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  • Os 100 maiores álbuns nacionais da música cristã

    A equipe do O Propagador apresenta a lista dos maiores álbuns nacionais da música cristã. O material foi compilado em parceria com os sites Super Gospel, Arquivo Gospel, Casa Gospel, Gospel no Divã, Gospel Prime, Ruben Mukama e Virtual Gospel, entre uma série de músicos, historiadores, jornalistas e audiófilos. Cada um lançou suas indicações, as quais foram discutidas exaustivamente. O repertório consiste em discos que foram lançados desde a década de 60 à década de 2010. Aqui, no O Propagador, você vê a lista na íntegra e com os comentários previamente escritos.


    100º: Fogo e Glória Curitiba – David QuinlanFogo e Glória Curitiba - David Quinlan - 2000

    Disco que representa o movimento worship ocorrido em Contagem, o simplório violão de David Quinlan se tornaria um padrão intensamente – e irritantemente – copiado. Deste movimento, há de se destacar, como influenciados, Santa Geração e o cantor Fernandinho. Heloisa Rosa e Nívea Soares colocam seus vocais, imprimindo uma parceria que duraria por outros discos.

    2000, Aliança


    99º: Pra Louvar – Raiz CoralRaiz Coral - Pra Louvar - 2004

    Quando o Raiz Coral lançou seu primeiro trabalho, não havia nenhum material semelhante em toda a história cristã. Claramente avassalador, quando o assunto é corais, o disco Pra Louvar rapidamente se popularizou e invadiu as igrejas com canções como “A Coroa” e “Jesus meu Guia É”.

    2004, Independente


    Thalles - Na Sala do Pai - 200998º: Na Sala do Pai – Thalles

    Indiscutivelmente um dos trabalhos mais importantes da última década, a estreia de Thalles é uma mistura de blues, pop rock, black music e soul, distribuída em linhas de baixo grooveadas, com letras diretas e confessionais.

    2009, Graça Music


    97º: Além do que os Olhos Podem Ver – Oficina G3Além do que os Olhos Podem Ver - Oficina G3 - 2005

    “Não ache que eu estou derrotado, você está errado”, canta Juninho Afram em “Mais Alto”, após latidos de cães. Neste disco, a Oficina G3, como um trio, exorcizava todas as especulações de que era seu fim sem PG. Embalados por um metal progressivo de mix pop, o disco solidifica o respeito que o grupo tinha recebido com Indiferença, seu registro mais soberbo.

    2005, MK Music


    96º: Antes do Sol Nascer – Nádia SantolliNádia Santolli - Antes do Sol Nascer - 2005

    Cercada de colaboradores experientes, como Genésio de Souza e Val Martins, produzida por Kleber Lucas e no embalo de sua participação em uma canção do Koinonya, assim foi a estreia de Nádia na MK. Num tempo em que “todo mundo” estava gravando disco ao vivo congregacional, Santolli conseguiu se destacar, graças a sua personalidade, impressa em sua voz grave e potente. No entanto, o grande mérito desse disco é que tudo soa bem.

    2005, MK Music


    95º: Ainda não É o Último – ResgateResgate - Ainda não é o último - 2010

    Após anos de silêncio do rock cristão no mainstream, os membros do Resgate se juntaram e ensinaram, mais uma vez, como é que se faz. Com a pop-produção de Dudu Borges, o disco consegue jogar guitarras e hammonds em equilíbrio em meio a letras humorísticas de Zé Bruno, como “Jack, Joe and Nancy in the Mall” e sua veia à lá Traditional Jazz Band e a grande balada “Vou me Lembrar”.

    2010, Sony Music Brasil


    94º: Daniela Araújo – Daniela AraújoDaniela Araújo - Daniela Araújo - 2011

    Quando Fernanda Brum e Emerson Pinheiro criaram uma fórmula de pop nos anos 90, a única grande novidade dentro do gênero, com o passar dos anos, seria Daniela Araújo. Com seu álbum autointitulado, a artista trouxe ao seu favor o piano e arranjos da Orquestra Filarmônica de Praga, envoltos numa produção musical over-the-top.

    2011, Sony Music Brasil


    93º: Na Casa de Deus – EyshilaNa Casa de Deus - Eyshila - 2003

    A carreira de Eyshila, oriunda dos Altos Louvores, pode ser resumida pré e pós este projeto, cuja produção foi dividida entre Rogério Vieira, Woody e Wagner Carvalho. Gravando sete músicas com participação ao vivo da sua igreja, a cantora que antes era conhecida pelas suas baladas, a partir desse disco se tornou figura garantida no chamado louvor congregacional, consagrando-se como compositora, especialmente por “Posso Clamar”.

    2003, MK Music


    Para o Mundo Ouvir - Rose Nascimento - 200492º: Para o Mundo Ouvir – Rose Nascimento

    Utilizando-se de arranjos e fundindo outros gêneros musicais, este disco de Rose Nascimento fez uma música pentecostal diferente do que se ouvia na maioria dos lançamentos de sua época, também trazendo cordas.

    2004, Zekap Gospel


    91º: Respire Fundo – Ao CuboAo Cubo - Respire Fundo - 2004

    Se muitos grupos se destacaram pela presença de um rapper, o Ao Cubo teve dois. Feijão e Cleber representaram a música do grupo em todas suas esferas, juntamente com Fjay, criticando o consumismo, desigualdade social e criminalidade, sob uma ótica cristã.

    2004, Aperte o Play


    90º: Toque no Altar – Ministério Apascentar de Nova IguaçuToque no Altar - 2003

    Com uma enorme equipe de músicos em tempo integral, o Ministério Apascentar de Nova Iguaçu estreou com um dos registros mais fortes da cena congregacional. Revelando o repertório autoral de Luiz Arcanjo, Davi Sacer e Ronald Fonseca, a obra agrega cordas e metais sem se sobrepor aos pianos e teclados, o grande ponto forte deste grupo.

    2003, Independente


    89º: Quebrantado Coração – Fernanda BrumQuebrantado Coração - Fernanda Brum - 2002

    Enfatizando o tipo de coração que deve ser na caminhada cristã, é o auge musical da dupla Fernanda Brum e Emerson Pinheiro, estendendo a tendência dos discos anteriores com um repertório introspectivo, mas forte, composto por músicas como “Marcas”, “Amo o Senhor”, “O Amor que Cura” e “Espírito Santo”.

    2002, MK Music


    Por Toda Vida - Voices - 200088º: Por Toda Vida – Voices

    O maior supergrupo já existente do meio cristão, o Voices alcançou grande amadurecimento com seu terceiro trabalho, destacando-se com as canções “Pisa no Inimigo” e “Por Toda Vida”, dentre as mais notáveis de sua discografia.

    2000, MK Music


    Cristiane Carvalho - Novo Amanhecer - 199387º: Novo Amanhecer – Cristiane Carvalho

    Diferentemente de seus trabalhos anteriores, Cristiane Carvalho utilizou-se de composições nacionais, transitando em gêneros musicais como o funk e pop. Há de se destacar a faixa-título e “Até que Te Encontrei”, formando o ecletismo necessário para a obra.

    1993, Line Records


    Humanidade - Banda Rara - 199086º: Humanidade – Banda Rara

    Na ponta das influências do funk e soul, a Banda Rara alcançou o seu auge com Humanidade, especialmente com a faixa-título, nos vocais de Maurílio Santos, além de “Estrela da Manhã” e “Deixa Tudo”.

    1990, Gospel Records


    85º: 2ª Vinda – A Cura – Apocalipse 162ª Vinda a cura - Apocalipse 16 - 2000

    Pregador Luo e DJ Alpiste trouxeram o rap para a cena cristã. Mas 2ª Vinda – A Cura é um divisor de águas no gênero, sombrio e polêmico, tendo o auxílio de Mano Brown (Racionais MC’s) e Eduardo (ex-Facção Central). Seus discos posteriores se fundem de forma mais efetiva com a black music, em contrapartida, perdem o frescor alcançado aqui.

    2000, 7 Taças


    84º: Alta Voz – Kades SingersAlta Voz - Kades Singers - 1997

    Com arranjos do tecladista Paulo Richard (ex-Complexo J) e Raquel Mello, Alta Voz foi fundamental para a caracterização e definição dos grupos vocais na cena mainstream, além de ser um registro de devoção explícita a soul music.

    1997, MK Music


    83º: Aeroilis – AeroilisAeroilis - Aeroilis - 2004

    Antes do rock alternativo e do novo movimento – o tal crossover – estar em alta, a Aeroilis já chegava com um disco, com guitarras limpas, bateria com chimbau aberto e composições introspectivas, guiadas pela voz e timbre singular de Raphael Campos, o que seria aprofundado em Nada Mais Além, o trabalho sucessor.

    2004, LaCruz / Bompastor


    82º: Um Pinguim com Frio no Alaska – Amaury FonteneleUm Pinguim com Frio no Alaska - Amaury Fontenele - 2001

    Um pouco isolado, Amaury foi o único músico que, em sua época, misturou as batidas do rap com o groove do rock e R&B, com auxílio de Fernando Catatau, ex-colega de banda no Cidadão Instigado formando, assim, uma sonoridade ímpar no âmbito cristão.

    2001, Aliança


    81º: Voar Como a Águia – Alda CéliaAlda Célia - Voar Como a Águia - 2002

    Do Koinonya e Comunidade Cristã de Goiânia para a carreira solo, Alda Célia estabeleceu a ambientação ao vivo como cerne de seu melhor trabalho, Voar Como a Águia o qual, além da faixa-título, se destaca por “Óleo de Alegria” e a regravação de “Poder da Oração”.

    2002, MK Music


    80º: Águas Purificadoras – Diante do TronoDiante do Trono - Águas Purificadoras - 2000

    O follow-up para Exaltado foi um ajuntamento ainda maior, de qualidade técnica superior, inserindo, definitivamente, elementos que se tornariam marca-registrada do Diante do Trono, como as danças e espontâneos gigantescos – fortalecidos pela faixa-título, de sonoridade suave.

    2000, Diante do Trono


    79º: O Valor de Uma Alma – Mara LimaMara Lima - O Valor de uma Alma - 1989

    O Valor de Uma Alma veio para mostrar o porquê Mara Lima é um nome de longevidade no meio cristão: aliando um bom repertório, simplicidade e som direto, o trabalho se destaca, especialmente, pela canção que o intitula, que não se sobrepõe, de forma alguma, ao restante das canções apresentadas.

    1989, Som e Louvores


    78º: O Jardineiro que Chora – Alceu PiresAlceu Pires - O Jardineiro que Chora - 1984

    Um dos grandes poetas da música pentecostal clássica, Alceu Pires é compositor de sucessos emblemáticos como “Abração e Isaque” e “Juízo Final”. O primeiro e mais importante deles, “O Jardineiro que Chora”, foi responsável por colocar o disco homônimo na galeria dos clássicos cristãos. Com influências da música sertaneja de raiz, Alceu fez o Brasil inteiro cantar a parábola sobre a relação entre a flor e seu cuidador.

    1984, Djanir Produções


    77º: Autoridade e Poder – Marcos GóesAutoridade e Poder - Marcos Góes - 1990

    Com produção musical e arranjos de Marcos Góes, o trabalho é de notável qualidade musical, trazendo a participação de músicos como Sidão Pires e Marcos Bonfim. De fato, este é caracterizado como o trabalho solo de maior importância na carreira de Góes.

