A banda foi formada em 2004, com o estilo de rock alternativo. Em 2008 lançam um EP (Palavrantiga – Volume 1). A Palavrantiga foi conquistando aos poucos o seu espaço no mercado gospel nacional, graças à inovação e letras diferentes, difíceis de serem encontradas. Em um ano venderam 4.000 EPs. Em 2010, lançam o álbum de estreia da banda (Esperar é Caminhar), pela CanZion Brasil contendo canções inéditas, incluindo algumas do EP, assim consolidando o seu espaço na música.
Em 2011, a banda recebeu a primeira indicação ao Troféu Promessas, categoria Revelação. No ano seguinte, em contrato com a gravadora Som livre eles lançam o CD Sobre o mesmo chão, que foi gravado no estúdio Diante do Trono, tendo a produção de Jordan Macedo. O projeto gráfico da obra foi produzido pela Imaginar Design.
O álbum tem onze faixas, sendo todas de autoria do Marcos Almeida. A faixa-título, “Sobre o mesmo chão“, contém uma pegada da guitarra forte e em harmonia com a bateria vibrante. Enquanto isso, Almeida faz alguns arranjos vocais. Como é típico do Palavrantiga de usar o dia a dia nas suas músicas como forma de inspiração, a música fala que todos nós estamos sobre o mesmo chão. Mas ainda que vivendo as temerias da vida, ele escolheu o Caminho. E que o amor ainda continua se espalhando sobre o mesmo chão.
A segunda faixa vem falar algo bem atual e muito relevante, expondo a problemática das pessoas que abrem mão das coisas santas e começam a despreza-las. “Sagrado” é seu título. Mas ao mesmo tempo em que relata essa problemática, declara que existe uma fome pelo pão diário, que só Deus pode nos conceder. E que se Deus ouve e recebe aquela honesta canção, Ele com toda certeza atenderia a oração daquele coração que clama pela vontade de Deus.
“Tô tentando ser bem honesto/Tô dizendo tudo o que eu penso/Tão sabendo que eu Te peço Deus
Venha o Teu reino/Bem dentro e lá fora/A Tua vontade pra sempre e agora
Pois tenho fome do pão desse dia/Daquilo que é só Teu
Ouça minha oração/Que se fez cantiga/Canção pra acordar
Se Deus aceitar cantiga/Minha oração Deus não perderá jamais”
“Branca” é a terceira faixa, e é uma letra irreverente e meio complexa. Mas que nos traz a ideia que o autor (Marco Almeida) escreveu para a sua esposa. Assim, exaltando algumas virtudes dela; tais como: Pureza da alma, inspiração para caminhar, que luta, que corre, criando. É o tipo de música que o ouvinte tira as suas próprias conclusões.
“De manhã (Eu) canto/ Uma nova canção/ Pra você, amigo/ Do meu jeito/ Pois estou certo/ De que me ouvirás.” Assim se inicia a quarta música do CD, nos lembrando da importância de que Deus precisa ser o alvo das nossas vidas, logo pela manhã. E que Deus ouve a nossa canção e que assim como foi prometido por Jesus, Ele estará ao nosso lado até a consumação dos séculos. E se ainda um dia estivermos sem força, fé ou poesia, podemos descansar no peito daquele que nos atende e ouve o nosso grito. Uma baladinha muito boa de ouvir e cantar na roda de amigos.
“Rio Torto” é a faixa de número cinco do cd, ela tem início rápido. E a letra já inicia falando de algo que tem sido bem esquecido nos últimos tempos na música gospel nacional. “Já faz um tempo que me apego/ Naquele livro que anuncia/ Minha liberdade…”
E logo após a letra começa a tratar metaforicamente o amor com um rio. Um rio que o leito desse é de águas claras. E que precisamos ser navegantes nesse rio, que aliás, é um rio que corre sem pressa. A música tem uma pegada pop rock, com a belíssima participação do metal.
