2013 foi um ano que me marcou demais no aspecto musical e houve três álbuns que mais ouvi e com certeza estarão em minha playlist por muitos e muitos anos. Eles são O agora e O Eterno do Rosa de Saron (gravado em 2012 e que pretendo falar dele em breve), Histórias e Bicicletas do Oficina G3 (que eu adoraria fazer uma resenha dele mas o nosso amigo Tiago já fez aqui) e Caixa Preta do Rede Ativa. Hoje irei fazer uma análise do último álbum citado e particularmente é o melhor do Rede Ativa até agora.
Como toda mudança é perigosa, a de estilo também não difere das demais, pois assim como o Oficina, o RA também resolveu mudar um pouco o estilo e destaco as letras que estão louváveis neste disco. Nunca me simpatizei muito com o Rede que vivia querendo justificar que os jovens cristãos também podiam se divertir, fazer baladas e etc. (não que isso seja um defeito, é apenas uma questão pessoal) sem contar a errônea comparação com o grupo Charlie Brown. O “Caixa…” é o 4° trabalho da banda que já tem em seu currículo 2 DVD’s e está em sua 7° turnê pelos Estados Unidos. O novo projeto tem produção, mixagem e masterização de Lampadinha, antigo “braço direito” de Rick Bonadio com quem produziu bandas renomadas, como por exemplo: Raimundos, Titãs, Rita Lee, Ultraje a Rigor, Sandy Lea, Los Hermanos, CPM 22, NX Zero, Fresno, Charlie Brown Jr., Planta & Raiz, entre outros. O CD contém 10 faixas inéditas, gravadas totalmente em estúdio, nos meses de novembro e dezembro de 2012. O nome escolhido, Caixa Preta, foi baseado na seguinte oração: “Deus, proteja nossos corações como a caixa preta de um avião, onde tudo ao meu redor pode se arruinar/abalar, mas o meu coração e tudo que há dentro dele [fé, amor e esperança] permaneçam inabaláveis”. Vale ressaltar também que a produção visual dos encartes foram criada pela empresa Corações Produções e Estevão Passamani.
O single do disco chama-se “Amigo” que teve vídeo-clipe divulgado antes do lançamento do mesmo. Aqui já observamos um RA maduro e poético, digamos assim. A letra carrega um grande peso por alguém que deixou os caminhos de Deus e perdeu as boas amizades. Percebemos também uma pequena mudança no timbre do Daniel Passamani, líder e vocalista da banda. Destaque por riffs bem encaixados e som nostálgico bem harmônico. Seguindo, já vemos o grupo resgatando o peso de suas origens e uma mensagem evangelística mais direta, mas não perdendo a vibe “poética” que prometeu com a primeira faixa. “Próximos do Fim” é uma faixa auto-explicativa e fala com um dialeto bem jovial e suave com a galera que ainda não conheceu á Cristo. Á frente, a guitarra de Bruno Quadros continua em alta com belos riffs e alguns solos básicos que enriquece a faixa. Na faixa “Lado a Lado” a banda faz um pequeno protesto á divisão que as igrejas fazem e a hipocrisia dos falsos cristãos. Seguindo a linha de protesto, nos encontramos com “Marionete” (minha favorita do disco), que manda uma “pedrada” ao ilusionismo ditado pela mídia sobre o que devemos fazer, como devemos falar, e há uma pequena ministração no meio da faixa que dá á faixa um peso maior. Destaco nas duas faixas anteriores o baixo e teclado muito bem posicionados. “Tarde de verão” e “Aqui Estou” são músicas com a vibe bem parecidas e remete o calor da praia, a pista de skate, enfim, o divertimento dos jovens cristãos no mundo pop. Na segunda citada, destaco a suave sonoridade do violão e percebemos uma declaração de amor á Deus de forma bem amigável. E considero que devemos ter uma intimidade com Deus á esse nível de termos liberdade de nos abrirmos com Ele como se tivéssemos falando com o nosso melhor amigo.
Á frente, seguindo a ordem de música de viagem e verão temos “Normalmente Louco“. Confesso que quando ouvi pela primeira vez o trecho “Acordo cedo pego a prancha, ponho no carro e vou pro mar, o rádio no último volume, curtindo o som do RA, se Ele tivesse aqui comigo iria me acompanhar, pois seu esporte favorito era andar sobre as águas…” me arrepiei e senti vontade de falar línguas estranhas e pular de alegria. Outra das minhas favoritas do álbum. “Mar de Rosas” é uma das faixas mais evangelísticas, pois faz um convite ao ouvinte a conhecer á Cristo, mas deixando claro que nada será fácil, conscientemente sabendo que temos um refúgio para as horas difíceis e que Ele nos ajudará. “Por Enquanto” remete uma nostalgia imensa em sua sonoridade, assim como a primeira música “Amigo” e sinceramente é uma das mais lindas do novo trabalho do grupo. O refrão é gritado com o sentimento de que somos estrangeiros aqui e que em breve estaremos com o Pai na eternidade. Uma faixa bem poética e destaco a metáfora feita com a bíblia substituindo pelo termo ‘livro”. Fechando o disco voltemos a vibe de protesto e temos uma faixa que mistura samba e rock com um arranjo bem suave e empolgante. Na letra vemos uma revolta sobre as condições de famílias pobres das periferias e que são enganadas pelos políticos que são bons para pedir votos, mas somem quando assumem o poder. “Sobe o Morro” fecha louvavelmente o disco que muito me marcou no ano de 2013.
Considero que assim como o Histórias e Bicicletas do Oficina desagradou muitos fãs, o Caixa Preta também deve ter decepcionado alguns apreciadores que estavam acostumados com a pegada mais jovial do Rede Ativa e com letras mais “explicadinhas”. Porém, não temo nenhum pouco ao afirmar que este foi o melhor trabalho de estúdio da banda. Gosto muito também do álbum O mundo ao meu favor e há pessoas que admira mais o grupo com suas músicas ao vivo. Enfim, Caixa Preta é um disco pra ser comprado, baixado e ouvido várias vezes. Como seremos a próxima geração do meio evangélico, que este disco toque muito para as ovelhas que serão ganhas para Cristo!
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