    1990, Pioneira Evangélica


    76º: Poemas e Canções – Leonardo GonçalvesLeonardo Gonçalves - Poemas e Canções - 2002

    “Mas a verdade é que o Criador não nos usa por sermos bons, mas o fato de sermos usados por Ele é o que nos torna bons, apesar de não o sermos”, disse Leonardo Gonçalves ao O Propagador. Seu primeiro disco é uma combinação agradável de pop, jazz, blues e contém, além da conhecida “Getsêmani”, uma regravação de João Alexandre. Com o trabalho, Leonardo se inseriu numa nova safra de intérpretes que fogem de temáticas e sonoridades mais populares.

    2002, Novo Tempo


    75º: O que na Verdade Somos – Fruto SagradoO que na Verdade Somos - Fruto Sagrado - 2003

    O que na Verdade Somos é o disco mais forte do Fruto Sagrado: com riffs agressivos de Bene Maldonado, vocais surpreendentes de Marcão, letras fantasticamente ácidas, e apresentando influências diversas, como o maracatu e a música eletrônica, mostraram que só eles, na altura do campeonato, sabiam fazer um som na tendência.

    2003, MK Music


    74º: Oração de Davi – Feliciano AmaralFeliciano Amaral - Oração de Davi - 1981

    Ele é o recordista, segundo o Guiness Book, como o cantor evangélico há mais tempo em atividade no mundo. Mensagem Real, seu disco de 78 rpm (tecnologia pré vinil), é um dos primeiros registros físicos da música evangélica nacional, lançado em 1948. Já com mais de 35 anos de carreira, o cantor lançou uma de suas maiores obras primas, Oração de Davi. O trabalho de 1981 traz os arranjos limpos característicos da música sacra tradicional, a voz inconfundível de Feliciano Amaral e um repertório brilhante, com canções marcantes como “O Rosto de Cristo”, “Tudo Entregarei”, “Cristo meu Mestre” e “Oração de Davi”.

    1981, FA Produções


    73º: Cicatrizes e Testemunho – Jorge AraújoCicatrizes e Testemunho - Jorge Araújo - 1984

    Pode ser que, hoje, seja mais reconhecido como pai de Daniela Araújo, mas Jorge Araújo fez história na música pentecostal como um dos artistas mais ousados do gênero e responsável por grande parte de sua modernização na década de 80. Em um período de resistência à inovação, Jorge esticou a linha, trazendo, para suas produções, a guitarra elétrica e a bateria em destaque. Em Cicatrizes, seu mais reconhecido trabalho, o cantor mostra toda sua veia pop interpretando grandes sucessos, como a faixa-título e “Deus Resolve o Teu Problema”.

    1984, Louvores do Coração


    72º: Tempo de Adoração – Comunidade Vila da PenhaTempo de Adoração - Comunidade Evangélica Vila da Penha - 1994

    A chamada Comunidade Zona Sul se destacaria ao chamado movimento das comunidades dos anos 90. Tempo de Adoração sintetiza, claramente a tudo o que seria feito pelo resto da década, incluindo “Consagração/Louvor a Rei”, uma das mais belas canções cristãs deste período.

    1994, Independente


    71º: Bonança – Os Cantores de CristoBonança - Os Cantores de Cristo

    Muitos grupos, na época, investiram em Jovem Guarda, como os Embaixadores de Sião, Cades-Barneia, Triumpho, Os Atuantes, Os Ligados, mas Os Cantores de Cristo foram além, porque fizeram isso colocando pitadas do rock psicodélico e do progressivo, evoluindo seu som em relação aos discos anteriores, sem perder o enfoque evangelístico.

    1975, Favoritos Evangélicos


    70º: Sem Palavras – CassianeSem Palavras - Cassiane - 1996

    Enquanto o movimento gospel dava seus primeiros sinais de crise, Jairinho surgiu com uma produção ingênua que remodelaria, de vez, o conceito de música pentecostal no Brasil. Com tons épicos, “Imagine” continua a ser uma das mais belas e representativas canções do gênero até hoje.

    1996, MK Music


    69º: Primeiro Amor – Shirley CarvalhaesPrimeiro Amor - Shirley Carvalhaes - 1994

    Mesmo já tendo vinte anos de carreira, foi com Primeiro Amor que Shirley Carvalhaes se firmou como a grande dama da música pentecostal brasileira. O disco, produzido por Tuca Nascimento, foi um fenômeno cultural. Seu grande destaque, a música “Faraó ou Deus?”, causou um mix de encanto e repúdio nas igrejas, tamanha era sua ousadia, cujo som misturava referências da música árabe com forró, ritmo que passaria a ser constante nos discos do gênero, a partir de então. Como resultado, a faixa, tratada nas igrejas mais conservadoras como ‘música para dançar’, se tornou um hit inquestionável, elevando a carreira de Shirley e toda a música pentecostal a outro patamar.

    1994, Nancel Music


    68º: Coração Valente – Voz da VerdadeVoz da Verdade - Coração Valente - 1997

    Indiscutivelmente o grupo que mais sabe trazer ecletismo a seu favor, Coração Valente é o maior clássico do Voz da Verdade até aqui. A fusão de orquestras, guitarras wah-wah, baixo funkeado, bateria pulsante, piano e teclado resultam num registro que é pretensioso do início ao fim.

    1997, Independente


    67º: Não é o Fim… – Novo SomNão é o Fim... - Novo Som - 1999

    Não é o Fim… é o melhor trabalho do Novo Som. O pop à lá Roupa Nova chega aqui ao seu ápice, com um repertório sólido, escrito, em grande parte por Lenilton, um dos melhores letristas que o meio cristão já conheceu e responsável por elevar a música do grupo a outro nível.

    1999, NS Records


    66º: Deus Cuida de Mim – Kleber LucasDeus Cuida de Mim - Kleber Lucas - 1999

    Evoluindo desde Meu Maior Prazer, Kleber Lucas fechou a década com Deus Cuida de Mim, um trabalho que consegue trazer para o ambiente congregacional uma música basicamente pop. Assim, Kleber Lucas foi o primeiro cantor solo, a de fato, adentrar este território, agregando outros gêneros musicais ao longo de sua carreira.

    1999, MK Music


    65º: Entrei no Templo – Ozéias de PaulaOzéias de Paula - Entrei no Templo - 1979

    “A melhor coisa que eu já fiz em toda minha vida, salvou-me por um triz”. Essa foi certamente uma das principais trilhas sonoras do final dos anos 70 e inicio dos 80. O grande, e então já consagrado, Ozéias de Paula, trazia junto com esse sucesso um de seus melhores trabalhos. Com letras de veia poética, como já era característico do cantor, o disco arranjado por Ângelo Apolônio, o famoso Poli, ousava a inserir na tradicional música tipicamente assembleiana os quase profanos contrabaixo, guitarra e bateria.

    1979, Bandeira Branca


    64º: Encontro – Actos 2Encontro - Actos 2 - 1990

    Marcando a geração dos anos 90, o Actos 2 (Kadoshi) chegou ao seu ápice com o disco Encontro e a canção “Cristo Faz a Cabeça”. No entanto, Encontro é rico em gêneros musicais e passeia, com tranquilidade, no louvor congregacional, pop, rock, blues e soul.

    1992, Gospel Records


    63º: Meu Clamor – Denise CerqueiraMeu Clamor - Denise Cerqueira - 1998

    Ela foi uma das grandes vozes femininas que a música evangélica brasileira conheceu. Depois de se tornar sucesso com o disco Eterno Amor, Denise Cerqueira entrou para a história quando, em 1998, lançou o icônico álbum Meu Clamor. Com um time estrelado de compositores e produção impecável de Alcimar Rangel e Pedro Braconnot, o disco rendeu a artista três troféus Talento em 1999. A trágica e precoce morte de Denise em 15 de novembro de 1999, vitimada em um acidente de carro no auge da carreira, imortalizou definitivamente a voz da intérprete e colocou “Jerusalém e Eu”, composição de Josué Teodoro e carro-chefe da obra, em lugar de destaque nos anais das grandes músicas nacionais.

    1998, Line Records


    62º: Deus Vivo – Édison e TelmaDeus Vivo - Édison e Telma - 1983

    Ele é um dos maiores compositores da história da música pentecostal e, ao lado da esposa Telma formou uma das duplas mais importantes do gênero. Acumulando sucessos desde 1971, quando gravaram os primeiros vinis, o ponto alto da dupla veio em 1983 com Deus Vivo. A música tema ultrapassou os limites do tempo e entrou para o repertório de todas as igrejas pentecostais desde então. Embalado por este grande clássico, o disco traz ótimas referências do samba e alguns lampejos de pop.

    1983, Angelical


    61º: Além do Rio Azul – Voz da VerdadeAlém do Rio Azul - Voz da Verdade - 1988

    Além do Rio Azul veio para estabelecer fórmulas que seriam recorrentes nas produções subsequentes do Voz da Verdade: letras e vocais marcantes de Carlos A. Moysés, pianos de Evaristo Fernandes cobrindo e fornecendo camadas, além do sagaz coral, cujo som nenhum grupo e cantor consegue copiar.

    1988, Califórnia


    60º: Tributo ao Deus de Amor – Renascer PraiseTributo ao Deus de Amor - Renascer Praise - 1998

    Gravado no Palácio das convenções no Anhembi, o quinto trabalho do Renascer Praise seguiu as tendências que o tornaria conhecido pelo Brasil: grandes corais, produção musical pomposa e arranjos de Esdras Galo. Três elementos, que juntos, deram certo.

    1998, Gospel Records


    59º: Final Feliz – Armando FilhoArmando Filho - Final Feliz - 1991

    Armando reuniu várias canções autorais e produziu o seu maior clássico até aqui. Final Feliz contém uma das canções mais importantes da época, “O Mover do Espírito”, produzindo baladas pentecostais que seriam fundamentais para o gênero, por muitos anos.

    1991, Bompastor


    58º: Aqui Chegamos pela Fé – Arautos do ReiArautos do Rei - Aqui Chegamos pela Fé - 1975

    O principal grupo vocal da história da música evangélica nacional já conta com mais de 50 anos de carreira. Precursor do estilo a cappella no Brasil, o Arautos do Rei já está em sua vigésima nona formação, conseguindo o feito incrível de se manter musicalmente relevante, mesmo com o passar do tempo, conseguindo se modernizar sem deixar de ser tradicional. Um dos grandes registros dessa bela história foi Aqui Chegamos pela Fé, gravado pela sexta formação de Arautos. Com a perfeição vocal característica do grupo, o disco apresenta um repertório grandioso, com clássicos como “Junto a Cruz”, “Cristo Jesus Voltará” e “No Grande Mar”.

    1975, Novo Tempo


    57º: Tem Coisas que a Gente não Esquece – Cristina MelTem Coisas que a Gente não Esquece - Cristina Mel - 1999

    No final da década de 90, Cristina utilizou-se de temáticas atemporais para o seu décimo trabalho, como a morte de Cristo, o trabalho missionário e os filhos. Os arranjos são mais suaves em relação aos discos anteriores, mas seguem o seu pop característico.

