A relatividade é um pensamento que afirma que um valor é subjetivo, ou seja, se dobra aos joelhos das experiências pessoais de cada indivíduo. Cada paradigma levantado não pode ser levado como verdade absoluta, porém apenas como uma regra individual. Essa teoria surge como uma arma contra a imposição de ideias, uma tese desenvolvida por humanistas. Olhando esse argumento de um modo mais profundo, nota-se que cada costume ditado no tempo foi criado baseado nas vivências de cada homem, e não de um ser superior que ditou essas leis. Além disso, essa concepção usa como principal base a questão de como a cultura muda ao longo dos anos e, portanto, seus costumes.
O seguinte problema: sem valores absolutos que definiriam algo, qual é a lógica da crítica? A crítica difere da dúvida, pois a primeira confere a um sentido de refinação de algo, ao contrário do que as pessoas pensam que é, que o pensamento dele é ser uma espécie de “do contra”. Ela aparece com uma função de conferir algo de acordo com um modelo de qualidade, pois não existe uma percepção analítica sem um horizonte.
A dúvida é o ato de indagar uma ideia recebida. A dúvida não consiste no ceticismo exagerado, mas na procura de uma verdade em tantas teorias ditadas. O mais importante não são as respostas, mas as perguntas, pois elas revelam um receptor que deseja entender algo. Se existissem apenas verdades relativas, qual seria a lógica da dúvida, se a própria se baseia na busca de uma verdade absoluta?
A dúvida e a crítica são instrumentos da racionalidade. Essa, por sua vez, é completamente contra a concepção da relatividade. A racionalidade constrói um pensamento baseado num conjunto de conexões, formando um sistema interligado, e se uma parte dessa construção possuir uma quebra, ou uma parte solta, ele cai por terra. Ao dizer que tudo depende de um ponto de vista, o fundamento da razão quebra-se ao meio, pois ela precisa de pontos fixos para construir conceitos. Logo, tudo é nada, e não há nada de verdadeiro no mundo. A mentira pode ser verdade, o que é pode ser que não é, e qualquer ideia de luta por direitos humanos é apenas uma luta por nada, pois isso também é subjetivo.
Por último, o próprio raciocínio de que tudo é relativo gera um pensamento absoluto, o que seria uma verdadeira contradição. Se eu proclamo essa ideia, estou dizendo de outro juízo fixo para julgar as coisas. A própria palavra “ideia” significa algo absoluto, já que relatividade é uma ideia. Consequentemente, defender esse argumento é defender a irracionalidade, ou seja, a loucura.
Todas as pessoas, mesmo que não percebam, buscam uma forma concreta de pensar, pois é essa busca que gera críticas e dúvidas, e se ao dizer que as coisas dependem de um horizonte pessoal, essa procura seria em vão. Do ponto de vista humano, a verdade absoluta é algo pessoal e que ocasiona uma luta para proclamá-la, pois o próprio sentimento de estar fundamentado algo leva a um anseio de espalhar isso às outras pessoas, porque todo mundo sabe que estamos lidando com um mundo muito confuso. A própria livre expressão baseia-se nessa ideia, pela vontade de divulgar os nossos pensamentos individuais a todo mundo, algo que tem gerado ao longo dos anos diversos movimentos, religiões, etc. como, por exemplo, o feminismo, o LGBT, movimentos socialistas, liberais, o cristianismo e muitas outras crenças.
Há uma diferença entre verdade relativa e opinião. Se juntarmos uma multidão com fundamentos pessoais, isso não ocasionaria num monte de verdades, mas de opiniões sobre ela. A opinião é relativa, a verdade não. Há uma única só, e vários modos de pensar buscando-a. Logo, o respeito à opinião diversa é que deve ser pregado, não a uma imposição dessa ideia humanista que quer encaixar todos os indivíduos num mesmo modo de pensar absoluto.
Racionalidade e relatividade não se juntam na mesma ideia. Não existem crítica e dúvida em um pensamento relativista.
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