Tag: Bruno Branco

  • Fronteira – Musicografia: Bruno Branco – Lado a lado

    O primeiro trabalho musical do Bruno Branco na sua carreira solo foi Lado a Lado, uma obra totalmente acústica, usando três violões, um banjo, escaleta e alguns recursos de percussão, com interpretações vocais de Bruno. Todas as canções foram compostas por Branco, e produzido por Jordan Macedo, produtor de músicos e bandas como Thalles, Heloisa Rosa, Lucas Souza, Chris Durán e bandas como o Palavrantiga.

    Em várias entrevistas, Branco demonstra que o Lado a Lado foi composto por várias ideias. Em entrevista a Missão Gospel, ele revela que o

    “desejo ao produzir esse álbum é que ele fosse de “bolso”, ou seja, algo agradável e pelo qual as pessoas pudessem usufruir no dia a dia. E nada melhor que um álbum “Lado a Lado” das pessoas, nome da terceira faixa do disco. A música foi sugerida para dar brilho ao nome do CD pelo designer que fez a capa do disco, Josué Ribeiro.”

    Já em outra entrevista para o site Som de Madeira, ele afirma:

    “Tentamos não fazer um disco enjoativo. É um disco que carrega várias épocas da minha vida, mostrando os frutos de andar lado a lado com Deus: nas crises e nos momentos bons. O nome é um resumo do disco. Ele foi feito lado a lado com Deus e com as pessoas também que participam da minha vida. E por ser um CD com músicas de reflexão, ele foi feito com a intenção de uma pessoa tê-lo lado a lado por muito tempo.”

    A leveza e a simplicidade transmitida pelos arranjos e pelas letras sugerem realmente um disco para se estar lado a lado com as pessoas, e reflexões sobre o que é realmente importante na vida. É algo que deva ser apreciado não como uma obra religiosa, escutada nos cultos de domingo e esquecida na semana, um costume que permeia a falsa espiritualidade dos cristãos de templos e não do diário, mas para ser mastigada no cotidiano, acompanhadas por dose de reflexões. Das palavras de Bruno sobre Lado a Lado na entrevista ao Som da Madeira:

    “O disco é muito verdadeiro, é uma extensão destes últimos anos da minha vida, carrega uma inocência. Ele não foi pensado para uma tribo ou mercado. É um disco para ser degustado com tempo. É atemporal. É o resultado de uma coragem de saber que tenho algo que pode não ser importante para a multidão, mas pode ser importante para alguém. Se for, valerá muito a pena.”

    A primeira canção do álbum, “Canção pra Você”, foi baseada em um testemunho do autor.

    “No final de 2008, comprei um apartamento que estava caindo aos pedaços. Decidi reformá-lo. Eu morava com minha avó e achava que precisava ir morar sozinho, me casar etc. Queria muito uma mudança na minha vida e apliquei essa mudança na reforma do apartamento. Após a reforma, o apartamento estava simplesmente perfeito. Mas lá estava eu, sozinho na sala, olhando para aquele porcelanato lindo, mas com um enorme vazio dentro de mim. Foi então que me ajoelhei e o Espírito Santo disse ao meu coração: ‘Quem precisa de reforma é você. A casa está linda, você fez isso para chamar a atenção, ser amado, mas a casa que eu quero mexer é você. Você é o templo. Não adianta nada disso aqui, se você, a verdadeira casa, estiver em ruínas.” [Troféu Promessas, 2012]

    A faixa segue a mesma ideia de “Casa” do Palavrantiga,  porém é mais romantizada, uma bela declaração, e contém reflexões sobre a abnegação e o verdadeiro templo divino. “Onde está o valor destas coisas, disso aqui sem Você” expressa perfeitamente o vazio do materialismo humano, de preencher todo o nosso vácuo de espírito com coisas passageiras, a casa interior destroçada e desocupada, sendo que a vida só terá seu valor se Deus estiver conosco.
    “Simples” é uma das melhores do disco. Ela representa perfeitamente um dos supremos conceitos expressados no conjunto: a simplicidade. A canção foi debatida e usada na questão sobre a cultura artística do Reino por causa dos versos “Então, quem dirá que a arte não pode ser nossa?/ Então, quem dirá que tem que ser sem sorriso?”. Porém, essa canção me leva a pensar sobre a arte de ser simples e viver sobre esse estilo de vida. O melhor trecho da música com uma influência do músico Bob Marley reflete muito bem essa arte: “Use as coisas e ame as pessoas”. O primeiro defensor dessa prática, no entanto, não foi Bruno e nem Bob Marley, foi Cristo:

