“Eu quero alguém pra mim, pra chorar quando choro sozinho
Eu quero alguém pra mim, pra sorrir quando dou um sorriso
Eu quero alguém pra me amar, só pra me amar
Alguém, alguém”
Eu começo esse texto deixando claro que a música “Vinte e Seis” da banda Rosa de Saron, a qual está sendo base dessa reflexão, não foi escrita pensando em um cara solteiro que queria arrumar uma namorada. Na verdade, consiste na ideia de alguém que viveu vinte e seis anos de sua vida e quando enfim se toca, está só e clama por Deus. E, de antemão, digo que o texto de hoje vai ser diferente dos demais, mas sem fugir da temática da coluna que resumindo, é bem abrangente e não me prendo a nada para escrever aqui. Tudo de importante e que me sinto capaz de escrever (relacionando é claro, sempre com a mensagem do Evangelho), aqui escrevo. Deixando isso claro, podemos prosseguir.
Tenho 19 anos e nesse pouco tempo de vida já tive alguns relacionamentos sólidos e outros bem imaturos. Alguns me deixaram marcas quase que incuráveis. Já escrevi aqui criticando o pessoal do Eu Escolhi Esperar, mas há algo que eles pregam que eu acho interessante: a santidade. O meu primeiro relacionamento foi ainda muito cedo e não tínhamos estrutura para assumir um namoro e, por isso acabou. O meu segundo relacionamento também foi uma frustração, e naquele período eu havia acabado de conhecer o Evangelho. E olha como são as coisas: eu estava no meu primeiro amor com Jesus e paralelo a isso, também estava no meu primeiro amor adolescente. É óbvio que o amor por Jesus me atraiu mais. O terceiro relacionamento foi muito doido e não vale nem a pena mencionar aqui. O quarto e quinto foi a distância e nem merecem ser citados como relacionamentos, e o mais recente foi o que mais me causou dor.
A respeito deste último, eu realmente amava a moça e estava numa fase meio rebelde em termo de santidade. Estava longe de Deus, mas bem perto da moça que eu amava. Perto demais para que eu ficasse (a)b(s)ur(d)amente cego. Um fato interessante: quanto mais perto você fica de algo, poucas coisas você ver. Estava no finalzinho do ensino médio e cursando um curso técnico em administração. Eu só pensava nela. Afinal de contas, era minha primeira namorada que vinha na minha casa, saía comigo para lanchar e a primeira que eu amava de verdade. Mas nós éramos ingênuos demais e isso passou desapercebido. Estávamos muito perto não só na relação, mas no sentido geográfico, pois sua casa fica na rua atrás da minha. Minhas crises de ciúmes e falta de compreensão foi um dos pivôs da separação.
Durante este período eu já amava a banda Rosa de Saron. Eles foram (e são) uma ferramenta de Deus muito importante para o meu crescimento espiritual e intelectual. Ouvia o álbum O Agora e o Eterno todo santo dia. De casa para o curso, do curso para a escola e da escola pra casa outra vez. Todas as músicas desse álbum são marcantes pra mim e, especificamente a faixa 8 do disco, “Vinte e Seis”. Mas vamos voltar ao meu antigo relacionamento.
Então, o namoro terminou e foi cada um para o seu lado? Errado. Depois de um tempo separados, voltamos a nos falar e ela sempre dava sinal de que ainda gostava de mim. Acabamos ficando algumas vezes, mesmo separados. Mantivemos um contato por algum tempo, até porque ela mora no mesmo bairro o qual moro, e é quase impossível evitar que esse encontro aconteça. Hoje, eu ignoro, mas o encontro sempre acontece. Estou há quase dois anos solteiro e aprendi muita coisa neste período. Estas coisas que você nunca vai ouvir em um The Love School da vida porque só quem vivenciou pode dizer. Também são coisas que um psicólogo nunca te dirá porque ele não passou madrugadas sozinho pensando na vida. E, por fim, coisas que nem sua mãe pode dizer, porque ela não estava em sua pele em momentos que o que mais queria era um colo amigo.