    1999, Line Records


    56º: Razão para Viver – Nascimento e SilvaNascimento e Silva - Razão para Viver

    O cantor, compositor, produtor e arranjador Tuca Nascimento formou ao lado de Onézimo Silva uma das melhores duplas que a música cristã nacional pode conhecer. Os poucos anos de carreira da dupla, que teve sua trajetória encerrada com a trágica morte de Onézimo, vítima de bala perdida em 1994, foi o suficiente para o lançamento de dois discos, entre eles o imperdível Razão pra Viver. Com arranjos simples, executados apenas com teclado, guitarra, violão, flauta e acordeom, o projeto confere pleno destaque ao dueto com suas interpretações singelas em músicas como as excelentes “Deixa Deus Provar” e “A Volta Feliz”.

    1993, Rosa de Saron


    55º: Nascer de Novo – Rayssa e RavelNascer de Novo - Rayssa e Ravel - 1994

    Com a música “Nascer de Novo”, Rayssa e Ravel conseguiam sintetizar sinceridade e simplicidade musical. Em seguida, com as pop-sertanejas “Arrebatamento” e “Sabe”, mostram que possuem força o suficiente para se colocarem como uma das duplas mais expressivas do gênero no país, até hoje.

    1994, Som e Louvores


    54º: O Sétimo – Sérgio LopesO Sétimo - Sérgio Lopes - 1997

    Com produção musical de Pedro Braconnot, O Sétimo conta com o estilo de Sérgio desenvolvido no Altos Louvores, e se destaca por sua temática judaica – distribuída em parte do repertório, projeto gráfico e fotografias. Além do mais, contém uma das canções mais importantes da época, “O Lamento de Israel”.

    1997, Line Records


    53º: Ao Meu Pai – JesséAo meu Pai - Jessé - 1985

    Ele era uma das grandes revelações da MPB nos anos 80. Ganhando prêmios nacionais e internacionais, Jessé, intérprete de canções como “Porto Solidão” e “Estrelas de Papel”, era sucesso por todo o Brasil. Em seu auge na música secular, o cantor abriu um parêntese e gravou o brilhante disco Ao meu Pai. Com um repertório comporto por clássicos cristãos como “Rude Cruz”, “Cidade Santa” e “Achei um Bom Amigo”, a potente voz do cantor ganha traços dramáticos em interpretações memoráveis.

    1985, RGE


    52º: Momentos Vol.1 / Momentos Vol.2 – Marina de OliveiraMomentos Vol. 1 e 2 - Marina de Oliveira - 1995

    Indissociáveis, Momentos Vol.1 e Vol.2 mostram que só alguém como Marina de Oliveira conseguiria trazer os melhores compositores e produtores musicais de sua época em duas obras. Os registros são impecáveis: canções pop (“Procure por Mim na Glória”), mensagens de autoajuda (“Não Desista do Seu Sonho”) e faixas em inglês (“Celebrate the Lord”). Se alguém era capaz de levar bandas inteiras para apoiar seu som, essa foi Marina.

    1995, MK Music


    51º: Preciso de Ti – Diante do TronoDiante do Trono - Preciso de Ti - 2001

    “Uma das coisas de que temos maior consciência é que no dia em que acharmos que algo vem de nós mesmos, Deus nos tirará da obra”, enfatizou Maximiliano Moraes ao Super Gospel. O ponto mais alto da carreira do Diante do Trono, arranjado por Sérgio Gomes e Maximiliano, é embalado com o discurso de fragilidade humana e dependência divina, especialmente na faixa-título, uma das mais importantes do meio cristão.

    2001, Diante do Trono


    50º: Resgate – ResgateResgate  - Resgate - 1997

    No quarto álbum, o grupo provou ser muito mais do que um devoto ao hard rock. Ao experimentar timbres de bateria, guitarra com flertes evidentes ao britpop, o disco monta uma figura de quebra-cabeças, endossadas com as letras tão incomuns e que questionam o status quo do meio cristão.

    1997, Gospel Records


    49º: Oh, Glória – Mattos NascimentoOh, Glória - Mattos Nascimento - 1991

    Trazendo a influência do pop e, principalmente, o ska para o meio cristão, Mattos Nascimento foi o primeiro – e até o único no meio cristão – a fundir o gênero musical com as letras pentecostais. Oh, Glória é um marco musical no início da década de 90, especialmente com as contagiantes “Dia de Pentecostes” e “Sou Feliz”, mostrando que, especialmente ao vivo, Mattos conseguia elevar tudo a outro nível.

    1991, Rosa de Saron


    48º: Com Muito Louvor – CassianeCassiane - Com Muito Louvor - 1999

    Se Sem Palavras foi o ponto de virada, este trabalho foi a aperfeiçoamento mais esforçado de Cassiane durante os anos 90. Com Muito Louvor une a qualidade da produção do disco anterior, Para Sempre, com um repertório sólido, composto por nada menos que “Oferta Agradável a Ti”, “Hino da Vitória”, “Com Cristo é Vencer” e “Com Muito Louvor”, além de provocar, culturalmente, uma mudança na estrutura das canções pentecostais.

    1999, MK Music


    47º: Amigos para Sempre – Integração Jr.Integração Jr. - Amigos para Sempre - 1991

    O melhor álbum infantil já produzido no meio cristão, a obra se destaca pelo seu ecletismo musical e a qualidade dos arranjos, especialmente nas músicas “Amigos para Sempre” e “Milagre da Vida”, anos depois regravada por Cristina Mel, no final da mesma década.

    1991, Bompastor


    46º: Discípulo Teu – Prisma BrasilPrisma Brasil - Discípulo Teu - 1988

    O trabalho mais importante do Prisma, Discípulo Teu contém os elementos adventistas a se repetir: corais robustos, cordas e metais em abundância e canções que versam acerca da vida, as dificuldades e desafios em relação a caminhada do sujeito cristão que caminha para a Eternidade.

    1988, Bompastor


    45º: Não Chores Mais – Victorino SilvaNão Chores Mais - Victorino Silva - 1983

    Dono de uma das mais brilhantes e prestigiadas vozes da música cristã nacional, Victorino Silva tem um de seus grandes momentos com Não Chores Mais, um verdadeiro clássico da música sacra. Além da interpretação e afinação impar do cantor, a parceria com o grande maestro Misael Passos, responsável pela direção musical do projeto, evidenciada até na capa do disco, é digna de destaque. Com arranjos soberbos, o álbum é riquíssimo musicalmente, com a presença marcante de pianos, violinos e muitos instrumentos de sopro.

    1983, Bompastor


    44º: Lágrima no Olhar – Altos LouvoresAltos Louvores - Lágrima no Olhar - 1993

    Seguindo as tendências dos discos anteriores, Lágrima no Olhar trouxe um Altos Louvores mais maduro, mas suficientemente em sua zona de conforto. A grande novidade é a faixa-título de Marquinhos Gomes, com o sax de Zé Canuto, tornando-se, assim, um dos principais registros do grupo.

    1993, Som e Louvores


    43º: Diga Não – RaízesRaízes - Diga não - 1991

    Depois dos Jovens da Verdade em 1972, a banda Raízes foi a única a usar, escancaradamente, a temática das drogas como carro-chefe de um disco. Diga Não se destacou pelas canções críticas, mas que não se sobrepuseram as baladas, as quais lembram bastante o estilo pop do Roupa Nova, cujo vocalista participaria em um disco futuro.

    1991, Independente


    42º: Vento Livre – Guilherme KerrVento Livre - Guilherme Kerr - 1985

    Um dos melhores letristas e musicistas do meio cristão, Guilherme Kerr produziu Vento Livre, seguindo as tendências musicais de sua obra no grupo Vencedores por Cristo. Com arranjos vocais e de cordas complexos, sonoridades regionais são exploradas por letras, em grande parte, verticais.

    1985, IBMorumbi Produções


    41º: Brother – Brother SimionBrother - Brother Simion - 1992

    Em meio a obras cada vez mais superproduzidas no início dos anos 90, Brother Simion quebrou a lógica fazendo um disco quase todo em voz e violão. Humor, introspecção e suavidade são características fundidas nesta produção básica de Rick Bonadio.

    1992, Gospel Records


    40º: Sem Limites – Aline BarrosAline Barros - Sem Limites - 1995

    O grande mérito da estreia de Aline Barros foi contar com a produção musical e arranjos de Ricardo Feghali e Cleberson Horsth, membros do Roupa Nova. Assumindo um caráter totalmente pop, a produção seria, com o passar dos anos, o melhor trabalho solo da carreira de Aline.

    1995, Grape Vine


    39º: Pra Cima Brasil! – MiladPrá Cima Brasil! - Milad - 1990

    Com a decrescente predominância de João Alexandre, e verbalizando toda a decepção com o jogo político e as extremas crises econômicas que assolavam o país, o Milad trouxe o disco mais politizado de sua carreira. Isso causou o despojo de grande parte de seu complexo som, adotando moldes pop, mas seguindo-se forte em seus discursos, como na clássica “Brasil” e na regional “Meu Candidato”. Também traz canções de uma das bandas mais influentes dos anos 80 no nordeste, chamada Artecristã, como “Os Sonhos Evaporam” e “Algo Está Errado”, além de apresentar “Navio Negreiro”, de Gladir Cabral.

    1990, Independente


    38º: Manhãs de Outono – Sinal de AlertaSinal de Alerta - Manhãs de Outono - 1987

    Desprendendo-se de sua fixação pelo Rebanhão, o Sinal de Alerta evoluiu tematicamente e sonoramente, e alcançou o seu ápice em Manhãs de Outono, um trabalho que consegue dialogar com sua época, e de quebra ainda apresenta grandes letras guiadas pelo seu pop rock, como “Tempos Modernos” e “Adolescência”.

    1987, Califórnia


    37º: Prá Falar de Amor – Banda & VozBanda e Voz - Prá Falar de Amor - 1992

    Banda & Voz foi, de fato, o primeiro grupo a ter fielmente um repertório muito eclético e variado, passeando pela black music, soul, ska, envolvendo tudo em ganchos pop. Tudo isso amadureceu em Prá Falar de Amor, em que, especialmente, o timbre de Natan Brito se destaca junto ao groove da guitarra de Marcos Brito e baixo de Beno César.

    1992, Line Records


    36º: Tempos de Celebração – Adhemar de CamposTempos de Celebração - Adhemar de Campos - 1993

    Após a Comunidade da Graça, Adhemar trouxe toda a temática congregacional para sua carreira solo, mas, diferentemente de todos, agregando gêneros musicais ‘incomuns’ para o repertório das igrejas, além das excelentes canções “Tributo a Iehovah”, “Fonte de Água Viva” e “Bem Supremo”.

    1993, Comunidade da Graça


    35º: O Amor é a Resposta – Alessandra SamadelloO Amor é a Resposta - Alessandra Samadello - 1996

    O grande mérito do quarto trabalho de Alessandra é de ultrapassar limites musicais dentro da própria tradição musical adventista. Influenciando até o contemporâneo Leonardo Gonçalves, O Amor é a Resposta aposta em sonoridades mais introspectivas, melancólicas e contemporâneas, sempre regadas a vibrantes e viscerais registros vocais, do estilo que só Alessandra Samadello poderia fazer.