    25. Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário?
    26. Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?
    27. E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura?
    28. E, quanto ao vestuário, por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam;
    29. E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles.
    30. Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pouca fé?
    31. Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos?
    32. Porque todas estas coisas os gentios procuram. Decerto vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas;
    33. Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.
    34. Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.
    Mateus 6:25-34

    Viver nas pegadas da simplicidade do Mestre significa, também, trocar as prioridades na vida. Não se torna apenas um conceito de aparência, na qual transforma apenas como nós portamos. Muda também nossos ideais, nossas buscas, os motivos das nossas orações. A vida é uma arte de amar as pessoas.

    A faixa-título “Lado a Lado”, apesar de boa, é a canção menos interessante do álbum, mas uma letra bem mais complexa que as demais. De qualquer forma, o folk veloz dela anima qualquer um.

    A melhor do álbum é a “Reforma”. Um dos movimentos que mais cresceu nos últimos anos com o advento da internet e das redes sociais foi o reformado, ou calvinista. Os estudos feitos pela teologia calvinista são um dos mais bem organizados, estruturados e solidificados do  protestantismo, e seu extremo cuidado no aspecto bíblico foi um dos motivos de sua explosão. Porém, a cosmovisão calvinista é apenas mais um no meio de tantos pontos de vista do cristianismo, e embora seja muito bem organizado não significa salvação. Qualquer teologia sempre se estruturará na mentalidade das pessoas, mas se o coração não estiver transformado não passará de títulos e rótulos. A verdadeira reforma não transforma a construção primeiramente, ela muda a estrutura da casa, senão qualquer teologia virará teoria. E teoria demais embriaga, como dizia a letra do “Neófito” do Resgate.

    Voltando a canção, a genialidade da letra foi no jogo de analogias feitas nela com as duas passagens bíblicas sobre os odres velhos e a pérola perdida, e a verdadeira capacidade gerada na humanidade com a reforma: poderem amar.

    “Os loucos que amaram mais, acharam a pérola perdida
    Os loucos que amaram menos, odres velhos vinho desperdiça”

    O vinho simboliza na música o Amor, a pérola perdida o encontro do homem com o Amor, e os odres velhos um indivíduo não arrependido ou não transformado. Repetindo o conceito de Simples, a composição se estrutura no Amor.

    Você pode não estar apaixonado, não gostando de alguém, mas mesmo assim irá curtir a belíssima “Flores”. O melhor desse tipo de balada romântica, como “Mais uma Canção” do Los Hermanos, é conquistar seus ouvidos, mesmo sendo solteiro e sem expectativas amorosas. Quem estiver apaixonado, ou em algum relacionamento, essa música pode ser oficial da sua playlist. “Flores” é uma mistura de poesia romântica com um arranjo simples, mas encantador, uma das melhores do tema.

    “Palavras Soltas” é uma excelentíssima canção. A combinação do folk cheio de feeling no arranjo à letra de declaração a Deus estala o coração do ouvinte, uma habilidade do Bruno. São composições poéticas, simples, sem o toque pseudo intelectual das letras da música contemporânea, mas são ricas e profundas. “Saberás” segue da mesma forma que essa faixa, focada numa musicalidade com mais feeling e numa bela declaração, mais poética, contudo, não tão profunda. São duas canções sublimes, e suas poesias revelam mais sentimentos do que conceitos.

