Quando ouvi a primeira faixa, perguntei: “Deus, que coisa linda é essa?” E óbvio que viciei na música já de cara. Antes de tudo, As Paisagens Conhecidas é uma continuação clara de Mais, trabalho anterior da dupla. A proposta dos irmãos Arrais com essa sequência de EP’s que prometeram ainda não é muito clara. Montréal é linda e traz consigo esse experimentalismo indie folk da dupla de forma sensacional. Uma coisa interessante sobre Os Arrais é que eles conseguem soar confessionais mesmo sem aquela pretensão de ser colocado numa categoria clichê como “louvor & adoração”. Não é possível rotulá-los como “gospel”. O mais coerente a dizer é que se trata de um folk com letras cristãs. Isso é singular neles, dentro do nicho o qual pertencem.
O Bilhete e o Trovão segue a mesma vibe da faixa anterior, só que com alguns instrumentos mais audíveis. Se em Mais a aposta foi em um som acústico voz e violão, em As Paisagens Conhecidas conseguimos ouvir pianos, guitarras e percussão bem presentes, sem descaracterizar o som da dupla. Outono e Caneta e Papel me lembraram algumas canções do Gungor. São faixas aparentemente autobiográficas, versando o lado do compositor e a influência gigante do Espírito Santo na hora de escrever. Nessa última, o romantismo das palavras “meu bem” soam poeticamente amoroso na voz do Tiago que, mostra mais uma vez que não é apenas um bom músico, mas também um bom intérprete.
Fogo é o single do trabalho e tem alguns lampejos de country. O engraçado nesse EP é que se você fechar os olhos e ouvi-lo, você consegue criar uma imagem de um lugar bonito de acordo com a canção. Não sei se foi intencional, mas dar esse título ao projeto deu realmente certo. A faixa que o encerra tem guitarras bem presentes e metais marcando presença.
As Paisagens Conhecidas é um trabalho muito bom, mas que deixa um ponto de interrogação gigante a quem o ouve, especialmente de seus fãs que, dois anos depois, esperavam um trabalho melhor que Mais. No fim das contas, soa como uma versão estendida (ou deluxe) do álbum anterior. Desta forma, é necessário ser ouvido antes de conclusões precipitadas.
Deixe um comentário