O que é o Estado Islâmico? Conheça o grupo que tem aterrorizado o povo cristão

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No último ano tem crescido exponencialmente a popularidade do Estado Islâmico, principalmente devido às suas ações atrozes divulgadas em vídeos pelo grupo na internet executando cruelmente todos aqueles que vão contra o que acreditam, em sua maioria, cristãos. Toda a repercussão dos atos do Estado Islâmico se dá devido ao alto poder viral da internet. Em tempos de Facebook, onde tudo se compartilha, não é raro diariamente nos depararmos com os vídeos onde cristãos e outras minorias são torturados e mortos sem nenhuma misericórdia. O grupo descobriu o poder da mídia como forma de disseminar o terror e está fazendo bastante uso dela. Mas afinal, o que é esse “Estado Islâmico”? Um país? Um grupo terrorista? Um grupo religioso? Entenda.

DEFINIÇÃO: O QUE É O ESTADO ISLÂMICO?

Apesar de ser denominado “Estado Islâmico”, o grupo não é um Estado de fato. Entende-se que Estado seja uma forma organizacional cujo significado é de natureza política. É uma entidade com poder soberano para governar um povo dentro de uma área territorial delimitada. O reconhecimento da independência de um Estado em relação aos outros é fundamental para o estabelecimento da soberania. Assim sendo, mesmo que o grupo se rotule enquanto “Estado Islâmico”, o grupo não é um Estado em toda a sua essência.

Dessa forma, Estado Islâmico se configura como uma organização terrorista que possui como base ideológica o pan-islamismo – movimento político e religioso que procura reunir num só Estado todos os povos de religião mulçumana.

O grupo detém controle de um território estratégico entre a Síria e o Iraque. Seus membros estabeleceram, ali, um califado islâmico, tendo como líder Abu Bakr al-Baghdadi, que se autodenominou califa.

Não se sabe ao certo quantos indivíduos compõem o Estado Islâmico, mas a Agência Americana de Inteligência (CIA), estima que entre 20 mil e 31,5 mil homens façam parte do grupo terrorista. Já o Estado Islâmico garante ter 50 mil na Síria e 30 mil no Iraque.

[infobox title=’O que é Califado?’]

É um modelo político surgido no século 7, na península Arábica, a partir da liderança de Maomé, o profeta do islamismo. “Califado” significava “sucessão”. No caso, os líderes muçulmanos que vieram após a morte do profeta.

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SURGIMENTO

O Estado Islâmico ganhou destaque a partir de 30 junho de 2014 ao declarar controle de um território estratégico entre a Síria e o Iraque. Desde então, passou a ser considerado uma das maiores ameaças da atualidade principalmente depois de divulgar dois vídeos com a execução de jornalistas americanos. No entanto, o surgimento do grupo é bem mais antiga como informa o site História do Mundo:

“A história do grupo terrorista Estado Islâmico está relacionada com o processo de crise política que se desencadeou no Iraque após a guerra iniciada em 2003. Como sabemos, a Guerra do Iraque se deu dois anos após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, chefiados por membros da organização Al-Qaeda, então liderada por Osama Bin Laden. A Al-Qaeda possuía grande espaço de atuação no território iraquiano e em parte da Síria. O grupo Estado Islâmico nasceu como uma derivação da Al-Qaeda, fundamentado nos mesmos princípios desta organização, que remontam à ideologia pan-islâmica de Sayyid Qutb, antigo líder da Irmandade Muçulmana. Contudo, as ações do EI ficaram gradativamente mais radicais, até mesmo para os padrões da Al-Qaeda, o que provocou a separação entre as duas organizações terroristas.”

IDEAL

O Estado Islâmico é alimentado pelo ódio aos xiitas, às minorias, – a exemplo dos cristãos – aos Estados Unidos e em menor grau, à Europa. O grupo tenta impor uma versão extremamente conservadora do islamismo contra o que acredita ser uma expansão do xiismo liderado pelo Irã, que possui forte influência no Iraque.

[infobox title=’Xiitas’]

Os Xiitas são uma subdivisão dentro do islã, sendo cerca de 10 a 20% do total de muçulmanos. A grande maioria são chamados de sunitas somando-se entre 80 e 90% dos muçulmanos Um adepto do Islamismo é chamado de muçulmano.

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Para disseminar sua ideologia, os jihadistas – extremistas islâmicos praticantes do terrorismo motivado por questões religiosas – do EI usam técnicas extremamente violentas, entre elas, decapitações, crucificações, apedrejamentos, genocídios e sepultamento de pessoas ainda vidas que se recusam a se converter ao islamismo sunita e divulga imagens das execuções. Segundo Visentini – Historiador, professor titular de Relações Internacionais da UFRGS – a violência é uma forma de mostrar força e desestimular respostas ao seu avanço, além de conquistar novos adeptos.

OBJETIVOS

O grupo EI pretende construir um estado islâmico sunita sob um regime radical. Como pontua o site História do Mundo, um dos objetivos do Estado Islâmico é expandir o seu califado por todo o Oriente Médio que se pautaria pela Sharia, a Lei Islâmica interpretada a partir do Alcorão, e estabelecer conexões na Europa e outras regiões do mundo, com o propósito de realizar atentados que lhes possam conferir autoridade através do terror. A concepção de Jihad, ou Guerra Santa para o Islã, que o EI possui é a mesma de outras organizações terroristas, como a Al-Qaeda ou o Hamas: expandir o modelo teocrático radical islâmico de governo pelo mundo, por meio dos métodos terroristas.

 PODER ECONÔMICO

Um dos diferenciais do grupo Estado Islâmico para os demais grupos extremistas está o grande poder econômico do grupo. Isso se dá pelo fato de controlarem um grande território entre o Iraque e a Síria tornando-se autossuficiente. Essa organização terrorista controla poços e refinarias de petróleo na região, lucrando com seu contrabando. É cobrado também imposto da população. A renda inclui, por fim, o resgate cobrado por reféns e a pilhagem de bancos. Além disso, antes de se autodenominarem Estado Islâmico, o grupo recebeu apoio financeiro para entrar na guerra civil síria contra Bashar Al-assad.

OFENSIVA AMERICANA

O presidente Obama prometeu ampliar a ofensiva contra os jihadistas do EI, com um plano que prevê ataques aéreos contra santuários – centros de comando, capacidades logísticas e infraestruturas – dos terroristas na Síria e no Iraque e maior apoio às forças de segurança iraquianas. Nessa empreitada, Obama deverá contar com ajuda internacional de países da Europa e do Oriente Médio, além da Arábia Saudita, que disponibilizou uma base para treinamento. Soldados americanos não se envolverão diretamente no conflito (pelo menos por enquanto), mas cerca de 450 serão incumbidos de treinar rebeldes sírios, tidos como moderados. Mais de 145 bombas já foram lançadas contra alvos do EI no Iraque, até meados de setembro, como maneira de auxiliar o Exército local.

Vale pontuar…

TODO CALIFADO É TERRORISTA?

Não. Nem todo muçulmano, aliás. As práticas terroristas são específicas de uma interpretação radical do islã que não é mainstream nem foi a regra durante os séculos de islamismo.

TODO MUÇULMANO SEGUE O CALIFA Abu Bakr al-Baghdadi?

Não. Essa seria a ideia de um califado, como foi o projeto de Maomé e de seus seguidores no início do islamismo. Mas Abu Bakr al-Baghdadi é seguido por uma pequena parcela dos muçulmanos, e enfrenta oposição de todos os Estados islâmicos. Ele não representa o islã.

Com informações de História do Mundo, Zero Hora, Terra e Mundialíssimo

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