    “Vermelho Escarlate” finaliza o álbum maravilhosamente. Essa faixa mistura um folk com uma ideia que já havia explicado em “Reforma”. Vermelho escarlate é descrito na composição como a cor da letra inscrita nos corações dos filhos de Deus, e é baseado em 2 Coríntios 3.3.

    Porque já é manifesto que vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração.
    2 Coríntios 3:3

    Esses dois trechos da música explica toda a ideia dela:

    “A cidade tem confrontação no amor
    E a letra é vermelha escarlate
    Escritas nestas tábuas, de carne e coração(…)
    Não é letra mas sim sangue o conserto
    E a letra é vermelha escarlate
    Escrita nestas tábuas de carne e coração”

    Vermelho é a cor do sangue e sangue significa vida. A letra em um papel é morta, porém, quando entra em um coração se transforma em algo vivo. Rótulos e títulos se tornarão vazios se as letras vermelhas escarlates não circularem em nosso sangue.

    Lado a Lado é baseado em dois fundamentos, amor e simplicidade, e o meio utilizado foi a linguagem poética, arranjos modestos, andando sobre o folk com influências do blues e do MPB, mas que foram perfeitamente combinados. Um motivo de agradecimento a genialidade do Jordan Macedo, afinal, a ideia de gravar um álbum totalmente acústico foi persistida por ele, pois Bruno queria gravar um disco de banda.

    Bruno Branco buscou principalmente com essa produção fornecer um álbum com princípios cristãos, com uma linguagem menos engessada, presa aos clichês gospel e quebrar a barreira entre o gospel e secular. Sua opinião sobre essa barreira, aliás, sempre foi confusa para mim. Apesar disso, ele é um grande músico da geração que tem surgido atualmente e o seu inicio de carreira com esse excelentíssimo trabalho merece todo respeito.

    “Reforma”, “Simples”, “Vermelho Escarlate”, “Canção pra Você”, “Flores” e “Palavras Soltas” são as melhores, em ordem decrescente, do disco.

    Na próxima Musicografia falarei sobre o Prato & Sino, último lançamento do compositor, e dissertar em mais reflexões proporcionadas por esse álbum.

    Playlist da semana: Palavras Soltas, Reforma, Flores


    Referências

    Érica Fernandes, “As pessoas estão cansadas de religião”, afirma Bruno Branco. Disponível em: <http://www.lagoinha.com/ibl-noticia/as-pessoas-estao-cansadas-de-religiao-afirma-bruno-branco/> Acesso em 1 de agosto de 2015.

    Som da Madeira, Entrevista – Bruno Branco. Disponível em: <http://somdemadeira.blogspot.com.br/2011/12/entrevista-bruno-branco.html> Acesso em 1 de agosto de 2015.

    Wikipédia, Jordan Macedo. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Jordan_Macedo> Acesso em 1 de agosto de 2015.

    Wikipédia, Lado a Lado (álbum). Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Lado_a_Lado_(%C3%A1lbum)> Acesso em 1 de agosto de 2015.

  • Fronteira – Musicografia: Bruno Branco

    Anunciando a primeira série da Fronteira, Musicografia é uma novidade da coluna. Unindo biografia, inspirações próprias e conhecimento musical e artístico, a presente série busca abordar músicos da cena brasileira e internacional, envolvendo suas obras, músicas, e trabalhos, estudando-as e trazendo pensamentos sobre.

    No primeiro texto da Musicografia, abordarei um compositor singular e bastante recente. Em 2011, foi lançado o que para mim representa um artista fora dos padrões e clichês evangélicos. Nesse ano, o cantor mineiro de Belo Horizonte, Bruno Branco, desponta com excelentíssimo trabalho Lado a Lado, e para completar a discografia, lança em 2014, o álbum Prato & Sino.

    Integrando a playlist de artistas folk na cena cristã juntamente com Marcela Taís, Os Arrais, e Eduardo Mano, o músico com influências do folk, pop rock e MPB, tem a habilidade de criar belas canções, ricas em poesias e arranjos que conseguem carregar o feeling de suas letras. Desse gênero musical que tem surgido na cena do novo movimento, Bruno é indubitavelmente o melhor compositor.

