Deus, principalmente se o canal, for a Música.



Deixe um comentário