    1996, ABBO


    34º: Intimidade – Jorge CamargoIntimidade - Jorge Camargo - 1999

    Uma produção de Jorge Camargo, Nelson Bomilcar e Marquito Cavalcante, é um dos registros mais agradáveis de música popular brasileira cristã, em que Jorge se estabelece como cantor e compositor. As músicas são bem interpretadas e tocadas. A combinação de canções acústicas e eletrônicas, além do excelente encarte, gerou uma das obras-primas do nicho.

    1999, Alento Produções


    Grupo Semente - Criação - 198633º: Criação – Grupo Semente

    Com a influência do Vencedores por Cristo, o Grupo Semente produziu canções de excelência, com a participação de Nelson Bomilcar, Jorge Camargo, Sérgio Pimenta e vários outros. Criação consegue sintetizar, muito bem, a música do conjunto.

    1986, VPC Produções


    32º: Coisas da Vida – Carlinhos FelixCarlinhos Felix - Coisas da Vida - 1991

    Carlinhos Felix, após deixar o Rebanhão, veio como um dos intérpretes com os discos mais bem produzidos nos anos 90, e sua essência musical nunca soou tão completa quanto em seu trabalho de estreia, Coisas da Vida. Este registro contém suas peculiares formas de produzir música pop, com a colaboração de guitarras por Paulinho Guitarra, mestre do blues no Brasil, e teclados de Pedro Braconnot.

    1991, Continental / Warner Music Brasil


    31º: O que Virá? – Comunidade S8Comunidade S8 - O que Virá - 1981

    Seguindo os passos de seu disco anterior, a S8 produziu o seu maior clássico até aqui. Aqui, a banda se rende a um rock progressivo sombrio, de influências pós-tropicalistas, mas não autoindulgente, especialmente pelas guitarras de Ernani Maldonado. Combinando crítica social com o apocalipse, o trabalho é, no mínimo, intrigante.

    1981, Independente


    30º: Novo Dia – RebanhãoRebanhão - Novo Dia - 1987

    Carlinhos Felix e Pedro Braconnot transformaram as influências da tropicália, trazidas anteriormente por Janires, para faixas pop que caracterizam bem a textura das produções dos anos 80, como “Primeiro Amor”, “Nele Você Pode Confiar”, “Jesus é Amor (Jesus Is Love)” e “Razão”.

    1988, PolyGram


    O que a Lua não pôde, não pode, nem poderá - Wolô29º: O que a Lua não Pôde, não Pode e não Poderá – Wolô

    O disco mais rico, musicalmente falando, dos anos 70, também é um recheado de influências culturais. Wolô soube verbalizar a ‘loucura’ hippie, transmitir gírias e filosofar acerca de Cristo, fundindo tudo isso a uma sonoridade que mescla rock, bossa nova, com influências da Jovem Guarda.

    1975, Independente


    28º: Calmo, Sereno, Tranquilo – Jairo Trench Gonçalves e Paulo Cezar da SilvaCalmo, Sereno, Tranquilo - Jayrinho e Paulo Cezar - 1976

    Jayrinho e Paulo Cezar, juntos, formariam o Grupo Elo. Mas, este registro predecessor, captura fielmente a tensão e restrições existentes no meio evangélico na época em que foi produzido. A obra é suave, com camadas de violão ovation, e baixo marcante, guiado por sonoridades influenciadas pela MPB.

    1976, Independente


    27º: Simplesmente João – João AlexandreSimplesmente João - João Alexandre - 1991

    Primeiro disco totalmente – e simplesmente de João, é um de seus trabalhos mais acessíveis e pops. A obra mostra um olhar mais positivo do cantor, com canções verticais, reflexivas, e trazendo algumas regravações, com a colaboração de Pedro Braconnot.

    1991, Gospel Records


    26º: Aliança – KoinonyaAliança - Koinonya - 1988

    A música do Koinonya seria o molde para a música congregacional feita na década seguinte: a banda Diante do Trono, por exemplo, bebeu intensamente de sua fonte. Sob a liderança de Bené Gomes, o grupo goianiense iniciou sua trajetória com o seu trabalho mais brilhante: Aliança contém várias músicas que, até hoje, são entoadas nas igrejas, como “Ao Único”, “Quem Pode Livrar” e a faixa-título, “Aliança”.

    1988, Koinonya


    25º: Obra Santa – Luiz de CarvalhoObra Santa - Luiz de Carvalho - 1969

    Ele foi o primeiro cantor a gravar um disco de vinil no meio evangélico nacional, em 1958, foi o primeiro artista evangélico de fato, o responsável por levar às igrejas o, então profano, violão, inseriu o bolero e elementos de samba e marchinhas na tradicionalíssima música cristã da época e se sagrou como o maior nome do cenário musical protestante nas décadas seguintes. O vinil Obra Santa, clássico indiscutível, além de contar com a voz e interpretação inconfundível de Luiz de Carvalho, é responsável por emplacar o primeiro hit da música evangélica nacional. A faixa-título se tornou uma espécie de hino oficial do movimento de Renovação Espiritual que se iniciou no Brasil a partir da década de 1960.

    1969, Som da Palavra


    24º: Está Consumado – CatedralCatedral - Está Consumado - 1993

    Talvez o mais importante álbum duplo da história da música cristã, Está Consumado, juntamente ao antecessor Volume III, faz uma ponte entre o Catedral, antes pertencente ao underground, e o que seria o grupo mais notório dos anos 90 e um dos expoentes do movimento gospel. O trabalho, no geral, é o clássico pop rock com o baixo funky de Júlio e riffs de guitarra – inconfundíveis – de Cezar. Vale destacar o clássico “Galhos Secos” e a letra de “Carpe Diem”, uma das músicas mais brilhantes do grupo, inspirada em pensamentos de Friedrich Nietzsche e José Ângelo Galarga.

    1993, Pioneira Evangélica


    23º: Armagedom – KatsbarneaArmagedom - Katsbarnea - 1995

    “O Arco-Íris de Deus tem muitas cores, e os sons muitas estradas que expressam nossas vidas. Acho que a mesmice cansa”, disse Brother Simion ao Super Gospel. Após ter trocado sua formação, o Katsbarnea deixou para trás suas veias funkeadas, cujo som explorava influências de soul e pop, e só se reencontrou no quarto álbum, Armagedom, mostrando que eram mais do que uma caricatura da Blitz. Produzidos por Paulo Anhaia, o soberbo álbum é definido por seu forte teor experimental, e letras evangelísticas, mesclando humor, além de mensagens apocalípticas – algo que se tornaria recorrente nas composições de Simion. Apoiado pelo marcante baixo de Jadão e riffs blues executados por Déio Tambasco, Brother provou ser a alma da banda, escrevendo todas as letras, além de gravar os vocais, guitarra, harmônica, piano e teclado.

    1995, Gospel Records


    22º: Indiferença – Oficina G3Oficina G3 - Indiferença - 1996

    Finalmente, Oficina G3 se desfez de suas referências explícitas ao Stryper. Quente e solta, a voz de Luciano Manga, cada vez mais poderosa, chega ao ápice junto ao peso das composições do guitarrista Juninho Afram. Elétrico, o disco se complementa aos teclados de Jean Carllos, ao autoritário e agressivo baixo de Duca Tambasco e as baquetas de Walter Lopes em canções como “Espelhos Mágicos”, mas se rendendo a baladas fascinantes, como “Magia Alguma” e “Novos Céus”. Em “Glória Inst.”, Afram mostrou o porquê é o maior guitarrista que a música cristã nacional já conheceu.

    1996, Gospel Records


    21º: On the Rock – ResgateResgate - On the Rock - 1995

    Paulo Anhaia elevou o nível do Resgate de forma abismal em seu terceiro registro. On the Rock capturou todo o potencial de humor autodepreciativo sob sua música, e ascendeu as guitarras de Zé Bruno e Hamilton, com riffs poderosos de hard rock. Sendo o trabalho mais importante e sólido do rock cristão nacional durante a segunda metade dos anos 90, o disco combina temáticas obscuras, como a depressão, solidão e morte com a mais peculiar sátira, cuja habilidade o quarteto é especialista.

    1995, Gospel Records


    20º: Fruto dos Lábios – Comunidade da GraçaComunidade da Graça - 1988 - Fruto dos Lábios

    Clássico do louvor congregacional do Brasil, Fruto dos Lábios é o melhor trabalho da Comunidade da Graça, sob a participação de Adhemar de Campos. Recheado de clássicos, como “Nosso General”, “Louvemos ao Senhor” e “Hosana”, o trabalho se destaca pela qualidade dos arranjos vocais e de instrumentos utilizados.

    1988, Comunidade da Graça


    19º: Alma Cansada – Jair e HozanaAlma Cansada - Jair e Hozana

    As duplas formadas por homem e mulher fizeram história na música sertaneja cristã, e a primeira de destaque foi Jair e Hozana. Jair, aliás, era ninguém menos que Jair Pires, que faria história como um dos mais notórios cantores e compositores da história da música pentecostal. Alma Cansada, um disco embalado por viola e acordeom, misturava canções autorais do músico com alguns poucos hinos da Harpa Cristã. Em meio a faixas de grande relevância na época, como “Canta meu Povo” e “Multiplicações de Pães”, se destacaria a faixa-título, que se tornaria um inegável clássico.

    1968, Celeste


    18º: Portas Abertas – Grupo LogosPortas Abertas - Grupo Logos - 1987

    Um dos últimos trabalhos do Logos nos anos 80, Portas Abertas tem todas as características das produções oitentistas, e foi totalmente aberto para os modismos da época, como os sintetizadores utilizados e o reverb da bateria. Mas as composições seguem fortes e sinceras, como se espera em relação a este grupo.

    1987, Logos


    17º: Novidade de Vida – Edson e TitaNovidade de Vida - Edson e Tita - 1982

    Com a participação de grandes nomes da música nacional, como Paulo Jobim, João Donato, Danilo Caymmi, Toninho Horta e muitos outros, Novidade de Vida é o disco de música popular brasileira mais brilhante da década de 80. Tratando de questões como a solidão, o vazio humano e o encontro com Cristo, o trabalho conta com arranjos refinados de qualidade muito acima da média que o meio evangélico apresentava, na época. O primor das músicas foi tão notável que, anos depois, Tita processou Tom Jobim, por um suposto plágio de uma de suas canções, o qual Tom foi absolvido.

    1982, Parejhara


    16º: Anseios – Altos LouvoresAnseios - Altos Louvores - 1986

    A grande fórmula do Altos Louvores foi, além de seguir os outros grupos musicais com temática de louvor da época, utilizar uma musicalidade mais simples e próxima ao pop em suas produções. Sob o comando de Edvaldo Novaes e colaboração de Pedro Braconnot nos pianos e teclados, o disco contém uma gama variada de composições, escritas por Sérgio Lopes, Léa Mendonça, e muitos outros.

    1986, Som e Louvores


    15º: Voz e Violão – João AlexandreVoz e Violão - João Alexandre - 1996

    Ninguém soa ou soará um dia como João Alexandre. Em boa forma, Voz e Violão é um dos registros mais brilhantes de nossa história, e compreende canções conduzidas de forma literalmente “solo” pelo cantor. O repertório, no geral, nem é lá tão novidade, mas a proficiência e intimidade que Alexandre possui com seu violão é ímpar, produzindo o maior disco do estilo no meio cristão.