    Lado a Lado foi arranjado para ser um álbum totalmente voz e violão, independente, usando da simplicidade desse tipo de produção. Porém, mesmo seguindo esse tipo de estilo musical, Branco conseguiu fazer algo épico, com grandes músicas. A proposta do álbum foi devidamente cumprida, desde a primeira canção até a última.

    Analisando as faixas deste projeto, “Reforma” é a melhor do disco, expondo uma brilhante letra sobre o verdadeiro sentido da transformação de nosso ser: a capacidade de amar. Como diz a melodia, “os loucos que amaram mais acharam a pérola perdida, os loucos que amaram menos, odres velhos vinho desperdiça”. “Simples”, “Canção pra Você”, “Flores” e “Vermelho Escarlate” são outras canções magníficas e geniais. “Saberás” e “Palavras Soltas” são também belas e feras produções. A faixa título, “Lado a Lado”, é uma boa composição, mas não chega ao nível das outras canções do mesmo álbum.

    No álbum Prato & Sino, Bruno Branco fugiu da proposta folk do álbum anterior, e com a distribuição da Som Livre, resolveu usar instrumentos elétricos. O resultado que se originou de sua criatividade foi algo totalmente diferente do Lado a Lado, mas manteve o nível de qualidade artística. Preenchido por ótimas camadas de guitarra, o disco soou uma mistura de folk, pop rock, blues e MPB. É impossível dentro de sua carreira eleger uma canção ruim. As melhores de Prato & Sino foram duas composições espetaculares: “Brasília Líquida” e “Pedro Jorge”. “Brasília Líquida”, com ressalvas ao trecho grudante “Ainda temos sede de mais”, onde a combinação do instrumental com a voz do cantor foi perfeita, transmite um sentimento de como estamos correndo atrás de coisas tolas e vazias, como a canção inteira consegue expor. “Pedro Jorge”, uma criação à lá “Faroeste Cabloco”, apesar da diferença musical, segue a mesma proposta de crítica social, principalmente ao “clube social evangélico”.

    “Pai Nosso”, “Prato & Sino”, “Amor”, “Honra”, “Da Flor” são também magníficas músicas. “Cultura Nova”, “Mainstream”, “Rio” integram o álbum como ótimos lançamentos do álbum. “E Agora, José”, “Onde Estás” e “Luz” se juntam ao resto como belíssimas canções também. O álbum em si ganhou uma boa dose de crítica contra a nossa cultura de conceitos líquidos, superficiais, uma espécie de conteúdo sem base, contra o comércio do Evangelho e continuou com o toque poético do primeiro álbum.

    É difícil escolher qual álbum é melhor, pois são construções musicais com perspectivas diferentes que atingiram com perfeito sucesso o seu devido objetivo, mas o primeiro conseguiu atingir melhor a meta, reunindo canções que ficam quase no mesmo patamar de qualidade musical.

    Apesar de ser dono de uma potente voz e de ser um ótimo compositor, Bruno não considera-se como cantor, porém como poeta, é o que diz o próprio em entrevista ao site da Lagoinha: “Não queria seguir a carreira, tanto que até hoje não me enxergo como um cantor, me vejo como um poeta e uso a música para transformar o que sinto e o que penso em uma linguagem mais acessível”.

    Como músico, o mineiro tem muitos talentos, toca violão, sua voz é singular, com um timbre mesclando a rouquidão, com tons mais graves e agudos em certas partes, além de ser e é um brilhante compositor. Bruno Branco começou a sua história discográfica com dois ótimos CDs. E, tem tudo para continuar o belo trabalho que começou.

    Playlist da semanaPedro Jorge, Simples, Flores, Vermelho Escarlate, Brasília Líquida, Canção pra Você, Reforma, Saberás, Amor

  • Som Livre apresenta novidades para segundo semestre do ano

    Depois de reestruturar e diversificar seu cast através de novas contratações a gravadora apresenta projetos para o segundo semestre do ano.