Aprendi nessa fase de solteiro que o coração do homem grita por um companheirismo conjugal. Você vê seus amigos namorando e sente vontade de também sorrir com alguém do lado. Passeia nas ruas e ver casais andando de mãos dadas e você sozinho.
“Eu quero alguém pra mim, pra chorar quando choro sozinho
Eu quero alguém pra mim, pra sorrir quando dou um sorriso
Eu quero alguém pra me amar, só pra me amar
E quando cansado estiver, que me dê o seu colo amigo
E se eu desafinar, me abrace e cante um alívio”
Aprendi que, por mais que você tenha os melhores amigos do mundo, eles não são o suficiente para substituir o companheirismo de uma namorada. Aprendi que quando Deus disse “não é bom que o homem esteja só” (Gn 2:18), Ele não estava fazendo nenhuma espécie de metáfora, pois literalmente não é bom que o homem esteja só. Compreendi que, por mais a vontade seja viver sem alguém pra chamar de seu, nosso coração sente falta de algo. Sente falta de uma completude que nos encha mais ainda de amor.
A banda Rosa de Saron me ensinou e me ensina muito com suas músicas e garanto que passarei isso a frente para os meus filhos e netos. E, no sentido emocional, eu também aprendo que preciso amadurecer a cada dia. Entendo que não posso amar alguém se eu mesmo ainda não me amo. Aprendo que o verdadeiro sentido do “estar” é exatamente “estar” com alguém. Só você conversando e se relacionando com alguém para entender porque que ela age dessa forma e quais são os seus mais íntimos pensamentos. Nesse período de solteiro, venho sido instrumento de mão amiga para amigos que tiveram relacionamentos frustrados. Um exemplo mais recente foi o do meu irmão, que se separou da esposa, e dias depois flagrou-a de mãos dadas com outro. Eu estava do lado dele quando presenciamos a cena e fui o cara que o ajudei a segurar a onda. Trouxe ele pra casa, conversamos até de madrugada e demos boas risadas depois.
A vida é um grande making of: cheia de coisas inesperadas que no fim das contas são roteirizadas com maestria. Quando decidimos nos relacionar, automaticamente decidimos parar de viver só pra nós. Ou seja, o “eu” não existe mais. Eu lembro muito bem do período em que eu voltei a minha “vida de solteiro” e percebi logo um vazio iminente. Eu havia voltado a ser só eu. Só mais um que anda sem um par em direção ao incerto. Parece uma ideia muito pessimista, mas é isso que o solteiro é: alguém que vaga sem grandes objetivos, pois sua força é muito limitada a ele mesmo. O solteiro só pensa em comprar um suco de maracujá e um salgado na faculdade para ele comer e depois ir pra aula. O solteiro só pensa em comprar o cereal o qual gosta, pois não tem ninguém que discorde do seu péssimo gosto. Assim, se sente livre, porque não tem ninguém para dar satisfações, mas se ilude, pois sabe, mais do que ninguém, como dói não ter ninguém para dar justificativas.
Nós, seres humanos, por vezes temos uma grande necessidade de nos relacionarmos. O autismo, por exemplo, se torna um problema maior porque quem sofre de tal doença, sofre muito mais por não poder se relacionar bem com as pessoas.
O que eu passo aos meus leitores é, que tudo isso que vivi e ainda vivo, foi e é necessário para o meu crescimento e, eu não mudaria nada. Portanto, se eu puder ensinar algo a vocês, digo que saia a procura do seu par pois ele existe. Ele existe e também deve estar a sua procura. Se relacione, quebre a cara, aprenda. Não espere chegar aos vinte e seis para perceber que você não deve viver o resto da vida solteiro. É claro que esses conselhos estão indo com uma pequena dose de hipocrisia, pois ainda continuo solteiro. Mas, mesmo assim, repito: se você já tem vinte e seis anos, não espere chegar os vinte e sete. Até a próxima! E corre para ir brindar com o seu amor! Um brinde!

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