    1996, VPC Produções


    14º: Dê Carinho – Cristina MelCristina Mel - Dê Carinho - 1997

    Cristina Mel foi a intérprete mais importante da música cristã nos anos 90, e Dê Carinho registra a intérprete em pleno voo, alcançando o seu ápice, dividindo seu repertório entre vários gêneros musicais. A obra trata do amor, em sua amplitude, versando, por exemplo, sobre amizades (“Ao Amigo Distante”) e o favor de Cristo (“Mestre”). Essencialmente pop, com produção musical de Cristina, e arranjos instrumentais de Karam e Natan Brito, foi também lançado numa edição em espanhol.

    1997, MK Music


    13º: 3 – Complexo JComplexo J - 3 - 1992

    Um literal ‘tapa na cara’ da sociedade, o terceiro trabalho do Complexo J é um dos discos mais fortes dos anos 90, em tempo de extenuantes crises econômicas e expansão do meio evangélico. Apresentando Cristo como solução revigorante, 3 é o ápice da capacidade criativa do grupo, com grandes canções, como “Abra Seus Olhos”, “Choro da Natureza” e, especialmente, “Sábado Quente”.

    1992, MK Music


    12º: Espelho nos Olhos – Banda AzulEspelho nos Olhos - Banda Azul - 1988

    Sendo o canto do cisne de Janires, é um dos trabalhos mais ricos, musicalmente falando, dos anos 80. Seu teor poético se entrelaça com o contexto histórico: é neste disco que o cantor faz uma retrospectiva de sua vida, nos dá referências de outras músicas que se tornaram relevantes em sua carreira, e constantemente trata da Eternidade. Trazendo, agradavelmente, variações de rock progressivo, pop rock, reggae e MPB, Espelho nos Olhos é um testemunho musical brilhante de uma vida humana voltada, até o seu último momento, para o céu.

    1988, Bompastor


    11º: Não Há Barreiras – Álvaro TitoÁlvaro Tito - Não Há Barreias - 1986

    Imagine uma das maiores gravadoras do planeta, a PolyGram (hoje Universal Music), abrindo suas portas para a música evangélica brasileira que estava fervilhando nos anos 80. Agora, imagine um talentoso cantor de apenas 21 anos que misturava MPB, jazz, soul e pop como recém contratado por ela para gravar seu terceiro disco. Artisticamente ambicioso, se propõe a não apenas interpretar, mas também atuar no projeto como diretor musical, arranjador, músico e compositor de metade das faixas. A despeito da resistência inicial da cúpula da gravadora em confiar tamanha responsabilidade a um artista tão jovem, o trabalho resultou em um dos melhores discos já produzidos na música evangélica nacional. O sucesso de público e crítica foi imediato e a faixa que o intitula, certamente, uma das mais importantes daquela década dourada.

    1986, PolyGram


    10º: Princípio – RebanhãoRebanhão - Princípio - 1990

    Era 1990 e o Rebanhão disse sim para o início do movimento gospel, intensificando o pop do disco anterior, cuja consistência seria o molde para as produções da época. Neste disco, o grupo apresenta baladas suaves e de excelência, como “Selo do Perdão”, mas questiona os poderosos e regimes totalitários nas elegantes “Muro de Pedra” e “Palácios”, um triunfo de Paulo Marotta e Pedro Braconnot. Como cereja do bolo, o grupo ainda utilizou-se do fatídico assassinato de Chico Mendes para questionar: “até quando viverei pra testemunhar e dizer sim, sim a Deus e a toda vida?”, dando o desiludido atestado de que mais uma década passara e os dilemas ainda eram os mesmos. Além do mais, foi o primeiro disco gospel, e o primeiro lançado em CD.

    1990, Gospel Records


    9º: Retratos de Vida – MiladRetratos de Vida - Milad - 1987

    Foi no álbum conceitual mais importante da música cristã em que a dupla João Alexandre e Toninho Zemuner explorou a vida noturna paulista e todo o caos urbano que existia – e persiste – na maior cidade do país. Tratando da elite cultural (“Plateia”), prostituição (“Esquinas Cruéis”), desigualdade em seus extremos (“Pobres Ricos” e “Meninos de Rua”) e isolamento social (“Solidão de Ilha”), o trabalho é cheio de riqueza musical, passeando pela MPB, bossa-jazz e até mesmo o post-punk, com muita tranquilidade. Além da clássica “Olhos no Espelho”, o disco contém despojadas e agradáveis faixas instrumentais, confirmando a coragem e relevância que contém para a história da música cristã nacional.

    1987, Água Viva


    8º: Janires e Amigos – JaniresJanires e Amigos

    O primeiro álbum ao vivo da música cristã nacional é o registro definitivo de toda uma cena que estava se consolidando nos anos 80: Janires reuniu amigos e fincou sua respeitada imagem. Apoiado pela Banda Fé, com participação de João Alexandre, Ed Wilson, Rebanhão e muitos outros músicos e personalidades midiáticas, como o ex-jogador Baltazar e o ex-piloto Alex Dias Ribeiro, o disco é intimista, e pouco religioso. Falando de sua vida, e refletindo acerca dos testemunhos e dificuldades diárias de seus amigos, o repertório surpreende pelas belas “Mamãe”, “Alex, o Baixinho Voador”, “Helena, Todo Pecado Será Perdoado”, além da icônica “Jesus Super Herói”. No geral, Janires e Amigos é um trabalho que revela o melhor de Janires: riqueza musical, simplicidade e sinceridade.

    1985, Doce Harmonia


    7º: Situações – Grupo LogosGrupo Logos - Situações - 1984

    Após o fim do Grupo Elo, o Grupo Logos surgiu sob o comando de Pr. Paulo Cezar. Situações é o seu clássico, registro que se mostra bastante superior ao trabalho antecessor, Caminhos. Aqui, a banda aposta em um som que segue as tendências do último trabalho do Elo, Nova Canção, trazendo influências populares para a sua música. Outro destaque, acerca de sua sonoridade, é a riqueza de sintetizadores que apresenta. Portanto, além de musicalmente dentro das tendências da época, o disco possui a consistência lírica que tornaria o Logos um dos melhores grupos musicais já existentes.

    1984, Logos


    6º: Luz do Mundo – RebanhãoRebanhão - Luz do Mundo - 1983

    O céu é a temática mais clara para definir Luz do Mundo. Neste álbum, o Rebanhão apresentava uma evolução técnica considerável, em relação ao primeiro trabalho. Gravado no melhor estúdio brasileiro da época, o Estúdio Transamérica, se destaca pela suave “Hoje Sou Feliz”, com influências da MPB, e sua letra, tão atual, sobre a situação do nosso país. Embora o disco descreva, de forma bem forte e incisiva, os problemas da sociedade, não é pessimista, mas indica Cristo como a solução. Janires, claramente, era alguém fixado na Eternidade, e não deixou de cantar sobre ela até o último momento de sua vida: “Ele faz muita falta, mas não aguentaria a forma com que a igreja caminha nos dias de hoje”, disse Carlinhos Felix ao Super Gospel.

    1983, Arca Musical Evangélica


    5º: Cem Ovelhas – Ozéias de PaulaCem Ovelhas - Ozéias de Paula - 1973

    O disco Cem Ovelhas, do cantor Ozéias de Paula é, provavelmente, o mais importante álbum lançado por um artista do movimento pentecostal. O que saiu deste trabalho influenciou as gerações que viriam. Todas as onze canções que compõem o disco se tornaram sucesso e algumas delas clássicas, como “Hoje sou Feliz” e “Oh foi por mim”, além da faixa-título que se tornou um hino o qual ultrapassa o limite do tempo. Outro grande sucesso, “É Assim que eu Te Amo”, embora se tratasse de uma declaração a Deus, passou a ser considerada como uma música romântica, o que abriria portas para as diversas canções e discos apaixonados que viriam nas décadas seguintes. Com grandes letras e uma pegada ousadamente moderna para a época, Ozéias entrou para a história como o maior nome masculino da história da música pentecostal nacional.

    1973, Estrela da Manhã


    4º: Celebraremos com Júbilo – Don e AsaphDon e Asaph Borba - Celebraremos com Júbilo - 1978

    Asaph Borba, juntamente a Adhemar de Campos, são os nomes mais conhecidos, e importantes, do meio congregacional. No entanto, na segunda metade dos anos 70, Asaph já estava no meio evangélico. E, com o músico Donald Stoll, formou a dupla Don e Asaph, produzindo Celebraremos com Júbilo. Gravado totalmente em território estrangeiro, em Bay City, Michigan, nos Estados Unidos, a obra possui uma consistência sonora e instrumental bastante superior, se considerarmos os lançamentos deste período. Por sua vez, este trabalho se destaca com várias canções, mostrando que, mesmo após mais de trinta anos após o seu lançamento, é um dos clássicos de nossa música.

    1978, Life Produções


    3º: Ouvi Dizer – Grupo EloOuvi Dizer - Grupo Elo - 1978

    O Grupo Elo é um dos mais importantes grupos musicais já surgidos na música cristã. Sob o destaque das figuras de Jayrinho (in memoriam) e Pr. Paulo Cezar, a sua obra alcançou outro nível com o disco Ouvi Dizer. Enquanto Nova Jerusalém, o trabalho de estreia, se destacava por trazer instrumentos até então pouco convencionais, como a bateria e a guitarra, o disco sucessor une isso a um bom repertório, que se tornou um clássico no meio evangélico.

    Com bases gravadas nos EUA e representando uma virada no som na banda, conta com uma produção musical de altíssimo nível e músicos competentes. Assim, somos introduzidos a faixas de grande riqueza poética, como a clássica “Céu, Lindo Céu”, além das regravações de “Calmo, Sereno, Tranquilo” e “Mais Perto Quero Estar”. A melhor música, por sua vez, é “Autor da Minha Fé”, uma das mais belas canções nacionais que temos, já regravada por Cristina Mel, Carlinhos Felix, Alex Gonzaga e Paulo César Baruk.

    1978, Elo


    2º: Mais Doce que o Mel – RebanhãoRebanhão - Mais Doce que o Mel - 1981

    “Quando comecei no Rebanhão não tinha ideia do que iria acontecer. Para mim, como novo convertido, era muito normal cantar músicas em uma linguagem textual e musical jovem e divertida, mas para muitos se tratava de algo inaceitável para os padrões religiosos da época”, afirmara Pedro Braconnot ao O Propagador. De 1981 pra cá, Mais Doce que o Mel apenas foi mais reconhecido e estimado: o primeiro registro de rock e tropicália que definitivamente alcançou o meio cristão, o disco foi, por muitos anos, um escândalo.

