Tag: Quarto Fechado

  • TOP 10 – melhores clipes de 2015

    As produções visuais no cenário nacional cristão estão a todo o vapor. De ano em ano, produtoras e diretores se destacam assinando grandes trabalhos. Em mesma instância, independentes se sobressaem. Pensando nisso, o O Propagador preparou a lista dos melhores clipes de 2015. Confira nossa seleção e exponha seus comentários:

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    Fornalha – Pedras Vivas

    Mesmo utilizando-se de um clichê no meio evangélico, clipes com testemunhos, “Fornalha” se sobressai pela qualidade das imagens e da atuação dos atores. A música dá título ao mais recente trabalho da banda goianiense pela Universal Music.

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    Vento – Dilson e Débora

    Adventistas, Dilson e Débora se destacaram este ano por “Vento”. Uma das produções mais bem produzidas e pretensiosas do ano, as imagens densas transmitem melancolia.

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    Acredito – Leonardo Gonçalves

    A canção “Acredito” é uma versão de “We Believe” do Newsboys, feita especialmente para o filme Você Acredita?. Com direção de Hugo Pessoa, responsável por outros trabalhos de Leonardo, o clipe também foi exibido nos cinemas junto com os créditos finais. Tendo como base a imagem de Leonardo dentro de um templo, a música revisita o filme se transformando em uma espécie de trailer musical. Uma curiosidade é que o vídeo já passou de 5 milhões de visualizações em menos de 1 ano.

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    Ser Alguém – PG

    Versão de “Be Somebody” do Thousand Foot Krutch, “Ser Alguém” foi escolhida como a principal faixa de S.E.T.E., novo trabalho de PG pela Som Livre. A balada segue uma estrutura comum em sua carreira solo, flertando suavidade pop com refrães mais incisivos do hard rock. As imagens foram gravadas nos Estados Unidos, com a direção de Marco Túlio e produção de Thiago Makie, da BME Multimídia. Para a gravação, PG utilizou uma guitarra Washburn e homenageou sua esposa, Rosana.

    https://www.youtube.com/watch?v=rt1OiSd2Fzg

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    Porque eu Te Amei – Ton Carfi

    O álbum Somos Um (Som Livre, 2015) colocou o paulista Ton Carfi no rol dos grandes nomes da música cristã contemporânea nacional. Sempre misturando estilos musicais, Ton, que é mais conhecido por suas músicas pop eletrônicas encontrou na delicada e emotiva “Porque eu Te Amei” o single perfeito para seu disco. O clipe da canção, dirigido por Toddy Ivon, consegue capturar a veia emocional do cantor que divide o protagonismo do vídeo com seu piano branco e uma pequena e carismática bailarina, responsável pela cota da delicadeza.

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    O Bilhete e o Trovão – Os Arrais

    Parte do CD/DVD As Paisagens Conhecidas, Os Arrais chegaram ao terceiro trabalho explorando as possibilidades audiovisuais da música. “O Bilhete e o Trovão” é parte desta produção, dirigida por Hugo Pessoa. As imagens foram gravadas em Olinda, cidade de Pernambuco. A letra foi escrita por Tiago Arrais, e segundo o compositor, é baseada “naquele momento em que os valores tradicionais do que a gente entende por fé cristã são colocados à prova”.

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    Vem – Quarto Fechado

    “Eu vejo um conflito / Meu livre arbítrio / Onde foi parar”? Single do álbum Labirinto Meu, “Vem” é carro-chefe de um disco que questiona bases teológicas na realidade cristã pós-moderna. Na narrativa que o clipe segue, o amor é um campo de possibilidades para quem se entrega. As imagens contam a história de um jovem frequentemente atormentado por seus pensamentos e recordações de um passado criminoso.

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    Nossa Canção – Gabriela Rocha e Leonardo Gonçalves

    Dirigido por Hugo Pessoa, “Nossa Canção” se destaca por trazer um entendimento geral do que é dito por “filhos de Deus”. Negros, brancos, ricos, poderosos, são caracterizados na produção que se destaca por seu teor conceitual.

