Crescimento do público evangélico promove investimento em cinema cristão

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Primeira produção evangélica 100% brasileira faz releitura de Elias e Eliseu no sertão nordestino. “A palavra” chega ao cinema no segundo semestre de 2014.

Depois do sucesso obtido em 2012 pelo longa “Três histórias e um destino”, coprodução Brasil e Estados Unidos baseado em livro do pastor RR. Soares está sendo produzido o primeiro longa evangélico 100% nacional.

A empreitada foi abraçada pela advogada evangélica Zitah Oliveira, 45, que criou a produtora Anjoluz para tocar o longa. Frequentadora da Assembleia de Deus, Zitah conta com ajuda de fiéis de várias igrejas para filmar. “Não temos uma bandeira, é um filme feito por evangélicos”.

“Tem muito filme evangélico importado, muita coisa amadora, mas nada 100% brasileiro”, diz a advogada. O filme aposta em cineasta profissional e elenco global. Dentre os personagens principais estão Tuca Andrada (Engenheiro Eliseu, que também fará Elias), Oscar Magrini (um político corrupto, inimigo do engenheiro Eliseu e Luciano Szafir).

Apesar de contar com direção de alguém estranho ao meio, o cineasta paulista Guilherme de Almeida Prado, que é ateu, o projeto não sofre influências da (des) crença do cineasta. “Não estava fazendo nada, aceitei o convite”, diz ele, responsável também pelo roteiro. “Me deram total liberdade. Só pediram para que fosse sobre os profetas do velho testamento”, diz Prado.

Orçado em R$ 2,3 milhões, o filme não contou com financiamento de igrejas, mas que segundo Zitah, teve mercadinho ajudando com alimentos, quem tinha equipamentos emprestou. Boa parte da verba foi levantada através de shows gospel promovidos pela produtora.

“A comunidade evangélica é forte na música e na TV, mas falta gente especializada em cinema, em geral feito por gente da classe-média”, diz Ricardo Mariano, professor de sociologia e pesquisador do tema.

Para Mariano, “A palavra” é um ensaio para testar a fidelidade dos evangélicos, “não muito habituados a frequentar salas de cinema”.

Porém a expectativa é positiva, considerando os resultados do filme “Três histórias e um destino”, primeiro longa evangélico exibido no cinema brasileiro.  O filme fez R$ 530 mil de bilheteria só nos primeiros três dias de exibição, sendo visto por 288 mil pessoas.

A Graça Filmes, maior distribuidora de filmes evangélicos do país, também está de olho nesse setor e pretende repetir o feito de Três histórias e um destino em suas novas produções. A empresa ligada a Igreja Internacional da Graça de Deus, do pastor RR Soares, possui dois projetos engatados: a coprodução de “Redeem” (Redimir), prevista para 2015 e uma cinebiografia do cantor Thalles Roberto.

Ainda este ano, a Graça Filmes pretende levar às telonas o filme “Deus não está morto” (God’s not dead). Em exibição nos Estados Unidos. Seu trailer gerou polêmica e alcançou milhares de compartilhamentos nas redes sociais e cerca de 6,5 milhões de views no Youtube.

O filme apresenta história de Josh Wheatom (Shane Harper), um recém-chegado estudante universitário para o corpo docente, cuja fé e desafiada por um professor ateu chamado Radissom (Kevin Sorbo), que tenta impor sua ideologia em seus alunos. Em “Deus não está morto”, a trama é tecida através da história de várias pessoas que também são desafiados por um mundo sem crença que rejeita a existência de Deus. “Deus não esta morto” é uma produção da PureFlix Entertainement.

Fonte: Folha

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