    Com sua sonoridade ousada e direta, o repertório se destaca especialmente pelas composições de Janires que, claramente, dialogava com a cultura do nosso país. O destaque vai para o pot-pourri, cujo som, durante oito minutos, prende o ouvinte, com riffs de baixo bem marcados e um arranjo de metais de classe. A primeira música deste medley, “Salas de Jantar”, claramente faz referência à “Panis et Circenses”, do antológico disco de estreia dos Mutantes. A riqueza de sons se expande ao “Baião” e sua crítica social, e a melhor música do disco, o choro “Casinha”. Carlinhos Felix e Pedro Braconnot também surgem com as agradáveis “Monte” e “Refúgio”, guiadas por uma sonoridade que passeia pelo pop rock e rock progressivo.

    Mais Doce que o Mel não foi muito bem recebido por conta de suas músicas questionadoras, livres e diretas, mas nada foi mais polêmica do que a capa, em que Janires esbanja simplicidade, com a camisa aberta. ‘Censurada’, a capa teve que ser refeita em outra edição. Além das críticas, boicotes e acusações de satanismo, o reboliço causado pela música do Rebanhão apenas expandiu a sua popularidade, tornando-os conhecidos por todo o país.

    1981, Doce Harmonia


    1º: De Vento em Popa – Vencedores por CristoDe Vento em Popa - Vencedores por Cristo - 1977

    Um dos discos mais aclamados até hoje em termos de letras, ritmos, vocais e instrumentais. A grande importância desse trabalho reside na proposta diferente que trazia, na linguagem inovadora e na influência que provocou em tantos artistas cristãos, que estavam sendo formados naquela época, e mesmo em épocas posteriores. Pela primeira vez, os Vencedores por Cristo lançavam um disco com canções totalmente autorais e cujas letras e sonoridade dialogavam, sem medo, com a cultura brasileira.

    “Eu o considero um marco porque Vencedores àquela altura era o grupo musical de maior penetração no meio cristão devido às equipes que viajavam por todo o país divulgando o trabalho musical da organização”, diria Jorge Camargo, em entrevista ao Arquivo Gospel. De Vento em Popa foi o único disco cristão a ser tema de uma tese de mestrado, defendida na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Ainda, esta obra, devido a sua qualidade musical, transpassou as barreiras do meio cristão, servindo de influência para alguns músicos ‘seculares’, sendo citado, recentemente, por Ed Motta, como “um disco raro no gospel”.

    Aliando-se à música brasileira, na pretensão de nacionalizar as canções cristãs da época, era um contraponto a tantas versões que eram feitas (profético?). Reúne músicas de grandes compositores da música cristã: Aristeu Pires Junior, Artur Mendes, Ederly Chagas, Guilherme Kerr, Sérgio Pimenta e Nelson Bomilcar, que também participam nos vocais e instrumentais. Um disco em que brasilidade, poesia, qualidade e espiritualidade se harmonizam.

    1977, VPC Produções


    Eleitores: Alex Eduardo (músico), Danilo Andrade (editor-chefe, O Propagador), João Dias (historiador), Leiliane Lopes (jornalista), Philipe Daniel (músico), Rafael Ramos (jornalista e editor-chefe, Gospel no Divã), Roberto Azevedo (editor-chefe, Super Gospel), Rogério Oliver (pesquisador, Gospel no Divã), Ruben Mukama (músico), Salvador de Souza (historiador), Tayse Souza (editora, O Propagador), Tiago Abreu (editor colaborador, Super Gospel).

    Contribuintes: Alexandre Pereira, Charles Spencer, Cleber Nadalutti, Gesson Vasconcelos, Jhonata Fernandes, Philippe Santos, Renan Lima, Thiago Ferreira.

  • Melhores discos de rock cristão nacionais: Década de 70

    O portal O Propagador estreia uma nova série aqui, chamada “Melhores Discos Cristãos”, procurando compilar os melhores álbuns na história da música cristã nacional e internacional. Para introduzir as listas, nossa equipe, juntamente com alguns leitores que, selecionados, conhecem e muito acerca do tema, preparamos várias listas individuais com discos e através de votação, compilamos uma seleção final, que você vê aqui.

    Nossa primeira lista é acerca dos discos de rock cristão nacionais da década de 70. Época cheia de propostas evangelísticas e, ao mesmo tempo, forte repressão religiosa, dava indícios à explosão que ocorreria nos anos 80. Com isso, escolhemos cinco álbuns que devem ser de audição obrigatória para quem deseja conhecer esta fase. Confira:

    [infobox title=’5º: Quem deseja ser criança?’]Artista: Comunidade S8
    Ano de lançamento: 1979
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Comunidade S8 - Quem Deseja ser Criança - 1979João: Como o ressoar de um clarim celestial chamando a todos para se voltar à velha infância de uma fé simples, a faixa-título e várias outras desse álbum como “Quando as Flores Não Mais Existirem” e “Quando Vejo os Céus!” fazem qualquer um voltarem aos tempos do “Primeiro Amor”. As letras desse segundo disco da S8 me remetem aos trabalhos d’Os Meninos de Deus, com aquele ideal hippie de ‘voltar ao jardim’, ‘retorno ao paraíso’, ‘jardins floridos’ e etc, só que aqui esse ideal é remetido aos céus, com passagens bíblicas muito bem repassadas e poesias geniais, mostra que toda a sociedade sem Deus pode procurar em várias formas de escape, mas é totalmente inútil, pois continuam sendo ‘escravos do erro’; e que a vida é passageira e um dia as flores não mais existirão e o tempo parará de contar, dando lugar à certeza da companhia eterna no verdadeiro paraíso, ao lado do Pai. A sonoridade é muito na linha de bandas como Yes, Genesis e Os Mutantes, sendo portanto uma das bandas mais contemporâneas na sonoridade dos anos 70 a lançar material, e esse disco é muito superior ao antecessor ‘O Rio das Águas que Saram’, e o mais legal é que a S8 nos dois álbuns seguintes, já nos anos 80, até onde ouvi, fizeram trabalhos ainda mais esplêndidos e com uma poesia singela sobre a sociedade de sua época, e o mais impressionante, ‘Quem Deseja Ser Criança’ ainda parece uma canção feita ontem, basta olharmos pros lados e vemos que ‘os dias reclamam por transformação e os fatos imploram reformulação’ até hoje.

    Phil: Um trabalho com cara bem brasileira! Não que os outros não tivessem, mas pude notar mais elementos de música brasileira nas canções. Na instrumentação, nos ritmos, mas nem tanto na forma de cantar; por outro lado temos um vocal feminino bem ajustado e bem presente. É um álbum feliz, daqueles que pra sorrir e cantar junto. Achei mais jovem que o trabalho do Jovens da Verdade (trocadilho não intencional, rs), no senso comum de dizer que isso ou aquilo “é pra jovem”. Acho que vocês entenderam, né? Para este álbum, destaque nas canções “Quem deseja ser criança?”, “Ó Senhor, livra a minha alma” e “O rio vivo”.

    Thiago: A Comunidade S8 surgiu do objetivo de ajudar dependentes químicos. O grupo não girava só em torno da música, mas em volta de vários projetos de cunho social. Havia colocado outro álbum da banda na lista final, o qual o mesmo não havia tido um grande interesse. Com músicas em rock progressivo, o que vale ressaltar no projeto é o que fizeram com suas canções, que era contra a religiosidade da época. Poderia ter merecido o máximo a posição de quinto lugar. A faixa “Ó Senhor, Livra a Minha Alma!” lembrou-me a canção “Babe I’m Gonna Leave You” do Led Zeppelin.

    Tiago: Embora temos um enxurrado de bandas que mantinham os pés na Jovem Guarda, a Comunidade S8 produziu um disco basicamente de rock progressivo, com os aspectos que esperamos de um disco deste gênero. Já no final da década, me parece que é mais tranquilo falar de temas que aos poucos deixariam de ser tabus na música cristã com bastante seriedade, mas sem deixar de soarem juvenis.

    [infobox title=’4º: Bonança’]Artista: Os Cantores de Cristo
    Ano de lançamento: 1975
    Número de faixas: 12[/infobox]

    Bonança - Os Cantores de CristoJoão: Muitos grupos na época investiram em Jovem Guarda, como os Embaixadores de Sião, Cades-Barneia, Triumpho, Os Atuantes, Os Ligados, mas Os Cantores de Cristo foram além, porque fizeram isso colocando pitadas do rock psicodélico e do progressivo (os Embaixadores de Sião fariam isso no seu segundo disco, já nos anos 80, mas aí é outra história). Desde Olhando o Infinito Os CDC já vinham surpreendendo, mas em Bonança eles investiram numa produção mais limpa e letras bem mais coloquiais do que no seu antecessor, como o verso da faixa-título: “Jatos de luz vêm colorir, dando beleza, nos fazendo sorrir”, e você ter na sua mente que esses jatos são emitidos pelo Sol da Justiça abrindo os céus em bonança é algo muito belo de se imaginar. Infelizmente foi o último disco deles com uma sonoridade mais juvenil, e logo eles se poriam a fazer canções mais suaves, mas sem perder o enfoque evangelístico.

    Phil: Letras muito boas, sendo aqui não tão loucas quanto Rebanhão ou mesmo Jovens da Verdade, mas um pouco mais diretas. Arranjos mais uma vez bem ajustados para quem curte um baile de jovem guarda, mas bem animadinho em algumas faixas, e com guitarra mais presente no som. Ah, não tem como não agradecer aos céus pelo solinho na introdução de “O Caminho”, afinal é um sonzinho distorcido, finalmente! Haha. (E não duvido que alguns dos outros analisadores leram a faixa dois como “O mundo está por um Phil”. Estou de olho nessa zoeira, hein, colegas!) Aqui destaco a curtinha “Achei”, “O Caminho” e “Eli”.

    Thiago: Havia listado dois álbuns do Os Cantores de Cristo na minha seleção dos melhores. Coloquei esse álbum como o primeiro lugar na minha classificação. Tiveram muita repercussão na época, com o som predominantemente rock progressivo, e uma qualidade musical que se assemelhava com bandas de grande porte. A qualidade musical do álbum é um avanço para época, e as guitarras foram o seu melhor aspecto. No resto, repetiram as ideias musicais da época, como o órgão, e as interpretações vocais em conjunto. “Bonança”, “Eli”, “O Mundo Está por um Fio” são as melhores músicas. O impacto do grupo foi bem grande, influenciando bandas e cantores como Novo Som, e no Janires e Amigos, do Rebanhão, a banda é citada, mostrando a importância do Os Cantores de Cristo.

    Tiago: Confesso que a música dos Cantores de Cristo não despertou minha atenção, mas é inegável que o trabalho deles estava acima da maioria de seus contemporâneos. É o segundo trabalho, mais ousado que Olhando o Infinito, seu antecessor, e talvez o último lançamento que valha a pena ser mencionado.

    [infobox title=’3º: Viagem’]Artista: Jovens da Verdade
    Ano de lançamento: 1973
    Número de faixas: 12[/infobox]

    Viagens - Jovens da VerdadeJoão: Um dos primeiros álbuns revolucionários da história da música cristã brasileira, tem uma pegada bem tropicalista, com letras bem na linha Movimento de Jesus, mesmo que possivelmente o pessoal do projeto JV nem conhecesse o que tava rolando nos EUA nessa época, pra mim é um disco que mexe ainda pra caramba com minha mente, em especial a faixa-título, que usa de um vocabulário extremamente cabuloso pra época, como a palavra ‘transas’, que devia horrorizar muito crente da época (e acho que até hoje, rsrs), letras que falam muito sobre a juventude como “Desligado”, “Um Jovem Triste”, “Jovens Vamos Lutar”, “Pra Viver Sorrindo”, e claro, a faixa-título, que vai bem no meio do assunto que de certo modo foi abordado de maneira mais direta e pesada no disco anterior, Drogas Matam. A capa também é um primor, a sacada do avião foi muito bem feita na minha opinião. Quando ouvi pela primeira vez esse disco, fiquei sem palavras, tentando me colocar, como historiador, na década de 70 e dizer ‘meu, esses caras eram doidos!’ (risos). Muito relevante e impossível não ser citado por alguém que pesquise sobre essa década.