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    Do Avesso – Paulo César Baruk

    “Do Avesso”, faz parte do álbum Graça, lançado em 2014. O clipe foi gravado nos Estados Unidos, em uma parceria da Salluz com a Sony Music Brasil. Baseado no capítulo 15 do livro de Lucas, o roteiro faz uma releitura da parábola do filho pródigo, onde o próprio Baruk interpreta o personagem que resolve se aventurar e, logo depois, se arrepende da decisão.

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    Ame Mais, Julgue Menos – Marcela Taís

    Com direção de Bruno Fioravanti, “Ame Mais, Julgue Menos” é caracterizada pela sua espontaneidade. Marcela Taís é autora e intérprete da canção que está a frente do álbum Moderno à Moda Antiga. A qualidade da fotografia, além dos locais onde as cenas foram gravadas, rende à produção o primeiro lugar em nosso pódio.

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  • Fique Sabendo – Cassiane, Quarto Fechado, Soraya Moraes e muito mais

    “Minha Essência”, primeira música do novo disco de Cassiane é divulgada

    Enquanto o disco Eternamente não sai, a gravadora MK Music enviou para várias rádios do país e lançou o lyric video da canção “Minha Essência”, escolhida como single para esse projeto. Desde os álbuns anteriores, Tony Ricardo vem fazendo uma boa parceria com a cantora e desta vez não foi diferente, pois ele é o compositor da maior parte das canções do disco e, inclusive, dessa música que versa sobre a fidelidade a Deus. Ouça:

    Aqui temos mais destaque para a orquestra, algo que os saudosos fãs de álbuns como Com Muito Louvor e A Cura pediam. Em breve, teremos uma análise aqui no site sobre o disco.


    Soraya Moraes lança o clipe “Feliz”, versão de “Happy”

    Com o título de “Feliz”, versão do sucesso mundial de Pharrel, Soraya Moraes lança seu primeiro trabalho audiovisual do próximo disco. Em visita à Bethel Church, na Califórnia (EUA), Soraya notou o uso dessa canção nos cultos e ficou ainda mais decidida a criar uma versão em português e gravá-la. A canção terá parte de seus direitos artísticos revertida ao GRAAC (Grupo de Apoio Ao Adolescente e Criança com Câncer), assim como todas as visualizações do clipe no canal oficial de Soraya Moraes no VEVO. O clipe conta com diversas locações em São Paulo e Dallas, nos EUA. Nomes como Mariana Valadão, Felippe Valadão, Pr. Lucinho, Juninho Afram, Sônia Hernandes, Priscilla Alcântara, Paulo César Baruk, Lito Atalaia e Nívea Soares participam do projeto. Confira:


    Capa do CD/DVD Extraordinária Graça, de Aline Barros, é divulgada

    Com um novo contrato assinado com a Quartel Design, responsável por todos os projetos gráficos da cantora a partir de agora, a equipe de criação da agência nos apresentou um projeto de muito bom gosto por todos os envolvidos no trabalho. Veja:Aline Barros - Extraordinária Graça


    Pregador Luo se prepara para lançar novo álbum

    Depois de divulgar “Testemunhe”, primeiro single do álbum Governe!, Pregador Luo se prepara para lançar seu primeiro disco pela Universal Music Christian Group no final do mês. Com 20 faixas inéditas de sua própria autoria, o lançamento do CD está previsto para o dia 30 de Outubro. O álbum traz uma mensagem simples: preste atenção nos caminhos que existem diante de você; não se deixe levar pela cultura a seu redor; não transfira para o diabo, para os políticos ou para os líderes religiosos as decisões que são suas: GOVERNE.

    Assista ao vídeo sobre a concepção do projeto gráfico do disco:

    Em breve o cantor irá lançar o vídeo clipe “Andei Vagando” em seu canal da VEVO.


    Quarto Fechado lança clipe “Vem”, do novo álbum

    Foi lançado o vídeo clipe da banda de rock alternativo catarinense Quarto Fechado, a música escolhida como single de seu futuro álbum, Labirinto Meu, foi a canção Vem. A produção musical é de Raphael Campos, ex-vocalista da Aeroilis.