“Minha Menina” se inicia com uma pegada pop rock, assim como é de costume do Palavrantiga. É uma letra muito interessante, pela história que se é contada. Nos faz lembrar da passagem de Lucas 15, a parábola do filho pródigo. E assim como na parábola, a música fala dessa volta aos braços Daquele que ela nunca deveria ter se afastado. Nos faz refletir que estar com o Senhor é a melhor coisa e que só Ele tem o que necessitamos.
“Boa Nova“, assim como “Rio Torto” é o tipo de letra que está em falta no cenário gospel nacional. É aquele tipo de música que não massageia o ego, mas que nos traz a responsabilidade de falarmos menos, e observamos o exemplo de Jesus. E assim, buscarmos viver igual Ele. “De tudo quanto eu tenho pra dizer/ Eu digo muito pouco com as palavras/ Eu presto atenção em Ti/ Vejo com apreço o teu andar/ A imagem mais perfeita da Verdade”. E no refrão, versa de um clamor que pulsa no coração daqueles que desejam ser mais parecido com Jesus, mas como todo ser humano normal, a letra nos lembra de que apesar de querermos ser mais parecidos com Jesus, adiamos esse dia de lançarmo-nos no amor de Deus e vivermos a completude que esse amor nos oferece.
Não entendi muito bem, mas a música “Rookmaaker” entrou nesse repertório. Não mudou muita coisa, apenas o grito e a pegada da guitarra, ambos na introdução da música. E o término dela, os segundos demorados que o Marcos dá antes de cantar a última palavra. E logo após, a bateria dá uma batida; seguida de algumas viradas e a guitarra é dedilhada os últimos acordes. Acredito que no lugar dessa canção deveria ter entrado “Deus, onde estás?” (música gravada no EP Palavrantiga Volume 1). Mas cada um sabe o que faz, e não podemos negar é essa é uma ótima música.
“Antes do Final” tem uma pegada mais lenta, seguido de um princípio de samba reggae feito pela bateria, enquanto o refrão música é cantado. O autor dela usou coisas do dia a dia para nos lembrar de que antes de qualquer atividade, o perdão deve existir. A música termina no refrão, e acredito que o recado foi bem deixado na música. E assim termina ela: “Não espera o amanhã/ Não espera bater/ Não aguarde sua banda passar/ Não espera entender/ Não espera enxergar/ Não aguarde a história acabar/Não espera o amanhã/ Não espera bater/ Não aguarde sua banda passar/ Antes pede perdão/ Perdão/ Antes do final”.
“Meu Lar” é a décima faixa do CD, e é uma das minhas preferidas. E nos lembra de que o nosso lar não é aqui, mas na eternidade. Na música toda se dá para ouvir o baixo, que de forma harmoniosa com o vocalista embeleza a música. O autor faz questão de lembrar na letra, que o lar dele já foi o beijo de uma noite, o abraço de uma bela estranha, foi sem a família, foi na rua, foi medo. Mas que o verdadeiro lar dele não está tão longe. E que assim caminha certo que encontrará a eternidade. É sempre bom ouvir canções como essa, que nos lembra de que existe um lugar sendo preparado por Jesus pra nós.
O CD fecha com a décima primeira música. “Partiu” é uma letra de ânimo para que façamos aquilo que nos foi proposto por Jesus, e assim, cumpramos o nosso chamado sem dar mais desculpas. “E partiu/ Foi pra rua/ Sem mais desculpas/ O mundo inteiro ouviu você/ Tão perto, um amor sincero”. Acho que não teria forma mais legal de terminar uma letra e fechar um disco.
E assim está Sobre o mesmo chão do Palavrantiga, em minha concepção. Mas como bem diz Marcos Almeida, é interessante que cada um tire as suas próprias conclusões sobre cada letra. Pra esse CD dou nota 10. Vale a pena ser comprado, emprestado e dado de presente. Só um recado: Se você está procurando letras “evangeliquês” ou plágio da banda ou ministério tal, não ouça esse CD.