    Phil: “Jesus, amigão, quero fazer uma viagem com você”. Assim canta a primeira faixa do “Viagens”. É um LP bem classudo, com vocais bem trabalhados (como tudo na época, pois, se estou certo, as canções cristãs tinham mais um formato de “coral”, não necessariamente com 20 integrantes, mas raramente havia muito solo vocal). Se existisse uma espécie de “baile de jovem guarda” gospel na época (mamãe me contou que o baile se chamava “assustado”, porque era de uma hora pra outra, no susto, que se ficava sabendo dele), muito provavelmente teríamos o Jovens da Verdade tocando lá, até porque o Viagens é o terceiro registro deles (até onde sei), então eles já teriam bastante material pra palco, não acham? Em destaque, “Viagens” e “Não mais eu”. O curioso foi que comecei a ouvi-los num dia chuvoso, e caiu perfeito, a atmosfera tranquila do álbum com a reflexão que sentar à janela e olhar a chuva traz. É simples e belo assim.

    Thiago: Os Jovens da Verdade não haviam entrado na minha lista pessoal. Um disco de qualidade baixa, não me chamou a atenção. O grupo é muito ligado a missões e obras como a Comunidade S8, e tem participação ativa na sociedade. Musicalmente, o álbum de modo pessoal, merecia o quinto ou quarto lugar nessa lista, mas ainda assim seu som era um tanto polêmico pelas regras religiosas da época.

    Tiago: A capa do álbum é, de fato, antológica. Um disco bem mais maduro que seu anterior, Drogas Matam, Viagem apresenta um JV calcado na Jovem Guarda, porém um pouco mais ousado. É claro, as composições aqui e acolá são até ousadas, mas nada que se compare a alguns músicos dos anos seguintes.

    [infobox title=’2º: Rebanhão’]Artista: Janires
    Ano de lançamento: 1979
    Número de faixas: 10[/infobox]

    Rebanhão - Janires - Fita Cassete - 1979João: A demo que mais intriga tanta gente até hoje. As letras contidas nessa demo até hoje não vi iguais, Janires era muito inteligente, conseguiu colocar influências da psicodelia, tropicalismo, rock progressivo, até um samba, tudo num cadinho só que me remete aos clássicos trabalhos de Raul Seixas dos anos 70, principalmente o obscuro e estranho Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10. As letras, obviamente, são fora de tudo que já se viu. Cada letra merecia um review próprio, acho que mereciam é um livro (risos), “Castelo de Areia” como uma nova versão e genial da parábola dos homens que constroem suas casas na rocha ou na areia, “Aleluia” começa naquela pegada de músicas da Tropicália, mas depois fica piano, quase um canto congregacional, “General” é uma balada que fala da volta de Cristo, muito tocante, “Disco Voador (Bebê de Proveta)” é a primeira a mandar uma letra completamente pirada pra época, com menções à comerciais de cremes dentais, viagens espaciais, OVNIs (muito em moda na época a crença nisso, vide “Ouro de Tolo” de Raul Seixas) e a revolução da inseminação artificial e do bebê de proveta, ‘Taças de Cristais” eu gostei mais da versão dos anos 80, mas enfim, é uma letra muito boa, “Discoteca”… ah, se Janires soubesse que a turma dos anos 2000 ia fazer essa tal de discoteca gospel (risos), mas é uma ótima letra e que chegou a ser usados alguns dos seus versos pela banda Louvor Art e Cia na música “Milagres” do seu único álbum Criação de 1994, “Eu Tenho uma Casa no Céu” é uma das minhas prediletas, até de seriados e filmes da época ele fala, como Flash Gordon e King Kong, “Ponte” é uma polêmica e inacreditavelmente atual crítica aos usos e costumes de muitas igrejas, somado à falta de amor às pessoas e amor capitalista às coisas, “Cara a Cara” deve ter chocado na época igual se hoje em dia decidíssemos falar de programas da ‘satânica’ Rede Globo em uma música, e “Arco-Íris” fecha com uma beleza indescritível esse K7, com a temática predileta do Janires: A volta do Senhor. Pra mim essa fita merecia é ser colocada acima até do primeiro lugar, pq é incomparável demais.

    Phil: Cheio de atitude, como um bom rock deve ter! Como não ficar encantado? Caraca! Tanta criatividade e loucura, vivacidade e cultura. E olha que era apenas uma demo mas mesmo assim merece demais entrar na lista. Confesso que só tinha ouvido poucas canções, soltas, do Rebanhão antes dessa empreitada auditiva e agora que dei atenção a um álbum inteiro eu captei uma boa parte do que a galera vive dizendo sobre a banda. Impressiona a atualidade, pois certas afirmações cabem muito bem nas situações de hoje, 30 e tantos anos depois! Como diria Paulo Bonfá, é totalmente excelente. Fico imaginando a polaridade na época, uns dizendo “que loucura é essa? por Deus, não dá pra mim, tô fora disso!” e outros exclamando “que loucura é essa? por Deus, que maravilha, era isso o que eu tava procurando!”. Quebrando paradigmas, encantando meus ouvidos! Destaco aqui as boas zoeiras de “Eu Tenho uma Casa no Céu” e “Disco Voador (Bebê de Proveta)”.

    Thiago: Janires é um distinto compositor e notoriamente conhecido por ter fundado a banda Rebanhão. Apesar de ter colocado em quinto lugar na minha lista pessoal, esse álbum tem um dos melhores arranjos da época. O que o disco perde demais é na questão técnica, com uma gravação claramente amadora, cheia de falhas, o que poderia ser normal para época. Mas apesar dos defeitos, o cassete em comparação ao rock cristão setentista apresenta uma das melhores sonoridades, e os arranjos de teclados foram os melhores até aqui. “Disco Voador (Bebê de Proveta)” e “Eu Tenho uma Casa no Céu” com suas influências de blues, “Cara a Cara” com seu solo de guitarra distorcida (o que poderia ser quase um absurdo), “Ponte” com sua bela letra de crítica a ingratidão e religiosidade dos cristãos, são as melhores músicas do registro.

    Tiago: As vezes soa estranho uma fita demo, de produção amadora tomando o lugar de vinis. Mas é isso mesmo. O trabalho de Janires estava muito acima do que seus contemporâneos poderiam alcançar (e até hoje muitos ainda não conseguem entender a genialidade deste capixaba). Este trabalho, gravado em São Paulo e que, mais tarde tornaria-se a banda que o cantor fundaria no Rio de Janeiro é talvez o primeiro registro de um rock cristão que consegue fugir das rimas previsíveis “Jesus-luz-Jesus-conduz” e apresenta um repertório contextualizado com sua época. Com faixas que são um verdadeiro tapa na cara dos cristãos, como “Ponte”, e faixas dançantes como “Aleluia”, o que não falta no disco é espontaneidade.

    [infobox title=’1º: O que a Lua não pôde, não pode e não poderá’]Artista: Wolô
    Ano de lançamento: 1975
    Número de faixas: 12[/infobox]

    O que a Lua não pôde, não pode, nem poderá - WolôJoão: Tecnicamente nem é um disco de rock, tendo uma ou outra música realmente nessa pegada, como “Cara” e “Amor Amor de Cristo”, mas é um disco muito bom, de uma produção soberba, rara de se ouvir de lançamentos dessa época, especialmente nos meios cristãos, e com uma das capas mais legais, e Wolô é um poeta, né, véi, conseguiu imprimir muitas das pirações da era hippie (o misticismo de venerar a natureza, a lua e o sol, etc), as gírias (“Cara”), e as viagens filosóficas e parciais sobre Jesus da época (“Duas Fáceis e Duas Difíceis”) numa visão cristocêntrica e com uma linha que lembra Ronnie Von, que conseguiu misturar a Jovem Guarda com a psicodélica da época, muito criativo, sem sombras de dúvidas. Por isso merece o primeiro lugar, por ser um corajoso precursor.

    Phil: De toda a lista que obtivemos para audição, eu corri logo para esse. Fui pego pelo nome do cara. “Wolô? Que maluco é esse, em plenos anos 70?” Uma rápida busca na internet e entendi: trata-se de Wolodymir Boruszewski, ucraniano que é enraizado em terra brasileira desde que Renato Russo era um bebê (e talvez até antes disso). Bem, à medida que eu ia escutando outros álbuns, a liderança do belo “O que a lua não pôde, não pode e não poderá” foi muito ameaçada, mas não saiu do topo. Curti demais! Me cativou, me prendeu a atenção. Quando se fala de rock pensa-se em jovialidade, energia, animação, mas esquece-se que há vertentes e originalidades e particularidades, e o Wolô não fez um álbum loucão. Fez um álbum consistente! Destaco as faixas “Cara” e “Pai Nosso”, esta última provavelmente você já ouviu por aí.

    Thiago: Ao contrário da dificuldade de gravações de muitos na época, a falta de tecnologia, as vozes extenuantes e bregas da maioria das bandas e cantores brasileiros da década de 70, Wolô consegue se superar na maior parte desses quesitos. Wolodymir Boruszbwski, conhecido como Wolô, é descendente de sérvios, cientista (geólogo), mestre em Meteorologia pelo INPE, doutor em Engenharia Aeronáutica na área de Estruturas e Mecânica dos Sólidos, pelo ITA. Com um extenso currículo na área cientista, suas músicas mostram o outro lado do compositor. O vinil O que Lua não pôde, não pode, nem Poderá possui letras com um jogo de palavras poéticas, que brincam com as palavras, e canções de rock bem características da época, principalmente o progressivo. O que poderia ser classificado como um escândalo na época, o uso de guitarras, bateria para acompanhar o órgão que era costume nas canções evangélicas da época, a parte lírica vence nesse álbum. Canções como “Cara”, “O Olhar Sorrir” pela influência da bossa nova, se destacam como as melhores canções do conjunto.

    Tiago: Já deu para notar que a maioria das bandas e cantores desta época ainda eram fortemente influenciados pela música da Jovem Guarda. Mas Wolô foi mais longe. Mesclando vários gêneros musicais, como o samba, o disco é ousado também nas composições. Com um título instigante e uma capa conceitual (o que é raro para a época), o disco de Wolô era uma escolha óbvia para os primeiros lugares desta lista.


    A lista foi compilada através de votos dos participantes, além de Jhonata Fernandes e Maycom Franklin, que não puderam comentar desta vez. Para saber, com maiores detalhes o processo de escolha dos álbuns, acesse esta página.

  • Janires e Amigos: primeiro álbum ao vivo da música cristã

    Existem acontecimentos, que por mais relevantes que sejam, são esquecidos por várias pessoas. Muito é dito a respeito do legado de Janires e sua importância para a música cristã nacional, mas a dimensão de seu impacto é pouco citada.