    Veja:


    Stryper lança clipe “Pride”, do álbum Fallen

    A banda norte-americana de rock cristão Stryper acaba de lançar o primeiro clipe de divulgação do álbum Fallen, lançado este mês. Fallen é definido, pela banda e pela crítica, como o álbum mais pesado do Stryper até agora. Ouça o single:


    Shirley Kaiser lança novo disco, Novo Templo

    Depois de um longo hiato, a cantora Shirley Kaiser se prepara para lançar seu mais novo disco, Novo Templo. Após o lançamento do disco Santidade em 2011 no melhor estilo pentecostal, a cantora conquistou boa parte do público e ganhou muitos admiradores. Com isso, eles ficaram esperando um novo projeto da intérprete, foram passados quatro anos e Shirley está de volta para a alegria de todos os fãs. Desta vez, a produção ficou a cargo de Stéfano de Moraes, conhecido por produzir os discos de Anderson Freire. Portanto, vem coisa muito boa por ai. Vamos aguardar!


    Rosa de Saron lançará DVD em breve

    A banda Rosa de Saron está prestes a lançar o DVD Acústico e Ao Vivo 2/3. Confira um trecho, com a canção “Sol à Meia Noite”:

  • Rocklogia – Um pouco de outras bandas independentes

    Sei que há várias bandas independentes (e não-independentes) que pouco a pouco constroem o legado do rock cristão brasileiro, e sei que falho com muitas por não citá-las.

    Antes, de tudo, sei que a maioria das bandas citadas não se intitulam como “rock cristão”, mas ao menos são bandas de rock compostas por músicos que professam a fé cristã, o que me deu liberdade de incluí-los aqui.

    Mas enfim, resolvi trazer neste post, algumas bandas de rock que tem lançado trabalhos relevantes, como forma de dizer que eu não me esqueci delas. Vamos conferir?


    Hibernia

    O material dessa banda é muito interessante por seu ambiente introspectivo. Com muito uso de teclados, pianos e órgão, lançaram o álbum A Vida como Ela Era em 2009, que até já foi analisado aqui no O Propagador e a própria banda agradeceu pelo texto. Aguardamos mais um disco de inéditas!


    Quarto Fechado

    O vocalista da Quarto Fechado, Helon Borba, já foi citado aqui na Rocklogia por ter sido ex-baixista da Aeroilis. O músico também foi integrante da Adorelle. Este grupo lançou, em 2012, para download na rede, o EP Um Brinde ao Recomeço, que meu colega de equipe Thiago Junio resenhou. Até o momento em que escrevo, estão prestes a lançar o primeiro álbum completo, sob produção de ninguém mais que Raphael Campos, membro fundador da extinta Aeroilis. O disco se chama Meu Labirinto.


    Lucas 9

    Fundada em 2004, esta banda tem um som mais pesado do que as anteriormente citadas, e já recebeu indicações ao Troféu Promessas. Seu trabalho mais recente é o CD Sem Máscaras, o segundo do grupo, lançado em 2013. Confira o som da Lucas 9.


    Memora

    A Memora é uma banda fluminense, com um som mais abrasileirado, se assim podemos dizer (o que é bom, pois fogem a regra maçante do britrock). Com a influência do novo movimento, o grupo divulgou, em 2013, um EP de seis faixas pela rede e estão prestes a lançar o primeiro CD, de fato. O disco pode ser adquirido e ouvido nas plataformas digitais também. Ano passado, lançaram o clipe do seu último single, chamado “Ela”.


    Observ

    O grupo, que lançou O Mar que nos Envolve em 2014, e foi citado como um dos melhores álbuns de 2014 aqui no site, deve ser bastante conhecida pelos fãs da Oficina G3. Isso porque seu guitarrista é Celso Machado, que trabalhou na guitarra base do grupo dentre 2006 e 2015. O baixista do G3, Duca Tambasco, também participou das gravações deste álbum. No entanto, a banda tem a sua identidade, o que lhe recusa comparações, e tem ótimas composições.