    Na última quinta-feira (03), a gravadora realizou audição do novo álbum de Gui Rebustini com a presença da mídia paulistana. Batizado de “Além do Horizonte”, o novo disco marca o início da parceria do cantor na nova casa.

    Já a cantora Ana Nóbrega se prepara para gravar o primeiro DVD solo da carreira. Após sair do Diante do Trono a cantora gravou o álbum “Nada Temerei” lançado pela Som Livre, sendo este seu segundo trabalho solo da carreira. Ana se mudou recentemente para o Rio de Janeiro e já está selecionando repertório do DVD que será gravado ainda este ano.

    Para o público pentecostal, a Som Livre prepara o tão aguardado DVD da cantora Andrea Fontes. A parceria já começa em grande estilo com a gravação de CD e DVD inédito ao vivo. A produção está a todo vapor e a gravação do projeto deve acontecer no dia 13 de setembro em São Sebastião em São Paulo.

    Contratada recentemente, o álbum de estreia de Pâmela na Som Livre se aproxima da fase final de produção. Essa semana, a cantora conclui a gravação de voz e o material segue para a mixagem, onde receberá os ajustes finais. A cantora também falou com exclusividade para a coluna Ser Ester e em breve você poderá conferir aqui no O Propagador.

    Bruno Branco desembarca no Rio de Janeiro para divulgar seu novo disco “Prato e Sino”. Gravação de clipe, entrevistas em rádios, TVS e Jornais estão entre as atividades previstas para o cantor mineiro Bruno Branco no Rio de Janeiro em julho.

  • Marcela Tais, Hélvio Sodré e Bruno Branco apresentam o projeto “Fé, Amigos e poesia”

    Apresentando um repertório formado por canções inéditas, o projeto inclui uma mistura de influências, a linguagem poética e os estilos peculiares desses três grandes talentos da música cristã nacional – Marcela Tais, Hélvio Sodré e Bruno Branco.

    Essa história começou, em julho de 2012, por meio de uma conversa entre Marcela Taís e Bruno Branco. Eles haviam pensado em “produzir alguma mistura”: “Conversamos sobre isso, mas a coisa não evoluiu naquela época. Porém, no final de fevereiro deste ano, o Hélvio e o Bruno tiveram a brilhante ideia de fazer esse encontro não apenas acontecer, mas também de virar um CD. Eles me ligaram e, claro, fiquei super feliz! Sempre admirei muito o trabalho dos dois, foi um encaixe perfeito de propostas e musicalidade. Pois cada um já fazia o seu trabalho de forma bem peculiar e certamente traria uma boa bagagem para este novo projeto”, conta Marcela, artista Sony Music, que tem feito diferença no mercado gospel após o lançamento do álbum “Cabelo Solto”.

    bruno_marcela_helvioO álbum possui previsão de lançamento para o final de 2013. “A cada passo para a execução deste novo trabalho, há o carinho e a atenção com cada detalhe. Os três estão tendo o cuidado de preservar a mensagem central deste projeto, que é falar de Deus e das pessoas de uma forma direta, simples e realista”, afirma Hélvio Sodré, artista da Salluz Production, com dois discos lançados – “Por ai” e “Pólo”.

    A princípio, este será um CD independente: “Este projeto está livre de prazos e cobranças, estamos curtindo-o literalmente como músicos, fazendo música por amar fazer música. O que virá depois disso? Estamos tranquilos, Deus conduzirá e tomaremos as melhores decisões”, explica a mato-grossense-do-sul, Marcela Taís.

    Bruno Branco, que no ano passado lançou seu primeiro CD de carreira, intitulado “Lado a Lado” e recentemente assinou contrato com a Som Livre, fala das intenções com este novo trabalho: “A ideia é chamar outros músicos no decorrer dos próximos anos, mas nos mantendo sempre como a base deste projeto.”