    Janires e Amigos, é talvez um destes exemplos. Considerado o único álbum solo do cantor e compositor capixaba, hoje creditado como parte da discografia do Rebanhão, o disco foi gravado com muita dificuldade e particularidade.

    Era 14 de dezembro de 1984, há exatos 30 anos. Há cerca de 5 anos, Janires, como frontman do Rebanhão provocava um verdadeiro reboliço na cena cristã da época. Com canções como “Baião”, “Casinha” (do álbum Mais Doce que o Mel), “Hoje sou Feliz” e “Casa no Céu” (do subsequente Luz do Mundo), Janires mostrava sua capacidade criativa. Mas seu sonho não era simplesmente se tornar um ícone da música cristã nacional. Eis, que durante este contexto, surge Janires e Amigos.

    Dez anos antes da gravação, em 1974, com cerca de 21 anos de idade, o cantor converteu-se e deixou um passado cheiro de “aventuras” para trás. Com a temática de dez anos de conversão, Janires chama vários amigos e parceiros e decide gravar um álbum ao vivo. Só que ninguém do meio cristão, aquela altura do campeonato tinha gravado um trabalho deste tipo: ele seria o primeiro.


    A equipe técnica

    Para gravar o álbum, Janires teve a ajuda de Ermínio (técnico de estúdio), Barney (seu assistente) e Silas (responsável pelo estúdio onde a obra foi mixada). Pela tecnologia da época e os recursos disponíveis, o álbum foi gravado numa mesa de oito canais.

    O grande problema era que, com oito canais era muito difícil comportar todos os músicos e vocais da gravação. Mas com muito jeito, conseguiram.


    O local de gravação

    O álbum foi gravado na cidade do Rio de Janeiro, no auditório da Rádio Boas Novas. Nesta época, a quantidade de rádios cristãs ainda não era muito grande, e certamente tais parcerias eram vitais para a banda. Com o álbum Luz do Mundo, por exemplo, o Rebanhão conseguiu ter músicas executadas em rádios fora do nicho cristão.


    As participações especiais

    Janires e Amigos é um disco cheio de participações especiais. A começar pela mãe de Janires, na qual foi homenageada na canção “Mamãe“. O cantor também era amigo do jogador goiano Baltazar, no qual chegou a atuar pela Seleção Brasileira de Futebol. A ele foi dedicada a canção “Baltazar, o artilheiro de Deus”.

    Juntamente com o Rebanhão, em alguns teatros, a atriz Helena Brandão, mais conhecida pelo seu nome artístico Darlene Glória contava seu testemunho de vida. Janires a homenageou com a canção “Helena”, na qual versa sua história e conversão.

    Nesta época, o cantor João Alexandre fundava o Grupo Pescador, bem no início de sua carreira. Na gravação, o cantor dividiu os vocais com Janires na música “Casinha”, até hoje uma das canções mais icônicas do Rebanhão.

    Além destes, Janires era amigo do atleta Alex Dias Ribeiro, no qual foi inicialmente homenageado em “Hoje Sou Feliz”, do álbum Luz do Mundo. Mas desta vez, o tributo foi mais direto com a canção “Alex, o Baixinho Voador”. Ainda, uma canção poética, para a Rede Boas Novas fecha o álbum, “À Minha Amiga R.B.N. (Lindas Canções)”.

    Dentre outras canções do disco, há um momento de oração, conduzido por Alex Dias Ribeiro, a regravação de “Baião” com a participação dos demais integrantes do Rebanhão, uma versão de “Jesus Cristo Mudou Meu Viver” e “Jesus Super Herói” com temática infantil, gravada num dueto entre Wagner Carvalho e Ed Wilson.

    O instrumental é tocado pela Banda Fé. Outras participações especiais incluem Ed Wilson, Clube Bíblico Jesus Vive e Waldenir Carvalho (pai de Cristiane Carvalho e Wagner Carvalho, este último que nos anos 90 foi baterista do Rebanhão).


    ARCA

    A Arca Musical Evangélica foi uma gravadora do Rio de Janeiro que distribuiu o álbum Luz do Mundo (enquanto Mais Doce que o Mel e Janires e Amigos foram pela Doce Harmonia). Curiosamente, a canção que mais se destaca no álbum é “Arca (Festa de Arromba Evangélica)”. Nesta música, Janires praticamente cita o nome de todos os cantores cristãos e bandas relevantes da época de forma muito bem humorada.

    Vinha andando, andando voando pelo meio da rua / Quando encontrei com a banda do exército da salvação / Tocando rock, rock, rock pra Jesus junto com o Edson e Tita / Sinal Verde, Ozéias de Paula e o Maurão / Grupo Logos, Imperiais, Victorino da Silva / Vencedores por Cristo tocando com Dani Berrios / Jovens da Verdade, Nicolete, Sonoros e o Grupo Semente / E Shirley Carvalhaes cantavam com a gente / B.J. Thomas, Don e Asaph, Feliciano Amaral / Grupo Atos, Edson e Telma e o Som Maior / S8, Andrae Crouch, Denise e os Cantores por Cristo / E o Paulo César do Música Viva, que que é isso?

    E descobri que estava sonhando, um sonho muito legal / Que um dia vai se cumprir no lar celestial.


    A capa

    A capa de Janires e Amigos foi produzida pelo cantor Marcos Góes. O projeto, em sua frente possui um desenho, contendo as participações do álbum listadas. Nota-se que o desenho da ovelha com o pastor foi o “logotipo” do Rebanhão em seus primeiros anos.

    O verso da capa mostra uma foto de Janires com músicos da gravação.


    Citações

    O Janires foi um cara único, ele saiu talvez porque nós não conseguíamos seguir no ritmo dele. Deus o usou de maneira especial e o levou. No entanto tinha outros planos para o resto de nós. Foi um desafio quando ele disse que ia sair, mas conseguimos seguir em frente com a graça e misericórdia de Deus. (Pedro Braconnot)

    Esta gravação foi muito legal e corajosa. Não esqueço: tudo engatilhado, mas deu certo, era tudo em cima de milagres. (Carlinhos Felix)

    Janires tinha o raro talento de dizer coisas profundas de forma simples! Hoje em dia complica-se tudo pra não dizer nada! (João Alexandre)


    Relançamento

    Inicialmente, Janires e Amigos foi lançado como um álbum solo de Janires, contendo a participação do Rebanhão. Porém, em 1994 o álbum foi remasterizado, e sua capa foi modificada, incluindo o nome da banda na lateral, em letras grandes. Incluso na discografia do Rebanhão, foram inclusas duas faixas bônus, nas quais são a gravação original de “Baião” e “Mel”, do álbum Mais Doce que o Mel.

    A ordem das músicas também foi alterada.


    Legado

    Mais do que o primeiro álbum cristão gravado ao vivo no Brasil, Janires e Amigos é um exemplo que a arte cristã não precisa se encapsular em padrões líricos e estéticos e que é possível sim prestar homenagens e tributos a pessoas mantendo o principal foco, no qual é Jesus.

  • Rocklogia – As igrejas da década de 70

    Prosseguiremos nossa linha do tempo a respeito da história do rock cristão no Brasil, na qual anteriormente abordamos a história da banda Êxodos (se não leu, clique aqui).

    Durante a década de 70, além dos múltiplos movimentos culturais no Brasil e no mundo, grande parte deles consequências do movimento hippie nos anos 60, começavam a se formar algumas propostas diferenciadas de culto e evangelismo pelo país. Destas ideias, destacam-se o nome de quatro igrejas.

    Uma destas instituições é a Igreja Presbiteriana de Copacabana, que como o nome afirma, localiza-se na cidade do Rio de Janeiro. Em 1972, iniciou-se o Culto Jovem, no qual era realizado as 18hs, um pouco antes do culto principal de domingo, com o objetivo de alcançar a juventude que não frequentava, e dificilmente se adaptaria a liturgia do outro horário. O músico Elmar Gueiros foi um dos principais participantes destes cultos, e o resultado foi positivo, pois a igreja ficava lotada de jovens, muitos destes não cristãos. Durante o culto, eram utilizados vários instrumentos até então demonizados na maioria das igrejas, como a bateria, guitarra, baixo e teclado/sintetizadores. O culto jovem durou muito tempo, graças ao apoio dos pastores Benjamin Morais, Jonas Rezende e Nehemias Marien (este último conhecido por sua personalidade polêmica). Destes frutos, destaque para a banda Sinal Verde (na liderança do conceituado compositor Lucas Ribeiro), o surgimento do Rebanhão (com Janires, Carlinhos Felix, Paulo Marotta e outros), e várias conversões de pessoas que tinham aversão ao cristianismo, como o tecladista Pedro Braconnot.

    Entretanto, a mais conhecida desta época é, sem dúvida a Igreja Cristo Salva, também conhecida como igreja do Tio Cássio, localizada em São Paulo. A igreja surgiu através do casal Noeli Colombo e Cássio, no qual eram empresários. Entretanto, com o surgimento de problemas, provavelmente financeiros, procuravam ajuda em vários locais, porém não encontraram. Conhecer a Cristo foi a solução para os dois, que passaram a evangelizar por onde iam. Com a crescente quantidade de jovens que abraçaram a causa, e participavam de ‘reuniões’ na casa de Cassio, surgiu a Cristo Salva, em meados de 1975. Foi nesta igreja em que Janires, futuro líder e vocalista do Rebanhão iniciou sua vida cristã, também sendo o local onde surgiu a banda Oficina G3, na época com sua formação inicial, na qual, atualmente apenas Juninho Afram está. O casal Estevam e Sônia Hernandes, antes das corrupções nos anos 2000 frequentaram cultos desta igreja e desempenharam grande função evangelística nos anos 90 através dos eventos públicos da Renascer, tema que trataremos em posts futuros. O conhecido piloto Alex Dias Ribeiro também esteve por lá.

    No Rio de Janeiro, também temos a Igreja de Nova Vida no bairro da Tijuca, que gerou a Banda Fé (futura Banda & Voz). Esta, fundada em 1982 (embora o movimento tenha ganhado força na década anterior) seguiu a linha dos demais templos existentes com seu teor mais pentecostal, ou seja, não tão tradicionalista quanto as outras igrejas de sua época, investindo também na mídia, como rádio, e consequentemente atraindo a juventude.

    A última destas é a Comunidade S8, que, apesar de não ser uma igreja com todas as letras, desempenhou um papel importante na música cristã. É uma associação civil, com fins não lucrativos, fundada em 1971. Seu grande trabalho é de atuar na recuperação de dependentes químicos. Com a chegada de vários jovens, a comunidade também gravou álbuns, com forte característica do rock progressivo. Foi da S8 em que alguns membros do Fruto Sagrado vieram. Um de seus influenciados foi o guitarrista e produtor musical Toney Fontes, que é responsável pela masterização de grande parte dos lançamentos do gospel nacional há vários anos. Seu pai, Geremias Fontes é o fundador da instituição.

    [youtube http://www.youtube.com/watch?v=zLhYM3DJ_3g?feature=player_detailpage&w=640&h=360]

    Uma das canções da Comunidade S8