    Iahweh

    Esta banda católica tem se destacado pela rede nos últimos anos, embora tenha uma carreira bastante longeva. Constantemente vejo pessoas compartilhando músicas deste grupo. Seu último álbum, Deserto, teve uma popularidade considerável, principalmente com a participação do padre Fábio de Melo na faixa-título.


    Godcore

    O Godcore é um power trio, que também conheci através do Junio. Possui dois discos lançados, sendo o mais recente lançado ano passado, chamado Tua Graça.


    Os Oitavos

    Eles tem muito o que dizer. Apesar de eu achar o instrumental fraco e pouco criativo, eles tem os melhores versos dentre os grupos aqui citados. Suas letras são instigantes, polêmicas e fortes na medida certa. Se você ainda não ouviu o álbum Armas de Distração em Massa, não sabe o que perde. É formada por Johnnie Haeuser (vocal, guitarra e piano), Cris Selbach (baixo), Lucas Daneluz (guitarra) e Ricardo Dini (bateria).


    Hazerhort

    OK, depois de rock alternativo e uns materiais bem leves, vamos de metal extremo. Banda brasiliense, tem se destacado há mais de uma década na cena metal cristã, principalmente por se tratar de uma das pouquíssimas bandas do gênero no centro-oeste brasileiro. Esse ano prometem um disco de inéditas. Confira, abaixo, um dos clipes do grupo.


    Conhece mais bandas independentes que poderiam ser citadas nesta lista? Dê o seu pitaco e divulgue essa galera que tem buscado fazer um som relevante e de qualidade na cena.

  • Análise: CD Um Brinde ao Recomeço – Quarto Fechado

    O crescimento do novo movimento no Brasil, iniciado pela Aeroilis em meados de 2001, originou uma quantidade considerável de ótimas bandas, de vários estilos, que engloba desde o rock até o tropicalismo brasileiro. Uma dos grupos originários desse cenário foi o Quarto Fechado. Com um som guiado pelo rock alternativo e com influências de Foo Fighters e Switchfoot, o quarteto composto por Eduardo Stosick (baixo), Paulo Ferreira (guitarra), Thiago Soares (bateria) e Helon Borba (vocal e guitarra), lança um EP de cinco faixas em 2012 chamado de Um Brinde ao Recomeço, de forma independente por formato digital, disponível no blog da banda. Oriundos de Florianópolis, de forma inversa, lançam seu EP sem qualquer apresentação, no entanto, tem atingido um considerável público, espalhado por todo o Brasil. Seus integrantes já são experientes na cena underground, tendo outros projetos paralelos. O vocalista Helon Borba já foi guitarrista e vocalista na banda Adorelle, e também já foi baixista da Aeroilis.

    Quando se leva em conta toda a proposta musical das bandas desse meio, percebe-se a riqueza cultural, poética e musical, e nesse contexto, Quarto Fechado se supera magnificamente quando se quer falar de conteúdo reflexivo. Poucas bandas conseguem criar uma identidade, letras e estrutura artística, não como um conjunto de pedaços e que se misturam fazendo uma colcha de retalhos, mas como uma união musical e conceitual formando uma obra conectada e interligada em si. O grupo catarinense realiza isso com destreza, sendo a melhor de rock na cena do novo movimento.

    Vamos começar pelo nome da banda: de acordo com os integrantes vem da ideia do que você faz enquanto está sozinho, de quem você é. E o versículo da banda, Mateus 6.6, remete justamente a esse nome: “Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.” Mateus 6.6

    Ousaria ir mais longe. Um relacionamento pessoal com Deus se baseia no secreto, não aquele em que a pessoa demonstra a sua devoção a Deus querendo mostrar a todos o quanto é cristã. Parte do pessoal, do às sós com o Eterno, e ao se deparar com o conteúdo musical da banda, encontramos reflexões que partem dessa relação íntima com o divino.