    Entre as muitas novidades relacionadas ao projeto, já podemos adiantar que o logotipo já foi aprovado. “Depois de um brainstorm com Hélvio, Marcela e Bruno, um dos mais produtivos que já tive, ficou muito fácil conceber uma marca que traduzisse todo o conceito do projeto. Com uma pegada bem vintage, essa opção foi a que mais gostei dentre as que tínhamos. Essa logo faz parte de um grande estudo de identidade visual que estou trabalhando para meus amigos do “Fé, Amigos e Poesia”. Ainda vem muita coisa boa por aí”, relata Christyan Schneider, que assina a identidade visual.

    Mais informações:

    Site: WWW.feamigospoesia.com.br

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    Telefone: (21) 82240880 / (21) 9303-4054 / (21) 7902-5486

    Por Roberto Azevedo, com informações de Ana Paula Costa

  • Entrevista: Bruno Branco

    Bruno Branco é um nome que surge na música gospel trazendo consigo a esperança do novo. Sua proposta é a ousadia de louvar a Deus de forma simples e original. Conversamos com este grande talento sobre muitos assuntos, inclusive sobre o seu CD “Lado a Lado”, que tem sido bastante apreciado pelo público. Acompanhe a seguir essa conversa:

    O PROPAGADOR – Quem é Bruno Branco?

    Bruno Branco – Para me conhecer nada melhor que ouvir minha música. Às vezes quando ouço meu CD me sinto exposto, por que as músicas falam realmente muito de mim, me acho simples e por isso sou poeta, estou aprendendo a cada dia valorizar o menos e a querer Deus que é o mais. Sei que a vida não é só harmonia e melodia, tive grandes perdas, grandes batalhas, cometi grandes erros, enfim sou homem, um homem que fez uma escolha, ser mais um Bruno para Deus.

    OP – Em que momento a música passou a fazer parte da sua vida? Como você percebeu que essa era a sua estrada?

    Meu primeiro contato com música foi cedo, aos 14 anos, mas acho que só comecei a pensar em ser músico mesmo depois do CD que gravei com uma comunidade em Belo Horizonte aos meus 18 anos. Essa experiência me fez acreditar na minha música. E o Lado a lado foi uma experiência extremamente gratificante, firmando mais ainda essa minha caminhada.

    OP – Seu primeiro CD, Lado a lado recebeu muitos elogios… Fale-nos sobre este CD. Qual o foco deste trabalho?

    O foco foi não focar em nada que já existia. Queria realmente ser original. Foquei nos instrumentos que uso para compor, violões e banjos, e tentei ser simples, dando ênfase nas letras e mensagem e não numa parafernália instrumental.

    OP – Falando de elogios, seu trabalho foi bastante apreciado pela crítica, inclusive por Maurício Soares, diretor artístico do selo gospel da Sony Music. O que isso representa para você?

    O Mauricio foi o primeiro bom entendedor de música e do mercado que me viu. Mauricio é um visionário, que esta à frente de seu tempo. Acredito que por isso conseguiu ver valor na minha música e na de tantos outros colegas. A crítica está cansada do igual, acho que a critica Cristã mudou. Ela esta aberta para o novo. E acho que essa é a realidade da minha música, uma nova proposta.

    OP – Acredita que essa falta do novo na música gospel seja por comodismo de cantores e gravadoras, ou por demanda do mercado? Há espaço para essa nova proposta musical crescer?

    O mercado pede o novo sempre. Demanda existe e ela é crescente. Tenho certeza que as gravadoras estão percebendo essa necessidade do público de interagir com essa nova música. Deus usa a arte!  A Igreja já percebeu isso, é um novo ciclo, e tem tudo para dar muitos frutos, e por ser uma necessidade  do próprio  publico, terá em breve muito  espaço nas diversas gravadoras do nosso país.

    OP – Por falar em novo, quais são seus projetos na música? Há previsão de novo CD?

    Devo fazer um registro em vídeo da turnê do Lado a lado ainda nesse ano. Estou já em processo de composição. Acredito que no próximo ano chegará o novo CD. Amigos orem por isso!