    Um Brinde ao Recomeço começa com uma canção com riffs de guitarra inesquecíveis. Em “Estrada para Perdição“, percebe-se a organização melódica da banda de utilizar uma guitarra base e uma guitarra solo, duas camadas com diferentes entonações. Na estruturação rítmica introdutória, a canção lembra um pouco “Break Free” do Hillsong United. A letra retrata a brevidade do nosso coração, de como os sentimentos são passageiros e falhos, e com um pedido a Deus, clama que possamos não ser guiados por ele. Hellon Borba finaliza canção com gritos cantando sobre a perdição do coração. Harmonicamente, apresenta o melhor trabalho de guitarra do EP.

    Seguindo o tom confessionário da primeira faixa, “Meu Barco” é outra brilhante composição. Elaborada em ótimos trabalhos de cordas elétricas, entre dedilhados e power chords, a balada possui uma letra espetacular, versando num tom eclesiástico. Retrata sobre algo que é um dos fundamentos do cristianismo: tudo tem seu lugar. E quando algo sai de seu devido espaço, o equilíbrio se perde. Só a essência de Deus pode trazer algo ao seu equilíbrio. Isso reflete a última canção do EP, “Desordem em Mim”, que quando tudo se encontra fora de sua devida posição, há uma desordem dentro de nosso ser.

    Em uma nova canção que trata assuntos reflexivos, “Fast Food” apresenta camadas de guitarras suaves na introdução, até ganhar peso no refrão e na ponte. A linha de baixo é contínua. O grupo capricha na composição dos versos, relatando sobre como o ser humano é um ser apressado, que gosta de ideias rápidas e superficiais, um “fast food intelectual”, mas na verdade, como é retratado na canção anterior, tudo tem seu tempo e que nada vem depressa. Aliás, é esse o apogeu do EP: a conexão das músicas. Outra ótima canção e uma excelente construção de versos.

    Eu Sozinho”, com pegadas de guitarras abafadas, orientadas pelo rock alternativo, apresenta a letra mais poética e complexa do álbum. Bem trabalhada musicalmente, acompanhando o estilo das outras faixas, traz dois níveis de guitarra, e uma ótima produção de baixo, principalmente no trecho “Eu acredito sim / Amar é repartir”. Aliás, o backing vocal dessa parte é perfeito e condiz bem com os versos. A obra retrata sobre um tema diferente: a desigualdade encontrada nos pés do universo, e em belas palavras declara um gesto de humildade: “De pés descalços me sinto mais vivo”. Calçados podem dar uma metáfora para a condição social de uma pessoa. Sapatos sociais para alguém importante e de classe, sandálias de hippies, tênis da Nike, Olympikus, para quem gostar de praticar esportes, entre outras alusões. Estar de pés descalços é metaforizar sobre a igualdade, abandonar todos nossos conceitos e conquistas. Estar de pés descalços é entrar em contato com a nossa origem, e também, repartir a dor do outro que se encontra descalço de riquezas.

    Finalizando o projeto, a quinta faixa apresenta uma condução diferente das músicas anteriores. A canção mais lenta e confessional do conjunto exibe acordes de piano que caem perfeitamente com a balada. “Desordem em Mim” foi uma ótima escolha para finalizar o álbum. A melodia, diferente das primeiras obras, só expõe as duas camadas comuns de guitarra após o refrão. Um arranjo bem introspectivo, com ótimas elaborações de cordas elétricas e um belo trabalho de piano, expressa excelentemente os versos cantados por Helon Borba sobre a desordem dentro do nosso ser. O trabalho musical lembra bastante a segunda canção, pela letra bem introspectiva e poética.

    Para acompanhar o belo e reflexivo trabalho de Quarto Fechado, o EP tem uma capa, muito bem produzida e editada, que não apenas embeleza o álbum. A arte contextualiza toda a obra do projeto. Nota-se resumidamente na imagem que há uma bela cidade de cabeça para baixo, na parte de cima, onde deveria estar o céu, e embaixo está uma lua, que deveria estar na parte de cima da foto. Essa troca de lugares na imagem define todas as composições do EP, principalmente as canções “Meu Barco” e “Desordem em Mim”: a desordem humana, a sensação de que tudo está fora do lugar. E é aí que entra todo o significado do título do trabalho musical. Nas palavras dos integrantes da banda:

    É no abrir e fechar de olhos, no giro do ponteiro, que mais um dia corrido passou. Consumindo a ponto de dificilmente pararmos um instante para repensar nossas ações, posturas e ideias.

    Porém quando repensamos, podemos nos assustar com nossas próprias atitudes, e chegar à conclusão de que é hora de mudar, de fazer diferente.

    Nessa hora nos dispomos a recomeçar. Mas não um simples recomeçar, como quem tenta novamente algo que não deu certo, e sim um recomeçar diferente.

    Um recomeçar de insatisfação, um recomeçar de mudança, assim nos permitimos mudar, evoluir, e até mesmo nascer de novo.

    E quando conseguimos, temos sim motivos pra comemorar.

    Sendo assim, um brinde ao recomeço.

    Esse grande projeto, apesar de pequeno, traduz todas as “bagunças humanas”, suas confusões, vazio e superficialidade, e nos convida à mudança, ao recomeço, “como se fosse capaz de voltar” (Eu Sozinho), a nascer de novo, a repensar em nossas atitudes. Ele reflete a direção que o “Meu Barco”, o nosso barco está tomando, em um caminho onde está tudo em desequilíbrio, a “Estrada para Perdição”, e o nosso eu se encontra em desalinho, nessa “Desordem em Mim” e cada vez mais nós ficamos focados no nosso próprio ego, como se fosse só “Eu Sozinho” para se preocupar no mundo, alimentados por um “Fast Food” intelectual, e nessa verdadeira desordem, Deus nos oferece um caminho de reinício. Assim, ”vamos acreditar que o mundo pode amanhecer diferente” (Fast Food).

    O primeiro lançamento do Quarto Fechado demonstra uma maturidade, identidade musical e filosófica que indica o quão longe o grupo pode ir e mostrar. Uma banda que exibe em seu trabalho, um desejo de construir uma carreira longe de clichês gospel e longe da linguagem “evangeliquês” da maioria dos cantores atuais e uma união entre os integrantes formando um único ser, não um grupo de super músicos individuais. O trabalho dos arranjos, as guitarras, o baixo, a bateria e o piano, foram bem executados, e a interpretação vocal de Helon Borba foi agradavelmente exercida, dando emoção às músicas, contextualizando-as com seus gritos. O álbum mostrou seis elementos: cinco ótimas músicas (difícil escolher a melhor) e um sexto, a conexão das músicas com a projeção gráfica e o nome do trabalho. O sexto ponto foi o auge desse projeto, a interligação dos itens, formando uma obra esplêndida e conceitual.

    A banda peca apenas na divulgação musical. O blog do grupo precisa ser melhor formulado e projetado, pois é por lá que a propagação de sua música será feita.

  • Conectados no Amor – Tudo tem seu lugar – parte 1

    Por que reclamamos que tudo está desorganizado?

    O caminho da terra, rotação e translação, acontece com uma perfeição, a distância entre o sol e a terra tem a exatidão que define o equilíbrio da vida terrestre, as estações, e se algo estivesse em desordem, haveria alguma tragédia de indefinível tamanho. Mas e os dias? Por que sete dias, doze meses, etc. e etc.?

    As velhas reclamações dos atarefados de que o dia é curto demais, daqueles que estão apressados querendo tempos mais curtos e ninguém percebe que o tempo é sempre o mesmo, que temos um sol que nasce e se põe todos os dias, que a lua de segunda-feira é a mesma que a de sábado (a não ser que elas estejam em fases diferentes). A própria divisão de datas, anos é uma questão histórica e cultural, definida pelo calendário gregoriano, sendo que alguns países possuem dotações datais diferente da mais comum. Mas na essência, temos os mesmos dias e as mesmas noites.