    Defina:

    • Música: Arte que conquistou meu coração e me deu oportunidade de me doar ao mundo de forma original, com ela eu dialogo entre mundos e realidades que não conseguiria ir com meus pés, me uniu a diversas tribos, traduzindo a coisa que mais amo: Cristo.
    • Sucesso:Estar no centro da vontade de Deus, sem demagogia esse é o melhor lugar do mundo, para mim, o verdadeiro sucesso.
    • Família: Sonho, razão, inspiração maior, lugar da manifestação da maior poesia: o amor.
    • Fãs: São pessoas que se identificaram com minha arte. E por falarem a linguagem dela, tem todo meu respeito e admiração também, e espero contar sempre com a amizade deles, são mais que fãs são amigos que quero que sejam amigos ainda mais de Jesus.
    • Igreja:Eu amo a igreja, tenho um chamado pastoral e pretendo na hora certa cuidar com muito zelo da igreja que Deus confiar em minhas mãos. As portas do inferno não vão prevalecer contra a Igreja! É sempre bom lembrar disso, crises, problemas e etc. acontecem, mas é a Igreja que Cristo vai buscar.
    • Deus: Maior que Eu, maior que nós, maior que Eles, Deus é maior! Não se explica e nem define Deus, se experimenta, se relaciona. Posso dizer que Ele é real, pessoal, e para agradar Ele é impossível sem fé.

    Deixe uma mensagem para nossos leitores e também os seus contatos:

    Nos próximos anos iremos revolucionar o país com uma contracultura. Jovens cristãos irão manifestar seu amor por Deus de formas inesperadas e inusitadas. Alguns vão entender que é o Espírito Santo soprando uma linguagem efetiva para a nova geração. Espero que você seja um desses.
    Iremos enfrentar dias de muito secularismo, a pós-modernidade, e teremos uma multidão de jovens sendo resgatados pelos poetas, artistas plásticos, professores, juízes cristãos.
    Que você, dentro do que você faz, dentro do que você se dispôs a ser, seja um homem e uma mulher de Deus que ame mais as pessoas do que o que elas podem te oferecer.
    Conto com a oração de vocês. Forte abraço!
    Twitter: @brunobrancolive

     

  • TOP 10 – melhores álbuns gospel de 2011

    Chegamos ao final de mais um ano, e assim decidimos relembrar os melhores lançamentos do ano de 2011, compilada entre a equipe do O Propagador. Confira, então, os melhores álbuns gospel de 2011!


    Heloisa Rosa - Confiança - 201110º: Confiança – Heloisa Rosa

    Sendo o seu álbum mais “pesado”, o quarto trabalho de Heloisa Rosa apresenta mais guitarras, mais teclado, mas sem deixar de lado o teor conceitual de suas obras. Versando sobre a confiança em Deus, o disco apresenta algumas composições que tratam de proteção, intimidade e segurança no Criador. (texto por Tiago Abreu)

    Ouça: Hoje eu Sei, Pulsa Coração e Amigo Íntimo


    A Beleza do Rei - Stênio Marcius - 20119º: A Beleza do Rei – Stênio Marcius

    A Beleza do Rei é o disco que definitivamente solidifica o posto de Stênio como um dos grandes poetas e músicos, dentre os mais recentes, da música cristã nacional. Trazendo sonoridades regionais, o disco é rico musicalmente e poeticamente. (texto por Tiago Abreu)

    Ouça: A Beleza do Rei, A Capa e o Mestre e Face a Face


    Celso Machado - 3D - 20118º: 3D – Celso Machado

    Após vários anos como contratado pela banda Oficina G3, Celso Machado fez sua estreia como músico solo. Um disco totalmente instrumental, com arranjos autorais e produzido pelo próprio guitarrista, 3D é um disco rico do início ao fim. O cantor Mauro Henrique ficou responsável pela mixagem e masterização. Além disso, a capa, produzida por Douglas Wolf, com fotos de Jacky Dantas, é um destaque a parte. (texto por Tiago Abreu)