    Então por que tanta reclamação contra o tempo? A verdade é que o homem se encontra em desordem. Longe da sua forma original, ele está em constante desequilíbrio interno e se tornando cada vez mais escravo de si mesmo. Mesmo com todas essas indagações de que o dia poderia ter mais horas, o desajuste está no próprio ser que enxerga, define e nomeia a divisão horária. Se tivéssemos um tempo que cremos ser o mais condizente com as nossas obrigações e direitos, ainda sim reclamaríamos.

    A relativização das coisas vem dessa “doença humana”. Ela perverteu o significado de que tudo tem seu lugar. A relatividade prega que tudo depende de um ponto de vista. Mas a cegueira humana não enxerga que na verdade, tudo depende de seu espaço. Quando o dia está chuvoso e frio, não sairemos com roupas curtas na rua, pois podemos gripar ou pegar algum mal respiratório. Quando está quente, não sairemos encapuzados, com roupas quentes, pois podemos sofrer alguma desidratação, etc. Se alguém se afogar, não vamos jogar uma âncora para a pessoa. Para cada doença, um determinado remédio, para cada problema, uma solução. A relatividade é apenas o resultado da desordem do ser interior.

    A bagunça no jogo humano é o efeito da falta de uma peça central. Em um edifício, se faltar a base, o sustentáculo, logo ele desabará. O nosso ser é como um todo conectado de partes. Quando a parte principal sai de cena, é como se as partes tentassem ocupar o lugar dela, logo elas saem do seu devido lugar, mas nenhuma consegue ocupar essa posição, pois esse lugar só é ocupado por uma única peça. E quando elas não estão de sua devida função, há uma desorganização geral, um efeito dominó devastador. Por exemplo, imagine um time de futebol. Acontece que, o goleiro machuca e o clube não possui um time reserva. Logo, outros jogadores são obrigados a cumprir esse papel, só que sempre alguém terá que sair de sua posição para cumprir uma nova formação a qual não tem os requisitos para cumprir e nem sabe como desenvolver essa nova obrigação.

    Essa metáfora ainda não consegue definir exatamente todo o conceito da desordem interior do ser humano, pois a peça principal que falta ao homem é Deus, e Ele não é só uma parte do sistema, mas a peça que conecta todas as partes, o ser que mantém tudo unido. Podemos tentar preencher esse espaço com todas as coisas possíveis, tirando elas de seu lugar, mas nada vai completar o homem, e ele vai continuar em sua bagunça até enxergar o que falta para tirar o vazio que há dentro de si mesmo.

    Reflitam na passagem bíblica e na música.

    Eclesiastes 3

    1 Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.

    2 Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;

    3 Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;

    4 Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;

    5 Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;

    6 Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;

    7 Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;

    8 Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.

  • Conectados no Amor – Ser como Jesus

    Imagine um homem de shorts, tranquilo e sereno, andando nas ruas por aí, parando e sentando-se no chão para conversar com pessoas que todo mundo tem vergonha de conversar. Imagine um cara enfrentando políticos e religiosos, ao mesmo tempo, vivendo da paz e semeando o amor, uma espécie de Gandhi quando o assunto é provocar rebelião sem guerra. Imagina um cara tranquilo que não se preocupava com coisas, avesso ao nosso sistema onde a riqueza e o poder é o único motivo para sobreviver. Seria aquele cara que quando estivesse passando por um parque, jardim, bosque ou um lugar cheio de flores e árvores, pararia, iria respirar e dizer: “que lugar belo”. Ele saberia olhar para tudo com amor. É o cara perfeito que andava na direção contrária do mundo, do nosso sistema político e religioso. Era o líder perfeito, que ao invés de propagandas, estaria nas ruas ajudando as pessoas.

    Esse é Jesus, um homem que fez história. Ele consegue influenciar milhares de pessoas até hoje. É o exemplo perfeito que sabe dizer o que é amor e servir ao irmão, que sabe se igualar aos menores da sociedade, e que conseguiu até a sua morte cumprir seu propósito.

    Esse cara trazia uma história maluca de rei e reinos, um novo lugar diferente do nosso. Claro que ninguém o entendia. Os políticos e religiosos da época achavam que Deus iria trazê-los para uma terra rica e frutífera, que Ele mandaria alguém grande e majestoso para guiá-los a terra prometida e reinar sobre eles com paz. Achava que eles seriam o povo de Deus, pela promessa feita sobre Abraão. Mas esse cara que se dizia o homem enviado por Deus, pregava uma coisa tão diferente do que eles pensavam. Não era o cara majestoso que esperavam, falava de um reino e uma terra prometida que não era na Terra, de um povo escolhido por Deus, mas não eram os judeus. Os políticos e os religiosos da época se enlouqueceram com ele. E ainda por cima, fazia coisas que eram contra os princípios deles, trazendo uma nova percepção da lei (a única certa, aliás).

    É claro que eles o prenderam e o acusaram de pena de morte. Mas ao invés de reclamar, por ser um homem justo, aceitou a pena. Pouca gente deve saber, mas até a morte dele tinha algum propósito. Ele não morreu sem querer, ele morreu porque quis. E da sua morte, nasceu o reino o qual ele tanto queria formar. A morte dele era a forma de ele justificar aqueles a qual haviam percebido o que Jesus veio ensinar e que queriam entrar para o reino sem terra.

    E que reino é esse? Denominações de igreja, visão ministeriais, um sistema religioso ou político? Não, quem acreditava nisso era os judeus religiosos e fanáticos. Além de crer que eles são o povo escolhido por Deus, zombaram de Cristo colocando uma placa escrita “Jesus, rei dos judeus” sobre sua cabeça na cruz porque o homem crucificado dizia ser rei de algum lugar, coisa que os religiosos da nossa época sabem bem fazer quando acham que são salvos por ter uma carteirinha de membro de igreja, ou quando fazem propaganda de nome de igreja.

    O reino de Deus é algo tão invisível que a única forma de nós reconhecermos seus participantes é seus frutos e suas atitudes. E se não há fruto, essa pessoa não é integrante do reino de Deus. Logo, o que chamamos de pessoas cristãs e que fazem parte do reino de Deus é realmente filho de Deus?

    Eu acredito sim

    Amar é repartir

  • Conectados no Amor – Sábio, uma pessoa triste

    ECLESIASTES 07:

    2 Melhor é ir à casa onde há luto do que ir a casa onde há banquete; porque naquela se vê o fim de todos os homens, e os vivos o aplicam ao seu coração.
    3 Melhor é a mágoa do que o riso, porque a tristeza do rosto torna melhor o coração.
    4 O coração dos sábios está na casa do luto, mas o coração dos tolos na casa da alegria.
    5 Melhor é ouvir a repreensão do sábio do que ouvir alguém a canção dos tolos.
    6 Pois qual o crepitar dos espinhos debaixo da panela, tal é o riso do tolo; também isso é vaidade.

    Os caminhos são realmente difíceis para quem quer um caminho de sabedoria. E a sabedoria, verdadeira, completa e não ideias supérfluas provem do Senhor e de uma caminhada com Ele.

    Felicidade engloba coisas boas. Mas a felicidade pode ser algo meio fútil no seu contexto. O sábio Salomão dizia isso que o tolo vive na alegria, mas o sábio na tristeza. Os sorrisos trazem algo de aparência e só na superfície e reflete a exterioridade, o que está por fora. Quando a tristeza vem, é como se a exterioridade caísse, o véu se quebrasse e pudéssemos nos deparar com o que vem depois do exterior. É o que se percebe em Eclesiastes.

    A tristeza vem para nos colocar no horizonte divino, para fazer nossos olhos se encontrarem com o interior. E toda sabedoria que Deus quer nos passar é adquirida através de experiências e lições e não com ideias rápidas ou frases que devem ser aceitas por si mesmas.

    Jó 42:5 – Com os ouvidos eu ouvira falar de ti; mas agora te veem os meus olhos.

    Depois que Jó percebeu o que havia atrás de toda sua alegria, quando lhe foi tirado o véu, ele havia visto realmente a glória de Deus.

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