    Ouça: Harvest, Born Again e Escatologia


    Lá Vem Ela... - Carol Gualberto - 20117º: Lá Vem Ela… – Carol Gualberto

    Oriunda da “geração MPC”, Carol Gualberto faz jus as suas raízes e lança o seu segundo trabalho, com a mesma maturidade de estreia. Trazendo jazz, bossa e muitos outros gêneros, é o exemplo claro de que a cultura cristã pode – e deve – ser rica. (texto por Tiago Abreu)

    Ouça: Cansei, Cata Vento e Rotina


    Marcela Taís - Cabelo Solto - 20116º: Cabelo Solto – Marcela Taís

    O primeiro trabalho de Marcela agrega canções belas, que trataam a leveza e a simplicidade da vida, em torno de tanta competição e materialismo da sociedade moderna, como “Naquela Rua”, sua melhor criação. E justamente nesta fase de construção de pensamentos em que os adolescentes se encontram, estas ideias de Marcela Tais são ótimos temas para se tratar. (texto por Thiago Junio)

    Ouça: Cabelo Solto, Não Tenho o Dom e Naquela Rua


    Bruno Branco - 2011 - Lado a Lado5º: Lado a Lado – Bruno Branco

    Baseado em dois fundamentos, amor e simplicidade, o álbum utiliza a linguagem poética, arranjos modestos, andando sobre o folk com influências do blues e do MPB, mas que foram perfeitamente combinados. Bruno Branco buscou principalmente com essa produção fornecer um álbum com princípios cristãos, com uma linguagem menos engessada, distanciar dos clichês gospel e quebrar a barreira entre o gospel e secular. (texto por Thiago Junio)

    Ouça: Reforma, Simples e Vermelho Escarlate


    Álvaro Tito - 2011 - Reinas em Glória4º: Reinas em Glória – Álvaro Tito

    Após muito tempo sem um registro de inéditas, Álvaro Tito retornou com força total e em ótima forma. Mesclando pop, soul, jazz e R&B, Reinas em Glória só mostra que o tempo veio provar que Álvaro é um dos maiores intérpretes da história da música cristã nacional. (texto por Tiago Abreu)

    Ouça: Carregando Piano, Somente Pela Graça e Deus é o Nosso Refúgio


    Tudo que é Bonito de Viver - Jorge Camargo - 20113º: Tudo que É Bonito de Viver – Jorge Camargo

    Após vários anos de carreira, Jorge Camargo decidiu trazer um disco mais “conceitual”. Tratando de seus temas mais íntimos, acerca de sua relação com a arte, Camargo mais uma vez surpreende e nos dá um disco de riqueza poética e instrumental, trazendo gêneros como a bossa e samba e acompanhado por proficientes músicos. (texto por Tiago Abreu)

    Ouça: Embelezar, A Felicidade e Beija-Flor


    Livres para Adorar - Mais um Dia - 20112º: Mais um Dia – Livres para Adorar

    Suicídio ainda é um tabu em nossa sociedade, e trazer este tema para um disco no meio cristão é um ato corajoso e forte. Tratando da dor, o vazio, o deserto humano, o álbum do Livres para Adorar é denso, forte e impactante, inspirado em um amigo de infância de Juliano Son, que se despediu do mundo através do suicídio. Vale destacar a capacidade do grupo em trazer a influência do britrock sobre suas músicas, mesclando também, algumas versões bem trabalhadas. (texto por Tiago Abreu)

    Ouça: Um Lugar para Descansar, O Ladrão em Mim e Mais um Dia


    Daniela Araújo - Daniela Araújo - 20111º: Daniela Araújo – Daniela Araújo

    Quando Fernanda Brum e Emerson Pinheiro criaram uma fórmula de pop nos anos 90, a única grande novidade dentro do gênero, com o passar dos anos, seria Daniela Araújo. Com seu álbum autointitulado, a artista trouxe ao seu favor o piano e arranjos da Orquestra Filarmônica de Praga, envoltos numa produção musical over-the-top, sendo um potencial candidato a se tornar um dos melhores lançamentos desta década. (texto por Tiago Abreu)

    Ouça: Guia-me, Dimensão da Luz e Jugo Suave


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